Capítulo V
- Você ficou louco, Malfoy? Não vê que ela estava sob a Maldição Imperius?!
- Ahn... Estava? - respondeu o garoto loiro para Hermione Granger.
- É óbvio! Por que motivo Chang viria até Londres só para te atacar?
Draco coçou a cabeça, a confusão estampada no seu rosto, enquanto observava o corpo da garota caída.
- Realmente, faz sentindo. Mas, para onde vamos levá-la?
- Boa pergunta – falou Hermione arqueando as sobrancelhas. - Não podemos abandoná-la aqui, levantaria suspeitas. Sua casa? Está vazia?
- Sim... Podemos deixá-la acordar e depois decidimos o que fazer. Você vem? - perguntou ele, assustado.
- Vou... - ela disse com cautela. - Só para garantir a segurança da Cho. - completou.
- Fechando a expressão, Malfoy encarou sériamente Granger antes de continuar a falar, deixando bem claro o tom ofensa em sua voz.
- E o que pensa que eu faria com Chang?
- Deixe-me pensar... - a garota coçou a testa, fingindo estar pensando – Matá-la, por que não? - continuou em tom irônico.
Arrependendo-se de suas próprias palavras, Draco resistiu à vontade de estuporar a garota ali mesmo, e apenas concordou com a cabeça.
- Tudo bem... Vamos, então? - ele falou num sussurro quase inaudível, pegando o braço de Cho e estendendo a outra mão para Hermione.
- Não está esquecendo de nada, Malfoy?
- Não. - disse o garoto em tom inocente.
- Malfoy! - ela continuou em tom de repreensão, estendendo a mão aberta.
Draco abriu a carteira, puxou duas notas e as colocou sobre a mesa.
- Melhor agora? - perguntou em tom irritado.
- Com certeza.
Após consertarem o estrago nas prateleiras, Draco segurou levemente o braço de Hermione, e os dois aparataram com o corpo de Chang.
A primeira impressão de Granger ao ver o apartamento que Draco morava atualmente, foi a de que o garoto apreciava, antes de tudo, estilo e luxo. Um sofá e uma poltrona de couro negro ocupavam a sala, que ainda continha uma alta e imponente estante, uma mesa de centro pequena e redonda, uma escrivaninha e o chão coberto por um tapete claro, que aparentava a pele de algum animal.
- Bonita casa... - comentou a garota, sem esconder a surpresa e a admiração.
- Mesmo? Achei-a simples demais... - respondeu Malfoy indiferente, colocando Chang desacordada no sofá.
- Simples? - perguntou assustada – De que animal é a pele desse tapete?
- Ah, sempre o tapete... É de um tigre albino, encontrado numa aldeia de Ruanda. Meu avô, Abraaxas Malfoy, o caçou e trouxe a pele como troféu. É muito raro encontrar um tigre desse tamanho hoje em dia.
Ligeiramente assustada, Hermione voltou a atenção para a garota no sofá.
- Vamos, Cho... acorde. - sussurrava enquanto sentia seu pulso.
Caminhando até a geladeira, Draco sacou a varinha, apontou-a discretamente para o sofá e murmurou:
- Enervate!
Abrindo lentamente os olhos, sentindo o corpo inteiro latejar, Cho encarou Hermione por quase um minuto, tentando se lembrar de como fora parar ali, numa sala desconhecida, com Hermione Granger à sua frente. Levando inconscientemente a mão direita à nuca, ela sentiu um pequeno galo se formando, e começando a incomodar.
- Granger? - ela perguntou, a confusão nitidamente estampada em seu rosto.
- Como você está, Cho?
Sentando-se no sofá, e olhando o ambiente ao redor, Chang tomou fôlego enquanto ordenava os últimos acontecimentos.
- Eu... não me lembro direito. Onde estamos, Hermione?
- Sei que você não vai entender nada, mas estamos na casa de Draco Malfoy. - explicou a garota.
- Malfoy? - perguntou ela, enquanto seus olhos demonstravam surpresa e um certo medo.
- Sim, Malfoy... - veio da cozinha a voz do garoto loiro, que apareceu com um copo d'água nas mãos.
Entregando o copo para Cho, ao mesmo tempo em que colocava a mão sobre sua testa, Draco continuou:
- Beba um pouco... Você vai melhorar...
Os olhos de Cho demonstravam apenas medo ao receber o copo de Malfoy, mas ainda assim, tomou um gole antes de continuar.
- Acho que... já estou melhor agora.
- Vai nos contar quem te colocou sob a Imperius? - perguntou Mione.
- Imperius? - ela murmurou para si mesma. - Claro, isso explica tudo... Mas, se eu estava sob a Imperius, como vocês me salvaram?!
- Primeiro você, Chang... - interrompeu-a Draco.
