Disclaimer:Naruto & Cia não me pertencem, mas... será que eu posso ao menos negociar o Itachi e o Sai?

V – Sombras do passado

Como tantas outras vezes, ela se vê perdida em meio de uma floresta escura, com a sensação incômoda de estar sendo vigiada, correndo de um inimigo aparentemente invisível e sem nenhum rumo definido.

"Você não pode se esconder"

A voz fria e calculista ecoa de algum ponto impossível de ser identificado, fazendo-a parar de súbito em meio a uma clareira na floresta onde se encontrava, arregalando os olhos esmeraldas. Sentindo o coração bater acelerado, a jovem se arma de uma kunai e tenta inutilmente localizar seu perseguidor.

"Uma kunai não a defenderá de seu destino, criança tola"

Uma gota de suor correu pelo rosto da jovem que, assustada, avistou em meio à densa vegetação ao seu redor um par de olhos vermelhos sangue.

"Quem é você? Por que você está me seguindo assim, o que você quer afinal?", a jovem gritou, começando a se sentir paralisada pelo pânico que a invadia.

A resposta foi uma risada irônica, e uma nova ameaça:

"Ninguém foge de seu destino, 'Haruno'"

O estranho caminhava lentamente em direção à clareira, olhando-a como um animal selvagem prestes a avançar sobre sua presa indefesa.

Um predador de negros e longos cabelos que estavam amarrados em um rabo de cavalo, um shinobi de tez clara e os olhos escarlates e penetrantes.

Uma figura bela e assustadora ao mesmo tempo e que lhe parecia estranhamente familiar.

"E ao contrário do seu mundo cor de rosa de hoje, seu futuro será manchado de sangue e corrompido pelo ódio"

"Eu não acredito em você! Isso nunca vai acontecer! Eu não tenho motivo para odiar ninguém!", a jovem gritou de volta, em um breve momento de valentia.

Entretanto, ao contrário do que ela podia esperar, o estranho a observou em silêncio por alguns instantes apenas para sorrir e dizer:

"O sangue que corre em suas veias já está corrompido pelo ódio há muitas gerações. É apenas uma questão de tempo para que você desperte para esse sentimento"

Com um pequeno movimento, o estranho conjurou uma revoada de corvos que passaram a cercá-la, envolvendo-a na mais completa escuridão.

"Porque todos nós fomos amaldiçoados a nunca sermos felizes"

"E este, 'Haruno', é o seu destino"

"-!"

Você já teve um daqueles dias que você tem a impressão que não deveria ter saído de casa? Eu costumo ter vários desses durante o mês. Não que eu seja uma dessas pessoas negativas que ache que a vida é uma droga e que em algum lugar no universo Kami estava entediada demais e resolveu me usar para aliviar o stress de ter que gerenciar o Chaos e a Ordem das coisas.

Eu não me considero popular, mas as pessoas vivem dizendo à minha mãe que eu sou uma das pessoas mais adoráveis que elas já conheceram, mesmo que não tenhamos trocado mais que meia dúzia de palavras. Na verdade, sou tímida mas bem sociável quando conheço melhor as pessoas.

O problema é que eu odeio ser o centro das atenções e quando muita gente começa a me olhar o meu lado atrapalhado acaba emergindo, o que quase sempre piora ainda mais a situação.

Como por exemplo, agora (voltemos à situação atual, após o meu singelo grito).

"-Haruno... Espero que você tenha uma justificativa razoável para se opor com tanto afinco à aula de genjutsu básico", Anko bronqueou, irritada.

Ok. Este é o momento em que a terra devia abrir um buraco e me sugar, eu sei. Anko-sensei é conhecida por ser uma ninja habilidosa com tendências sádicas (ser ex-aprendiz do Orochimaru certamente tem algo a ver com isso) e por isso eu teria que arrumar uma desculpa muito boa ou ter uma porção de Dango na bolsa para tentar subornar a professora (que era famosa por ser uma viciada em açúcar) e tentar sair daquela confusão com uma punição mais amena.

Como nenhuma das duas opções anteriores me pareceu possível (eu não conseguia pensar em nada que não parecesse estúpido demais para justificar meu surto e nem tinha doces na bolsa), respirei fundo e me resignei ao fato de ter que ficar as próximas semanas fazendo treinamento extra por castigo, mas quando eu menos esperava acabei sendo salva pelo gongo.

