Disclaimer
Eu costumava torturar Inuyasha & Cia, mas como eles andavam estressados, a Rumiko Takahashi pediu ao Kishimoto o favor de me deixar me divertir com os personagens de Naruto - e não é que eu gostei da idéia?
Aviso: este capitulo tem um lime – se você não gosta de insinuações de intimidade , por favor não leia.
oO Revisado em 6.fevereiro.2006 Oo
O DIÁRIO DE HARUNO SAKURA
"Meu querido diário,
Me parece um tanto quanto estranho começar a escrever assim, mesmo já tendo feito isso tantas outras vezes sem me incomodar com este início de desabafo. Na verdade, estes últimos meses foram intensos e me fizeram refletir, mudando minha opinião sobre várias coisas que para mim eram verdades absolutas.
Engraçado que, como num passe de mágica, muitas das minhas prioridades mudaram bruscamente, surpreendendo a todos em Konoha – inclusive a mim mesma.
Não tenho dúvidas que qualquer um que deixasse de desabafar em seu diário por quase um ano, quando retornasse a ele, escreveria de uma forma complemente diferente da anterior, mas creio que isso é algo muito mais gritante para nós, shinobis. A vida em uma vila ninja é cercada de pesadas responsabilidades, o que nos força a amadurecer mais rapidamente se comparada à vida nas demais vilas e cidades comuns.
Creio que foi isso que ocorreu com Tsunade-shishou, Kakashi-sensei, Naruto... E com Sasuke-kun.
Após reler as últimas folhas, relembro o meu desejo em reencontrá-lo, registrado em cada frase carregada de emoção quando imaginava como seria vê-lo após tantos anos. Sinto novamente um aperto no peito ao reler a última pagina, marcada por duas lágrimas, escrita no dia em que a Godaime deu por encerradas as buscas do caçula dos Uchiha.
Agora, relembrando esse passado não tão distante, é que vejo o quanto mudei: me esforcei para deixar de ser um estorvo na vida de Kakashi-Sensei e Naruto; assim como os garotos do meu time, eu sonhava em ficar mais forte tanto para ser uma ninja melhor quanto para fazer com que Sasuke-kun olhasse para mim como alguém digna de fazer parte de sua vida.
Posso dizer, me permitindo rir um pouco da situação, que no final Sasuke-kun mudou minha vida de várias maneiras, muitas delas de uma forma que eu sempre sonhei, outras de uma maneira um pouco diferente do que eu imaginava.
Eu realizei o sonho de estar com ele no mesmo time, na primeira missão... Por incontáveis vezes, arriscamos nossas vidas em missões quase suicidas – e era como se o perigo e a sensação de poder perder tudo de uma hora para outra fortalecessem o sentimento que eu guardava dentro do meu peito.
Lembro de como ele se preocupava com o meu bem estar, mesmo quando jogava na minha cara que me achava irritante... E mesmo assim, em todas as vezes que ele estava seriamente ferido, eu o embalava protetoramente enquanto escutava-o resmungar que não me queria por perto - ainda que se aninhasse mais no meu colo. Aparentemente era uma fraqueza muito grande admitir que ele precisava daquele carinho tanto quanto eu ou o Naruto.
Sasuke-kun foi sempre o primeiro em tudo em minha vida: foi o exemplo de tudo aquilo que eu sempre quis ser, forte, determinado e quase que desprovido de medos.
A ele reservei meu primeiro e casto beijo: quantas noites eu não sonhei com o calor dos lábios que se ocultavam por trás da expressão fria e dos olhos negros e penetrantes? E quando finalmente este ocorreu, me perdi para sempre no vício de ser protegida por seus abraços. Os lábios de Sasuke procuravam os meus de forma suave e gentil, enquanto sua mão acariciava minha face com muito mais ternura que algum dia eu poderia imaginar.
Como descrever a sensação de ser embalada carinhosamente por alguém que nunca externara um pingo de sentimento a ninguém, ninguém além de mim? Mesmo que fossem momentos reservados apenas a nós dois, por mais que eu quisesse gritar ao mundo que estávamos juntos, eu me calei.
Calei-me porque a simples possibilidade de perdê-lo fazia com que a dor em meu peito me impossibilitasse de respirar, não me importando de agir como uma criminosa... Absurdos que as pessoas apaixonadas fazem por amor, não?
