Disclaimer: Os personagens de Inuyasha não me pertencem, e sim a Rumiko Takahashi.
Sinopse:Rin Robinson é uma órfã desamparada que cuida dos três filhos pequenos de sua prima Kagura em troca de casa e comida. Mas sua vida toma outros rumos quando ela conhece Sesshoumaru, o Lorde d´Arenville. Sesshoumaru deseja ter uma família. Por isso pede para Kagura apresentá-lo a debutantes que estivessem a altura de ser sua esposa, e principalmente, mãe de seus filhos e dona de seu coração. As coisas, porém, não acontecem de acordo com os planos da anfitriã. O Lorde ignora todas as convidadas, e, impressionado pelo modo amoroso com que Rin cuida dos filhos da prima, decide que ela é a única mulher com quem realmente deseja se casar...
Rate: T - Por conter cenas pesadas.
~O Cavaleiro e a Dama~
Capítulo IV
— Droga! —Rin olhava seu reflexo. Ela trouxera um espelho de um dos salões e o escorara contra a parede. Ele lhe disse o que já suspeitava — que era a pior costureira no mundo, e que seu vestido de casamento parecia o café da manhã de um cão.
Rin não tinha a mínima idéia das providências tomadas para seu casamento. Tentara várias vezes falar com sua prima, mas Kagura ainda estava furiosa e lhe ordenara que ficasse longe de sua vista. Ninguém parecia lembrar-se de que a noiva não possuía um centavo em seu nome. Ela esperava que alguém se lembrasse de que a noiva precisava de um vestido adequado, mas enquanto o temido dia chegava cada vez mais perto, Rin decidiu que era melhor tomar providências alternativas — só para se prevenir.
O sótão continha dúzias de arcas e chapeleiras, cheias de vestidos velhos e roupas de baile, relegados ali através dos anos. Ela e as crianças as revistavam freqüentemente, procurando enfeites. Rin encontrara um belo vestido de baile de seda âmbar-claro, muito fora de moda, com anquinhas largas e muitas jardas de guarnições, mas ainda com bastante material bom, se fosse descosturado, para fazer um vestido de noiva.
Em outra arca, ela encontrara um par quase novo de chinelos azuis, que só apertavam seus pés um pouquinho, e um par manchado de longas luvas de cetim branco.
Ela riu com seu reflexo e deu várias piruetas. Não estava tão mal, afinal. Oh! A linha do pescoço estava um pouquinho torta, mas Rin estava convencida de que só a pessoa mais crítica a notaria.
Ela examinou seu reflexo no espelho novamente, e puxou as longas luvas de cetim. Nunca vestira algo tão fino em sua vida. Olhou para as mangas com reprovação... Um xale! A echarpe de tecido de lantejoulas de Kagura esconderia as mangas! Não estava precisamente na moda para vestidos de casamento, mas talvez os observadores pensassem isso. Afinal, ela estava se casando com um homem bem conhecido por sua elegância. A boca de Rin secou quando ela observou seu reflexo.
Ela não estava simplesmente se casando com um homem... ela estava se casando com um Iceberg. No dia seguinte, pela manhã. E depois disso, ele a levaria para longe das crianças que ela amava tanto — as únicas criaturas no mundo que a amavam. No dia seguinte ela pertenceria somente a ele, juraria perante Deus e as testemunhas amá-lo, honrá-lo e obedecê-lo. Um homem que ela mal conhecia e de quem, com certeza, não gostava. Um homem frio, conhecido por não se importar com o sentimento alheio. Que desejava uma mulher com a qual não precisaria se preocupar, uma mulher que poderia engravidar e abandonar no tédio rural, enquanto se divertia em Londres, esperando pelo nascimento de seu herdeiro...
Rin estremeceu. O que queria dizer engravidar? Ela sabia que mulheres tinham filhos, é claro, mas não fazia a mínima idéia de como isso acontecia. Ela vivera virtualmente sua vida inteira no Colégio Interno de Miss Fisher a Filhas de Cavalheiros, e o assunto nunca estiver no currículo da afetada solteirona.