"-Anko-sensei, gostaria de me desculpar, Haruno-san acabou sendo atingida pelo meu genjutsu" – disse uma voz masculina do lado de fora da janela, atraindo a atenção de todos para o lado de fora da sala.

"-Akimichi! O que você quer dizer com isso? Porque você está aqui? Você não deveria estar em missão com seu time?", desconfiada, Mitarashi Anko estreitou o olhar para o jovem chuunin que coçava a cabeça em sinal de nervosismo.

Permitam-me fazer uma observação: meu salvador se chama Akimichi Hideki, filho mais velho da melhor amiga de minha mãe (Akimichi Ino) e que apesar de alto, é quase dois anos mais novo que eu, tem os cabelos longos amarrados em um rabo de cavalo alto (como Inoichi-san e a própria Ino-san) e olhos tão azuis quanto os do meu padrinho. Hideki-san se tornou chuunin no ultimo Chuunin shiken, apesar de ser tão tímido quanto eu e de ter um ar eternamente melancólico.

"-Minha missão acabou mais cedo e okaa-san me pediu para encontrar com Inoko e fazer umas compras... Eu quis jogar o genjutsu nela, mas acabei acertando Kaori-chan por engano e...", o jovem Akimichi engoliu a explicação com um meio sorriso sem jeito enquanto Anko-sensei suspirava, visivelmente inconformada com a péssima desculpa de Hideki-kun.

"-Mais uma dessas e eu dou um jeito de te rebaixar a genin novamente, gaki, entendeu?" – o olhar assassino de Anko-sensei muitas vezes era mais eficiente que qualquer ameaça vocalizada, então assistimos Hideki-san engolir seco e desculpar-se mais uma vez antes de dizer que esperava pela irmã no mercado e de me sorrir sem jeito, sumindo em um rodamoinho de folhas logo em seguida.

No final das contas, o dia não ia acabar tão mal, não é? Aparentemente eu ia conseguir me livrar sem ter que me esconder em um buraco, o que me fez respirar novamente, aliviada.

"-Haruno-san".

Ou não. Droga.

"-E não pense que eu engoli a desculpa do genjutsu errado. Da próxima vez que dormir na minha aula, garanto que o quer que você tenha sonhado, vai parecer brincadeira de criança perto do meu genjutsu mais fraco." , Anko-sensei avisou, olhando-me de soslaio , "Fui clara?".

Ótimo. Depois desse olhar, tenho dúvidas se conseguirei dormir novamente em algum momento na minha vida.

"-Sim, sensei", respondo, engolindo seco.

"-Ótimo, então venha aqui na frente e mostre para a sala como fazer os selos deste genjutsu da pagina 45", minha sensei disse, ao retornar a mesa para exibir a pagina do livro que estávamos estudando antes do meu pesadelo quase acabar com a minha vida.

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Muitas demonstrações de genjutsu depois, Kaori pôde finalmente respirar aliviada ao termino das aulas e ter uma oportunidade de sair de perto de sua professora sádica o quanto antes.

Apressada, Kaori recolheu seu material e seguiu pelo corredor em direção à saída, encontrando com uma de suas poucas amigas que a estava aguardando próxima ao portão principal.

"-Hoy, Kaori-chan, Anko-sensei pegou no seu pé hoje, não foi?", uma gordinha sorridente perguntou, em tom divertido.

Akimichi Inoko havia herdado a estrutura física do pai, e tinha olhos e cabelos castanhos claro e um enorme coração. De sua mãe, Inoko havia herdado o carisma que a tornava uma das garotas mais populares da academia, mesmo com seus quilinhos excedentes.

"-Pois é... se bem que eu também tive minha parcela de culpa não é?", Kaori sorriu, sem graça, "-Agradeça ao seu irmão, Inoko-chan... Hideki-kun se arriscou de forma desnecessária, mas confesso que foi um alivio que ele tenha conseguido desviar o foco da Anko-sensei de mim naquela hora".

