Nota da autora: Eu totalmente desisti da coerência nessa fic – ela nasceu sem nexo e vai continuar sem nexo até o final. Acho que não sirvo para long fics, after all. Nunca consigo ter disciplina suficiente para escrever capítulos longos hahahaha. I hope you all like it, though.


CONQUISTA: "o herói ou heroína mergulha numa luta de vida ou morte com a bruxa, que leva inevitavelmente à morte desta última".


Eu destesto ter que admitir isso, mas levou séculos até que Lily Evans voltasse a falar comigo. E quando ela de fato fez isso, não foi nada demais que provocou o fato - eu não salvei a vida dela, ou realizei o Desejo Secreto De Seu Coração (toda garota tem um, acredite) ou algo assim. Na verdade, Lily Evans e eu começamos a bagunça que mais tarde seria o nosso relacionamento em uma tarde chuvosa em que estavamos os dois presos em um lanche da tarde que o Slughorn promoveu. Todos os encontros do Clube do Slug eram, por natureza, uma chatisse sem fim, e eu corria deles como o diabo da cruz - não me lembro porque exatamente eu tinha sido obrigado a ir nesse, mas o fato de eu estar não mudava em nada a chatisse do ambiente.

"O que você está fazendo?" alguém perguntou, a voz perto demais do meu ouvido. Eu levantei a cabeça sobressaltado, e dei de cara com os olhos muito verdes de Lily Evans me olhando meio curiosos, meio irritados.

"Tentando não morrer de tédio", respondi, e, em deliberada insolência, eu continei a rabiscar no guardanapo.

"Você não deveria ficar rabiscando enquanto as pessoas convesam. Fica chato" Acho isso difícil. Não é como se a reunião deixasse mais espaço para a chatisse - a essa altura, já alcançou todos os níveis de chatisse conhecidos pelo homem. Meus 'rabiscos' não tem a menor chance de entrar na festa, Lily. "As pessoas estão olhando" ela tentou mais uma vez, quando viu que a reprimenda anterior não tinha surtido efeito.

"É porque eu sou bonito", respondi, sem desviar os olhos do guardanapo.

Em dez segundos ela vai puxar papo de novo. Um.. dois... três.. quatro... cinco... seis... sete...

"O que é que você está desenhando?" Bingo!

Empurrei o desenho na direção dela, que puxou a cadeira mais para perto da minha.

Lily olhou e não falou nada, e eu me arrependi de ter mostrado para ela. Quero dizer, era um desenho engraçado, mas, por outro lado, era uma caricatura (um pouco cruel, para ser bem honesto) do professor favorito dela. Podia estar ferrando com todo o nosso pseudo-relacionamento naquele momento. Talvez Lily tivesse razão, e eu nem deveria estar desenhando para começo de conversa. Era rude e feio e não condizia com a educação que mamãe me deu. Então talvez fosse bem feito para mim se ela me odiasse ainda mais depois de ver o desenho. Porque eu não deveria estar conversando. Por que é a que eu fui inventar de vir nessa bosta mesmo?

"É mais como uma crítica social, sabe?" Eu disse, tentando arrancar alguma reação dela.

"Sr. Cabeça de Batata?" ela perguntou.

Digo ou não digo? Digo ou não digo? Ah, foda-se, vou dizer.

"Slughorn". Apertar os lábios é um indicativo de algo bom ou ruim? Merlin me ajude. "Slughorn como Sr. Cabeça de Batata".

Então, depois de longos segundos em que meu estômago se tornou uma porção de nós e meus nervos, uma pilha de tensão, Lily, para minha eterna surpresa, explodiu em gargalhadas.

Definitivamente um bom sinal, certo? Quero dizer,é uma risada. Não tem como interpretar isso errado, tem?

"Genial", ela disse, ainda rindo, mas agora mais controladamente.

