Conseguiu um tempinho para escrever este capítulo que deixa um suspense no ar. Curiosos?

Depois das despedidas, Booth e Parker saíram, deixando Joy e Brennan sozinhas.

-O que será que o Pai Natal me deu?

-Não sei. Porque não vês? – Brennan respondeu, levando o presente até à menina. – E depois, vamos dormir, pode ser?

-Combinado! – Joy rasgou o papel de embrulho colorido e colou o laçarote na testa de Brennan, rindo as duas. – Uau! – Parker dera-lhe um grande livro cheio de histórias.

-Antes de dormir, podes-me ler uma história? – Joy folheou o livro.

-Melhor. – Brennan pegou nela e foi andando até ao quarto de Joy, seguindo as indicações dela. – Porque não contar-te a história do Pai Natal e do São Nicolau?

Brennan pousou a menina na beira da cama e perguntou-lhe pelo pijama. Joy foi ao roupeiro e trouxe o pijama que começou a vesti-lo sentada outra vez na beira da cama.

-Conta-me agora, o Pai Natal existe ou não?

-Segundo a lenda, o Pai Natal é associado à ideia de um homem já com uma certa idade, gorducho, de faces rosadas, com uma grande barba branca, que veste um fato vermelho e que conduz um trenó puxado por renas que conseguem voar mesmo não tendo asas. Na noite de Natal este simpático senhor visita todas as casas, desce pela chaminé e deixa presentes a todas as crianças que se comportaram bem durante todo o ano.

-Então ele existe?

-O Pai Natal baseia-se em S. Nicolau e a ideia de um velhinho de barba branca num trenó puxado por renas e foi introduzida por um senhor chamada Clement Clark More, um ministro episcopal, num poema intitulado de "An account of a visit from Saint Nicolas" " em 1822. More escreveu este poema para as suas filhas mas hesitou em publicá-lo porque achou que dava uma imagem vazia do Pai Natal. – Brennan levantou a coberta e o lençol e ajudou Joy a meter-se debaixo deles.

-Então ele não existe. – Ela disse tristemente. Brennan vendo a cara tristonha da menina disse:

-Aí é que tu te enganas. Ele existe no sítio mais bonito do mundo.

-Onde? – Os olhinhos de Joy brilhavam e arregalaram-se.

-No coração. Bem aqui. – Ela apontou-lhe para o local onde se encontra o órgão.

Joy sorriu luminosamente e deu um abraço a Brennan:

-Ele existe só para nós, não é?

-É isso. Mas, agora está na hora de dormir.

-Podes…podes ficar aqui comigo enquanto não adormeço?

-Posso.

Joy chegou-se mais para o lado da cama, dando possibilidade a Brennan se deitar ao lado dela. Brennan deitou a cabeça a medo mas acabou por a aconchegar perto dela. Pouco depois, ambas acabavam por adormecer e Booth chegara. Ele procurou, tanto por Joy como por Brennan, e encontrou-as a dormir pacificamente. Sorriu e depois de observá-las por um pouco, foi dormir. A meio da noite, Joy começou a mexer-se imenso, a choramingar e acordou sobressaltada:

-Pai! Pai! Não, pai, não vás embora!

A criança transpirava, chorava e recusava qualquer tentativa de acalmamento por parte de Brennan. Booth entrou a correr e Joy imediatamente atirou-se para os braços dele, chorando e soluçando.

-O pai está aqui, Joy. Eu estou aqui, não vou a lado nenhum.

-Não vás pai, não me deixes sozinha.

Booth levou-a para o quarto dele, e em poucos minutos, cobriu-a que agora dormia na cama dele, ainda soluçando, e procurou Brennan. Ela estava no sofá, a olhar pela janela, e assim que sentiu Booth respirar por trás dela, apressando-se a limpar as lágrimas do rosto.

-Estás bem, Bones?

-Aconteceu outra vez…Ela chorou, - E começou outra vez a chorar, não o conseguindo controlar ou esconder. – e eu não a consegui acalmar. Eu nem sequer devia estar aqui.

-Hei, hei, hei. – Ele disse, sentando-se perto dela, colocando o braço em redor dos ombros dela, e puxando a cabeça dela para o ombro dele. – Ela apenas teve um pesadelo comigo, e era a mim que ela queria ver. Não foi porque não gostasse de ti.

-Eu não consigo Booth, eu não sei ser mãe…E eu que tanto o queria.

-Tu podes ser mãe Bones, tu consegues.

-Booth, - Ela separou-o dela. – Deixa-me sozinha por um bocadinho. Preciso de pensar.

-Está bem. Eu vou para a beira da Joy. Se precisares de mim… - E levantou-se.

Os olhos de Booth iam pesando e fechando por muito que ele tentasse abri-los, deitado ao lado da filha. Olhava tremulamente o relógio a cada minuto, e já tinha passado uma boa meia hora. De repente, os olhos dele abriram-se completamente e sentiu como se o sono tivesse levado um chuto valente que tinha ido parar longe; o som da porta a bater despertou-o. Levantou-se e correu abrindo porta, indo até ao fundo do corredor do piso do apartamento e já só ouviu ao longe o som dos tacões a descer a escadaria. Já não a alcançaria.

-Pai? – Joy acordou sobressaltada, e começou a assustar-se ao ver o quarto vazio.

Booth continuava estático ao fundo do corredor, enquanto Joy percorria a casa num passo arrastado e melancólico, chamando o pai. Ele ouve a filha chorar outra vez e volta para casa numa corrida.

-Onde fostes?

-A lado nenhum, pequena. Anda dormir com o pai.

-Ela foi embora? – Joy limpava as lágrimas. – Outra vez? – Disse com alguma tristeza e pena.

-Foi.

-E tu vais atrás dela?

-Nunca sem ti, eu nunca te vou deixar.

Joy caminhou, dirigindo-se para a cama. Ambos tinham a sensação que depois da véspera de Natal maravilhosa, o dia de Natal não seria igual. Brennan com certeza não apareceria ao almoço que combinara com Angela, e ele também não estava com disposição para isso. E as horas arrastavam-se, ainda era uma gélida madrugada de Dezembro. Booth observava o nevão intenso, sombrio e gelado do lado de fora da casa. As luzes do pinheiro iluminado confundiam-no e irritavam-no, tanto que ele as desligou e viu como se parecia naquele momento com o pinheiro, frouxo e amargurado.

Decidiu que se dormisse sobre o assunto, as coisas ficariam mais fácies. E fez uma promessa a si mesmo: se na manhã seguinte não a tivesse, ela passava a ser assunto do passado e jamais iria ver, como algumas vezes fizera, Brennan nas suas namoradas. De manhãzinha, um sol de Inverno bem tímido iluminou o quarto. Booth viu-se sozinho na cama, e calculou que Joy voltara ao quarto. De alguma forma acordou de sorriso na cara, sentindo ter uma nova oportunidade. Quando espreitou no quarto da filha para ver o seu pequeno anjinho a dormir, não a encontrou. Sentiu um aroma de café no ar e pensou nos desenhos animados que ela estaria a ver e as colheradas de cereais que estaria a levar à boca. Qual não foi o espanto e pânico dele quando se deparou com a televisão desligada, o pinheiro iluminado, o sofá vazio, e quando deitou a mão à cafeteira reparou que o café estava a esfriar. Joy não estava em casa…mas ele sabia onde ela estaria.

Foi um bom suspense? Querem ler mais? A história, provalvelmente, vai acabar em dois, três capítulos, por isso, tenho de os escrever espectacularmente.