CAP 02 Escape

CAP 02 Fuga

Nota da autora: "Eu gostaria de lembrar que essa história é literalmente UA. As coisas serão diferentes – eu vou tornar isso mais claro agora. Apenas relembrem o que aconteceu antes e depois da visita de Harry a Azkaban, e lembrem que qualquer coisa – eu quero dizer qualquer coisa – que foi afirmado ou que tenha ocorrido depois de A Fuga pode mudar. Algumas mudanças são evidentes neste capítulo, e mais coisas se tornarão claras à medida que a história progride."

Depois de dois dias, seis horas, e vinte e dois minutos, Harry tinha suportado o suficiente.

Havia coisas que uma pessoa inocente não podia suportar, ele raciocinou, e passar mais tempo em Azkaban do que o estritamente necessário era uma delas. Os efeitos dos dementadores, embora temporariamente esquecidos diante da visão de Gina viva e em boas condições, haviam retornado com força total não muito tempo depois da saída de Sirius e Gina. Harry havia revivido os pesadelos do outro mundo mais vezes do que poderia contar: os gritos frenéticos de sua mãe, o corpo de Dumbledore caindo da torre, a Câmara Secreta, o cemitério, o corpo de Sirius caindo graciosamente pelo arco-véu, Quirrel removendo o turbante... Mas ele era também assombrado por medos e dúvidas. Eles teriam escapado vivos? E se Sirius e Gina tivessem sido apanhados? E se ele voasse embora de Azkaban essa noite e chegasse no Largo Grimmauld apenas para descobrir que os dois nunca tinham chegado?

Harry não podia levar esse suspense adiante. Dois dias era tempo suficiente; dois dias, três dias, qual era a diferença? O Ministério continuaria sem nenhuma prova de que Gina fora auxiliada por alguma fonte externa. Além do mais, Harry estava louco para voltar ao Largo Grimmauld e falar com Sirius e Gina. Eles teriam encontrado Lupin? O lobisomem teria lhes contado tudo? Eles teriam contado a seus pais? Gina estaria bem e se recuperando de sua estadia em Azkaban?

Ele olhou para cima, para a janela; lá fora, o céu estava da mesma cor – cinza. Mas o tom mais escuro de cinza indicava que a noite estava caindo. Logo estaria escuro o suficiente para executar sua fuga.

Harry tomou uma dose dupla de Polissuco, e então cuidadosamente colocou todos os frascos restantes em seus bolsos. Depois de cuidadosamente escanear a cela por algo que ele tivesse esquecido, ele sentou novamente para começar a tediosa tarefa de esperar.

Lentamente o céu cinza torno-se negro. Os dementadores vieram e se foram, mas seus efeitos não foram tão ruins. Harry estava seguro pelo pensamento da fuga. Apenas um pouco mais. Então ele poderia ver Gina novamente.

O pedaço de céu estava agora completamente escuro. Os guardas fizeram um turno mais antes de desaparecerem pelo corredor. Pelo frio que se estabeleceu na cela, Harry sabia que havia dementadores parados ali perto, mas pelas noites anteriores, ele sabia que eles ficariam onde estavam.

Pelo menos a prisão estava quieta, exceto pelos gemidos periódicos dos prisioneiros que estavam encarcerados por muito tempo. Lentamente, Harry levantou, fechou seus olhos e se concentrou. O sentimento da transformação o cobriu como uma onda de abençoado alívio. Ele esticou suas asas, saboreando o calor que voltava para seus braços – bem, asas.

Algumas batidas, e ele ergueu-se no ar. Apenas mais alguns pés de altitude a ganhar antes que ele chegasse na janela... Ele estava quase lá...

Ele voou direto para a abertura mais larga nas barras. Instantaneamente, um choque de eletricidade disparou contra ele, uma dor única que ele jamais experimentara antes. Ele caiu para trás, transformando-se de volta segundos antes de atingir o chão enquanto ao seu redor alarmes começavam a soar.

A janela fora enfeitiçada. Como fora estúpido da parte dele presumir outra coisa! Ele ofegou por ar e examinou seu ombro onde três vergões vermelhos rapidamente se levantavam – uma marca da janela encantada.

O som de passos e gritos ecoaram no corredor. Os guardas haviam sido alertados, e os alarmes altos e agudos pareciam estar soando da sua cela. A temperatura estava rapidamente caindo, indicando a rápida aproximação dos dementadores. Harry olhou ao redor com selvageria. O que ele iria fazer?

Seus olhos caíram nas estreiras barras na porta da cela. Talvez ele ainda tivesse uma chance...

Ignorando os gritos em sua cabeça, Harry lançou toda a sua energia na transformação. Com um "pop" ele era novamente um falcão, e voou para as barras, encolhendo as asas para junto do corpo. Era uma saída estreita, mas com alguns meneios, ele havia passado.

