Eu estava encolhida contra a parede fria de mármore, os braços cruzados e os olhos distantes e frios, banhados em lágrimas. Ele parecia visivelmente sofrer, mas eu acabaria com esse sofrimento fingido agora.
- Precisamos sair daqui! – ele abriu a cela, mas eu não me movi
- Não vou a lugar algum com você! – disse dando de ombros
- Há alguns dias, você aceitou se casar comigo e agora já não me quer mais? – ele foi sarcástico, queria quebrar aquele clima, queria que eu saísse dali, nem que fosse com raiva
- Há alguns dias, você não era um traidor! – eu ainda não queria encará-lo
Por dois motivos, primeiro porque eu provavelmente cederia e segundo porque talvez eu percebesse que seu sofrimento não fosse fingido. Eu estava na dúvida se o queria do meu lado ou se não o queria nunca mais, estava com medo de me entregar e perceber que novamente caí em uma armadilha.
- Gina, olhe para mim! – ele se aproximou, passos lentos, abaixou-se a minha frente
Eu fechei os olhos, feito uma criança birrenta. Ele segurou meus ombros, achei que seria chacoalhada, vítima de sua raiva, mas ao invés disso eu senti um beijo úmido em minha testa. Abri os olhos lentamente, seus olhos estavam cinzas, nublados, a espera de uma resposta que eu não tinha.
Baixei o olhar e fitei as marcas vermelhas e roxas que desciam pelo lado do seu pescoço e adentravam a camisa, algumas ainda tinham sangue seco. Assustei-me e me lancei para perto dele olhando aquelas marcas. Ele fora torturado.
- Por quê? – perguntei sentindo meus olhos marejarem
- Porque não machuquei você! – os olhos dele também marejaram e eu cedi, caí na tentação de novo
Mas foi quando baixei meus olhos novamente que vi a fina corrente de ouro presa em seu pescoço. Puxei-a devagar para fora da camisa e contemplei a aliança com o meu nome gravado. Olhei para ele confusa e ele deu um leve sorriso.
- A que eu joguei fora, era falsa!
E a partir daí, voltei a confiar nele, com minha vida.
