Sumário: Escolheu a morte simplesmente porque estava cansado de sobreviver.
Harry Potter pertence a JK Rowling.
Presente para Swan e Miih.
Fanfic betada por Narcisa Le Fay, mais uma vez.
Till death do us apart
Projeto Império Violeta.
Música: What about now? (Daughtry)
Quando houve luz novamente, Pansy soube imediatamente que aquela realidade, aquela viagem não era sua. Estava apenas pegando carona, por assim dizer.
À sua frente, estava Harry James Potter.
Morto.
Capítulo I – What if you're making me all that I was meant to be?
Escolheu a morte simplesmente porque estava cansado de sobreviver.
Assim que teve a certeza de que Voldemort não mais retornaria, sentou-se na cadeira à frente de Dumbledore e pensou. Pensou muito.
Era simplesmente desgastante ver que era sempre o último a permanecer de pé. As pessoas perderam tanto para a guerra – para ele – que Harry percebeu que talvez fosse a vez dele permanecer em silêncio, permanecer de olhos fechados e rosto sereno.
Perguntou ao Professor o que ocorreria se ele fosse embora e recebeu um sorriso calmo que lhe respondeu tudo. As pessoas seguiriam em frente, ele seria o herói que nunca foi e histórias sobre suas façanhas seriam contadas. Talvez até virasse um card de Sapo de Chocolate! Riu do pensamento e Dumbledore também. Voldemort, ainda embaixo da cadeira, urrou de dor perante àquela felicidade que ele nunca mais poderia compartilhar – se é que já o fizera – e o silêncio retornou ao local.
- Acho que eu preciso ir. – murmurou Harry, os olhos presos à mesa – Foi bom vê-lo de novo, Professor.
Dumbledore acenou com a cabeça e se levantou, indo em direção ao ser estranho, escondido como uma criança chorosa.
- E eu preciso levar Tom aonde ele precisa ir. Você sabe, acho que ele não conhece o caminho. Dentre as coisas que perdeu quando vivo, estava a habilidade de ir à direção correta. – seus olhos brilharam por detrás dos óculos – Espero te ver de novo, Harry.
O garoto sorriu.
- Eu também, Professor.
Virou-se para partir, mas decidiu permanecer um pouco mais. Ainda tinha muitas perguntas a fazer.
X
Encarou Pansy Parkinson por um longo momento antes de dizer alguma coisa. Não esperava encontrar mais alguém além dele naquele local, muito menos ela. Retrocedeu alguns passos, por razão nenhuma, e tentou voltar a respirar. Quando o ar pareceu voltar ao seu cérebro, a única pergunta que saiu de sua boca foi a mais tola, e a mais importante.
- O que está fazendo aqui?
Um brilho que ele conhecia pareceu trazer Parkinson de volta à realidade – aquela, nesse caso – e, com um sorriso cínico no rosto, respondeu, sarcástica demais para uma falecida:
- Aparentemente, a mesma viagem que você, Potter.
Harry franziu o cenho.
- Você me entendeu, Parkinson. Por que você está aqui? Como foi que você morreu? Por quevocê morreu?
A garota ajeitou-se no banco nervosamente, colocou o cabelo atrás de sua orelha – um gesto que Harry pôde notar ser uma maneira de se acalmar – e com a voz hesitante começou a falar:
- Fui morta por um Comensal quando saía da Casa dos Gritos. – murmurou baixinho – Ele me viu, achou que eu estava indo atacá-lo, ou fazer alguma coisa, e então levantou a varinha e me matou. Simples assim, como sempre. Acho que meu corpo só vai ser encontrado amanhã.
Harry se sentou na frente da garota e apoiou as mãos nos joelhos. Analisou o rosto de Parkinson e, mesmo sabendo que ela não estava gostando do assunto, continuou:
- Por que estava saindo da Casa dos Gritos?
A Slytherin lhe deu outro sorriso cínico.
