Capítulo 3: Romance

"O Joey deixou a mensagem de, utilizando as suas palavras, amo-te Seto Kaiba e não consigo imaginar a minha vida sem ti. Deste-me uma nova oportunidade para estar contigo e irei agarrá-la para que possamos estar eternamente juntos. És o amor da minha vida e quero que toda a gente o saiba. O Seto Kaiba é meu e só meu! Amo-te muito. A todos os que querem ficar com ele, deixem-no em paz. Ele é meu." disse o aluno da rádio. "E era esta a mensagem romântica. Agora, vamos a uma última música antes do intervalo terminar."

Uma nova música começou a tocar, mas na sala de aula, ninguém lhe prestava atenção. Yugi, Téa e Tristan entreolharam-se, sem quererem acreditar que Joey tinha cometido aquela loucura. Era o maior excesso que podia ter feito. Joey olhou para Seto e viu que ele ficara com uma postura ainda mais rígida do que o normal. Podia ver que estava furioso. Seto deu um passo em direcção a Joey.

"Qual é que foi a tua ideia?" perguntou Seto, irritado. "Tu disseste que não irias cometer exageros e agora isto! Uma mensagem na rádio da escola, para toda a gente ouvir! O que é que te passou pela cabeça, Wheeler?"

"Não fui eu que pedi para porem esta mensagem na rádio!" exclamou Joey. "Eu não faria isso! Alguém pediu para porem a mensagem em meu nome, mas não fui eu. Não tenho nada a ver com isso! Juro!"

"Agora vais tentar negar?" perguntou Seto, ainda mais furioso. "Foi com o teu nome que anunciaram a mensagem. Vais dizer-me que não foste tu quem a escreveu, para a lerem na rádio?"

"Já disse que não! Eu prometi que não faria mais excessos, que não te iria envergonhar e tenho cumprido o que prometi."

"Tinhas, até agora." disse Seto. "Eu não estou para aturar mais isto! Dei-te uma nova oportunidade e tu fizeste isto!"

"Eu já disse que não fui eu que pus aquela mensagem na rádio!" exclamou Joey, também ele aborrecido. "Não fui eu!"

Seto lançou um olhar decepcionado a Joey. Acreditara que talvez fosse mesmo possível existir algo entre eles. Acreditara que Joey estava mais calmo agora e sabia o que devia ou não fazer, mas enganara-se.

"Kaiba, por favor, acredita em mim." pediu Joey.

"Não posso. Não quando passa na rádio da escola uma mensagem para todos ouvirem e tu pediste para que ela passasse." disse Seto.

"Kaiba, algo não bate certo aqui." disse Yugi. "O Joey não iria colocar aquela mensagem para passar na rádio. Tenho a certeza absoluta disso."

"Exactamente." concordou Téa. "Ele tem-se comportado bem, sem exageros nem nada. Não faria uma coisa destas."

"Nem o Joey seria assim tão burro de ir colocar uma mensagem dessas na rádio, para toda a gente ouvir." disse Tristan. "O Joey sabe que obviamente ias ficar furioso se o fizesse. Alguém pôs a mensagem para prejudicar o Joey."

"Claro!" exclamou Téa. "Tem de ser isso! Porque a pessoa que fez isso sabia que te ias zangar com o Joey e assim não ias querer ter nada a ver com ele."

Téa, Tristan, Yugi e Joey entreolharam-se e de seguida todos pensaram numa pessoa.

"Duke Devlin." disseram os quatro ao mesmo tempo.

"O Devlin? Vocês devem estar loucos." disse Kaiba. "Yugi, Téa e Tristan, vocês querem proteger o vosso amigo, mas estarem a inventar que…"

Nesse momento, Joey deu um passo em frente e agarrou o braçode Seto. Já não estava com uma expressão confusa ou suplicante, para que Seto acreditasse nele. Voltara a ser o velho Joey aguerrido que não deixaria as coisas ficarem daquela maneira e não deixaria também que Duke lhe estragasse um possível futuro com Seto.

