Misguided Ghosts

N/A: Olá a todos! Aqui está o quarto capitulo, vamos tentar desenvolver um pouco mais o que se passa na cabeça do nosso querido Juiz de Wyvern! Esse capítulo parece ter ficado muuuuito lento até mesmo pra mim, mas não se desesperem! Vai passar!

Agradeço muitíssimo aos comentários que recebi, foram muito motivadores =) Agradeço também aos leitores anônimos e aqueles que lêem no tradutor também O.o/.

Se alguma review ficou em ser respondida por favor se manifeste! Apesar de ter quase certeza que respondi todas.

Vamos ao que interessa


Hurricane- Cap 4.

No matter how many deaths that I die, I will never forget

No matter how many lives that I live, I will never regret

There's a fire inside, of this heart

And a riot, about to explode into flames

Where is you God?

Não importa quantas vezes eu morra, eu nunca esquecerei

Não importa quantas vidas eu viva, eu nunca me arrependerei

Há um fogo por dentro desse coração

Em um tumulto prestes a explodir em chamas

Onde está o seu Deus?

Hurricane – 30 seconds to mars

Condado de Derbyshire, Cidade de Nottingham

Os dedos hábeis percorriam as teclas do piano de cauda negro com destreza. A música rápida e forte da Apassionata de Beethoven preenchia a sala de musica. Os cabelos loiros do jovem que tocava pareciam importunar-lhe a visão da partitura, mas os dedos seguiam ligeiros e seguros.

A música seguia quando a porta da sala de musica se abriu, por ela passando uma jovem de cabelos igualmente loiros, os olhos possuíam uma estranha coloração de violeta e ela sorria. Ela colocou uma ultima vez a cabeça para fora da sala checando se alguém a vira entrar e a fechou com delicadeza.

Aproximou-se e se apoiou no piano, com o ato o jovem parou de tocar e levantou o rosto. Violeta encontrou violeta, obviamente aqueles dois eram irmãos.

-Que faz aqui? – O jovem perguntou folheando mais partituras de forma desinteressada.

-Oras! Vim te ouvir! – A menina cruzou os braços.

-Você odeia me ouvir Katherine, então só posso imaginar que você está fugindo de mamãe. – Puxou uma partitura e a posicionou

-Você sempre me julga pelo pior irmão! – A jovem levou a mão ao peito de maneira meio teatral. – Por acaso estou fugindo e tive vontade de ouvi-lo tocar oras!

O jovem riu. Observou a irmã de cima a baixo e parecia louca, o vestido que usava parecia incompleto, repleto de alfinetes e retalhos, seu cabelo estava desalinhado e tinha uma fita métrica presa no sapato direito.

O jovem voltara a tocar e a menina se calou, apenas o som do piano ecoando na sala.

-É verdade mesmo que vai viajar irmão?- A voz da jovem parecia um muxoxo baixo. O jovem não respondeu. A menina parecia ansiosa, como se estivesse esperando um bom tempo por aquela conversa.

-Radamanthys estou falando com você!- Novamente o jovem parou de tocar para encarar a irmã.

-Sim Katherine eu vou viajar. Tenho negócios a resolver na Alemanha.

-Porque você não me leva com você? Nunca fui a Alemanha!

Radamanthis sabia que o maior desejo de Katherine era sair da casa dos pais sem ser de braços dados e com o sobrenome de uma rica família. Sabia que a jovem ambicionava um tiquinho mais que aquele modelo de vida antiquado. Ambicionava estudar, ambicionava ser mais que a filha ou a esposa de alguém.

Pessoalmente não gostava que ninguém escolhesse seu destino ou o de sua irmãzinha. Entretanto, sabia que nada poderia fazer por Katherine. Radamanthys não poderia cuidar dela, não mais. Sabia que nunca voltaria da Alemanha. Não como o irmão que ela conheceu um dia.

-Katherine, existe algo que preciso lhe contar. – A voz de Radamanthys soava muito mais séria que o usual, seu olhar parecia nublado. – Eu não voltarei para essa casa, pretendo me mudar para a Alemanha indefinidamente.

-Você já sentiu irmão? Os ventos da mudança? – A garota olhava pela janela seus olhos atravessavam a paisagem, atravessavam os campos verdes e a floresta de pinhos.

