CAPÍTULO 3
O Início de uma Nação?
O herdeiro da matilha de Lobos Gigantes observou seu pai e alfa.
Fazia pouco mais de um mês, que seu pai havia decidido tomar para si o território da Floresta de Jura. O herdeiro da matilha não acreditava que era uma ideia sábia. Durante muito tempo, a floresta tinha sido considerada território do Dragão da Tempestade, Veldora, o que garantia a proteção para monstros mais fracos, enquanto afastava os monstros mais fortes e violentos. Ninguém queria arriscar a fúria de um dos Quatro Dragões Verdadeiros. E, mesmo depois de selado, ninguém se atrevia a iniciar uma guerra na Floresta de Jura, com receio de romper o selo e despertar Veldora e sua fúria. Contudo, o desaparecimento da presença de Veldora tinha causado uma grande agitação entre os monstros, fazendo com que muitas espécies tentassem expandir seus territórios, ou apenas conquistar a Floresta de Jura.
Tudo tinha ido bem para a matilha de Lobos Gigantes até aquele momento. A tribo de goblins da floresta com quem estavam em guerra, era fraca e não demoraria mais do que dois ou três novos ataques, para que eles conseguissem eliminar completamente aquela tribo. Contudo, o herdeiro da matilha estava preocupado.
Na noite anterior, ele tinha visto um majin diferente na floresta. Em sua aparência, aquele majin não parecia muito com um simples humano, mas a aura… o herdeiro da matilha nunca tinha sentido uma aura tão poderosa em sua vida. Ele foi esperto para não se aproximar, contudo, depois de informar a seu pai sobre o majin, o alfa apenas descartou o aviso, muito confiante em sua própria força. O herdeiro sabia que era tolice, mas tudo o que ele podia fazer, era torcer para que sua matilha não cruzasse com aquele majin.
Infelizmente, a sorte não estava do seu lado.
Naquela noite, quando sua matilha se aproximou da aldeia goblin para o novo ataque, o herdeiro o viu. Parado em frente a entrada da aldeia, o mesmo majin da noite passada. Sua aura estava controlada dessa vez, criando a enganosa percepção de ele que não era um ser perigoso, mas o herdeiro sabia… ele ainda podia sentir aquele arrepio no fundo de sua alma. Se eles se aproximassem… se tentassem atacar… todos seriam mortos.
Ele tentou avisar seu pai e alfa, mas foi ignorado.
O alfa ordenou que a matilha avançasse. Cinco lobos correram na frente, saltando em direção ao alvo, que parecia inofensivo. Eles nunca conseguiram alcançá-lo. Foi tudo tão rápido, que o herdeiro da matilha quase não conseguiu ver. Em um segundo, o majin estava parado em frente a entrada da aldeia, e no próximo ele tinha desaparecido, então… gritos e ganidos dolorosos de seus companheiros de matilha ecoaram pela noite, antes que seus corpos caíssem sobre a grama, suas gargantas rasgadas de uma ponta a outra. O majin reapareceu, parado em meio aos corpos caídos, suas mãos cobertas de sangue e suas unhas… elas tinham se alongado ao ponto de se tornarem garras longos e afiadas de sete centímetros.
– Maldito! Eu vou matá-lo! – Rosnou o alfa, correndo em direção ao majin.
– ESPERE! NÃO FAÇA ISSO, PAI! – Gritou o herdeiro, tentando impedir que seu alfa fosse de encontro a morte.
Ele não conseguiu detê-lo.
O alfa correu em direção ao majin, seus olhos sedentos de sangue, com um brilho quase enlouquecido, quando saltou em direção ao majin.
O mundo parecia se mover em câmera lenta. O alfa caindo em direção ao majin, presas a mostra, prontas para perfurar a carne do majin, enquanto o majin erguia lentamente os olhos verdes esmeraldas para encarar os seus castanhos amarelados. Então… o alfa de repente parou de se mover, congelado no ar.
