Eu sei que não deveria esperar, eu sei que no momento em que aquela guerra acabou eu deveria ter fugido dali, desaparecido. Ele não deveria me encontrar, nem me ver. Mas eu tive que ficar ali, tive que vê-lo aparecer por entre as árvores junto de Harry e Rony, tive que vê-lo, apesar de ferido, bem. Só para saber que ele estava vivo.
Quando vi seus olhos pousarem sobre mim, um lampejo de angustia passou por eles. Eu achei que seria meu escape, minha fuga naquele momento, mas sua voz saiu tão imponente e decidida quanto podia.
- Leve-me até ela Potter!
Ele estava ferido, Harry o carregava do lado esquerdo onde ele segurava as costelas com a mão. Eu não consegui me mover. Não consegui falar nada, nem sequer pensar. Só o que vi foi Harry deixá-lo parado em minha frente e então se afastar alguns passos, mas não o suficiente, somente para que pudesse interferir se ocorresse algo.
- Você é uma... – ele começou
- Malfoy! – Rony o advertiu
O loiro rolou os olhos.
- Você é uma idiota! – ele continuou, aquelas palavras me feriram como facas – Quando disse que acharíamos um médico, ou uma pessoa que cuidasse de você e que daríamos um jeito, eu só quis dizer que se essa guerra não acabasse, se perdêssemos, daríamos um jeito de ter esse filho e mantê-lo seguro, nem que eu tivesse que mandá-lo para longe! Não quis sugerir que abortasse!
Ele levantou a mão e enxugou as lágrimas que corriam pelo meu rosto.
- Eu fiquei furioso sim, porque eu não queria que tivesse acontecido nesse momento! Mas não culpei você por nada, porque fizemos esse filho juntos e eu não me lembro de nenhuma vez que a senhorita não quis ou eu não quis! – ele sorriu de lado – Eu estou feliz por ter um filho, agora que esta guerra acabou e que vencemos eu quero esse filho com você!
