Boa noite! Mais um capítulo quentinho do meu casal favorito. Espero que gostem!
Capítulo 03 – Náufragos apaixonados
Cuddy abriu o olho e de repente... "Oh meu Deus!".
House acordou assustado e olhou para onde ela apontava.
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"Será que é Kahoola?". Cuddy perguntou surpresa.
"É Kahoolawe. E é possível". House levantou-se. Eles estavam avistando a praia. "Temos que nadar até a costa".
"Mas e a lancha?".
"Levamos conosco o kit de primeiros socorros e a comida".
"Vai molhar tudo".
"As mochilas são a prova de água".
"Mas e a lancha?".
House notou que Cuddy havia se apegado ao barco, como se fosse um porto seguro em meio ao caos.
"Cuddy, deve ter rastreador nessa lancha".
"Oh... E você pensou nisso o tempo todo e não disse nada? Os sequestradores podiam nos achar".
"Eles não viriam nos buscar em alto mar, mas agora estaremos em terra firme. Melhor deixar a lancha ir...".
"Ok".
Eles se prepararam para descer o mais perto possível da costa. Pegaram mochilas e pularam na água. Antes Cuddy expressou novamente seu medo de tubarões.
"Você consegue nadar com a sua perna e o seu ombro baleado?".
"Vamos descobrir logo".
"Deixe-me levar as bolsas então".
"Eu sou um homem e não um fraco".
"House, isso não tem nada a ver com a sua masculinidade".
"Vamos!". Ele se jogou na água. Dê-me as bolsas.
Seria inútil contestar, Cuddy jogou ambas para ele.
"Agora venha!".
Ela pulou na água apavorada com a possibilidade de tubarão. Eles tinham que nadar pelo menos três quilômetros e não estavam no melhor de suas formas físicas.
"Vamos! Avise-me se tiver um problema". Ele a alertou.
"Você também".
Nadavam, nadavam e parecia que nunca chegavam.
"Você está bem?". House perguntou preocupado e também parando um pouco para descansar.
"Sim, continue".
E ele continuou. Evitava forçar a perna, mas era inevitável e começou a experimentar câimbras.
"Estamos chegando!". Cuddy disse.
House tentou forçar um pouco mais, ele começou a sentir a areia abaixo dele e conseguiu ficar em pé.
"Vencemos!". House gritou muito alto. Exausto.
Cuddy respirava profundamente para recuperar o ar.
"Terra firme!". House continuava gritando como um desbravador.
Cuddy conseguiu levantar-se também, mas logo caiu esgotada.
"Você está bem?". House juntou forças onde não tinha para ir até ela.
"Sim". Ela sorriu deitada na praia. "Estou muito feliz!".
House sorriu, ele estava tão lindo. O sol iluminava seus cabelos molhados, seus olhos azuis estavam mais vibrantes do que nunca. Ela não resistiu e o beijou.
House estranhou, mas quando sentiu a boca dela na dele nada pode fazer para evitar. Logo ele a abraçou e o beijo, que começou tímido, tornou-se mais apaixonado. Línguas, bocas e o sal do mar para temperar o momento. O coração de ambos estava na garganta e não se lembravam mais de onde estavam, nada interessava. Só aquele momento.
Cuddy estava entregue a paixão, ele era bom demais pra largar. House estava entregue ao desejo. O beijo efetivamente começou a esquentar, mas de repente ouviram um barulho que quebrou a intimidade.
"O que foi isso?". Cuddy perguntou limpando a saliva que estava no canto de sua boca.
"Não sei. Fique aqui!".
House se levantou e caminhou com dificuldade pela areia fofa da praia. Não havia nada, nem ninguém. Era uma praia deserta aparentemente com um grande paredão rochoso a poucos metros. Vegetação fasta e verde acima desse paredão, parecia haver quilômetros de imensidão deserta. Alguns coqueiros, sombra e muito mar.
"Não tem nada... Só se foi um animal...".
"Animal selvagem?". Cuddy perguntou se levantando apressada.
"Provavelmente não, deve ter sido um pássaro. Bom, pelo menos não é um tubarão, com certeza".
Ela sorriu. "Seu idiota!".
Um minuto de silêncio constrangedor, ninguém falou sobre o beijo, nada...