– O quê…? – rosnou o alfa, tentando se mover, apenas para perceber que seu corpo estava preso por finas linhas.
– É inútil. Você está preso na minha teia pegajosa. Quanto mais se mover, mais preso você ficará. – Declarou o majin, sua voz bastante tranquila, enquanto caminhava em direção ao alfa. – Lobos Gigantes tem a mentalidade da matilha. É uma mentalidade poderosa, pois todos agem como um só. Ainda assim, também possuiu uma fraqueza. E essa fraqueza é você: o alfa.
A cada palavra, dita com calma, o majin se aproximou mais, até estar a poucos centímetros de distância das presas do alfa.
– A mentalidade é simples: sempre seguir o alfa. Contudo, o alfa pode ser substituído. – Afirmou, erguendo a mão em direção ao lobo.
Por um segundo, nada aconteceu, então uma foice feita de água disparou da mão do majin, cortando a cabeça do alfa. Sangue jorrou, antes dos fios que prendiam o corpo do alfa caírem, derrubando o corpo sobre a grama. O herdeiro da matilha viu o majin erguer a mão, e tentáculos azuis pegajosos saíram da palma, envolvendo completamente o corpo e a cabeça em um casulo, antes de serem puxados de volta para o interior do corpo do majin. O majin fechou os olhos por um segundo, antes de abri-los novamente, e encarar o restante da matilha.
Por um segundo terrível, o herdeiro acreditou que todos eles seriam mortos, mas então uma fumaça negra envolveu o majin… e não era mais um majin humanoide diante deles. Era um Lobo Gigante. Seu pelo era cinzento, mas seus olhos eram verdes esmeraldas, assim como os olhos do majin.
De repente, o novo lobo emitiu um uivo alto, emanando uma poderosa aura de submissão. Imediatamente, todos os lobos gigantes deitaram no chão, suas cabeças inclinadas em submissão, enquanto um mesmo pensamento ecoava em sua mente compartilhada.
– NOSSA MATILHA PERTENCE A VOCÊ, WAKA ARUJIN!
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Rimuru olhou para os 95 goblins e 96 lobos gigantes que estavam reunidos no centro da vila. De alguma forma, as coisas tinham terminado com ele como o mestre das duas raças.
Conseguir a lealdade dos goblins tinha sido fácil demais. Tudo o que ele precisou fazer, foi oferecer proteção em troca da lealdade deles. Os lobos tinham sido um pouco diferentes. Ele precisou matar e devorar o alfa anterior, para então submeter a matilha. Um pouco mais complicado, e muito mais sangrento, ainda assim, o resultado tinha sido o mesmo. Os lobos eram leais a ele, assim como os goblins.
Seus olhos se moveram para o céu. Ainda era noite…
– Rimuru-sama…? – Chamou o velho goblin.
– Está muito tarde. É melhor que todos durmam um pouco. Será um longo dia amanhã. – Afirmou, enquanto caminhava em direção a saída da aldeia.
– Rimuru-sama não irá dormir também? – Perguntou o filho do velho goblin, vendo que Rimuru caminhava para fora da aldeia.
– Eu não durmo. Estarei vigiando do alto da colina. – Falou, antes de sair da aldeia.
Assim que chegou no topo da colina, Rimuru se sentou sobre uma pedra e observou a aldeia. A noite estava silenciosa, e havia uma brisa agradável. A absorção do lobo gigante tinha melhorado seu olfato, fazendo com que ele pudesse sentir todos os cheiros ainda melhor do antes, incluindo o cheiro recente de sangue e morte. Sua audição também havia sido ampliada, ao ponto de que ele podia ouvir com clareza do som da brisa passando pelas folhas das árvores. Ter seus sentidos ampliados era um pouco desconcertante. Talvez levasse algum tempo para que ele se acostumasse completamente com aquilo.