- Acho que, quando sua escola entra em guerra, o normal é tentar ir para casa, certo?
- Estava procurando um lugar para aparatar?
- Você é tão perspicaz, Potter! – disse, um pouco mais alto, o sarcasmo transformando cada palavra em um ataque pessoal ao garoto. Logo ela conteve-se e, baixando os olhos, murmurou algo que Harry acreditou que nunca ouviria: – Desculpe. Não consigo me controlar.
- Não há problema nenhum.
E os dois sabiam que as desculpas da garota eram simplesmente porque não queria ficar sozinha. Ou, pelo menos, era o que Harry achava.
Um silêncio estranho – daqueles que você só tem quando não conhece a pessoa com quem está viajando ou não gosta dela – apoderou-se da cabine e do trem e permaneceu pelo que pareceram ser segundos. Harry se perguntou quanto os segundos na morte contariam em vida, mas depois tentou afastar esse pensamento; era demasiado deprimente.
Vez ou outra observava o rosto de Parkinson, que parecia travar uma luta contra si mesma, para depois baixar os olhos para suas roupas ou para o chão. Ouviu-a suspirar, depois de certo tempo em silêncio, e voltou a encará-la, sabendo que ela lhe perguntaria alguma coisa – mas como sabia disso, não tinha a menor ideia.
- Por que estava abrindo as cabines?
- Não entendi.
- Você estava abrindo as cabines, Potter. Você sabia que alguém estaria aqui? Ou fez isso por diversão?
- Ah... Uma pessoa me contou que alguém estaria aqui.
- Uma pessoa? Mas quem?
- Professor Dumbledore.
O rosto de Pansy contraiu-se em surpresa.
- Como é que é?
X
- Professor... Você já esteve onde eu tenho de ir?
- Ora, meu caro, se eu lhe contasse, perderia a graça!
- Mas eu tenho de ir sozinho? Não posso esperar o senhor voltar e depois ir com o senhor?
Um sorriso.
- Meu caro, essa viagem nunca se faz sozinha. Sempre há alguém para lhe acompanhar, seja lá para onde você tenha de ir.
- Quem foi com o senhor?
Dumbledore não respondeu, mas um sorriso fino passou por seus lábios e Harry simplesmente soube a resposta. Mudou a pergunta:
- O senhor sabe quem vai me fazer companhia?
- Ora, Harry, essa é a parte da graça, também! Você só tem de saber onde procurar!
X
- Isso é impossível. – foi a primeira reação de Parkinson diante da explicação de Harry – Eu acordei no trem; não vi ninguém além de você. Não tinha como ele saber quem eu era.
- Não sei se ele sabia, mas eu acho que sim. Acho que ele sempre soube. Talvez você só não se lembre, mas pode ter passado por lá e falado com ele, assim como eu.
Parkinson balançou a cabeça negativamente.
- Não, eu morri e acordei aqui. Simples assim.
- Você não viu nada quando morreu ou coisa parecida? Eu vi Ginny antes de morrer e depois me encontrei com o Professor Dumbledore.
O silêncio trespassou pelos dois antes de ela responder. Havia alguma coisa triste e hesitante no olhar de Pansy.
- Não, eu não vi nada.
- Mentira. Você estava pensando no que responder! Você estava se lembrando de algo que você viu! Que foi que você viu, Parkinson?
- Eu não vi nada! – a outra rosnou – E se eu tivesse visto, por que contaria para um traidor do sangue como você?
Harry levantou-se abruptamente. Estava vermelho de raiva, não apenas com o xingamento, mas também com a falta de sinceridade da outra. Que mal havia em lhe contar o que ela havia visto? Ele lhe contara sobre Ginny, não contou?
- Qual o seu problema, Parkinson?
Ela levantou-se também.