"Eu vou colocar as sacolas de primeiros socorros e de comida em algum lugar sob a sombra". House quebrou o silêncio.
"Ok".
Cuddy estava com o vestido molhado e grudado no corpo, aquilo era um grande incomodo, pois seus braços estavam muito queimados de sol. Mas ela ficaria de calcinha e sutiã? Não! Ela resolveu caminhar pela praia, apesar dela estar em uma praia deserta, perdida, quase sem água e comida, ela só conseguia pensar naquele beijo. Era o segundo beijo que davam em meses, e novamente ela sentiu-se nas nuvens. Por que esse bastardo beijava tão bem? Mas o que ele estava pensando agora? Ela o beijou, ela tinha certeza de que foi ela quem levantou a cabeça e o puxou contra seus lábios. Como seria agora? Ela não podia simplesmente inventar uma desculpa e sair, ela estaria presa com ele naquela ilha deserta, sozinhos.
House colocou as bolsas embaixo de um coqueiro, mas o que ele precisava mesmo era se afastar de Cuddy. Por que ela o beijou? O que aquilo queria dizer? Era carência por conta de tudo o que aconteceu? Foi um ato impulsivo pela felicidade de chegar em terra firme? Ela gostava mesmo dele? O que estava acontecendo afinal? House a olhava caminhar, ela estava linda com aquele vestido colado no corpo. Ele estava tendo dificuldades pra se concentrar em outra coisa muito importante: como sair de lá.
O fato é que ambos ficaram meio afastados, ninguém falou nada, mas cada um entendeu que precisava desse tempo. Cuddy olhando ao redor para ver as possibilidades que a ilha oferecia e House sentado sob a sombra. Ele tomou um Vicodin e esperava que a dor começasse a melhorar.
Quando ela se aproximou, notou que House estava escrevendo na areia com um pedaço de tronco de árvore.
S.O.S
"Você acha que nos verão aqui?".
"Espero que sim".
"Será que morreremos nessa ilha?".
"Não sei...". Ele respondeu com sinceridade.
"A noite ficará frio...".
"Aquelas pedras podem servir de abrigo, só precisamos de fogo".
"E você é o homem das cavernas agora pra fazer fogo?".
Ele não respondeu, saiu pegando gravetos de madeira secos.
"O que você está fazendo?".
"O que parece?".
"Ok, por que você está grosseiro comigo? Por conta do beijo?". Ela finalmente tocou no assunto.
"Eu não estou grosseiro com você... Ajude-me!". Ele mudou de assunto.
Depois ele foi até próximo das pedras e se esforçou para fazer fogo com aqueles pedaços de madeira.
"Eu não quero ser pessimista, mas não vamos conseguir". Cuddy disse se aproximando.
"Fale por você". House respondeu focado.
Ele não desistiu, apesar da palma da mão já estar vermelha e dolorida.
"House, pare!".
"Precisamos disso".
"Nós daremos um jeito".
"Não há outro jeito. Sobrevivemos ao barco, mas não sobreviveremos a muitos dias frios, com pouca comida e pouca água".
E ele insistiu. Até que...
"Isso é fumaça?".
Ele começou a assoprar, assoprar, assoprar. De repente: Fogo!.
"Oh meu Deus! Você conseguiu. Temos fogo!".
House ergueu uma madeira flamejante e uivou como um primata. "Eu criei fogo!".
Cuddy sorriu. Ela o beijaria novamente, com certeza. Vontade não faltava.
"Como você conseguiu?".
"Vantagens de ter sido filho de militar".
"Você era escoteiro?".
"Não, pior... Meu pai e seus amigos nos levavam para o meio da natureza para testes de sobrevivência".
"Quando você era adolescente?".
"Não, eu devia ter seis anos".
"Oh meu Deus, tão novo assim?".
"Desvantagens de ter sido filho de John".
"E sua mãe não se importava?".
"Minha mãe nunca teve voz ativa em casa. Nem na vida".
Cuddy sentiu compaixão por aquele garoto House.
"Não podemos deixar apagar, temos que colocar madeira sempre. Aliás... Podemos fazer fogo perto do S.O.S, deve chamar mais atenção. Uma grande fogueira".
"Boa ideia!". Cuddy respondeu encantada pelo discernimento de House. Como sempre, ela não podia deixar de se encantar por aquele intelecto e mente lógica.
