EDIT 01/09/12: Não mudei quase nada nesse também. Só uns errinhos de português.
Helloooooooo! Kimiz de volta, ressuscitada no terceiro... Er... Ano? Tudo bem, tudo bem, não me matem! Eu tenho uma boa explicação. Eu tinha treze anos quando eu comecei a fic, eu cresci, fui me distanciando do fandom, abandonei tudo por Harry Potter, Percy Jackson e projetos originais, até que recentemente em um momento de nostalgia suprema voltei pro fandom de Naruto. E conversando com minha irmã, relendo Desventura, tivemos crises de riso tão homéricas, que eu simplesmente tinha que continuar.
Achar a senha da conta da Kimiz foi uma merda também. Eu não lembrava a senha da conta, não lembrava a senha da conta do e-mail pra qual mandaram a recuperação de senha e não fazia idéia qual era a porra do e-mail pra qual mandaram a recuperação de senha do e-mail pra qual mandaram a primeira recuperação de senha. Confuso? Imagina eu! Eu tava me descabelando quase quebrando o computador. Mandei até e-mail pro suporte do . Um cara chamado James me respondeu em tipo, três segundos e depois eu testei uma senha que eu tinha testado vinte vezes antes e deu! Eu não sei o que tu fez, mas James, valeu!
Então aqui está. Eu sinto muito mesmo por levar três anos, e espero que me perdoem, mas acho que esse tempo fora me fez bem, eu cresci como autora e como pessoa e espero do fundo do coração que eu continue tão engraçada e sem noção com dezessete quanto eu era com treze anos.
Muito obrigada do fundo do coração a todos vocês pelos reviews, e espero que voltem a ler quando isso aparecer nos updates. Não desistam, eu juro que estou de volta pra valer.
Poison Lee
Aisha Nathalia Granger Malfoy
-darkgilr- -
Kakah Zero-chan '-'
Cat Tsuki
Uzumaki-Ayame-chan
Sabaku No Mariana
Retirado
Virgula
Hyuuga Florine
Haruno Melonie
madoka pick
Luna Stuart
MitsukoMiyuki
Miko Nina Chan
- Miss Pudingg
pessoa sem nome que deixou review entre a Aisha e a Yakumo
Yakumo-san ou Yuki-san
Kh-chan
Cah-chan Hime
Mari-Sousa
Mitsashi Gih-Chan
Ana Koori
Shinigami Agatha
Naat Uchiha
Baka Lenalee '
Letícia
lili maggy
miilla chan
uchiha haruno keiko
Sinjin Hatake
Kagome Juh
Srta. Kyuu
Bruuh.s2
Dai-Rangel
tek4
Carol-chan n.n
Loonyed
chiyo pattinson e yumi uchiha
N.F.C
Kiara Uchiha Hiwatari XP
Mi-Cham18
Karoll
Jessica Haruno
brumcr
bibs
mary216
Sacerdotisa
Juuh Malfoy
Ohana Caroline
XxXxXGabiXxXxX
Wick-chan
Sem mais delongas!
Capítulo 7
Aquela do Vovô Uchiha
- Eu não quero ir pro vô, pai!
- É, ele é drogado. – Itachi disse com uma cara "Você-não-deixaria-seus-filhos-com-um-viciado-deixaria?"
- Não, Itachi, ele é ex-drogado. Ele tá limpo desde que saiu da reabilitação em 2003. – Fugaku abanou a mão em sinal de despreocupação enquanto colocava a mala de Sasuke no porta-malas.
- Isso é o que ele diz né? – O mais novo falou, reclamão.
- Vai dizer que vocês nunca sentiram o cheiro de 'marijuana' – Itachi disse com sotaque mexicano falso – nas festas de natal?
- São os seus amigos. ¬¬
- Fala sério, até parece que eles conseguiriam. Eles não contrabandeiam nem balinha de hortelã, vão contrabandear 'marijuana'? – Ele repetiu o sotaque.
- Isso eu tô de prova, eles nem conseguiram vender Tic-Tac pras crianças da 1ª série. – Sasuke falou, enquanto Itachi balançava a cabeça, afirmativamente.
- O que vocês estavam fazendo vendendo Tic-Tac pras crianças da 1ª série? o.õ
- Não desvie do assunto pai! Ò.ó
- Você vai nos largar a mercê de um drogado mafioso!
- Mafioso não! – Fugaku defendeu.
- Então você admite que ele é drogado? – O pai suspirou alto.
- A vó de vocês vai estar lá. E eu sou seu pai, não preciso dar satisfações! Vocês vão querendo ou não! – Ele saiu andando para dentro de casa.
- QUE ESPÉCIE DE PAI É VOCÊ?! – Itachi berrou, erguendo o punho. Como não obteu nenhuma reação, se virou para Sasuke novamente. – Socação de juízo no cérebro de parente: Falhou. Hora do plano B, Sasuke.
- Certo, e qual é?
- Assim que eu pensar em um eu te conto.
...
- Já pensou?
- Não.
- Já pensou?
- Não.
- Já pensou?
- Não.
- Já pensou?
- Não!
- Já pensou?
- NÃO, CACETE!
- Então é melhor pensar em um rápido, porque eu quase consigo ver o casarão dos Aihara daqui. E dobrando a esquina mais dez quadras... – Itachi engoliu em seco.
- 10 km...
- 500 vacas...
- Um lamaçal...
- Uma porteira eletrificada...
- Um atoleiro...
- Uma hora depois...
- Fica a mansão Uchiha, sei disso. – O mais velho bufou.
- Pensa rápido, Itachi!
- Tá bom! Deixa eu ver... Tarde demais pra explodir o carro, né?
- Bem tarde.
- Sabotar o freio?
- Com a gente junto? Tá maluco, idiota?
- Abrir a porta e pular?
- ITACHI!
- AI, NÃO ME PRESSIONA, CACETE! A COISA TRAVA SOB PRESSÃO!
- Achei que você tinha dito que funcionava bem sob pressão.
- Ah, é? Adivinha só! EU MENTI!
- PERCEBI!
- Acho que não nos resta outra opção, Sasuke.
- Não! Tem que ter outro jeito!
- O jeito é... Chegar lá e fugir!
- Uhm... Pode ser. Não vamos ficar a semana inteira, né?
- Deus, não. O pai não nos odeia a ponto de nos querer mortos. – Ele falou rindo. Depois parou e levantou uma sobrancelha. – Acho. SASUKE EU TENHO UM PLANO! – Ele pulou no banco, agarrando o braço do irmão mais novo.