"Ouve uma coisa, Kaiba. Eu já disse que não fui eu que pus aquela mensagem na rádio. Nunca o faria. Como o Tristan disse, só se fosse muito burro é que poderia fazer algo assim e, seja lá qual for a tua opinião sobre o meu nível de inteligência, não fui eu que pus aquela mensagem na rádio. O estúpido do Duke Devlin quer tramar-me, mas eu não vou deixar e ficar quieto, ouviste? Portanto, vamos agora à rádio tirar isto a limpo. Vamos arrancar a verdade ao Nicholas e ficará tudo esclarecido."

Seto e Joey encararam-se por uns segundos e depois Seto acenou afirmativamente com a cabeça. De seguida, os dois, seguidos de Téa, Tristan e Yugi saíram rapidamente da sala de aula, indo em direcção à sala onde ficava a rádio da escola. Ao passarem pelos corredores, os outros alunos e até professores ficavam a olhar para eles e começavam a sussurrar uns com os outros. Joey reparou que havia alguns alunos que lhe lançavam olhares assassinos. Uma aluna pegou num caderno e atirou-o contra Joey. O grupo parou de andar por um segundo.

"Ei, para que é que foi isso?" perguntou Téa, aborrecida.

"O Joey Wheeler é horroroso! O Kaiba não é teu!" exclamou a jovem, olhando para Joey.

"Nem teu, por isso é que te estás a comportar assim, invejosa!" exclamou Téa. "Se voltas a atirar-lhe alguma coisa, vais arrepender-te. Ninguém trata mal os meus amigos."

A aluna virou costas e começou a afastar-se. Joey sorriu a Téa, num gesto de gratidão.

"Vês o que causaste?" perguntou Seto, olhando para Joey.

"Eu não causei nada. Vais ter a prova em breve." disse Joey. "Vamos."

Não houve mais incidentes até o grupo chegar à sala da rádio da escola. Ao chegarem lá, Joey abriu a porta sem cerimónias e todos entraram na sala. Nicholas, o locutor da rádio da escola, um rapaz baixo de cabelo escuro, ficou surpreendido ao vê-los a todos ali e depois ficou bastante nervoso. Esperava que Joey aparecesse ali para pedir explicações e estava preparado para isso. Afinal, Duke tinha-lhe pago bastante bem para ele mentir. Mas não esperava que aparecessem também os amigos de Joey e também Seto Kaiba.

"O que estão aqui a fazer?" perguntou Nicholas, tentando fazer-se de despercebido.

"Viemos aqui esclarecer a mensagem que acabaste de passar na rádio." disse Joey. "Vais esclarecer toda a verdade, agora mesmo!"

"Não percebo do que é que estás a falar." disse Nicholas. "Que verdade?"

"Nicholas, quero saber se foi o Joey Wheeler que te mandou passares aquela mensagem na rádio." disse Seto.

"Ah, sim, foi ele." mentiu Nicholas.

Joey cerrou os punhos, furioso. Os amigos de Joey lançaram a Nicholas olhares fulminantes. Seto não disse nada.

"Isso é mentira!" exclamou Joey. "Eu não te dei mensagem nenhuma para passares na rádio!"

"Desculpa mas eu lembro-me muito bem que vieste aqui e me deste pessoalmente a mensagem." disse Nicholas. "Não percebo porque é que tu agora estás a dizer que é mentira."

"Ouve bem." disse Joey, em tom ameaçador, aproximando-se de Nicholas. "Isso é tudo mentira! Tu estás a mentir com todos os dentes que tens na boca. Admite que foi o Duke Devlin a mandar pôr a mensagem ou então se não foi ele, outra pessoa qualquer, mas não eu."

"Pois, mas foste." disse Nicholas, tentando parecer calmo. "Eu não estou a dizer mentira nenhuma."

Joey preparava-se para se atirar para cima dele e lhe bater, mas Seto agarrou-lhe o braço.

"Ele confirma que foste tu, Wheeler." disse Seto, encarando Joey. "Não me parece que seja necessário haver agressões a uma pessoa inocente."

"O inocente aqui sou eu!" exclamou Joey. "Devias acreditar em mim!"

"Deste-me razões suficientes no passado para acreditar que farias tudo para ficar comigo. Agora, o que queres que pense? Se até o Nicholas confirma que foste tu…"

Téa, Tristan e Yugi entreolharam-se e avançaram para Nicholas. Tristan começou a abrir e a fechar os punhos.