À sua esquerda, McNair estava correndo para ele, varinha erguida. À sua direita, dementadores se aproximavam deslizando. Um deles tinha a mão no capuz, pronto para baixá-lo... Mas até então, McNair era o grande problema de Harry.

Varinha. Eu preciso de uma varinha.

McNair gritou um feitiço; Harry desviou dele, ainda em sua forma animaga, e atirou-se contra McNair.

-Avada Kedavra!

Harry evitou esta maldição também; agora ele estava atrás de McNair, circulando-o enquanto o Comensal da Morte girava loucamente tentando conseguir uma boa mira. Harry esperou até que ele estivesse diretamente acima das costas de McNair; então ele se transformou.

Como uma pesada árvore, McNair caiu, o peso de Harry pressionando-o contra o chão. Com um movimento fluído, Harry arrancou a varinha e a apontou para os dementadores, o rosto de Gina vívido em sua mente.

-Expecto Patronum!

Um enorme cervo prateado disparou de sua varinha; os dementadores fugiram enquanto o cervo galopava pelo corredor, finalmente retornando para Harry.

-Me siga! – ele gritou, e começou a correr na direção de que McNair tinha vindo.

Duas voltas para a direita, três lances de escadas – ou quatro?

Ele tomou a primeira direita, seu cervo ainda a meio galope atrás dele como um grande parente prateado. Mais uma direita, e então havia a porta para as escadas diante dele.

-Feito!

Era muito tarde. Alguém havia segurado as costas da camiseta de Harry, e ele caiu, amaldiçoando a si mesmo por ser tão negligente – ele havia assumido que McNair fora nocauteado pela queda e não se importara em estuporá-lo. Em sua corrida, não percebeu que estava sendo seguido. Harry caiu para trás no chão de pedra, vários frascos rolando para fora de seus bolsos enquanto ele atingia o chão. Ele tentou agarrá-las ferventemente, mas não conseguiu.

-Eu peguei você agora, sua pequena cadela! – McNair gritou triunfantemente.

McNair puxou sua mão para preparar um soco; Harry chutou freneticamente, e por sorte atingiu o homem na canela. Com força. McNair urrou de dor, e desesperadamente, Harry rolou para fora do caminho, enfiou a varinha no bolso, e executou sua transformação mais rápida até então. Lançou a si mesmo para o ar.

-Eu vou te pegar, Weasley!

Mas voando, Harry percebeu que era muito mais rápido que aquele imbecil pesado. E ele ainda tinha a varinha de McNair. Ele disparou na direção da saída, transformando-se na soleira da porta e pegando a varinha uma vez mais.

-Estupefaça!

O jato de luz vermelha atingiu o Comensal da Morte entre os olhos, e ele tombou no chão. Harry inspirou profundamente, segurando o estômago pesado. Para sua completa surpresa, ele ouviu gritos e o som de aplausos. Rostos estavam pressionados contra as barras de cada porta de cela. Os prisioneiros haviam assistido a luta com entusiasmado interesse.

-Vá pegá-los, criança!

-Patrono legal, garota!

-Patrono legal minha bunda – o prisioneiro mais próximo zombou. – Tá mais pra forma animaga legal!

-Obrigado – Harry disse, muito perplexo para lembrar de altear a voz. Ah, bom. Foi mais como um coaxo, de qualquer maneira. Uma mecha de cabelo vermelho e sujo escorregou por seu ombro, e ele percebeu que ainda parecia com Gina.

-Uhm, obrigado – ele tentou novamente, erguendo o tom. – Como eu saiu daqui? – Três lances de escada, e então eu estou completamente perdido.

-Desça dois lances de escadas – uma mulher disse em uma voz estridente. – Vá para a direita, tome a próxima esquerda, desça mais três lances de escadas, direto até você chegar a uma sala circular, pegue a terceira porta a direita...

-Como você saberia? – o homem à direita de Harry perguntou com desprezo.

-Eu já tentei sete vezes – ela retorquiu. – Você pensaria que eu desci algumas vezes até agora.

-Obrigado – Harry disse uma terceira vez, - Bem, eu vejo vocês por aí.

-Ei criança, você vai me tirar daqui também? – o homem mais próximo chamou. – Eu sou inocente!

-Você assassinou cinco pessoas! – a mulhes gritou. – É isso que você chama de inocência?

-Bem, legal encontrar vocês – Harry exclamou por cima do barulho. – Eu estou indo.

