Visão do Draco

Eu acho que o piso do St. Mungus já está afundando de tanto que eu fico dando voltas e mais voltas. Não me deixaram entrar para ficar com ela, tentei forçar a barra, mas tudo o que ouvi foi que algo errado acontecera e então me expulsaram dali.

Quando meus sogros chegaram, junto com Rony e Hermione, Harry e Pansy e Blaise e Luna, eu nada disse, apenas continuei meu caminho nervoso de andar para lá e para cá. Eles não precisavam saber que estava dando errado, eles não precisavam se preocupar. Ninguém precisava se preocupar.

Vi o médico aparecer pela porta com as mãos nos bolsos do jaleco branco e uma expressão séria. Fiquei com medo e não me atrevi nem a perguntar ou erguer a voz. Tudo o que fiz foi fitá-lo com os olhos. Ele balançou a cabeça negativamente e se aproximou tocando meu ombro, eu estava sentindo o mundo desabar sobre minha cabeça.

- Sua filha nasceu prematura e tinha o cordão umbilical enrolado no pescoço, fizemos o que podíamos e sua esposa pediu que salvássemos seu bebê! – ele suspirou – Ela está em uma incubadora, mas corre tudo bem! Poderá levá-la para casa em alguns dias!

Senti uma parte de mim se quebrar. Eu temia pela minha filha, temia por aquele ser que mal respirava, mas já fazia uma parte tão grande minha amá-la. Eu não podia perdê-la, nunca poderia perdê-la. Acenei afirmativamente com a cabeça e esperei noticias de Gina. O médico suspirou mais uma vez.

- Fizemos tudo o que podíamos pela sua esposa, mas a reação para voltar a consciência depende inteiramente dela agora!

Vi pelo canto dos olhos meus sogros se desesperarem, percebi Luna e Pansy se abraçando, enquanto Blaise se aproximava e tocava meu ombro. Mas eu não demonstrei nada. Eu não podia demonstrar.

Horas mais tarde eu estava em frente à janela olhando minha filha na incubadora, ela era tão pequenininha, tão frágil. Eu tinha vontade de abraçá-la e nunca mais soltá-la, protegê-la com a minha vida. Afastei-me alguns passos e entrei em um quarto. Gina parecia dormir de forma calma e seu estado passaria despercebido para qualquer pessoa que não conhecesse o caso.

Aproximei-me da cama e segurei sua mão. Estava gelada. Sua respiração cada vez mais fraca, seus batimentos diminuíam com o tempo. Ajoelhei-me ao lado da cama e beijei sua mão de forma delicada.

- Por que Gin? – perguntei baixinho – Você não costumava se vingar! Pelo menos não de mim! – suspirei – Eu queria estar aqui e dizer que te odeio, dizer que não me importo se você morrer, mas infelizmente eu não consigo!

Senti as lágrimas correrem pelo meu rosto.

- Volta para mim? Eu preciso de você em meus braços durante a noite, a cama está tão vazia! Eu perdi meu rumo, perdi minha vontade de viver, perdi meu motivo para viver! Eu te amo pequena Weasley, sempre vou te amar, mas não me deixe sozinho porque eu não posso suportar!