Algumas teorias insistiam que a mulher carregava o bebê no seu estômago, por exemplo. Bem, se era assim — como elas tiravam o bebê de lá? Cortavam-no fora? Vomitavam-no?
Em todo caso, como os bebês chegavam lá primeiro? O homem plantava uma semente na mulher? Uma semente? Bebês não cresciam de sementes! Sim, eles o faziam, Miyu Forrest o dissera. Sua mãe lhe contara isso. Bem, como eles plantavam as sementes — eles as engoliam? Rin suspeitava que esta fosse uma lenda de mulheres velhas — como a que dizia que, se você engolisse sementes de abóbora, os pés de abóbora cresceriam e sairiam por suas orelhas. Rin comprovara que esta estava errada, comendo mais de vinte sementes e nem sinal de um pé de abóbora aparecer em seus ouvidos!
Não, Miyu não tinha certeza sobre a maneira pela qual as sementes eram plantadas, mas era parecido com o que os animais faziam, achava. Rin gargalhou com esta. Animais plantando sementes? Ridículo.
Engravidar. Com certeza ela tinha o direito de saber como se fazia isso. Se sua mãe estivesse viva, ela poderia explicar, mas ela deixara somente algumas poucas cartas. E agora não era hora de pensar nisso... Primeiro ela devia se preocupar com a noite de núpcias.
Rin decidiu perguntar a Mrs. Wilmot e, dando muitas voltas, abordou a questão.
— Que Deus lhe abençoe, Miss Rin — a governanta enrubesceu. — Não é a mim que a senhorita deveria perguntar sobre estes assuntos. Eu nunca fui casada, minha querida. Todas as governantas são chamadas de senhora, casadas ou não... Mas Wilmot é meu nome de solteira. — Ela deu umas palmadinhas na mão de Rin. — Vá perguntar à sua prima, miss. Ela vai esclarecer tudo.
Decidiu dirigir-se à sua prima e lhe perguntar sobre o assunto, apesar da hostilidade.
Kagura deu uma olhada no rubor envergonhado de Rin, e lançou-lhe impacientemente:
— Oh, Deus, livre-me das virgens choramingantes! Não faça esta cara horrível, menina, eu lhe contarei tudo o que precisa saber sobre sua noite de núpcias.
Puxou Rin para o sofá ao seu lado, e sussurrou instruções detalhadas em seu ouvido. Após um momento, sentou-se pára trás e empurrou-a para longe.
Horrorizada, mas mortificada demais para fazer perguntas, ela virou-se para sair, mas quando alcançou a porta, Kagura sibilou atrás dela:
— Assegure-se de que não desgraçará meu primo, ou sua família. Lembre-se: uma dama suporta isso em silêncio, sem se mover ou esquivar-se. Você está me ouvindo, menina?
Estas foram as últimas palavras que Kagura lhe disse, e quanto mais pensava sobre elas, mais nervosa ficava. Suportar isso? Mas o que era isso? Suportar parecia algo bastante desagradável... E em silêncio? Por que ela sentiria vontade de gritar? Parecia doloroso.
— Miss, miss, ele chegou! — Airi, a criada, colocou sua cabeça na porta, o rosto iluminado de excitação. — Seu noivo, miss, ele está aqui!
O coração de Rin pareceu parar por um momento, então começou a bater duas vezes mais rápido. Ele estava lá. Ela poderia falar com ele, então — sobre a Itália — antes do casamento. Ela estava esperando exatamente por isso. Nas três semanas desde que ele se fora, galopando de maneira tão intemperada, ela se condenara freqüentemente por não ter esclarecido tudo antes do casamento, pois depois não teria a mínima chance de que ele concordasse com os pedidos de uma mulher que lhe jurasse obediência na igreja.
— Eu preciso vê-lo imediatamente — Rin foi em direção à porta.
— Oh, miss, miss, a senhorita não pode! Dá má sorte, não importa o quão ansiosa a senhorita esteja por ver o belo cavalheiro novamente!
— Azar? Por quê? — Airi apontou o vestido.