-X-

"Hum... Potter?" Me viro ao ouvir alguém chamar meu nome.
Leslie Morton, a monitora da Lufa-lufa.
"James." Corrijo automaticamente. Acho meio enervante essa questão cultural que obriga a gente a chamar as pessoas pelo sobrenome. Quero dizer, se Leslie Morton fosse uma completa desconhecida seria uma coisa, mas eu vejo essa garota umas duas vezes por mês desde o início do ano. Isso é quase um relacionamento, certo? Quero dizer, não que eu queira ter um relacionamento com Leslie Morton, apesar de que, com aqueles cabelos loiros compridos e tal, ela até que é bem bonitinha. De um jeito fofo, não de um jeito altamente atrativo - Leslie parece uma boneca, sempre muito bem educada e falando baixinho e sendo legal, mas sei lá... Nunca me senti muito atraído por bonecas.
Enfim. Ela está me olhando meio confusa.
"Pode me chamar de James", explico.
Ela sorri.
"Ah, certo, James" diz, e dá uma risadinha nervosa. Dou um meio sorriso, tentando evitar revirar os olhos. Risadinhas me irritam. Mesmo quando partem de garotas bonitas. "Então... eu queria falar com você sobre uma coisa. É mais uma pergunta, na verdade".
Balanço a cabeça, indicando a ela que continue.
"Bom, você sabe que vamos ter uma saida para Hogsmeade esse final de semana." Ela pára e respira fundo. Por alguma razão desconhecida, começo achar que essa conversa não vai dar certo. Leslie não estaria me convidando para sair, estaria? "E o que eu queria saber era se... bem... se você não queria ir comigo". Oh meu Merlin, ela está.
Puta que pariu. E agora? Tudo bem, James, respira fundo. Vamos analisar os prós e contras dessa situação. Prós: 1) Leslie é bonitinha; 2) Ela é agradável e razoavelmente previsível, então eu meio que posso prever o que ela vai fazer ou falar, e isso é bem confortador, depois de anos lidando com a total imprevisibilidade da Lily... Tudo bem, quem eu estou enganando aqui? Só o fato de eu estar comparando a garota com Lily Evans já meio que acaba com toda a potencialidade de um futuro relacionamento. Por outro lado, apesar da Lily ter rido de uma piada minha no último encontro do Clube do Slug (ainda não acredito que estive lá... ugh...) e isso ser um bom sinal, não é como se nós estivéssemos a ponto de engatar um namoro ou algo do tipo, certo? Então, de certo modo, talvez seja melhor eu aceitar o convite da Leslie e seguir com a minha vida... dada a improbabilidade de um relacionamento com a Lily.
Mas, por outro lado, isso não seria certo com a Leslie. Quero dizer, não é como se o fato de eu sair com a garota imediatamente me faça parar de gostar de outra. Acredite em mim, eu já tentei.
"Puxa vida, Leslie, eu agradeço muito pelo convite, mas... não vai dar. Eu tenho que fazer patrulha esse final de semana." Tudo bem, foi uma desculpa totalmente idiota, mas o que eu deveria dizer? 'Desculpa, Leslie, mas não posso sair com você porque estou afim da Evans, com quem, falando nisso, não tenho nenhuma possibilidade de desenvolver um relacionamento romântico num futuro próximo'? Ah, é.
"Você não quer", ela afirma e eu já começo a balançar a cabeça negando. O negócio é que, certo, eu realmente não quero, mas não posso deixá-la sair pensando isso. Uma das leis dos relacionamentos ou algo do tipo.
"Não, Leslie, não é isso..."
Ela descarta as minhas desculpas com um aceno de mão.
"Tudo bem, James, eu entendo."
"...Leslie, eu realmente tenho que..."
"Não, você não tem."
"Eu tenho."
Ela faz que não com a cabeça, então explica: "Evans também tem que fazer patrulha no final de semana, certo?"
"Er, acho que sim" Ok, tenho certeza, mas ela não precisa saber que eu sou tão patético assim. Qual é, um cara tem que ter um pouco de amor próprio!
"Tá. E ela tem um encontro marcado com Rick Camberwell".
Ow.
Ow.
Ow.
Sério, de onde veio isso, hein? Porque eu não vi esse golpe vindo. Mesmo.
"James?"
Como é que alguém reage a uma notícia dessas? Quero dizer, eu geralmente sou capaz de meio que sacar quando a Evans está saindo com alguém e me preparar psicologicamente para o pior, mas dessa vez a coisa foi... ow.
"No mesmo dia?" pergunto, por fim. Não que a data do maldito encontro vá fazer alguma diferença, é claro.
"É, foi isso que eu ouvi ela comentando." Ah, puta que pariu. Ela ficou sabendo direto com a própria Lily, então não há nenhuma chance disso ser uma notícia distorcida ou um comentário mal-entendido. Merda.
"Hum", é só o que eu consigo articular.
"Então... acho que é possível... sabe... fazer patrulha e sair ao mesmo tempo."
Problema, problema, problema.
Propositalmente, dou uma olhada bem óbvia no meu relógio. "Ah, que merda", praguejo, e volto a olhar para Leslie com meu melhor olhar de desculpas. "Olha só, Leslie, realmente preciso ir agora," digo, já jogando a alça da mochila pelo ombro e andando para a porta, para enfatizar o que estou dizendo. "Mas a gente se fala depois, pode ser?"
Ela abre a boca para responder, mas eu sou mais rápido: "Até mais então, a gente se vê", digo, e me mando.

