12. OLHOS VERMELHOS PT 2

- Você deve tomar uma hora antes de encontrar com ele e duas horas depois deve reforçar a dose, caso a audiência dure muito tempo. – Luna explicava sobre a poção da ilusão. – Rolf assegurou que não tem problema nenhum, já que vários testes foram feitos.

- Acho melhor testar antes. Faz muito tempo que não vou a Toca. Seria uma ótima ocasião, não acha? – em hipótese algum a eu poderia correr o risco dessa poção falhar na audiência.

- Gina, você não deve tomar a poção tantas vezes. Rolf deixou claro que não há riscos desde que não haja superdose.

- Ok. Quem diabos é Rolf? Você anda saindo com um cara e nem me diz nada? – já era a quinta vez que ela mencionava esse tal Rolf na conversa. Aí tinha coisa.

- Não... – ela falou com o rosto avermelhado – Rolf Scamander é só meu colega de pesquisa. Ele é neto de Newt Scamander e é um brilhante naturalista. Só isso.

- Ah tá. E você está caidinha por ele. Só isso.

- Ele... não... Gina... ele não olharia para uma boba como eu. – ela falou com um tom distante e triste na voz.

- Não seja ridícula! Só se ele fosse muito idiota para ignorar uma mulher incrível como você.

Ela sorriu e ficou com os olhos perdidos por alguns instantes.

- Não faça nenhuma bobagem com essa poção. Eu tenho que ir agora.

- Prometo que só usarei quando necessário. Declare-se para esse Rolf, por favor! – ela sorriu e nos abraçamos antes que ela saísse. Devia fazer isso mais vezes, pois sempre que conversava com alguém me sentia melhor e Luna dobrava essa sensação. Sempre nos demos muito bem e ela não insistia em falar nele.

Talvez minhas feridas estivessem começando a se fechar, pois já não chorava mais e a falta que ele me fazia não doía tanto. Não estava feliz por isso. Em meus sonhos infantis achei que meu bruxo encantado e eu seríamos felizes para sempre.

*H*&*G*

- James, por favor, precisamos chegar logo na Toca. – tentava apressar James. Em vão. Ultimamente estava tendo problemas em conseguir que ele me obedecesse e algumas vezes ele fazia questão de dizer coisas do tipo 'papai não faria assim' 'se papai estivesse aqui'. Doía, mas isso me faria mais forte. Talvez algum dia ele entenda o significado do que está acontecendo agora e fique do meu lado. Depois de muito lutar, consegui chegar à Toca. Quase gritei com todos aqueles olhares de piedade, inclusive de mamãe, que estava mais grudenta e preocupada que o normal. No fim das contas me isolei no meu antigo quarto com o Profeta Diário do dia, para me distrair com as palavras cruzadas. Quando acabei e virei para a parte dos obtuários, deparei-me com uma propaganda: "Malfoy & Greengrass advocacia mudou de endereço. Agora estamos mais perto do Ministério da Magia: Baker St com Melcombe St. S/N, marque seu horário."

Morgana das Fadas! É isso! Eu preciso de Draco Malfoy comigo no dia da audiência. Bem, na verdade eu precisava convencê-lo a ficar com meu caso. Não poderia ter pensado em maneira melhor de irritar Harry e ainda ganhar a causa, pois pelo que ouvi falar Malfoy era muito bom no que fazia. Imediatamente mandei uma coruja marcando para amanhã o mais cedo possível. Tinha que dar certo. Quando voltei para casa, mal consegui dormir de tamanha ansiedade e no outro dia, enfim estava eu na sala de espera para convencer Draco Malfoy a me ajudar.

- A senhora já pode entrar. - a secretária anunciou. A sala era ampla, com uma decoração bastante minimalista e sem nenhuma extravagância de cobras desenhadas em lugar algum, ou coisas verdes e prata. O tempo da escola estava mesmo superado. Sentei na cadeira de couro em frente a mesa e aguardei Malfoy por alguns minutos. Ele saiu de uma porta de inter-conexão, que escondia a lareira, ainda limpando-se da fuligem. Não mudara tanto, desde a última vez que o vira. O cabelo recuava pouco a pouco e estava menos magro que antes. No mais, os olhos continuavam frios e o rosto com a mesma expressão sarcástica de sempre.