Fizeram uma fogueira gigantesca.
"Pronto! Não é possível que ninguém veja a fumaça".
"Os sequestradores podem ver...".
"Eles não viriam aqui". House a tranquilizou. "Agora... O que temos no cardápio do dia?".
"Barras de cereais? Ou uma deliciosa porção calórica". Cuddy respondeu divertida. O bom humor havia voltado com a pequena vitória da fogueira.
"Não é possível que não haja nada diferente aqui... Estamos em uma ilha".
"Talvez eu ache alguma fruta". Cuddy falou se levantando.
"Não, você fica. Eu vou!".
"Por quê? Sua perna".
"Eu sou o homem".
"Pare de machismo". Cuddy partiu mais rápido do que a argumentação dele.
House sentiu-se mal por não poder ajudar mais, ok, ele fez fogo, isso seria suficiente para o seu brio naquele dia.
Ele estava cansado, seu corpo todo doía, não era apenas a perna agora. Ele tinha o rosto, tórax e os braços muito queimados de sol. Cuddy também estava assim e ele se preocupou com uma possível queimadura grave.
Então ele avistou folhas de Babosa, conhecido também como Aloe Vera. Isso, era isso! House coletou várias delas e trabalhou para extrair o gel natural, aquilo era um calmante para a pele ferida. Um ótimo calmante.
Cuddy voltou meia hora depois. "Não há sinal de vida por perto, nada de civilização. Eu achei essas mangas".
"Mangas!". House tomou uma das mãos dela e começou a morder com casca e tudo.
"Você vai arrancar a casca com os dentes?".
"Claro que sim. Estão limpas, mais limpas do que as frutas que compramos que passam de mão em mão".
"É verdade. Você é o infectologista...". Cuddy disse divertida mordendo a manga.
"Passe esse gel no corpo". Ele mostrou para Cuddy.
"O que é isso?".
"Aloe e Vera".
"Sério? Você conseguiu isso? Como você...?".
"Porque eu sou um gênio".
"Isso é ótimo para os cabelos também".
House virou os olhos, mas ela se lambuzou com o gel.
"Por que você não passa nos pelos pubianos também?".
"Boa ideia". Ela zombou dele. "Mas eu estou depilada".
"O quê?". House arregalou os olhos e sentiu-se excitar imediatamente.
Cuddy riu.
"Não faça isso comigo!".
Ela riu ainda mais.
Alguns minutos depois...
"House, você comeu três mangas, você vai passar mal".
"Não vou não".
"Você é quem sabe...".
"E você se melecou toda com Aloe Vera".
"Não se compara, aliás... Graças a Deus você encontrou isso. Estou me sentindo muito melhor".
"Graças a mim! Deus não tem nada a ver com isso".
Ela balançou a cabeça.
Naquela noite eles ficaram a beira da fogueira e abaixo de uma das grandes montanhas rochosas.
"Parece um acampamento de colégio".
"Com a diferença que em vez do atleta cobiçado você está aqui comigo, um aleijado".
"House... Não fala assim".
Ele riu triste.
"Você é melhor do que o atleta cobiçado. Nunca gostei desse tipo".
"Sério? Porque eu meio que era um atleta cobiçado em Hopkins".
"Em Michigan também".
"E você meio que...".
"Caí na sua teia".
"Exato!".
"Na verdade você caiu na minha teia".
"O quê?".
Ela sorriu. "Eu te segui... Naquela festa. Eu te segui. Te achei um lunático interessante desde a primeira vez que te vi, então eu resolvi que queria te conhecer melhor".
"Você me procurou só pra sexo?".
"Não! Já faz tempo".
"Cuddy, eu ia atrás de você depois...".
"Não! Não havia expectativa éramos jovens e...".
"Eu ia te ligar e te chamar pra comer alguma coisa e ver como as coisas iriam ser depois dali, mas eu fui expulso naquela manhã. Recebi a ligação do reitor e não achei que havia mais sentido. Você merecia mais. Você sempre mereceu mais".
