CAP 05 Recuperação
Quando Harry acordou, ele não estava certo de onde estava. Ele piscou um pouco, tentando clarear a visão. A última coisa que ele lembrava era de Régulo irrompendo na sala com as notícias de que os aurores estavam procurando por ele, Sirius e Gina e que eles deveriam deixar o lugar rapidamente, pois se os pais de Harry fossem sujeitados a Veritasserum (com certeza eles seriam interrogados), Tiago poderia revelar a localização do Largo Grimmauld mesmo sem querer.
Uma luz forte brilhava aos olhos de Harry, mas quando ele encontrou seus óculos e os colocou sobre o nariz, ele percebeu que não era a luz do nascer-do-sol através das janelas sujas, mas sim do pôr-do-sol. Quando tempo ele dormira?
Ele cautelosamente testou sua força, escorregando para fora da cama, sem falhar em perceber que ainda estava com as roupas de Azkaban. Ele estivera deitado no topo de um colchão cheio de cobertores e, enquanto olhava em volta, viu que a sala estava vazia de ornamentação salvo por um espelho comprido e uma cadeira solitária sobre a qual uma pilha de roupas fora posta, junto com um copo de água equilibrado precariamente na beirada do assento.
Agradecidamente, Harry pegou o copo, então percebeu que sua varinha estava depositada na cadeira, junto com a varinha de McNair. Ele pegou sua própria varinha, apreciando o calor que emanava por entre seus dedos. Harry hesitou por apenas um momento conjurar uma jarra de água e uma toalha. O simples ato fez com que ficasse instantaneamente cansado, mas ele forçou a si mesmo a permanecer focado enquanto lavava o rosto e trocava de roupa. O que ele realmente desejava era um banho quente, mas as teias de aranha em cada canto o deixavam cético quanto à existência de água corrente, quanto mais um chuveiro funcional, nesse lugar que parecia estar deserto por anos.
Harry colocou ambas as varinhas no bolso, então cuidadosamente abriu a porta chorosa e caminhou pelo corredor escuro de teto alto. Retratos alinhados na parede estavam escondidos por pesadas cortinas empoeiradas, marrons com camadas de pó e sujeira acumuladas. No final do corredor, Harry achou-se em uma grande sala de estar. Diversas peças de ornamentação cobertas estavam arranjadas ao redor da lareira na qual um fogo estalava com força, parecendo estranhamente deslocado em um lugar tão sujo. Uma grande pintura pairava sobre uma mesa suja mas bela contra a parede, e Harry parou para olhar para seus habitantes – um par alto e grave com cabelos negros, roupas pomposas e olhares estranhamente familiares.
Ele passou pela pintura, entrando por outro corredor por uma porta baixa. Da sala até o final, ele ouviu o murmúrio de vozes, e sua expectativa cresceu quando ele abriu a porta.
-Harry! – Gina gritou deliciada, erguendo o olhar de seu lugar na frente do fogo que rugia. Harry lentamente fechou a porta atrás dele e olhou ao redor. Ele estava em uma larga cozinha, ao longo da qual havia inúmeros bens e uma grande mesa de madeira rodeada por cadeiras de espaldar alto. Outro conjunto de cadeiras estavam postas ao redor da lareira, assim como algumas poltronas grandes. Gina estava sentada em uma das mais próximas ao fogo, segurando uma jarra quente de sopa nas mãos, mas ela a largou rapidamente quando viu Harry e a jarra caiu até seus pés.
Sirius ergueu os olhos do jornal, e a expressão de desgosto rapidamente foi substituída por um sorriso.
-Fico feliz em saber que você está se sentindo melhor. Você nos assustou quando apagou no Largo Grimmauld hoje de manhã. Como dormiu?
-Bem, acho – Harry respondeu com dificuldade, visto que Gina o envolvera em um abraçode urso e parecia estar tentando eliminar todo o ar de seus pulmões. – Onde estamos? – ele perguntou quando ela finalmente o soltou.
As sobrancelhas de Sirius subiram.
-Você não sabe?
Harry sacudiu a cabeça, e permitiu que Gina o arrastasse até o fogo.
-Eu vou pegar um pouco de sopa pra você – ela disse.
