Capítulo 2 - missão 169/08

Hinata observava silenciosamente pela janela do BMW em que estava a passagem passar rapidamente como flashes. De vez em quando, olhava do loiro para o velocímetro.

Naruto ameaçava uma dança e cantava uma música que Hinata não identificou sentado no banco do motorista.

O rapaz dirigia tranquilamente quando Hinata reparou, pela primeira vez, já que as poucas luzes da boate a atrapalharam, que ele era muito atraente. A calça social e a blusa sport fina davam um charme a mais a ele.

Ia respondendo as perguntas dele por monossílabos. Queria apenas ficar em silêncio, mas o rapaz ao seu lado gostava de falar... E como.

Logo chegaram a um luxuoso motel. Esse era o último lugar em que pensaria estar.

A suíte do motel era bem luxuosa, como esperado. O quarto era arredondado com uma porta no canto direito que dava para o banheiro, Hinata pode reparar. As paredes e o teto eram vermelho-claro, sendo a parede detrás do dossel da cama em um tom de vermelho mais intenso, os móveis cor mogno e os enfeites eram variados. A cama ficava ao centro do quarto e um pouco distante dela havia um bar com vinho, wisk e champanhe.

Hinata nem teve tempo de reparar melhor no quarto, pois Naruto lhe atraía a atenção sussurrando em seu ouvido e passando as pontas dos dedos por suas coxas levemente. Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele já a havia pressionado contra a parede e lhe lambia o pescoço.

A única coisa que a jovem conseguia fazer era deixar as mãos paradas ao lado do corpo. Sentia o sangue esquentar a cada vez que sentia a língua dele em sua pele.

- Hi-na-ta... Hinata... Hinatinha – ele brincava com seu nome entre as carícias e parecia gostar muito disso.

Ele parou as carícias e a encarou. Ela estremeceu. Aqueles olhos azuis lhe convidavam e instigavam. Hinata sentia as mãos do rapaz subirem por seu corpo, posando uma na sua cintura e outra na sua nuca. Seus olhos foram fechando à medida que seus lábios se aproximavam até que se encostaram completamente.

Hinata entreabriu a boca e sentiu a língua de Naruto brincar com a sua cada vez mais ardente e chamativa.

- Eu preciso beber alguma coisa - disse Hinata, separando-se dele e desencostando da parede.

- Tudo bem - disse indo até o bar e servindo um pouco de vinho para ela. – Gosta? – perguntou lhe estendendo a taça.

Ela assentiu e tomou um gole de vinho antes de pedir que ele colocasse uma música. Nesse meio tempo, Hinata tirou de dentro do decote pequena ampola que Sakura lhe dera. Quebrou a tampa da ampola, jogou rapidamente o pó dentro do vinho e o agitou até não haver vestígios de pó, jogou o pequeno objeto de vidro no chão e pisou em cima.

- Toma comigo? – estendeu a taça a ele um pouco tensa.

Ele sorriu abertamente e tomou todo o vinho da taça distraidamente enquanto conversavam trivialidades.

O jovem sorriu de modo sedutor enquanto se livrava da taça.

- Quero você, Hinatinha. Dessa vez não adianta inventar desculpas - riu ele.

- Desculpas de quê?!

Ele apenas gargalhou e mordiscou o dedo indicador dela.

Hinata sentiu até o seu último fio de cabelo corar.

O rapaz se aproximou mais dela, decidido a melhorar o clima entre eles, e começou a desabotoar a própria camisa muito vagarosamente. Hinata foi seguindo seus movimentos com o olhar e seus batimentos cardíacos foram aumentando a cada botão que ele descia. Naruto pegou a mão da moça, segurou forte entre a sua e levou até a presilha do cinto. Hinata levantou o olhar e deu de frente com o rosto dele centímetros do seu.

Ele mordiscou a ponta do nariz dela, a orelha, o pescoço devagar.

O coração da jovem batia muito rápido. Sentia as mãos tremerem e uma palpitação leve no ventre.

Sem saber o que estava fazendo ela segurou a cabeça de Naruto com as duas mãos e juntou seus lábios num beijo profundo e ousado.

Ficaram muito tempo, em pé, se beijando vorazmente. Um beijo longo, molhado, excitante, ofegante. Até que Naruto, aos poucos ia levando-a para a cama, sem parar de encará-la e unir seus lábios de vez em quando.

Hinata só percebeu que chegaram à cama quando seu calcanhar bateu de leve do pé desta. Caiu propositalmente de costas no colchão macio e antes que pudesse fazer qualquer movimento, o corpo do rapaz lhe cobriu, desacordado.

"Recomponha-se, Hinata", pensou.

A pequena moça, agora, remexia impaciente nas coisas do rapaz. Na carteira, achou três identidades, um pouco de dinheiro, vários endereços. Nada que realmente lhe interessasse.

Olhando pelo espelho viu sua imagem totalmente desajeitada e a da chave do carro.