- Fala, então!
- Vamos enlouquecer o vô!
- Mais louco do que ele já é? Isso é possível?
- É, tem razão. Acho que só nos resta ir. Esperar ele se trancar no banheiro pra fumar e... Esperar a novela da vovó começar, e tentar fugir.
- É, é, a vovó é a mais certa das idéias, mas ela fica completamente louca quando vê novela.
- Ou Johnny Depp. Ela tem uma tara pelo Johnny Depp. – Os dois se sacudiram, como se tivessem um calafrio.
- Nojento.
- Medo.
[...]
- Pronto, crianças! – Fugaku falou, pulando pra fora do carro e correndo pro porta-malas.
- Não solta o cinto, Sasuke.
- Não vou soltar.
- Podemos voltar e enfrentar a fúria da mamãe e... Sasuke!
- O que você ainda tá fazendo aí dentro? – Ele berrou pro irmão, já fora do carro.
- Traidor! Fraco!
- Francamente! Enfrentar a fúria da mamãe? Tu tá louco?!
- ...Foi só um lapso! – Itachi disse saindo do carro. Assim que ele bateu a porta atrás de si, um barulho de carro arrancando foi ouvido e quando eles olharam para trás não havia nada. Uma nuvem de poeira e fumaça e suas malas atiradas no meio da estrada de chão.
- Itachi... Pra onde a gente corre?
- Pra floresta! – Eles se viraram para sair correndo pro matinho do lado da casa quando a porta enorme de madeira do casarão branco se abriu com tudo.
Um senhor de seus 60 anos saiu correndo daquele jeito idoso a cinco quilômetros por hora negativos. Vestia uma camisa florida que o deixava ainda mais barrigudo, e bermudão verde-limão. Usava óculos de lentes muito grossas pendurados no pescoço. Itachi cutucou Sasuke, abrindo um sorriso forçado grande demais para ser feliz. Sasuke fez o mesmo. O velhinho abriu os braços quando chegou perto.
- Sasuke!
- Vovô! – Sasuke abriu os braços também... E o velhinho passou reto por ele. Os dois se viraram para ver o velhinho abraçando... Um anão de jardim. – O.O
- Sasuke, meu netinho! Aí está você! Nossa! Como você tá baixinho! Não devia ter crescido? Quantos anos você tem?
- O.O
- Sasuke! Sasuke! Responde pro seu avô, menino mal criado! – Ele começou a espancar o anão de jardim – Cacete, que cérebro duro você tem! Machucou minha mão!
- Vô, eu tô aqui.
- O QUÊ? – Ele berrou, ainda espancando o anão de jardim, dessa vez com uma pedra – AGORA VOCÊ RESPONDE, NÉ?
- VÔ, ISSO É UM ANÃO DE JARDIM! EU TÔ AQUI! – Sasuke berrou. O velhinho parou, olhou para trás. Estreitou os olhos e depois colocou os óculos. As lentes grossas fazendo seus olhos ficarem enormes e fazendo-o ficar levemente parecido com uma mosca atômica. Ele abriu um sorriso de dentes amarelados e saiu correndo para abraçar Sasuke.
- Meu netinho! Quanto tempo! Como você tá grande! E as garotas, ein? – Ele acotovelou o neto de um jeito sugestivo e gargalhou da própria piada. – Cadê o imprestável do seu irmão?
- Tô aqui, vô. ¬¬
- Mas se não é o Itachi! Você ainda tem aquela banda com os seus colegas de cadeia? Eram colegas de cadeia, não eram? Aqueles dois esquisitos e a loira.
- O Deidara é homem, vô.
- O QUÊ? Ah, bem, isso explica muita coisa. – Ele falou mais pra si mesmo e saiu empurrando os dois na direção da casa. – Agora, meninos, lembrem-se que a sua vó sofreu um AVC recentemente e... Uma parte do cérebro dela pifou e... Ela... Perdeu o freio?
- O que o senhor quer dizer com isso, vô?
- Ela não... Mede as palavras.
- Vô...?
- É difícil explicar, vocês vão ver! E bem, ela está muito sensível desde que sua bisavó morreu. – Itachi levantou uma sobrancelha e sussurrou para Sasuke.
- Te pago um carro esportivo se você me provar que um dia aquela mulher foi sensível.
- Sejam cuidadosos com o que vocês dizem! – Vovô Uchiha finalizou.
- Você lembra da bisa, Itachi? – Sasuke sussurrou pro irmão.
- Lembro... O.O
- Flashback ON –
- Come um biscoitinho, Itachi! É de nozes!
- Não, obrigado, bisa. n.n Eu sou alérgico a nozes...
- Não existe essa coisa de alergia. Alergia é invenção de capitalista pra te fazer gastar dinheiro! Ser capitalista é uma ameaça ao regime! Você quer ameaçar o regime?
- O.O N-não...
- Então cala a boca e come a droga do biscoito!
- Flashback OFF –
- Itachi, você tá legal?
- Não. O.O Eu quero minha mãe.
- Chegamos, meninos! – Vovô Uchiha abriu as portas e empurrou-os para dentro.
A casa estava um brinco. Brilhando. Tudo estava perfeitamente arrumado. Era uma sala grande com uma escadaria que levaria para o segundo andar, onde ficavam os quartos. Vovô Uchiha apontou pras malas deles lá fora.
- Vocês vão deixar as malas lá? Vão pegar duma vez antes que os chacais peguem!
- Tem chacais aqui? O.O
- Não! Eu estava brincando! Eu acho. o.o
- o.o – Saem correndo pra pegar as malas.
- AKINA! VEM AQUI, MULHER! OS PIRRALHOS CHEGARAM!
- JÁ? PORRA, NINGUÉM ME FALA NADA NESSA CASA!
Quando eles terminaram de arrastar as malas pra sala, encontraram uma pessoa ao lado do vovô Uchiha. Era uma senhora, parecendo mais velha que ele. Era mais baixa e possuía cabelos completamente brancos e bem curtos. Usava um tailleur cor de vinho com um colar de pérolas e uma estola chique na volta do pescoço. Ao vê-los, abriu os braços sorrindo.
- Itachi! Sasuke! Deem um abraço na sua avó! Caralho, Itachi, como você está gordo e Sasuke, você ainda parece uma menina!
- Foi isso que o vô quis dizer com "perder o freio"?
- Acho que sim.