— Pelo fato do noivo ver a noiva em seu vestido, é claro. — Ela olhou mais detalhadamente o vestido de noiva e, franzindo as sobrancelhas, avançou para colocar uma das mangas no lugar. — A senhorita tem certeza de que iss...?
— Oh, não faz mal — disse Rin. — Eu mudarei de vestido, Airi, já que você diz que é tão importante, mas por favor, leve uma mensagem para lorde d'Arenville e diga-lhe que eu preciso falar com ele o mais rápido possível.... em particular.
— Claro que sim, Miss Rin. Eu irei agora.
Tendo dito à criada irritantemente tímida que encontraria Miss Robinson no quiosque do jardim em vinte minutos, Sesshoumaru se perguntou por que a urgência. Sem dúvida tinha algo a ver com os enfeites de seu casamento. Ele se permitiu um fraco sorriso cínico e procurou em seu bolso o longo pacote. Ele estava bem à frente dela.
Sesshoumaru cavalgara para longe, totalmente enfurecido, logo após sua última entrevista com a futura esposa. Ainda estava zangado, mas sua raiva esfriara e se transformara em implacabilidade gélida. Rin Robinson teria que aprender qual era o seu lugar. Se queria ser tratada como uma noiva desejava ser tratada, era melhor pisar bem de leve à sua volta, até que tivesse obtido o seu perdão. Franziu as sobrancelhas e apalpou o pacote. Ele deveria tornar os seus motivos para o presente muito claros para ela. Não queria que o entendesse mal.
Ocorrera-lhe uma semana antes que ela não teria nenhuma jóia. Era impensável que sua noiva usasse jóias baratas ou ordinárias em seu casamento, e por isso Sesshoumaru fizera uma busca na caixa de jóias de sua mãe até achar um lindo colar de pérolas, um brinco, e um bracelete combinados. Eram o perfeito presente de núpcias — e combinariam com qualquer coisa que ela usasse.
Do pouco que vira de sua roupa, Miss Robinson preferia um tipo estranho de adornos, mas o gosto de Kagura era extraordinário e ela se asseguraria de que sua noiva não vestisse nada ultrajante. E, depois do casamento, ele mesmo supervisionaria seu guarda-roupa. O resto das jóias de sua mãe, ele lhe presentearia se e quando ela o merecesse.
— Lorde d'Arenville?
— Miss Robinson.
Ela fez uma reverência automática, tentando não fitá-lo. Esquecera-se de como ele era bonito.
— Eu tive a impressão de que você gostaria de conversar comigo, mas talvez só quisesse ver por si mesma que eu voltei. — Seu tom era maligno.
— Oh, não — respondeu Rin no mesmo instante. — Eu acreditei em Airi quando ela me disse que o senhor havia chegado. Ela sempre fala a verdade.
Ele não captou sua ironia.
— Airi?
— A criada. Eu quis vê-lo em particular porque há coisas que precisamos esclarecer antes do casamento.
— Esclarecer? Há, realmente?
— Sim. O senhor foi embora tão repentinamente que eu não tive tempo de lhe falar sobre elas.
— Bem, eis-me aqui agora — Sesshoumaru resmungou.
— Elas... elas são muito importantes para mim, e eu não poderia concordar em me casar, a não ser que façamos deste modo.
— Eu tive a impressão de que você já havia concordado em se casar comigo, madame.
— Bem, eu aceitei, mas nós não terminamos nossa discussão, e o senhor se precipitou para fora da sala, e eu só descobri mais tarde que havia partido.
— Para d'Arenville, madame. É melhor a senhora aprender a palavra, já que será sua casa pelo resto de sua vida.
Esta alusão velada ao encarceramento rural que planejara para ela enraiveceu Rin. Ele não sabia que ela o ouvira na biblioteca naquele dia, contando à sua prima seus planos para a esposa e o herdeiro. Ela reconheceu sua ameaça.
— Ainda não é minha casa, e há algumas condições antes de eu concordar em torná-la meu lar.
— Condições! — Sesshoumaru sentia-se ultrajado. A atrevida estava tentando chantageá-lo. Por Deus, ela tinha uma cara de pau!