"Me acostumar com esses novos sentidos não é a única coisa que terei de me acostumar." Pensou, soltando um suspiro baixo. Quando ele deixou aquela caverna, a última coisa que ele pensou em fazer, era se tornar o governante de um grupo de monstros. "O que vou fazer agora? Eu poderia ir embora… tsk… o que eu estou fazendo? Sentado aqui e pensando no que fazer sobre isso, eu sou algum tipo de idiota? Eu já sei a resposta. Não importa se eu planejei tudo isso ou não. A verdade é que… eu vou ser o líder deles." Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
Ele sempre foi assim.
Em sua vida passada… e agora. Rimuru sabia que não era do tipo que apenas abandonava aqueles que lhe eram leais.
"Maa… se eu vou mesmo fazer isso, vamos precisar de regras… e de muitas outras coisas." Pensou, cruzando os braços e começando a escolher as regras que deveria implementar. "Oh, eu deveria dar um nome para eles também… são 195 nomes… isso vai ser trabalhoso."
…
Quando amanheceu, Rimuru reuniu todos os monstros no centro da aldeia. Ele se sentou em um tronco de madeira e, por um longo segundo, observou a todos.
– Muito bem, hoje irei nomear a todos. – Avisou.
A reação de todos foi um pouco desconcertante, quando todos comemoraram o aviso. Era estranho ver todos aqueles monstros dançando e pulando de alegria, ao descobrir que eles receberiam um simples nome. Inicialmente, Rimuru não entendeu o motivo de tudo aquilo, até que as palavras de Veldora ressoaram em sua mente. Para um monstro, um nome era algo importante e especial. Normalmente, monstros não tinham nome e passavam toda sua vida desse jeito, mas ao receberem um nome, eles recebiam muito mais poder e uma chance de evoluir e se tornarem mais fortes.
– Façam fila. Vou começar a nomear! – Ordenou, um pequeno sorriso em seu rosto. Eles eram agitados e um tanto barulhentos, mas não era algo realmente ruim.
Os goblins e os lobos correram para formar uma fila. Rimuru olhou para a longa fila, os dois primeiros eram o velho chefe da vila e o filho. Os dois goblins se aproximaram. O mais jovem estava com as costas rígidas, em uma posição de sentido um pouco tremula, enquanto o velho apenas tremia de ansiedade.
– Vejamos… velho goblin se chamará Geydan… – no momento em que Rimuru disse o nome, uma aura dourada brilhante envolveu o velho goblin.
– Muito obrigado, Rimuru-sama! – Exclamou o velho, curvando-se várias vezes para Rimuru. – Juro segui-lo e ser leal por toda a minha vida!
Rimuru sorriu, voltando seus olhos para o goblin mais jovem.
– Rogga… – a mesma aura dourada envolveu o jovem goblin, que se curvou, agradecendo, antes de sair da fila.
Rimuru olhou para fila… isso levaria algum tempo.
– Gobuta… Gobuchi… Gobutz… Gobute… Gobuzo…
Um a um, os goblins se aproximaram e foram nomeados. Se Rimuru fosse, ele não estava realmente pensando nos nomes. Apenas dizendo nomes estranhos, misturando a sílaba 'Go' de goblin, com qualquer outra coisa que aparecia em sua cabeça na hora. Os únicos nomes que ele tinha parado para pensar um pouco, foram os de Geydan, que era céltico para 'velho líder', e Rogga, que era céltico 'pequeno líder'. Ainda assim, ele se sentiu um pouco mal, ao ver como os goblins estavam felizes, comemorando seus nomes.
"Talvez eu deva me esforçar um pouco mais…" Pensou, soltando um suspiro.
– Hn… Rimuru-sama. – Chamou o recém-nomeado Geydan, fazendo com que Rimuru o olhasse. – Estamos muito agradecidos e honrados pelo senhor nos nomear, mas… sabemos que seu poder mágico é imenso, mas vai ficar tudo bem, dando tantos nomes de uma vez? – Perguntou o velho goblin.
Rimuru arqueou uma sobrancelha com a pergunta estranha.
– Sim, não precisa se preocupar com isso.