-O que você está dizendo Katherine? – Radamanthys por um instante se assustou, a garota também recebera o convite de Hades-sama?

O olhar que receberia da irmã se impregnou na memória para sempre. Estavam rasos de água, sorria, mas seu olhos... Pareciam traídos.

-Eu sempre soube que aqui não era o seu lugar...

A voz de Katherine foi se borrando, seu vestido, seu cabelo longo e loiro, o piano, tudo foi esvaecendo lentamente.

Remexeu-se e abriu os olhos. Estava em seus aposentos.

Esfregou os olhos e se sentou. Fazia muitos dias que não sonhava com sua vida anterior, com sua irmã e sua família. Lembrava claramente do chamado de Hades e de como armou tudo para seguir o deus do submundo. No dia seguinte ao de seu chamado saíra em viagem.

Fora tudo minimamente planejado por ele, seguiria para a Alemanha com a desculpa de conhecer o novo projeto da empresa de seu pai. O que o deixou muitíssimo orgulhoso e satisfeito, diga-se de passagem. Fez a viagem de trem até o distrito Heidenheim, quando forjou um terrível acidente envolvendo seu carro alugado. Junto dele estava uma jovem alemã, os longos cabelos e olhos negros, o vestido fino e o cosmo que sentia emanando dela o faziam ter certeza. Ela era a representante da vontade de Hades-sama, e estava ali para buscá-lo.

Afinal ele havia feito um juramento ao deus dos Mortos.

Lembrava-se de chegar ao castelo Heinstein, das reverências e cumprimentos que recebeu dos espectros ao andar pelos corredores. E de caminhar por seus longos corredores de pedra como se vivesse ali há eras.

Lembrava-se de descer a imensa escada em caracol tendo como único apoio a luz bruxuleante das tochas presas na parede.

Ao final da descida recebeu a súplice de Wyvern, a prova de que aceitara o contrato com Hades-sama. Ali a súplice tomou seu corpo para si e mais, preencheu aquela alma que antes era do aristocrata Radamanthys, filho de um importante industrial, que possuía uma irmã mais nova, uma família.

Tudo o que conhecia até ali deu lugar à vivência de milênios da alma do Juiz Radamanthys de Wyvern.

A experiência mais dolorosa da vida de um espectro é a possessão da sua alma demoníaca pelo corpo mortal. É abandonar todo resquício de humanidade e abraçar a um juramento feito pela sua alma e que durará a eternidade.

Sim, todos os espectros têm um pacto com Hades, vida eterna em troca da lealdade cega. Essa vida eterna é mantida através das súrplices, ao aceitar sua respectiva súrplice a alma recebe todas as memórias, sentimentos e lembranças dos predecessores.

Sentiu-se ir de joelhos ao chão, a cabeça pendeu para frente com todas as lembranças invadindo-o como um tornado. A luta contra Kardia de Escorpião, ter se arrastado quase sem vida até o palácio de Hades-sama, que exigira uma prova de lealdade. A última imagem cravada na sua mente, seu punho transpassando Valentine de Harpia ao sair do palácio de Saturno. Valentine quase sem vida agarrado a si, sussurando "Cuidado... Não se deixe manipular..."

Sua luta contra Regulus de Leão e a morte de seu corpo com o coração pulverizado pelo golpe Cápsula do Poder. Sim, lembrava-se de tudo claramente, confrontara o humano que servia de morada a Hades-sama, Aaron, lutara contra ele e perdera. Sua ultima ação com vida fora salvar Pandora do Lost Canvas.

Todas essas lembranças levaram lágrimas aos olhos do Juiz Wyvern que ele não teve coragem de derramar. Os braços de Pandora o envolveram e ele a empurrou delicadamente.

- Não me deixar manipular... Você estava certo o tempo todo não é?

-O que está dizendo Radamanthys? – Pandora se afastara do Juiz.

-Harpia... Onde ele está?

Se ele Radamanthys de Wyvern estava ali onde estaria seu braço direito?

Onde estava Valentine de Harpia?

Radamanthys se fez aquela pergunta todos os dias de seu despertar como juiz do inferno. Sabia que havia sido o primeiro juiz a despertar para a nova guerra santa, então aguardava que em breve Valentine despertasse.

Nunca se julgou romântico, ou desesperado, mas aquilo o deixava extremamente... Ansioso.

