Tinha pensado em escrever mais um ou dois capítulos. Pensei também que tinha que acontecer alguma coisa à Joy. Pensei mal! Achei que a meninha e a família não mereciam...E tmabém, desde que vi o final da sexta temporada que fiquei com a ideia na cabeça dos sentimentos da Brennan em relação à maternidade, e por isso acabei mesmo por fazer deste o fim: (Espero que gostem). Só mais uma coisa, a música que vai aparecer aqui chama-se "Hot Blooded" dos Foreigner, mas acho que nem precisava de dizer!, mas tenho que dizer que os direitos autoriais são deles, assim como das personagens da série que usei, à excepção da Joy, que é só minha!

Decidiu que se dormisse sobre o assunto, as coisas ficariam mais fácies. E fez uma promessa a si mesmo: se na manhã seguinte não a tivesse, ela passava a ser assunto do passado e jamais iria ver, como algumas vezes fizera, Brennan nas suas namoradas. De manhãzinha, um sol de Inverno bem tímido iluminou o quarto. Booth viu-se sozinho na cama, e calculou que Joy voltara ao quarto. De alguma forma acordou de sorriso na cara, sentindo ter uma nova oportunidade. Quando espreitou no quarto da filha para ver o seu pequeno anjinho a dormir, não a encontrou. Sentiu um aroma de café no ar e pensou nos desenhos animados que ela estaria a ver e as colheradas de cereais que estaria a levar à boca. Qual não foi o espanto e pânico dele quando se deparou com a televisão desligada, o pinheiro iluminado, o sofá vazio, e quando deitou a mão à cafeteira reparou que o café estava a esfriar. Joy não estava em casa…mas ele sabia onde ela estaria.

Joy levantou-se sem fazer barulho, se bem que Booth se mexeu. Joy ficou estática, olhando para ele que se virou, aconchegou a cabeça na almofada e chegou os lençóis para mais perto do queixo. Ela respirou de alívio e foi até ao quarto. Abriu o roupeiro e tirou de lá os jeans apertados, a sweatshirt azul clara de capuz e bolso largo na barriga e procurara as mesmas botas estilo militar de cordões brancos que realçavam da cor negra das botas que usara no primeiro encontro com Brennan. Correu à cozinha, pegou numa cadeira e colocou em frente ao alto armário de madeira e alcançou o pacote das suas bolachas favoritas, que estava já meio vazio. Colocou-as em cima da mesa, ligou a cafeteira e foi ao quarto outra vez. Agora pegava no frasco de vidro cheio de moedas e, abrindo-o tirou de lá o dinheiro que achou ser suficiente. Antes de sair, pegou nas bolachas, colocou-as no bolso da camisola, o dinheiro no bolso dos jeans, pôs o capuz na cabeça e saiu, fechando a porta sorrateiramente.

Joy caminhava por entre as ruas desertas e tiritava com o frio. Chegada à paragem do autocarro mais próxima de casa, sentou-se no banco balançando as pernas e começou a comer as bolachas. Os lábios estavam trémulos e arroxeados, as mãos estavam tão brancas quanto cal e tremiam cada vez que tirava a mão do bolso e a levava à boca. Ouviu ao longe o limpa-neve a aproximar-se, e o homem parou, desceu e perguntou-lhe:

-Que fazes aqui? Não devias estar em casa?

Joy nunca falava com estranhos, recomendação de pai polícia e de qualquer pai, por isso ela apenas respondeu:

-Tenho coisas a fazer.

-Queres que te leve a casa?

-O senhor não tem que limpar a neve? – Ela perguntou, levantando-se, indo embora.

Lembrou-se da praça de táxis dois quarteirões à frente, e para lá se dirigiu. Viu ao longe o único táxi e aproximou-se, parecendo que o caminho nunca mais acabava por causa da neve que a impedia de andar. Chegada lá, ofegante, bateu devagar no vidro do lado do passageiro e o taxista abriu o vidro. Pela aparência, o homem aparentava entre os 60 e os 70 anos, de barbas grandes e brancas, e era um pouco ao barrigudo. Tinhas as faces rosadas e um sorriso que fez Joy sentir-se à vontade.

-Para o Jeffersonian Institute, por favor.

-Entre menina.

Joy entrou para o banco traseiro, e apoiou os braços nos bancos dianteiros observando o homem conduzindo.

-Diga-me então, minha rapariguinha, o que faz fora de casa neste dia, a estas horas tão madrugadoras?

-Preciso de ver alguém.

-Hum, estou a ver. – O homem concluiu, afagando as barbas, enquanto conduzindo. – É aquele alguém muito importante. Alguém de quem se precisa e quer neste dia.

-É isso mesmo. - Joy sorriu e disse. -Faz-me lembrar o Vovô Hank.

-Acho que o teu avô-

-Bisavô!

-Ena pá, então deve estar ainda muito orgulhoso da neta que tem. És um doce de menina, já alguém te disse isso?

-Ele diz-me sempre isso. E ao meu mano Parker diz que ele está um homem grande.

-Tiveste muitas prendas este ano?

-Não pedi muito. O Parker deu-me um livro enorme cheio de histórias e o pai levou-me a conhece-la.

-Ela que agora vais visitar.