Encorajamentos como "Boa sorte!", "Que Merlin vá com você, criança!" e "Mate o guarda da próxima vez, docinho!", Harry lançou seu patrono novamente, sabendo que ele precisaria dele se encontrasse os dementadores novamente, e disparou para as escadarias. Ele não encontrou ninguém por dois lances de escada, e estava se sentindo muito otimista quando voou pela porta do próximo nível e virou à direita.

As notícias se espalharam como fogo. Os prisioneiros imediatamente começaram a gritar de aprovação quando Harry começou a descer para o próximo nível, seu patrono saltando atrás dele. Então a próxima porta à esquerda abriu com estrondo e Harry se confrontou com três guardas, todos com varinhas.

Instantaneamente, ele mergulhou para o lado quando três maldições verdes voaram sobre sua cabeça. Ele ergueu um escudo que desviou a rodada seguinte de maldições antes de se esmigalhar.

-Role! – alguém gritou, e Harry o fez, justo quando mais três feitiços deixavam amassados nas pedras em que ele há recém tinha estado.

-Estupefaça! – ele gritou.

Seu feitiços voou com selvageria, ricocheteando na parede, mas maravilhosamente ele atingiu um dos guardas que havia corrido para frente para obter uma mira melhor. Harry se arrastou para trás e se escondeu em uma abertura de porta enquanto feitiços dos outros dois remanescentes explodiam ao seu redor. Um dos feitiços de corte abriu um talhe em seu cotovelo.

Harry chiou de dor, retaliando com bem colocado Impedimenta. Infelizmente o mais baixo dos dois homens ergueu um escudo bem em tempo, e o feitiço se dissolveu.

Eles estavam se aproximando. O cervo prateado desapareceu em um sopro prateado. Ele ergueu um escudo temporário, e então transformou-se novamente em falcão e tomou altura. Os expectadores gritaram em deleite.

Harry tinha pouca prática em voar, apenas voando em círculos pela sala de estar de Sirius; mas ele tinha prática extensiva em vassouras. Voar em sua forma de falcão era praticamente o mesmo, apenas sem a vassoura. As técnicas eram muito similares. Incline para o lado que você quer ir, e o que vai subir deve descer.

Elevando-se e mergulhando no corredor de teto alto, Harry voou para os dois homens, evitando feitiços à esquerda e à direita.

-Bom Deus, ele pode voar! – alguém gritou, e internamente Harry sorriu. Ele podia voar. Apenas deixe eles tentarem pegá-lo.

Ele transformou-se no ar, mais uma vez usando seu peso para trazer ao chão o homem mais baixo.

-Estupefaça! – ele gritou, e o homem caído caiu de vez, desacordado. Com um rugido de raiva, o outro homem estava em cima dele.

No meio da agitação de braços e pernas, Harry podia ouvir os prisioneiros chamando e gritando encorajamentos para ele. Ele chutou, arranhou, mordeu, rolou, mas foi inútil. O outro homem era muito forte. Em desespero, Harry transformou-se novamente, escorregando pelas mãos do homem e tomando altura.

Mas enquanto ele desviava de maldições no ar, Harry percebeu que o último guarda era muito mais formidável na área de mira do que os outros dois. Ele não podia nem mesmo se aproximar para tentar outro ataque de flanco devido à sucessão interminável de maldições voando em sua direção.

Combate direto. Era o único jeito de superar o obstáculo.

Recuando um pouco, Harry transformou-se de volta, varinha erguida.

Amaldiçoando, o homem lançou outro feitiço para o prisioneiro, que o evitou facilmente.

-Isto é um duelo – disse Harry, mantendo a voz alta.

-Um duelo! Um duelo! – os expectadores ecoaram.

-Calem a boca! – o homem berrou para os prisioneiros, e Harry aproveitou a oportunidade para lançar o primeiro feitiço.

-Impedimenta!

E então a luta começou. Feitiços, escudos, mergulhos, desvios… Depois de apenas um minuto, Harry estava ofegante. Ele não comia há quarenta e oito horas, e a falta de sono decente havia cobrado seu preço. Ele estava perdendo força... e rápido.

Harry decidiu logo no duelo que seu oponente provavelmente não era um Comensal da Morte. Os feitiços eram perigosos, alguns potencialmente mortais, mas o homem não tinha o extenso conhecimento das artes das trevas que a maioria dos Comensais da Morte exibiam durante as lutas.

Ele estava prestes a lançar outro feitiço, quando um dos prisioneiros gritou:

-Abençoada mãe de Merlin, olhem para a criança!

Ele não pôde impedir a si mesmo; nem, pareceu, o guarda. Olhando para baixo, Harry descobriu com horror que estava crescendo, mudando. Seus ossos estavam aumentando, expandindo, enquanto seu cabelo parecia regredir ao seu escalpo. Ele estava vagamente consciente de uma sensação de aperto em seus pés. Oh, merda.