Sasuke foi meu primeiro e único amor... Assim como o único homem que conheci. Ah, eu não tinha escrito sobre isso ainda, não é? Pois bem, eu nunca quis saber de nenhum outro rapaz além de Sasuke. Por mais que pessoas por quem eu sinto muito carinho quisessem que eu me apaixonasse por elas, eu me fechei em meu próprio mundo, sempre esperando por Sasuke-kun.
Quanto a Sai-kun... eu sinceramente não sei explicar o que sinto por ele. Estar com ele era uma forma de sentir que Sasuke-kun ainda estava comigo, cuidando de mim, me protegendo. No começo eu achei que o odiaria para sempre por implicar com Naruto, por me chamar de feiosa...
Até o dia em que em meio de uma discussão, eu parti para cima dele e ele me segurou pelos pulsos, me jogando de encontro a uma árvore. Dolorida e furiosa, abri meus olhos para encontrar pela primeira vez os orbes ônix de Sai-kun fitando-me com intensidade e fazendo com que um arrepio percorresse minha espinha.
Vendo de perto, era possível enxergar que seus olhos transpareciam dor, provavelmente de uma ferida muito profunda e antiga.
Algo que eu já tinha visto antes, em outros orbes ônix e frios.
Solidão.
Sasuke-kun.
Soltei uma das minhas mãos para tocar-lhe o rosto, deixando-o confuso. Em meu próximo movimento, pus-me na ponta de meus pés e toquei meus lábios com os dele.
Ele parecia chocado demais para qualquer reação, mas depois de algum tempo retribuiu o beijo.
Foi assim que começou entre Sai-kun e eu. Duas pessoas que haviam se habituado a sorrir falsamente para o mundo enquanto por dentro nossos corações pareciam estar perdidos em algum lugar do passado.
Duas pessoas agarradas a uma mentira.
Para mim, estar com Sai-kun era como se eu estivesse novamente com Sasuke-kun. Assim como ele, Sai-kun era frio e distante, mas sempre estava por perto para me proteger. Me abraçar. Talvez me amar.
Mas Sai-kun não era e nunca seria Sasuke-kun.
Sasuke-kun retornou numa noite estrelada, como em um dos meus mais loucos sonhos. A princípio achei que estava vendo coisas, para em seguida concluir que aquele era o inimigo. Talvez eu devesse dar mais créditos aos meus instintos, porque eles não estavam completamente errados embora também não estivessem completamente certos também.
Naquele momento, presa entre uma árvore e o shinobi pelo qual eu havia tanto procurado naqueles últimos anos eu sequer conseguia pensar, entorpecida pelo calor do corpo dele como há muito tempo atrás.
Eu não tenho palavras para descrever tudo que passou pela minha cabeça naquele momento - acho que seria impossível descrever a sensação de ser bombardeada simultaneamente por emoções fortes e contraditórias: amor, ódio, carinho, desprezo, saudade... Desejo... Simplesmente não sabia como agir até que, como sempre, o ouvi me chamar de irritante.
Uma forma do jovem Uchiha de dizer que ainda era aquele Sasuke-kun pelo qual meu coração sangrava e não o tão temido inimigo.
Meu Sasuke-kun estava de volta a Konoha. Ele finalmente havia voltado.
Para seu lar.
Para mim."
"-Ai..." Sakura respirou fundo, deitando a caneta sobre o diário, contando mentalmente o intervalo entre aquelas dores incômodas. Aparentemente o tempo parecia estar se esgotando, fazendo-a concluir que deveria se apressar caso quisesse terminar naquele mesmo dia os relatos de suas desventuras.
Espreguiçou-se lentamente, como se quisesse buscar um pouco mais de ânimo naquela ação, deixando escapar um suspiro de cansaço. Foi então que os orbes esmeraldas notaram que do lado de fora, pela madrugada fria, pequenos flocos de neve caiam, começando a cobrir a cidade de Konoha com seu manto branco.
-"A neve é tão bela... de alguma forma me faz lembrar de você, Sasuke-kun", murmurou, deixando um sorriso sincero despontar em seu rosto, para em seguida retornar ao seu relato.
"Os meses seguintes foram muito difíceis: Sasuke-kun teve que passar por um julgamento frente ao conselho de sábios de Konoha, pois sua atitude fora considerada um ato de alta traição. Foi um período de incertezas e de grandes discussões, porque apesar da atitude irresponsável dele ter exposto todas as vilas ninjas ao perigo, os sábios não podiam desconsiderar o fato que Sasuke-kun era apenas um pré-adolescente que tivera um passado extremamente difícil.