Como seria encontrar aquela alma que fora destinada a ser dele? Como seria encontrar aquele destinado a ser o seu amor para toda a vida? Pois aquele dia de encontro nunca chegou e Radamanthys tentou ao máximo simplesmente não pensar sobre ele.

Encarregou-se pessoalmente de despertar as estrelas demoníacas que seriam suas subordinadas e assim o fez com Queen, Sylphid e Gordon, seus subordinados mais poderosos. Assim se distraia.

Até que os dias foram passando demais, e nada de Valentine, nada do espectro de Harpia aparecer. Aquele burburinho da ausência do braço direito do Juiz de Wyvern deu lugar a fofoca, que sem seu espectro de maior confiança, sem a alma do seu enlace o Juiz não conseguiria despertar seu cosmo.

Radamanthys sabia que seu cosmo não estava na totalidade. Sabia que o espírito da estrela da fúria, o Wyvern não havia comungado totalmente com ele, talvez fosse por isso que sonhava sempre com esse passado de vida.

O juiz Wyvern se levantou da espaçosa cama com dossel e seguiu pelos corredores da sua ala particular bufando. As desconfianças de Ayacos e as provocações de Minos poderiam atrapalhar a recuperação de Valentine e isso ele não poderia permitir.

O Juiz empurrou uma pesada porta de carvalho, revelando uma ampla sala. Havia uma grande estante de livros que recobria toda a parede lateral de cima a baixo, a frente uma ampla janela com uma escrivaninha antiga, nela muitos pergaminhos e um caderno de anotações, os rabiscos com caligrafia rápida indicavam que Radamanhys havia trabalhado muito em cima daquelas notas.

Oposto a biblioteca estava um pequeno sofá e uma mesa redonda com tampo de madeira escura. Na mesa repousava uma bandeja com um Whisky e um copo.

Largou o corpo no pequeno sofá e se recostou.

Estavam a quase seis meses treinando espectros, e preparando a si mesmo para suportar a totalidade do cosmo de um Juiz do Submundo, seria um tolo se não admitisse que estava cansado. Mais que isso, sua alma estava cansada.

Mesmo na presença de Harpia não sentia seu cosmo na totalidade. Fora de fato meio frustrante, não sentira nada, nada em absoluto. Quando se esta na presença da alma prometida para a vida devia se sentir algo não?

O Juiz se voltou para a escrivaninha e seus pergaminhos, estudaria mais a fundo a respeito do enlace e da relação entre Harpia e Wyvern para aí sim decidir seus próximos passos.

A única certeza que possuía era a que algo como o que ocorreu na ultima guerra santa não se repetiria.

-Vou me retratar com você Valentine, pode apostar...


Valentine estava em pé sob uma imensidão gelada. Seu corpo parecia incrivelmente pesado, as articulações rígidas. Ao observar seus pés viu garras, garras de uma ave de rapina que emitiam a mesma aura arroxeada a que se acostumara.

Forçou o corpo e moveu as mãos e os braços. Num estalo se moveu, uma leve camada de gelo se formava sobre as vestes. Só aí pode olhar melhor, toda a sua vestimenta parecia um exoesqueleto arroxeado brilhante. As mãos se pareciam com garras extremamente afiadas.

Um vento terrível chicoteava sua armadura, ao longe podia observar figuras gigantescas se movendo, seus passos geravam pequenos tremores na terra.

Conforme a leve camada de gelo sobre si se quebrava os movimentos ficavam fáceis e graciosos. As asas de sua roupa tremularam de leve espanando todo o gelo e Valentine decidiu se mover ou novamente ficaria recoberto. Enquanto andava sentia que algo se movia sob seus pés, ao fitar o chão se assustou.

Corpos. Milhões deles por baixo da grossa camada de gelo no chão. Alguns com os rostos desesperados e contorcidos socavam o gelo numa tentativa desesperada de sair. Rachaduras começaram a se formar na superfície, num golpe desesperado uma mão ultrapassou a barreira congelada e se agarrou com firmeza no tornozelo de Valentine, que chutava desesperadamente a criatura de forma meio humana.

Outros monstros parecidos usavam o corpo desse agarrado a Valentine para subir, logo haviam vários quebrando mais e mais gelo e subindo.

Uma cratera foi aberta pelas criaturas.