- Aquele abraço vai vir? – Ela reclamou e os dois correram pra abraçar ela. Akina Uchiha sorriu e empurrou os dois. – Melhorou. Agora tirem essas malas do meu chão limpo! – Eles pegaram as malas e saíram para levá-las ao segundo andar. Quando Sasuke passou Akina ela segurou seu queixo, analisando-o. Suspirou. – Tão feminino... Você é mesmo um menino, querido?
- Sim. o.o
- Tem certeza?
- Sim o.o
- Ah, okay. Pode ir. – Ela soltou-o e andou até a sala. – Tem certeza que ele é um menino, Sadao? – Eles puderam ouvi-la perguntar ao marido.
- É o que diz na certidão de nascimento, né? – Itachi começou a rir da cara de Sasuke.
- Cala a boca!
- Eu disse que você era feminino! Ou melhor... Afeminado.
- CALA A BOCA!
- MENINOS! DESÇAM PRO ALMOÇO!
- Okay...
- Pelo menos a comida da vovó ainda deve ser boa, né?
- É...
Eles jogaram as malas em cima das camas no quarto azul que eles dividiam e correram para baixo, indo para a cozinha. Chegando lá, se atiraram nas cadeiras na volta da mesa redonda e esperaram. Logo, Akina apareceu com uma travessa com comida e largou na frente deles. Eles começaram a comer.
- Meu Deus, vocês comem como porcos!
- Não come desse jeito, menino! Vai romper o tendão! – Sadao falou, cutucando a bochecha de Itachi com o hashi. Sasuke prendeu o riso.
- Não ria enquanto come! Vai engasgar! – Itachi apontou para Sasuke com o hashi para tirar com a cara dele.
- Cuidado com isso garoto! Vai furar um olho!
- Não mastiga de boca aberta!
- Engole antes de falar!
- Não pega a comida com a mão, seu porco!
- Limpe a boca com o guardanapo!
- Eu não vou lavar essa camisa depois, mocinho!
- Chega o prato perto da travessa para pegar mais!
- Não pegue mais! Você está gordo!
- Deixa pro seu avô, menino, deixa de ser guloso, passa esse prato pra cá.
- Arregaça as magas! E daí que elas são curtas?
- Tira esse cabelo da cara, menino!
- Mastigue antes de engolir!
- Não beba como um alcoólatra!
- Itachi, desde quando você parece um peixe? E por que o seu irmão está tão rosa?
- Não baba!
- Não se empanturrem, depois vocês passam mal e vomitam e eu não vou limpar a sujeira!
- Ah, bem, não foi uma refeição agradável? n.n
- O,O – Itachi e Sasuke.
Ah, foi. Agradabilíssima. À tarde vovô Uchiha quis reapresentar a propriedade aos netos, já que a última vez que eles estiveram lá tinha sido no Natal. E ele achava que do ano passado até Maio eles já tinham esquecido tudo. Então lá foi ele mostrando tudo o que eles já conheciam.
- ...E aqui é o galinheiro.
- ¬¬ Vô, eu posso ir tocar guitarra? – Itachi perguntou com cara de tédio quando eles passavam pelo galinheiro pela 3ª vez.
- Espera, menino! Você toca todo dia! Você não vê a Gertrude há anos!
- É vô, porque a vovó matou ela pra fazer galinha assada no Natal porque ela não queria gastar com peru.
- Ah, ah é... Então vamos no celeiro ver a Frieda!
- Churrasco de férias do ano passado.
- Oh, é. Estava delicioso! – Ele riu. Sasuke abriu a boca em choque e indignação, mas não disse nada. – O Rex então?
- O Rex... Espera, eu acho que o Rex ainda tá vivo. o.o
Segundos depois eles estavam no celeiro cercados de feno, parados na frente de um pônei de um metro de altura. Vovô Uchiha apontou pro animal gordo, que mastigava lentamente um monte de feno, e sorriu em expectativa.
- Uma beleza, não?
- Uhum. – Os dois não se atreveram a dizer mais nada, apenas balançando a cabeça afirmativamente.
- Vamos, monte, Itachi!
- Eu não!
- Por que não? É seu cavalo! Você montava!
- Primeiro: Isso é um pônei. Segundo: Eu tinha nove anos. Terceiro: ISSO É UM PÔNEI!
- Seu fresco! Então você, Sasuke!
- Não!
- Ah, vamos! Olhe pra ele! Tá louco pra ser montado!
Eles olharam para o pônei. O pônei olhou pra eles com uma cara de "vai encarar?". Eles podiam jurar que tinham visto ele levantar a sobrancelha. Se é que isso era possível.
- Vai, Itachi!
- Não!
- Ah, pelo amor de Deus! Vai! – O avô pegou-o pela cintura e levantou-o.
- Vô! VÔ! O que tu tá fazendo!? Vô! ME LARGA! – Ele largou. Em cima do pônei. As quatro patas do pônei desabaram. - ¬¬
- Viu? É por isso que a vovó diz que você tá gordo! – Sasuke disse rindo.
- Cala a boca.
- Você, Sasuke! – O avô fez o mesmo de antes, pondo em cima do animal. Nada aconteceu. – Há! Viu? Ele gostou de você! Você é um bichano bom, ein, Rex? – O velho falou, gargalhando, dando uma palmada na bunda do bicho. E a coisa arregalou os olhos e saiu correndo com Sasuke em cima, agarrado em seu pescoço com as pernas arrastando no chão.
- HAAAHAHAHAHAHA!
- Opa! Sasuke! Volta aqui! Sasuuuke! – O avô saiu a passos lentos atrás da besta desembestada em cima do pônei.
oOoOo
- Ai! i.i – Sasuke reclamou, enquanto a avó enfaixava seu punho.
- Que idéia de gerico, Sadao! – Ela dava uma bronca no marido. – Você não vê que o menino é frágil como uma menina? E o outro ainda é gordo! Vai quebrar o pobre do cavalo ao meio!
- É UM PÔNEI! E EU NÃO TÔ GORDO, CACETE!
- Ah, meu querido, está sim. Olha todos esses pneus caindo aí do lado! Olha só! Tudo caindo pra fora das calças! – Ela falou, se levantando e puxando a pele da barriga seca de Itachi. – Tá vendo! Olha só!
- São pessoas como a senhora que deixam as meninas anoréxicas, vovó. ¬¬
- Pelo menos elas fazem algo por si mesmas! Ò.Ó
- O,O. Chega eu vou tocar minha guitarra.
- Você trouxe sua guitarra? – Sasuke perguntou, levantando a sobrancelha.
