Misguided Ghosts

Eye of the Beholder - Cap. 3

N/A: Olá a todos! Desculpem o atraso! Vamos tentar emendar algumas linhas dessa história. Obrigado aos que leem! Lembrem : Comentários deixam ficwriters felizes! E Ficwriters felizes escrevem mais rápido!


Eye of the Beholder

Valentine nunca experimentara a sensação da ausência de oxigênio. Abriu os olhos e os correu pela sala, nada viu. Forçou mais uma boa olhada ao redor e tentou obrigar o ar a adentrar os pulmões. Nada. Mais força, sentiu seu peito encher levemente. Começou a se debater em desespero. Tudo isso para morrer?

Inesperadamente uma máscara de oxigênio foi colocada sobre seu nariz e boca. Fechou os olhos desfrutando da sensação de respirar. Onde estava? Lembrava-se de ter sido perseguido pelas ruas de Larnarca como um malfeitor qualquer por dois estranhos. Um alado e outro com tentáculos. A partir daí dor, só dor. Levantou a mão e passou pelos cabelos, os sentiu mais ralos. Alguém cortara seus cabelos.

-Espero que tenha aproveitado seus quatro dias de descanso Harpia.- A voz era grave, vinha da ala mais escura daquela sala que mais parecia uma enfermaria. Valentine abriu os olhos devagar, forçou a vista para enxergar no escuro. Duas esferas douradas o observavam.

-Quem é você? O que faço aqui? – O som de sua voz era abafado pela mascara. Soava estranha, parecia estar há meses sem ouvir a própria voz. Tentou empurrá-la para o lado e pode observar que sua mão direita estava tomada de tubos que levavam para suas veias um líquido prateado.

-Você está tendo atendimento médico. – Pode vislumbrar a silhueta elegante, cabelos arrepiados. - Se tivesse tido a competência de despertar completamente seu espírito demoníaco não estaria nesse estado lamentável Harpia.- Prestando mais atenção Valentine percebeu que o estranho falava grego, mas seu sotaque era forte. Britânico talvez?

O homem caminhou até a cabeceira de sua cama. Estendeu a mão e diminuiu o oxigênio que chegava a ele pela máscara. Valentine se sobressaltou.

-Você vai me matar? – Valentine apertou a mascara contra o rosto.

-Seria muito tolo gastar todos esses recursos com você e depois te matar não acha?- O homem sorriu, o que fez Valentine arrepiar até o último fio de cabelo. Aquele homem era amedrontador, até mesmo quando sorria. - Queen tem me informado constantemente da sua saúde. Disse que se permanecer no oxigênio seu corpo vai ficar "mal acostumado" ou alguma coisa assim.

-Onde estou? – O cipriota se sentia estranhamente calmo, foi capaz de retirar a mascara sem sentir a falta de ar.

-Na Alemanha, distrito de Heidenheim, mais precisamente no castelo da família Heinstein, portal para o reino de Hades-sama. – O homem puxou a cadeira para próximo de sua cama e se sentou. Valentine observou cuidadosamente seu porte elegante, parecia um nobre. Sua postura era firme, sua voz forte, imponente. Sentiu o dedo indicador do homem tocar a pele da palma de sua mão. Acompanhou o movimento dos dedos dele com os olhos e pode identificar o pequeno circulo na sua palma, fora feito pela tampinha na noite do seqüestro.

Das roupas leves que o homem usava, emanava uma leve luz arroxeada que parecia envolver todo o ambiente e até mesmo a ele, Valentine. Seus batimentos cardíacos foram pouco a pouco normalizando, estranhamente não sentia mais medo, estava apenas cansado, fraco.

A luz arroxeada se tornou mais intensa nos seus ferimentos superficiais, fechando-os logo em seguida. Como se nunca houvessem existido.

-E quem é você?- Valentine se sentou inclinando a cabeceira da maca.

-Sou Radamanthys, um servo de Hades assim como você. Hades me encarregou de verificar como você está. É um Deus muito preocupado com os seus.