-Polissuco? - O homem exclamou, boquiaberto.

Impulsivamente Harry utilizou a chance para lançar um último feitiço antes que sua visão ficasse ainda pior. O feitiço atingiu o alvo, e o homem atingiu o chão um segundo mais tarde.

Ele cambaleou para trás, ofegando por ar enquanto as pontas de seu cabelo tornavam-se negras novamente e seus ossos terminavam de crescer, retornando à sua altura normal. A adrenalina estava escoando de suas veias; a exaustão estava rapidamente se assentando. Mas ele não podia parar, nem por um minuto. Quem sabia quantos homens mais ele teria que enfrentar para poder escapar? E uma vez que ele conseguisse chegar à saída, quantos dementadores estariam esperando por ele lá fora?

Não pense sobre isso. Pense sobre Gina.

Mas agora ele tinha um problema maior para pensar. O homem o havia visto – o havia visto sem Polissuco. Harry nunca desejou com tanta fervura que tivesse prestado mais atenção ao abundante conhecimento de Hermione sobre feitiços e encantamentos. Um feitiço de memória seria ideal. Mas não havia nada que ele pudesse fazer, especialmente quando o frio intenso anunciou a aproximação de mais dementadores.

-Certo – Harry disse alto, e depois de lançar outro Patrono, ele saiu pela porta. Pelo menos ele estava certo de que era a porta. Sem seus óculos, o mundo estava borrado.

-Vá lá, garoto! – várias pessoas gritaram, quando os aplausos e os vivas começavam novamente enquanto Harry disparava pela porta e começava a descer. Meio caminho abaixo, ele perdeu um degrau e caiu. Praguejando, ele ergueu-se novamente sobre os pés. Isso é estupidez, ele pensou, e se transformou.

Em sua forma de falcão, ele tinha visão perfeita, e incrível audição. Para a surpresa de Harry, seu patrono ainda galopava atrás dele quando ele abriu as asas e deslizou para baixo, planando suavemente sobre as correntes de vento da escadaria. Ele pensou que Pontas iria desaparecer quando ele mudasse de forma, mas ficou agradecido por sua companhia.

A porta no final da escadaria estava aberta. O caminho do hall estava surpreendentemente vazio, mas com sua audição aguda, ele pôde ouvir sons de passos ecoando em outros corredores. Esta passagem não tinha nenhuma cela em seu comprimento, pelo que Harry ficou feliz. Apesar de que havia sido um sentimento interessante ter os colegas de aprisionamento encorajando-o...

Harry planou na sala circular. Três portas à direita...

-Ali está ele! – alguém gritou, e repentinamente as pegadas aumentaram. Nada menos que dez homens estavam correndo na direção dele de diferentes origens. Mas por um golpe do destino, ou talvez sorte, a terceira porta à direita estava aberta, e o corredor adiante estava vazio.

Desviando voando dos feitiços, Harry lançou-se pelo arco e acelerou em direção ao portão duplo de metal que mantinha-o separado do lado de fora. Um lado do portão estava um pouco aberto.

-Fechem os portões! – um guarda berrou de trás, e um momento mais tarde alguém mais gritou um feitiço que Harry nunca havia ouvido antes. O jato de luz passou pela asa direita de Harry e atingiu o portão de metal. Lentamente, ele começou a fechar.

Mais rápido! Eu tenho que sair! Tenho… que sair… tenho… que sair... para Sirius... para... Gina...

Uma rajada final de energia se apoderou do corpo de falcão de Harry. Uma fração de segundo antes do portão de metal se fechar com estrondo, ele escapuliu por ele. Uma rajada do vento frio do mar o encontrou, e Harry relaxou e deixou o vento forte levá-lo mais alto... mais alto...

Pontas galopava ao seu lado, o cervo prateado brilhando como um farol na noite.

Os dois dementadores que guardavam a entrada nem perceberam quando ele planou sobre eles, diretamente para a escuridão noturna do céu.

Notas da tradutora: desculpem a demora! São 3 fics sendo traduzidas e mais uma sendo escrita por mim, isso mais os estudos pro vestibular, o trabalho, meus serviços como protetora dos animais e a vida de qualquer adolescente normal.

Nota da autora: "Eu tenho montes de idéias para essa história. Ela vai ser muito, muito diferente de OMCNOC (O Mundo Como Nós O Conhecíamos). Muito. Primeiramente, mais Harry/Gina. Mais Harry & CIA chutando-a-bunda-de-Voldemort. E intrigas, eu espero. E mais algumas surpresas. (…)"

No próximo capítulo, recuperação e revelações. "Reunião". xD Eu já li esse capítulo (óbvio!) e ele é muuuuuito legal. Mas ele só vem depois do capítulo 25 de OMCNOC. Até lá!