Nota da Autora: Capítulo minúsculo, eu sei, shame on me. Mas antes um capítulo curto do que nada, certo? hahahaha not.
Etapa nº2: ENCONTRO "com uma presença diabólica –uma madrasta malévola, um ogro assassino, um mago ameaçador ou outra figura com características de feiticeiro".
Padfoot estava deitado na própria cama, os braços cruzados embaixo da cabeça, cutucando alguma coisa em um dos pilares da cama com o pé, parecendo extremamente satisfeito consigo mesmo. Olhei para Pete, e a expressão dele me alarmou. Pete estava sentado na cama do lado, os cotovelos nos joelhos, a cabeça nas mãos. Parecia extremamente preocupado e murmurava sozinho, mas eu não conseguia ouvir direito o que ele dizia.
Alguma coisa estava errada.
"E aí, caras, aconteceu alguma coisa?" Joguei o comentário casualmente, enquanto ia até o armário e guardava lá dentro os livros extras que tinha traduzido comigo da biblioteca. Pelo espelho, observei Peter se virar para mim, abrir a boca, então dar uma olhadela para Sirius e voltar a se calar. Sirius viu que eu vi, porque sorriu para mim, e se virou para Pete, diznedo:
"Relaxa, Wormtail".
"O que você andou fazendo para deixar Pete tão nervoso, Pads?", perguntei, fechando a porta do armário e me apoiando nela. Cruzei os braços sobre o peito e estiquei as pernas. Alguma coisa tinha acontecido e a impressão que eu tinha é que Sirius estava me enrolando, o que era ainda mais estranho, porque ele nunca foi de fazer isso. Geralmente, com Sirius Black as coisas são 'na lata', direto e sem enrolação.
"Ah, nada demais." ele disse, ainda sorrindo muito satisfeito consigo mesmo. "Acho que devíamos ir visitar nossa amiga Rosmerta hoje, Prongs." Eu sorri levemente, e olhei pela janela - o céu estava tão carregado que não se via nem uma puta estrela, e dava para ver a luz dos raios caindo ao longe - um temporal daqueles não ia demorar a cair.
"Foi mal, Pads, mas acho que não estou muito a fim de fazer isso hoje." Sirius deu de ombros, como quem diz 'É a vida'. "Mas por que você quer ir visitar a Rosmerta, Padfoot? Alguma coisa para comemorar?". Peter ficou visivelmente mais nervoso quando eu disse isso, então acho que atirei bem no ponto.
"Snape", Sirius disse, depois de um momento. Snape!? "A essa hora, Snape deve estar tão morto!" ele cantarolou, e eu descruzei as pernas, de repente muito desconfiado. O que é que ele tinha aprontado agora?
"O que você fez com ele, Pads?" perguntei, mantendo o tom leve. "Lavou-lhe os cabelos?"
"Ele disse a ele onde Remus está!" Pete disse, de um fôlego só.
"O quê!?" eu praticamente cospi as palavras. Isso era muito sério para ser verdade. Não podia ser verdade. Dizer onde Remus está hoje... noite de lua cheia... Snape, de todas as pessoas...
"Ele andava tão curioso, achei que um sustinho não iria lhe fazer mal." Sirius disse, calmamente, retirando um fiapo da roupa.
"'Um sustinho?'" Virgem santíssima, por favor não permita que isso seja verdade. "Sirius," eu disse, bem devagar. "Você não disse ao Snape como passar pelo Salgueiro Lutador, disse?"
Por um momento, o tempo pareceu ficar bem mais lento. Sirius terminou de sacudir o fiapo para longe, se virou e me olhou bem nos olhos, e então disse: "Mas é claro que sim. O que você achou?".
Pisquei bem devagar. Infelizmente, conhecia Padfoot bem demais para saber que ele não estava brincando. Não dessa vez.
Então, meu corpo pareceu reagir por conta própria, e quando vi já tinha me lançado pela porta e me lançado a milhão pelas escadas.
"Prongs!" ouvi a voz de Sirius gritando atrás de mim, mas só conseguia pensar em correr o mais rápido possível. Não sei exatamente o que eu pretendia fazer quando chegasse ao Salgueiro Lutador, mas o fato é que eu tinha que chegar lá.
"Porra, Prongs!" Ouvi Sirius xingar quando estava saindo pelo retrato. Não olhei para ver, mas tenho quase certeza que deixei alguns primeiristas escandalizados para trás.
Corri mais um pouco, mas então Sirius conseguiu me alcançar.
"Porra, Prongs, que merda." foi a primeira coisa que ele disse, bloqueando meu caminho.
