Consegui um tempinho extra para escrever, já que os testes aparecem neste mês mais colados que siameses! Mas é a última oportunidade de dar tudo por tudo. Bem, deixo aqui mais um capítulo, que eu gostei imenso de escrever porque trouxe o Parker para a família, e vão ver as interacções entre os quatro.

-Imagina se o meu pai não existisse…Eu também iria desistir porque me teriam deixado sozinha.

-Tens alguma razão no que dizes, mas eu não fui ensinada assim-

-Os sentimentos não se ensinam…Quem desiste não vive-

-Interiormente, queres tu dizer.

-O que tens a perder?

-Vem cá. – Brennan disse abaixando-se. Ela pegou na menina ao colo, e depois respondeu voltando os olhos para Booth. – Não tenho nada a perder.

Angela e Hodgins acabaram por ir embora, vendo Brennan saindo acompanhada de Joy e Booth. Convidaram-nos para o almoço no dia 25, disseram que para lembrar boas memórias e falar. Ambos comprometeram-se a aparecer. Joy via animadamente os desenhos animados, em que personagens tão conhecidas como o Mickey Mouse, entre outros festejavam a quadra natalícia. Depois, mudou repetidamente de canal, até encontrar "A Christmas Carol" e continuou com os olhos colados no pequeno ecrã. Booth e Brennan estavam sentados à mesa, em silêncio.

-Podemos falar?

-Podemos levar isto devagar Booth?... Não te vejo há sete anos.

-Ok, ok…Eu sei que é difícil.

-Está bem…Diz-me, como é que ela é?

Booth sorriu, Brennan não estava assim tão distante.

-Ela é muito amigável, adora dizer a sua piada, adora, mas digo, adora – Ele deu ênfase à palavra. – jogar basebol, especialmente com o Parker. Eles são inseparáveis, e ele é super cuidadoso com ela. – Brennan sorriu ao imaginar isso na cabeça dela, só que a única imagem que tinha era de um Parker com nove anos, e não com catorze. – Ela é muito inteligente e perspicaz, tens de ter cuidado. Ela sabe-a toda!

-Eu não sei o que isso significa.

-É uma expressão Bones. Significa que ela é muito atenta aos pormenores, e te apanha ao menor erro.

-Ah! Ok, percebi.

-Ela toca piano, mas é muito tímida para tocar para os outros a ouvirem. O Parker e eu demoramos tempos infinitos a convencê-la a tocar.

-E deves pensar que eu não sei que te punhas escondido atrás das portas para me ouvir tocar! – Joy disse, de ouvido colado na conversa e olhos vidrados na televisão. – Tal como me ouves a rezar!

-Ele às vezes é um curioso, não é? – Brennan falou.

-Muito curioso!

-E acha que tem que proteger todos.

-Exacto!

-Ok, as meninas estão-se a divertir com isso, não estão? – Booth resmungou em tom de brincadeira, enquanto Brennan e Joy gargalhavam.

A campainha soou, e Joy levantou-se num salto, correndo feliz:

-Eu abro! É o Parker!

-Olá maninha! – Parker disse alegremente, pegando nela ao colo. – Feliz Natal piolha! O Pai Natal enganou-se outra vez na casa.

-Um dia destes, vais-me contar essa história do Pai Natal, e do São Nicolau.

-Ok, combinado Joy. – Parker pousou Joy no chão e olhou em volta, procurando o pai. Então ele reparou num par de olhos que o olhava repetidamente de alto a baixo, visivelmente estupefactos.

-Parker! – Brennan proferiu com alguma surpresa, misturada com nostalgia.

-Bones… - O rapaz disse com algum desprezo.

-Parker, não fales assim. – Booth disse, compreendendo de alguma forma o sentimento do filho.

-Por que não? Não é ela que tu amas durante estes anos, que te rejeitou e deixou a Joy? – E quanto mais falava, mais ele olhava de lado Brennan, e pouco a pouco suavizou a expressão cerrada, como se estivesses a desabafar e a perder aquele sentimento de irritação.

-Parker, porque não falamos lá dentro um bocadinho? – Booth disse, agarrando com jeito no braço do filho, que agora tinha uma expressão de remorso por ver a mulher quase em lágrimas, sentindo-se culpada, julgada e revista naquelas palavras. – Joy, porque não ensinas à Bones como se fazem as boas pipocas nesta casa?

-Está bem. – Ele disse vagamente, não compreendendo o comportamento exaltado do irmão.

