Encostei-me a árvore após ter jogado tudo para fora pela segunda vez. Draco não se aproximara um passo, nem uma palavra e nem uma respiração diferente. Ele apenas ficava me olhando sem mover um músculo, mas eu sabia que seus pensamentos voavam freneticamente agora em busca de respostas que ele temia ter.
Vi ele cerrar os punhos. Vi seus olhos ficarem escuros. Suas emoções mudarem e então ele respirou de forma mais pesada, abriu a boca várias vezes para emitir alguma palavra, mas não saiu som nenhum.
- Desde quando? – foi apenas um sussurro
- Desde nossa primeira noite na minha casa, no quartel general da Ordem! – eu respondi baixinho, temia sua reação
- Isso eu sei! – ele retrucou de forma irônica – Foi a única noite que passamos juntos! Quero saber desde quando você suspeita!
- Alguns dias...descobri quando comecei a passar mal na cela e quando você me abraçou aquela noite achando que eu estivesse dormindo! – deixei as lágrimas caírem pelo meu rosto
Ele balançou a cabeça nervosamente, depois girou nos próprios pés e fincou um soco no tronco da árvore mais próxima. Pude ouvir seus dedos estalarem, mas ele não se importou. Ficou um tempo de costas para mim, mas eu preferia que nunca tivesse me encarado.
- Nós vamos... – ele respirou fundo – Vamos achar um médico...alguém que possa cuidar de você! Vamos dar um jeito!
Meu mundo desabou. Ele simplesmente não se importava.
