- Hey Sharona!

- Oi David.

Ele piscou.

- Você está bem? – eu me virei para os quatro adultos que falavam alto na sala de jantar. Não tinha a menor idéia de como íamos fazer isso. Quer dizer, não é todo dia que você conta para os seus pais que eles vão ser avós.

Como se lesse minha mente, David passou pela porta aberta e me envolveu com os braços.

- Vai dar tudo certo, eu te prometo. – Ele sussurrou no meu ouvido.

Bom, devo admitir que isso ajudou. Bastante. David nunca tinha me abraçado daquele jeito, com as minhas costas grudadas no peito dele. E eu estava me sentindo bem confortável ali, principalmente quando ele começou a subir as mãos pelos lados da minha blusa...

- Ugh. Porque voes não fazem isso em um local mais privado? – Rebecca entrou na cozinha, e imediatamente David e eu nos separamos. Acho que esse tipo de coisa só acontece comigo mesmo...

- E porque você não vai terminar alguma bomba de hidrogênio ou a réplica do DNA lá no seu quarto, hein?

- Credo, não precisa ser tão grossa assim. Mas devem ser os seus hormônios. Sabe, os hormônios femininos aumentam quase o dobro quando a mulher está grávida. Isso acontece devido a HCG, que é secretado logo após a nidação do feto, e tem como principal função manter o corpo lúteo, de modo que as taxas de progesterona e estrogênio não diminuam e garantam a manutenção da gravidez e a ausência de uma nova ovulação.

Meu queixo caiu.

- Rebecca! – eu avancei sobre ela e tapei a sua boca com a minha mão, apertando o máximo que eu podia. – Se você contar isso pra alguém-

Ela puxou a minha mão com força pra baixo.

- O que você pensa que eu sou, algum tipo de idiota?

Eu senti algo gelado subindo pela minha espinha.

- Quem te contou isso? – eu não consegui falar a palavra 'grávida' – Foi a Lucy? Mas eu disse para ela não contar para ninguém...!

- Ei, a Lucy não me disse nada. Mas não foi difícil descobrir. Seus seios estão mais inchados, você parece que passa a maior parte do tempo dormindo, ou chorando, ou comendo, e o fato de que você parou de usar absorventes, é claro.

- Você... tem me... espionado? – eu murmurei, sentindo minha cabeça começar a rodar.

- Nem precisei. Meu quarto fica bem do lado do seu, e da pra ouvir bem o que você faz a noite toda. Principalmente porque você sempre me acorda quando vai assaltar a geladeira.

Era o único jeito. Eu não podia comer a quantidade que eu queria sem levantar suspeitas, então acordava lá pelas 3 da manhã e descia as escadas o mais silenciosamente que eu podia. E é claro que eu morria de sono o dia inteiro, isso quando eu não conseguia dormir de tanta fome. Parece que nunca é o bastante... Mas espera! Se até a Rebecca descobriu, será que...

Gelei.

- Crianças, o jantar. – eu ouvi minha mãe chamar da sala de jantar onde todos já estavam reunidos, menos a Lucy, que voltou para a faculdade.

Como eu não me mexi, David passou o braço pela minha cintura e começou a me levar pra a sala.

- É melhor deixarmos isso para outro dia. Você não parece nada bem.

- Não, não. Temos que fazer isso mais cedo ou mais tarde, então é melhor acabar logo.

David assentiu e puxou a cadeira para mim.

- Eu me lembro de quando seu pai fazia essas coisas. Mas já faz tanto tempo... – Minha mãe disse.

- Ei, eu puxo a cadeira para você de vez em quando. – meu pai se defendeu. Pelo canto do olhou eu vi David se sentar do meu lado.

- A sim, muito de vez em quando – ela replicou, e todos riram. Menos eu e David.

Minha mãe percebeu. – Você está bem querida? Parece um pouco pálida.

Por baixo da mesa ele segurou a minha mão. Eu respirei fundo.

- Mãe, pai. Eu tenho que contar uma coisa.

- Pois então diga querida.

Eu abri minha boca, mas antes de conseguir formular o que eu diria, David me cortou:

- Sam e eu vamos nos casar.

Depois de alguns segundos de silencio em que todos olharam para nós, a minha mãe e a do David explodiram em gritinhos de alegria. Meu pai tentou acalmá-las.