- Eu escondi uma no forro do teto ano passado.
- Foi aí que ela foi parar!
- É.
- E o amplificador?
- Tá num buraco no forro do armário.
- Uau. o.o Quando eu quiser esconder alguma coisa eu te chamo. Ou melhor, não te chamo, porque a única pessoa de quem eu tenho que esconder as coisas é você.
- Cala a boca. Eu vou pro sótão.
oOoOo
- They say, oh, teenagers scare... Não, não, essa eu só toco com a banda. Police, rescue, FBI, she wants a... não, não tô a fim. Uhm, deixa eu ver... BOOOORN TO BE WIIIILDDDD! Espera, eu não sei tocar essa! Droga. SASUUUKEEEE!
Itachi estava no sótão, a janela estava aberta. E mesmo sendo o sótão tudo estava muito limpo, nada empoeirado. Era um quartinho mal iluminado com umas duas estantes cheias de tralhas e caixas de papelão fechadas, um sofá vermelho coberto com um pano branco e uma mesinha de madeira meio comida por cupins. Sasuke entrou pela portinha de madeira, com o punho enfaixado e a maior cara de tédio do mundo.
- Que é?
- Eu não sei o que tocar.
- Toca One Week Of Danger.
- Não.
- Toca Highway to Hell.
- Não.
- Toca The Anthem.
- Uhm… Não.
- Toca I Won't Be Home For Christmas.
- É! – Ele ajeitou a guitarra, aumentou o volume no amplificador, ajeitou o microfone.
- De onde você tirou isso?
- Eu achei naquela caixa ali, ó! – Ele disse, apontando um canto do cômodo com uma caixa aberta e um monte de coisas espalhadas na volta.
- Ah...
Sasuke andou até o sofá, puxou o pano branco e se atirou. Espiou por cima do braço do sofá e viu uns mangás antigos de Dragon Ball numa caixa. Estendeu a mão boa para pegá-los. Itachi tocou uns acordes e começou a cantar numa voz mais desafinada do que harmoniosa.
- OUTSIDE THE CHAROLERS START TO SING, I CAN'T DESCRIBE THE JOY THEY BRING, 'CAUSE JOY IS SOMETHING THEY DON'T BRING ME!
A porta bateu na parede com tudo. Sadao Uchiha entrava com um pacote na mão. Ele apontou para Sasuke e mandou-o sentar no chão, sentando-se logo em seguida. Akina Uchiha entrou e fez o mesmo, tendo problemas para sentar por causa do salto e da coluna, é claro.
- Não toca guitarra desse jeito, menino, vai romper o tendão!
- ¬¬ Fala sério, vô.
- Tô falando muito sério, menino! Primeiro começa com uma tendinite, depois quando você menos espera, POOF! Seu braço rompe em dois!
- o.o Er... Não acho que seja assim que se rompe um tendão, vô. – Sasuke começou.
- Cala a boca e senta aqui antes que eu rompa o seu! – Akina ameaçou e os dois correram a sentar no chão perto dos avós.
- Okay! Vamos finalmente ter um pouco de diversão em família aqui! – Sadao falou, apontando para a caixa no meio da rodinha deles.
- O que você tem aí, vô? – Itachi perguntou hesitantemente.
- O melhor jogo de todos os tempos!
- War *0*! – Sasuke pulou sentado. Sadao balançou a cabeça displicentemente.
- Banco Imobiliário? – Tentou Itachi. Vendo o avô abrir uma caixa cheia de pacotinhos.
- Scotland Yard? – Sasuke perguntou, esperançosamente.
- Não seja ridículo... É muito melhor!
- O que é? – ele puxou o tabuleiro. Ou... Tabuleiros?
- BINGO!
- ...
- ...
- Eu ADORO bingo! – Akina exclamou, batendo palmas, feliz. Sadao sorriu convencido e começou a distribuir as cartelas.
- Me mata agora, por favor. – Sasuke pediu a ninguém em particular.
- Eu faria isso, mas aí quem é que ia ME matar depois?
- Nós podíamos nos matar ao mesmo tempo. No três?
- Um... Dois...
- TRÊS! – Sadao berrou, enquanto Akina comemorava um número que ela tinha.
- o.o
- 22! Dois patinhos na lagoa!
- o.o
- 8! Uma bolinha em cima da outra!
- Pensando bem... Acho que se esperarmos mais um pouco não vamos para o inferno por suicídio.
- Não, nós vamos pro inferno por outras coisas.
- 11! As perninhas da Xuxa!
- Pensando bem... O inferno não pode ser muito pior que isso.
- 69! Aquela coisa que... Bem... Ã... Vocês não precisam saber isso. Próximo! 45!
- o.o
- Estou traumatizado.
- Pro resto da vida.
oOoOo
A casa estava no mais pleno silêncio. Seria possível ouvir uma folha caindo no chão. Não parecia que qualquer alma viva habitava ali. O vento entrava pela janela aberta, soprando as cortinas, fazendo as folhas de um calendário voarem para cima e para baixo. A luz alaranjada do pôr-do-sol invadia a residência, fazendo todas as coisas brilharem em uma aura amarelada, dando um ar etéreo em tudo na casa. Sim, o silêncio reinava naquele casarão misteri-
- PEDRO ROBERTO!
- MARIA MANOELA!
- OH, PEDRO ROBERTO! QUE FAREMOS?
- OH, MARIA MANOELA, SERÁ O FIM?
Er... Okay. Talvez alguém habitasse ali. Alguém que gostava muito de novelas mexicanas.
Itachi, Sasuke e Sadao olhavam para a TV com cara de espanto enquanto Akina balançava para frente e para trás, quase dormindo.
- MARIA MANOELA, FUJAMOS!
- MAS, PEDRO ROBERTO, É PERIGOSO!
Sadao fez menção de tocar no controle remoto. A cabeça de Akina se levantou tão rápido que estalou.
- Eu tô assistindo!
- Claro que está, querida. Claaaaro que está. – Ele tranquilizou-a, tirando a mão do controle. A cabeça dela automaticamente caiu para frente de novo, queixo batendo no peito.
- NÓS DAREMOS UM JEITO!
- OH, PEDRO ROBERTO!
- OH, MARIA MANOELA!
- Isso é muito... – Sasuke começou, vendo os protagonistas se beijarem dramaticamente.
- Nojento. – Itachi terminou.
- Que nada, meninos, é muito normal e... – Sadao olhou para a tela da TV e piscou, tentando focalizar a imagem – Uau! Aquilo é fisicamente possível?