Depois de muitas discussões parecia impossível o conselho chegar a uma unanimidade com relação a punição a ser aplicada ao garoto Uchiha, fazendo com que a decisão final recaísse nas mãos da Godaime.
Tsunade-Hime dissera que o Jutsu proibido de Orochimaru não funcionara provavelmente devido à força da Linhagem avançada do Sharingan somada à determinação e fibra que formavam a personalidade do jovem Uchiha – um grande erro do sannin que subestimara o espírito de Sasuke. Ela confidenciou a mim e a Shizune que não sabia o fazer exatamente com ele, mas não estava certa se era seguro deixá-lo solto pelas ruas de Konoha antes de diagnosticar se o jutsu não deixara nenhuma seqüela mais seria no rapaz.
A simples idéia de que meu Sasuke-kun pudesse vir a ser preso de alguma forma fez a tristeza me atingir de forma implacável, coisa que não passou desapercebida por Tsunade. A Godaime sempre fora muito ligada às suas pupilas, a ponto de nos proteger com fúria de uma leoa que defende seus filhotes.
Talvez por nunca ter tido filhos, ela nos adotara e se tornara, de uma certa forma, uma segunda mãe para Shizune e eu.
Os olhos cor de mel me fitavam com seriedade enquanto eu argumentava, defendendo a liberdade de meu grande amor. Acho que a Godaime nunca me vira discursar com tanta paixão ou usando de tanta persuasão. Eu estava decidida a convencê-la a ser clemente Sasuke-kun e dar-lhe uma chance para recomeçar.
Como eu, Tsunade sabia qual era a sensação de ter alguém se ama ser tirado de seus braços, mas antes de tudo ela era quinta Hokage de Konoha e tinha responsabilidades com a vila – fato que me obrigava a usar meus melhores argumentos para convencê-la.
Eu quase tive um enfarte quando minha sensei fez um gesto com a mão, indicando que eu deveria me calar.
O silêncio só foi quebrado após a Godaime refletir por alguns minutos com os olhos fechados – minutos que me pareceram uma tortuosa eternidade que me matava lentamente – para só então anunciar sua decisão final.
Sasuke ficaria sob a guarda e responsabilidade do time sete, voltando a integrar a equipe, mas com uma condição temporária: ele deveria ficar restrito ao país do fogo durante o tempo que Tsunade achasse necessário para certificar-se que o jutsu proibido não deixara algum tipo de seqüela e deveria estar disponível para qualquer testes ou estudos que ela julgasse necessário.
Além disso, ao menos um de nosso grupo deveria permanecer em Konoha com ele para auxiliá-lo a se readaptar às regras da vila. Como eu era uma médica-nin e Kakashi-sensei e Naruto-kun tinham um perfil de missões externas, quase sempre era eu quem o acompanhava no seu dia a dia.
Sai-kun não ficou nada feliz com a determinação da Godaime, mas em momento algum se pronunciou a respeito. Mais tarde, quando fui procurá-lo em seu apartamento, descobri que ele havia pedido desligamento do time sete e que estaria saindo de Konoha naquela mesma noite para uma missão secreta para os ROOTs de Konoha e não sabia ao certo quando voltaria.
Na realidade, suas palavras foram "se voltaria" e seu tom amargo de voz fez com que eu me sentisse mal. Sai sempre me dizia que não tinha sentimentos e que por conseqüência, não me amava – entretanto, naquela noite, ele foi altamente agressivo comigo por ter argumentado a favor de Sasuke-kun com Tsunade-Shishou.
Como eu podia fazê-lo entender? Hoje acho que realmente não seria possível. Antes de sair pela porta e sumir de minha vida, Sai me disse que um traidor sempre seria um traidor e que eu ia acabar magoada de novo e desta vez de uma forma irreversível.
Se não o conhecesse tão bem, eu juraria que ele havia lançado uma praga contra mim.
Bem, eu sabia que Sasuke-kun ainda não tinha esquecido de sua vingança, embora não tivesse ouvido essa palavra de sua boca desde seu retorno. Isso certamente era algo estranho e apesar dele não ter gostado da decisão da Hokage, aceitou-a sem questionar, ciente de quão complacente ela havia sido em sua punição.
Sasuke-kun parecia diferente, mas seria muita ingenuidade da minha parte esperar que depois de tantas coisas ele permanecesse o mesmo. De uma certa forma, ele parecia querer resgatar um pouco daqueles anos que perdera longe de cada um de nós em Konoha, me fazendo feliz simplesmente por estar ali comigo e elogiando o quanto eu havia melhorado naqueles anos de sua ausência.
