Baile de Máscaras
Duas semanas.
Esse era o tempo exato da felicidade e angustia extrema de Lelouch.
Duas semanas que estava com Suzaku. Duas semanas que sentia um horrível nó na garganta, mais do que os anteriores, por lembrar que quando vestiam os uniformes eram inimigos declarados, porém sem um realmente conhecer o outro.
Parecia que quanto mais tentava esconder o fato de estarem namorando, mais isso se tornava insuportável.
Era dia de festa, mais especificamente, ao baile de máscaras.
E Lelouch decidiu agir.
Talvez só piorasse a situação, e muito, mas ele tinha de dizer a verdade a Suzaku nem que fosse apenas por enigmas. E era isso que pretendia.
Iria fazer Suzaku traí-lo e a culpa o levaria a terminarem, ele conhecia o amigo bem o bastante para saber disto. Seria melhor assim.
Para ambos.
Encontrava-se na frente do espelho, Ajeitou as mangas bordadas a ouro por cima das luvas brancas. A máscara que cobria metade do rosto lhe dava uma expressão de indiferença.
A noite estava agitada. Mesmo de tão longe era possível ouvir a música eletrônica tocando. Fora difícil fugir da Presidenta quando a festa havia realmente começado, depois daquela formalidade de música clássica suave para impressionar qualquer pessoa importante que estivesse por perto, mas depois das dez e meia as luzes apagaram e o DJ começou a tocar.
Os alunos se espremiam e ele passava por brechas entre eles. Tentava reconhecer Suzaku, mas era como encontrar uma agulha no palheiro!
Sua roupa havia dado certo. Ninguém o reconhecia. Por onde passava volta e meia ouvia algum "cochicho" que tentava ser ouvido além da música alta, sobre quem ele era e algumas vezes sentiu uma mão boba em seu corpo, algumas fortes demais para serem de garota. Até que ele viu. Suzaku.
Estava num canto mais afastado com um copo na mão e conversando com uns dois amigos. Lelouch sorriu malicioso e resolveu contornar a pista para pegá-lo por trás.
Suzaku estava a mudar o foco da visão entre os amigos com quem falava assuntos banais e a multidão. Por falta de tempo não falava com Lelouch há alguns dias e nem sabia como e se ele vinha, ansiava por sua presença.
Graças à máscara, podia olhar em volta sem ser notado enquanto procurava o namorado, mas vendo-se sem sorte ele apenas suspirou antes de levar um susto enorme ao sentir um par de braços envolvê-lo pela cintura.
- Quem deseja? - sussurra em tom irritado pelo assédio.
- Já achei... Talvez eu possa ajudá-lo com essa tensão toda... - respondeu o outro num sussurro quente de encontro à sua orelha.
- Desculpe cara, mas eu estou comprometido. - retrucou Suzaku tentou sair do abraço, os amigos que estavam com ele haviam sumido e já estavam se agarrando com umas garotas.
- Não quer conversar um pouco? - Lelouch não sabia se ficava feliz por Suzaku ser fiel ou chateado por ser tão difícil e ainda nem reconhecera sua voz!
- Ora... Vamos... Uma dança não matar... – o tentou com a voz rouca apertando mais ainda o outro contra si.
Suzaku quase engasgou com o aperto "Ele é muito atrevido!" pensou ele com raiva, sentindo que não poderia sair dali sem chamar a atenção, e a presidenta o mataria se estragasse a festa.
- Estou avisando... – rosnou ele.
- O que foi? Que tal irmos a um lugar mais vazio assim podemos ter paz, hein? Suzaku?
Suzaku gelou. Tinha algo naquela voz que lhe era familiar.
- Como sabe meu nome? Conhecemos-nos?
- Oh sim... Na verdade, você já tentou me matar algumas vezes... E... A propósito... Aquele uniforme é tentador... – ronronou o outro.
- Ze... Zero?
Lelouch teve que sorrir maldoso ante o medo do namorado.
- Touché. Então vamos?
- Está maluco? – Tentava não elevar o tom da voz para não chamar a atenção dos que estavam à volta. Soltou-se do aperto, puxando o próprio braço, andou em passos rápidos em direção à multidão. Queria sair de perto daquele que o sufocava. Sequer pensava em armadilhas ou chantagens, a única coisa que lhe passava pela cabeça era a audácia e arrogância daquele criminoso. Passava pelos adolescentes na pista de dança sem dar atenção em quem esbarrava, recebendo reclamações que também ignorou. Logo conseguiu passar pelas portas principais e chegar ao jardim. Andou até estar longe o bastante para ouvir os próprios pensamentos e respirar fundo.