"-Não se preocupe, Kaori-chan, Hideki-baka só brinca de herói quando se trata de você, sabe", Inoko disse, notando a amiga corar, "não sei como meu irmão conseguiu virar chuunin no ultimo chunnin shiken, mas é bom saber que ele se arrisca de vez em quando".

"-Não fale, assim Inoko-chan! Ele é seu irmão!", Kaori riu, ignorando a insinuação da amiga.

"-Hm... Você sabe como é...", Inoko brincou, pegando um pirulito da bolsa e colocando na boca, "isso só é mais motivo para chamar ele de baka... irmãos são assim mesmo. Alias, por onde anda aquele pedaço de mau caminho mais conhecido como seu irmão?".

"-Inoko! Isso lá é jeito de falar do Yuki?", Kaori riu, já sabendo o quanto o irmão se irritaria ao ouvir comentários 'típicos de fan-girls inconvenientes', como ele mesmo definia. "-Ele não veio à aula para se preparar para os exames, e além disso, você sabe como ele fica quando você e suas amigas falam desse jeito dele".

"-Kaori-chan, você só diz isso porque você é irmã dele, ou teria a mesma opinião que as outras moças da academia", Inoko riu, piscando para Kaori, "eu ainda vou conseguir convencer você a termos um encontro duplo, eu levo meu irmão e você leva o seu".

"-Acho que vai ser mais fácil conseguir a paz no mundo shinobi que convencer o Yuki a ir a um encontro arranjado, Inoko-chan, e você sabe disso", Kaori riu ao lembrar de como o irmão era rápido para descartar as meninas que insistiam em chamá-lo para sair.

"-É, eu sei, mas não custa tentar, não é? Bem, eu te vejo amanhã então. Meu aniki está me esperando, então é melhor que eu não me atrase mais ou ele vai acabar fazendo as compras sozinho. Já ne."

Kaori acenou para a amiga, e seguiu em direção à área de treinamento mais próximo da floresta, onde ela e seu irmão costumavam treinar com sua mãe desde que esta havia decidido matriculá-los na academia ninja.

Franzindo o cenho, a jovem Haruno caminhava pensativa, lembrando de como fora difícil convencer sua Okaa-san de deixá-los seguir a carreira shinobi, o que deixava todos em Konoha muito confusos. Afinal, sendo uma kunoichi habilidosa e com fama de ter ultrapassado as habilidades de sua Shishou, era esperado que Sakura incentivasse os filhos a seguirem o mesmo caminho.

Fora assim com os irmãos Akimichi e a grande maioria das crianças de família shinobi que eles conheciam, mas Sakura parecia irredutível até que acontecera aquele incidente no resort de águas quentes há alguns anos, quando ela se perdera da mãe e do seu padrinho e encontrara um artista de Iwa que a devolvera sã e salva à sua família.

Naquela ocasião, seu padrinho fora atacado por dois nukenins da temida Akatsuki, mas ela tinha poucas lembranças daquela da batalha épica. Tsunade havia explicado a Sakura que o trauma fora tão grande para Kaori que seu inconsciente havia criado um bloqueio que a impedia de recordar da batalha como um todo.

E mesmo aqueles rápidos flashes da batalha já haviam sido suficientes para tirar o sono de Kaori, que ainda hoje tinha pesadelos com os dois nukenins que tentavam raptar seu padrinho e que por um momento pareceram ter interesse em raptar seu irmão também.

Flashback

"-Yuki-chan! Kaori-chan quer brincar de esconde-esconde!", a menina de cabelos lilases arroxeados presos em duas Maria-chiquinhas tentava convencer o irmão a brincar ao invés de ler o pergaminho que ele tinha em mãos.

"-Se eu quiser ser um Hokage melhor que o inútil do seu padrinho, não posso perder tempo com brincadeira de criança, Kaori-baka", o menino respondeu, sem ao menos tirar os olhos do pergaminho que tinha em mãos, apenas virando para o outro lado tentando ignorar a irmã que tentava convencê-lo a brincar nos últimos 15 minutos.

"-Eu ouvi isso seu pirralho petulante!", Naruto respondeu ao menino que resmungou um 'e eu com isso' e deu de ombros continuando sua leitura, fazendo o Hokage ter vontade de torcer o pescoço do moleque irritante à sua frente.