- Devo dizer que estou surpreso com sua visita, Weasley. - falou enquanto dirigia-se a própria cadeira.

- Não entendo o porquê. Dizem que você é o melhor advogado de Londres, eu estou precisando de um, tenho dinheiro o suficiente para deixar aos meus netos, não há motivo para surpresas.

- A que devo a honra?

- Acredito que você saiba que estou me divorciando. Essa parte está completamente tranquila. O problema é que meu ex marido quer a guarda dos meus filhos e isso eu não vou permitir.

- É impossível ficar imune as fofocas do Semanário, sei o que dizem que aconteceu. Mas não vejo por que eu deveria pegar esse caso.

- Com certeza há advogados brigando para ter o 'privilégio' de estar dentro do caso do Santo Potter e sua esposa malvada e infiel... Vamos, isso tudo é no mínimo interessante. - Santo Potter... fundo do baú.

- Nunca fui dado a fofocas, Weasley. Não vejo o que de interessante isso poderia ter.

- Mas sempre foi dado a irritar, atrapalhar, machucar e muitas outras coisas, o meu ex marido e a minha família. Você vai perder a chance única de poder vence-lo em um jogo limpo?

- Eu não tenho mais quinze anos. As coisas mudaram.

- Que ótimo que todos nós somos adultos e tratamos de negócios civilizadamente. Eu estou te oferecendo um negócio. Vou pagar bem. Isso é tudo. Eu preciso ficar com meus filhos, como toda mãe comum.

Ele pareceu ponderar por alguns momentos e retrucou.

- Eu preciso pensar se quero me meter com vocês de novo.

- Não há o que pensar. A audiência é na próxima segunda.

Fomos interrompidos por uma mulher morena, de cabelo longo solto, aparentando a mesma idade que eu, saindo da porta da lareira. Ela parerceu não notar minha presença e desatou a falar.

-Scorp não queria ficar na escola hoje. A culpa é toda sua. Não devia falar que a professora é idiota na frente dele.

Antes que ela continuasse ele interrompeu.

- Tori! Essa é Gina Weasley. Esttá querendo contratar nossos serviços. Talvez você pudesse ficar com o caso dela.

Ela acabou de limpar a fuligem das mãos e falou comigo com um sorriso no rosto.

-Muito prazer. Talvez tenhamos nos cruzado por Hogwarts. Astoria Malfoy, ou Greengrass naquela época.

- O prazer é meu.

Ela sentou ao lado de Malfoy. Uma ponta de inveja tomou conta de mim. Era visível o quanto eles eram felizes e no meu conto de fadas o cara mau não deveria ser feliz com uma mocinha linda e agradável como Astoria.

- Suponho que seja sobre o divórcio. Desculpe, mas foi um assunto muito ouvido nos últimos tempos.

- Sem problema. Não é sobre o divórcio. É sobre a guarda dos meus filhos. Por mim a questão da separação está acertada, mas eu não abro mão dos meus filhos.

- Entendo. Mas eu não costumo trabalhar com esse tipo de caso. Vamos avaliar a possibilidade. - ela falou com receio que eu não fosse entender.

- Eu preciso da resposta urgente. A audiência já é semana que vem.

- Não tenho certeza se devo aceitar o seu caso. Não é pelo fato de normalmente não trabalharmos com isso. É por ser você. Nós precisamos pensar um pouco. Avaliar as possibilidades. Hoje a noite enviaremos uma coruja com a resposta. - Astoria respondeu com calma no tom de voz, tentando me fazer entender o que estava em jogo. Decidi não argumentar mais.

- Obrigada, de qualquer forma. Até logo.

- Até. - responderam em uníssono.

As horas que se seguiram foram atormentadas. Eu tinha que trabalhar com a possibilidade de estar sozinha no dia do julgamento. Milhares de discursos passaram em minha cabeça. Nem sequer meu trabalho eu consegui fazer direito. Aquele maldito Semanário havia arruinado meu casamento e eu estava com medo que aruinasse a minha vida inteira tirando os meus meninos e o bebê que ainda nem nasceu.