- O,O
- ROOOOONC! – Os três olham para Akina, com a cabeça no encosto do sofá e a boca aberta, roncando.
- Finalmente! – Vovô Uchiha exclamou, levantando-se (as juntas estalando). – Achei que ela nunca ia capotar!
- Quer dizer que ela faz isso todo dia? – Sasuke perguntou.
- Claro que sim! E ainda bem que faz, senão eu nunca conseguiria fum... Ãããã, quero dizer, fu...rar.
- Furar o... O jardim.
- É. Furar o jardim a procura daqueles esquilos malucos. Ela ficaria louca. É. Haha.
- Parem de me olhar assim. Eu vou ir lá... Fuma—Rar. Furar o jardim. É.
Sadao saiu da sala, subindo as escadas.
- Ele foi fumar maconha, né? – Sasuke perguntou. Itachi deu de ombros.
- Provavelmente.
Os dois ficaram parados por cinco segundos. Depois caiu a ficha. Eles se olharam, perguntando se o outro tinha tido a mesma brilhante idéia. Tinham. Sorriram.
- A vó tá dormindo no sofá.
- O vô tá se chapando no banheiro.
- Sabe o que isso significa, Sasuke?
- Sim! Vamos fugir!
- Vamos pegar os cavalos do celeiro e sair galopando para casa! – Itachi terminou, olhando radiante para Sasuke que o encarava com a sobrancelha levantada.
- Ou a gente pode pegar o carro. – O outro o olhou impassivamente.
- Ou a gente pode pegar os cavalos.
- Você quer montar no Rex, Itachi?
- Não! T.T
- Então bora roubar o carro.
- YEAAH!
oOoOo
Tudo estava na mais perfeita paz. Akina roncava na sala, Sadao estava fuma... Er... Furando o jardim a procura de esquilos e Itachi e Sasuke não estavam em nenhum lugar à vista. Bem, não muito a vista.
Itachi meteu a cabeça pra fora de uma cortina no corredor do segundo andar e fez sinal para Sasuke, que saiu de trás de um abajur. Os dois saíram correndo até a ponta da escada e pararam, se esgueirando pela parede, um de cada lado da escada. Sasuke espiou para baixo. Confirmou que a avó ainda dormia pelos roncos ensurdecedores do andar de baixo e olhou para Itachi. Ambos balançaram a cabeça afirmativamente, e correram a descer a escada. Na metade do caminho, Sasuke tropeçou na roupa de Itachi e os dois saíram rolando degraus abaixo, gritando como duas garotinhas. Itachi, entretanto, deu uma cambalhota no último minuto e parou de joelhos. Sasuke se esborrachou no chão mesmo.
- Cacete, Itachi, por que diabos estamos usando os lençóis da vovó? – Sasuke reclamou, se levantando.
- Shhhhh! Cala a boca! Quer que nos descubram? E não são lençóis, irmãozinho! São capas!
- Mas nós não somos heróis pra ter capas, somos espiões!
- Espiões têm capas! – Ele gritou pro irmão mais novo.
- Não têm não!
- Têm sim!
- Não têm não!
- Têm sim!
- Me dá um exemplo!
- O Batman tem capa!
- O Batman não é um espião, bobão.
- ...Mas ele espiona as pessoas, o que faz dele um espião.
- Não, faz dele um tarado.
- Cala a boca! Eu sou seu irmão mais velho e se eu digo que nós vamos usar capas, nós usamos capas! Capas são foda!
- Capas são fodidas, Itachi, não foda.
Akina parou de roncar subitamente. Os dois congelaram no mesmo lugar e pararam de brigar. Eles ouviram barulho de gente velha se mexendo e resmungos. Começaram a rodar no mesmo lugar com as mãos na cabeça sem saber o que fazer. Sasuke se escondeu embaixo da mesa, Itachi colocou a cabeça no freezer. Depois de uns minutos, os roncos recomeçaram e eles puderam sair de seus "esconderijos".
- Ufa! Essa foi por pouco. – Sasuke respirou aliviado. – O que é que tu tem? – Perguntou para o irmão, que tremia.
- Brrrr! Que friiiio.
- Vamos lá! Pra garagem! – Gritou e saiu correndo, fazendo a capa voar. Itachi ficou no mesmo lugar. Dois minutos depois, Sasuke voltou.
- V-você v-veio me bu-buscar? – Itachi perguntou, ainda tremelicando.
- Não. Onde é que fica a garagem?
Eles levaram mais ou menos meia hora para achar a garagem da mansão Uchiha, tendo esbarrado em muitos outros lugares antes. Como a despensa, o armário de vassouras, a sala de artes manuais da vovó Uchiha, que consistia em bichos empalhados das mais variadas espécies, e o barracão de carpintaria do vovô, onde um adorável guaxinim fez questão de demonstrar que suas garras não eram tão bonitinhas quanto sua carinha. Até finalmente chegar na garagem do outro lado da propriedade.
- Ô,Ô Estamos na garagem? – Itachi perguntou, segundos antes de desabar de cara no chão, bem em cima do pano rasgado que costumava ser sua capa.
- Não sei, estou com medo de descobrir. – Sasuke respondeu, colocando a mão na maçaneta da porta hesitantemente. Itachi pulou de pé.
- Vamos fazer o seguinte. A gente abre no três e sai correndo. Se nada sair atrás da gente, então nós entramos e vemos o que tem aí.
- Parece bom. Então vamos lá. No três.
- 1...
- 2...
- 3! – Os dois gritaram, abrindo a porta e correndo pra longe gritando feito doidos.
- ...
- ...
- Alguma coisa fugiu?
- Nop. Não que eu tenha visto pelo menos.
- Beleza, vamos lá. – Itachi falou, jogando os trapos de sua capa para trás dramaticamente, e fazendo menção de entrar.
- Espera! – Sasuke chamou, puxando-o de volta. – E se tiver outro guaxinim?
- Não tem!
- Como é que você sabe? Tinha um no barracão!
- É, mas pensa comigo. Quais são as chances de ter DOIS guaxinins numa mesma casa no Japão? Ahn? – Ele sorriu de um jeito espertalhão. – Sabe, é que nem um raio cair duas vezes no mesmo lugar!
- Sabia que na verdade é MUITO PROVÁVEL?
- Besteira! – Itachi falou, rindo, entrando na garagem.
- ITACHI! – Sasuke gritou, tentando puxá-lo uma última vez, mas perdendo a chance.