Certamente, nunca fui uma pessoa ambiciosa e seria feliz somente com aquilo, embora meu coração desejasse ir além, desejando em meu íntimo em me tornar Uchiha Sakura para estar com Sasuke-kun para sempre, auxiliando-o em outro de seus sonhos: a reconstrução do clã Uchiha.
Tudo estava bem daquela forma, mas foi aí que os problemas começaram.
Sasuke passou a sofrer com terríveis dores de cabeça que iam e vinham sem alguma explicação plausível e nem mesmo a Godaime pôde identificar a causa daquela enfermidade. Hoje, me pergunto se shishou já suspeitava do que estava por vir e ocultava suas preocupações para não me fazer sofrer, por que me recordo que a partir desta época ela passou a exigir eu o acompanhasse apenas até o anoitecer, sendo substituída pelo Kakashi-sensei ou Naruto-kun na vigília noturna na mansão Uchiha.
Minha rotina então era acompanhar Sasuke-kun desde muito cedo até o anoitecer, quando eu deixava a majestosa residência Uchiha para repassar os acontecimentos do dia a Kakashi-sensei ou Naruto-kun, para só então me recolher ao meu lar e descansar um pouco.
Até aquele fatídico dia.
Sasuke-kun queimava de febre e apesar de todos os meus esforços e as técnicas aprendidas com a Godaime, não fui capaz de fazer a temperatura do corpo dele baixar. Por várias vezes pensei em deixar a residência para pedir auxílio para shishou, mas a cada tentativa de deixar o aposento, o caçula dos Uchiha parecia agitar-se mais, fazendo-me recuar.
Após um extenuante trabalho, finalmente a febre pareceu ceder e Sasuke-kun apresentou alguma melhora. Enquanto eu passava um pano úmido em sua testa, assisti-o abrir os olhos lentamente para fitar-me com o tão famoso meio sorriso no rosto, desculpando-se por ter dado tanto trabalho. Devo ter corado, porque senti meu rosto aquecer, sorrindo.
Lá fora já era noite e era a vez de Kakashi-sensei cuidar dele, mas naquela noite ele estava fora numa missão ranking "A" de extrema importância e por isso eu deveria passar a vigília para o Naruto-kun. Usualmente, Naruto perdia a hora e só se dirigia a residência dos Uchiha quando eu passava em sua casa para acordá-lo e por isso, se havia uma coisa que eu não esperava, era que ele se lembrasse de que teria que cobrir falta do Kakashi sensei por si só.
Rindo, comentei que precisaria ir até a casa de Naruto para lembrá-lo de sua missão, sendo impedida de me afastar da cama ao sentir meu pulso ser capturado pelas mãos firmes dele.
"-Não me deixe sozinho, Sakura-chan... onegai"
Meu pulso parecia queimar ao toque daquela mão e, naquele momento, não sabia dizer se era a minha temperatura ou a dele que estava mais elevada. Apesar de saber que era errado, não pude resistir a aquele olhar suplicante, quase que desesperado que me fitava como se a vida dele dependesse da minha resposta.
Sentei na cama macia e permiti que Sasuke-kun repousasse a cabeça no meu colo enquanto eu brincava com os cabelos negros e sedosos ainda curtos, conversando por muito tempo ainda. Subitamente o assunto pareceu ter se esgotado e nos pegamos encarando um ao outro em meio aquele denso silêncio que nos cercava.
Ainda sem dizer nada, Sasuke-kun levantou-se do meu colo para sentar-se ao meu lado e passando a mão de leve na minha face corada, cerrou os olhos negros aproximando o rosto claro do meu para novamente fazer com que nossos lábios se encontrassem num saudoso beijo de amor.
A última coisa que eu queria naquele momento era que justo naquele dia Naruto tivesse decidido se tornar um pouco mais responsável.
Atordoada, senti Sasuke-kun me puxar para junto de si, permitindo-o aprofundar o beijo enquanto me deitava entre os macios lençóis de seda perolada da larga cama de casal. Os lençóis macios pareciam frios se comparados ao calor que vinha de nossos corpos, famintos daquela sensação de proximidade até então desconhecida. Sorvi o quanto pude daquele sentimento enquanto sentia o zíper do meu uniforme chuunin ser aberto, expondo meu colo aos carinhos de Sasuke-kun, para ouvir num determinado momento impossível de ser determinado, o barulho das vestes que eram jogadas longe de nós, em algum ponto fora do meu campo de visão.