Ele se controlou com dificuldade, mantendo uma expressão impassível. Esperaria até saber suas "condições" — então lhe mostraria quem era o mestre!
Rin o fitou, nervosa. Ele estava descontraidamente encostado na parede, parecendo relaxado e à vontade, mas havia uma expressão extremamente perturbadora em seus olhos. Ela não deveria ter falado de condições, deveria tê-las expressado de maneira mais tática. Ele estava contrariado. Ainda assim, essa era sua única oportunidade de se assegurar de que nem todos os seus sonhos terminassem no pó. Uma mulher no dia do seu casamento ainda possuía algum poder. Uma esposa não tinha nenhum.
— Há algumas cond... assuntos sobre os quais nós temos que concordar agora. A primeira diz respeito a filhos.
— Continue.
— Eu... eu sei que o senhor quer filhos... mas eu preciso dizer-lhe que não vou... — Rin engoliu a seco com a expressão sombria em seu rosto, mas forçou-se a continuar. — Eu não permitirei que o senhor os mande para a escola.
Ele pensou que ela se recusaria a dar-lhe filhos, a compartilhar de sua cama. Não mandá-los para a escola? Será que ela pensava que isso era uma ameaça?
— E por que nossos filhos não deveriam ir para a escola? Você quer que eles cresçam ignorantes e sem educação?
— Claro que não. Eles devem ter aulas em casa, é claro, ministradas pela melhor e mais gentil administradora e professores. Eu não estou dizendo que eles não devam ir para a escola nunca, somente que não o devem fazê-lo enquanto ainda forem pequenos. Quando tiverem onze ou doze anos, talvez, mas não antes. Não, o senhor não precisa discutir. Eu sou totalmente inflexível quanto a esta questão. Eu não enviarei meus filhos para longe para serem educados por estranhos. E eu decidirei o momento. Oh, o senhor não precisa pensar que eu desejo prendê-los às bordas da minha saia; eu aprecio a força e a independência, e nutrirei estas qualidades em meus filhos, mas o senhor não tem idéia do dano que causa em uma criança muito pequena ficar longe de tudo o que lhe é familiar e dos que a amam.
Sesshoumaru arregalou os olhos. Ele se lembrava da solidão devastadora que sentiu no início quando foi enviado sozinho para a escola aos seis anos.
— Eu aceito — disse friamente.
A primeira batalha fora inesperadamente fácil. A seguinte seria um pouco mais difícil, pois ela não podia esquecer-se de que ouvira seu plano infame de murá-la em d'Arenville por dez anos.
— O senhor disse que eu viveria em d'Arenville pelo resto da minha vida... Bem, eu quero ir a Londres para uma curta visita uma vez por ano. Não mais que duas ou três semanas — ela acrescentou, com pressa. A expressão negra voltara. — Eu sei que o senhor preferiria que eu ficasse em d'Arenville Hall, e, na maior parte do tempo, eu o farei, mas eu nunca fui a Londres, e gostaria muito de visitar a cidade.
Ele não disse nada. Rin acrescentou, rápido:
— A mãe de seus filhos não deve ignorar totalmente o mundo no qual eles entrarão.
Sesshoumaru estava estupefato. Ao contrário, ele esperava que a mãe de seus filhos aprendesse as maneiras do mundo educado o mais rápido possível. Por que ele desejaria que ela permanecesse ignorante? Ele não via qual era o seu ponto. Tinha algo a ver com visitar Londres. Somente por algumas semanas. Será que ela estava tentando dizer-lhe que não desejava entrar para a sociedade? O que a atrevida dizia não fazia sentido. Bem, a resposta não seria não para este pedido, ele tinha toda a intenção de levá-la imediatamente para Londres, encomendar roupas novas, apresentá-la à sociedade e ensinar-lhe como uma condessa deveria se comportar.
— Se o senhor me prender em d'Arenville, as pessoas fofocarão, e eu não gostaria que meus filhos descobrissem que as pessoas pensam que sua mãe é estranha, diferente ou mesmo louca — concluiu Rin.