Silêncio. Itachi estava dentro da garagem. Sasuke do lado de fora. Não se ouvia absolutamente nada.
- Ai, meu Deus, será que o guaxinim matou o Itachi?
Ele contemplou ir ver se seu irmão mais velho ainda estava vivo, mas decidiu que sua vida era muito preciosa para ser desperdiçada com o Itachi, e resolveu sair correndo na outra direção. Ele realmente ia fazer isso, se Itachi não tivesse chamado-o bem na hora.
- Ô IRMÃOZINHO, VEM AQUI! NÃO TEM GUAXINIM NENHUM!
- Er... Tudo bem.
Sasuke entrou na garagem e encontrou seu irmão fazendo pose de fodão, com as mãos na cintura e a capa chacoalhando no vento, no meio da garagem. Sasuke fecha a porta com um baque e a capa de Itachi voa pra sua cara. Ele se estapeia por uns segundos e finalmente consegue tirá-la da cara para voltar pra sua pose de fodão. Sasuke levanta uma sobrancelha.
- Querido irmão, não tema! Com o Itachi não há problema!
- Não há pouco problema...
- O que?
- Nada, nada... E aí? Cadê o carro?
Itachi apontou para uma pilha de metal no meio da garagem.
- Aqui está ela.
- Não, eu tô falando do carro.
- E eu também. Aqui está ela.
- ...
Sasuke olhou pra lata velha pintada de amarelo canário e verde limão caindo aos pedaços que mais parecia ter desabado no meio da sala e não estacionado. Ele fez uma careta incrédula. Itachi abriu um sorriso convencido.
- Sasuke, diga olá pra Margarida!
- Tu só pode tá de brincadeira...
- Ela não é uma belezinha?
- Ah, é... – Sasuke disse seriamente, depois se virou pro irmão – Uma beleza de uma porcaria, Itachi! A gente não vai nem chegar na esquina com essa merda!
- Claro que vai! Tem motor, tem rodas, uma direção, pneus... Acho que tem até freio!
- Você acha?!
- Ah, Sasu-chan, não seja tão pessimista! – Itachi falou displicentemente abanando a mão pro irmão. – Vamos entrar! – Sasuke cruzou os braços, esperando o irmão tirar a chave do bolso. O que ele tirou do bolso, entretanto, foi uma fita de arrombar carro.
- Itachi! Que diabos?
- Sempre útil ter à mão. – Disse, beijando a fita e se agachando pra arrombar o carro.
- É por isso que você vive na cadeia, seu inútil!
- Inútil não! Eu posso ser usado como um mau exemplo! – Sasuke bateu a mão na testa. Alguns segundos de Itachi mexendo a fita pra lá e pra cá, a porta fez um click alto.
Os dois pararam. Itachi puxou as mãos de volta, esperando alguma coisa cair na sua cabeça. Ou pular na sua cara. Nada aconteceu. Ele olhou para Sasuke tipo "é seguro?", que deu de ombros. Devagar, o mais velho se levantou, encarando o "carro". Os dois se aproximaram cuidadosamente. Depois de um minuto de tranquilidade, Itachi botou a mão na maçaneta. Olhou pra Sasuke como se perguntando se puxava ou não. O mais novo revirou os olhos.
- Anda logo, sua mulherzinha!
- Tá, tá, já vou! – Ele puxou a maçaneta.
E a garagem se encheu com um som insuportável de buzina, que mudava constantemente a volumes estratosféricos.
- ALARME? – Sasuke encarou o carro de boca aberta – ESSA PORRA TEM ALARME?
- AI MEU DEUS, AI MEU DEUS! – Itachi corria em círculos com as mãos na cabeça.
- MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU! – o alarme tocava, mudando em seguida para relinchos de cavalo.
- ALARME! ESSA MERDA NÃO TEM NEM BANCO E TEM ALARME!
- AI MEU DEUS! O VÔ VAI OUVIR! O QUÊ QUE A GENTE VAI FAZER?
- BÉÉÉÉÉÉÉÉÉ! BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
- QUEM É QUE IA QUERER ROUBAR ESSA MERDA?
- Nós, aparentemente. – Itachi falou, se acalmando o suficiente para ser sarcástico. – Entra no carro!
- Que? Não! E se o vô ver a gente?
- A essas horas o vô tá chapado até os olhos! Ele deve estar na sétima carreirinha! Até onde ele sabe a buzina é parte da viagem! Entra nessa porra!
- Você não pode me obrigar! – Sasuke declarou, cruzando os braços. Arrependeu-se disso segundos depois, vendo a cara determinada do irmão.
Itachi pegou o irmão mais novo pelos ombros, escancarou a porta com o pé e o atirou pra dentro do carro no lugar do passageiro, subindo no único banco existente – o do motorista, é claro – e batendo a porta três vezes antes que ela fechasse. Sasuke se endireitou no chão do veículo, massageando a bochecha onde sua cara tinha batido quando ele se esborrachou contra o vidro.
- Ai. – Ele resmungou enquanto olhava desnorteado o irmão puxar um bolo de fios debaixo da direção. – Quê que tu tá fazendo?
- Ligação direta. – Itachi murmurou distraidamente, puxando fios aleatórios e socando-os de volta no lugar quando não era o que ele queria. Sasuke acordou do seu torpor.
- Itachi, me diz que você sabe o que está fazendo.
- Eu sei o que eu to fazendo.
- Por que será que eu não me sinto seguro?
- Eu sei o que eu to fazendo! – Ele repetiu, com mais convicção.
- Tem certeza que você não vai cortar nada importante? Como o freio?
- Primeiro: Eu disse que achava que tinha freio. Segundo: Eu não vou cortar nada. – Ele murmurou distraidamente, puxando dois fios e sorrindo. – Ahá! Aqui estão!
- Você tem certeza que são esses?
- Claro que tenho, são sempre esses. Tudo bem que o carro do vô é uma merda e aqui tem muito mais fios do que deveria ter, mas...
- Itachi!
- To indo, to indo! Ei, eu nunca te ensinei a fazer ligação direta?
- Não...
- Fazer ponte?
- Não.
- Roubar gasolina?
- Não!
- Irmãozinho, não e a toa que você é um bundão afeminado, ninguém te ensinou coisas de macho!
- EU NÃO SOU UM BUNDÃO AFEMINADO! E EU SEI COISAS DE MACHO!
- Ah é? Tipo...?
- Tipo... Tipo... – Itachi sorriu convencido.
- Tá vendo?