Naquele momento eu não conseguia pensar em nada que não fossem os suaves toques dele pelo meu corpo, reclamando pelo legado que eu havia reservado a ele por todo aquele tempo. Incrível como nossos corpos pareciam se encaixar com perfeição, transformando as sensações a princípio desconfortáveis em um prazer imensurável quando nos entregamos de corpo e alma um ao outro. Um misto de dor e prazer, felicidade e tristeza, vida e morte.
Já havia ouvido falar que um orgasmo era uma pequena morte, uma sensação tão forte e intensa que sempre remeteria os amantes a um plano superior, permitindo que suas almas se tocassem. Ainda entorpecida por tudo que havia acontecido em tão pouco tempo, eu não me interessava por nenhuma das teorias insanas que visavam definir a sensação maravilhosa proporcionada pelo clímax de uma noite de amor.
Tudo que me interessava é que aquela fora uma noite realmente especial.
Minha primeira noite de amor com Sasuke-kun. A única noite de amor que pude provar em toda minha vida.
Um momento de deslumbre que me custou caro, por que me impediu de notar o pesar e o desespero que se ocultavam por trás do desejo repentino dele: um pedido inconsciente de socorro, um instinto que o fazia procurar por algo que criasse um vinculo forte o suficiente para mantê-lo no controle da sua própria mente.
Cega por minha felicidade, adormeci entre os ricos lençóis de seda do aposento, envolta pelo calor reconfortante do abraço de Sasuke-kun. Meus olhos se entregaram ao escuro reino de Morpheu sem imaginar que esta seria a última boa lembrança que eu teria dele daquele momento em diante.
Despertei ao alvorecer, sentindo falta do calor de Sasuke-kun junto a mim. Preguiçosa, me espreguicei na enorme e fria cama, alongando meus músculos e lutando contra o sono para abrir meus olhos e procurá-lo.
Após alguns segundos, pude vencer a vontade de dormir abri os olhos, esfregando-os na tentativa de recuperar a nitidez de minha visão. Meu olhar vasculhou de uma ponta a outra do imponente aposento sem encontrar nenhum vestígio de seu proprietário.
Uma sensação ruim tomou conta de meu peito, deixando-me apreensiva. Num gesto de desaprovação, me censurei balançando a cabeça dizendo a mim mesma que ele deveria ter ido ate o banheiro ou ate a cozinha para tomar o café da manhã.
Nota: reitero a necessidade de prestar mais atenção nos meus instintos – creio que viverei mais desta forma.
O barulho de passos pelo corredor chamou minha atenção e num reflexo, puxei os lençóis, cobrindo mais meu corpo desnudo. Eu dizia a mim mesma que eram passos dele retornando ao aposento, carregando uma bandeja de café da manhã – uma hipótese no mínimo ridícula se considerarmos que demonstrar afeição certamente não era o forte dele.
De qualquer forma, o fato é que a apreensão atingiu índices épicos quando os passos cessaram exatamente frente a porta do aposento sem nenhuma explicação.
"-Sasuke... -kun?" Receosa, chamei por ele após algum tempo, segurando com força o lençol junto ao meu peito.
Sem nenhuma resposta, a porta corrediça de madeira deslizou lentamente para o lado, ao mesmo tempo em que sentia os meus olhos serem tomados pelas lágrimas ao vislumbrar os cabelos prateados do jounin que adentrava o recinto. O semblante de Kakashi, usualmente sério, parecia pesaroso e o único olho visível me transmitia a verdade que até então eu recusava-me a acreditar.
Sasuke havia ido embora.
Novamente.
E novamente meu mundo parecia ter ruído, perdendo o brilho e fazendo com que a sensação de abandono me tragasse para as garras da depressão. As lágrimas brotavam e cortavam meu rosto deformado pela tristeza... Como definir a sensação de se entregar de corpo e alma a alguém para ser descartada no dia seguinte como se fosse uma muda de roupa suja, como aquelas que estavam jogadas pelo chão?
Kakashi-sensei sabia exatamente o que havia acontecido por ali, afinal não era muito difícil tirar conclusões a respeito de dois adolescentes com o histórico como o nosso e com os hormônios trabalhando a todo vapor. Além disso, a imagem das roupas espalhadas ao redor da cama pareciam falar por si só, muito mais ilustrativas que qualquer estória que ele já tivesse lido no Icha Icha Paradise.