Prendê-la em d'Arenville? Será que a atrevida e tola pensava que ele tinha uma torre em d'Arenville Hall?
— Eu tenho todas as intenções de levá-la a Londres. Não desejo que pensem que minha esposa é uma reclusa social, madame, e quanto mais cedo você tiver consciência disso, melhor.
Rin estava admirada. Em algum momento ele deveria ter mudado de idéia em relação a mantê-la em d'Arenville Hall por dez anos.
— Eu tenho a sua palavra em relação a isso, sir?
— Sim, madame — respondeu, irritado.
- Bem — Rin sorriu triunfante. — Agora, meu próximo pedido pc de lhe parecer um pouco estranho... possivelmente um pouquinho caro... — ela disse.
Sesshoumaru fortalecido estava mentalmente. Os dois últimos "pedidos" haviam sido como ele esperara, meras bagatelas, com a intenção de amolecê-lo. Este seria o mais ruidoso.
— Eu sempre quis viajar — Rin começou — e eu esperava que o senhor concordasse que na lua... em minha viagem de núpcias nós pudéssemos visitar alguns dos lugares que eu sempre sonhei ver. — Ela juntou as mãos em súplica inconsciente. — No continente.
Sesshoumaru relaxou. Então era isso. A moça queria ir a Paris. Não era surpreendente. Toda mulher que ele conhecera preferia roupas de festa, chapéus e perfumes franceses. E a guerra havia acabado... Ele deu de ombros mentalmente. Não seria difícil levá-la a Paris e comprar seu novo guarda-roupa. Seria até mesmo algo bom fazer com que ela adquirisse um toque de bronze urbano na sociedade parisiense antes de fazer seu debut em Londres.
— Está bem. Se você quiser enfrentar a travessia do canal, iremos.
— O senhor não se importa mesmo?
— Nem um pouco.
— A viagem leva tempo. O senhor não poderá se importar com a inconveniência. Tem certeza?
A atrevida estava questionando sua palavra!
— Você tem minha palavra em relação a isso, Miss Robinson — respondeu.
— Então posso preparar o itinerário? Eu sei falar vaias línguas — disse, confidentemente. — Francês, italiano, um pouco de alemão e de holandês, que aprendi com uma garota dos Países Baixos na escola.
— Sobre que diabos você está falando? Você não precisará de todas estas línguas em Paris.
Rin riu.
— Não em Paris, mas na Itália e nos outros lugares, claro. Eu não precisarei de intérprete em Paris. Eu lhe disse, eu falo francês fluentemente. E italiano.
— Você deseja viajar para a Itália?
— Sim, e Alemanha, Suíça, e talvez os Países Baixos na volta para a Inglaterra. Qualquer lugar, contanto que vamos à Itália, onde minha pobre mãe morreu. E, então, talvez possa descobrir, com certeza, se...
— Isso é o Grand Tour.
— Sim, há anos que eu quero fazê-lo.
— Bem, impossível! E perigoso demais. A Europa ainda está um caos por causa da guerra.
— Besteira. Está segura, desde que o Armistício foi assinado em Amiens. Vários dos conhecidos de minha prima partiram para Paris mesmo antes de ter sido assinado, e estão muito bem.
Sesshoumaru a encarou. Normalmente, as damas não sabiam nada sobre assuntos políticos. Ela não deveria questioná-lo em relação ao seu julgamento.
— Paris é uma coisa; o Grand Tour é diferente. Damas não fazem o Grand Tour — afirmou friamente.
— Bem, e lady Mary Wortley Montagu, lady Fetherstonhaugh e Mrs. Ann Radcliffe, que embarcou no Grand Tour com seu marido, no mesmo ano em que Robespierre foi guilhotinado, no mesmo ano em que Os mistérios de Udolfo foi publicado, eu creio.
— Aquele maldito livro idiota...
— Não é um livro idiota! É extremamente empolgante, assim como qualquer pessoa que não tenha água gelada em suas veias...
— Nós não estamos falando de lady Mary Montagu, ou lady Fetherstonhaugh, ou Mrs. Radcliffe. Estamos falando de minha mulher.