– Se o senhor diz… – murmurou o velho Geydan, parecendo preocupado, enquanto Rimuru voltava sua atenção para o próximo da fila.
Era um goblin fêmea, bastante fofa.
"Acho que vou dar um nome diferente para essa… já sei, vou dar alguns nomes japonesas! Eu li mangás o suficiente para saber uma porção de nomes!" Pensou, com um pequeno sorriso.
– Haruna!
– Muito obrigada, Rimuru-sama! – Exclamou a pequena goblin, sorrindo amplamente com seu novo nome, antes de correr para se juntar aos já nomeados.
Vinte minutos depois, ele tinha nomeado todos os goblins.
"Isso cuida de metade… agora, os lobos…" Pensou, voltando seus olhos para os lobos.
O primeiro da fila era o filho do antigo alfa e, diferente dos demais lobos, este tinha uma estrela em sua testa.
"Ele era o filho do alfa que eu devorei… me pergunto, se ele guarda algum tipo de ressentimento. Hn… como eu vou te nomear? Já que ele era o filho do antigo alfa, eu vou dar a ele um nome relacionamento a 'tempestade'. Vejamos… lobo… tempestade… hn… ah! Já sei!"
– Ranga. – Declarou, sorrindo para o lobo, que abanou o rabo feliz, antes de agradecer e sair para que os outros pudessem ser nomeados.
Rimuru olhou para os outros.
"Bem… acho que vou só usar alguns nomes menos profundos…"
– Kuroumaru… Kiromaru… Aomaru… Akamaru…
Alguns minutos depois, todos os lobos foram nomeados.
Rimuru sorriu ao ver a animação de todos. Parecia algo tão bobo, mas ele não podia deixar de sorrir.
Ainda restava muito o que falar, então Rimuru ordenou que todos se reunissem a sua frente outra vez. Contudo, quando ele se levantou para continua o a falar, Rimuru se sentiu estranhamente tonto e fraco.
"O quê…?" Pensou, cambaleando para trás.
– Rimuru-sama! – Exclamou Geydan.
Rimuru caiu para trás, sua mimetização humana se desfazendo, forçando-o a reassumir sua forma original de slime, caindo sobre o tronco de madeira.
"Maldição… o que foi isso?"
[Aviso: níveis de magículas abaixo de 15%. Não é possível manter a mimetização humana, devido ao baixo nível de magículas.] Falou Daikenja, respondendo sua pergunta.
"Baixo nível de magículas? Eu estava bem ontem, mesmo depois de lutar com o alfa. Por que estou sentindo os efeitos agora?"
[Negativo. O baixo nível de magículas não é consequência da luta contra o Logo Gigante alfa. Seus níveis de magículas reduziram após nomear 195 monstros. Se continuasse a nomeação, seus níveis seriam reduzidos drasticamente, e você seria colocado em modo hibernação.]
"Dar nomes gasta tantas magículas assim?"
[Afirmativo. Quanto mais poderosa é o monstro nomeado, mais magículas são necessárias para fazê-lo.]
"Vou ter de me lembrar disso. Quanto tempo até eu recuperar minhas magículas?"
[Calculando. Com a taxa atual de regeneração e recuperação, serão necessárias 20 horas, para recuperar os níveis totais de magículas.]
Rimuru suspirou internamente.
Ele teria de levar aquele dia com calma, afinal.
– R-Rimuru-sama…? – Chamou Geydan, parecendo em dúvida. – O senhor está bem…?
– Ahn? Oh, sim. Apenas fiquei com poucas magículas. Talvez dar tantos nomes juntos não tenha sido uma grande ideia afinal. – Falou, com bastante calma. – Não se preocupe com isso, vou me recuperar algumas horas.
– Hn… Rimuru-sama… essa aparência…? – murmurou Gobuta, olhando para ele bastante surpresa.
