Maldita Entrevista
Olhei o batom vermelho como os meus cabelos e comecei a passar levemente pelos lábios. Eu raramente usava esse batom e a última vez que me lembro de ter usado foi numa festa do ministério, que foi seguida por uma tórrida noite. Harry acordou com manchas vermelhas pelo corpo, por causa do batom. Bons tempos... Se eu tivesse um vira tempo para testar a reação dele ante essa idéia maluca, ou para sanar o nosso problema desde quando ele começou...
- Gina, você está bem? – Harry bateu na porta do banheiro. O tom de voz estava carregado de preocupação.
- Sim. Não entre, por favor. – respondi com o máximo de segurança que consegui. Eu estava fisicamente bem, mas a minha mente há muito estava com graves danos.
- O que houve? – ele não desistiu.
- Nada. Se continuar me interrompendo, vou demorar mais. – falei taxativa, enquanto desabotoava a roupa, era sério, não ia dar certo. A noite seria escura e o dia amanheceria manchado de batom vermelho. Isso já aconteceu antes, mas não importava.
- Ah... Acho que entendi... Deve ser algo bastante interessante... Estou curioso e realmente tentado a jogar um alorromora na fechadura. – ele falou com um tom sugestivo.
Olhei para o perfume. Tinha forma de uma garrafas de Whisky de Fogo. Whisky de fogo... Uma bebida forte que deixa qualquer pessoa relaxada, inclusive eu. Descontrola e faz a pessoa fazer coisas que não faria estando sóbrio. Touché! É isso. Vamos beber primeiro, depois veremos. Abotoei a roupa novamente. Acabei a maquiagem e saí do banheiro. Ia me jogar de um penhasco, se tiver água embaixo que bom, mas se eu bater numa pedra, ao menos saberei a sensação de voar sem a ajuda de nada.
Harry estava deitado e quando eu saí do banheiro me olhou confusa e apetitosamente. Ao menos na aparência acertei.
- Uau! O que mereceu tamanha produção? – ele perguntou levantando da cama. Me aproximei dele e empurrei de volta para cama. Acho que devo deixar as luzes baixas, foi o que eu fiz. Agora tudo era penumbra.
- Tenho uma sugestão a te fazer. – falei e senti minha voz estremecer.
- Vá em frente!- ele falou se inclinando para frente, numa demonstração de interesse.
- Que tal um pouco de Whisky de Fogo para animar a noite e relaxar? Quero dizer, não me lembro de termos feito nada sob efeito de álcool. – falei de uma vez.
- Hum... Álcool? E se soltar para fazermos qualquer coisa? Parece uma boa idéia.- completou a frase com um sorriso e então conjurou duas garrafas, uma de hidromel e outra de whisky, e dois copos para hidromel. Sentei ao lado dele na cama e recebi meu copo cheio de hidromel. Talvez a idéia dele fosse começar pelas mais fracas.
- Um brinde, às possibilidades! – Harry falou erguendo o copo. Eu repeti o gesto com um sorriso discreto. A noite estava apenas começando. Em meia hora de toques e olhares sugestivos acabamos com a garrafa de hidromel. Harry conjurou outros copos, agora para whisky. Uma nova bebida, um novo brinde.
- Às mudanças! – eu falei, sentindo meu corpo mais leve, depois de meia garrafa de hidromel. Entenda, apesar do baixo teor alcoólico eu não sou acostumada a beber. Minha roupa estava sendo desabotoada a cada gole de whisky. Harry começou a fazer um caminho molhado de beijos em meu pescoço. Eu sentia meu corpo estremecer, ao mesmo tempo que sentia a leveza de minhas mãos e a lentidão dos sentidos. Eu estava ficando bêbada, e estava sendo maravilhoso, por que de repente senti vontade de fazer o que Helen disse, apesar de ainda estar hesitante. Não levantei da cama. Continuei bebendo e sendo beijada. Depois de três copos de whisky, eu estava apenas de calcinha e sutiã e ele de cuecas. Bem, depois de três copos de whisky eu estava leve demais para esboçar qualquer reação que exigisse muita força, logo não conseguia levantar da cama. Tudo que os meus músculos involuntariamente faziam era rir e fechar os olhos. Não lembro muito bem em que momento fiquei sem sutiã...