— Eu ainda não sou sua mulher! — Rin interrompeu-o. — E você me deu sua palavra!
— Eu dei minha palavra para Paris...
— Eu nunca mencionei Paris, e você também não — argumentou Rin. — Não até depois de você ter dado sua palavra. — Sesshoumaru pensou no que dissera. Maldição, a atrevida estava certa!
— Os rigores e dificuldades do Grand Tour tornam-no demasiado cansativo para que mulheres o façam.
— Isso não faz sentido. Eu li Cartas da Itália, e...
— Ah! — Magnus bufou. — O livro de Ann Miller foi escrito há trinta anos ou mais.
— Eu sei, pois minha mãe o leu durante o seu Grand Tour, quando se casou com meu pai. E era muito mais perigoso naquela época. Agora que o terror acabou, toda a Inglaterra está afluindo para o continente. — Seus olhos o desafiaram a contradizê-la.
— Será extremamente desconfortável — declarou Sesshoumau. — Eu sei, porque viajei pelo continente. Você não imagina o estado das estradas... E as estalagens miseráveis, se você conseguir achar estalagens.
Rin deu de ombros, despreocupada.
— Não parece ter-lhe feito nenhum mal. E se você estiver preocupado comigo, deixe-me lembrá-lo de que eu passei a maior parte de minha vida em um colégio para moças...
Apesar de sua raiva, ele riu.
— Você acha isso pior?
— Bem, havia algumas que eram perfeitas vac... — ela enrubesceu e se controlou. — Não, claro que não, mas era um local muito espartano, e eu sou mais forte do que pareço. — Ela o fixou com sua expressão mais determinada. Algumas semanas atrás ele a teria chamado de robusta. Agora, para livrar-se do inconveniente, ele sugeria que era delicada. Lorde d'Arenville descobriria que não podia jogar os dois jogos. — E, de qualquer jeito, o senhor prometeu.
Sesshoumaru praguejou baixo. Procurou uma saída e teve uma idéia súbita.
— Viagens são muito perigosas para damas em estado delicado — afirmou. Vejamos se ela consegue refutar esta.
Rin parecia intrigada.
— Mas eu acabei de lhe dizer que sou mais forte do que pareço. Eu não sou nem um pouco delicada.
— Mas você pode ficar em estado delicado logo após seu casamento — disse.
— Mas por que, se eu estou forte, agora? Algo pequeno, como um casamento, não vai me enfraquecer... — Rin empalideceu de repente, conscientizando-se do que ele queria dizer. Ele falava sobre aquilo. E ele esperava que ela ficasse mal depois de tê-lo suportado. Era pior, então, do que pensara. Não era somente que ela não podia se mover ou gritar enquanto o estivesse suportando, ela ainda poderia ficar mal algum tempo depois. Meu Deus! Deve ser terrível.
Sesshoumaru sentia-se envergonhado ao discutir a gravidez com tal inocente. Pelo menos ela era uma inocente. Mas ele claramente a aterrorizara ao levantar a questão e era obrigado a responder.
— Eu não tenho certeza, mas... eu... er... eu penso que muitas mulheres ficam mal nos primeiros meses.
Meses! Deve ser terrível. Mas como, então, as mulheres desejariam que suas filhas se casassem?
— E depois disso?
— Depois, eu acho que, normalmente, elas se sentem bem até ficarem de cama. — Sesshoumaru tirou um lenço para secar seu rosto. Ela estava abalada. Obviamente não lhe ocorrera que pudesse engravidar ainda no continente. Bata enquanto o ferro está quente, decidiu.
— Então, concordamos em que, se você ficar em estado delicado, o tour será cancelado, e voltaremos para a Inglaterra imediatamente.
Rin mordeu os lábios. Ela era forte. Sua mãe o conseguira. Ela também o faria. E se estivesse realmente mal, não faria sentido viajar.
— Muito bem — concordou, reticente.
Sesshoumaru controlou-se para não esfregar as mãos em triunfo.
— E qual é a sua próxima "condição"?