– Hn? Oh, eu sou um slime. Essa é minha verdadeira forma, mas posso mimetizar qualquer a aparência de qualquer coisa que eu devorar. – Explicou, dando de ombro… ou quase isso. – Vocês têm algum problema com isso? – Questionou com uma sobrancelha arqueada… ou quase isso. Ele era um slime naquele momento…
Todos negaram, mas Rimuru ainda podia sentir o olhar de curiosidade.
– E pensar que alguém tão poderoso como Rimuru-sama seria um slime… estamos apenas surpresos. Sabíamos que aquela não era sua verdadeira forma, mas não imaginávamos que era um slime. – Explicou Geydan, ainda bastante surpreso, mas com respeito evidente.
– Deixando isso de lado, vamos nos focar no que temos de resolver agora. A partir de hoje, todos vocês estão sob a minha proteção, isso significa que todos aqui são aliados, amigos e companheiros. – Declarou Rimuru firme, olhando para todos os monstros com atenção. – Para que todos nós possamos viver juntos, vou estabelecer regras. Regras que eu espero que todos obedeçam. A primeira regra, é a mais importante de todas. Se ela for violada, a punição será severa. A primeira regra é: Somos família, e a família nunca deve ser traída. Traição não é algo que eu perdoo. Isso está claro para todos?
Todos acenaram em acordo, suas expressões sérias.
Isso era bom.
Rimuru era bastante sensível quanto a traições. Desde Pettigrew, ele não poderia perdoar algo semelhante.
– Bom. Agora, vejamos… Ranga, você será meu parceiro. Isso significa que iremos trabalhar juntos e nos ajudar em batalha. – Falou com calma, olhando para o filho do antigo alfa.
– Como desejar, mestre. – Concordou Ranga, parecendo um pouco surpreso ao ser escolhido.
Rimuru acenou satisfeito coma resposta.
– E da mesma forma que Ranga e eu formaremos um par, eu quero que todos os outros se dividam em pares: um goblin e um lobo.
Todos trocaram um olhar confuso, antes de aos poucos, começarem a se dividir. Não demorou muito, pois ninguém parecia estar pensando ao escolher com quem formaria uma dupla. Não era surpreendente. Eles não se conheciam, mas isso realmente não importava no momento. Conforme o tempo passasse, eles cresceriam fortes juntos e aprenderiam a confiar em seu parceiro. Assim que todos estavam sentados novamente, dessa vez separados em duplas, Rimuru voltou a falar:
– Vou explicar as outras regras agora. Se houverem duvidas sobre as regras, podem perguntar: Trabalhar sempre em conjunto. Não menosprezar raças mais fracas. Não atacar humanos… – nesse momento, Rimuru viu Rogga erguendo a mão. – Sim, Rogga?
– Por que não devemos atacar humanos? – Perguntou, parecendo verdadeiramente confuso. Pela expressão dos demais, era óbvio que Rogga não era o único confuso.
– ROGGA! SE RIMURU-SAMA DISSE… – Gritou Geydan tremendo, se de raiva ou simplesmente de velhice, era difícil de dizer.
– Está tudo bem, Geydan. Eu já tinha dado permissão para questionarem. Seguir regras, sem entender o motivo delas terem sido criadas, é apenas tolice. – Afirmou, sorrindo satisfeito com a pergunta. Ele não queria ninguém apenas seguindo cegamente suas palavras. Todos deveriam pensar por si mesmo. – O motivo para não atacar humanos, é porque pode ser perigoso. Individualmente, humanos são seres fisicamente fracos. Alguns podem desenvolver força e habilidade, mas em sua maioria, são fracos. Contudo, para contornar essa fraqueza, humanos aprenderam a viver em grupos, dessa forma, eles são capazes de superar sua fraqueza individual, por uma força baseada em números. Se atacar um, sempre haverá o risco de um grande exército vir em vingança.
Rimuru manteve a calma enquanto falava.
Ele tinha sido humano uma vez. Era por isso que ele, melhor do que ninguém, sabia até onde os humanos eram capazes de chegar.