Booth entrou para o quarto dele juntamente com Parker, e antes que pudesse tomar discurso, Parker fê-lo por ele:

-Desculpa pai. Desculpa. Eu não devia ter feito o que fiz, mas ver-te sete anos a olhar para aquela fotografia, e ver o quanto a amavas e ela não te retribuía, e como não quis saber de ti, ou da Joy, ou como nem se quer ligou, a perguntar, a dar novidades,-

Booth abraçou o filho, que se calou no instante e o abraçou com força, dizendo outra vez:

-Desculpa.

-Não Parker, quem tem de pedir desculpas sou eu. Tens toda a razão por fazer o que fizeste. Não gostei, mas tiveste razão. – Ele olhou o filho e disse-lhe. – Nunca devias manter as coisas entaladas na garganta. – Depois bateu-lhe no braço e segurou-lhe o ombro. - Às vezes esqueço-me que estás a ficar um homem.

-Vamos lhe dar uma hipótese.

-Tudo bem então?

-Todos merecemos uma segunda oportunidade, e afinal, o que temos a perder? Se isto correr bem, ainda saímos a ganhar!

-É assim mesmo rapaz! É assim mesmo! – Ele disse esfregando-lhe a cabeça com o punho fechado.

Ainda antes de chegarem outra vez à cozinha-sala, Booth e Parker ouviam gargalhadas.

-Agarra na bacia Joy, rápido! – Brennan gritava entre risos.

-Elas são tantas!

Quando Booth e Parker chegaram ao encontro delas, ela estavam atulhadas de pipocas a saltar da frigideira.

-Ena pá, tantas pipocas! – Booth exclamou ao ver o caos que se tinha instalado na cozinha.

-Ajuda! Ajuda! – Joy clamava entre gargalhadas, apanhando no ar as pipocas que saltavam.

-Pronto, já acabou! – Brennan pronunciou aliviada.

Após apanharem as pipocas, Booth sentou-se no sofá com Joy e ambos cochichavam algo. Entretanto, Parker aproximou-se de Brennan e disse:

-Desculpa aquilo de ao um bocado. Não sabes o quão difícil foi ver o meu pai agarrado ao passado.

-Tudo bem Parker. – Ela olhou-o outra vez. – Cresces-te muito desde a última vez que te vi. Agora tens… - Brennan calou-se pensativa. – Catorze anos.

-Então estamos bem?

-Estamos bem.

E sem que pudessem continuar mais a conversa, Joy chamou:

-Venham ver! Está a dar "Home Alone" .

Passaram o resto da véspera natalícia a ver filmes, gargalhando, comendo e brincando.

-Não é verdade que o Pai Natal entrega as prendas na meia-noite de 24 de Dezembro?

-É verdade, Joy. – Booth disse, vendo a filha bocejar.

-Então…como é que o Parker disse que o Pai Natal lhe deu a minha prenda se só agora é que ele as devia estar a entregar?

-Boa pergunta garota! – Parker disse, lembrando-se que este ano se descuidara e aparecer cedo demais com a prenda. – Pergunta para a qual eu não tenho resposta!

-Oh, vá lá Parker. Diz-me o que está a acontecer de diferente este ano.

-Não sei, sinceramente que não sei. – E levantou-se, espreguiçando-se e bocejando.

-Pai? – Ela disse, virando os olhos para ele.

-Também não sei, Joy. Talvez ela te ajude.

-Pai! – Ela protestou, sabendo que ele estava a esconder alguma coisa.

-Tenho que levar o Parker a casa.

-Já?

-E a senhorita acha que é cedo? – Parker perguntou, brincando com ela. – Mas eu venho amanhã, pode ser?

-Também posso ir?

-É muito tarde, Joy. – Booth deitou os olhos em Brennan, e ela prontamente respondeu.

-Eu fico com ela, Booth.

-A sério? Não te importas?

-Não. Vai lá.

-Ah, - Parker disse antes de sair. – O Pai Natal vai ficar sentido se não abrires a prenda.

Depois das despedidas, Booth e Parker saíram, deixando Joy e Brennan sozinhas.

-O que será que o Pai Natal me deu?

-Não sei. Porque não vês? – Brennan respondeu, levando o presente até à menina. – E depois, vamos dormir, pode ser?

-Combinado! – Joy rasgou o papel de embrulho colorido e colou o laçarote na testa de Brennan, rindo as duas. – Uau! – Parker dera-lhe um grande livro cheio de histórias.

-Antes de dormir, podes-me ler uma história? – Joy folheou o livro.

-Melhor. – Brennan pegou nela e foi andando até ao quarto de Joy, seguindo as indicações dela. – Porque não contar-te a história do Pai Natal e do São Nicolau?

Já tenho idealizado (mais ou menos!) o próximo capítulo, que vai ser (eu acho!) do tipo a que se chama 'fluffy'! Acham que devo continuar?