Entretanto a leitura de Yuki fora interrompida por sua mãe, que incomodada com a indelicadeza do filho, tirara o pergaminho do menino para repreendê-lo:

"-Yuki-chan, se você não aprender a respeitar o próximo, você nunca vai ser ninguém quanto mais Hokage", Sakura disse ao filho, cruzando os braços em ar de desaprovação."Desculpe-se com o Naruto e vá brincar um pouco com sua irmã, sim?".

Rindo da cara emburrada do filho, Sakura observou o garoto resmungar uma desculpa para o Hokage para em seguida ir de encontro com a irmã.

Kaori parava sem falar milhares de coisas que Yuki sequer se deu o trabalho de prestar atenção enquanto eles se afastavam dos adultos. Quando já estavam a uma distancia razoável de Sakura, o menino interrompeu o falatório da irmã com uma proposta inusitada:

"-Vamos fazer um acordo? Você se esconde primeiro e, se eu conseguir te encontrar em até 20 minutos você vai me deixar estudar meu pergaminho o resto do dia em paz", o menino disse, estreitando o olhar para a irmã gêmea.

"-E se Yuki-chan não me encontrar em 20 minutos?", Kaori retrucou, tentando imitar a postura mal humorada do irmão.

"-Hm... na remota hipótese disso acontecer" Yuki desdenhou – "Eu prometo brincar com você hoje e amanhã."

Animada com a proposta, Kaori aceitou as condições impostas pelo irmão e, sem perder tempo, se afastou para procurar um bom esconderijo.

O que o irmão não sabia, entretanto, era que o padrinho dela, Uzumaki Naruto, havia ensinado alguns truques básicos a ela - o henge e kawarimini. Como Sakura sempre havia sido contra os filhos se tornarem ninjas, este passou a ser um segredo entre o Hokage e a afilhada, e naquele dia esse conhecimento daria a ela uma vantagem sobre o irmão.

A habilidosa peralta subiu em uma árvore próxima e efetuou os selos do henge com as mãozinhas pequenas, transformando-se em um esquilo. Enquanto esperava o irmão terminar de contar até cem, ela tentava conter sua ansiedade e passou a se distrair admirando a vista privilegiada do seu esconderijo: dali era possível ver uma parte do resort onde eles estavam hospedados de um ângulo, seu irmão de outro e, um pouco mais a frente era possível enxergar seu padrinho e sua mãe conversando despreocupados.

A voz de Yuki dizendo que já estava à procura dela a fez concentrar-se novamente em mascarar sua presença, sabendo que o irmão não iria entregar os pontos facilmente.

"-Aposto que isso tem dedo daquele Hokage de meia tigela. A baka da minha irmã deve estar usando algum jutsu que aquele mala ensinou para ela" - Já haviam passado cerca de 15 minutos e Yuki ainda não havia encontrado o esconderijo de sua irmã. O pequeno Haruno praguejava, não acreditando perderia o desafio que ele havia proposto.

Coçando a cabeça e franzindo o cenho, Yuki suspirou e cruzou os braços, irritado. Kaori devia estar muito próxima dali se divertindo às custas dele, provavelmente já preparando a lista de atividades para os próximos dias.

"-Um ninja deve ser capaz de enxergar através das entrelinhas" – o menino murmurou, ainda emburrado enquanto os olhos esmeraldas vasculhavam os arredores em busca de pistas. Kakashi, seu padrinho, sempre lembrava o menino que poucas pessoas sabiam se mesclar ao ambiente com perfeição, então tudo o que ele precisava fazer era procurar com calma.

Afinal qual era a pressa? Ele ainda tinha 5 minutos para se livrar de um dia e meio de brincadeiras e gritarias com sua imouto.

"Mesmo que ela tenha usado um jutsu, é algum de nível básico, como um henge", o menino pensou,"então tudo que eu preciso procurar é algo que destoe do lugar onde estamos".

Não houve uma árvore, pedra ou moita que passasse desapercebido pelos olhos atentos do menino, que agora prestava atenção aos pássaros e animais pequenos que o observavam com curiosidade.

Passados 4 novos minutos, Yuki continuava a procurar pela irmã quando ouviu um barulho em um galho não muito alto onde havia 2 esquilos.