* H*&*G*
E nada do que aconteceu antes da terrível dor de cabeça que estou sentindo agora faz sentido. Se é que aconteceu alguma coisa. São seis horas da manhã e Harry se encontra na minha frente, me dando um copo de qualquer coisa muito ruim. Minha visão estava desfocada e a voz de Harry distante...
Depois de tomar todo o conteúdo ruim, meus ouvidos começaram a funcionar melhor, apesar da dor de cabeça não ter diminuído.
- Você e eu estamos de ressaca. Você está pior que eu... – ele falou com um tom de voz divertido. – Imagina só, nos dois de ressaca. Acho que vou inventar alguma desculpa para não aparecer no MM hoje.
- Eu tenho que ir trabalhar. – falei tentando me levantar da cama. Coisa que só consegui com a ajuda dele. – Os meninos já acordaram?
- Estava indo fazer isso agora mesmo. Fique mais um pouco. Estou melhor que você, hoje eu cuido de tudo.
- Certo. É... Harry. O que houve ontem? – estava ansiosa por saber o que minha memória não conseguia lembrar.
- Nada. Você dormiu e derramou whisky pela cama. Fiz um feitiço de limpeza e dormi também. Acredite, estou morrendo de dor de cabeça, como imagino que você também esteja. Beber assim nunca mais.
- Concordo! – esbocei um sorriso fraquinho. Talvez fosse melhor eu ter feito o que Helen me ensinou. A noite foi um desastre. Simplesmente arruinei tudo, me tornando uma bêbada estúpida. DROGA! Hoje, gostando Harry ou não, farei algo surpreendente.
* H*&*G*
Harry foi me deixar no trabalho hoje. Estava particularmente feliz com esse fato, apesar da felicidade esvair quando lembrava o motivo. A ressaca. Ele estava melhor que eu aparentemente, mas reclamava da mesma dor de cabeça.
- Me deixe ter a idéia de hoje. – falei quebrando o silêncio.
- Se não envolver nada alcoólico... – ele respondeu sem me olhar.
- Prometo que nunca mais vou beber daquele jeito. Maldita dor de cabeça! – ainda não sei como vou trabalhar hoje... – chegamos à redação do Profeta. Nada de beijos, como antes acontecia.
- Bom trabalho para você, se possível – ele falou com um sorriso contido.
- Idem. – respondi descendo do carro e lembrando meses atrás, quando esse adeus era um beijo longo. Fui para a redação e a minha cara de poucos amigos de sábado poderia ter amenizado se não fosse a bebida. Maldita bebida!
Angelina mandou me chamar assim que sentei na minha cadeira. Estava pensando seriamente em dizer a mamãe que ela estava sendo uma chefe muito má comigo. Isso soou terrivelmente infantil, mas a minha paciência estava lá embaixo, junto com a minha auto-estima.
- Fala.
- Bom dia, Gina querida! Que bom te ver! – ela falou com um irritante sorriso irônico. Talvez Angelina fosse a cunhada que mais conseguia me irritar com bobagens. A primeira, que há anos atrás era Fleur, agora era Hermione, com a mania de saber de tudo sobre tudo na minha vida.
- Bom dia! Olha só, Angie, eu to com uma dor de cabeça do cão, por isso vá direto ao ponto. – falei com um tom cansado.
- Sua aparência está fim-de-festa e sua cara, de ressaca do outro dia. O que houve? – ela estava preocupada. Morrigan! Talvez eu estivesse muito mal.
- Nada. Eu só bebi whisky demais. Juro que nunca mais encostarei numa garrafa de Whisky de Fogo na vida. – falei com a voz cansada. Angelina riu.
- Acho que sua festa não foi boa, afinal.
- É, eu também acho. – retruquei sincera. Mas podia ser pior...
- Você deve terminar aqueles artigos e começar estes daqui – falou me dando pergaminhos – São sobre o treinamento das seleções. Acho que você deve assistir aos treinamentos dos países favoritos a vencer, para o artigo ficar mais completo. Análise técnica ocular, sabe?
- Hum... Isso seria algum relato sobre os tais treinamentos?
- Sim. Feito pelos repórteres. Mas, nada melhor do que ver por si mesma.
- Precisamos marcar, então. – Harry iria odiar isso, mas teria que aceitar. Afinal, ele também viaja de vez em quando.
- Certo. Não esqueça que hoje Dana Vance vem terminar a entrevista que começou no sábado.