"Nicholas, sabes que há já algum tempo que eu não bato em ninguém? Estou mesmo a precisar de fazer algum exercício." disse Tristan. "Acho que a tua cara seria o alvo perfeito para esse tipo de exercício. Uns murros haviam de te assentar bem."

"A menos claro, que tu contes a verdade." disse Yugi. "Senão o Tristan pode mesmo ficar violento."

"E nós não o vamos parar." disse Téa, sorrindo. "Portanto, contas a verdade, senão vais sofrer as consequências. Não gostamos de mentirosos que gostam de prejudicar os outros."

Nicholas engoliu em seco e olhou para todos. Depois lembrou-se da grande quantidade de dinheiro que tinha recebido. Duke iria ficar furioso se ele faltasse ao eu tinha prometido, que seria manter a história de que fora Joey a pedir para colocar aquela mensagem.

"Então, vou começar a dar-te murros ou vais contar a verdade?" perguntou Tristan, de maneira ameaçadora.

"Vocês não lhe vão bater para o fazerem contradizer-se." disse Seto.

"Kaiba, por favor, ouve-me. Eu estou a dizer a verdade." disse Joey. "Juro. Por favor, acredita em mim. Isto é tudo um plano para nos afastar, de certeza."

Seto olhou Joey olhos nos olhos. Estaria Joey a dizer a verdade? Estaria a mentir? Seto estava confuso. Queria acreditar que Joey não tinha nada a ver com aquilo, mas tudo apontava para o contrário. Não queria estar com uma pessoa obcecada como Joey, se realmente tivesse sido ele a pedir para porem aquela mensagem na rádio. Respirando fundo, Seto olhou para Nicholas e largou o braço de Joey.

"Nicholas, eu vou perguntar novamente, caso me tenhas ouvido mal da primeira vez. Quero saber se foi o Joey Wheeler que te mandou passares aquela mensagem na rádio." disse Seto. "E antes de responderes, lembra-te que eu posso investigar tudo e, se no futuro, eu descobrir que tu estás a mentir e não foi o Wheeler a mandar pôr esta mensagem, podes ter a certeza que estás acabado. Eu dou cabo de ti, da tua família e vão todos viver para debaixo da ponte. Não gosto de mentiras e não tolero que me enganem. Sabendo o que te vai acontecer se estiveres a mentir, dá-me a resposta definitiva."

Nicholas voltou a engolir em seco. Todos conheciam a fama de Seto Kaiba. Ele era implacável nos negócios, o melhor aluno da escola, tinha uma personalidade forte e cumpria sempre as promessas que fazia. Se ele descobrisse a verdade mais tarde, Nicholas tinha a certeza de que ele cumpriria as suas ameaças.

"Pronto, está bem, eu conto a verdade. A culpa não é minha. O Duke Devlin veio aqui pedir-me para passar a mensagem na rádio, dizendo que tinha sido o Joey Wheeler. E pagou-me muito bem para o fazer e para mentir caso ele viesse aqui." disse Nicholas. "Eu não fiz por mal… mas o dinheiro faz-me falta."

"E assim, mentes e estragas a vida dos outros?" perguntou Yugi. "Não tens escrúpulos nenhuns."

"Vês, eu estava a dizer a verdade." disse Joey, olhando para Seto.

Seto olhou para aqueles olhos cor de mel e abanou a cabeça. Sentia um grande alívio no peito por afinal Joey não ser o responsável por aquilo. Por outro lado, sentia-se mal por não ter acreditado em Joey, que ficara claramente magoado. Seto encarou novamente Nicholas.

"Agora vais tirar a música do ar e dizer a verdade a toda a escola." disse Seto. Nicholas preparava-se para protestar. "E não quero ouvir uma palavra contra isso. Vais dizer a toda a escola que foi o Duke Devlin que te mandou pôr aquela mensagem no ar e que o Joey Wheeler não tem nada a ver com isso. Se recusares, vais arrepender-te tanto que ainda antes do fim do dia estás a viver debaixo da ponte. Faz já o que disse. Agora!"