– Contudo, isso não significa que devemos temer a todos os humanos, assim como não precisamos nos isolar completamente deles. Uma vez, alguém me disse que humanos nascem com duas semente em seus corações. Uma para o bem e outra para o mal. Dessa forma, a pessoa se torna boa ou má, com base em qual semente ela cultiva. Por isso, quero que todos sejam cuidadosos, mas não devemos alienar todos os humanos. Todos entenderam?
– SIM, RIMURU-SAMA! – Responderam todos ao mesmo tempo, fazendo com que Rimuru sorrisse.
– Bom. Em segundo lugar, algum de vocês tem conhecimento de forja, construção, culinária, agricultura, pecuária, medicina e artesanato?
Os goblins trocaram um olhar, antes de negarem.
– Sentimos muitos, Rimuru-sama, mas nenhum de nós é capaz dessas coisas. – Lamentou Geydan, curvando-se em desculpa. – Sempre que precisávamos de alguma coisa, íamos a Dwargon, e trocávamos alguns restos de nossas caçadas pelo o que precisávamos.
"Escambo… não é uma escolha ruim, para um grupo pequeno. Ainda assim, algo assim não pode continuar, ou esse lugar nunca irá se desenvolver."
– Bem, isso não vai continuar. Enquanto escambo é uma técnica viável de sobrevivência, não é o suficiente para desenvolver uma sociedade. – Declarou Rimuru, olhando para todos. – Geydan, você disse que trocavam coisas em Dwargon. Que lugar é esse?
– É formalmente conhecida como a Nação Armada Dwargon, é governado pelos anões. É um país neutro, então é permitida a entrada tanto de humanos, quanto de monstros. Você pode conseguir praticamente tudo em Dwargon.
– Hn… isso é promissor. Então, está decidido. Amanhã irei até Dwargon, para conseguir alguém que possa nos ajudar. Vejamos… Rogga, Gobuta, Gobuzo e Gobute… vocês quatro iram me acompanhar, junto com seus parceiros lobos. Ranga também virá, é claro.
– Hai!
– Por hoje, quero que vocês se dividam em dois grupos: um para colher alimento na floresta e outro para caçar. Lembrem-se de ficarem juntos e se ajudarem.
Nem trinta minutos depois, os dois grupos foram formados, e os goblins seguiram com as tarefas designadas.
O restante do dia foi bastante tranquilo. Enquanto os goblins caçavam, Rimuru usou aquele tempo para planejar seus próximos passos. Ensinar os goblins coisas como forja, construção, pecuária e agricultura, era apenas o básico de tudo. Nenhuma civilização poderia existir, ou mesmo avançar, sem esses conhecimentos básicos. Mas a evolução estava muito mais além.
Se havia uma coisa que o Mundo Mágico tinha lhe ensinado, era que a estagnação nunca era algo bom.
"Se conseguirmos bons ferreiros e artesões em Dwargon, talvez possamos usar minhas memórias passadas para criar novas tecnologias para esse mundo. Além do mais, precisaremos iniciar uma infraestrutura adequada. Sinto que essa cidade vai crescer mais do que planejo, então precisamos garantir um bom saneamento e fornecimento de água… com isso, podemos criar um bom encanamento. Se houver uma fonte grande de água, podemos construir um aqueduto grande o bastante para abastecer toda a cidade. Com um bom abastecimento de água e um encanamento de esgoto apropriado, teremos uma boa base. Também precisaremos de um poder militar adequado. Não gosto de pensar assim, mas aprendi a esperar pelo pior e a me preparar para evitá-lo. Uma cidade de monstros… se realmente construirmos um bom lugar, há uma grande possibilidade de outros monstros migrarem em busca de refúgio… não é tolice pensar que uma pequena cidade, poderá se tornar uma verdadeira nação. Dessa forma, seria apenas ingenuidade pensar que todos as nações humanas apenas aceitariam isso em paz. Precisaremos de uma forte força militar para nos defender… e… eu realmente não gosto disso, mas… também precisaremos de poder bélico."