- Meu problema? Meu problema? Que tal alguém que chega, que me fala qualquer porcaria e então vira para mim e me pergunta sobre coisas íntimas e coisas que nunca aconteceram? E por que você quer saber de qualquer forma? Não é como se fosse mudar alguma coisa! Não vai mudar nada! Estamos mortos, lembra? Nós morremos e nada mais adianta, nada mais funciona, nada mais muda, porque é a morte!
Houve silêncio entre os dois, enquanto Harry a encarava com fúria injetada nos olhos. Ela estava errada, o Professor lhe dissera que sim – aquela frase dissera que sim! – e realmente pensou em respondê-la, mas desistiu. Era uma Slytherin. Era covarde e não-confiável. Não lhe revelaria os segredos, a menos que estivesse ganhando com isso.
Antes que uma nova discussão se iniciasse, saiu de lá, batendo a porta da cabine com uma força que poderia quebrar os vidros da janela.
Não quebrou.
X
Era pior ficar sozinho. Foi essa a conclusão que chegou quando se acomodou em um vagão qualquer – o mais distante possível da garota – e passou a observar a janela. Não havia nada do lado de fora e, por mais que o tempo passasse, não chegava a lugar nenhum. Não havia nada que pudesse fazer para diminuir essa sensação ruim, e parecia que estava perdendo coisas importantes durante a viagem. Seus sentimentos, emoções e sensações pareciam abandonar seu corpo aos poucos e de forma que o fizesse perceber. Talvez fosse só impressão, mas não mudava o fato que era algo ruim. Parecia que a única coisa que viria lhe restar seria a apatia.
Estava cogitando a ideia de voltar até Parkinson quando a porta de sua cabine abriu-se e a garota adentrou sem olhá-lo. Deveria estar sentindo o mesmo que ele, concluiu, para ir encontrá-lo.
Parkinson não sentou ao seu lado e nem à sua frente. Pelo contrário, sentou-se no chão, as costas apoiadas na madeira dos assentos opostos ao dele e os pés no outro lado. O primeiro pensamento de Harry foi pensar em como ela parecia infantil – não em ações, mas em corpo e expressão. Parecia uma criança encolhida que pedia desculpas em silêncio.
Lembrou-se de outra pergunta que fez a Dumbledore.
X
- Professor, você disse que é preciso se arrepender para não se tornar como... Bem... – e aponta para Voldemort – Ele.
- Sim, de fato eu disse isso.
- Então do que você foi que o senhor se arrependeu?
Dumbledore olhou para o trem que deveria pegar com Tom com um olhar triste. Soltou um suspiro lamentável.
- Arrependi-me de não ter percebido as reais intenções de Gellert antes. E de não tê-lo impedido quando houve chance. E houve muitas chances.
- O senhor não se arrepende de tê-lo conhecido?
Um sorriso trespassou por seus lábios. O mais bonito que o Professor já ousou a entregar a alguém.
- Nunca.
X
- Pansy, do que foi que você se arrependeu?
A garota o encarou nos olhos, antes de, envergonhada, voltar a olhar para algum ponto entre as suas pernas e a madeira.
- Não entendi.
- Para você vir para... Cá, você precisa se arrepender de algo. Do que foi que você se arrependeu?
Ela mordeu o lábio e parou para pensar.
- Arrependi-me de ter voltado à escola para o sétimo ano.
Harry notou que sempre que ela mentia, ela mordia o lábio inferior graciosamente. Sempre soube que a garota era uma pessoa exagerada – muito embora não via nada disso naquele momento –, só não esperava que ela fosse uma péssima mentirosa também; e por mais que quisesse se virar para ela e disser-lhe que estava mentindo, que aquele arrependimento não era o bastante para se estar ali, decidiu ficar quieto. Separaram-se da última vez exatamente por essa razão (e aquela vez parecia tão distante, como algo que ocorreu há anos atrás) e foi uma verdadeira tortura. Não queria passar por aquilo de novo.
