Peço desculpa pelo tempo que demorei, a verdade é que escrever é bem rápido, tempo é que é pouco! Mas deixo aqui o segundo capítulo. Espero que gostem e deixem comentários!

Booth deitou os olhos na menina, um pouco depois, e ela já dormia. Então ele levantou um pouco a cabeça e observou as fotografias na mesa-de-cabeceira, uma delas que Angela tirara. Uma era aquela que tinha há já muito tempo, ele e Parker. A outra, era ele e Brennan, ela com a recém-nascida nos braços, nascida há pouco mais de um dia. As pessoas daquelas fotografias resumiam a vida dele, e ele, na manhã seguinte estaria revendo, e talvez recuperando a única que ainda não tinha com ele.

Booth acordou ouvindo uma massa de neve caindo do telhado e reparou que horas eram. Reparou também que Joy já não estava na cama com ele, e levantou-se. Os desenhos animados das nove da manhã eram os favoritos dela, os famosos rato e gato, Tom & Jerry. Espreguiçando-se pelo caminho, e coçando os olhos, Booth estava a acordar à medida que caminhava. Ainda antes de chegar à sala já ouvia as gargalhadas abafadas da menina e sentia no ar o doce aroma de café acabado de fazer.

-Boa dia! – Booth exclamou dando-lhe um beijo na cabeça, debruçando-se sob o sofá.

-Bom dia. – Ela respondeu animada, levando mais uma colher cheia de cereais à boca. – Fiz-te café.

Ela estava como ele a encontrava todas as manhãs de fim-de-semana. Sempre aquela hora, ela chega à sala, liga a máquina do café, prepara uma tigela de cereais para ela, e senta-se no sofá, cobrindo-se com um manta nos dias invernosos ou de mais frio a ver os desenhos animados e tomar o pequeno-almoço. Booth arranjava agora uma caneca, enchia-a com aquele apetecível líquido fumegante e começava a preparar panquecas.

-Hum, - Ela largou a colher de súbito, empinando o nariz, sentindo o cheiro que se começava a instalar na sala. - que cheiro tão bom! – Ela levantou-se, pousou a tigela em cima da bancada e subindo para uma cadeira, ficou ao lado do pai, vendo-o a fazer o pequeno-almoço.

-Queres uma? – Booth perguntou mesmo já sabendo a resposta.

-Claro pai, sabes que adoro panquecas! – Ela lambeu os lábios e esfregou as mãos na barriga.

-Mas…gostas de todas as panquecas?

-Não! Só as tuas é que são boas!

-Ah, ainda bem! – Ele riu. - Mas come mais um pouco dos cereais enquanto eu acabo.

Joy retomou o lugar, cobrindo-se com a manta polar azul escura e castanha axadrezada, e continuou a comer e a ver televisão.

-Vem cá, está pronto.

Joy correu rápido, quase encharcando a panqueca com xarope de ácer, e depois de comerem, Booth perguntou:

-Que tal estava?

Joy deitou-se no sofá, e levando as mãos à barriga respondeu:

-Gostoso!

-E agora, vem-se me ajudar a arrumar a loiça?

Joy gemeu, acenando que não e cobriu-se com o cobertor.

-Está bem. Vai te vestir, pentear e lavar os dentes então.

Pouco depois Booth foi também se vestir e em minutos ambos encontraram-se de novo na sala. Joy aparecera com jeans de uma ganga escura, uma camisola de lã às riscas azuis escuras, rosa, brancas e verdes, e com umas botas de estilo militar de cordões brancos que realçavam da cor negra das botas. Booth vestia uma camisa axadrezada em tons castanhos, brancos e pretos, as calças e casaco clássicos pretos e os sapatos pretos tão brilhantes que pareciam puxados a lustro.

-Esqueceste-te do casaco! – Ele disse vendo que ela se esquecera dele.

-E o tu também!

Booth suspirou reparando que fizera o mesmo, rindo depois juntamente com Joy. Voltaram os dois com os casacos de fazenda pretos e compridos, e Joy trouxera também um gorro com orelhas e enfiara-o na cabeça.

-Prontos? – Booth perguntou pegando nas chaves do carro.

-Prontos. – Ela respondeu saindo na frente dele numa pose de mandatária e rindo, enquanto Booth trancava a porta.

A meio da viagem, Joy finalmente falou, quebrando todo o silêncio:

-Achas que ela vai gostar de mim?

-Claro Joy. Por que não haveria de gostar?

-Se calhar foi por minha causa que-

-Nunca Joy, nunca penses assim. – Booth procurou olhar entre a estrada e ela. – Nunca. – Ele frisou.

Chegados ao Jeffersonian Institute, Booth sentiu um estranho arrepio que não era causado pelo vento frio. O estômago dava voltas e de alguma forma ficara pequeno e amassado e a cabeça recuava anos e anos atrás, tendo flashbacks tão instantâneos quanto a velocidade das batidas do coração. E sorriu. Por fim, suspirava bem fundo. Aquilo parecia como voltar a casa. Agarrou a mão pequenina de Joy e entraram.

-Temperance Brennan, eu não te chamo mais nenhuma vez! – Booth ouviu e sorriu abertamente. Angela, ele pensou. – Hoje é véspera de Natal!

-Booth! – Ele ouviu bem perto da orelha.

Ele olhou para o lado, largando a mão de Joy e deu um abraço à pessoa que acabara de ver. A menina olhava em redor, tirando o gorro da cabeça.

-Há quanto tempo! – Hodgins disse.

Ele também acabara de largar a mão de um dos quatro filhos. Booth não ficara espantado, aliás, ele até já sabia. Cam contara-lhe. Era o único contacto que tinha com o Jeffersonian, e a forma como sabia as novidades.

-Brennan, os miúdos estão irrequietos! Temos que ir.

Angela caminhava a passos largos, saindo do gabinete de Brennan, até que parou estática em frente de Booth. Ao início ficara sem palavras, mas depois disse:

-Fazia tempo! – Ela disse, dando-lhe um abraço. Na verdade, nunca se acreditara que Booth pudesse estar afastado deles, e principalmente de Brennan, tanto tempo. Mas, finalmente apercebeu-se da menina que estava um pouco nervosa e tímida, de gorro na mão que ainda não saíra da beira do pai. – Oh meu Deus… – Ela abaixou-se em frente da menina, e colocou-lhe um pouco do cabelo atrás da orelha. – Olá. Como te chamas?

-Joy. – Ela disse timidamente.

-Já estou a sair Angela. – Brennan disse ao longe.

Angela pôs-se a pé num ápice, observando a cara de choque de Booth.

-Nós esperamos lá fora. – E saiu com as crianças e Hodgins, ambos sempre olhando para trás.

Booth gelara só de ouvir a voz dela. Sete longos anos depois, ele ouvia-a outra vez. Ele nem sabia se o coração parara ou batia rápido, ele não sabia se respirar deixara de ter importância ou se precisava de um longo e fundo suspiro. Ela apareceu e parou. Os sete anos não pareciam ter passado para ela, que continuava a mesma. Com o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma maneira de ser. Sim, ela sorriu ao vê-lo, e ao ver a menininha, os olhos brilharam de uma forma especial. Da mesma forma que Booth via quando ainda Joy estava na barriga de Brennan. De alguma forma, Booth estava nervoso como nunca tinha estado.

Já que me "deixaram" escrever o segundo capítulo, decidi deixar o suspense no ar... Alguém quer ler mais e saber o que vai acontecer?