Cuddy ficou completamente chocada. Ela não esperava por aquela revelação, aquilo mudava tudo o que ela sempre pensou sobre o seu passado. Ela sempre imaginou que não havia sido boa o suficiente para ele, que ela só havia sido mais uma. Trabalhou duro para chamar a atenção dele e de qualquer homem com a sua capacidade intelectual, além de física. Enfrentou machismo, preconceito, assedio de todos os tipos. Aquela revelação dele era como se tudo o que ela acreditou e trabalhou fosse uma mentira. Ela não sabia o que sentir e nem como agir, então levantou-se bruscamente.
"Eu tenho que fazer xixi".
"Cuddy...".
Mas ela se foi.
"Eu digo que sempre estive interessado nela e ela vai fazer xixi?". Ele ficou se perguntando confuso.
Ela retornou quase meia hora depois.
"Depois fala que eu urino como um cavalo".
"Eu estava observando as estrelas".
House entendeu e não tocou mais no assunto. "Ok, agora serei eu a ir ao banheiro, acho que a manga fez seu efeito".
"Sério?".
"Sim, pode começar a se exibir e a dizer que já sabia".
Cuddy riu.
"Se eu morrer você não vai achar tanta graça".
O problema é que House teve diarreia a noite toda. Cuddy preocupada tentava o hidratar e quase toda água se foi.
"Eu acho que nunca mais quero ver manga".
"Você quer mais água?".
"Não temos mais água".
"Podemos encontrar".
"Onde?".
"Deve ter água em algum lugar...".
"Oh sim, tem água em muitos lugares, quilômetros daqui...".
Cuddy respirou fundo.
"Eu melhorei um pouco, vamos tentar dormir".
"Ok".
Eles deitaram próximos da fogueira, já estava clareando quando eles conseguiram finalmente dormir um pouco.
"Não sei, ele não atende. Cuddy não atende".
"Wilson, eles devem estar brincando de nove semanas e meia de amor". Chase respondeu.
"Alguma coisa aconteceu".
"Nada aconteceu. Eles querem ficar sozinhos".
"Eu concordo com Wilson". Cameron disse.
"Vocês são muito ingênuos". Chase disse. "Deixe os dois terem o que precisam".
Wilson estava desconfiado. Descobriu o telefone do hotel e ligou.
"Dra. Cuddy não está no quarto".
"Pode deixar uma mensagem?".
"Claro!".
"Peça pra ela me ligar com urgência, sou o Dr. Wilson".
"Anotado".
"Obrigado".
"Eu vou andar um pouco mais e ver o que encontro. Você fique descansando".
"Ok". House estava fraco e não tinha forças pra argumentar.
"O seu ombro está melhor, agora o problema é seu estomago e intestino".
"Eles vão melhorar. Meu problema é a falta eminente de água e Vicodin".
"Vamos dar um jeito". Cuddy disse e saiu levando algumas garrafas junto, caso encontrasse algo interessante.
House ficou refletindo sobre a vida, ele não queria, mas foi inevitável. Cuddy o beijou, Cuddy havia mencionado algo sobre relacionamento algum tempo atrás, mas antes de se tornar uma mãe. Tudo mudou, não? Ela fugiu quando ele tocou no assunto sobre o passado. O que aquilo queria dizer? Mulheres eram complicadas, e ele estava sozinho com a mulher que mais mexia com ele. Que mais o deixava confuso e perturbado. Super!
Cuddy tentava não pensar, aquela coisa toda havia a perturbado. Cuddy tentava focar em encontrar algo animador, já que House precisava. Ela estava muito preocupada com ele.
De repente ela ouviu o barulho mais lindo de todos: O som de água corrente. Era um pequeno córrego, a água era cristalina. Cuddy riu muito sozinha, ela queria que House estivesse ali para compartilhar aquele momento. Cuddy encheu as duas garrafas que levou e voltou pelo caminho de onde veio. Por sorte era fácil, senão ela teria se perdido mata adentro.
"Quem quer água!". Ela voltou exibindo as garrafas.
"É sério?".
"Sim. Veja!".
"Onde você encontrou?".
"Um pequeno córrego não muito distante".
"Wow!". Ele sorriu.
Ela sorriu. Era lindo vê-lo sorrir.
"Temos que ferver".
"Com certeza, não quero que peguemos nenhum protozoário, bactéria ou verme".
"Seria bom se tivéssemos uma panela...".
Olharam ao redor.
