Disclaimer: Naruto não me pertence. Eu faria tudo muuuito diferente... A começar pelos personagens. =\
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Ela voltaria
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Eles sabiam... E era aquilo que importava de verdade...
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Talvez fosse o modo como ela sempre o beijava um dia antes de partir de volta para Suna. O modo lascivo, ousado, saudoso, urgente, como se procurasse compensá-lo (e compensar a si mesma) pelo tempo que passariam longe. E ele sempre sabia. Não ousava falar nada sobre o assunto, tratava de compensá-la também.
E eles aproveitavam cada toque, cada beijo, cada palavra que deveria ser dita, mas que eles entendiam sem que qualquer som fosse pronunciado, porque eles se completavam, se necessitavam e se orgulhavam de não ter que começar um diálogo indigesto e meloso demais para eles, enquanto procuravam se despedir.
Aquela era também a promessa da volta. Quando os serviços dela em Konoha fossem novamente necessários. Quando a pele dela, quando os olhos verdes brilhantes, quando o cheiro forte de canela que ela emanava já estivesse se apagando da memória dele – ou pelo menos quando ele achasse isso.
Quando (Como se) a saudade fosse forte demais para continuar prosseguindo.
E seria como a primeira vez em que ousaram se tocar. Quando eles resolveram que eram mais que simples colegas de trabalho poderiam ser... Que era até melhor que fosse assim.
Por ora eram apenas amantes que se despediam. E ele ainda a levaria aos portões da vila, onde se encarariam, onde ela lhe sorriria e sairia sem dizer qualquer palavra, como fora até então. Entretanto, ele poderia imaginar tudo o que aqueles olhos poderiam – e quem sabe até queriam – dizer (como se eles fossem capazes de dizer algo). E ele concluiria que passara tempos demais ouvindo Ino comentar sobre o quanto Kiba poderia se mostrar apaixonado (apenas quando queria – raras as vezes em que isso acontecia) e que se continuasse daquele jeito, ele mesmo faria alguma coisa para ser tão sensível quando o assunto era ela.
Ao contrário da garota, que se mostrava (sempre) forte e andaria sob os olhos astutos do shinobi, talvez – e só talvez – lamentando durante ínfimos momentos por não ter dito nada, balançando a cabeça negativamente em seguida.
Porque não era do feitio dela dizer um "adeus" quando em breve ela estaria ali novamente. Não adiantaria dizer um "até breve", porque ela não sabia se sua voz seria capaz de traí-la denunciando a saudade que sentia por antecipação. Não convinha dizer algo como um "eu voltarei", porque não precisava (porque era ridículo). Não queria se despedir, já que era abominável fazer algo que a mostraria de um modo mais sentimental - e ela tinha certeza de que assim pareceria.
Porque eles sabiam.
Ele sabia.
E (droga) sempre fora assim.
E era só aquilo que importava de verdade...
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N/A.: Começando o ano com o pé direito, porque eu definitivamente queria escrever muito sobre ShikaTema durante o ano... Mas eu estou sem ideias. Essa fic vai para o 30 Cookies. Não revisei, porque fiquei com preguiça. Talvez tenha ficado meio "comassim?", mas eu não ligo. Eu gostei de escrever. E ShikaTema é amor s2.
* 30 Cookies; Set – Inverno; Tema – 24. Despedida.