-Você disse Hades, Hades o deus do Inferno? – Sua voz era pura descrença. Havia sido raptado de Larnaca para a Alemanha pelo deus dos mortos, que por acaso possuía uma UTI e estava atendendo dele.

-Pff, esqueça essa visão pueril de inferno que aprendeu com os Ortodoxos. Aqui verá que não é tão glamuroso quanto os escritores querem fazer parecer. – O tom dele parecia ser...divertido?

-Não existe glamur no lamurio dos pecadores – Valentine murmurou baixo.

-Não mesmo, mas isso é algo que sentirá na pele conforme siga com o seu trabalho. – Radamanthys sentenciou.

-Espera, o que quer dizer trabalho? Que tipo de trabalho? – A desconfiança aquariana de Valentine sempre tinha o habito de dar as caras em alguns momentos inapropriados, felizmente para ele Radamanthys parecia não estar disposto a ter aquele tipo de conversa aquele momento. O inglês simplesmente se levantou da cadeira.

-Designarei alguém para acompanhá-lo e ensiná-lo o que precisar, assim que Queen lhe der alta poderá se juntar aos demais espectros.

-Espere!- Valentine ensaiou se movimentar, mas a dor o impediu.- Pelo menos me diga que dia é hoje!

Antes que pudesse pensar em falar qualquer outra coisa, Radamanthys se dirigia a passos firmes para fora da ala hospitalar.

Radamanthys fez um aceno leve com a mão e Valentine pode ouvir em preciso sotaque britânico:

-Happy valentine, Harpy Valentine. * - A porta se fechou e o homem saiu.

Valentine respirou fundo, estava impaciente.

Ele precisava entender o porquê de ser importante ali, porque se deram ao trabalho de buscá-lo? Disseram que ele não atendeu ao chamado de Hades. Seria aquela sensação estranha de antes? De que algo estava incompleto? Seria esse o chamado de Hades?

Daquela curta analise Valentine tinha certeza de apenas duas coisas:

Primeira: conversar com aquele homem seria uma árdua tarefa, que teria que enfrentar já que ele fora o primeiro a lhe oferecer qualquer migalha de informação.

Segundo: Teria que tomar cuidado... Muito cuidado.


Radamanthys fechou com cuidado a porta pesada de madeira adornada. Levou a mão as têmporas e soltou um suspiro de frustação.

-Como foi vosso encontro Kyoto-sama? – Radamanthys encarou com desdém a figura a sua frente. Zelos de Sapo fazia uma exagerada reverência.

O Kyoto de Wyvern passou a andar sendo seguido de perto pela estrela terrestre bizarra.

-Então Kyoto-sama! Conseguiu conversar em fim com Harpia? Sentiu alguma coisa diferente? – Zelos esfregava as mãos e sorria

-Nada aconteceu Zelos. E para o seu próprio bem espero que o meu cosmo volte a sua totalidade. - Radamanthys tinha um tom gélido e caminhava sem nem ao menos menear a cabeça na direção daquela infeliz criatura.

-O Kyoto-sama sabe que Zelos é guardião de todos os segredos dos espectros de Hades! Zelos jamais faria o kyoto perder seu tempo em procurar o espectro de Harpia se não fosse totalmente necessário Radamanthys-sama!- Zelos novamente fez uma reverencia quase tocando com o nariz pontudo o chão. Tropeçou nos próprios pés e caiu com o rosto no chão desajeitadamente.

-Eu confio nisso Zelos, mesmo sem minha totalidade de poder ainda sou capaz de aprisionar a sua alma para sempre no tártaro e fazê-lo sofrer pela eternidade... Não se esqueça!

- Radamanthys passou a andar mais rápido deixando Zelos para trás. Tremendo muito, sentado no chão.

-Zelos não esquece Kyoto-sama! Zelos não esquece!


O Kyoto de Wyvern seguiu pelo longo corredor de parede de pedra do castelo, era sua obrigação comparecer a reuniões diárias entre Pandora e os 3 juizes, principalmente agora que falta pouco para reunir a força dos espectros na totalidade.

