Kinshisoukan – 3 atos para o amor
Terceiro ato : Perdão.
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O resto do dia passou como um borrão. Não importava o que fizesse, nada lhe tirava da cabeça aquele olhar.
"Ele estava tão irritado e tão...confuso. Será que acha que o usei para ficar com a Haruhi? Hn, se for isso posso dar adeus a qualquer esperança."
O sinal tocou, anunciando o tão esperado fim da aula. Guardou o material, já se preparando para sair junto com os outros, quando percebeu a pasta do irmão presa na carteira.
-Hikaru no baka. – suspirou, pegando a pasta. Esperou ficar sozinho e a abraçou bem forte, junto ao peito.
Tinha prometido a si mesmo que seria forte, que deixaria o tempo curar as feridas, que esperaria, até que pudesse se aproximar novamente. Mas era tão difícil! A solidão machucava tanto que, às vezes, achava que ia morrer, se afogando na própria dor.
E talvez fosse mesmo.
"Se eu tivesse mais coragem, já teria cortado os pulsos."
Deixou a escola, cabisbaixo e sozinho. O caminho até em casa foi longo e silencioso, lhe dando um merecido tempo pra pensar.
"Isso é ridículo, não podemos ficar assim. Só estamos estragando as nossas vidas."
Chegou em casa, já procurando o irmão. Tinha se decidido. As reações de Hikaru não batiam e queria saber o porque.
"Pro inferno com a minha dor! Hoje eu tiro isso a limpo!"
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- Kinshisoukan -
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Sentou numa pedra, tentando recuperar o fôlego. Tinha corrido tanto, só agora percebia que estava perdido.
- Era só o que faltava – suspirou, encarando o céu poente, logo ficaria escuro. Pegou o celular no bolso, tentando saber que horas eram porém, este estava apagado.
"Podia jurar que deixei ligado...ah não! Não me diga que..." – apertou o botão no entanto, para a sua total infelicidade, a máquina não ligou.
"K'so! Quando vem problema é tudo de uma vez!"
Se forçou a respirar fundo, estava sozinho, e precisaria manter seu gênio sob controle pra sair dessa. Ficou assim por alguns minutos, apenas parado, esperando até ter confiança o suficiente para levantar e tentar resolver a situação.
Optou por voltar. Mesmo que não lembrasse do caminho, arriscar achar qualquer sinal do colégio era a sua melhor chance. Porém, o que seria uma caminhada tranqüila, provou-se algo árduo demais para seu coração.
Pé ante pé, as lembranças o assombravam. Não importava o quanto tentasse, as imagens fluíam sem controle. Não conseguia se impedir de rever Kaoru a cada passo.
Via seu rosto, ora manchado de lágrimas, ora frio e triste, ora corado de tesão. Lembrava de seu calor, sua pele, gosto e toques. Da sua semente, compartilhada num beijo, que parecia nunca ter acontecido...
Mas, mais que tudo, lembrava dos carinhos e cuidados ,do doce sussurro...
"Se me amava tanto assim, porque me aproximou dela?"
...não pense que é só um amor estudantil...
...eu jurei nunca dizer nada...
"Desse jeito, você vai ficar sozinho"
...eu desisti de tudo...
"Porque, Kaoru? Era a sua felicidade, não era?"
...dos meus mais profundos sentimentos...
"Nem mesmo Haruhi iria tão longe."
"E eu? Até onde vou por quem amo?"
O grande relógio da torre badalou, indicando o caminho a se seguir, porém, esse não era o motivo do tímido sorriso em seus lábios.
-Me espere, Kaoru. – sussurrou, antes de começar a correr.
Era um idiota, sabia disso, mas era um idiota apaixonado.
Já era hora de admitir.
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- Kinshisoukan -
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Saiu do banho, com os cabelos ainda molhados,e vestiu a calça do pijama. No entanto, faltou ânimo para continuar, e acabou por se jogando na cama assim mesmo. Espreguiçou-se, não contendo um bocejo, essa situação era tão estressante que o deixava totalmente exausto. Fazia o possível e o impossível para dormir cedo, mesmo assim ,não conseguia descansar.
"Será que é porque tenho a cama só pra mim?Hn...quem dera se fosse tão fácil."
Suspirou, encarando a porta do quarto. Estava decidido a falar com o irmão contudo, seria tolice negar o medo. Fingia-se de forte mas, as mãos tremiam. Num piscar de olhos o coração fugia do compasso, deixando-o tonto com a intensidade das batidas.
"Acabe com isso logo de uma vez!"
Engoliu seco, se forçando a levantar da cama. Ia terminar de se vestir, quando alguém bateu a porta.
"Achei que os criados já tinham ido."
Abriu a porta, esperando qualquer um, menos quem realmente estava ali. O coração se assustou, parando de bater; as palavras o engasgaram, deixando um gosto amargo na boca; o corpo todo tremeu, abalado demais para se manter de pé.
-Hikaru...
-Kaoru, eu... – tentou começar, no entanto, assim como o irmão, as palavras não vinham.
"Rápido, diga alguma coisa!"
