Epílogo

Quinze anos depois, por Lily Luna Potter.

Minha família é estranha. Além do fato de eu ser filha do bruxo que derrotou a maior ameaça ao mundo recente com a jogadora mais brilhante das Harpias de Holyhead e de que eu tenho mais primos do que meus dedos podem contar, tenho que viver em uma estranha situação familiar. Minha mãe e meu pai já foram casados, antes de eu nascer. Por algum motivo idiota eles se separaram e quando eu nasci voltaram a ficar juntos. Acontece que minha mãe não quis se casar novamente. Dizia: "Não cometo o mesmo erro duas vezes." Meu pai ficou irritado com ela no começo, mas depois deixou para lá. Eu tenho duas casas e dois quartos diferentes para tomar conta. Isso deixaria qualquer garota de quinze anos pirada, mas eu confesso que gosto de ter uma família diferente. Meus pais agem como se fossem namorados o tempo inteiro, e isso gera algumas situações constrangedoras. James, meu irmão mais velho, quase teve um troço quando, ao chegar na casa da mamãe, se deparou com os dois quase nos 'finalmentes' na bancada da cozinha.

- EI! Eu sou o adolescente com hormônios em ebulição aqui, sabiam? Merlim! Acho que vou ficar cego. – ele disse com o drama habitual.

Nossos pais apenas riram depois de se recomporem do constrangimento.

Albus, o irmão do meio e meu melhor amigo, também teve seu momento de flagra. Com ele foi um pouco mais sério e aconteceu depois que ele terminou a escola e ainda morava com papai. Ele e nossa prima Rose namoravam nessa época, escondido. Achando que estaria sozinho em casa, chamou Rose para passar um tempo com ele. Ah entendam como quiser o que ele pretendia fazer! Acontece que meus pais estavam no maior amasso no sofá da sala. Minha mãe estava sem blusa e meu pai não estava muito composto. Oh bem, na verdade ele vestia apenas a roupa de baixo. Rose ficou sem olhar na cara do meu pai por meses. O fato de o flagra ter sido mutuo fez com que o segredo do namoro entre Al e Rose ficasse apenas entre nós, Potter's (exceto James, por causa da incapacidade em manter segredos), e Rose.

- Tio Harry, eu sinto muito, mas não vou conseguir falar com você direito. Não depois do que eu vi. – De fato, Rose nunca mais se portou naturalmente com o meu pai.

Eu estou escrevendo isso por que há poucos instantes eu vi meu pai de costas, com a roupa meio frouxa e minha mãe abaixada, escondida entre seus próprios cabelos e as pernas do meu pai. Saí antes que visse alguma coisa que me deixasse realmente traumatizada.

Eles se amavam de todas as formas possíveis. Eram melhores amigos um do outro, desejavam um ao outro e ajudavam um ao outro sempre. Minha mãe não era mais a sra. Potter e não estava interessada em voltar a sê-lo. Ninguém conseguia entender o que se passava na cabeça dela, nem mesmo meu pai, por algum tempo. Eu ainda jovem entendi o que minha mãe queria demonstrar com essa atitude. Ela, Ginevra Weasley, amava Harry Potter e só. Amava-o e tinha escolhido ficar com ele, mesmo que não houvesse nenhum papel ou três filhos que a obrigassem. Amava-o e por amá-lo tanto o queria livre, do mesmo jeito que ela queria ser livre. Não seria um casamento que a faria ser fiel. Seria o respeito por ele que significava mais do que qualquer convenção social.

Eu queria amar assim algum dia. E ser amada de volta com a mesma intensidade que meu pai ama a minha mãe. As pessoas acham que eu como filha de Harry Potter, o menino que sobreviveu, o escolhido (e todos aqueles títulos idiotas que deram ao meu pai), tenho muitas histórias ocultas a contar sobre os feitos do meu pai. Eu não tenho. A minha história favorita envolvendo o meu pai não tem nada a ver com Voldemort. A melhor história que eu tenho para contar é de como o meu pai, só Harry, (sem os títulos idiotas) ama a minha mãe, Gina, incondicionalmente.