O castelo Heinstein é dividido em um seguimento comum, com salas de reunião, cozinha etc., e um seguimento privado, esse é subdividido em quatro alas que seguem a rosa dos ventos. A Ala Norte é destinada a Pandora, guardiã da alma imortal de Hades-sama e do segredo dos deuses do sono e da morte. As demais alas são destinadas aos três Kyotos de Hades, Sul para Wyvern, Leste para Grifon e Oeste para Garuda. As alas abrigam os juízes e seus principais subordinados, aqueles espectros de maior cosmo e de maiores habilidades táticas para seus generais.

No centro das quatro alas existe uma passagem subterrânea, a escada que conecta o castelo ao submundo.

Radamanthys seguiu por entre os corredores até deixar a ala privativa do castelo, entrou na grande sala de reunião, onde todos aguardavam por ele.

-Está atrasado Radamanthys. – Era Minos de Grifon, segurava uma taça de vinho entre os dedos e a rodopiava – A senhora Pandora não aprecia essa atitude. – A olhou de soslaio. Sua voz era cheia de falso respeito e sarcasmo. O juiz de Grifon suspeitava que a jovem alemã nutrisse algum sentimento pelo mais feroz juiz do inferno. Assim, sua diversão naquele momento era provocá-la.

-E você está perspicaz como sempre Minos – Radamanthys se sentou no lugar reservado para si. Ignorava as provocações da estrala da Nobreza na medida do possível.

-Radamanthys, queremos saber sobre o espectro de Harpia. – Pandora ignorou a acidez de Minos tentando prosseguir com a reunião para passar os últimos acontecimentos aos deuses Hypnos e Thanatos.

-Ele segue no tratamento de Queen, seu cosmo está despertando aos poucos. Não sabemos ainda o porquê dessa demora, mas será em breve.

-Você tem noção que todos nós fomos contra essa perseguição sem sentido contra o humano nascido sob a estrela do Clamor não tem Radamanthys?- Era Aiacos de Garuda, sua postura era austera e sua voz firme.

-O que quer com isso Aiacos? – Radamanthys não gosta de ter suas atitudes questionadas. Antes de proceder o "seqüestro" de Valentine Radamanthys se dirigira aquele conselho, que achara absurda a idéia, mas estranhamente Pandora decidira a favor do Juiz de Wyvern permitindo que ele levasse dois espectros a ilha de Chipre.

-E então que Pandora-sama permitiu e eu e Minos nos calamos devido aos rumores, mas...

-Posso saber a que rumores se refere? – Radamanthys mantinha a voz completamente fria. A voz debochada de Minos se fez presente:

-Você é muito esperto para bancar o idiota Radamanthys, com certeza sabe dos rumores de que seu cosmo está enfraquecido frente a mim e Ayacos. Hades-sama não deve estar gostando nada disso, agora, o que me deixa curioso é... Porque buscar o humano Valentine ao invés de matá-lo e esperar uma estrela maligna um pouco mais... Como posso dizer... Subordinada?

-Se duvida do meu poder gostaria de convidá-lo a uma prova. – A frase foi pronunciada como um cavalheiro, mas os olhos dourados de Radamanthys refletiam um ódio louco. Minos sorriu e estava pronto para responder quando Pandora elevou sua voz.

-Hades-sama não aprecia essas tolices de vocês. Olhou para Minos, Hades-sama sabe de tudo o que se passa na recuperação do espectro de Harpia e autorizou a busca. Só devemos garantir que ele esteja pronto para suas funções na oitava prisão o mais rápido o possível.

-Tenho ainda minhas duvidas se podemos contar com a lealdade desse espectro. – Aiacos se dirigira a Pandora.

-Harpia irá jurar lealdade a mim, na presença de Hades-sama e os demais espectros para a sua tranqüilidade Kyoto de Garuda. – Radamanthys sabia que havia sido um pedido louco buscar o humano Valentine ao invés de matá-lo, não podia gerar mais desconfiança em suas ações.

-Nessas condições creio que todos ficarão satisfeitos. – Pandora proferiu se levantando. – Marcarei para a próxima lua cheia a apresentação do espectro de Harpia. – Pandora seguiu para o corredor em direção a sua ala privativa

-Ele estará lá senhora Pandora – Radamanthys também se levantou assim como os demais juízes.