Assentindo devagar, Cho continuou:
- Eu estava de férias do trabalho. Então decidi visitar minha tia na Bulgária. - a garota ordenava os fatos enquanto falava. - Passei uma semana na casa dela. Depois, segui com um grupo de turistas trouxas que iam fazer um tour pelo país. E, quando me separei do grupo, para visitar a fortaleza de Grindewald, lembro de ter encontrado cerca de cinco homens encapuzados, que atacaram.
Hermione estava boquiaberta, e Draco ouvia tudo atenciosamente, sem esboçar nenhuma reação.
- Depois disso, eu só me recordo de uma coisa... - ela continuou, com um olhar assustado para Draco.
- Uma coisa? E o que seria, Cho? - perguntou Hermione, aflita.
Fechando os olhos, a garota falou, sua voz falhando de medo.
- O rosto de Lúcio Malfoy.
XxXxX
Seus longos cabelos loiros, quase brancos, que geralmente viviam arrumados, estavam sujos e embaraçados agora. Seu rosto mais pálido que o de costume, tocava o chão frio de pedra, de uma sala sem janelas. A única saída visível era uma porta dupla de madeira branca, trancada, há cerca de15 metros de distância. Ele não sabia se aguentaria por muito tempo. Não naquelas condições. Fazendo um esforço enorme, ele conseguiu sentar-se corretamente, e encostou-se numa das paredes.
"Há quanto tempo já estou aqui?", ele refletia consigo mesmo. "O que eles querem de mim?" e "Eu vou morrer?" viraram perguntas frequentes que ele fazia para o nada. Perdera a noção do tempo desde que estava aprisionado, do quanto fora torturado, e não sabia o que era comida razoável já há um bom tempo.
Perdido nesses devaneios, ele só teve tempo de se mover mais para a sombra quando as portas foram abertas, e um homem alto, de varinha em punho entrou no cativeiro. "Provavelmente deve pensar que estou dormindo..." foi a primeira idéia que lhe passou na cabeça.
Encolhendo as pernas junto ao corpo, ele contou cada passo do homem para dentro da cela, e quando sentiu que ele estava próximo o bastante, partiu para o único modo de salvação que lhe restava: Violência Trouxa.
Chutando com força a parte genital do homem, ele levantou-se, ignorando a dor e os gritos do homem e, tomando sua varinha, disparou numa louca corrida desesperada para salvar sua vida. Ao chegar nas portas de madeira da cela, ele ouviu a voz do homem ecoar por toda a sala de pedra:
- LÚCIO, VOCÊ É UM HOMEM MORTO!!!
XxXxX
Ronald Weasley caminhava de volta ao Ministério. Ele se cansara de esperar Hermione. "Onde ela estava?", pensou o garoto, mal reparando no caminho que tomava. Sem ao menos se lembrar do percurso feito, ele apenas percebeu que estava diante da entrada de visitantes do Ministério da Magia. Lembrou-se vagamente de seu quinto ano em Hogwarts, e na batalha contra os Comensais pela profecia.
Dentro da cabine telefônica vermelha, Ron discou os cinco dígitos que sabia de cor, enquanto sua mente vagava, onde quer que Hermione estivesse. Andando devagar pelo Átrio, ele ignorou os cumprimentos das outras pessoas, enquanto entrava no elevador para o Quartel dos Aurores.
Após a voz feminina anunciar o seu andar, o ruivo decidiu conversar com Harry. Ele provavelmente saberia onde estava a garota, e ele tinha mesmo que discutir sobre a viagem de expedição.
Chegando na porta de madeira, gravada em letras douradas a palavra"Potter", ele bateu uma vez, e sem esperar resposta, entrou se atirando numa poltrona.
- Ron, estava te procurando... - disse Harry Potter em tom sério.
- Olá para você também, Harry... Então, o que queria conversar comigo?
Harry levantou-se e caminhou pela sala, sem olhar para Ronald, e parando para observar um quadro na parede, ele disse em tom desanimado e cauteloso:
- Temos um problema com a expedição ao Egito.
- Problema? Mas... que tipo de...? Ora, chega de drama e falelogo Harry!!! - exclamou Weasley, curioso.
Harry virou-se para Ron, completamente sério, e caminhou de volta até a mesa, levando a mão aos cabelos enquanto pensava na melhor forma de contar ao garoto que ele seria tio.
- Eu não vou ao Egito com o grupo.
- Mas... Por que?! O que aconteceu?
- Eu e Gina tivemos alguns imprevistos... - respondeu o garoto, evasivo.
O ruivo demonstrava espanto, mas não conseguia entender os motivos de Harry. O que acontecera de tão grave? E, seria mesmo suficiente para adiar a expedição?