- Eu não preciso enumerá-las, porque elas não foram ensinadas. A minha masculinidade vem naturalmente. – Sasuke terminou, cruzando os braços, irritado. Itachi olhou pra ele por um segundo e se matou de rir. Sasuke corou, socando o braço do irmão. – CALA A BOCA E FAZ ESSA PORRA ANDAR, CARALHO!
- Bem, pelo menos xingar você já sabe... – Itachi murmurou, pegando os dois fios. – Olha aqui, irmãozinho, eu vou te ensinar.
- EU NÃO QUERO APRENDER A SER UM DELINQUENTE JUVENIL, ITACHI!
- OW! Tu já foi preso, e tá roubando um carro, tu JÁ É um delinqüente juvenil! Agora cala a boca e aprende que algum dia isso pode salvar sua vida. – Sasuke bufou, mas olhou pro fio.
- Não sei como.
- Esses são os fios que você tem que puxar, e eles são fáceis de achar em um carro que não é totalmente podre como o do vô. Você acha eles aqui. – Apontou para algum lugar embaixo da direção, onde estava um buraco cheio de fios pendendo pra fora. – Geralmente. Tira a tampa, puxa os fios, tira o conector. – Ele demonstrou. – E agora você tem esses dois fios descapados.
- E aí? – Sasuke perguntou surpreendentemente interessado.
- Aí... – Itachi aproximou os dois.
Ambos os irmãos deram um pulo ao ouvir o velho motor de Margarida roncar. Itachi sorriu convencido e tentou de novo. O ronco soou mais alto.
- Terceira vez é o charme. – Ele murmurou pra si mesmo, finalmente encostando um fio no outro.
Margarida veio à vida de repente.
- Funcionou! – Itachi gritou, jogando as mãos pra cima.
- Essa merda funciona?! – Sasuke exclamou descrente.
A porta da garagem se abriu com tudo, batendo na parede com força. A imagem do vovô Uchiha parado á porta, com as mãos na cintura e uma aura furiosa irradiando. Seus olhos brilhavam vermelhos em ira mortal.
- Ele tá nos vendo? – Sasuke sussurrou. Itachi levantou a mão pra fazê-lo calar a boca.
Sadao encarou a garagem por um segundo.
E aí botou os óculos.
- ELE TÁ COM OS ÓCULOS, SASUKE! FUDEU, FUDEU! – Itachi gritou, engatando a ré.
- NINGUÉM TOCA NA MARGARIDA! – Sadao berrou, puxando uma espingarda de trás das costas e descendo as escadas da garagem aos pulos.
- ITACHI, OLHA A PORTA! – Sasuke berrou, fazendo o possível para se agarrar no banco do motorista.
- OLHA O QUE?
Foi o que ele disse segundos antes de atropelar o portão da garagem e arrancar a porta das dobradiças, fazendo-a voar vinte metros. Sasuke abriu a boca e ficou olhando da garagem pro irmão, do irmão pra garagem, estaqueado. Itachi olhou pra sua cara chocada, depois pra porta arrancada.
- Ah, aquela porta.
- Certo. – Sasuke murmurou pra si mesmo. – A porta era podre. Por que não estou surpreso?
- VOLTEM AQUI SEUS DELINQUENTES! – Sadao berrava, fazendo mira.
- Ele não atiraria em seus netos, atiraria? – Sasuke falou pra Itachi, sorrindo em deboche. Os dois olharam para o avô. Ele botou o dedo no gatilho.
- ABAIXA! – Itachi gritou, empurrando a cabeça de Sasuke de encontro ao chão e se abaixando também. Um buraco de bala ficou no vidro do carro.
- PUTA QUE PARIU, ELE ATIROU MESMO!
- DEIXEM A MINHA MARGARIDA EM PAZ, SEUS PATIFES!
- Segura aí, irmãozinho, a viagem vai ficar meio turbulenta. – Itachi falou para um Sasuke semi-consciente.
Ele girou a direção e afundou o pé no acelerador, fazendo um giro 180 graus com o carro e saindo a toda pela estradinha de terra. Sasuke rolou pra trás, chocando-se com as caixas de tralhas do vovô Uchiha e esbarrando com tudo no vidro traseiro, caindo de cabeça no chão.
- EU CONSEGUI! EU CONSEGUI! – Itachi gritava da frente. O barulho de tiros foi se afastando, até parar. – HAHAHAHAHA! VOCÊ VIU ISSO, IRMÃOZINHO? VIU? É ASSIM QUE UM HOMEM DIRIGE! QUEM É O DEUS SUPREMO DA DIREÇÃO? – Ele estendeu a mão para bater nas costas do irmão, mas encontrou o ar no seu lugar. – Sasuke? SASUKE? SASUKE! ELE FOI ATINGIDO! AH, MEU DEUS! O QUE EU VOU FAZER? A MÃE VAI ME MATAR! TENHO QUE ESCONDER O CORPO!
- Eu to bem... – Sasuke resmungou, com espirais nos olhos, e depois se virou pro irmão, furioso. – "Tenho que esconder o corpo"? Seu irmão menor morre e tudo o que você pensa é "tenho que esconder o corpo"? – Itachi virou a cabeça pra trás.
- Eu tava brincando irmãozinho, você sabe que eu te amo.
- CALA A BOCA!
- Ah, não seja tão... Sasuke, o que é aquilo?
- Aquilo o que?
- Aquilo! – Itachi apontou. Sasuke virou a cabeça para olhar através do vidro traseiro.
Havia alguma coisa surgindo no horizonte, alguma coisa que vinha na direção dos dois, se aproximando cada vez mais. Uma figura humana montada em um tipo de animal, levantando uma nuvem de poeira atrás de si. Uma pessoa baixa, com uma grande barriga e camisa florida... E uma espingarda na mão mirando no meio de suas testas.
- FUDEU, FUDEU, PÉ NA TÁBUA, ITACHI! O VÔ TÁ NOS SEGUINDO!
- Aquele ali é o Rex? PUTA, QUE INJUSTIÇA! POR QUE É QUE QUANDO EU MONTEI AQUELE BICHO DESGRAÇADO ELE DESMONTOU? O VÔ TEM UNS CEM QUILOS A MAIS QUE EU!
- CALA A BOCA E DIRIGE, PORRA! TU NÃO TÁ VENDO QUE O VELHO TÁ ATIRANDO? – como se pra provar que ele estava certo, um barulho de tiro estourou e uma bala atravessou o vidro onde a cabeça de Sasuke estivera segundos antes. Itachi se virou pra frente calmamente.