- Você é bem difícil de pegar.
Suzaku pulou ao ouvir isso e se virou rapidamente. Lá estava ele. Com a mesma roupa branca e dourada, de braços cruzados e com ar de curioso convencido.
- Me-me seguiu? – Gaguejou as palavras, se sentia completamente sem chão. – Me deixe em paz! – gritou, aquela figura lhe inspirava ódio.
- Como pensa que eu te achei? – Ria Zero, se aproximando do moreno que recuava a cada passo.
Suzaku não estava gostando nada daquilo. Não do fato de ser seu inimigo a sua frente, não isso não o incomodava tanto, mas sim o tom na voz do outro. Era divertida e maliciosa, como um predador brincando com a presa. Com isso em mente, Suzaku parou de recuar e se manteve firme com olhar sério, tentando não mostrar intimidação pelo homem de mascara que continuava se aproximando até ficarem centímetros de distância. Os rostos próximos demais.
- De quem acha que está fugindo? – perguntou Zero num sussurro provocador.
- Eu não fujo de ninguém. – o desafiou. Mas a resposta do outro foi sorrir divertido e se aproximar mais para falar com o hálito quente acariciando sua orelha.
- Eu acho que você não tem medo de mim, mas do que pode sentir e gostar.
- Não há nada que você faça que possa me agradar. – e irritado ele se virou para sumir dali firme, mas uma mão em seu braço o impediu e o jogou contra um carvalho que havia ali, e, sem lhe dar chance de reação, o beijou.
"Lelouch", essa foi a primeira coisa que veio a sua mente. O gosto, as carícias, era tudo igual. Abominou-se por confundir o namorado com aquele ser à sua frente. O empurrou, não queria, não iria, trair o príncipe.
- O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – gritou com tudo o que tinha.
- Apenas o que quero... – ronronou o mascarado e avançou de novo, novamente muito rápido para Suzaku se mexer, e lhe roubou outro beijo, este sendo mais agressivo, com língua e tudo.
Suzaku não conseguia respirar. Não conseguia nem pensar. O Zero que conhecia era do tipo estratégico, que não tem preparo físico adequado para o combate, mas este o segurava com força e forçava a língua para dentro com destreza, e pelo que Suzaku percebeu, havia um gosto estranho e adocicado na boca do outro. Algo que não podia ser natural e estava bagunçando qualquer pensamento lógico. "Então foi isso o que ele quis dizer..." pensou ele fraco, sem ar e sem mais juízo.
Perdeu o controle sobre o próprio corpo, não lhe importava mais quem estava ali, somente queria mais daquele a sua frente. Segurou o seu cabelo, o puxando para um beijo mais profundo. Em seguida o soltou, passando a distribuir beijos e mordidas pelas suas bochechas.
- O que você fez comigo? – Perguntou, sem interromper o que fazia.
- Nada que vá lhe machucar. – foi a resposta.
O homem estava sorrindo triunfante, se deliciando com os toques quentes que o soldado lhe dava. As mãos começaram a passear por seu corpo, conhecendo o território e amassando as roupas. Os lábios voltaram a se encontrar e os corpos estavam praticamente unidos, se não fosse pelas roupas, que começaram a irritar certo adolescente de cabelos castanhos.
- Vamos sair daqui. – Disse virando o rosto pra o lado, temendo que alguém os visse.
- Ninguém está aqui – ronronou numa súplica, como se ouvisse os pensamentos do outro, sem parar com os beijos.
Zero apenas o puxou pela mão – onde fica o seu quarto? – perguntou, fingindo não saber.
Suzaku soltou um muxoxo de indignação, mas mostrou o caminho sem se soltar de seu inimigo. Ao entrarem no quarto, Zero foi imediatamente pressionado contra a porta. Ele riu outra vez ante a presa de sua vitima e não pode deixar de notar uma vasilha com umas frutinhas muito interessantes dentro.
Zero colocou a cereja na boca, mas antes mesmo de mordê-la, Suzaku o beijou de forma profunda e sedenta, deixando sua língua adentra-se na boca do outro saboreando a pequena fruta. O contato durou mesmo após o sumiço desta pela garganta de ambos, restando agora apenas o sabor um do outro. Quando o ar tornou-se necessário separaram-se lentamente, com umas poucas gotas de saliva escorrendo, com as testas encostadas e bocas entreabertas para acalmar suas respirações. Assim que Suzaku percebeu a posição em que estavam, um canto de seu lábio se ergueu num leve sorriso divertido. Zero estava com uma de suas mãos segurando firmemente a camisa do moreno na altura do ombro e a outra, pouco abaixo da cintura, enquanto Suzaku segurava o outro na mesma posição só que com uma das mãos atrás da nuca do príncipe.
