Parte IV
Um beijo, e o fim.
Apresentando:
-Hyuuga Neji;
-Um beijo;
-Um soco;
-Um beijo de verdade.
-O fim.
Foi então, com 17 anos que Sakura pode dizer que recuperou um trecho mínimo de sua alegria, de sua vontade de viver.
O responsável: Hyuuga Neji.
O primeiro garoto que a beijou. Não fora nem perto o que ela imaginava. Não era Ele que Sakura imaginava lhe dar seu primeiro beijo. Mas foi assim. Ele não a amava. Ela muito menos. Ela era linda. Era atraente. Era desejada. Ele a queria, ela não o negou. Queria sentir ao menos uma vez em sua vida que alguém a escolhera, que era bonita, que era desejada.
Sentiu os lábios de Neji sobre os seus, apesar de macios, eram amargos. Não havia paixão. Só fingimento. Status. Era isso que ele queria. Ter o que ninguém jamais conseguiu:
Sakura.
E ela percebeu com dor que nada daquilo adiantaria, ele jamais sairia de seu coração. Ela teve vontade de fazer diferente. Queria voltar três anos atrás e perdoá-lo quando ele pediu. Queria ele de volta em sua vida. Queria fazer parte da vida dele. Somente isso seria suficiente para trazê-la a vida novamente. Mas ele desistira dela.
Algo que Sakura não sabia: Agora era ele quem a observava. Cada passo. Cada movimento. Ele era seu anjo da guarda.
Os lábios de Neji ainda pressionavam os seus, as mãos passeavam em suas costas, e a língua dele acariciava a sua. E então, repentinamente tudo terminou. Um puxar, um solavanco. E Neji estava no chão, com o nariz sangrando e Gaara estava de costas pra ela, com uma áurea assassina observando aquele que havia tomado algo que o pertencia. Sua pureza, por assim dizer. Algo que lhe era dedicado há sete anos, e que ele rejeitou. Algo sem o qual ele já não poderia viver. Ela. Sakura.
Ela correu, fugiu dali, daquele pesadelo. Ele estava disposto a destruir qualquer um que fosse capaz de fazê-la tornar a viver novamente. Dessa vez ele não permitiu. Ele foi atrás dela. Nevava, como na primeira vez, há sete anos.
Ele a alcançou. Puxou seu braço. Ela chorava. Ele a abraçou. Olharam-se nos olhos. Os dela cheio de acusações. Os dele com pedidos mudos de perdão. E houve o reconhecimento. O verde no verde, aquilo que já estava prometido há tantos anos. E então aconteceu, algo que ela sonhara por quase toda a vida. Algo sem o qual ele não queria mais viver. Algo que ambos não poderiam mais viver sem sentir: os lábios da pessoa amada.
Foi ali, com uma explosão de sentimentos, com um simples toque de carinho, um roçar de lábios, com olhos fechados e com flocos de neve, ali, naquele lugar. Eles entenderam finalmente o que era viver. E agora, sem dúvida alguma, não ficariam mais sem poder sentir um ao outro. Porque eles se completavam, eles estavam prometidos.
E aquilo, que durou alguns instantes, significou pra eles o renascimento. Sem mágoas, sem ressentimentos. O perdão, a união. E a certeza: eles estariam sempre juntos. Pra sempre.
