Lisa e eu sempre fomos amigos, nos demos bem logo de cara e com o passar do tempo nossa amizade só foi aumentando. Sempre a vi como amiga, é claro que eu à achava uma mulher linda e muito atraente, mas isso é normal, não sou de ferro e era impossível não achar isso da Lisa. Todos tinhamos uma relação muito boa no set, todos nós passávamos mais tempo com os colegas de trabalho do que com a própria família.
A série foi tendo cada vez mais sucesso e já estávamos no final da 4a temporada, quando algo de diferente em mim aconteceu. Depois
da cena do episódio em que House
alucinou e viu Cuddy fazendo um strip-tease pra ele, eu é que fiquei alucinado. Aquela cena não saía da minha cabeça, e as vezes chegava a me tirar o sono. Lisa não fazia idéia de como aquilo tudo tinha mexido comigo, de como meus pensamentos estavam em relação à ela, a seu corpo.
Foi quase uma semana lutando contra meus pensamentos, contra as imagens de Lisa com toda a sua sensualidade na cena. Aquilo não podia continuar, eu tinha a minha esposa e a respeitava muito, e desejar outra mulher não era certo. A minha sorte foi que logo depois a temporada havia acabado e com isso tiramos férias, isso foi a minha salvação. Me distanciar por algum tempo de Lisa era o que eu precisa para colocar as minhas idéias em ordem, o que foi um alivio pra mim e para os meus pensamentos. E deu certo, quando voltamos a gravar a 5a temporada tudo estava normal, no caso, eu estava normal.
Como todo começo de temporada as gravações estavam a mil, ja
tínhamos completado as gravações de alguns episódios e eis que chega a cena do primeiro beijo de House e Cuddy. Era uma cena importante, pois era um momento muito esperado pelos personagens e pelo público também. Eu não imaginava que aquele beijo da cena iria me deixar com os pensamentos tão inquietos, como aconteceu com o strip-tease. Mas dessa vez foi diferente, a coisa foi bem mais intensa, bem mais perigosa por ter tido um contato físico maior. A emoção que os personagens sentiram no beijo passou pra mim e pra Lisa, os sentimentos de House e Cuddy pareciam ter se misturado com os nossos. Era como se o real estivesse imitando a fantasia, mas não de uma forma pensada e sim sentida. Acho que eu e Lisa estávamos tão confusos
com os nossos sentimentos, quanto
House e Cuddy, mas uma coisa era
certa, ambos queriam e gostaram do beijo.
A cena passou e os sentimentos
ficaram, o clima havia mudado. Eu
sabia que Lisa estava sentindo o mesmo que eu, eu pudia ver em seus
olhos, em seu sorriso. O mais incrível era como nós estávamos sabendo lidar com aquilo tudo, sem ter nenhum constrangimento ou incomodo, sem deixar com quê o que a gente estava sentindo um pelo outro se transformace em um peso, um erro. Nós haviamos criado uma cumplicidade ainda maior.
O tempo passou e nada foi dito ou confessado sobre nós, apenas alguns sorrisos e olhares diferentes foram trocados durante esse tempo.
Mais um fim de temporada estava pra acontecer, e com ele o começo de mais alguma coisa entre Lisa e eu. Depois de termos gravado a cena do beijo, nesse fim de temporada tivemos algo bem mais intenso, bem mais quente. Dessa vez House alicinou ter passado uma noite de amor com Cuddy e no dia da gravação nós ficamos bastante ansiosos.
A cena foi maravilhosa, eu lembro como se fosse hoje, aquela prensada na parede foi o meu fim, até hoje não sei como eu consegui seguir a cena sem sair do combinado. A cena que foi ao ar teve alguns cortes, mas gravamos tudo na sequência, passo à passo de toda a pegação. Quando Lisa ficou sem blusa nâo consegui segurar minha excitação, despi-la depois de ter a beijado e a acariciado me tirou a pouca concentração que ainda me restava.
Quando a encostei na parede pela
útima vez, sei que ela sentiu que eu
estava excitado. Lembro que aquela era a útima cena do dia, e assim que acabamos de gravar fomos embora e só nos despedimos com um ''até amanhã''.
No dia seguinte quase não nos
vimos, ao final do dia eu estava super cansado, quase todos já tinham ido embora e eu no meu treiler também já me preparava para ir. De repente Lisa entra com aquele seu sorriso encantador e ao vê-lo todo o meu cansaço foi embora. Ela foi me procurar para me dá um ''oi'' antes de ir para casa, pois como eu havia dito antes, quase não nos vimos o dia todo.
O ''oi'' se estendeu em uma conversa deliciosa que nos rendeu alguns minutos e boas risadas, nem vimos o tempo passar. Quando percebi que a conversa já estava chegando ao seu fim, comentei sobre a cena, sobre minha excitação e pedi desculpas pelo acontecido. Ela sorriu como se eu tivesse dito uma bobagem e realmente ela achou aquilo bobo. Foi logo dizendo que eu não precisava perdir desculpas, que a situação foi propícia a uma excitação e isso era natural e que o mesmo tinha acontecido com ela. Fiquei surpreso e feliz ao mesmo tempo com aquela confissão, ela também havia se excitado durante a cena e a naturalidade com a qual ela falava sobre o assunto era o que mais me encantava.
