Severus, apesar de fazer conta de que aquilo aconteceria, se sentiu estranho ,e, um tanto quanto incomodado com a situação:

- Não tive esse objetivo, Lucius...- disse suspirando, em um tom monótono e tranqüilo, apesar do corpo cansado que lhe pedia descanso, e, uma solidão aconchegante de silêncio, de proteção.

- Não seja humilde, Severus. Você não precisa disso! – disse o loiro, levantando os braços, gesticulando com energia e suntuosidade – Foi realmente ESTUPENDO ! - falou em um tom teatral por último, com um sorriso enorme, apertando as mãos.

- Eu sinceramente não preciso de nada disso mesmo...Por isso, eu não quero ser condecorado. Façam outro de mártir, porque eu não quero esse papel – disse Severus, se sentando em sua cama, mexendo em sua poção com a varinha sob a boca do caldeirão, perdido nas ondas, e nuances que sua substancia grossa reproduzia.

- Como não? Você pode ter fama, pode ter tudo o que você quiser.

- Exatamente! – levantou os olhos rapidamente – Eu não quero isso; eu quero que você me deixe agora, Lucius. – disse alterando o tom de voz para um calmo, e pouco volumoso que tinha abandonado ao responder imediatamente as ofertas de Malfoy.

- Eu nunca vou entendê-lo. – disse num tom de desdém – Sempre preferindo as coisas mais idiotas, mais tolas da vida. Você vai se dar mal, Snape.

- Ahhh... – disse o moreno, sentado, com os cabelos sobre o rosto, o tampando, e seu sorrisinho sarcástico. – Agora eu sou o Snape? Cadê o Severus, meu caro amigo?

Lucius virou os olhos, e passou na moldura puxando por uma mão. Narcisa estava encostada no outro lado da parede, esperando seu noivo, e aproveitando para ouvir a conversa fez uma careta a Severus, que a ignorou, e até deu uma risada irônica. Virou-se ao seu caldeirão, e percebeu que a sua poção estava pronta. Levantou, e se agachou para pegar uma taça numa cômoda do lado da sua cama. A olhou, e levantou a sobrancelha em sinal de verificação, e a jogou um pouco de água, que depois foi jogada na pia do banheiro.

Bebeu, e se sentou no chão, esperando fazer efeito. Ficou pensando em Lily; ele já sabia que estava e sempre esteve, desde que a conheceu, completamente apaixonado por ela. Mas nesse momento, as coisas não estavam mais obscuras, ou escurecidas, presas, ou metidas nos calabouços da sua mente. Seu amor, sua paixão, seu desejo, seu carinho; o sorriso dela o fazia tremer. E agora, num momento em que as coisas estavam claras para ele, ele e ela estavam separados, separados por um Potter, um Black e um bando de idiotas que beijavam a sola dos sapatos deles. Sabia, e não podia deixar de ser franco consigo mesmo, que ele tinha um papel muito grande nessa separação, mas tudo sempre começava e terminava com Potter destruindo algo que ele tinha. Era sempre assim, uma rotina sufocante, ele ansiava que isso acabasse um dia, mas parecia sempre, que as coisas só iam piorar.

Enquanto devaneava, não percebia que alguém batia insistentemente na porta do dormitório. Que agora, se abria sem pedir licença pois o quarto não era só dele, havia cinco camas lá:

- Por que você não atendeu? – disse Avery, o seu colega de dormitório.

- Ah, era você? – disse Severus, levantando a cabeça, e dando um sorrisinho sarcástico, enquanto o outro jogava sua mochila ao lado da cama, e seu corpo na mesma.

- Era; porque? Não me acha suficiente? – disse Avery, inclinando a cabeça para fora da cama, encarando Snape fazendo-lhe uma careta.

- Digamos que não é grande coisa, não é? – sorriu maliciosamente, encarando o outro nos olhos.

- Você nunca experimentou pra saber! – grunhiu Avery com a careta estampada no rosto, e descendo um pouco mais o corpo da cama, sem tirar os pés dela.

- Você vai cair, e vai ser um tombo feio. – riu-se Severus, o rosto de Avery se aproximava, e ele afastava o seu lentamente.

- E você com isso? – Avery falou, mordendo os lábios, mirando por alguns segundos os de Severus. – O problema é meu.

- É verdade, sem dúvida. – disse Severus convicto, mas estramente divertido por aquela situação esquisita. Avery se aproximava mais, suas mãos já iam tateando o chão, ele se segurou nas coxas de Snape. Severus o olhou e riu incrédulo; conseguia já sentir o bafo quente de sua boca sobre o seu buço, olhou para os lados, sem mover a cabeça, percebeu que ele ia realmente fazer o que ele imaginava.