"Coco!".
"Coco?".
"Aquela árvore tem coco. Precisamos deles".
"Eles estão altos, não vamos conseguir".
"Vamos!".
House levantou-se com dificuldades, andou até o coqueiro e começou a balançar. Caiu um, dois, três cocos verdes.
"Ótimo!".
"Isso é bom para te hidratar".
"E vamos usar o coco como panela pra esquentar a água".
"Será que dá certo?".
"Sim. Tem que dar".
Cuddy sorriu.
Agora o desafio era abrir o coco. Tentaram com pedras, arremessos de coco e golpes de karatê. Pelo menos eles riram muito durante o processo.
"Podíamos ao menos ter trazido uma panela e um facão".
"Se soubéssemos". Cuddy respondeu.
"Ok. Eu vou tentar com pedra novamente".
"Vamos gastar muita energia...".
"Eu vou conseguir!".
"Ok".
E ele tentou, tentou, até que...
"Abriu!".
Eles comemoraram e beberam aquela água deliciosa.
Depois House colocou a água dentro da casca do coco e colocou para ferver.
"Você devia dar palestras sobre auto motivação".
House riu.
"É sério. Nunca pensei que você seria tão resiliente".
"Eu? Resiliente?".
"Sim.
Ele riu novamente.
"Nem todos suportariam viver como você vive: com dores constantes, privado de muita coisa que gostava. Você é uma pessoa perseverante".
Ele arregalou os olhos surpreso com aquelas palavras.
"Nunca pensamos por esse lado. O que você faz é muito. Não sei se eu suportaria".
"Cuddy...".
"É verdade".
"Acho que a água ferveu". Agora foi a vez de House mudar de assunto. "Vamos colocar nas garrafas limpas e deixar filtrando no sol por algumas horas".
"Você realmente é um sobrevivente". Cuddy disse admirada.
House sentiu-se corar. "Não é nada demais...".
...
A tarde caiu.
"Será que estão procurando por nós? Nosso voo de volta seria hoje".
"Eventualmente vão notar nossa ausência".
"E se ninguém tiver notado ainda?". Cuddy perguntou preocupada.
"Wilson já notou. Certeza!". House decretou.
"Eles não me retornaram. Algo aconteceu!".
"Ligue pra família de Cuddy".
"Pra quê? Pra assustá-los?". Wilson contestou a ideia de Cameron.
"Pode ser que eles estejam muito entretidos realmente. Chase tem razão". Taub falou.
Mas nada convenceria Wilson.
"Eu trouxe Leonor pra você".
"Quem é Leonor?".
"Ela".
Cuddy riu alto.
"O que foi?".
"Isso é uma manga".
"Não, veja bem. Ela tem cabelos".
"Que você colocou".
"Ela tem sentimentos".
"House, é uma manga. A fruta".
"Leonor, não ouça o que ela diz, é ciúme".
"Ok, você não é Tom Hanks, House".
"Eu sou melhor do que ele. Eu tenho você, ele só tinha Wilson. Wilson... Que coincidência. Como será que está Wilson?".
"Surtando?".
"Sim. Com certeza. Ele não suportaria me perder".
"Claro que não". Cuddy respondeu com ironia.
"Leonor vai conhecer Wilson. Quem sabe eles formarão um belo par?".
"Você sabe que está falando de uma manga, não sabe? A fruta? Ou você tomou sol demais?".
"Não ligue pra ela Leo. E só eu posso chamá-la assim".
...
Naquela noite eles estavam particularmente abertos. Talvez a solidão, o medo do futuro incerto. Algo havia tocado a alma dos dois.
"Você acha que morrermos aqui?". Cuddy perguntou.
"Não sei...".
Ficaram em um silêncio ensurdecedor ao redor da fogueira.
"Vamos fazer o jogo da verdade?".
"House... Não...".
"E se morrermos? Ninguém saberá de nada. Fique tranquila".
"Você me deixa muito tranquila com suas palavras otimistas".
"Há pouco você reclamou do meu otimismo".
"Eu não reclamei, eu me surpreendi".
"Jogo da verdade?".
"Ok...". Ela concordou relutante. O que ela tinha a perder nesse ponto?
"Ok. Do que você tem mais medo?". House começou.
"Nada sexual?". Cuddy perguntou confusa.