-Essa é a velha casa dos seus avós – Sirius contou a Harry enquanto Gina se dirigia para o fogão. – Ela esteve vazia desde que eles foram mortos por Voldemort. Suponho que seu pai não tenha suportado vir morar aqui, mas ele não pôde vendê-la tampouco.
-Isto pertence aos Potter? – Harry exclamou, olhando em volta. As péssimas condições não o enganavam; uma vez, isto fora uma magnífica mansão.
-Não fique tão surpreso, Harry. A fortuna do seu pai é uma das maiores da Grã Bretanha.
Harry sabia que havia pilhas de galeões no cofre de sua família no Gringotes, mas não imaginava tanto. Ele sacudiu a cabeça incrédulo.
-Eu desejava ter sabido disso antes... Pode imaginar o que Malfoy teria feito se soubesse que eu praticamente era tão rico quanto ele?
Ele direcionou sua última pergunta para Gina, que havia retornado segurando outra jarra de sopa. Ela deu um risinho.
-Ele provavelmente teria mijado em si mesmo.
Harry tomou um longo gole de sopa, saboreando o líquido quente aquecendo seu interior. Ele então voltou-se para Sirius:
-Mas isso não explica porque estamos aqui.
Sirius deu de ombros.
-Onde mais poderíamos ir? O Largo Grimmauld corria o risco de ser descoberto; a casa de Remo estava fora de questão por você ser o fiel do segredo; e obviamente nós não podíamos ir para a sua casa ou para a de Gina. Hogwarts igualmente não é segura. No desespero, eu recomendei esse lugar, simplesmente porque ninguém iria pensar em procurar por nós aqui. Não é ideal, mas vai nos servir de abrigo enquanto nós decidimos o que fazer a seguir.
-A seguir?
Gina olhou para o fogo.
-Eu não posso ir para Hogwarts, obviamente – ela disse amargamente. – E você também não pode, uma vez que estamos no topo da lista dos mais procurados pelo Ministério, junto com Sirius.
-Então o que você acha que devemos fazer, Harry, tendo em vista o fato de que nós quatro repentinamente temos tanto tempo em nossas mãos? – Sirius perguntou.
Isso era fácil.
-Caçar horcruxes?
Sirius assentiu.
-Exatamente. A Ordem pode se concentrar em coisas mais importantes enquanto nós focamos em derrotar Voldemort. Então talvez todos nós poderemos nos juntar em um ataque final antes que ele fique mais poderoso.
Isso soou tão estranho, planejar o fim do Lorde das Trevas, quando por vários anos agora, Harry pensara que isso era trabalho exclusivamente seu. Ele descobriu, agora, que estranhamente ele não queria dividir a tarefa. Ele queria ser o único a acabar com o bastardo, e ele não queria ajuda. Mas não era hora de pensar tão adiante.
-Onde está Régulo? – Harry disse, repentinamente imaginando o que o irmão Black mais novo estaria fazendo. – E Remo também?
-Remo foi fazer algumas aparições estratégicas. – Sirius disse, rasgando o jornal e jogando-o no fogo, justo quando Harry tinha certeza que seu padrinho o vira querendo pegá-lo. Enquanto o jornal queimava, ele captou a visão de si mesmo na capa direita abaixo das palavras, HARRY POTTER: LOUCO, OU TRABALHANDO PARA VOCÊS-SABEM-QUEM? Ele percebeu que era isso que Sirius não queria que ele visse no jornal, mas, honestamente, Harry não se importava mais. Eles poderiam pensar o que quisessem. Ele subitamente percebeu que Sirius ainda estava falando. – Se Remo desaparece junto conosco, todos vão acreditar que ele esteve envolvido na fuga. Régulo está fora angariando informações para nós.
-Mas ele pode ser visto!
Sirius abafou uma risada.
-Ele não será visto. E agora o risco para ele é menor que para você ou para mim, apenas é lógico que seja ele o um a sair. Eu mencionei que ele também é animago?
Harry emitiu um som de aprovação surpresa.
-Isso certamente vem a ser útil.