- Argumento váido. – e prontamente engatou a terceira e enterrou o pé no acelerador. Sasuke se desequilibrou e se estatelou de novo de encontro às tralhas do "porta malas".
- ITACHI!
- Olha como essa beleza corre! E eu não dava nada por essa lata velha! Ela é tão leve!
- Claro, o vô tirou até a porra dos bancos! – Sasuke resmungou, se agarrando no banco do motorista pra tentar se levantar.
Ele se apoiou numa das caixas e deu impulso, conseguindo ficar sentado. Ele foi puxar a mão, quando sentiu algo tocá-la. Sasuke deu um pulo de susto, vendo que não, não estava louco, tinha alguma coisa, de fato, segurando sua mão. Algo pequeno, peludo e com garras. Ele congelou, olhando arregalado para o bicho.
- Itachi... – Chamou baixinho.
- Tudo bem que não precisava ser essa cor berrante escandalosa...
- Itachi.
- Se bem que nem é tão ruim assim...
- Itachi!
- A Margarida está crescendo em mim... – Ele fez menção de mudar a marcha.
- ITACHI! NÃO FAÇA MOVIMENTOS BRUSCOS!
Então é claro que a primeira coisa que Itachi fez foi jogar meio corpo pra trás com um sorriso pastelão.
- Que é?
- ITACHI!
Mas já era tarde. O bicho pulou do meio das caixas e voou direto... Pra cara de Itachi.
- AAAAAAAH! – Ele gritou, tirando as mãos do volante.
- AAAAAAAH! – Sasuke gritou. O carro voou pra direita.
- TIRA ISSO DE MIM, TIRA ISSO DE MIM! – Itachi gritava, abanando as mãos freneticamente.
- SEGURA A DIREÇÃO, ITACHI! – Sasuke gritou. O irmão botou as mãos na direção e continuou gritando, com o guaxinim agarrado à sua cabeça, tapando sua visão.
- QUE QUE EU FAÇO? EU NÃO TÔ ENXERGANDO NADA! TIRA ESSA PORRA DE MIM, SASUKE! TIRA!
- VAI PRA ESQUERDA!
Itachi prontamente virou toda a direção pra esquerda, quase atropelando uma vaca no meio da estrada.
- DEU, ITACHI! TU VAI BATER NA CERCA, VAI PRA DIREITA! – Ele fez o que o irmão mandou. – TU FOI DEMAIS, IMBECIL!
- DESCULPA, IRMÃOZINHO, MAS TEM UM GUAXINIM NA MINHA CARA! EU NÃO TÔ ENXERGANDO PORRA NENHUMA!
Enquanto isso, Sadao olhava o carro ziguezagueando pela estradinha, tendo grandes problemas para mirar sua espingarda.
- Direção defensiva! Puta, eles são bons!
Dentro da Margarida, Itachi continuava gritando enquanto Sasuke tentava puxar o guaxinim à força, rolando pra frente do carro, metendo um pé nas costelas de Itachi e puxando o bicho pelas patas.
- AI, AI, AAAAAAAAAAAI, SASUKE! ESSA PORRA CRAVOU AS PATAS EM MIM!
- PRA DIREITA! PRA ESQUERDA! CALA A BOCA, EU TÔ TENTANDO!
- PRA ONDE?
- DIREITA!
Itachi vira a direção pra esquerda. Eles atropelam uma cerca e começam a andar no meio de cabras, que ao verem aquele monstro amarelo e verde correndo na sua direção prontamente congelam e caem duras.
- A OUTRA ESQUERDA, PORRA! OLHA A CABRA!
- QUANTAS VEZES EU TENHO QUE DIZER QUE NÃO TÔ VENDO PORRA NENHUMA?
BAM! Uma das balas do vovô Uchiha acertou o vidro traseiro de novo, fazendo ele se rachar em pedacinhos. Sasuke olhou pro espaço vazio separando os dois do lado de dentro do consideravelmente mais perigoso lado de fora, e em um súbito momento de iluminação teve uma idéia.
- ITACHI! OLHA PRA DIREITA!
- O QUE? – Itachi se virou na direção do irmão.
- HAIAAAAAAAAAAAAAAAAA! – Sasuke gritou, levantando o braço e largando a mão espalmada com toda a sua força no guaxinim no maior bitchslap do século, mandando o bicho voando através do buraco que era o vidro traseiro direto... Na cara do vovô Uchiha.
- GAAAAAAAAAARG! QUE DIABOS! GAAAAAAAH! SOCORRO! SOCORRO! TIRA ISSO DE MIM! TIRA ISSO DE MIM! – Sadao berrava, largando Rex para tentar tirar o guaxinim de sua cara, se enfiando em um matagal do lado e desaparecendo de vista.
- ESTOU LIVRE! ESTOU LIVRE! – Itachi gritava com lágrimas – e arranhões – nos olhos. Sasuke olhava pasmo para o espaço vazio onde o avô estivera segundos antes.
- MANO, EU SOU NINJA! – Ele berrou em auto-congratulação.
- Ele foi embora? – Itachi perguntou fungando suspeitamente.
- Foi, ele se perdeu no mato.
- o.o
- ...
- Okay! Então, quer passar na sorveteria antes de ir pra casa?
- ...
- ...
- Claro, por que não?
Nove horas depois, Fugaku abria a porta de casa para ver seus dois filhos parados à sua frente, descabelados, de roupa rasgada, com um lençol todo esburacado amarrado no pescoço, cheios de poeira e sujeira, cobertos de arranhões e melecados de sorvete.
- Eu não vou nem perguntar. – Mikoto botou a cabeça pra fora da cozinha com o telefone no ouvido.
- Sua avó no telefone, vocês tem alguma idéia de onde seu avô pode estar?
Os dois se olharam ao mesmo tempo e viraram pra mãe.
- Não.
- Nem idéia.
- Por que saberíamos?
- Na-hã.
- Tudo bem. Ela acha que ele se perdeu depois da... – Ela fez careta e sussurrou – 'marijuana'. – E depois sumiu na cozinha de novo.
- Vocês tem alguma coisa a comentar? – Fugaku perguntou de sobrancelha erguida.
Os dois se atiraram no pai, agarrados à sua cintura.
- NÃO FAZ ISSO DE NOVO! NÓS PROMETEMOS QUE VAMOS SER BONZINHOS! POR FAVOR NÃO NOS MANDA PRA LÁ!
- O.O – Povo da rua.
- ¬¬ Entrem duma vez e não façam cena.