"Sai da minha frente!"
"Gárgula Galopantes, Prongs, é o Snape! Até parece que alguém vai sentir a falta dele!"
"Você realmente não entende, não é?" Vociferei. A raiva e irritação repentinas me surpreenderam. "Não é a droga do Snape, Sirius! É o Moony, cara! É o Moony!", continuei berrando a plenos pulmões.
"Se alguma coisa acontecer ao Snape, eles vão expulsá-lo." Falei, baixinho agora. Não queria nem pensar nisso. Hogwarts sem o Moony não era uma opção. "E vai ser sua culpa. Eu espero que você consiga viver com isso", terminei, o empurrando para o lado e voltando a minha corrida desembestada.
De todos nós, Remus era de longe o que trabalhava mais. Ele praticamente fazia jornada dupla, sendo Monitor e Maroto ao mesmo tempo! Sério, não tinha alguém que merecesse mais estar em Hogwarts do que ele. Não era justo que ele perdesse isso porque o Sirius tinha resolvido ser engraçadinho.
Quase caí nos degraus do Hall, mas consegui me recuperar a tempo, e sério, meu coração quase parou junto quando vi o Salgueiro imóvel. É, geralmente as pessoas usam essa expressão, 'meu coração quase parou', para fins românticos, do tipo, 'meu coração quase parou quando a vi sentada sob o luar' (ou qualquer outra baboseira a sua escolha), mas, nesse caso, 'meu coração quase parou' tem o sentido de 'ataque cardíaco' mesmo.
Então me dei conta que, se o Salgueiro ainda estava imóvel, fazia apenas poucos segundos que Snape tinha apertado o tronco. Então ele ainda podia estar vivo! E inteiro, quero dizer. (se bem que se o lobisomem o matasse nem dava nada, o pior mesmo é se ele só fosse mordido. Aí sim a coisa ia fuder total).
Com isso em mente, me atirei no buraco e, sério, acho que nunca corri tão rápido na minha vida. Snape, o imbecil, já estava com a mão na maçaneta da porta. Não sei examente qual é a moral de fecharem Remus em um quarto, já que, assim que ele se transforma, teria força suficiente para quebrar a porta, mas dei graças a Merlin por terem feito isso hoje, já que me dá alguns segundos a mais para tirar Snape - e bem, a mim também - daqui. Aliás, parecia que o lobisomem tinha captado meu último pensamento, porque, pelas batidas e sacudidas que a porta estava dando, quebrá-la era exatamente o que ele estava tentando fazer.
Uma parte da minha mente registrou isso, e chegou à conclusão que ele devia ter sentido o cheiro de carne humana (muito estranho isso de pensar que seu calmo melhor amigo é nesse momento uma besta furiosa que está salivando com a idéia de comer você - literalmente). Mas no que a maior parte do meu cérebro estava concentrada era puxar Snape pela gola da camisa e arrastá-lo de volta, e tudo bem, quase o enforquei nessa tarefa, mas hey, o que ele estava esperando? Que eu desse uma leve batidinha no ombro dele e dissesse 'por obséquio, se não for muito incômodo, o senhor poderia me acompanhar de volta ao castelo?'. Psh, por favor.
E cara, vou te contar - Snape não é levinho não. Era de se pensar que ele seria, andando por aí esvoaçando como um morcegão, mas ele era até bem pesado, e minha mão começou a doer já na metade do caminho. Só que aí eu ouvi um crack mais alto e intuí que a porta estava nos seus últimos instantes (não virei para trás para ter certeza, já que isso me custaria alguns segundos, e, oi? naquela situação, um segundo a mais poderia me custar a vida) - e, sério, não tem nada como um crack ameaçador para fazer o cara esquecer das dores na mão (e de tudo, a bem da verdade).
Até hoje eu não tenho certeza como consegui sair e ainda arrancar o idiota do Snape daquele buraco, mas a próxima coisa que eu me lembro é o do cheiro da grama molhada bem na minha cara, quando me atirei no chão assim que me dei conta que sim, tínhamos sobrevivido.
Eu me lembro também de ter pensado: "Porra, minha camisa vai ficar uma bosta", porque a chuva já tinha começado quando nós saímos, e levou uns dois segundos passados de cara na grama, ouvindo o Snape ofegar, para eu ficar totalmente enxarcado.
Então, quando eu finalmente juntei de forças para levantar a cabeça, o Pete e o Prof. Dumbledore estavam parados ali, e eu sabia que tinha me fudido muito, mas, para ser bem franco, eu não poderia me importar menos.