-Especialmente quando a sua forma foi descoberta – Sirius disse, fazendo um gesto para as cinzas do Profeta Diário no fogo. – Harry Potter, animago ilegal. Os Marotos estão orgulhosos de você.
-Quanto a isso – Harry começou, pretendendo dar a Sirius a história completa por trás da sua descoberta em Azkaban, mas Gina o interrompeu primeiro.
-Por favor, por favor, Sirius, você me ensina a virar animaga? – ela pediu, segurando as mãos como em oração.
Sirius não pareceu convencer-se.
-Você precisa de alguns meses para se recuperar de Azkaban – ele refutou. – E além disso, é realmente difícil aprender...
-Se Harry pôde, eu posso. E eu não preciso de alguns meses para me recuperar de Azkaban, eu estou bem. – Gina insistiu irritada. – E além disso, eu...
Ela foi interrompida pela batida da porta. Um segundo depois, Régulo entrou, carregando diversos papéis e uma sacola com algo que Harry esperava que fosse comida, e montes de comida. Ele assentiu brevemente para Harry e Gina antes de se voltar para um canto para largar as coisas.
-Quais são as novas? – Sirius disse, se erguendo rapidamente.
-Nada novo – Régulo respondeu, alcançando ao irmão um de seus papéis. – Exceto que ambos Potters e Weasleys foram levados para interrogatório. É claro que eles não sabem de nada.
-Ele não... eles não iriam questionar Leila, iriam? – Harry perguntou hesitante, sua sopa repentinamente se encolhendo em seu estômago. Se ela fosse questionada sob Veritasserum, ela poderia condenar a si mesma. Ele teve um flash de imagens de sua própria irmã, ainda mais magra que Gina, curvada em uma cela gelada em Azkaban, com dementadores vindo atormentá-la quando quisessem...
-Não – Régulo disse curtamente, e Harry pôde respirar de novo. – Não, ela é menor de idade. Eles vão perturbá-la um pouco, mas eles não usariam a poção da verdade. – Ele olhou de volta para Sirius. – Você contou a ele?
Harry fechou a cara.
-Me contar o quê?
-Que eles sabem da sua forma animaga – Sirius respondeu. – Eu apenas não entendo como eles poderiam saber que era você, uma vez que você estava sob efeito da Polissuco parecendo com Gina...
Uma pontada de culpa apareceu em seu estômago de novo.
-É minha culpa – ele disse hesitante. – Eu não pude esperar outro dia, então escapei mais cedo. Os alarmes ativaram quando eu tentei voar pela janela, e então os guardas vieram... Eu consegui passar por alguns deles com minha forma de falcão, mas quando eu tentei voltar à forma humana para duelar, o efeito da poção acabou... – ele engoliu em seco culposamente. – Sinto muito, Sirius, é minha culpa... se eu tivesse sido mais cuidadoso, eles não teriam me visto, e você não teria sido descoberto também... Se eu apenas tivesse esperado outro dia...
Régulo olhava para ele de um modo estranho.
-Agradeça a Merlin por você não ter esperado outro dia – ele disse. – Eu pensei que você havia escapado mais cedo porque você sabia que no primeiro dia do mês eles sempre trazem prisioneiros de todas as partes da Grã-Bretanha... É prisão é vigiada por todos os guardas dia e noite, todo o tempo. Você não teria saído vivo se tivesse esperado outra noite.
Harry olhou para ele.
-Então talvez eu devesse ter esperado dois dias...
-Mais dois dias e você não teria a força para escapar e então voar e aparatar de volta... Você fez a coisa certa, Harry.
-Mas Sirius...
-Quanto a mim, eu provavelmente vou lhe agradecer algum dia por ter sido descoberto – Sirius disse casualmente, e Harry olhou para ele. Seu padrinho deu de ombros displicentemente. – Minha vida era tão mundana e entediante, Harry. Eu trabalhei para o Ministério durante dez anos sórdidos, e odiei cada minuto de trabalho. Óbvio, não era isso que eu imaginava quando desejava por uma vida mais excitante, mas fugir da lei definitivamente é preferível a ficar sentado em uma escrivaninha, você não acha?
Harry sacudiu a cabeça.
-Você é louco.
-É de família – Sirius suspirou. – Você alguma vez encontrou minha prima Belatriz?