Já passava das oito e eu estava auxiliando os meninos nas tarefas escolares. Uma coruja branca entrou pela janela aberta da sala e jogou uma carta no meu colo. Com o símbolo do escritório dos Malfoy. Abri ansiosamente a carta.

Agradeça a Astoria por isso. Amanhã você deve encontrá-la pela manhã e fazer a defesa.

D. Malfoy.

Quase gritei de alegria. Então eu consegui! Meu plano de chegar sem demonstrar qualquer sentimento e irritar Harry ao extremo estava caminhando perfeitamente. Hoje eu dormiria tranquila, pois não seria uma suposta traidora do herói da humanidade, sozinha.

Na manhã seguinte encontrei Astoria Malfoy para acertarmos tudo. Afinal faltava menos de uma semana. Fui a uma praça perto da minha casa e a trouxe comigo, pois a proteção contra intrusos ainda não fora tirada.

- Obrigada por ter aceitado meu caso. - iniciei a conversa.

- Achei que você não encontraria alguém que não quisesse tirar proveito de sua fama. Foi dessa forma que convenci Draco. Bem, no fundo ele ainda tem aquela ideia infantil de competição contra o... - ela hesitou em falar o nome dele, mas ao perceber minha tranquilidade continuou. - Harry Potter.

- Homens... Nunca crescem realmente. Vamos entrar. Pode ficar a vontade. Eu preciso ir ao banheiro.

- Obrigada.

Luna havia me recomendado milhões de vezes que não tomasse a poção com frequência. Eu estava em dúvida se trocava de roupa ou tomava a poção. Afinal, Astoria tinha um filho e conseguiria reconhecer uma mulher grávida. Depois de alguns segundos achei melhor vestir roupas folgadas. Não queria prejudicar minha criança.

- Pronto. O que precisamos fazer? - perguntei enquanto servia chá e biscoitos de gengibre.

- Primeiro, eu preciso fazer algumas perguntas íntimas. É essencial para o conhecimento do caso.

- Ok. - estava começando a agradecer o fato de não ser Malfoy me fazendo as tais perguntas.

- Em que circunstância se deu a sua saída de casa? Ela foi pacífica? As crianças estavam por perto?

Contei a ela o que se passou naquele dia como se fossemos velhas amigas. Ela ouviu e anotou algumas coisas. Em alguns momentos me interrompeu avisando que seria necessário usar alguma coisa no argumento. Após duas horas de conversa tínhamos uma defesa. E eu tinha desabafado sobre aquele fatídico dia para alguém com quem cruzei algumas vezes na adolescência. Apesar disso eu estava aliviada. Não haveria necessidade de mentir ou aumentar alguma coisa. A verdade era forte o suficiente em meu favor. Levei a bandeja do chá de volta para cozinha. Meus olhos que antes viam tudo perfeitamente, escureceram. Minhas mãos fraquejaram e a bandeja caiu, fazendo um som estridente de vidro quebrado e talheres contra o chão.

Quando acordei estava no sofá com as roupas semi-retiradas. Astoria segurava um pano embebido em álcool e me olhava preocupada.

- Você está grávida. Alguém sabe disso?

- N. não - articulei mal as palavras. Meu cérebro não tinha oxigênio o suficiente.

- Merlim! Isso muda tudo, Ginevra. Você tem que contar para ele.

- Não, p, por favor. Ele vai me acusar. Vai insinuar que esse bebê não é dele. Eu... não suportaria que tirassem ela de mim.

- Você não vai poder esconder a barriga por muito tempo. Não acha melhor mencionarmos a sua gravidez? Afinal você já estava grávida quando tudo aconteceu, não é? Está com três meses, certo?

- Sim... Vamos deixar tudo como está, por favor. - depois de argumentar várias vezes com Astoria, consegui convencê-la de que não há mais sentimentos e que eu quero deixar tudo dessa exata maneira.