Mas também, o que ele queria? Aquela pergunta também era muito íntima. E ela deixara claro que esse era o problema – ou era o que ele acreditava ser, como em todas as outras vezes. Slytherins sempre foram reservados. Se fosse alguém como Fred ou Lupin, ou qualquer pessoa que conheceu direito, tinha certeza de que eles lhe contariam tudo. Porque eram amigos.
Diante desse pensamento, virou-se para a garota tão rápido que a assustou com seus movimentos. E antes de deixá-la se recuperar, perguntou:
- Pansy, por que você é minha companheira?
Não entendeu de imediato as palavras que lhe foram ditas. E assim que o contexto se fez claro, respondeu com outra pergunta:
- Não entendi, Potter.
- Porque você é minha companhia. Digo, por que logo você está aqui?
- Porque eu morri, não é óbvio?
- Mas muitas pessoas morreram também, por que nenhuma delas veio comigo? Eu as conhecia melhor que você e houve colegas seus que morreram também. Por que não eles?
Viu-a hesitar. E Harry percebeu algo que nunca perceberia se estivesse vivo.
- Tem a ver com o seu arrependimento?
Silêncio.
- Você se arrependeu de algo que fez contra mim?
E o olhar que ela lhe entregou, encarando-o diretamente nos olhos, era de alguém que estava sem saída.
X
- Professor, a pessoa que irá comigo, por que ela foi escolhida para ir?
Uma mão em seu ombro.
- Harry, algumas pessoas simplesmente são conectadas a você sem mesmo estarem ao seu lado. Não é preciso conhecê-lo a fundo para amá-lo ou protegê-lo ou admirá-lo. Acontece com todas as pessoas. Com ela não foi diferente.
- Então essa pessoa tem um forte sentimento por mim?
- Exatamente. E não é ódio.
- Sabe me dizer se é uma pessoa que me conhece bem?
Um leve menear de cabeça.
- Não, ela não o conhece. Mas ela está lá por uma única razão. Ela vai acompanhá-lo por uma única razão.
- Qual?
- Uma chance.
Change the colors of the sky
And open up to.
The ways you made me feel alive,
The ways I loved you.
For all the things that never died,
To make it through the night,
Love will find you.
N/A.: O prólogo foi modificado. Na verdade, o início dele. Eu não costumo fazer isso, mas eu precisava modificá-lo para fazer o que eu queria na fanfic. Por isso, aqueles que o leram, eu sugiro que o façam novamente para depois não se perder na história. Vai ter uma ótima razão para isso. Além disso, eu devo pedir desculpas pela demora em postar. Deveria tê-lo feito na quinta, mas eu estava exausta então acabei demorando mais - principalmente porque eu precisava fazer aquela mudança X no prólogo, e precisei pensar em outras coisinhas. No mais, o segundo capítulo sairá até o domingo que vem, como o prometido.
E antes que perguntem – aliás, algo que algum já devem ter notado – é que eu fiz os sentimentos da Pansy serem fortes por alguém que não era sangue-puro. Claro, deveria haver algo de errado, mas aparentemente não há. Nos livros, a única pessoa que é chamada de sangue-ruim é a Hermione e outros nascidos trouxas. Não há nada falando de mestiços, e muito menos do Harry. Acredito que é porque Harry é famoso, então o nome influencia na hora de chamá-lo. Ou simplesmente porque eles não se encaixam nessa perspectiva, hn.
Tirando isso, mais alguém percebeu que o Harry passou a chamar a Parkinson de Pansy, bem para o final da fic? Pois é, isso tem uma explicação muito interessante, mas vão ter de esperar por mais :3
E antes que alguém me pergunte, não foi um acidente o Harry perguntar uma coisa X para a Pansy e, no final, receber a resposta do Dumbledore. Harry só vai lembrando das coisas quando conversa ou interage com a Pansy. Então, quando ele tem aquela conslusão final, ele acabou se lembrando de que a Pansy quer uma chance com ele. E isso daí vai ser desenvolvido no próximo capítulo, claro.
Ainda quero reviews!~ E ainda mando PM para quem só favorita!