-Infelizmente, nós dois já encontramos – Gina entrou na conversa.
-Ah, sim, a batalha no Ministério – Sirius disse, fechando a cara. – Eu não posso acreditar que ela me matou com um estuporante, entre todos os feitiços! Só porque eu fui estúpido o suficiente para parar e blefar.
-Sim, bem, tente não deixar isso acontecer de novo – Harry disse calmamente.
Sirius olhou ao redor, uma careta de desgosto nos lábios, mas então ele captou a ironia e riu.
-Definitivamente não. – Ele estudou Harry por um momento, então disse: - Nós precisamos criar um nome Maroto pra você, agora que é um de nós.
-Um nome Maroto?
-Você sabe, assim como eu sou Almofadinhas, e Tiago é Pontas. Você poderia ser...
-Piupiu – Gina sugeriu rápida.
Harry atirou um travesseiro nela.
-Quando foi que você assistiu Pernalonga?
Gina rolou os olhos.
-Você conhece o meu pai, Harru. Ele adora os velhos canais de TV dos trouxas. Uma vez, ele conseguiu uma no trabalho, mesmo com toda a interferência mágica.
-Piupiu – Sirius testou, e então sorriu. – Eu gostei.
Harry rosnou.
-Por favor, não. A última coisa que eu quero ser chamado é de um passarinho esquálido amarelo. Eu sou um falcão. Eu mergulho, e caço, e pesco...
-E tenho certeza que você pode fazer uns sons fofos de passarinho também, Harry. – era Gina, e ele devolveu a ela um olhar mortal.
-Asaveloz?
Surpreendentemente, a sugestão veio de Régulo. Harry considerou isto. Qualquer coisa era melhor que "Piupiu".
Eles discutiram nomes por um tempo, enquanto Harry terminava sua sopa e bebia um chá de ervas que Régulo lhe dera. O fogo estava baixo e ele começou a ficar sonolento, mas eles ainda não haviam chegado a uma decisão sobre como chamá-lo.
-Nós podemos terminar essa discussão depois – Régulo disse, e Harry percebeu com um estalo que ele estivera cochilando. Gina riu suavemente quando ele ergueu a cabeça num solavanco, piscando como uma coruja.
-Vamos ficar aqui essa noite? – Harry disse, pondo em voz alta seus pensamentos embora seu cérebro parecesse pesado e lerdo. – E se alguém suspeitar que estamos aqui?
-Régulo pôs alguns alarmes. Não são os melhores, mas são o suficiente para nos dar o aviso se caso alguém aparecer e teremos tempo para sair antes que eles possam fazer algum estrago. – Sirius afirmou.
-E quanto aos planos?
-Podemos discutir isso amanhã também – Régulo disse. – Agora, você precisa descansar.
-Mas e quanto aos nossos pais?
Os ombros de Sirius ficaram tensos, e Harry soube que ele havia "encontrado um elefante" na sala. Gina olhava ansiosamente de um Black para o outro, e Régulo se recusou a olhar para qualquer um.
-Eles precisam saber a verdade sobre nós – Harry disse firmemente.
-E eles vão – Sirius respondeu rapidamente, mudando de um pé para o outro. – Mas por enquanto. Harry, é melhor deixá-los no escuro. Os aurores, e a investigação...
-Mas com certeza existe uma maneira...
-Basta. Para a cama, Harry, você mal consegue ficar em pé – Régulo cortou-o. Vocês também, senhorita.
Ao som dos protestos de Gina, Harry permitiu que Sirius o guiasse para o quarto, já que ele realmente estava instável em seus pés. Por que eles estavam evitando o assunto? Havia algo que eles estavam escondendo dele? Ele decidiu descobrir a verdade amanhã, pois nessa noite estava muito cansado. Os dementadores haviam drenado sua energia completamente, e ele estava preocupado que talvez fosse demorar mais do que alguns dias para ganhar novamente toda a sua força. Eles precisavam continuar com as coisas. Quanto mais cedo eles encontrassem o resto dos horcruxes, mais cedo Voldemort poderia ser derrotado, e mais cedo eles poderiam provar a inocência de Gina...