Terrificado, Nicholas fez o que Seto mandou. Parou a música, pegou no microfone e admitiu a todos os ouvintes da escola que fora Duke Devlin a mandar-lhe dizer a mensagem em nome de Joey Wheeler. Na escola, todos ouviram aquilo com atenção. Duke, que vinha a sair da biblioteca, arregalou os olhos, de espanto e raiva.

"Não pode ser!" pensou ele. "O meu plano foi por água abaixo! O Nicholas vai arrepender-se!"

Duke encaminhou-se rapidamente para a sala da rádio. Enquanto caminhava pelos corredores, os alunos lançavam-lhe olhares de desaprovação.

"Eu nunca gostei dele." sussurrou uma jovem. "Já viste, colocar uma mensagem em nome de outra pessoa na rádio? Para fazer as pessoas ficarem contra essa pessoa."

"Eu já estava a pensar mal do Joey Wheeler e afinal ele não tinha culpa nenhuma." disse um rapaz.

Duke ignorou os comentários e olhares de toda a gente e mal chegou à sala da rádio, entrou de rompante. Ficou surpreendido por ver ali Seto, Joey e os outros, que o encararam com frieza.

"Ah, nós calculámos que fosses aparecer." disse Tristan.

"O Nicholas contou-nos o que tu tinhas aprontado, usando o meu nome." disse Joey, aproximando-se de Duke, furioso. "Como é que te atreveste?"

"Há de certeza aqui um engano. Eu não fiz nada. O Nicholas com certeza que está a mentir e…" começou Duke, mas foi interrompido, pois Joey deu-lhe um murro com toda a força.

Duke caiu para trás e ninguém se dignou a ajudá-lo a levantar-se. Seto deu um passo em frente.

"O Wheeler tinha-me dito que tu estavas interessado em mim. Pensei que fosse um disparate, mas parece que afinal não é." disse Seto. "Arranjaste este plano para nos separar."

"Vocês… sim, fui eu! Ouvi o Joey e os outros a falarem do facto dele no passado se andar sempre a atirar a ti e tu achares um exagero. Pensei que com isto ficarias furioso com ele e não o quererias por perto. Mas infelizmente o meu plano falhou." disse Duke, zangado e levantando-se.

"Pois eu quero-te longe de mim. Nunca mais te aproximes. Nem de mim, nem do Wheeler, nem dos amigos dele." disse Seto.

"Se vieres ter connosco, levas outro murro, mas desta vez será meu." avisou Tristan.

"Vai mas é atrás de alguém que esteja minimamente interessado em ti." disse Téa. "Vai-te embora!"

Duke bufou de raiva e saiu rapidamente da sala da rádio. Entretanto, deu o toque de entrada, que anunciava que a próxima aula estava para começar.

"Temos de ir, senão chegamos atrasados." disse Yugi.

Yugi, Téa e Tristan saíram rapidamente da sala. Seto tocou no ombro de Joey.

"Temos de falar. Como a seguir a esta aula já não temos mais nenhuma, aceitas falar comigo depois da aula?" perguntou Seto.

"Sim, Kaiba. Agora vamos, para não chegarmos atrasados à aula."

Seto acenou afirmativamente e ele Joey saíram da sala também, deixando Nicholas para trás.

Água Mole em Pedra Dura…

Quando a aula terminou, os alunos começaram a sair rapidamente, desejosos de abandonar a escola e irem fazer outra coisa, quer fosse irem para casa, irem dar um passeio ou até mesmo namorar. Téa, Tristan e Yugi despediram-se de Seto e Joey e foram embora, enquanto os dois foram para as traseiras da escola. Sentaram-se ambos na relva verde, lado a lado. Depois, Seto olhou para Joey.

"Wheeler, parece que te devo um pedido de desculpas. Devia ter acreditado em ti quando disseste que não tinhas nada a ver com a mensagem que passou na rádio, mas na verdade não o fiz." disse Seto. "Desculpa."

"Sabes, fiquei um pouco magoado, mas não te posso censurar, depois do que eu já fiz." disse Joey, suspirando. "É natural que não acreditasses em mim. Mas agora já sabes a verdade."

"Prometo que não voltarei a duvidar de ti." disse Seto. "Agora será diferente."

"Espero que o Duke não volte a tentar meter-se entre nós, mas é possível. Pode querer vingar-se."