-X-

"Ela vai sair com outro".
"Ela quem?", Peter pergunta.
"A Murta-que-geme." Sirius responde, de imediato. "Eles têm um caso. Tórrido. E James tem ficado cada vez mais ciumento desde que pegou ela se agarrando com o Barão Sangrento".
"Eca, cara, que nojo." declaro, e me sento no lugar vago ao lado de Remus.
"Faz três anos que ele só fala da mesma garota, Wormtail, e você ainda precisa perguntar 'quem'?" Sirius continua, como se eu não tivesse interrompido seu discurso.
"Lily Evans, Pete," Remus diz, acabando rapidamente com a futura discussão entre Pads e Wormtail. "E quem é o idiota com quem ela vai sair agora?"
"Rick Camber-qualquer-coisa. Quem é esse cara, afinal?"
"Bom, ele deve ser o idiota que vai estar se agarrando com a Evans esse final de semana, ao contrário de você, meu amigo". Peter cantarola alegremente.
"Peter, eu sei que você adora ficar zombando de mim..."
"Camberwell?" Sirius interrompe. "Era esse o nome?"
"É, acho que sim", respondo. "Rick Camberwell. Era esse o cara com quem a Lily ia sair."
Sirius se engasga com o suco, e, como Remus e eu somos os infelizes que tiveram a péssima idéia de sentar de frente para ele, é claro que ele acaba cuspindo tudo em cima de nós.
Cara, vou te dizer. Hoje não é o meu dia.
Definitivamente.
"Acho meio dificil", Sirius diz, rindo muito. "Quero dizer, ela até pode sair com ele, mas definitivamente não vai haver agarramento".
"E você está tão certo disso por que...?" pergunto, enquanto seco o suco que respingou em mim.
"Er... eu sei, tá legal?"
Paro de secar o suco e olho para o Sirius. Espera um pouco. É impressão minha ou ele está ficando meio... sem graça?
"O que é que você não está nos contando, Padfoot?" Moony pergunta, lendo os meus pensamentos.
"Não é nada."
"Você está ficando corado."
"Não, você é que está ficando louco."
"Pára de mentir, Sirius, você está sem graça sim!"
"Não estou não".
"Está sim."
"Não estou não".
"Está..."
"Dá para parar?" Remus interrompe, parecendo ligeiramente entediado com a nossa discussão. "Deixa de putice, Padfoot. Só nos conte logo o que aconteceu."
"É vergonhoso", Sirius admite, por fim.
"Mais uma razão para você nos contar."
"É nojento, cara"
"Tudo bem, a gente tem o estômago forte."
Sirius suspira, derrotado.
"Rick Camberwell me passou uma cantada quando eu esbarrei nele no banheiro esses dias. Pronto, falei".
Peter e Remus explodem em risadas.
"Tá, espera só um pouquinho", digo, tentando organizar os pensamentos dentro da minha cabeça. "Isso quer dizer que..."
"Lily Evans não tem um encontro romântico com o Camberwell. Ele é gay."

-X-

Então, aqui estamos nós, sozinhos em um corredor da Biblioteca.
Acaba de me ocorrer que de repente a hora é essa. Quero dizer, Camberwell é gay.
Ou talvez não. Talvez Camberwell não seja gay, talvez ele seja e Lily não saiba disso ou ainda talvez essa simplesmente não seja a hora.

Tudo bem. Para. Respira fundo.

Ok. Vamos fazer mais uma tentativa. O pior que pode acontecer é ela dizer 'não', certo? Bem, não seria a primeira vez, então eu acho que eu sobreviveria.

"Lily?"

"Sim, James?" Ela pergunta, os dedos delicados roçando as lombadas dos livros.

Vamos lá, cara, coragem. Respiro fundo, e pergunto:

"Você gostaria de ir comigo à Hogsmeade?" Ela para de passar a mão pelos títulos e suspira, antes de se virar para mim.

"Por quê?"

"Por que o quê?"

"Por que você quer sair comigo, James?" Lily pergunta, me olhando direto no olhos. Ok, é um teste, não é? Esse é um daqueles testes que as meninas fazem com a gente o tempo todo, certo?

Puta que pariu.

O que é que eu devo responder? Quero dizer, se é um teste, certamente há uma resposta correta, mas qual é a droga da resposta?

Já sei! Vou ir pela brincadeira. Porque daí, se for a resposta errada, posso dizer que estava apenas brincando e tentar de novo. Tudo bem, não é exatamente a melhor estratégia, porque ela pode encarar a brincadeira como falta de seriedade da minha parte e aí fode tudo, mas não é como se eu tivesse uma idéia melhor.

"Porque você é linda", respondo, meio de brincadeira, meio falando sério. Ela é realmente linda, mas não é só por isso que eu quero sair com ela.

"Como você sabe disso?" Lily retruca, e não consegue evitar dar um meio sorriso. Isso é um bom sinal. É isso aí, garoto. Estamos no caminho certo.

Eu acho.

Porque né, também achei isso das outras cinco milhões de vezes e acabei com um 'não' na cara.

"Ouvi no rádio".

Agora ela dá um sorriso de verdade.

Por favor, Merlin, faça que dessa vez funcione. É a última vez que eu peço isso, juro.
"Tudo bem". Ela diz por fim.
"Tudo bem o quê?"
"Tudo bem, eu saio com você."