O Ministério da Magia jamais parecera tão frio e com milhares de olhos me observando. Eu estava impecável em meu vestido vermelho e sapatos pretos de salto bem alto, com solado vermelho (N/A sou apaixonada por Louboutin). Minha barriga saliente estava devidamente disfarçada e eu tinha passado alguns dias treinando minha expressão de frieza. Nada poderia dar errado hoje. Eu sentei fora da sala de audiência com uma narração de um jogo nas mãos. Era seguro fingir que trabalhava para evitar qualquer conversa, caso Harry aparecesse muito cedo. Dez minutos antes fui convidada a entrar na sala. Harry já estava lá. Engoli seco e continuei. Ele estava diferente. Os olhos estavam frios e inexpressivos, a barba por fazer e o cabelo mal cuidado.

- Bom dia a todos. Estou aguardando meu advogado. Ele já está praticamente aqui. - não esperei resposta e sentei no lugar que estava reservado para mim. Poucos minutos depois, Malfoy e Astoria chegaram. Fiz questão de levantar os olhos rapidamente para Harry. Ele estava chocado, mas disfarçou o espanto. O juiz deu início à audiência.

- A corte está reunida hoje para tratar de dois processos abertos pelo Sr. Harry James Potter, solicitando o divórcio com a então Sra. Ginevra Molly Weasley Potter e a guarda dos senhores James e Albus Potter, filhos menores do casal. Por acreditar que é do consenso das partes o divórcio, trataremos primeiro deste caso. Há alguma objeção que a senhora queira fazer ou algo que queira reclamar para este caso? - perguntou o Juiz se dirigindo a mim.

- Nenhuma objeção. Onde eu assino? - minha voz estava fria e minha postura idem. Apesar de estar com o coração acelerado e com as emoções a mil eu não demonstrava nada.

- Peço que a senhora leia tudo o que está escrito antes de assinar. - a velha esquisita, advogada do Harry falou, entregando os papéis.

- Com certeza – comecei a ler. Era um documento extenso, levaria algum tempo.

Ela estava terrivelmente bela. Alguma coisa estava diferente. Não seria capaz de dizer o que, mas ela estava linda. E fria. Como jamais a vi antes. Achei que ela estaria devastada, pois era isso que Ron e Hermione vinham tentando me dizer durante esses dois meses de separação. Tive a impressão de que ficar longe de mim estava fazendo um enorme bem para ela. Quase avancei no pescoço de Malfoy quando o vi. Sabia que ela havia feito isso para me descontrolar, mas não iria dar-lhe esse gosto. Estava empenhado em não demonstrar a dor que eu estava sentindo por ter que fazer tudo isso. Acho que estava tendo sucesso.

Meus filhos. Devia focar apenas nos garotos, eles são a parte mais importante da minha vida. Era neles que eu devia pensar. Ela estava com os olhos baixos lendo os papéis que poriam um fim no nosso casamento. Os lábios estavam entreabertos e em algum momento ela molhou com a ponta da língua. Eu respirei fundo. Ah Merlim, como eu queria que ao assinar esses malditos papéis tudo o que eu ainda sinto fosse embora. Não era fácil. Jamais seria.

- Ótimo. Aqui estão os papéis. Não tenho nenhuma objeção a fazer. Meus advogados falarão das exigências da outra parte da audiência.

Não me contive e olhei para ela, enquanto ela falava. Parecia que ela estava esperando isso a vida toda. Ela falava de uma forma tão seca e natural que comecei a duvidar se tudo o que ela disse sentir realmente seria verdade.

- Desde o dia que a Srta Weasley deixou a casa onde viveu durante sete anos com o Sr Potter, o mesmo não tem visto os dois filhos, uma vez que ela levou os dois e colocou um feitiço para que ele não pudesse encontrá-los. Um pai não pode ser proibido de ver seus filhos, principalmente sendo eles tão novos. Tem apenas seis e três anos. Isso prejudica a educação deles. – Imelda Firth, minha advogada, começou o argumento da petição de guarda. – Além disso, a vida leviana que os jornais demonstram que a Srta tem levado não é um bom exemplo para crianças.

Malfoy tomou a palavra. Droga! Por que eu tinha que olhar para a cara daquela doninha desgraçada em um momento como esse?

- Minha cliente, a Srta Weasley, jamais teve a intenção de proibir que o Sr Potter visse os filhos. Acontece que ele preferiu acusa-la sem provas na frente das crianças, além de utilizar palavras de baixo calão, e isso, minha cara colega, é realmente prejudicial a educação das crianças. Não se pode levar em consideração o que uma revista como o Semanário das Bruxas publica. Toda pessoa com bom senso sabe que a revista vive de escândalos e mentiras. Voltando a questão: estamos propondo que o Sr Potter visite seus filhos de forma programada.

