Era extremamente bom deitar no peito dele
Apoiar a minha cabeça naquele peito largo, fechar os olhos e ficar só ouvindo o coração dele bater era tudo que eu precisava.
Eu não voltei para casa depois do Mcdonalds. Eu simplesmente não podia ficar longe dele.
E como meus pais têm aquela regra de nada de garotos no quarto, então fomos para o antigo quarto de David, na Casa Branca.
Eu tentei, mas não consegui. Minha mente começou a vagar por aquelas cenas outra vez... elas estiveram na minha mente desde que eu vi os olhos verde dele. O pequeno bebê nos meus braços, com os mesmos olhos verdes e cabelo negro, um pequeno David, com os mesmos traços, sem interferências dos meus...
- Foi naquela vez, não foi? – David cortou meus pensamentos, e eu demorei um minuto a mais para entender o que ele queria dizer.
- É, eu acho que sim.
- Nós sabíamos que isso podia acontecer.
Eu não respondi, nem abri os olhos. Mas senti David me apertando com mais força.
- Você já pensou em... outras opções?
Isso me pegou de surpresa. Será que ele estava falando sobre...
- Eu não vou fazer isso, de jeito nenhum. – Levantei minha cabeça o peito dele, procurando seus olhos pra ele ter certeza de que eu nunca faria isso.
- Não, eu não to falando de aborto. Eu nunca te pediria isso. É só que, eu acabei de entrar na faculdade, e você nem terminou o último ano... tem certeza de que é isso que é isso que você quer, Sam? Porque nossas vidas vão mudar, completamente. Vamos ser responsáveis não só pela nossa, mas por uma outra vida também, e eu não sei se estamos preparados para algo assim.
- E o que você está sugerindo então?
David parou por um segundo, indeciso. Porém ele continuou, mas sem olhar nos meus olhos mais.
- Adoção. Não seria uma má idéia; se encontrássemos uma família, ou um casal, mais velho e estável, que pudessem dar tudo pra ele, amor, educação, estabilidade. – Ele parou de novo, levantando os olhos e encontrando os meus. – Se déssemos um lar para o nosso filho, Samantha. – Meu coração pulou – Quer dizer, nós nem somos casados, e eu agora vivo a milhas da distância. E-
- David – Eu o cortei, tentando ao máximo segurar as lagrimas. – Ele já não é mais um erro pra mim. Acho até que ele nunca foi – Certo, perdi a batalha com os meus olhos. – Eu já amo esse bebê. O nosso bebê. E eu... eu sinto como se... como se precisasse tanto dele como de oxigênio. Eu não posso fazer isso. Eu não vou fazer isso. E se você não quer ser o pai do nosso filho, David, não precisa.
Eu comecei a me levantar. Parecia que tinha um nó na minha garganta, e as lágrimas corriam pelo meu rosto livremente, tanto de tristeza como de raiva. Como ele pode pensar que eu daria o meu pequeno David pra dois estranhos?
Eu estava com tanta raiva que nem percebi quando ele me envolveu com seus braços, e tentou me fazer parar de colocar os sapatos.
- Hei – eu o ouvi sussurrar no meu ouvido – Sam. Olha, eu não quis dizer aquilo. Calma – Ele disse isso porque eu estava tentando me desvencilhar do aperto dele e correr o mais longe que eu pudesse. – Olha, eu só estava dando uma opção, se você não quer, tudo bem pra mim. Acho até que foi uma idéia ridícula...
Bom, vamos só dizer que isso me acamou um pouco. Eu parei de tentar fugir, e deixei minha cabeça cair no ombro dele, soluçando.
- Eu nunca vou te deixar. Ouviu? – Ele me apertou com mais força. – Então pára de dizer coisas absurdas assim.
- Eu quero ele – eu disse, num sussurro tão baixo que me preocupei que ele não tivesse ouvido. Mas ele respondeu.
- E eu quero vocês. Tudo vai ficar bem; vamos dar um jeito, ok?
- Como? – me virei pra ver o seu rosto.
- Bom, vamos começar com uma coisa de cada vez. Contar pra eles, primeiro. E depois a minha transferência. E ai-
- Sua transferência?
- Claro. Para uma universidade daqui. Não vou ficar longe de você. De jeito nenhum.
Ele sorriu e me beijou.
Bem nessa hora ouve uma batida na porta.
- David querido, você e Sam vão descer para o almoço? – A mãe dele apareceu, em um caro conjunto azul combinando. Já estávamos em ano de eleição, e ela e o pai de David estavam ás voltas com a campanha de reeleição. – Nós não podemos ficar, então se quiserem podem pedir algo para o cozinheiro. Samantha, você está bem? – Ela percebeu as lagrimas e os meus olhos vermelhos.
- Não, está tudo bem sim. – Limpei rapidamente o meu rosto.
- Bom, se precisarem de alguma coisa podem ligar para o meu celular. David tem o número, certo?
- Sim mãe.
- Ótimo então. – Ela hesitou por um instante, e fechou a porta.
- Ela está preocupada.
- Ela tem motivos para isso.
David não respondeu. Só deitou novamente na cama, me puxando sobre o peito dele.
- Nós vamos passar na sua casa hoje à noite.
- Já?
- É melhor falar de uma vez. Vamos realmente precisar deles.
- Certo. – voltei a apoiar minha cabeça no peito dele, fechando os olhos.
- Eu te amo. – ele sussurrou. – Quer casar comigo?
- O que!?
- Você não pensou que eu nunca fosse pedir, não é? – Ele deu aquele sorriso que eu adoro. – Na verdade, eu já estava pensando nisso a um bom tempo. Estava esperando a sua formatura, mas... bom, é como dizem, quanto antes melhor.
Eu sorri de volta. – Eu também te amo, David.
- Vou aceitar isso como um sim.
CONTINUA...
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