"Ainda não chegamos lá".
"Você anda me surpreendendo muito atualmente". Ela respondeu divertida.
"Eu vou deixar sua alma nua...".
Ela riu alto. "Isso é brega!".
"Responda!".
"Agora... Tenho medo de nunca mais ver minha filha".
"Rachel cresceu em você, hein?".
"Sim". Ela respondeu com os olhos marejados.
"Fico feliz por você, é algo que você sempre quis...".
Ela o olhou chocada.
"Eu realmente quero dizer isso".
"House... Você simplesmente é inacreditável. Como pode ser tão... Tão fofo as vezes e no minuto seguinte ser um idiota?".
"Eu tenho essa habilidade".
"É sério. Responda a verdade".
"É essa a sua pergunta?".
"Sim".
Ele respirou fundo. "Eu não sei. Talvez seja um mecanismo de defesa".
A resposta dele a surpreendeu também. Ele havia sido sincero e em um nível que ela não imaginava ser possível.
"Obrigada".
"Pelo quê?".
"Por me responder com sinceridade".
Ele riu tentando desmerecer a coisa toda, mas não conseguiu.
"Agora que você tem Rachel... Você ainda pensa em ter um relacionamento?".
Novamente ele a surpreendeu, isso estava ficando esquisito, ele conseguia a surpreender a cada minuto. Não que House não fizesse isso naturalmente, mas nos últimos dias... "Claro que eu quero ter um relacionamento, uma coisa não tem nada a ver com a outra".
"Mas você busca um pai pra ela?".
"Não, eu a adotei sozinha e não exigiria isso de um homem. Mas com o tempo, isso acabaria sendo inevitável, o convívio dos dois...".
"Sei...".
"Por que essa pergunta?".
"Nada... Estamos aqui sem fazer nada...".
Ela balançou a cabeça confusa. "Ok, e você? Qual o seu maior medo?".
Ele respirou fundo. "Não tenho medo de morrer. Talvez... Morrer sem ter me esforçado o suficiente".
"Se esforçado pra sobreviver?".
"Não... Me esforçado pra tentar... tentar ser feliz".
"Oh não! O que você fez com House? Quem é você?". Ela perguntou rindo.
Ele permaneceu sério.
"Você realmente quer dizer isso?".
"Sim".
"Ok, desculpe... Eu pensei que você estava brincando comigo".
"É o jogo da verdade e existe um código sobre isso que eu respeito".
"Ok. É legitimo o que você disse, eu só não esperava isso".
"Minha vez... Qual foi a última vez que você teve um encontro?".
"Agora sim é o House que conheço".
"Você sabe tão pouco sobre mim, baby".
'Eu estou vendo', ela pensou, mas não falou.
"Meu último encontro foi há um ano".
"O quê?". Ele ficou chocado.
"Eu sou ocupada e não saio por aí...".
"Esse foi seu último encontro quente?".
"Não, esse foi dos frios...". Ela respondeu com sinceridade.
Ele riu alto. "Por quê?".
"Ele era legal, mas... Sem graça".
"Sem graça?".
"Não senti nada, quase dormi na mesa do restaurante".
House riu novamente. Ele estava gostando desse jogo com Cuddy.
"E você?".
"Eu não tenho encontros...".
"Por que não?".
"Eu não sou material para namoro".
"Por que não?".
"Porque, como você disse, eu sou fofo e no minuto seguinte um completo idiota".
"Mas você tem suas qualidades".
"Quais?".
"Eu não vou falar pra você ficar lisonjeado e exibido".
"Estamos em um jogo da verdade".
Ela balançou a cabeça.
"Você é inteligente, tem senso de humor, é surpreendente, é bonito... É sexy". Essa última parte ela falou mais baixo, simplesmente escapou.
Ele a olhou malicioso. "Você me acha sexy?".
"É a segunda vez que você me pergunta isso". Cuddy tentou desmerecer o assunto.
"Você também é sexy".
"Obrigada". Ela respondeu corando e se coçando.
"Esse vestido precisa ser lavado e secar ao sol. Ele vai te deixar com dermatite".
"É, esta incomodando bastante". Cuddy concordou.
"Tire!".
"Não!". Ela respondeu bruscamente.