- Imprevistos? Fale logo o que aconteceu!!!
- Ron, eu queria te dizer isso de outra maneira, mas... - disse Harry, sentando-se em sua poltrona, encarando o garoto de frente. - Sua irmã está grávida.
O garoto empalideceu rapidamente, seus cabelos ruivos realçando fantasmagóricamente sua pele pálida, quase esverdeada. Potter relembrou quando ele vomitara lesmas na casa de Hagrid. Estava da mesma cor.
- ELA O QUÊ?! - perguntou Ronald Weasley, alteando o tom de voz. - VOCÊ DEVE ESTAR BRINCANDO!!! É BOM QUE VOCÊ ESTEJA BRINCANDO!!!
- Rony, sente-se por favor... - falou Harry em voz baixa, notando que o garoto se levantara e sacara a varinha.
O rosto do ruivo mudou rapidamente de cor, de um pálido para um vermelho forte, deixando-o com a aparência de um tomate maduro. Porém, tomates não gritavam, nem ao menos levavam as mãos à cabeça, como Ron fazia no momento.
- SENTE-SE?! É ISSO O QUE VOCÊ TEM PARA ME DIZER? - ele agora gritava, e em sua ira, não notou as faíscas que saltavam da ponta de sua varinha, para um vaso de plantas ao lado, que queimaram instantaneamente.
- Sinto muito, eu não tenho muito o que dizer, Ron...
- É CLARO QUE NÃO TEM!!! PORQUE ISSO NÃO DEVERIA ACONTECER!!! NÃO AGORA, PELO MENOS!!!
Harry tentava acalmar o garoto, mas não sabia quais palavras usar. Decidiu contar a verdade, torcendo para que ele compreendesse.
- Ron, me ouça um minuto... A gente não planejou nada disso... Foi um acidente, ok? Um acidente...
Infelizmente, aquelas não foram as palavras corretas para o estado de nervos que Weasley se encontrava. E, parece que a palavra "acidente" desencadeou o que ele tentava segurar.
- AH, UM ACIDENTE...CLARO, UM ACIDENTE!!! - ele gritou irônicamente, sua voz esganiçando um pouco– UM FORD ANGLIA VOADOR SER VISTO POR SETE TROUXAS EM LONDRES, BATER NUM SALGUEIRO LUTADOR E VAGAR POR UMA FLORESTA SELVAGEM É UM ACIDENTE, HARRY!!! ISSO SIM É UM ACIDENTE!!!
Potter simplesmente não conseguia ver o seu amigo ali à sua frente. Ronald estava num estado de nervos tão forte, que ele se perguntava como ele ainda não explodira. Colocando a própria varinha sobre a mesa, como se falasse "Veja, não quero brigar...", o garoto encarou o ruivo por cerca de meio minuto antes de continuar:
- Olhe Ron, está tudo meio confuso agora, mas com o tempo as coisas vão se acertar...
- EU QUE VOU ACERTAR VOCÊ, SEU DESGRAÇADO!!! - gritou Ronald Weasley, socando a mesa com força e encostando a varinha na testa de Harry.
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N/A: *Tocando"Carmina Burana" ao fundo*
Eu não acredito que enrolei tanto tempo para postar um capítulo!!! Caracas, tenho que parar com essa enrolação!!!
Antes de tudo, peço desculpas para todos vocês que acompanham a Fic, e simplesmente não tenho um motivo para tanta demora...
Mas, vamos ao lado bom... TAÍ UM CAPÍTULO NOVINHO PARA VOCÊS!!!
E, com cada novidade!!! Até que enfim, foi citado o tio Lúcio!!! E, a coisa entre Harry e Ron vai ficar feia mesmo!!!
Ah, coitadinha da Cho... Mas, ela ainda vai dar muito o que falar...
E, os agradecimentos de sempre...
Line Black: Agradeço principalmente e especialmente à srta. por me cobrar tanto o capítulo, todos os dias!!! Se não fosse a sua insistência (leia "torrar a paciência), eu poderia ter esquecido a "Por um Bem Maior".
Agradeço desde já, e você ainda terá muitas surpresas com o seu querido Weasley... (parei)
Nessah/Milly: Bom, eu postei... Demorei um pouquinho mas postei... Espero que goste, ok?
Mariana Sweet: Caracas, você leu mesmo isso aqui? Essa eu não esperava... E, espero que goste desse capítulo, pois vou cobrar reviews...
E, quanto à minha BETA, srta. Ayesca... Se ler isso, apareça!!! Está complicado escrever sem ninguém para betar isso aqui... (quem quiser se candidatar, a vaga está em aberto)
Bom, fico por aqui...
"Antigas Intrigas... Serão Esquecidas... POR UM BEM MAIOR!!!"
Sem mais...
Vander - Metalkid