-Boa sorte na sua empreitada Kyoto de Wyvern. –Minos seguiu pelo mesmo corredor de Pandora e deu um leve aceno de mão.

Radamanthys seguiu pelo mesmo caminho, devi contactar Queen e Sylphid. Queria que iniciassem um treinamento rigorosíssimo com Harpia para despertar seu cosmo e suas heranças passadas. Teriam até a Lua cheia, ou seja, quase um mês de treino.

Ayacos permaneceu parado ao lado de fora da sala. Ao se fechar a porta d sala de reunião aquele corredor foi tomado pela penumbra. Uma sombra se ergueu.

-E então o que achou Violate? – Era a espectro de Behemot, que se aproximou do Kyoto de Garuda.

-Ele tenta esconder que não possui seu cosmo na totalidade, ao contrario teria me percebido aqui. – Ela se pôs ao lado do juiz. – Seria tudo isso a falta do cônjuge? - Violate

-Mas porque ir atrás do humano e não apenas matá-lo e esperar a nova escolha da estrela demoníaca?

-Talvez o Juiz Wyvern tenha um coração afinal! – Violate riu e enlaçou o braço de Ayacos.

-Pouco provável, há algo que Radamanthys está escondendo.

-Radamanthys não conseguiria matar Harpia, nunca. Essa é minha hipótese. – Violate parecia achar todo aquele mistério divertido. – Você está muito preocupado a toa meu senhor.

-Acha que o enlace é mais poderoso que o dever com Hades-sama? – Ayacos olhava a jovem, ela não usava súrplice, apenas roupas normais. Entretanto sua aparência não era nada normal, tinha uma constituição física forte, mas o corpo era claramente feminino. Havia cicatrizes visíveis nos braços e tórax que apareciam por sob a camiseta.

-Seria capaz de me eliminar Ayacos-sama? – Violate se virou de frente para o Juiz. Seus olhos castanhos se encontraram com os azuis de Ayacos, o Kyoto enrolou uma mecha do cabelo negro da espectro em seus dedos.

-Seria capaz de trair Hades-sama Violate? – Violate riu.

-Se isso puder salvar a sua vida... - Ayacos soltou a jovem e a empurrou bruscamente contra a parede.

-Será morta se alguém ouvir isso!- Ayacos sibilou

-O senhor já ouviu Ayacos-sama. – Violate não parou de sorrir.

Ayacos abriu espaço para a jovem passar. Sabia que não seria capaz de eliminá-la.

-Voltarei as minhas tarefas, com licença Ayacos-sama. – Violate sumiu nas sombras. Ayacos suspirou. O enlace era algo complicado, mesmo para os poderosos juízes do submundo.

No universo existem almas que estão destinadas a ficarem juntas para sempre e sempre no ciclo de reencarnações. Essa força era tão poderosa que nem mesmo Hades era capaz de destruir esse tipo de elo. Ao escolher almas para seu exercito Hades fez questão de unir aquelas destinadas em seu exercito com um enlace. Raras eram as ocasiões em que a união falhava, afinal, as almas fariam qualquer coisa para permanecerem unidas.

Imaginava que seria um desastre se deixasse que uma dessas almas pudesse reencarnar como um cavaleiro de Athena. Seria menos arriscado trazer essas almas para seu exército primeiro.

Hades-sama sabia que Athena tivera a mesma idéia, apesar das razões diferentes. Athena sabia que os cavaleiros dariam muito mais de si nas lutas para proteger um ser amado.

Assim, cada um dos juízes possuía entre os espectros uma alma destinada a o acompanhar para o resto da vida. Todos no meikai sabem que a alma destinada a acompanhar o Juiz de Wyvern pertence ao espectro de Harpia. Ao mesmo tempo ninguém nunca soube o efeito para os juízes da distancia do cônjuge, assim fofocas começaram a correr, sem Harpia o cosmo do Juiz Wyvern nunca atingiria sua totalidade.

O que ninguém sabia era o que se passava na cabeça de Radamanthys de Wyvern em relação a tudo isso.