Com surpresa, ele percebeu que Gina nunca havia encontrado sua família neste mundo. Todos eles estavam tão diferentes. Tinha sido uma coisa para ele encontrar a família que ele nunca tivera, mas para ela de repente não conhecer seus próprios pais e irmãos seria realmente difícil. De fato, ela provavelmente ainda não sabia que Carlinhos estava... morto...
Harry não queria ser o um a dar as notícias.
Quando ele chegou ao quarto, não teve energia para se despir antes de cair na cama. Dormiu antes que a cabeça atingisse o travesseiro.
No meio da noite, Harry acordou, respirando com dificuldade e coberto com uma fina camada de suor. Ele sentou devagar. Havia meses desde que ele tivera pela última vez estes velhos pesadelos do cemitério, Sirius caindo pelo véu, e o corpo sem vida de Dumbledore caindo da torre mais alta. Os dementadores deviam ter ajudado algumas de suas memórias a ressuscitar.
Mas não havia razão para ter pesadelos agora, Harry disse para si mesmo com firmeza. Sirius estava vivo. Cedrico estava vivo. Apenas Dumbledore estava morto nesse mundo, e isso não podia ser evitado. A morte do diretor havia sido a que pela qual Harry menos se sentira culpado, mas foi no todo ainda mais dolorosa que a de Sirius.
Levou alguns minutos para ficar calmo. Os pesadelos, pelo menos, eram preferíveis à dor desmedida e às horríveis visões de sua cicatriz. Ele podia lidar com os pesadelos, mas a conexão que ele tinha com Voldemort no outro mundo era uma coisa que ele estava muito feliz por ter perdido.
Ele escorregou até a cabeça chegar no travesseiro. A lua pequena e prateada brilhava através da janela e fazia desenhos estranhos nas paredes e no chão. As pálpebras de Harry ficaram pesadas e ele estava quase dormindo de novo quando ouviu uma batida fraca na porta. Um momento depois, ele ouviu a porta abrindo, e procurou seus óculos.
Gina estava no portal, parecendo muito pequena e pálida contra a escuridão atrás dela. Seu robe estava apertado em seus ombros, e o luar pálido refletia no rosto cheio de lágrimas dela.
-Gina, o que está errado? – Harry disse sonolento, sentando-se rapidamente.
Ela demorou na porta, torcendo as mãos nervosamente.
-Eu... tive um pesadelo... era sobre Azkaban. – sua voz tremeu violentamente, e Harry gesticulou para que ela se aproximasse. Um segundo depois ela havia cruzado o quarto e estava chorando em seu ombro. Subitamente pareceu que não havia mais ninguém no mundo exceto pela ruiva frágil em seus braços. Outra vez eles eram primeiro e segundo anistas na Câmara Secreta, cobertos de sangue e sujeira, e ele estava dando o seu melhor para confortá-la enquanto ela chorava, o basilisco morto no chão, o diário esquecido nas pedras, e a espada de Gryffindor e o Chapéu Seletor jazendo perto deles.
Ele nunca havia sido muito bom com garotas chorosas. Ele sempre gostara de Gina porque ela era forte, porque ela não chorava, mas nada disso importava agora. Ela precisava dele.
-Tudo bem – Harry disse sem graça. – Eu prometo, está tudo bem.
Os soluços fortes dela cessaram, embora seus ombros ainda tremesse. Ele a puxou para mais perto, e ela descansou a cabeça em seu ombro.
-Régulo não me daria porão para dormir sem sonhos – ela disse ao final com voz curta. – Ele tem medo que eu fique viciada...
Harry fechou os olhos. Ele não precisava perguntar sobre o que eram os sonhos dela. Ele vagamente ergueu a mão e começou a alisar o cabelo dela. Parecia a coisa certa a ser feita, e com um pequeno suspiro ela desabou sobre ele.
-Eu estava de novo lá. Com ele.
Ele sabia quem era o "ele" com quem ela sonhara.
-Eu sei, Gina. Eu sei. Mas é tudo passado agora.
-Eu sei – ela suspirou, se afastando um pouco e enxugando os olhos. – Eu sei disso, Harry. Você deve estar me achando tão infantil...