Um deles estava visivelmente acuado frente a um outro de outra espécie que não parecia feliz de encontrar o medroso em seu território. Yuki observou aquela cena mais alguns segundos antes apontar para o esquilo medroso e dizer:

"-Kaori, essa espécie de esquilo não existe nesta região. Considere-se pega".

"-Yuki-chan! Faltava só um minuto!" - Com um sonoro 'puff' o esquilinho medroso desapareceu, surgindo a menina de cabelos lilases em seu lugar, o que quase enfartou o esquilo valente, que com o susto acabou caindo do galho na frente de Yuki - "Yuki-chan não pode brincar comigo pelo menos hoje?"

O pobre do esquilo havia batido a cabeça durante a queda e permanecia inerte no chão, próximo ao garoto, entediado pelo drama da irmã.

"..." – Com as mãos no bolso, Yuki cutucou com o pé o esquilo desmaiado à sua frente e com a cara mais seria do mundo falou:

"-Acho que você matou o esquilo, Kaori-baka. O que vai ser da próxima vez? Um guaxinim?"

Antes que a menina pudesse retrucar, uma explosão veio da direção onde os adultos se encontravam, desviando a atenção dos irmãos sobre o problema do esquilo.

"-Não saia daqui, entendeu?" – Yuki gritou para irmã que fez menção de descer da árvore.

"-Yuki-channnnn! Kaori-chan não quer ficar sozinha!", Kaori choramingou, engolindo o choro ao receber outro olhar estreitado do irmão.

"-Se você vai ficar chorando é melhor ficar escondida. Um ninja não deve chorar, esqueceu?", o garoto respondeu, seco, emendando a contragosto: "seu padrinho é um baka, mas ele é forte, você quer deixar ele preocupado ao ouvir seu choro no meio da luta?"

Kaori enxugou as lágrimas e concordou que ficaria lá até que eles viessem buscá-la, e soluçando, observou irmão afastar, correndo em direção ao campo de batalha.

Depois disso as lembranças vinham em imagens confusas e aleatórias: cenas desconexas da batalha onde dois homens de sobretudos negros com nuvens vermelhas atacavam o Hokage e sua Okaa-san, até um momento onde Yuki havia ficado na linha de ataque dos inimigos, o que funcionou como um gatilho para despertar o sharingan deles. Durante o ataque, Kaori fora forçada a sair de seu esconderijo, pois os ataques de Katon do homem de cabelos negros havia atingido a árvore onde ela estava escondida, o que acabou aprisionando-a em meio de um incêndio.

O mais assustador para Kaori fora o fato que, apesar de não terem feito nenhuma menção de ter reconhecido sua presença, enquanto os inimigos pareciam ter mudado o foco de derrotar seu padrinho para raptar seu irmão, o homem de cabelos negros e de olhos com o sharingan cruzou o olhar com ela e, mesmo a distancia, pareceu invadir a mente de Kaori por uma pequena fração de segundos.

Essa fração de tempo fora suficiente para deixá-la paralisada de medo em meio ao incêndio que ocorria ao seu redor, até que a fumaça negra e tóxica a fizera desmaiar no chão.

Ao acordar, Kaori gritou em plenos pulmões no recinto escuro que se encontrava, quando sentiu uma mão em seu ombro. Ao olhar para ao seu redor, encontrou a expressão preocupada de sua mãe, que pelas olheiras escuras no rosto, parecia não dormir direito há algum tempo.

Sakura abraçou a filha com o cuidado de quem abraçava uma boneca de porcelana que poderia quebrar caso ela a abraçasse com mais força,recostando o queixo sobre a cabeça da menina que agora estava apoiada em seu peito.

Lágrimas salgadas passaram a surgir dos olhos da médica-nin, que, aliviada, acariciava a cabeça da filha, agradecendo a Kami-sama por não ter levado sua princesa embora.

Poucas foram a vezes que a menina vira a mãe chorando sentida daquela forma, normalmente por conta do pai que ela nunca conhecera mas que as fofoqueiras de Konoha garantiam que fora o único amor da vida de sua mãe.

E neste dia, Haruno Kaori jurou que nunca mais faria sua Okaa-san sofrer daquele jeito.

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"-Kaori-chan? É você mesmo?"