- Mas vocês ainda são jovens demais para pensarem em algo tão importante assim. Sam ainda nem foi para a faculdade... Vocês ainda têm muita coisa pela frente.

- Sim, sim. Não é necessária tanta pressa. – O pai do David concordou.

- Pai – David começou, bem devagar – eu amo a Samantha. E ela também me ama. Eu já penso em me casar com ela há muito tempo – então ele deu um daqueles sorrisos secretos dele – Eu sei que nunca vou amar mais ninguém assim. – Ele se virou para mim. – Sam, é com você que eu quero passar o resto da minha vida. – E algo gelado deslizou pelo meu dedo.

Eu levantei a mão e vi um anel prata, com uma pedra branca brilhante no topo. Não podia ser um diamante, ou podia?

Meu queixo caiu ainda mais.

- David...

- A não, você já aceitou, lembra? A menos que tenha mudado de ide-

Mas eu tapei a boa dele com a minha.

- Por favor, outra vez? desse jeito a enjoada vou ser eu – Rebecca reclamou. E eu lembrei que ainda tinha um assunto pendente.

Afastei-me dele lentamente.

- Ainda tem... uma coisa – minha garganta ficou subitamente seca.

- É claro, querida. Ainda precisamos planejar todo o casamento, o vestido, a lista de convidados – ela se virou para o Presidente e a Primeira Dama. – Acredito que vocês têm muitas pessoas importantes para convidar-

- Mãe!

Ela voltou-se para mim, assustada com o meu tom nada leve.

Eu engoli em seco. "Fala de uma vez"

Abaixei o olhar, porém mantive a minha voz alta o bastante para todos ouvirem.

- Eu to grávida.

Nada.

Nenhum um som ou ruído.

E assim permaneceu até que eu fiquei com medo de ter falado baixo de mais. Eu levantei minha cabeça bem a tempo de ver minha mãe se levantando da cadeira, me fuzilando com o olhar. Ela apontou um dedo pra mim.

- O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA?!

E do mesmo jeito que tudo fiou quieto, tudo explodiu.

Eu vi a mãe do David levantar, seguida pelo marido e o meu pai. Todos começaram a gritar juntos, até que David levantou-se também. O barulho estava insuportável. Levantei os olhos e vi o pai do meu filho gritando a plenos pulmões para o próprio pai, que estava mais nervoso do que eu jamais tinha visto.

Eu tentei entender o que eles diziam, e quem dizia o que, mas não consegui. Tentei me levantar, mas me senti zonza, e todos aqueles gritos viraram um zumbido na minha cabeça. Até que tudo que eu pude ver foi escuridão.

Quando acordei, estava no sofá da minha casa. David estava sobre mim com a mão no meu rosto.

- Sam! Sam, você pode me ouvir? Sam?!

Eu tentei me levantar, mas minha cabeça rodou de novo e eu a segurei, tentando inutilmente fazer tudo parar de girar.

- Calma. Pronto. – David passou o braço pelas minhas costas me sustentado.

- O que... – eu engoli – o que aconteceu.

- Nada – Rebecca respondeu – você só desmaiou. Desmaios são normalmente causados pela baixa de açúcar no sangue, o que é bastante comum no início da gravidez.

- Rebecca, cala a boca! – falaram meus pais em uníssimo.

- Não – disse David, numa voz bem controlada, apoiando delicadamente a minha cabeça em seu ombro. – Vocês parem. Todos vocês. Não viram o que acabaram de fazer? Ela podia ter se machucado, ou até perdido o bebê!

- David – a mãe dele começou.

- Não mãe. É o meu filho, seu neto. Eu não me importo com a campanha. A minha família é mais importante. – Eu olhei para ele assustada quando ele disse a minha família, mas não posso negar que eu gostei de como aquilo soou.

- Eu já disse que cometemos um erro, devíamos ter sido mais cautelosos. Usado outros métodos anticoncepcionais, mas não usamos ok? Aconteceu. E agora de jeito nenhum eu vou abrir mão disso. Vocês podem fazer o que quiserem; fingir que eu morri, nunca mais falarem comigo, ou o que seja, mas eu não vou ficar longe da Sam. Nós vamos dar um jeito.

Agora eles ja sabem!! e o que será que vem agora?

Não esqueçam de me deixar um Review, ok?

Bjinhos!