CAP 03 Reunião
O vento gelado levava Harry mais e mais alto no céu noturno. Ele estava no céu há horas agora, planando sobre as luzes brilhantes lá embaixo. Já fazia um bom tempo desde que ele chegara à terra, mas ele não se atrevera a aparecer no Punhal Mortal. Bem agora todos os aurores da Inglaterra deveriam estar procurando por ele, e as cidades próximas à Azkaban seriam os primeiros lugares onde eles procurariam. Eles saberia com que ele se pareceria, devido à descrição do guarda.
Silenciosamente amaldiçoando sua estupidez em deixar o guarda vê-lo, Harry lutou contra uma onda de exaustão enquanto batia as asas para ganhar mais alguns pés de altitude. Sua asa direita latejava da maldição do corte e da escuridão opressiva ao redor. Ele sentia a falta de Pontas; o patrono havia desaparecido várias horas antes.
Ele precisava encontrar um lugar seguro e aparatar o resto do caminho para o Largo Grimmauld. Ele não era o melhor em geografia, mas ele lembrava que Sirius dissera que Aberdeen era na costa norte da Inglaterra. Mesmo voando, a jornada iria levar muitas horas a mais. Harry não tinha certeza se ele poderia voar tão longe com seu braço machucado. Mas ele estava incerto também quanto às suas capacidades de aparatar satisfatoriamente.
Ele tinha que arriscar.
Ele circulou, perdendo altitude rapidamente, e pousou em um campo vazio. Com um "pop", Harry transformou-se, chiando quando a dor se irradiou por seu braço. Suas roupas estavam molhadas, provavelmente das nuvens pelas quais ele havia voado mais cedo em sua jornada. Por um momento, Harry considerou secar suas roupas e tentar um feitiço simples de cura com a varinha de McNair, mas ele rapidamente repeliu o desejado pensamento, sabendo que ele precisaria de cada gota de suas reservas mágicas para obter uma aparatação de sucesso.
Ele fechou os olhos e se concentrou. Por favor, me deixe chegar lá... Por favor, não deixe eu me estrunchar...
E então, com uma doentia sensação de compressão e uma guinada no estômago, ele estava tonto diante da casa velha e suja.
Harry cambaleou ligeiramente quando pulou os degraus e bateu. Ele ouviu movimentação, pés se arrastando, vozes... Cinco, quatro, três, dois, um.
Houve um retinir alto quando o trinco foi puxado e a porta escancarou-se.
-Harry! – alguém arfou. – Ah, graças a Merlin...
Harry piscou e viu os débeis contornos de Sirius e outro homem que ele não reconheceu o puxando para dentro, levando-o pelo hall e para a sala de estar. As luzes o cegaram por um momento, mas então pela segunda vez nos últimos três dias, ele divisou um borrão de cabelos vermelhos apressando-se para ele. Instintivamente Harry encolheu-se, mas desta vez ao invés de bater nele, Gina lançou seus braços ao redor dele no que foi provavelmente o melhor abraço que ele já recebera. O melhor.
-Você está bem! – Oh Harry… Eu estava tão preocupada…
-Ginevra Weasley, volte para o sofá! – Sirius berrou. O momento quebrou-se, e Gina se afastou.
-Eu estou perfeitamente bem – ela protestou, e Harry apertou os olhos para uma olhada melhor nela.
-Você parece ótima – ele disse honestamente, sem tirar os olhos de Gina enquanto os irmãos Black o impulsionavam para o sofá.
-Não seja tolo – o homem que Harry finalmente decidira que era o irmão de Sirius rosnou. – Ela estava fraca como um filhote de gato quando chegou aqui...
-Eu me sinto ótima! – Gina argumentou, mãos nos quadris.
-...e ela continua fraca. – Régulo terminou.
-Ela está cheia de poções. – disse Sirius. – Gina, sofá. Agora.
Rosnando, a garota obedeceu, sentando perto de Harry, que estava recostado cansadamente contra as almofadas. Ele sentiu a mão dela descansar gentilmente em seu braço, mas não pôde evitar a retração quando ela pressionou seu corte.
Gina recuou a mão e arfou.
-O que houve?
-Maldição do corte – Harry murmurou. – Eu estou bem.
-Garoto idiota – Régulo exclamou. – É claro que você não está bem. Aqui. Isso vai ajudar com a dor.
Harry viu o objeto borrado sendo estendido para ele; ele tentou pegá-lo, mas errou.