Kaori despertou de seus devaneios para encontrar o namorado de Shizune-san que acenava para ela com um sorriso bem humorado.

"-Como vai, Genma-san? Achei que você estivesse em uma missão fora da vila.", Kaori cumprimentou-o, simpática.

"-Oh, devo estar perdendo meu charme", Genma fingiu-se de ofendido, dando uma piscadela para a menina, "Primeiro, Shizune praticamente me expulsa da torre do Hokage dizendo que eu preciso me preparar para minha missão, e agora você quer me mandar para fora da vila, Kaori-chan?"

"-Oh!, me desculpe se dei essa impressão, Genma-san, não era isso que eu quis dizer..", Kaori passou a desculpar-se desesperada pelo fora. Para diversão do Jounin, a adolescente estava vermelha de vergonha e não tinha percebido que ele estava apenas brincando.

Mas a diversão do mestre dos senbons durou pouco, pois novas vozes se uniram à conversa:

"-Eu realmente não entendo o que minha madrinha, enxerga nesse sujeito.", a voz entediada de Yuki ressoou do alto de uma árvore.

"-Senpai, até quando você pretendia atormentar a pobre menina?", uma voz melodiosa e feminina se fez ouvir momentos antes da dupla descer dos galhos e se aproximarem de Genma e Kaori.

Tori Amaya, ex-aluna de Genma era uma bela kunoichi de longos cabelos azuis cobalto, presos em um rabo de cavalo alto. Os olhos ametistas e a pele clara completavam o conjunto exótico da jovem que era parte do time de espionagem de Konoha, mais conhecido como Yuuhei(assombração).

"-Ah, Amaya! Isso é jeito de falar com seu Senpai", Genma bagunçou a franja da ex-aluna que se limitou a estreitar o olhar para ele enquanto ajeitava o cabelo novamente, "Imaginei que você tivesse resolvido treinar o prodígio dos Haruno novamente. Como foram os treinos?".

"-Como sempre, Yuki-san aprende rápido", Amaya comentou com sua usual voz comedida,"mas creio que você não veio fiscalizar nossas aulas extracurriculares, não é Senpai?", a garota emendou, observando o Haruno rolar os olhos pelo comentário do Jounin.

"-Ok, ok... Kami, o que acontece com essa juventude de hoje?" Genma suspirou, inconformado,"Hokage-sama está me enviando para uma missão de reconhecimento e devo ficar um tempo fora, então você terá que por ordem na casa por uns dias. Não deve ser nada serio, mas será uma missão longa, então boa sorte para por na linha aquele seus companheiros de equipe."

"-Acho que vou precisar mais que sorte para fazer isso", Amaya suspirou, lembrando que da ultima vez ela acabara quase enlouquecendo com a bagunça da casa."Não sei como vocês homens conseguem ser tão desordeiros, Senpai."

"-Em ultimo caso, você sempre pode passar um tempo conosco, Amaya-san, você sabe que minha mãe sempre gostou muito de vocês. Na verdade poderíamos fazer uma troca: se você ficar conosco em casa, podemos mandar o Yuki para fazer companhia para o Sora e o Akira", Kaori riu, enquanto Yuki resmungava um 'muito engraçadinha'.

"-Alias, Kaori-chan, em breve vocês devem se tornar genins, não é?", Genma comentou, animado."-Vocês devem estar ansiosos para saber qual será o time de vocês e iniciar a vida como um shinobi de Konoha, eu imagino."

"-As provas finais começam na próxima semana, mas os professores disseram que com o nosso desempenho nós estaremos em alguma missão rank D antes do fim do mês.", a adolescente respondeu, animada. "Você sabe como são divididos os times, Genma-san? Por mais que eu peça ao meu padrinho, ele só diz que SE nós passarmos, vamos ter um time especial".

Amaya riu do muxoxo da menina à sua frente, lembrando de como ela mesma estava animada às vésperas das provas finais. A verdade é que a escolha dos times era o momento mais esperado por todo aspirante a ninja desde o 1º dia da academia.