Com cuidado, Kakashi-sensei aproximou-se da cama sem dizer palavra alguma, apenas pegando um roupão que estava largado sobre uma cadeira para me cobrir. Acho que ele parecia entristecido de me encontrar em tal situação, principalmente porque fora uma das pessoas que acompanhara de perto todo o meu esforço para ser uma kunoichi melhor em nome do sonho de reencontrar e salvar Sasuke-kun.
Senti o tecido fino do roupão cobrindo minhas costas e alheia ao constrangimento do meu sensei, abracei-o enquanto caía num choro compulsivo, liberando parte da tristeza que consumia minha alma naquele instante.
"-Vai ficar tudo bem, Sakura-chan." Kakashi suspirou, ciente que nada poderia fazer além de me consolar até que eu me acalmasse, principalmente porque nada poderia mudar o que havia acontecido e, naquele novo cenário, eu deveria me preparar para todas as surpresas que ainda estavam por vir."
"-Oh..." a sensação de ter suas vestes molhadas interrompeu o relato de Sakura, que fechou o diário e saiu da cama com uma expressão aborrecida no rosto. "Droga, eu deveria ter previsto que isso aconteceria."
Sakura colocou o diário em cima da escrivaninha onde estava o telefone, sentindo uma nova onda de dor atingi-la. Após respirar fundo, discou um número conhecido, sendo atendida já no 2º toque pela voz levemente sonolenta de Shizune.
"-moshi-moshi... ai!" O cumprimento seguido de um barulho de um corpo despencando no chão fez com que a kunoichi franzisse o rosto imaginando o quanto a colega devia ter se machucado. O barulho de passos soou do outro lado da linha, indicando que outra pessoa se aproximava.
"-Sakura? É você?" A voz maternal do outro lado da linha fez com que Sakura sorrisse um pouco mais tranqüila.
"-Hai, Tsunade-shishou" Sakura respondeu, aumentando o sorriso ao ouvir Shizune praguejar alguma coisa enquanto se levantava – "-Já está na hora."
"-Arrume suas coisas, Sakura. Estaremos aí em instantes. Ja ne." Sem pressa, Tsunade desligou o telefone e permaneceu pensativa, assistindo uma agitada Shizune separar as roupas que usaria para sair.
Shizune notou o momento contemplativo de Tsunade e aguardou que ela terminasse de pôr suas idéias em ordem. Após tantos anos de convivência, não era difícil saber quando a Godaime poderia ou não se aborrecer se fosse tirada de seus devaneios.
E certamente aquele não era um bom momento para interrompê-la.
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Ola
Acho q definitivamente me empolguei com essa historia, boa noticia após tanto tempo sofrendo com bloqueios! Estou com muitas idéias malignas para continuar a historia, mas para trabalhar bem com o enredo da forma que eu quero, vou fazer mais um capitulo com alguns flashbacks, desta vez contando o ponto de vista da Tsunade, que vai esclarecer pontos importantes para a continuidade da fic.
Bem, se vocês quiserem se envolver mais com a historia, sugiro que escutem a musica "flores em você" do Ira... eu estava trocando os cs no carro e por acaso coloquei esta musica! Foi tudo que eu precisei p me inspirar e terminar de escrever este singelo capitulo.
Gostaria de agradecer ao Beta e a paciência das minhas amigas Bella Lamounier, Mikky e Sofy, alem das reviews das minhas leitoras que estão me dando animo para continuar com minhas maldades ( sim, a culpa também é de vocês XD )
Quero agradecer as reviews da Yami no Goddess,Anko, Debizinha Mitsashi Hyuuga, Aoshi gigi e Uchiha Harumi – cada review é um incentivo para continuar criando maldades a cada capitulo.
Ah, como spoiler da fic, já tenho outro casal montado de suma importância: Shikamaru e Temari! Eu amo esses dois e vou por eles em destaque também. Estou estudando Neji e Tenten, mas ainda n peguei direito o jeitão deles... assim q eu conseguir escrever fielmente os dois, eles aparecerão mais por aqui também.
Vocês já perceberam o que esta acontecendo com a Sakura? Pois bem... quem ainda não se ligou vai ter que esperar pelo 3º capitulo da fic (hohoho, sou má, não sou?)
Comentários, sugestões ou criticas serão sempre bem vindos!
Kissus
Artis