Conseguindo se desvencilhar do que agarrara sua perna, Valentine se distanciara. Aquelas criaturas não eram capazes de correr como Valentine, que graças às garras da armadura se movia com agilidade.

Observou-os bem, os rostos eram definitivamente humanos. A aparência era de decomposição, os olhos vidrados, pareciam carcaças sem alma. Não falavam ou se expressavam, até mesmo se empurravam e se agrediam enquanto tentavam se aproximar do espectro de Harpia.

À medida que as criaturas se aproximavam seu coração acelerava. O que faria? Não poderia fugir para sempre. Por que estava ali?

Antes que pudesse elaborar um plano a armadura emitiu um cosmo arroxeado, que preencheu todo o corpo do aquariano. Não sabia explicar, mas uma estranha sensação tomou conta do seu corpo, suas mãos se moveram sem o seu comando. Os braços se ergueram e Valentine pode sentir as asas da armadura batendo levemente emitindo mais luz arroxeada.

Sentia como se a armadura falasse consigo. Ela queria que ele reagisse, ela dizia que aqueles eram monstros pecadores, cujas almas mereciam ser aprisionadas pela eternidade. Valentine não sabia, mas a armadura sabia o que fazer. Parecia então que ele compreendeu o que devia fazer, o que a armadura queria que ele fizesse.

Com concentração seu cosmo se elevava, uma grande energia passou a se acumular em suas mãos. Suas asas passaram a produzir uma terrível ventania, o cosmo que mantinha já era grande demais para ser contido, Valentine num instinto lançou aquela energia. Sentiu seus lábios proferirem de maneira confiante ao vento.

-Devorador de Vidas!

As almas explodiram numa terrível onda de choque, o vento provocado pelo bater de asas empurrou seus corpos inertes de volta ao buraco no gelo. Valentine se aproximou com um salto da borda da cratera, sentiu que a armadura se modelava a cada movimento planejado. Com mais cosmo fechou o buraco no gelo.

Suas pálpebras tremularam. Sentiu os olhos se adaptarem a luz do ambiente aos poucos.

-Ah! Que maravilha finalmente está acordando! Hei! Queen!

-O que está fazendo Fiodor?- Valentine observou o jovem que chegava, vestia um jaleco branco igual a um médico, tinha os cabelos arrepiados para cima e uma farta franja. Os cabelos tinham uma peculiar coloração rosada.

Ele se aproximou da cama que Valentine dormia e diminui o volume de oxigênio que Valentine recebia pela máscara.

-Quem são vocês? – A voz de Harpia saia rouca.

-Sou Queen de Alraune, servo de Radamanthys-sama. Responsável por você, pelo menos por enquanto.

-E eu sou Fiodor de Mandrágora e...

-Está aqui mais atrapalhando que ajudando... – Queen completou sem olhar para o jovem russo, aferia a pressão de Valentine e checava outros sinais vitais.

-Hei hei eu estou bem, de verdade!- Valentine teve sua cama reposicionada e seu encosto colocado na posição vertical. Queen agora usava uma pequena lanterna e checava seus reflexos pupilares.

-Eu sei, é só pra garantir. – Queen se afastou. – Por mim você já poderia ir hoje mesmo. A recuperação a seguir só virá com o cosmo.

-Isso foi o mesmo que aquele homem disse. – Valentine olhava para baixo, lembrava vagamente da visita de outro homem, num dos poucos momentos em que esteve acordado até ali.

-Sim, Radamanthys-sama compartilhou cosmo com você, é por isso que está tão bem. Ele é um Juiz muito generoso. – Atrás de si Fiodor fazia careta imitando Queen. Valentine segurou um riso.

Queen ao perceber se virou para Fiodor.

-Será que dá pra parar? Como alguém tão infantil foi virar um espectro?

-E você será que pode usar um babador para falar de Radamanthys-sama pelo menos? Ou será que esquece que ele tem dono? – Fiodor fez um leve meneio com a cabeça para Valentine.

-Ahhhh! Seu grande IDIOTA! – Queen deu um grande cascudo em Fiodor, mas sua colocação mudou o semblante de Valentine.

-O que ele quis dizer Queen? – Valentine perguntou.

-Não precisa se preocupar! Avisarei a Radamanthys-sama que sua recuperação está completa e amanha mesmo devera ser iniciado nos deveres de espectro. – Queen sorria e falava rapidamente.