"-Não se preocupe com isso, Kaori-chan. Tenho certeza que Hokage-sama tem algo especial na manga preparado para vocês. Às vezes as escolhas podem parecer estranhas, mas por experiência própria posso dizer que os times se completam com perfeição.", a Jounin comentou abraçando Genma."-Não consigo imaginar um outro Jounin coordenando o time Yuuhei que não fosse meu Senpai."

"-Isso porque na sua época a Hokage era Tsunade-Sama," Yuki pontuou."-Conhecendo o padrinho da minha irmã, é bem capaz de dele nos colocar em um time com o aquele esquisito de sobrancelhas grossas que vive convidando minha Haha-ue para sair", o Haruno resmungou com cara de nojo e arrancando risadas dos presentes.

"-Lee-kun é hiperativo como Gai, mas é um excelente shinobi. Eu acho pouco provável que você e Kaori-chan sejam colocados no time deles desde que o forte de vocês dois é genjutsu e ninjutsu", Genma explicou."-Na verdade, a escolha dos jounins que receberão vocês como aprendiz tem agitado as reuniões do conselho no último mês, mas até onde eu sei ainda não conseguiram decidir quem assumirá essa responsabilidade, então, tenham paciência. Vamos para casa Amaya? Preciso me preparar para a minha missão".

A jovem assentiu com a cabeça, e após se despedirem dos irmãos Haruno, Genma e Amaya desapareceram em um rodamoinho de folhas.

"-Você acha que eles nos colocarão em times diferentes?", Kaori perguntou ao irmão, enquanto retornavam para casa.

"-Seria o mais provável", Yuki respondeu, pensativo."-Normalmente integrantes da mesma família tem as mesmas técnicas e os times precisam de integrantes que se complementem, então o procedimento padrão é que membros do mesmo clã sejam colocados em times diferentes".

"-Oh... que pena. Eu gostaria de ficar no mesmo time que você, Yuki", Kaori confessou, um pouco decepcionada.

Yuki desfez a expressão usualmente séria e deu um sorriso sincero para a irmã, passando o braço pelos ombros dela, consolando-a:

"-Eu também gostaria que ficássemos no mesmo time. Afinal, como eu poderia confiar a segurança da minha irmã cabeça de vento a um desses idiotas da academia?".

Kaori riu dele, pois sabia que apesar do irmão ser sisudo e anti-social demais para a idade, que ele realmente se preocupava com ela e com Sakura.

Yuki era um pouco mais alto que ela, e tinha uma beleza quase feminina - embora ninguém tivesse coragem dizer isso em voz alta pois acabaria massacrado pelas fãs do irmão ou por ele mesmo. Os olhos do rapaz eram de um verde mais escuro que as folhas das árvores, diferente dos olhos dela que eram tão claros quanto os de Sakura.

Mas, o grande charme do irmão eram os cabelos negro-azulados que pareciam sempre levemente desarrumados e que arrancavam suspiros pelos lugares por onde ele passava.

Era inevitável olhar para o irmão e imaginar se ele era de alguma forma parecido com o pai que eles nunca haviam conhecido, um assunto que sempre fora proibido na casa dos Haruno e que Kaori sabia que nunca deixava a mente do irmão.

De qualquer forma, talvez fosse melhor que eles esquecessem esse assunto de vez para se dedicarem de corpo em alma a essa nova fase que se iniciaria em breve, pois se até então o 'suposto' pai deles não havia demonstrado interesse de conhecê-los, por que eles deveriam se dar o trabalho de descobrir sua identidade?

Kaori sorriu para o irmão novamente, e em silêncio continuaram a caminhar, cientes que o elo que os unia nunca mudaria independente do que o futuro os reservava.

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Enquanto isso na torre do Hokage

"-Hokage-sama, peço que reconsidere sua decisão. Sabemos dos riscos envolvidos em separar os irmãos Haruno, mas Konoha tem poucos médicos com habilidade ou o potencial que os filhos de Haruno-san, e seria um desperdício mantê-los no mesmo time por uma suposição", um dos membros do conselho opinou.

"-Eu não chamaria o despertar do sharingan de Kaori-chan de suposição, dattebayo!", Naruto respondeu, irritado pela insistência de separar os irmãos Haruno em times distintos.

"-Kaori é filha de Sasuke como Yuki, e é importante mantê-los sob os cuidados de alguém que possa protegê-los e orientá-los a como usar a kekke genkai deles."