"Não o fará. Não deixarei que aconteça, mas se acontecer, tomo todas as medidas para que ele se arrependa." disse Seto. "Já bastou o que ele fez."

"Agora toda a escola fala disso. Claro que sabem que foi uma mentira do Duke, mas já da altura em que eu te beijei no meio da biblioteca, as pessoas falaram. De certo que há muitas pessoas convencidas de que há algo entre nós."

Seto respirou fundo e depois encolheu os ombros.

"Olha, neste momento, sinceramente, não quero saber." disse ele.

Os dois ficaram a olhar um para o outro durante alguns segundos, sem dizerem nada. Foi Seto que interrompeu o silêncio.

"A ida ao cinema continua de pé, certo?" perguntou ele.

"Sim, claro que sim."

"Já que temos a fama, olha, vamos ter o proveito também." disse Seto.

De seguida, Seto puxou Joey para si e beijou-o. Joey ficou surpreendido, pois Seto nunca o quisera beijar antes. Tinha sido sempre o próprio Joey a tomar a iniciativa. Porém, não perdeu muito tempo a pensar nisso e no momento seguinte estava a beijar Seto de volta. Quando quebraram o beijo, ambos sorriam.

"Ficas muito melhor a sorrir do que quando estás com o teu ar sério." disse Joey.

"Podes ajudar-me a sorrir mais." sussurrou Seto. "E quanto à ida ao cinema, talvez afinal consigas o que querias. Beijos no escuro, quando ninguém pode ver."

"Kaiba…"

"Quero levar isto com calma, mas na realidade, agora está a ser difícil. Acho que mais um beijo não seria precipitar as coisas."

No segundo seguinte, estavam a beijar-se novamente.

Água Mole em Pedra Dura…

Passaram-se duas semanas e meia desde o incidente com a rádio da escola. A maioria dos alunos já tinha esquecido a situação, enquanto outros continuavam a lembrar-se perfeitamente. Esses eram os fãs de Seto e na sua maioria eles queriam ficar com Seto para eles mesmos. Duke fora olhado de lado por alguns dias após o incidente, mas depois tinham-no deixado em paz e Duke voltara a tentar seduzir tudo e todos, deixando Seto e Joey de lado. Nicholas acabara por ter de devolver a Duke todo o dinheiro que o outro lhe pagara para passar a mensagem na rádio e mentir sobre Joey.

Nesse dia em particular, Joey e Seto estavam sentados na biblioteca, a estudar. Joey sempre tivera dificuldades na escola e agora que ele e Seto estavam mais próximos, Seto fazia questão de o ajudar nos estudos. A ida ao cinema tinha corrido bem e após isso já tinham saído algumas vezes. Ainda não se consideravam namorados, pois Seto queria que tudo acontecesse com calma, mas para lá caminhavam.

"Hum, não me parece que isto esteja correcto." disse Joey, olhando para o seu exercício de matemática, que acabara de resolver. "Devo ter-me enganado nalguma coisa."

Seto olhou para o exercício e franziu o sobrolho.

"Sim, enganaste-te aqui. Começa de novo, mas agora faz assim. Subtrais aqui e adicionas ali. Foi isto que fizeste incorrectamente."

"Ah, já percebi." disse Joey. "Ok, vou tentar de novo."

Pouco depois, um grupo de jovens, constituído tanto por rapazes como por raparigas, surgiu perto de Seto e Joey. Eles levantaram os olhos para os encararem. O grupo era liderado por Ryou Bakura.

"Olá Bakura. O que se passa?" perguntou Joey, confuso.

"Nós queremos que tu te afastes do Seto Kaiba." disse Bakura, com simplicidade.

"Desculpa? Porque é que eu haveria de fazer isso?"

"Nós adoramos o Kaiba. Tu não és digno dele." disse uma das raparigas do grupo.

"Não é justo que tu passes tanto tempo com ele e nós não." disse um rapaz. "Queremos os nossos direitos reconhecidos! Queremos passar tempo com o Kaiba."

"Portanto, deves afastar-te dele. Ele não é para ti." disse Bakura.

"Ah, que maravilha, mais malucos que querem ficar contigo." disse Joey, rolando os olhos e olhando para Seto. "Convém dizeres alguma coisa."