- Droga. – saí me controlando para não bater a porta, afinal, a culpa não era de Angelina. Tinha esquecido a cria de Malfoy e Skeeter. Iria dar um jeito de sair mais cedo.
Voltei para minha sala e comecei a ler os relatos dos treinos. Por eles, talvez fosse necessário ir à Irlanda, Espanha e Escócia, além de ir à América do Norte e do Sul, por causa do Canadá, do Peru e do Brasil. Já fui a todos esses lugares antes, por causa das Harpias e da minha única temporada pela seleção da Inglaterra. Mas, eu tinha de dezenove para vinte anos, não era casada e não tinha filhos. O resto do dia transcorreu normalmente, e a dor de cabeça foi passando, até que após o almoço não restava mais nada. Resolvi sair às duas para tentar fugir da garota, mas quando pus os pés fora da sala lá estava ela, sorridente e irritante, tal como me lembrava.
* H*&*G*
- Boa Tarde, Senhora Potter! Vim acabar o que começamos. – ela falou sorridente. Aff.
- Sim, claro, querida. Venha comigo. – minha voz soava tão falsa que a recepcionista, Adna Earnshaw, se conteve para não rir.
- Sente-se. Onde nós paramos mesmo? – quis saber fingindo estar completamente interessada.
- A senhora respondeu apenas uma pergunta, antes que Hermione Weasley chegasse. E nós paramos na pergunta: 'como seus filhos lidam com o fato de não ter a mãe 24 horas por dia?
- Sim. Vamos começar então. Meus filhos estão na escola enquanto eu trabalho aqui, então não temos grades problemas. Albus é mais difícil, por ser o mais jovem, mas já está se acostumando com os colegas e as aulas. Acho que todas as mães, hoje em dia, devem deixar um pouco da educação dos filhos para o mundo, para que eles cresçam se relacionando melhor com as pessoas.
- Obrigada! Não foi difícil voltar a jogar quando seu primeiro filho nasceu? E para parar depois que o seu segundo filho nasceu, como foi?
- Bem. Deixar James com apenas sete meses de vida para ficar o dia inteiro no País de Gales e depois voltar para Londres foi difícil e cansativo, mas os jogos sempre eram recompensadores. Parar de jogar foi um processo triste por que o quadribol foi a primeira coisa que realmente me fez esquecer as tragédias da guerra, mas sempre que eu olhava para os meus filhos e meu marido, via a nova vida que podia construir e via neles a prova de nossa vitória. – essa sem dúvida foi a frase mais encheção de lingüiça que eu já disse em uma entrevista. Mas, como acabar o mais rápido possível era a minha meta, essas bobagens eram necessárias.
- Como é a relação entre a senhora, seu marido e seus fãs? Sabemos que tem muitos.
- Normal. Harry entende, uma vez que ele também possui fãs, acho que até mais que eu. E as fãs do sexo feminino são mais assanhadas. Somos maduros o suficiente para lidar com isso. – eu estava rindo por dentro. Maduro? Acho que Rony, aos 17 anos, era mais maduro que Harry, ao menos nesse aspecto.
- Deixe uma mensagem para aquelas mulheres que acham que não é bom trabalhar fora e cuidar de marido e filhos.
- Hum... Nós somos capazes de fazer tudo aquilo que nós nos imaginamos capazes, então se sua imaginação é pequena, sua capacidade também vai ser. Ouse. – Hermione iria se divertir ao ler essa merda.
- Acabamos. Obrigada Senhora Potter.
- Ótimo, foi um prazer. – falei dando um sorriso falso. Ao invés de sair a garota continuou lá, agora a expressão dela era de presunção.
- Minha pena diz que a senhora mentiu. E eu estou bastante curiosa para saber em que... – ela falou com um tom de voz sugestivo. Minha vontade era de azará-la por usar a maldita pena detectora de mentiras. Ela não tinha o direito.
- Ficou doida? Vamos, dê o fora. E se publicar uma única linha diferente do que eu falei, vai lamentar ter cruzado comigo.
- Obrigada por ter confirmado a suposição da minha pena. Tchauzinho.
Ela saiu de uma forma presunçosa. Pelas fadas, se essa garota distorcer a história Harry vai ficar bravo comigo. Decidi sair para tomar um ar no centro trouxa de Londres.