- Eu quero a guarda deles. Visitas programadas estão fora de questão. – eu falei. Não iria deixar meus filhos com ela.

- Meritíssimo, como vou dormir em paz sabendo que meus filhos estão nas mãos de uma babá qualquer durante a noite? Este senhor não tem condições de cuidar de duas crianças tão pequenas. Aurores são solicitados no meio da noite. O que vai ser dos meninos então? Ficarão sozinhos. Eu posso cuidar deles melhor que ninguém, pois sou a mãe e meu trabalho, devido a circunstâncias excepcionais, está sendo realizado em casa. – droga, ela tinha um argumento poderoso, eu pensei. E de fato, era inegável que meus filhos não poderiam ter mãe melhor que ela.

- Continuando – Malfoy voltou a falar – O Sr Potter deve se comprometer de que não vai importunar a Srta Weasley em sua residência e que sempre que tiver visitas irá buscar James e Albus Potter no local programado, estando completamente fora de questão que esse lugar seja a casa da srta Weasley.

Ótimo. Essa era boa! Eu agora era um criminoso ou alguém com doença contagiosa grave, que não poderia pisar na casa da puríssima srta Weasley. Olhei para ela rapidamente e respirei fundo. Dessa vez, de raiva.

A audiência prosseguiu com a série de exigências insanas que Gina e Malfoy haviam inventado. Uma hora depois o juiz pediu recesso de meia hora, para dar a sentença.

Fui ao banheiro e lavei o rosto. Eu parecia mais velho do que realmente era. Depois que ela foi embora eu envelheci dez anos. Se eu conseguisse ao menos ser um pouco normal já teria saído com uma mulher ou duas. No entanto sempre que cogitava essa hipótese eu travava. Não conseguia colocar outra mulher na cabeça. Gina havia tomado conta dela para sempre. Ao menos era o que parecia. Minha pouca paz foi perturbada por Malfoy. Tentei ignorá-lo, mas uma pergunta insistia em martelar na minha cabeça.

- Por que você está aqui?

- Não é óbvio? Sua ex-mulher me contratou e eu estou prestando serviços. É o que todo advogado faz. – ele respondeu com desdém.

- Você simplesmente podia ter dito não e seguido sua vida sem precisar cruzar comigo. Porém, você está aqui. Por quê?

- Por que eu não podia perder a oportunidade de dizer o quanto você é um idiota. Caramba! Acreditar em uma revista de fofocas de quinta categoria... Há um problema sério com vocês, heróis...

- Bela forma de me agradecer por ter salvo sua vida... – não gostava de jogar na cara das pessoas o que tinha feito por elas, mas Malfoy merecia.

- Estou agradecendo, na verdade. Estou fazendo o favor de te abrir os olhos. Eu não iria simplesmente acusar minha esposa de coisas levianas se não tivesse provas. E mesmo que eu a visse com outro cara, iria querer saber o motivo antes de matar os dois. Juramos fidelidade com laços mágicos. Eu não quebraria tão fácil.

- Você não entende...

- Não. É você quem não entende e é por isso que vai perder muita coisa. Adeus.

Era o que me faltava. Malfoy tentando me dar lição de moral.

- Como está se sentindo? – Astoria quis saber.

- Bem. Vou ficar ótima quando aquele juiz der a guarda dos meninos para mim.

- E a poção? Está fazendo algum efeito estranho?

- Não. Tudo nos conformes. – era estranho conversar com ela. Eu queria tentar encontrar alguma coisa ruim sobre ela, mas não conseguia. Na minha cabeça, alguém que possui desejos sexuais e sentimentos por Draco Malfoy não podia ser bom. Astoria, no entanto, era adorável.

- A causa é sua. Tenho certeza. Conseguimos ter um bom argumento e seu ex esposo não parecia estar bem equilibrado.

- Espero que você esteja certa. – respirei fundo e me peguei acariciando minha barriga. Rapidamente retirei a mão. Não podia dar essa bobeira.