- Você tinha razão... Essas são mesmo as melhores cerejas do mercado...
- E você continua duvidando de mim...
- Você sempre dá chance...
Foi tudo que disseram antes de se "atracar" de novo, desta vez com muito mais paixão, quase desespero, para ficarem juntos outra vez. Suzaku não hesitou em empurrar Zero contra a parede para poder ter maior contato. Suas mãos passam rapidamente pelo corpo magro do príncipe, procurando desesperadamente tirar aquela fantasia justa irritante, enquanto Zero enroscava os braços pelo seu pescoço e as pernas nas suas, buscando apoio uma vez que o ar se esvaia cada vez mais rápido.
As bocas se separaram, mas o atrito não. Suzaku não perdeu tempo, após uma puxada de ar, já beijava, mordia e sugava o pescoço claro do outro, que começava a gemer alto e a se segurar mais forte na roupa do mais alto, quase que por rasgando-a. Ambos foram para a cama, Zero rasgando completamente as vestes de seu companheiro que pensava recorrentemente "O QUE ESTOU FAZENDO?".
Suzaku gemeu de prazer quando Zero levantou o joelho e prensou acariciando seu membro. Trocando provocantes carícias Suzaku notou que o 'parceiro' ainda estava completamente vestido, então, resolveu deixar seu inimigo ao menos desconcertado arrancando-lhe as vestes tão rápido quanto um relâmpago e voltando a pressionar os corpos, desta vez nu, suada e completamente excitado. Suzaku impulsiona o outro até que os joelhos batessem na beirada da cama e então o empurrou, assim Zero caiu deitado, com as pernas dobradas para fora da cama. No entanto mal tentou se erguer, o soldado já estava de quatro em cima de si o observando malicioso antes de morder e atacar seu pescoço e ir descendo para o peito.
- Não dessa vez – Zero o rolou, ficando por cima, não agüentava mais ser o uke, além do mais, Suzaku lhe devia.
Seus dedos deslizaram por aquele corpo que tão bem conhecia, chegando até seu membro ereto e em movimentos rápidos o movia para frente e para trás.
Suzaku gemia descontroladamente, estava com o rosto rubro. Olhava para um ponto qualquer do quarto, não tinha coragem de encarar o mascarado, estava se entregando a ele, algo que nunca havia feito para Lelouch.
Zero puxou seu rosto num beijo esfomeado. Suzaku respondeu de pronto, enlaçando suas pernas na cintura do outro o puxando para mais perto, o que fez com que o outro órgão quente roçasse sua entrada. O moreno de olhos esmeralda jogou a cabeça para trás e passou a ofegar de surpresa e ansiedade.
Começou a penetrá-lo devagar, vendo o rosto do amado se contorcer em dor.
- Relaxe, ou vai ser pior... – Murmura em seu ouvido.
Suzaku treme levemente de medo e tenta relaxar seus músculos, se deixando ser possuído.
- Bom menino – Respondeu. No fundo, Lelouch sentiu raiva pelo soldado estar se entregando à "outra pessoa".
Começou a fazer um movimento para frente e para trás. O piloto do Lancelot geme alto de dor ao sentir seu interior ser rasgado e sangrar pela falta de preparação. A dor era fina e continua, e parecia não acabar. No entanto o ritmo de Zero era lento e logo que este levou a mão para estimulá-lo e passou a beijá-lo numa forma de conforto, a dor foi se diluindo, ainda ali, mas como sendo um incomodo. Passados alguns minutos assim, a sensação havia quase sumido por completo, o que fez com que o moreno de madeixas castanhas movesse os quadris no compasso do outro. Logo o ritmo aumentou, assim como o calor dos corpos e os ofegos das bocas sem ar.
Nenhum durou muito e o cansaço do dia e das recentes atividades abateu sobre eles rápido, ambos caindo num sonho profundo.
Suzaku é acordado pelo piar de alguns pássaros. Abre os olhos lentamente, se espreguiçando. Aos poucos, as memórias daquela noite voltam à sua mente. Dá um tapa na própria testa deixando a mão escorregar até a boca.
"Como pude fazer isso com Lelouch?" Estava aflito, de olhos bem abertos, se culpando pelo o ocorrido. "E o efeito do afrodisíaco nem durou muito".
Pegou suas roupas do chão e passou a se vestir. Tinha muito o que explicar para o namorado. Esse dia já havia começado mal.
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14/12/2009
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