Seto levantou-se, encarando o grupo de recém-chegados.

"Pessoal, agradeço que vocês se interessem por mim, mas eu não me quero afastar do Joey Wheeler, portanto, isso não irá acontecer." disse Seto. "Peço-vos calmamente para serem vocês a afastarem-se. Não têm a mínima hipótese comigo."

"Isso é mentira!" exclamou uma rapariga. "A culpa é do Joey Wheeler!"

"Ele está a dar-te a volta, Kaiba." disse Bakura. "Quer-te só para ele. É malvado!"

"Vamos bater-lhe!" exclamou um dos alunos.

"Aqui ninguém bate em ninguém!" exclamou Seto, irritado. "Parem com isso, já!"

Entretanto, a bibliotecária, alertada pelo barulho, tinha-se aproximado e não estava nada satisfeita com a situação.

"Mas que raio vem a ser isto? Este é um local de estudo e silêncio. Não podem estar aqui a fazer barulho." disse a bibliotecária, irritada. "Se querem fazer barulho, vão lá para fora."

"Eles já estavam de saída." disse Seto.

Porém, o grupo de alunos não pareceu minimamente interessado em deixar a biblioteca.

"Não ouviram? Vão-se embora." disse Seto.

"Pois, saiam daqui. Estão a atrapalhar-nos. Estávamos a estudar." disse Joey.

"A estudar? Eu sei bem que o vocês andam a fazer!" exclamou Bakura. "Não é justo! Eu quero o Kaiba para mim!"

"Eu é que quero!" exclamou uma aluna.

"Eu também!" exclamou outro aluno.

"Já disse para não fazerem barulho!" gritou a bibliotecária, vermelha de raiva.

"Ok, isto já passou dos limites." disse Seto. "Vou reformular o que disse há pouco. Eu não quero saber se vocês se interessam por mim, aliás, até detesto que se interessem por mim, porque eu não quero saber de vocês para nada. Por mim podiam estar todos a ser atropelados ou a atirarem-se de pontes abaixo que ser-me-ia indiferente. O que me interessa neste momento é que me deixem em paz porque eu estou farto de vos ouvir."

"Mas…" começou Bakura.

"Mas nada, cala-te que eu ainda não acabei de falar. Vocês vão-se embora daqui, neste momento. Eu estou a ajudar o Wheeler a estudar e não quero interrupções. Quero paz, perceberam? E não se voltem a aproximar de mim, nem ameacem o Wheeler, senão são vocês que se arrependem."

"Tu queres ficar com ele porque ele anda enrolado contigo!" exclamou uma rapariga.

"E se for por isso? E se eu gostar dele? E se estivermos a namorar? O que é que vocês podem fazer? Nada. Estão só a intrometer-se." disse Seto.

"Queres dizer com isso que vocês estão mesmo juntos?" perguntou Bakura.

"Não tenho de responder a isso."

"Não vamos descansar enquanto não soubermos!"

"Ai sim? Está bem, então. Sim, eu e o Wheeler estamos juntos. Satisfeitos? Agora ponham-se a andar daqui para fora." disse Seto, em tom autoritário.

A pouco e pouco, os alunos dispersaram, parecendo bastante aborrecidos e tristes por Seto estar com outra pessoa. A bibliotecária lançou olhares irritados aos alunos e a Seto também e afastou-se. Quando o último aluno se foi embora, Joey falou.

"Tu disseste-lhes que estávamos juntos." disse ele, surpreendido.

"Sim, disse. Assim consegui que eles se fossem embora." disse Seto.

"Ah, foi só por isso…" disse Joey, com a expressão a ensombrar-se.

"Não, não foi só por isso." disse Seto, voltando a sentar-se ao lado de Joey. "Na realidade, nós estamos juntos. Mais ou menos."

Joey abanou a cabeça em assentimento. Não tinham um namoro oficial, mas passavam muito tempo na companhia um do outro, beijavam-se e faziam muitas coisas em conjunto. Efectivamente, por bem menos já se considerava que alguém estava junto com outra pessoa.

"Mas eles agora vão pensar que estamos mesmo a namorar." disse Joey.

"Sabes, eu não gosto que espalhem mentiras." disse Seto. "Portanto, aceitas namorar comigo?"