* H*&*G*
Passear pelas movimentadas ruas do centro de Londres aliviou as tensões que eu estava sentindo ultimamente. A animação* das pessoas em compras era contagiante. Me fez até entrar numa loja de roupas trouxas e provar algumas coisas. Depois de anos convivendo com Harry e Hermione aprendi a andar mais naturalmente entre os trouxas e a escolher roupas. Numa das lojas que parei, vi um vestido parecido com o das damas do Moulin Rouge de Paris. Era preto, cheio de laços finos vermelhos e tinha uma saia com muitos babados. Não resisti ao impulso de prová-los. Sempre lamentei que as mulheres trouxas tenham deixado de usar essas roupas como moda, por que elas são lindas.
- Qual a senhorita deseja? – a vendedora gentilmente me tratando de senhorita...
- Aquele que está na vitrine. Festa a fantasia. Parece perfeito.
- Venha comigo. – segui a vendedora até os provadores da loja e alguns minutos depois ela apareceu com o vestido.
- Vai precisar de ajuda com os laços, tem alguns nas costas.
- Tudo bem.- a medida que ia vestindo o vestido uma idéia ficava clara na minha cabeça. Já que a roupa que Helen me deu não seria nenhuma novidade hoje, se eu fizesse um número com essa roupa poderia ser perfeito. A roupa caiu perfeitamente em mim, tanto que me senti a própria Satine*, numa versão mais comportada. A minha imagem no espelho fez com que minha imaginação voasse. De repente era Harry, meu quarto e uma música maluca. De repente era eu tirando esse vestido e depois caindo nos braços dele.
- Vai querer levar? Ficou perfeito na senhorita.
- Sim, sim.
Saí da loja e resolvi pegar os meninos na escola. A minha cabeça fervilhava de idéias e dessa vez eu seria corajosa o suficiente para colocá-las em prática.
* H*&*G*
Chegamos em casa bem cedo, por isso resolvi adiantar todas as obrigações escolares dos meninos e o jantar. Por volta das sete Harry chegou, com uma expressão cansada e tão sujo quanto no dia em que eu propus a nossa semana. O que diabos ele anda fazendo naquele departamento para ficar tão sujo, não faço idéia. Subiu para o banho e na hora do jantar ficamos todos em silêncio, exceto quando James e Albus começaram a falar sobre a escola. Estava ansiosa para começar com tudo. Também impressionada com a minha capacidade de mudar de opinião tão rápida e facilmente. Pedi para colocar Albus para dormir, não contei nenhuma história, apesar dos pedidos fofos dele. Corri para o banheiro e me arrumei tão rápido quanto consegui. A maquiagem estava tão carregada quanto a de ontem, os cabelos bem presos, que só seriam soltos em algum ponto da noite, o salto da bota era bem alto e talvez a única coisa que me fizesse ter medo. Nunca me equilibrei muito bem em saltos.
- Gina? – Harry chamando bem perto da porta.
- Já estou saindo, sem bebida... – definitivamente sóbria e responsável por cada ato que farei hoje. Se der certo, ótimo. Se não, vamos ver o que acontece.
Saí do banheiro encontrando Harry na mesma posição de ontem, deitado na cama. A expressão dele estava mais impressionada e os olhos brilharam, de aprovação. Sorri. Ele tentu chegar perto de mim mas empurrei de volta pra cama.
- Acho melhor você ficar bem quietinho. Hoje é a minha vez de mandar e você só vai obedecer. – ele tinha uma expressão de divertimento no rosto, apesar dos olhos estarem com uma expressão de estranhamento.
- Sim, senhora. O que eu devo fazer? – me aproximei dele, de forma que fiquei completamente deitada sobre ele com nossos narizes colados e nossos olhos perdidos.
- Ficar quieto, apreciar a vista e fazer o que eu mandar. – acho que agora era a hora de conjurar as cordas. Não. Acho que devo começar a dançar. Tinha um som enfeitiçado no meu quarto que tocaria a música que eu quisesse. Pus no modo aleatório, a música que tocasse eu acompanharia, fazendo uma grande mistura do que Helen me ensinou com o pouco que eu sabia. Talvez essa fosse a coisa mais tosca que eu iria fazer na vida, mas aqui vamos nós.
- Você vai dançar para mim? – Harry perguntou surpreso. E entusiasmado.
- Sim. E se você não ficar bem quietinho, vou ter que te amarrar na cama. – prontofalei.