Valentine sabia que algo não estava certo, mas guardaria aquela impressão para si. Queen sentiu o desconforto do aquariano. – Não se preocupe Valentine, amanhã você já saberá de tudo, não haverá mais segredos para você.

Valentine assentiu contrariado.

-Acho que você deve dormir mais, nós não vamos mais te importunar por hoje. Amanha será um longo dia de recuperação para você! – Fiodor passou a mão amigavelmente pelos cabelos de Valentine.

-Sim, amanha estaremos no seu treinamento. – Queen seguiu pela porta pesada da enfermaria com Fiodor.

Quando ambos saíram Valentine sentiu o peso de toda aquela solidão. Esperava que quando fosse "desperto" e tivesse o tal cosmo e todas as outras coisas que faltavam esse sentimento fosse embora.

Com esses pensamentos adormeceu.

Estava novamente sob a imensidão gelada. Ao longe observava os Gigantes que obstruem a passagem do oitavo para o nono círculo. Sentia dor no braço esquerdo apesar de não fazer idéia do que acontecera consigo. Seguiu em direção a uma pequena casa de madeira no meio do gelo, de alguma forma sabia que aquela era a sua moradia.

Empurrou a porta pesada e rústica e adentrou. Surpreendeu-se com o aconchego da casa, a direita uma pequena lareira em pedra escura e a sua frente um pequeno sofá macio de três lugares. A esquerda a mesa redonda de 5 lugares e um pequeno corredor que ele sabia levar a cozinha. Apesar de rústica a cozinha era bem equipada. Estranhamente Valentine não tinha nenhum controle daquele corpo, assistia ao que aquele "eu" fazia, como se estivesse preso numa redoma de vidro, como se algo controlasse seu corpo.

Observou o seu "eu" colocar uma chaleira de água no fogo a gás e se jogar pesadamente no sofá. Estava sem súrplice, seus olhos estavam quase se fechando quando ouviu batidas na porta. Seu coração acelerou, ele sabia que estava esperando que alguém batesse a sua porta.

Levantou-se e observou o olho mágico. Do lado de fora cabelos loiros revoltos com a nevasca do Cócitos, abriu a porta e permitiu que a figura alta adentrasse. Os olhos violetas de Radamanthys se encontraram aos seus verdes, reparou que ele não usava súrplice, apenas calça escura de tecido pesado e uma camiseta regata branca, nos pés botas pesadas. Simples. Bonito.

-Você parece estranho Valentine, o que sucedeu? – O homem loiro adentrou a casa se aconchegando na lareira como se há muito fosse conhecido e bem vindo. Viu-o remexer o fogo e levantando mais brasa.

O Valentine de seu sonho sorriu. O loiro abriu espaço para que Valentine se sentasse ao seu lado, de frente para o fogo, o que seu "eu" prontamente captou.

Sentou-se e sentiu ser abraçado junto ao peito forte do homem. Sentia seu coração acelerado e temia que o Juiz pudesse ouvi-lo. Já Wyvern somente o abraçou e acarinhava seus cabelos com as pontas dos dedos. Ficaram assim no silencio de suas respirações até o assovio fino da chaleira no fogo, sentiu a mão do Juiz abandonar seus cabelos e se levantou até a cozinha.

Seus movimentos eram mecânicos, a mistura das ervas para infusão na água, a pequena quantia de leite em uma das xícaras e os torrões de açúcar .

Voltou para seu lugar com duas xícaras de earl grey, em uma delas havia um dedo de leite. Entregou a xícara ao Juiz.

-Você realmente parece estranho Valentine – O juiz pegou sua xícara e encarou Harpia profundamente nos olhos.

O espectro se sentiu desnudo e apenas desviou o olhar. Radamanthys voltou a abraçar o espectro de Harpia.

E permaneceram ali os dois naquele pedaço de eternidade.

Valentine acordou no dia seguinte se sentindo estranhamente bem.


N/A: Eu disse que estava lento, mas eu achei necessário, Valentine vai acordar aos poucos. Será que vocês me matariam se eu fizesse um capitulo só para o Ayacos e outro só para Minos? Ou isso deve ser retratado em outra fic? =/

Obrigada a quem chegou até aqui! =D