Joey foi apanhado de surpresa. Seto fizera a pergunta de modo tão banal, como se fosse algo que se perguntasse todos os dias. Para Seto, não havia embaraço. Seria tornar apenas oficial algo que na sua cabeça já estava confirmado. Gostava de Joey. A fase conturbada da obsessão de Joey tinha passado, portanto estava na hora das coisas avançarem.

"Eu… claro que aceito!" exclamou Joey.

De seguida, Joey beijou Seto. Seto percebeu que Joey se tinha esquecido por completo que estavam na biblioteca. Estavam, outra vez, a beijarem-se num local público. Aliás, tinha sido ali que Joey o beijara pela primeira vez. Deixando as preocupações de lado, Seto beijou Joey de volta. Quando quebraram o beijo, Joey suspirou de felicidade.

"Até parece que estou a sonhar." disse ele. "Finalmente, estamos mesmo, mesmo juntos."

"E não foram precisos os teus esquemas iniciais para chegarmos até aqui." disse Seto.

"Bom, tens de admitir que se eu não tivesse feito aquelas coisas malucas, se calhar nem tinhas olhado para mim duas vezes."

Seto ficou pensativo durante alguns segundos e depois abanou a cabeça.

"Pronto, talvez tenhas razão." disse Seto. "Mas agora, não há mais esquemas."

"Claro que não. Já não faço esquemas há muito tempo. Tu sabes disso. E agora nem precisaria. Tu já estás a namorar comigo." disse Joey, sorrindo. "Só espero que aqueles fãs malucos não nos atrapalhem mais."

"Também espero o mesmo. E agora, vamos embora. Já não estou com cabeça para te ajudar a estudar. Vamos dar uma volta pelo parque ou assim."

"Adoro a ideia. Vamos."

Água Mole em Pedra Dura…

Os dias foram passando rapidamente. Não fora preciso Seto e Joey anunciarem o namoro oficialmente a ninguém excepto a Mokuba, Tristan, Téa e Yugi, porque Bakura e os outros fãs se tinham encarregado de espalhar a notícia. Os olhares de lado e os sussurros nos corredores tinham voltado. Porém, Seto e Joey não estavam minimamente preocupados com isso. Os fãs de Seto tinham-nos deixado em paz sem ser necessário ameaçá-los novamente, pelo que tudo estava bem.

Nessa manhã, a turma estava na aula de informática. O professor tinha-os encarregado de fazerem um exercício. Seto já terminara. Yugi estava a ajudar Téa, que estava com algumas dificuldades. Tristan tinha-se esquecido completamente do exercício e começara a fazer pesquisas na internet. Bakura fazia o exercício sem grande entusiasmo. Joey terminou o exercício e depois escreveu uma mensagem, que enviou rapidamente a Seto. Agora, para Seto, as mensagens que recebia através do computador já não eram algo que o aborrecesse.

"Tens tempo para iremos sair juntos depois das aulas terminarem?" escreveu Joey.

Seto apressou-se a escrever uma resposta.

"Sim, tenho. Posso ir para a Kaiba Corporation mais tarde. Não tem problema."

"Óptimo. Já agora, estás mesmo muito sexy hoje."

Seto abanou a cabeça, sorrindo ligeiramente. Levantou os olhos do computador e olhou para o outro lado da sala, encontrando o olhar de Joey, que também lhe sorria. Seto escreveu uma resposta.

"E não estou sexy todos os dias?"

"Bom, lá isso é verdade."

Quando a aula terminou, Seto e Joey saíram da sala juntos, com os amigos de Joey atrás deles. Bakura saiu da sala lentamente. Ainda se encontrava bastante aborrecido por Seto ter escolhido estar com Joey e não dar nenhuma oportunidade a mais ninguém. Começou a andar pelo corredor, na direcção oposta à que Joey e os outros tinham tomado e como estava distraído, bateu contra alguém.

"Ei, vê por onde andas." queixou-se Duke.

"Ah, desculpa. Estava distraído." disse Bakura.

"A pensar em quê? Ah, deve ser no Kaiba. Tu pertencias ao seu clubinho de fãs. Pois esquece. Ele é do Joey Wheeler, por mais que isso me custe a admitir." disse Duke.