-...posso entrar? – se apressou em dizer, não era nem de longe o que queria, mas foi o que saiu.
-Ah. Tudo bem. – sussurrou, tentando não parecer desapontado. Infelizmente, não teve sucesso.
A porta foi fechada e ambos se dirigiram para a cama. Hikaru sentou na beirada, enquanto Kaoru permaneceu de pé ao seu lado.
-Então... – tentou, novamente, começar.
-Então... – repetiu, visto que o outro não continuara.
Se encararam, ambos perdidos, sem idéia do que dizer. Se não fosse trágico, com certeza, seria cômico.
E, talvez tenha sido por isso que Kaoru riu.
-Que foi? – perguntou, contrariado.
-Na...nada. – disse, a voz ainda ondulante pelo riso.
Um resmungo foi ouvido e Hikaru virou a cara, envergonhado. Agora que se obrigara a falar, seu irmão fica de graça?
-É que tem tanto tempo que não ficamos assim. – estendeu a mão, tocando-lhe o ombro, num carinho saudoso. O bom humor foi se apagando, morrendo a cada palavra, logo não havia nenhum traço de riso.
-Assim como? – indagou, mesmo já sabendo que não gostaria da resposta.
-Assim...diferentes...
Voltou a encarar o gêmeo, compartilhando o peso daquelas palavras. De repente, tudo lhe pareceu inútil e tolo. Não acreditava no ponto em que chegaram, no abismo que se impuseram. Naquele momento eram completos estranhos.
Estranhos sem palavras.
"Não saber brigar, quer dizer não saber fazer as pazes"
-Kaoru, eu...eu... – "Não comece a gaguejar, imbecil!Diga logo tudo de uma vez!"
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Suspirou, cansado daquilo tudo. Seu peito doía, sequer sabia como se mantinha de pé mas, seria forte.Desceu a mão que ainda repousava no ombro de Hikaru, passando a segurar a mão do irmão, tentando lhe dar força. Não importava o quão fosse difícil para Hikaru se expressar, Kaoru agüentaria.
"Mas, se é tão difícil, será que é porque ele...?"
Engoliu seco, respirando fundo. Era uma jogada arriscada, se falhasse poderia dizer adeus a qualquer esperança porém, tinha que saber. Juntou fôlego,era agora ou nunca.
-Se não consegue dizer...me mostre.
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Um violento arrepio fez Hikaru estremecer, num segundo o ar preso em seus pulmões escapou, tão forte que pensou que fosse desmaiar. As poucas palavras que formulara foram totalmente apagadas, dando lugar ao dorso nu de Kaoru, as gotas que pingavam de seu cabelo e escorriam pela pele, os olhos tristes e desejosos.
Fechou os olhos por um momento, o corpo já reagindo a bela visão. No entanto, por mais que quisesse (e ele queria), não podia simplesmente agarrar Kaoru, faze-lo seu e simplesmente ignorar o resto.
Não. Seu irmão merecia mais...ele merecia amor, na sua forma mais nobre e pura...
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Sentiu as lágrimas se formarem, embaçando a sua visão. A demora de Hikaru o feria, estraçalhando o que sobrara de seu coração, junto com suas últimas migalhas de esperança. Sentiu-se imundo pelo amor que carregava e desejou, com todas as forças que ainda tinha, desaparecer dali. Mas o corpo não permitiu. Exausto, as pernas bambas finalmente cederam, os joelhos vergaram e foram ao chão, junto com as primeiras lágrimas.
"Acabou."
A mão de Hikau fugiu de seu toque e Kaoru escondeu os olhos, se encolhendo. Quando dedos seguraram e ergueram seu queixo, o corpo todo tremeu, esperando pelo pior.
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Se encararam. Depois de dias e mais dias de exclusão e sofrimento, eles realmente se encararam, lendo os olhos um do outro. Viu o irmão piscar, incrédulo, e sorriu, limpando suas lágrimas e ajudando-o a se levantar. Por fim, presenteou-o com um pequeno suspiro, quase tão satisfeito quanto o que este lhe dera tempos atrás.
- Ai shiteru mo.
As palavras se tornaram desnecessárias.
Beijaram-se, os corações abertos um para o outro novamente, batendo em sincronia mais uma vez. Eles estavam juntos.
E dessa vez seria para sempre.
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Nya! É isso, o fim da trilogia. ..
Espero q o fim tenha correspondido as expectativas! (d preferência sem ter ficado meloso d+ ¬¬')
Mas, antes d me despedir, eu tenho uma pergunta muito séria pra fazer:
É fato, os q me conhecem sabem, q lemom definitivamente NÃO é o meu forte. Porém, eu me atrevi a fazer um, como se fosse uma espécie de epílogo d Kinshisoukan .
A questão é: alguém se atreve a ler?
Se sim, por favor mandem uma review dizendo, tá?
Se não, bem...mandem review do mesmo jeito!
Agradecimentos especiais a TazChan, mitsumy-chan, Megume Takani, Kaoru002 , Sa-cjan e Leila pelas palavras d apoio! Muito obrigada!
Bjs!