"Cuddy, somos praticamente o Tarzan e a Jane".
"Eu não vou tirar meu vestido".
"Você não está vestindo lingerie?".
"Claro que sim".
"Então...".
"Exatamente porque é lingerie".
"Tenho certeza de que você fica bem nela".
"Ok. Continue".
"Eu tiro a camiseta". House tirou a camiseta. "E minha calca jeans que também precisa secar ao sol antes de me dar assadura". E ele começou a abrir o zíper. Cuddy ficou paralisada.
Ele desceu a calça e ficou só com uma boxer branca. Cuddy pode ver sua cicatriz, que ela já conhecia, mas sempre cortava o coração dela ver as marcas de tanto sofrimento. A vontade dela era abraça-lo.
"Aliás, essa boxer também precisa secar".
De repente ele ficou nu. Cuddy não conseguia disfarçar e tirar os olhos do pênis dele. Se existia algum pênis bonito no mundo, esse era o pênis de House, ela pensou. Ele estava flácido, mas ainda assim...
"Pronto!".
"Eu não vou ficar nua".
"Então sofra!".
Ele cobriu a areia com a camiseta antes de sentar-se. "Não quero areia entrando onde não deve".
Cuddy ainda estava paralisada. E um tanto... Excitada, ela tinha que confessar. para si mesma. Ele era bonito, másculo. A barba dele estava crescida e só conferiu a ele um visual mais macho ainda. Além disso, o bronzeado e a barba mais robusta fez com que seus olhos azuis ficassem ainda mais vibrantes.
"Não fique perturbada. Sei que faz tempo que você não vê um homem nu, mas é só um corpo masculino".
Ela jogou areia nele. "Esse House eu conheço".
"Um exemplar aumentado do órgão masculino, mas ainda assim...".
"Ok House".
Ele sorriu vitorioso, pois ela continuava se coçando.
"Você parece o Homem de Neandertal".
"Sabia que existia a Mulher de Neandertal, certo?".
"Você está querendo dizer que eu estou peluda?". Ela perguntou envergonhada.
"Eu só quero dizer que a Mulher de Neandertal tinha tesão pelo o Homem de Neandertal".
"Idiota". Ela respondeu sem sorrir.
"Leonor não ficou nenhum pouco corada com a minha nudez".
"Talvez porque Leonor seja uma fruta".
"Plasfêmia!". Ele gritou a assustando.
"Seu idiota, eu quase morri".
"Ok. O que você busca em um homem?". Ele mudou drasticamente de assunto.
"Wow, você é consultor de site de relacionamento? Vai me ajudar a procurar um companheiro?".
"Quem sabe...".
Ela respirou fundo. "Eu quero alguém que me faça melhor. Que me instigue, que me desafie, que me deixe excitada só em ouvir a voz dele. Quero admirar o intelecto dele, mas também sentir arrepio quando estou perto fisicamente. E também... Quero que ele aceite minha filha".
"Wow. Você me deixou excitado".
Inevitavelmente ela olhou para a masculinidade dele.
"Ok, mas a parte final tirou o clima. E você está olhando para meu pau".
"Bobo!". Ela corou outra vez. Ela estava parecendo uma adolescente recentemente. "Você fica exibindo suas partes e espera que eu olhe para a areia?".
"Você não consegue tirar os olhos do meu pênis".
"Que exagero!". Ela respondeu desconcertada.
"Eu vejo como você olha pra ele com olhos de gula".
"Seu porco!".
"Se você quiser brincar...".
"Sonhe! Afinal, você quer se exibir com essa coisa enorme no meio das pernas...".
"Enorme, hein?".
Ela se deu conta do que tinha dito. "Enorme se comparado a mim, que não tenho nada".
"Aham... Eu não preciso que você fale sobre meus dotes. Estou bem ciente deles".
"Você é um idiota, não preciso falar nada a respeito, eu estou bem ciente deles. Agora minha pergunta".
"Manda!". Ele fez um movimento particularmente erótico e ela precisou respirar fundo.
"Você... Por que você sai com prostitutas? Digo... Você teria condições de ter alguém sem precisar pagar".
"Porque eu não tenho vínculo com prostituta. É puramente negócio".
Ela fez cara de nojo. "Isso é... Nojento".
"Não saio com qualquer prostituta e sempre me cuido".