— Não há mais. Você concordou com tudo, mais ou menos.
Sesshoumaru ficou espantado e vagamente desconfiado. Ele tinha certeza de que ela estava tramando algo realmente ultrajante.
Rin levantou-se para sair.
— Obrigada por concordar em falar comigo. Você me aliviou... em relação a certas coisas. E me apavorou terrivelmente em relação a outras. — Ela abriu a porta.
Sesshoumaru se lembrou do estojo com a jóia em seu bolso.
— Você pode querer usar isso em seu casamento. Eles pertenceram à minha mãe — estendeu a caixa.
Rin a abriu.
— Pérolas, que lindas. Muito obrigada. Eu as usarei amanhã, já que me pede.
Ele nunca vira uma mulher aceitar jóias desta maneira. Não houve gritos de alegria, nem abraços e beijos entusiasmados, nenhum teatro ou flerte. Não que ele quisesse isto de sua futura esposa.
Ele deveria estar feliz em descobrir que não era gananciosa nem interesseira. Sua fria aceitação era digna de uma dama bem educada... era exatamente como sua mãe aceitara as jóias de seu pai. E por que isso o contrariara tanto?
Ela aceitara seu presente de pérolas preciosas como uma criança recebendo uma maçã, com agradecimentos educados e mecânicos, como se estivesse pensando em outra coisa. Maldição, essa garota era um enigma para ele. Sesshoumaru não gostava de enigmas. E ele estava muito contrariado.
Continua...
Yo!! Mais uma vez eu demoro, por motivos de escola entre outros, peço desculpas ^^
Bom agora sobre as reviews, vcs realmente sabem fazer alguem feliz (L) Fiquei muito contente que varias pessoas começaram a ler, não sabe como os comentarios de vcs me dão mais inspiração \o\
Respondendo-as
Lady Muise: Sim, sim \o\ Esse é meu objetivo, mostrar a fic depois deles casados. Obrigada pelo seu comentario, bjs.
Acdy-chan: Kagura ainda vai aprontar mais, vc vera XD Que bom que esta gostando, fico realmente muito feliz, obrigada.
individua do mal: Sesshoumaru é mandão, porem ele tbm é bom como viu nesse capitulo, ainda tem muita coisa pra rolar \o\ Bjs
Kuchiki Rin: Gomen a demora, já expliquei lá em cima, que é por causa da fic, faço isso por vcs tbm ;D Kagura tem problema tadinha, o psicologo dela manda não contrariar hihi \o\ Obrigada por sempre mandar seus comentarios, fico muito contente de os ler Bjs.
Hinata-chan: Rin sobre tudo tem um bom coração, não faria nada pra prejudicar a prima, só não posso dizer a mesma coisa de Kagura XD Obrigada pelo comentario, bjs.
XDeia: Obrigada, por sempre me mandar forças \o\ Mais uma vez agradeço o comentario, bjs.
Luna Caelliam: Rin vai conseguir muitas coisas com aquele jeito doce e meigo, veras ;D Obrigada pelo seu comentario, bjs.
Letícia: Pois é, porem casar com um homem como Sesshy não é tão ruim né? ;D bjs
Rukia-hime: Sesshoumaru ainda é homem, não ira se vingar na futura mãe de seus filhos XD Bjs
Maylove: Só ela casar que as coisas irão melhorar, vc vera XD obrigada pelo seu comentario,bjs.
Marcella: Obrigada pelo seu comentario, tento fazer uma fic gostasa de ler, e fico realmente muito feliz que gostem, bjs.
Ana Spizziolli: Que bom que gostou \o\ Obrigada pelo seu comentario, bjs.
Alissa: Entendi D: Odeio ficar sem pc tbm da uma raiva não é? XD Pois é, eu postava lá, porem aquele site estava cheio de erros e fazia a fic ficar com varios erros de portugues ¬¬ e parecia que eu não tinha postado, ai resolvi passar pra cá, que é muito mais facil e pratico \o\ Obrigada pelo seu comentario, bjs.
Comentem por favor.
Ja ne... Yami
