Desculpem a demora. Mesmo.
Pronto. Chegou o dia. É hoje que ele chega.
Meu coração parece que vai explodir. Eu não sei se vou conseguir agüentar isso sozinha. Se ele...
Não! Eu tenho que pensar positivo. É isso ai.
Respirei fundo de novo e sentei na cama. Pelo menos era sábado e eu não tinha escola. E ia contar pro David e então decidiríamos o que fazer... com ele.
Toquei na minha barriga. Ta bom, eu sei, to grávida a mais de dois meses, mais ainda não tinha pensado nele assim. Quer dizer, como se ele realmente existisse, como se ele fosse o meu filho.
Meu filho.
Wow, isso é realmente estranho...
Mas ele, ou ela, claro, não é só meu filho. É do David também. Do David filho do presidente dos Estados Unidos, que por acaso eu salvei de um atentado a quase 2 anos trás; do David que curte coturnos com margaridas de corretivo; que me levou para pra comer hambúrguer com batata frita no meu primeiro jantar na Casa Branca; que me deu um capacete com margaridinhas e o Joe nunca mais arrancou meu cabelo; que vivia com sorrisos misteriosos que me davam aqueles frissons; e que escreveu Dave + Sam na sacada da Casa Branca.
É, esse é o pai do meu filho.
- Sam? Sam, você está bem? Está parda olhando pro nada a um tempão. – Eu me virei e Lucy estava na porta, com uma escova de dente na mão. – Ele vem hoje, não vem? – ela disse em um tom mais baixo.
- É vem – respondi, começando a arrumar a cama.
- Bom, se você precisar de alguma coisa, sabe que pode contar comigo.
- Obrigada Lucy.
Ela sorriu e deu meia volta.
- Sam, querida, será que você podia levar o lixo pra fora? Eu estou meio ocupada aqui. - Minha mãe disse assim que eu entrei n cozinha. Hoje é o dia de folga da Theresa e minha mãe estava tentando fazer ovos com bacon. Eu digo tentando, porque o cheiro era realmente apetitoso. Não.
Assim eu peguei a sacola de lixo e levei pra fora pela porta da cozinha. Não foi realmente ruim, já que quando eu me virei para entrar de novo, dei de cara com David.
- Hey, Sharona! Senti saudades. – Ele estava sorrindo e abriu os braços para me abraçar.
Eu enlacei o pescoço dele e o senti apertado contra mim. – Desculpe por só vir hoje, mas a vida na faculdade não é nenhuma moleza.
- Você chegou cedo. – Eu me aperto ainda mais contra ele.
- Ei, tudo bem com você?
- Não – Eu me afastei um pouco para olhar o rosto dele. Deus, ele está ainda mais gato do que na ultima vez em que eu o vi, com o suéter de Yale – tem algo que eu preciso te contar, e é muito importante.
- Tudo bem, então conta.
- Não, aqui não.
- Bom, então podemos ir até o McDonald´s tomar o café-da-manhã e ai você me conta. Você ainda não tomou café, né?
- Não.
David deu um daqueles sorrisos secretos dele, e mesmo com quase 3 anos de namoro eu senti meu coração saltar dentro do peito. Eu sorri de volta. Ele colocou o braço ao redor da minha cintura e começamos a caminhar.
Quando chegamos eu escolhi a mesa mais afastada dos outros clientes, afinal o pai do David era o Presidente e eu tinha salvado a vida dele. Fizeram até um filme sobre mim.
Uma garçonete um pouco a cima do peso se aproximou e eu pedi hambúrguer com batata frita. Eu sei que não é o certo, ainda mais no café-da-manhã, mas eu estava morrendo de fome.
David ficou olhando pra mim por um tempo, mas depois pediu o mesmo.
Quando a garçonete se foi, ele voltou-se para mim:
- E então, vai me dizer o que está acontecendo?
Eu respirei fundo. Chegou a hora.
- David, eu... eu estou grávida. – Senti um nó na garganta. Eu vi os lábios dele se abrindo, mas ele fechou de novo e só ficou me olhando com aqueles incríveis olhos verdes. Ficamos assim até que eu não suportei mais aquele silencio.
- David. Por favor, fala alguma coisa – eu disse um pouco mias alto que um sussurro.
Ele só abaixou os olhos e deu um longo suspiro. Nisso, a nossa comida chegou, mas meu estomago embrulhou de repente. E pelo visto, ele também, já que ele pareceu nem perceber a comida na sua frente.
- Dói? Você esta sentindo alguma dor ou algo assim?
- Não – eu respondi.
-Bom, isso é bom.
- David, vamos ter que contar para os nossos pais.
- Eu sei.
E então não agüentei, comecei a chorar. E não foram só algumas lágrimas, eu comecei até a soluçar. Alguma coisa no jeito frio dele falar comigo desencadeou isso. E ele percebeu.
- Ei, Sam, calma. – Ele chegou perto de mim e me abraçou. – Me desculpe, é só que eu não esperava isso. Mas vai ficar tudo bem, eu prometo.
Eu não disse nada, não podia. Ficamos lá, abraçados na mesa do McDonalds por um bom tempo. Minha cabeça estava apoiada no ombro dele, sentindo seu cheiro, enquanto ele acariciava meus cabos de leve.
Quando me senti mais calma, me afastei um pouco e olhei para ele. Seus olhos estavam tão verdes como sempre, e pela primeira vez desde que descobri, eu me senti bem, até feliz.
- Eu te amo, Samantha Madson, você sabe disso. – Ele sorriu e levou a mão ate a minha barriga. – E também amo nosso filho.
Ele se inclinou para frente e nos beijamos. Foi como se um peso enorme tivesse sido tirado das minhas costas.
- Vamos ter que contar para eles, para os nossos pais.
- É, seu sei – Ele sorriu de novo – Meu pai vai me matar.
- Nem me fale! – sorri de volta.
CONTINUA...
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