Lisa tinha o poder de me deixar
completamente à vontade ao seu lado, de falar sobre qualquer coisa sem que eu me sentisse constrangido. Mas ao falar que qualquer mulher no lugar dela também se excitaria, não só por todo contato fisico que tivemos, mas também pelo fato do homem atraente que eu era,
me constrangeu. Mas não a ponto de evitar em dizer que ela também era muito atraente, além de linda. Senti que ela me olhou diferente, tinha desejo em seus olhos, mas fez questão de disfarçar com um imenso sorriso, dizendo que eu era extremamente gentil e exagerado também. Foi então quando lembrou que precisava ir, levantou da cadeira
e me cumprimentou com um rápido beijo no rosto, como se estivesse
fugindo do clima que havia se formado. Quando ela deu as costas chamei por seu nome e segurando-a
pelo braço fiz com que ela virasse
para mim novamente, olhei profundamente em seus olhos, não resisti e a beijei.
Aquele momento foi único, apesar de já ter beijado Lisa em cena, aquele beijo era como se fosse o primeiro, era como se eu nunca tivesse sentido a maciez de seus lábios antes, porque dessa vez estávamos
sozinhos, sem câmeras, sem personagens, sem nada combinado.
Eu a beijei profundamente com um desejo que não cabia em mim,
segurei-a tão forte pela cintura que tive medo de quebrá-la. Lisa é daquele tipo de mulher que é pequena e magra, mas que tem curvas capaz de enlouquecer qualquer homem. Dona de um corpo perfeito, falando numa linguagem mais vulgar, Lisa é gostosa.
Apesar de ter a beijado de surpresa ela não se opôs em momento algum, pelo contrário, Lisa correspondeu ao beijo com a mesma intensidade. Esquecemos aonde estávamos e nos entregamos ao beijo, quando nossas bocas se separaram e nossos olhares voltaram a se cruzar confessei que eu não parava de pensar nela, de desejar tê-la em meus braços. E quando ouvi Lisa falar que estava sentindo a mesma coisa, não falei mais nada e voltei a beijá-la com um desejo ainda maior.
O treiler foi ficando pequeno para nós dois, nossas carícias ficavam cada vez mais quentes. Era uma loucura aquilo tudo, alguém poderia nos ver, mas não importava até porque nosso raciocínio estava bem longe naquele momento. Foi aí que meu celular tocou, mas não atendi e ele voltou a tocar e Lisa pediu pra que eu atendesse. Atendi e era a minha mulher, na hora senti a expressão de incomodo da Lisa e uma certa frustração. Falei o mínimo e desliguei o mais rápido que pude, mas infelizmente o clima foi quebrado e Lisa foi embora me dando um boa noite dali mesmo de onde estava, da porta. Fiquei com muita raiva, maldita ligação.
No dia seguinte antes de Lisa ir
embora a procurei para conversar,
eu precisava falar com ela já que na noite anterior ela não me deixou falar nada e se foi. Pedi desculpas por aquela ligação ter nos atrapalhado e disse que aquilo não iria mais acontecer, me aproximei e passei a mão em seu cabelo sentindo seu
perfume ao encostar meu rosto nele. Nos beijamos apaixonadamente,
sugeri que a gente fosse pra um lugar mais tranquilo, onde a gente pudesse ficar mais a vontade sem se
preocupar se alguém iria nos ver ou não.
Lisa aceitou e combinamos de irmos para sua casa, ela sairia primeiro e eu logo em seguida pra ninguém notar nada. Mas antes de Lisa deixar o treiler minha mulher me liga, eu esqueci de desligar a droga do celular e mais uma vez ele nos atrapalhou. Minha mulher não costumava me ligar tanto, parecia que
ela estava advinhando o que estava acontecendo.
Dessa vez Lisa não foi embora, o que deveria ser bom, mas não foi. Lisa disse que era melhor aquilo acabar antes mesmo de começar, de que era um erro e ela não queria continuar. Tentei fazer com que ela não desistisse do que sentiamos um pelo outro, mas Lisa nem me deixou falar. Ela continuou e disse que não iria suportar minha mulher me ligando sempre que estivéssimos juntos e não adiantava eu falar que aquilo não iria acontecer sempre, porque sempre iria acontecer. Que não queria me dividir com ninguém e se era pra me ter pela metade, essa metade era pouco e ela não queria. Pediu pra que eu parasse
de pensar nela, pra que voltasse a
ser como antes, apenas seu amigo
porque ela preservava a nossa amizade e era melhor continuarmos apenas com ela. Me desejou boa noite, foi embora e eu fiquei arrasado.
Só tinhamos mais quatro dias de gravações e tirariamos férias. E nesses quatro dias Lisa e eu conversamos pouco, eu diria que quase nada. As férias passaram, voltamos a gravar e continuamos amigos como antes, mas com aquele sentimento guardado em nós. Durante todo esse tempo até sua saída, nada mais aconteceu entre a gente.