-Nem tanto – ele disse rapidamente. De todas as pessoas ele sabia muito bem como era ter pesadelos. – Você está OK? Vai ficar bem?
Gina olhou para suas pernas.
-Eu... eu não posso dormir naquele quarto, sozinha no escuro... – ela não continuou, então ergueu olhos suplicantes para ele. – Harry? Posso ficar aqui com você? Por favor.
Harry não tinha muita certeza do que ela pretendia – sua mente parecia estar funcionando mais lentamente que o normal.
-Só há uma cama. – disse.
-É grande o suficiente para dois – ela disse, sua voz quase um sussurro. – Por favor? Não posso voltar lá. Sei que vou ter o pesadelo de novo... Mas se você realmente não me quer aqui eu...
Ele tentou não pensar nas coisas que poderiam estar implícitas no fato de os dois dormirem na mesma cama. Gina. Focar em Gina agora.
-Claro – ele disse. – Entre.
-Obrigado – ela disse, sua voz começando a tremer novamente. Ele galantemente deu-lhe o travesseiro antes de se mover para o outro lado e puxar a coberta sobre eles.
Harry deitou no colchão, sentindo-se extremamente desconfortável. Ele não estava certo sobre o que fazer – deveria se aproximar e tocar a mão dela ou o ombro? Ou aquilo a deixaria incomodada? Eles estavam tecnicamente juntos em uma cama, e isso sozinha poderia fazer qualquer garota nervosa e qualquer cara louco. Finalmente ele decidiu não fazer nada. A última coisa que ele queria era assustá-la.
Ele ouviu enquanto a respiração dela ficava mais e mais lenta, e justo quando ele achava que ela havia adormecido, ela falou.
-Harry? Ainda está acordado?
-Sim.
Houve uma longa pausa antes dela dizer:
-Me fale sobre a minha família. Eles são diferentes?
Exatamente o assunto que ele estava tentando evitar. Ele não podia negar-lhe a informação, entretanto.
-Eles são diferentes – ele confessou, olhando para o teto onde sombras da lua dançavam, refletidas pelo grande espelho na parede oposta. – Sua mão e seu pai mudaram bastante, com a sua prisão e tudo. Eles não são mais tão otimistas. Seus irmãos estão mais sérios, mesmo os gêmeos. Percy nunca abandonou a famílias, aliás, isso é bom, certo?
-Creio que todos eles se sintam responsáveis – ela disse suavemente.
-Rony é o mesmo – ele lhe disse, tentando puxar a conversa para temas mais leves. – Exatamente o mesmo mala. Nós não éramos bons amigos, diz Leila.
-Leila?
-Minha irmã mais nova.
Gina fez um som gutural de surpresa, e então disse:
-O que mais sobre Rony?
-Ele é o melhor amigo de Simas. Ele saiu com Cho Chang no último ano...
-Cho? – Gina interrompeu incrédula.
-…e ela supostamente o trocou por gostar mais de mim.
Inicialmente Harry pensou que Gina estava chorando de novo, devido aos tremores vindos do outro lado da cama, mas então percebeu que ela estava tentando conter as risadas.
-Rony? E Cho? – ela ofegou. – Ah, eu gostaria de ter visto isso.
-Ele tentou me socar no meu aniversário no último verão por ter "dado uns pegas" nela – Harry disse afetuosamente.
-E você nem sabia que tinha saído com ela. Que divertido.
-Ele precisa de Hermione por perto para maneirá-lo – Harry disse pensativamente, imaginando aonde ela estaria.
-Hermione não está em Hogwarts?
Ele suspirou.
-Voldemort e o Ministério fizeram leis anti-nascidos trouxas anos atrás que a impediram de ir para Hogwarts.
Gina ficou em silêncio por um momento.
-Creio que Colin e Dennis e Justino também não foram, hum? Ou Dino.
Ele imaginou que ela sentiria falta de Dino um monte. Ela havia saído com o cara por algum tempo...
-E quanto a Gui e Carlinhos, Harry? – Gina disse, e Harry sentiu um nó crescendo em seu estômago. Ele esperara que ela esquecesse...
