Parte III
Ciúme
Apresentando:
-Sakura e Gaara;
-Uma intrusa;
Sakura sem Gaara.
-Onde está o Gaa-kun? – ela resmungava consigo mesma, carregando nos braços o ursinho de pelúcia que ele a havia dado de presente de aniversário. Segundo ele, era uma coisa fresca, pra uma menina fresca. Pra ela fora o melhor presente que já havia ganhado na vida, e nomeara o ursinho de Gaa-kun, mas ele nunca saberia. Já se imaginava dormindo abraçada com o presente, desejando que na verdade fosse Gaara quem ela podia abraçar, e odiava isso, uma paixão platônica. Ambos com 14 anos, e ela nunca conseguira superar a admiração que sentia por ele. Ao contrário, o sentimento já evoluíra e ela sabia: se tornara amor.
Mas desde que perdera a corrida, nunca, como o prometido, havia voltado a pedir que ele a beijasse. Ainda guardava suas próprias palavras – Um dia Gaara, você vai implorar pra me beijar – e faria de tudo, para pelo menos uma vez ter os lábios dele sobre os seus. Nem que ela tivesse que obrigá-lo. Era um desafio, um desejo, um sonho.
Andou um pouco mais e se deparou com o lugar onde se "conheceram". As lembranças a acometeram e um sorriso bobo, apaixonado brinco nos lábios. Andando por ali, ela viu. Os cabelos ruivos, que ela conhecia tão bem. Em uma cena que a fez paralisar de choque.
O que Sakura viu: Gaara conversava com uma menina de cabelo castanho. Gaara nunca conversava com nenhuma menina, somente com ela. Ele mantinha um sorriso no canto dos lábios. O sorriso que era somente dela, e de mais ninguém. E a menina, bom essa, alisava os braços de Gaara, colocados próximos a ela. E aquela cena, daquela intimidade, daquele carinho que ela deseja ter, quebrou seu coração de maneiras inimagináveis. Sentiu se desfragmentar em seu peito. A dor foi tão grande, tão decepcionante, que ela pensou que jamais fosse passar.
Lembrou-se da pessoa que ela mais sentiu raiva, o menino de anos atrás. Não chegava nem perto do que sentia agora. Era pequeno, minúsculo. Microscópio, comparado com a raiva que sentia agora. E como quatro anos atrás, ela ficou cega de raiva. Mas agora seria diferente.
-Motivo da diferença: Gaara escolhera a outra, não Sakura. E aquilo desfragmentou o que ainda restava em seu peito. Se é que ainda restava.
Caminhou, com os músculos tremendo de raiva e agitação, trôpega em seus pés até onde eles estavam. Na árvore. Na árvore deles. Não pensou. Apenas se postou na frente de ambos, com os braços cruzados, a voz em um sussurro para que tremesse, e fez a pergunta que a estava matando.
-O que essa garota faz aqui? – simples, clara, Objetiva. Qualidades que podiam defini-la por completo. Ele curvou a sobrancelha. A garota se fez de desentendida.
-Quem é essa Gaa-kun? – perguntou. E o apelido carinhoso que inspirava tanta intimidade apenas lhe bofeteou. Duvidava que a surra que havia dado anos atrás naqueles garotos doesse tanto quanto isso.
-Eu é que perguntei. Quem é você e o que faz aqui? – perguntou entre dentes.
-Ora Gaa-kun não te contou? – ela perguntou com um vestígio de sorriso – nós somos namorados.
Mais do que a dor, ela tocou os piores sentimentos existentes:
Ódio, decepção, mágoa, tristeza, desespero. Traição.
A dor foi fulminante. Ela pensou que podia morrer. E quem sabe se ela não morreu naquele instante? Não raciocinou. Como anos antes, o reflexo foi mais rápido. Em um ela estava sobre a garota, estapeado e arranhando seu rosto. No instante seguinte, nos braços de Gaara, que a prendia para impedi-la.
-Sakura, pare com isso – ele falou sério. Tão sério como ele nunca havia falado em quatro anos. Seria o dia de destruir sua alma?
-Gaara, me solte, faça a sua escolha, ou eu ou ela.
E ele a fez.
-A escolha de Gaara: ele escolheu a outra.
E aquele, ela tinha certeza, fora o golpe final em seu coração inexperiente e carente de amor. Ela foi embora, mas não sem antes de um gesto, e algumas palavras, que partiram o coração dela. E por incrível que possa parecer, dele também.
Mas Gaara teria um coração? Perguntou-se ela.
Um ato: Um soco desmedidamente forte em seu rosto perfeito.
Palavras: Eu odeio você. Não me procure mais.
E ambos, conheceram a solidão, o vazio, a dor insuportável que somente a saudade é capaz de causar. A dor cruel, desumana, que pouco a pouco faz os sentimentos e a alma morrerem.
Com Gaara foi diferente, ao invés de morrer, ele despertou. Ele percebeu, quando viu a tristeza intensa naqueles olhos que ele tanto admirava, que olhava todos os dias durante quatro anos. E ele notou que não imaginava mais uma vida sem ela. E só percebeu quando ela lhe deu as costas, e correu sem parar, até um lugar onde ninguém a veria chorar e definhar, desejando morrer.
Já Sakura desejou poder viver uma vida sem sinal de Gaara. O Ursinho fora para o fundo do baú, onde ela pretendia nunca mais tirá-lo. A dor a deixava amortecida, mão nunca foi tão intensa. Amaldiçoou Gaara e ela mesma, por se apaixonar por alguém como ele. E jogou fora todos os sinais de que ele pisara em sua vida. As fotos, os presentes e lembranças lhe dadas anteriormente. Mas nada disso fez a dor passar. Não foi nem mesma capaz de fazê-la esquecer.
Foi assim por três anos. Ele a procurou. Ela o evitou todas as maneiras possíveis. Ele nunca desistiu. Ela não deu o braço a torcer. Foi o sim de uma amizade, mas nunca chegou a ser o fim de um amor. O amor verdadeiro não acaba. Ela aprendeu uma lição:
O que Sakura aprendeu: Nunca se esquece do que foi cravado em nosso coração.
Mas ela continuou sobrevivendo. Viver não era exatamente o que ela estava fazendo.
E assim se passaram três anos. Nem uma conversa, nem um sorriso. Nem mesmo um olhar. Não que ele não quisesse. O caso era que ele não merecia. Eu concordo plenamente.