"Pois, infelizmente…"

"Anima-te. Não é o fim do mundo. O que não falta por aí são pessoas muito mais interessantes com quem te possas envolver." disse Duke.

"Não acredito que haja alguém que me interesse mais que o Kaiba."

Sem dar oportunidade a Bakura de reagir, Duke aproximou-se mais e beijou-o. Para as pessoas que estavam a passar, não era novidade nenhuma ver Duke a beijar alguém, porque o fazia com muita frequência e portanto ninguém prestou grande atenção. Pouco depois, Duke quebrou o beijo.

"Tu é que sabes se queres ficar preso à ideia de namorares com o Kaiba. Isso nunca vai acontecer. Eu já me apercebi que eu não tinha hipóteses e segui em frente. Se quiseres, faz o mesmo." disse Duke. "Eu estou disponível, se quiseres ter uma ajudinha para esqueceres o Kaiba."

E sem dizer mais nada, Duke afastou-se, enquanto Bakura ficava confuso e depois sorria, com um novo brilho no olhar.

Água Mole em Pedra Dura…

"Até amanhã, Joey, Kaiba." disseram Tristan, Téa e Yugi, quando se separaram de Joey e Seto, depois de já terem saído da escola e foram na direcção contrária.

Seto e Joey decidiram ir dar uma volta ao parque. O sol brilhava no céu e não estava demasiado calor. Havia poucas pessoas no parque. Os dois caminharam perto do lago e acabaram por se sentarem em baixo de uma árvore, num local mais discreto do parque.

"Seto, ontem a Téa estava a falar de uma amiga dela que tinha terminado tudo com o namorado. Já namoravam há dois anos, mas ele traiu-a e acabaram tudo." disse Joey, olhando para Seto. "Já viste, depois de dois anos, ela foi traída e parece que até se davam bem e tudo."

"As pessoas podem surpreender-nos sempre." disse Seto. "Mas no nosso caso, não vai acontecer isso."

"Ah, então nunca me trairias."

"Não. Se algum dia perdesse o interesse por ti, seria sempre verdadeiro e iria dizer-te isso mesmo. Não te trairia." disse Seto.

"Mas estás a pensar perder o interesse por mim, é?" perguntou Joey. "Tenho razões para ficar preocupado?"

"Não, nenhumas." disse Seto, dando um beijo rápido ao namorado. "Por norma, sou uma pessoa de gostos que não mudam. Se gosto de algo ou de alguém, então isso não muda."

"Não sei se será bem assim. Afinal, primeiro não gostavas de mim e agora já gostas." disse Joey. "Mas eu vou ter o cuidado de te manter sempre interessado em mim. E também nunca te trairia."

Seto e Joey deram um novo beijo. Estando afastados dos olhares das outras pessoas, uma vez que por ali não passava praticamente ninguém, Seto pode libertar-se mais, sem ter medo de ser visto. Afinal, tinha uma reputação de implacável para manter. Apesar disso, a sua relação com Joey não podia estar mais sólida. Namoravam, gostavam um do outro e já se tratavam pelos nomes próprios.

"Entretanto, tenho de ir para a Kaiba Corporation." disse Seto. "Tenho uns assuntos por resolver."

"Hum, que pena. Sabes, por vezes as pessoas têm ciúmes de outras, mas neste caso, começo a ficar com ciúmes da empresa. Passas mais tempo lá do que comigo." disse Joey.

"O Mokuba queixa-se do mesmo."

"Como eu o compreendo…"

"Talvez no futuro isso mude." disse Seto, levantando-se.

"O que queres dizer com isso?"

"Se vivêssemos juntos, já passaríamos mais tempo um com o outro." disse Seto.

Joey abriu a boca e depois percebeu o que Seto queria dizer. Afinal, Seto tinha uma enorme mansão, só para ele, Mokuba e alguns criados. Seria perfeito irem viver juntos. Não para já, mas no futuro, se tudo corresse bem na relação deles. E Joey estava empenhado nisso, tal como Seto. Quando ambos saíram do parque nesse dia, estavam os dois a pensar no que o futuro lhes reservaria e, ao lado um do outro, tinham a certeza que seria algo bom.

Fim