"-Mas, até onde eu sei, não existe nenhum registro de uma mulher do clã dos Uchiha que tenha despertado o sharingan. Por que você está tão seguro que essa menina será diferente? Por acaso você tem alguma informação que não nos foi repassada?" um segundo conselheiro questionou.

"-O sharingan é uma kekke genkai que somente é despertada e evoluída pela exposição do seu usuário à batalha e, até onde fui informado, as mulheres dos clã Uchiha eram obrigadas a deixarem a carreira shinobi tão logo se casassem e passavam a ser apenas responsáveis em dar à luz a quantos filhos fossem desejados pelos seus maridos. Kaori deseja ser uma kunoichi de Konoha, e isso pode abrir precedente para que ela se torne a 1ª mulher usuária de sharingan de nossa vila", Naruto enfatizou, apoiando as mãos na mesa e encarando os membros do conselho.

"-Concordo que seria um risco para Konoha perder o sharingan para outra vila caso ela não esteja sob a supervisão de um jounin habilidoso", Shikaku se pronunciou pela 1ª vez desde o inicio da reunião, "mas esse é um problema ainda maior se considerarmos que Yuki-kun já utiliza seu sharingan com uma certa freqüência. Uma vez que ele se forme genin, o segredo de Haruno-san deixará de existir assim que o time do garoto cruzar com alguém que já tenha lutado com algum dos Uchihas. Não me agrada saber que esse garoto problemático pode passar a ser alvo por ser a geração mais recente do sharingan".

Os membros do conselho começaram a debater sobre os problemas citados por Nara Shikaku e em poucos segundos a sala do conselho parecia ter se tornado um barulhento mercado de peixes, onde cada um argumentava contra ou a favor de deixar os irmãos no mesmo time ou mesmo de permitir que eles se formassem ate que fosse escolhido alguém forte o suficiente para evitar que a linhagem avançada dos Uchiha fosse furtada de Konoha.

"-Rokudaime-sama, você já tem em mente um candidato para liderar esse time?", foi a vez de Yamanaka Inoichi questionar.

"-Na verdade, eu já escolhi os demais membros dessa equipe. O jounin já deveria ter chego, mas acho que era pedir demais para um cão velho aprender truques novos", Naruto resmungou, coçando a cabeça para ouvir uma voz vinda do teto:

"-Yare, Yare... Isso é jeito de falar com seu velho sensei, Hokage-sama?" cortando o fluxo de chakra da sola de seus pés, Hatake Kakashi soltou-se do teto da sala do conselho para aterrissar elegantemente sobre a mesa de reunião: "Yo! Há quanto tempo, não é?"

"-Você esta atrasado, velhote. Resolveu tirar gatos das arvores ou ajudar velhinhas a atravessarem a rua desta vez?", Naruto cumprimentou o antigo professor com seu conhecido sorriso de raposa, voltando-se em seguida para o conselho:

"-Senhores, oficializo a vocês o jounin líder do novo time 7: Hatake Kakashi. Creio que ninguém aqui duvida que ele seja a melhor pessoa para orientar os irmãos Haruno no uso do sharingan ou para protegê-los de qualquer ameaça"

E como era de se esperar, ninguém se opôs à idéia de Kakashi liderar a nova equipe, deixando todos ansiosos para saber como seria o trabalho de equipe assim que seu quarto membro chegasse em Konoha e fosse apresentado aos irmãos Haruno.

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Ola pessoas... bem que dizem que vaso ruim não quebra – demorei mas voltei a escrever essa historia. ID continua sendo meu projeto principal, mas ultimamente tem sido muito mais simples para mim desenhar os personagens do que escrever sobre eles.

O que vocês acharam deste capitulo? Estou estruturando o próximo para que a atualização saia mais rápido ( pelo menos uma por mês ) mas já aviso de antemão que depende da minha vida profissional ( complicada ) conseguir atingir essa meta.

Para quem gostaria de conhecer os personagens, entrem no meu deviantart pgushi deviantart com /gallery/#Ironies-of-Fate que vocês poderão identificar cada um dos OCs citados na historia.

Bjos

Artis

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Próximo capitulo: A chuunin da vila da Areia