[Confirmado. Com base nos dados disponíveis, é possível afirmar que suas preocupações são válidas. Devo iniciar planejamento para armas bélicas? Sim/Não?]
Rimuru fechou os olhos e suspirou.
"Eu não gosto disso, mas… Sim. Prefiro pecar pelo excesso de zelo, do que lamentar mais tarde."
[Confirmado. Iniciando planejamento de armas bélicas.]
"Obrigado, Daikenja. E sinto muito. Estou deixando a parte mais difícil das coisas para você." Desculpou-se, enquanto sorria internamente agradecido. Daikenja estava desenvolvendo cada detalhe do que Rimuru pensava, sem mencionar as diferentes técnicas que ele já tinha lhe oferecido. "Eu estaria em sério problemas, sem você, Daikenja."
[Afirmativo.]
Rimuru bufou e riu baixinho.
Ainda havia muito pela frente, mas ele estava confiante de que conseguiria.
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"Hn… como isso aconteceu?" Pensou Rimuru, finalmente recuperado e em sua forma humana, no dia seguinte, enquanto encarava os goblins e lobos reunidos a sua frente.
Parecia que todos os goblins e lobos tinham vítimas de um poderoso feitiço de 'Engordio'. Todos pareciam ter crescido três ou quatro vezes seu tamanho anterior. Os goblins masculinos mediam facilmente entre 1,80m a 2,50m de altura, a mudança mais surpreendente. Certamente, era a de Geydan, que deveria ter mais de dois metros de altura e uma grande quantidade de músculos para acompanhar; em contraste, havia alguns goblins que não tinham mudado muito, suas alturas ainda estavam entre 1,45m e 1,50m, não muito diferente da altura de Rimuru em sua forma humana; um bom exemplo era Gobuta. As fêmeas goblins pareciam muito mais humanas, com corpos bastante femininos, com seios amplos, cinturas finas e quadris largos. Os lobos pareciam ter o dobro da altura de um cavalo normal, seus pelos se tornaram mais espessos e brilhantes, e todos tinham desenvolvido chifres, semelhantes aos de um unicórnio.
[Aviso. Após receberem nomes, os goblins e lobos gigantes evoluíram. Os goblins machos evoluíram para hobgoblins. As goblins fêmeas evoluíram para goblinas. Os lobos gigantes se tornaram Tempest Wolf.]
"Hobgoblins… goblinas… Tempest Wolf… ahh… quais são as chances de que todos para quem eu dei um nome, tenham evoluído… acho que a minha sorte me acompanhou nessa vida." Pensou, um sorriso resignado em seu rosto.
– Rimuru-sama, estamos todos prontos para ir. – Falou Rogga, se aproximando de Rimuru.
Rimuru olhou para o recém-evoluído hobgoblins e mentalmente assobiou.
Rogga media facilmente 1,90m de altura, com o corpo preenchido por músculos fortes. Ele estava muito mais atraente do ponto de vista de Rimuru…
"Além do mais… certamente é uma visão que faz bem para o coração…" Pensou, enquanto descia seus olhos pelo peito e abdome bem trabalhado, terminando em uma tanga feita de pele de animal, o que dava um visual tipo 'homem da selva' bastante agradável.
– Rimuru-sama? Está tudo bem? – Perguntou Rogga, parecendo confuso com a forma como Rimuru estava lhe olhando.
– Hn… está tudo ótimo. – Murmurou, antes de caminhar até o grupo que o acompanharia até Dwargon. – Geydan, você vai ficar no comando enquanto eu estiver fora! Garanta que todos fiquem bem!
– ENTENDIDO! TENHA UMA BOA VIAGEM, RIMURU-SAMA! – Exclamou, enquanto se curvava.
Rimuru acenou para todos, escutando o gritos de 'boa viagem' e 'volte em segurança', enquanto montava em Ranga com facilidade.
Com um último olhar para os monstros que tinha reunido, Rimuru sorriu, antes de dizer para a Ranga correr em direção a Dwargon, sendo seguido de perto pelos demais lobos.