"Mesmo assim".
"Cuddy... A vida não é bonita pra todo mundo".
"É difícil imaginar você... Você tem tanto potencial".
"Obrigado". Ele respondeu malicioso.
"E eu não me refiro a nada sexual".
"Ok. Você acha que o hospital fecharia a porta sem você lá?". House mudou de assunto bruscamente.
"Não, claro que não. Eles teriam dificuldades, mas... Superariam. Ninguém é insubstituível".
"Diga isso pra uma mãe que perdeu o filho".
"Não estou falando com relação...".
"Eu sei, só estou te enchendo".
De repente Cuddy se lembrou de Rachel e se emocionou. "O que será da minha filha?".
Ele ficou abalado com o choro dela. "Cuddy, calma. Ainda temos muito pela frente".
"Não devíamos ter vindo ao Havaí".
"Viemos e estamos aqui. Não adianta remoer o passado".
Ela engoliu o choro. "Tem razão. Temos que focar no agora".
"É isso aí Cuddle".
Ela riu. E decidiu que era hora de devolver na mesma moeda. "Eu acho que terei que tirar esse vestido, está muito ruim". De repente ela começou a se despir e House, que estava nu, começou a sentir que ficaria com uma parte de seu corpo bem responsiva.
"Ok, você só está fazendo isso pra me provocar".
"Você mesmo insistiu pra que eu tirasse o vestido".
"Não posso negar que é... Agradável".
Ela tentou conter o riso.
"Ok, foque House. Continuando... O que te deixa feliz?".
"Feliz?".
"Sim". Ela notou que ele estava com dificuldade para se concentrar.
"Eu estou feliz agora".
"Para de ser um macho estúpido e responda". Cuddy fingiu irritação.
"Sexo me deixa feliz. Comida. Vídeo game. Dormir".
"Sério? Você parece um primata".
"Eu sou um homem, você quer dizer".
"Nem todo homem é assim...".
"Aqueles que não te satisfazem por exemplo. Aliás, eu nunca imaginei que você usaria um sutiã rosa com uma calcinha preta".
"Ótima mudança brusca de assunto. E ótimo que você fique me imaginando de lingerie".
"Oh, faço isso o tempo todo. E sem lingerie também".
"Ok, melhor mudar de assunto antes que partes suas comecem a ficar felizes, se é que elas ficam...".
"Oh pode apostar".
Ela corou.
"Quem foi o último homem a te convidar pra sair?".
"Lucas".
"Lucas?".
"Lucas, o detetive particular. Seu amigo".
House ficou sério de repente. "Lucas? Lucas?".
"Sim".
"Filho da puta".
Cuddy sentiu-se lisonjeada e expos a perna. Ela notou que House olhou.
"Eu não aceitei. Ele é... Fofo, mas é novo demais".
"Fofo?".
"Ele é meio estabanado... Afobado".
"E isso é bom? Ele na cama deve ser... Terrível".
Cuddy riu alto. "Nem só de sexo vive uma mulher".
"Oh, não me diga que você não se importa com a qualidade".
"Eu não o disse isso".
"Ok, acredito em você...". Ele respondeu sarcástico.
"Você me falou sobre felicidade... O que você faria diferente?". Cuddy perguntou.
"Muita coisa".
"O quê? Stacy?".
"Não". Ele respondeu bruscamente. "Antes... Teria feito muita coisa diferente antes... E talvez... Amputado a perna".
Ela se surpreendeu mais uma vez. "Realmente?".
"Talvez eu estivesse com uma prótese agora, sem dor... Eu acho que teria menos apegou a um membro se voltasse lá".
O coração de Cuddy partiu.
"Não sei como seria minha vida se não tivesse acontecido... Não sei como seria minha vida se eu tivesse optado pela física ao invés da medicina".
"Você provavelmente teria feito alguma descoberta incrível". Cuddy disse divertida. "Mas muitas pessoas teriam morrido".
"O preço da escolha... Outras estariam mais feliz. Você... Eu não te daria dor de cabeça".
"Não! Eu seria menos feliz sem você".
E eles trocaram um olhar duradouro. Olhos nos olhos. Um olhar real.
"Minha pergunta". House disse. "Você quer que eu te beije agora?".
Continua...