-Sim… - Joy calou-se e sorriu, lembrando-se de Brennan. – Ela mesmo.

-Chegamos minha garotinha.

-Quanto é, senhor…?

-Nicholas, senhor Nicholas.

-Nicholas como o Pai Natal? – Joy perguntou com entusiasmo e os olhos a brilhar.

-Sim, mesmo como ele! Olha pequena, não é nada.

-Muito obrigado senhor Nicholas. E feliz Natal. – Joy abriu a porta do táxi, e hesitou, dizendo antes de sair. – Sou a Joy, e foi um prazer conhecê-lo.

-Ora essa, o prazer foi todo meu. E menina, que tudo corra bem. Boa sorte!

-Obrigada. Até mais senhor Nicholas.

-Até mais Joy. Talvez nos encontremos outra vez.

Joy saiu, vendo Nicholas partir e caminhou, olhando as pegadas na neve. Entrou no Jeffersonian e foi interceptada por Micah.

-Posso te ajudar?

-A Dr.ª Brennan está aí? Posso falar com ela?

-Não sei. – Ele colocou-lhe a mão nas costas. – Vamos ver.

-Dr.ª Brennan?

-Sim Micah, aconteceu alguma coisa? – Brennan questionou, saindo ensonada do escritório.

Micah saiu e ouviu a menina perguntar:

-Porque é que Joy é um nome com muito significado para ti?

-Joy! – Brennan abraçou-a e pegou nela ao colo. Deu-lhe um grande e afectuoso abraço, que Joy retribuiu de igual forma, e um beijo na bochecha. – Não fiques zangada comigo por ter-me assustada.

-Não estou zangada. – E acariciou-lhe a face, abraçando-a. – Nós precisamos de ti. – Ela sussurrou.

-Mas eu não sei o que fazer.

-Sê tu mesma.

Brennan carregou Joy até ao escritório e sentou-se no sofá, tendo-a no colo. Brennan olhou Joy por um tempo e segurou-lhe nas mãos perguntando:

-Como te pude deixar? Como pude deixar o Booth?

-Ainda vais a tempo.

-Eu sei, e é o que vou fazer. Já perdi sete anos, não quero lamentar nem mais um ano longe de vós.

-Adoro-te muito, mãe.

Brennan chorou, fora um turbilhão de emoções tão grande ao ouvi-la chamá-la 'mãe'.

-Quando eu era pequena, a minha mãe morreu, o meu pai desapareceu e o meu irmão fugiu…Eu fiquei sozinha, com medo. Eu não quero que sejas como eu…Quero que fiques com isto. – Tirou do dedo o anel em forma de dois golfinhos e pô-lo na mão de Joy. – Eu e a minha mãe adorávamos golfinhos. Agora é teu.

-É nosso. – Joy disse, colocando o anel no dedo.

-Sabes um coisa, - Brennan recostou-se e a rapariga ficou com a cabeça apoiada no peito de Brennan. – adoro chamar o teu nome. Faz-me lembrar a minha infância, e é tão bonito. – Brennan colou o cabelo de Joy atrás da orelha dela e continuou. – Eu posso…eu consigo…eu vou…eu sou tua mãe, e nada me vai fazer fugir outra vez.

-Prometes?

-Prometo.

Booth apareceu, que já lá estava há algum tempo a ouvir atrás da porta. Brennan sentou Joy no sofá, levantou-se e dando apenas dois passos disse:

-Sinto falta dos teus abraços. – Após suspirar fundo por causa da saudade, murmurou-lhe ao ouvido. – Tenho direito a segunda oportunidade? Dás-me essa oportunidade de tentar?

-Mentiria se disse que não… Nós vamos conseguir ter tudo…desde o início.

Sorriram um para o outro e Joy vendo que não interrompia nada, cantou:

Well I'm hot blooded,

Booth continuou,

check it and see
I got a fever of a hundred and three

e Brennan juntou-se a ele,

Come on baby, do you do more than dance?

e ainda Joy se juntou, cantando os três em uníssono:

I'm hot blooded, I'm hot blooded

-Continua Joy! – Booth disse com entusiasmos:

You don't have to read my mind
To know what I have in mind
Honey you oughta know
Now you move so fine
Let me lay it on the line
I wanna know what you're doin' after the show

Joy correu para o colo da mãe, e ela continuou até cantarem outra vez os três o refrão:

Now it's up to you, we can make a secret rendezvous
Just me and you, I'll show you lovin' like you never knew

That's why I'm hot blooded, check it and see
I got a fever of a hundred and three
Come on baby, do you do more than dance?
I'm hot blooded, hot blooded

Os três riram às gargalhadas. Booth disse:

-Melhor do que isto é só juntar o Parker a fazer o solo da música.

-Pai, tenho fome das tuas panquecas espectaculares.

-Eu também! – Brennan riu. – Se bem me lembro, são as melhores panquecas do mundo!

-E bem que lhe podes mostrar os teus dotes para o piano.

-Só se o Parker tocar comigo!

-Ok, mas temos de ir para casa.

-Vamos para casa. – Brennan disse sorridente e esperançosa. – A nossa casa.

Que tal? Foi um bom final ou nem por isso? Só digo, adorei escrever esta história. Espero que a tenham gostado de ler também:D