-Gui está bem, está saindo com uma bruxa chamada Kiara – ele disse cuidadosamente. – Ela é uma auror; você iria gostar dela, acho.
-Oh, graças a Deus ele não está flertando a Fleur! – Gina exclamou com um suspiro de alívio. – Eu nunca gostei dela, não importa o que mamãe diga...
-Fleur está morta – Harry acrescentou, e Gina parou no meio da frase.
-Oh.
Houve um longo silêncio. Então…
-E Carlinhos?
Ele não respondeu. Ele não podia responder.
Ela ergueu-se em um ombro.
-Harry, o que aconteceu com Carlinhos?
Quando ele não disse nada, ela sobressaltou-se.
-Oh Deus... oh Deus, não... Ele não está...
Ela não pôde terminar a frase. Harry fechou seus olhos com força, sem querer que ela descobrisse, mas sabendo que ele não podia esconder a verdade por mais tempo.
-Lamento, Gina...
Ela estava soluçando novamente.
-Não Carlinhos… - ela sussurrou, e Harry sentiu uma pontada de dor física em seu peito. Ele sabia como era perder um parente, mas ele havia conhecido Sirius por apenas alguns anos, e ela conhecera Carlinhos durante toda a sua vida. Ele lembrava que ao lado dos gêmeos, que sempre haviam levado como dever pessoal vigiá-la, ela sempre fora mais próxima a Carlinhos, que a havia protegido quando criança. Ele fora o primeiro a ajudá-la a voar em uma vassoura, e fora quem sugerira a ela que saísse durante a noite para pegar as vassouras dos irmãos mais velhos no galpão. Ele a ensinara a apanhar o pomo e a fazer performances complicadas de quadribol. Ele sempre fora o irmão favorito dela.
Harry não suportou mais. Devagar, ele se aproximou e tentou estender o braço a ela. Ela relaxou em seus braços, aproximando-se e afundando a cabeça no seu ombro. Ele podia sentir as lágrimas dela atravessando sua camiseta, mas não se importou. Com cuidado, a envolveu nos braços e a segurou enquanto ela chorava.
-Está bem – ele murmurava – tudo vai ficar bem.
Vagarosamente, seu cansaço retornou até ele começar a piscar para ficar acordado. Os soluços de Gina se reduziram a fungadas, mas ela não se afastou. Era relaxante e estranhamente confortável para ele tê-la ali, seu peito subindo e descendo a cada respiração, a cabeça dela em seu ombro. O luar dançava novamente, brilhando sobre o cabelo vermelho dela, e o último pensamento coerente dele foi que Gina deveria ser a garota mais linda do mundo, especialmente ao luar...
Continua...
/Ju desvia do bombardeio… /
Tenho excelentes desculpas, mesmo que vocês não acreditem. Antes de tudo, peço milhares de desculpas pelo sumiço e abandono, mas os meses difíceis acabaram. Estive trabalhando à beça e principalmente estudando MUITO para o vestibular da UFRGS, e quem já fez vestibular para universidade federal desejando passar sabe do que eu estou falando. Cada minuto de sanidade passado diante de livros. Trabalho de manhã, cursinho de tarde, aula de noite, estudo nos intervalos. Depois eu me demiti e fiquei só com o estudo o.O'. Bom, fiz as provas e posso respirar de novo. O resultado da prova sai até dia 19, eu aviso vocês ^^
Agora estou desempregada e de férias, portanto se preparem que mais capítulos devem sair com freqüência. O hiatus acabou!
Quanto à fic: o Harry é um bocó mesmo! Em todos os sentidos! Dica: NUNCA digam para uma pessoa que perdeu alguém importante (tipo a Gina quando perdeu o irmão dela) que "está tudo bem". Não ta nada bem! Alguém morreu! Ta tudo péssimo! Se não houver nada além de "está tudo bem" para se dizer, não digam nada. Mesmo. Um abraço, um carinho, de repente até "você precisa ser forte", mas deixem a pessoa chorar em paz. Ok? Experiência pessoal T-T, também perdi um irmão.
Aliás, eu traduzi e logo postei, então se houverem erros, me avisem ok? Estou completamente perdida com essa reforma no FF.
Abraços! Próxima postagem em OMCNOC!