-O que está errado? – Sirius começou, mas então pausou. –Ah. Gina, onde você pôs os óculos de Harry?
-No banheiro lá em cima – ela disse, pondo-se de pé, mas o homem mais velho a cortou.
-Sente – ele disse em um tom perigoso enquanto se dirigia para a porta. – Eu vou pegar.
Gina sentou-se obedientemente.
-Agüente aí com seu braço – ela mandou, e Harry obedeceu. Em um segundo ela havia arranjado uma varinha – a varinha dele – e rasgado a manga esfarrapada, fazendo uma careta quando a ferida sanguinolenta foi revelada. – Ui – ela disse com simpatia, cuidadosamente fazendo a performance de um feitiço para limpar a ferida.
Régulo assistia silenciosamente.
-Ele está surpreso – Gina contou a Harry. – Eles pensam que eu não deveria ser capaz de fazer nem os mais simples feitiços com uma varinha, embora eu não imagine o porquê.
-Gina...
-É estúpido – ela continuou resolutamente. – Estou usando sua varinha, não estou? O Ministério não vai poder me rastrear. Não há razão para...
-Gina – Harry interrompeu, e desta vez ela parou. – Você falou com Remo Lupin?
-Bem, não; nós tentamos falar com ele via lareira ontem, mas parece que ele está fora da cidade...
-Nós precisamos tentar novamente – Harry disse firmemente. Ele fechou os olhos por um segundo, e então continuou. Ele estava piamente consciente de que Régulo estava ouvindo. – Ele é o único que pode explicar tudo isso...
-Harry – ela disse baixo, emparelhando com o tom dele. – O que diabos está acontecendo?
-Remo...
-Eu não posso esperar por Remo. Eu tendo que saber a verdade. O que está acontecendo? Harry, eu acordei no primeiro dia do verão para descobrir que estava presa em Azkaban e ninguém iria me contar nada sobre o porquê de eu estar lá, o que eu tinha feito... os guardas riam de mim, os dementadores me atormentavam, os prisioneiros estavam muito distantes para falar comigo, mas não tão distante que eu não pudesse escutar os gritos deles à noite.
Harry estremeceu.
-Gin...
-Eu esperei que alguém viesse – ela disse, continuando determinadamente. – Eu pensei que talvez um oficial do Ministério viria para me levar a um tribunal, ou pelo menos para discutir as acusações comigo. Se não, talvez um membro da Ordem ou meus pais, mas ninguém apareceu. Eu quase desisti, mas eu tinha que manter as esperanças para manter minha sanidade. Eu tinha que acreditar que você viria. Eu você veio.
"Agora nós estamos aqui. Sirius está vivo, o Largo Grimmauld está completamente diferente da base que eu lembrava, eu nunca ouvi falar nesse Régulo, e ambos Sirius e Régulo têm conversado quando eles pensam que eu não estou ouvindo.
Ela aplicou muita força na pressão em sua ferida, e ele puxou o braço, chiando.
-Desculpe – Gina disse. – Seu braço não está curando com nenhum dos feitiços que eu conheço. Eu não sou profissional, mas acho que pode ser uma ferida amaldiçoada. Quem lançou o feitiço?
Harry deu de ombros, com dor.
-Não tenho certeza. Um dos guardas, acho.
Ela fez beicinho.
-Talvez fosse um Comensal da Morte. Você viu alguém que tenha reconhecido?
-McNair. Mas eu o estuporei.
-Bom – disse Gina. – Exatamente o que aquele bastardo merecia. Ah, e isso vai doer um pouco.
Ele podia suportar a dor, e disse isso. Gina conjurou algumas faixas limpas de pano, explicando que feridas amaldiçoadas freqüentemente só podiam ser curadas da maneira trouxa – com o tempo. Ela enrolou as bandagens em seu braço e amarrou os nós com seus dedos engenhosos.
-Eu os encontrei – Sirius anunciou quando entrou na sala. – Eu trouxe algumas roupas e poções para você também Harry... Ei, o que você fez no braço dele?
A última questão foi direcionada para Gina. Ela olhou para cima brandamente e aceitou os óculos que Sirius lhe estendia.
-Eu limpei e então fiz alguns feitiços de diagnóstico. É uma ferida amaldiçoada – não curou com nenhum dos feitiços que eu tentei, então eu apenas coloquei bandagens na maneira trouxa. – ela passou os óculos para Harry que os pôs sobre o nariz e sentiu uma explosão de prazer quando a sala ofuscada tornou-se agudamente clara.