- Acho que eu morreria se tirassem Scorpius de mim. – ela desabafou. – Não conseguiria lidar muito bem com essa situação, nem me imagino brigando sério com aquele cabeça dura. Você é muito forte, Ginevra.

- Obrigada. Posso perguntar uma coisa?

- Sim.

- Quando você e o Malfoy começaram a, bem, namorar? Hogwarts?

- Ah, não. Mal nos falávamos na escola. Sou um ano mais nova que você, ou seja, dois a menos que ele e não passava de uma pirralha para aquele adolescente irritante que ele era. Ele costumava sair com Daphne, minha irmã. Mas antes da guerra ela foi para a França e não voltou mais. Casou-se com um francês. Encontramo-nos de novo em um curso sobre direito de criaturas mágicas, quatro anos atrás. Só casamos por que eu estava grávida e nossos pais obrigaram. Mas tem sido divertido.

Olhei-a com cara de espanto.

- Rebeldia sempre foi o meu lema... – ela riu. – Meu pai não continuou muito amigo de Lucius Malfoy quando toda aquela coisa com Voldemort ficou clara. Ele quase enfartou quando soube da minha gravidez.

- A audiência vai voltar. – Malfoy chegou perto de onde estávamos para avisar.

O clima estava tenso na sala. O juiz começou a falar.

- Entendemos afinal que as duas crianças em questão são muito jovens para ficar longe da mãe. Logo, a guarda fica com a Srta. Weasley. O Sr. Potter tem direito a visitar os filhos quando quiser desde que previamente avise a Srta. Weasley de sua intenção. O local para a busca das crianças não deverá ser em suas casas, em hipótese alguma. Este tribunal sugere que definam um local agora, para evitarmos confusões futuras. Caso alguma das partes não esteja de acordo com a decisão poderá recorrer em uma semana e ter outra audiência, agora com a presença da criança mais velha.

Respirei fundo para não gritar de felicidade. Eu tinha que definir um local para deixar os meninos o mais longe da minha casa. O único que veio à minha cabeça foi a Toca.

- Acho que a casa dos meus pais é um bom local para deixar e buscar os meninos. Não tenho mais nada a declarar. – falei. Olhei rapidamente para Astoria e ela sorriu para mim.

- Ok. A casa dos seus pais. – Harry olhou para mim e falou diretamente comigo pela primeira vez em meses.

- Sessão encerrada. – baque – O martelo foi batido no apoio de madeira. Acabou.

Eu já estava quase fora do Ministério quando alguém tocou meu ombro. Virei rapidamente. Era Harry.

- Aproveitando que você ainda está aqui eu quero ficar com os garotos durante dois dias pelo menos. Estou de folga. Deixe-os lá na Toca ou me diga onde fica a escola deles que eu mesmo vou buscá-los.

Ele falou tão rápido que mal respirava entre as palavras. Minha postura de frieza rapidamente veio a tona.

- Não é necessário você ir buscá-los. Hoje à tarde estarão na Toca. Por favor peça para mamãe me avisar quando você devolvê-los. É só isso? – questionei com desdém.

- Sim. Falarei com sua mãe. Até logo.

- Até. – girei os calcanhares e fui até o carro. Dez minutos depois o efeito da poção passou. Mas antes disso uma crise de lágrimas tomou conta de mim. Acabou. Para sempre.

* H*&*G*

O tempo se arrastava desde a audiência. Harry não recorreu. Acho que o fato de James ter que participar deve tê-lo parado. Não era justo colocá-lo nesse tipo de sofrimento. Apesar disso, Hermione já havia dado à luz Hugo e obrigatoriamente tive que gastar algum tempo dividindo o mesmo recinto que Harry. Por sorte meu novo sobrinho nasceu no último mês que eu ainda poderia tomar a poção para esconder a barriga. A partir dos seis meses, minha menina estaria grande demais e nenhuma poção conseguiria escondê-la. Fiquei extremamente feliz quando tive certeza de que era uma menina. Luna gastou horas comigo no centro de Cardiff comprando coisas para bebês.

Em casa os meninos estavam melhores, pois Harry sempre os via. Para esconder minha barriga deles eu tinha que lançar um feitiço de confusão. Este não funciona muito bem com adultos, mas perfeitamente com crianças.

Meu trabalho estava sendo feito normalmente e com o tempo as revistas pararam de me achar assunto interessante para publicação. Tudo estava correndo exatamente como devia. Exceto pelo fato de Harry não fazer a menor ideia de que ia ser pai outra vez.

- Você tem que contar para ele, Gina. Vai deixar para quando ela nascer? – Luna me perguntava.

- Só não sei por onde começar e nem como falar. Espere mais um pouco. – e essa espera me levou ao oitavo mês de gravidez morando com duas crianças menores de dez anos, sem ter a quem chamar quando necessário.

Luna prometeu que ficaria comigo até o parto, mas teve que viajar a trabalho quando estava no meio do sétimo mês e ainda não conseguira voltar. Eu estava pesada, quase sem conseguir andar e sozinha. Só tinha um celular comigo para ligar para Luna se precisasse urgentemente, mas eu duvidava que ela conseguisse usar aquilo.

Para sair de casa eu não disfarçava muito a barriga. Agora apostava em disfarces faciais. Era necessário sair pelo menos duas vezes ao dia.

* H*&*G*

Apesar de ser março e de teoricamente o inverno ter acabado, nevava muito. Era incomum nevar daquele jeito naquela época. Acho que eu tinha vestido dez roupas e ainda sentia frio. Tive que ir buscar alguns remédios trouxas para dar a James, que estava muito doente, até que Percy viesse com poções curativas. Para a minha sorte, Percy concordou em manter minha gravidez em segredo e estava me ajudando sempre que podia.

Já nas escadas da frente da minha casa eu escorreguei na lama e caí. Minha cabeça bateu na cerca e minhas costas foram ao chão com tamanha força que eu achava que havia partido em pequenos pedaços. Não conseguia me mover. Não tinha ninguém na rua e as únicas pessoas na minha casa eram James e Albus. Meu braço direito, quase paralisado, conseguiu alcançar a varinha e eu lancei um feitiço em minha garganta.

- Albus venha aqui fora, meu amor. Rápido. – minha voz saiu tão alta que eu tinha esperanças de que algum vizinho ouvisse e me socorresse. Alguns minutos se passaram até que ele viesse ao meu encontro.

- Meu filho, eu não consigo me mover. Por favor, pegue o meu celular e traga aqui, rápido. Está na mesa de centro.

Ele parecia aterrorizado, mas me obedeceu. Trouxe o celular o mais rápido que pôde.

Disquei para Luna, com esperanças de que ela atendesse rápido.

Caixa Postal.

Por favor, Luna. Atende... Meu corpo inteiro doía. Minha barriga também dava sinais. Minha menina não parava de mexer.

Segunda vez.

Terceira vez.

Nada.

- Mamãe e se eu chamasse o papai? Ele tem um negócio como esse e deixou o número para eu falar quando quiser. – Albus falou.

Se eu permanecesse ali era certo que morreria de frio. Por outro lado, se eu chamasse Harry ele certamente me mataria por não ter dito nada. Como meu cérebro não funciona perfeitamente no frio, falei a primeira coisa que surgiu na minha mente.

- Traga o tal número.

Segundos depois eu estava ligando para Harry.

- Alô? – ele atendeu.

- Harry, por favor, me ajude, eu devo ter quebrado a coluna, não consigo me mover. – falei de uma vez.

- Gina?

- Sim. Por favor. James está doente. Não há ninguém aqui. Se não vier logo a coisa pode ficar mais grave do que imagina.

- Ok. Mas eu não faço a menor ideia de onde você mora, lembra? – ele respondeu rispidamente.

- Cardiff. Você sabe. Minha casa. Logo.

- Estou a caminho.

Agora era esperar a bomba explodir. Espero que pelo menos minha filha saia ilesa.

* H*&*G*

N/A Olá meus amores,

Desculpa a demora. Eu não estava satisfeita com o capítulo. O próximo será o último e teremos um epílogo bem fofo. Não se enganem... Nada será como parece, mas acredito que irão adorar o final. O título do próximo capítulo será 'Curando'...

Beijos e obrigada a todos!

Larissa.