Régulo silenciosamente estendeu a Harry uma poção, que ele tomou; imediatamente ele se sentiu melhor.
-Onde você aprendeu os feitiços de cura? – ele perguntou a Gina, curioso.
-Eu me interessei por eles em meu quarto ano, e comecei a prestar mais atenção em Madame Pomfrey toda vez que eu tinha que ir à ala hospitalar. Eu li alguns livros em meu quinto ano depois que você me convidou para sair e pratiquei um pouco. – ela deu de ombros parecendo meio culpada, um vermelho embelezando suas bochechas. – Eu imaginei que eles seriam úteis, namorando o Garoto-Que-Sobreviveu e tal.
Harry sorriu timidamente. Havia tanto a dizer, tantas coisas a explicar, mas as palavras mais importantes de todas foram empurradas para a frente de seu cérebro e fizeram todas as outras perderem a importância.
-Gina – ele falou antes que pudesse se refrear. – Me... Me desculpe por terminar com você.
Ela deu um pequeno sorriso e esticou o braço para gentilmente tocar os dedos no queixo dele.
-Tudo bem.
-Você não... Você não está brava?
Gina encolheu os ombros.
-Eu estava no início, suponho, mas eu não podia ficar chateada por muito tempo... além do mais, você apenas fez isso porque pensou que eu estaria mais segura. Você é um idiota algumas vezes, Harry Potter.
Harry solenemente concordou com ela, o que a fez rir e puxar a cabeça dele para um suave e demorado beijo... Os protestos dele de que ele ainda estava todo sujo e encardido de Azkaban morreram em sua garganta quando ela pressionou os lábios nos dele.
-Além do mais – Gina murmurou – você foi perdoado quando me resgatou.
Involuntariamente, Harry escorregou um braço ao redor da cintura dela e a outra mão veio repousar em seu pescoço. Ele estava prestes a se aproximar para outro beijo quando:
-Oi, vocês dois!
Harry se afastou e olhou para cima, as bochechas queimando. Ele praticamente havia esquecido Sirius e Régulo, estando todo focado em Gina. Ela não parecia embaraçada nem um pouco.
-Quê?
-Se os dois periquitos apaixonados já terminaram com a reunião tocante, eu acho que posso seguramente dizer por mim mesmo e por meu irmão que nós gostaríamos de saber exatamente o que está acontecendo – Sirius disse irritado, olhando para os dois. – Eu quero respostas.
-Lupin... – começou Harry, mas Sirius o interrompeu com um ruído furioso.
-Não. Eu quero ouvir de você. Eu pensei que você tinha me contado a verdade aquela noite quando você me revelou seus planos para resgatar Gina, mas nada aqui está ajudando. Ao invés de encontrarmos um caco de garota na cela da prisão, encontramos isso. – ele gesticulou selvagemente na direção de Gina. – Claro, ela está subnutrida e doentia, mas não está quebrada. Vocês dois agem como se conhecessem desde sempre, o que é impossível dadas as circunstâncias! Eu a vi lançar feitiços que apenas um ano de educação não seria capaz de ensinar.
-Eu completei meu quinto ano! – Gina o cortou zangada.
-Não, você não completou – Sirius insistiu. – Você não pode ter completado! É completamente impossível. Você estava em Azka...
-Sim, ela completou – disse Harry, e todas as cabeças da sala se voltaram para ele. Ele esfregou as têmporas, sentindo uma poderosa dor de cabeça vindo. Ele precisava de foco. Havia tanto para explicar, e ele não tinha idéia de por onde começar.
-Conte a ele a verdade, Harry – disse Gina, parecendo desafiadora.
-Ok – ele disse finalmente. Houve um som de ar escapando quando Sirius soltou o fôlego em alívio. – Eu vou contar a vocês – Harry continuou diretamente – mas com a condição de que assim que eu terminar, você vai chamar Remo pela lareira. Ele precisa estar aqui.
Sirius assentiu em consentimento.
Harry tomou um longo fôlego. Eles pensariam que ele estava louco – todos eles. Aqui vai nada.
-Gina e eu… nós somos de uma realidade diferente.
N/T: O próximo capítulo é o meu preferido. Desculpem-me pela demora, estou dando o melhor de mim... Minhas fics estão ficando para trás. Agradeço as reviews, e ainda to procurando alguém que se disponha a traduzi-las para mim, para o inglês (preciso remetê-las à autora original). No próximo capítulo: Revelações.