Desceu as escadas correndo e assim que virou a esquerda no corredor, viu dois pares de olhos arregalados olhando-a.

- Esquecemos algo no carro – sorriu envergonhada.

- A vontade senhora.

Ainda com um sorriso amarelo nos lábios, deu-lhes as costas e amaldiçoando Sakura, por ter lhe colocado nesta situação, entrou depressa no carro.

Nada. Nada além de papéis promocionais, balas e rabiscos sem importância.

Claro que não teria nada. Naruto – se esse era mesmo o nome dele - não era burro.

Suspirando pesadamente encostou a testa no volante do automóvel, tentando restabelecer as idéias. Não era a toa que evitava esse tipo de missão. Tentava inutilmente se lembrar do que aprendera durante o treinamento.

É óbvio que não teria nada ali. Hinata não sabia como se deixou iludir que tudo seria fácil e que em pouco tempo estaria deitada novamente em seu sofá, ouvindo Elvis Presley e desenhando no ar com os dedos.

Enquanto subia as escadas, rumo ao segundo andar, tomou a decisão que lhe parecia mais sensata naquele momento. Teria que se envolver com ele. Essa é a única opção que tinha.

Isso significa que ela terá que procurá-lo, ligar, ir jantar, perguntar como foi o dia, tentar estabelecer um diálogo interessante, ser uma companhia agradável e mostrar interesse. Em resumo, essa missão seria um saco. Nessas horas, sua cama e sua televisão parecem tão mais convidativas.

Pior, como Sakura havia dito, precisaria de tempo para ganhar a confiança dele. Ou seja, teriam que passar bastante tempo juntos. Mas a moça não tinha certeza de que conseguiria. Nunca passou mais de uma semana com o mesmo cara – exceto um único namorado que teve -. Não por opção dela, claro.

Chegando ao quarto, ajeitou o rapaz na cama.

Hinata não fazia idéia de quanto tempo levaria para o rapaz acordar, então decidiu escrever um bilhete e ir embora.

Escreveu o bilhete tentando ser engraçada e rezando aos Céus que ele achasse alguma graça.

Deixou o papel ao lado do rapaz na cama e foi embora.

Chamou um táxi e cochilou por todo o trajeto até sua casa.

Enquanto subia as escadas até o quarto andar, Hinata ligava incessantemente para a amiga.

- Hinata, pelo amor de Deus. São 6h da manhã e eu mal preguei os olhos.

- Não seja dorminhoca, Sakura-chan. Hoje é sábado.

Então, Hinata contou como fora a noite. Omitindo uns beijos ou outros, não queria ouvir a risada escandalosa da amiga logo pela manhã.

- Agora vem a parte um pouco chata. Você tem que esperar ele dar algum sinal de vida se não você vai ter que voltar a boate e dar mole de novo. Ele sempre está lá. Hinatinha... Agora vai dormir e nos falamos mais tarde, okay?

Sem antes esperar pela resposta da morena, Sakura desligou o telefone. E Hinata teve certeza que ouviu a amiga resmungar antes de bater o telefone no gancho.

Agora, pensava Hinata deitada de costas para a cama, tudo que não queria estava acontecendo. Teria dois encontros pela frente e não podia cancelá-los, – um era seu vizinho e o outro, sua missão – teria que ser extremamente amigável com os rapazes – não queria perder a amizade de Kiba e, repetiu mentalmente, o outro era sua missão. Poderia piorar? Hinata não sabia, mas esse é o tipo de pergunta que não se deve fazer a menos que você queira que as coisas piorem.

- O problema Hinata – dizia Sakura pelo viva-voz horas mais tarde enquanto Hinata cortava algumas cenouras para seu almoço – é que Naruto e Kiba são do sexo masculino.

- Está me dizendo que sou lésbica?! – indignou-se.

- Não, claro que não. É que você sempre arranja um jeito de espantar seus pretendentes.

- Eu não tenho culpa se eles param de me procurar.

- Você não mostra interesse. Não liga, sempre arranja uma desculpa para não sair, não gosta de carinho.

Hinata resmungou algo e foi cozinhar o macarrão para seu yakisoba. A amiga tinha razão.

- É que isso tudo é um saco, Sakura-chan.

- O que é um saco? Beijar na boca?

Mesmo sem poder ver o rosto da amiga, Hinata sabia que ela estava com os olhos arregalados.

- Não – contou Hinata – pensar em algo interessante para falar, ser legal, enfim...

- Ah... Seu problema é que você pensa demais. Sofre por ansiedade. Seja você mesma.

- Ser eu mesma não é interessante.

- Ahh Hinata... Eu gosto de você do jeito que você é...

- Mas você é minha amiga – cortou ela.

- Mas tive a opção de não ser – cortou Sakura.

Hinata apenas suspirou. Ela nunca entenderia.

- Tenho que desligar Sakura-chan, tem alguém na outra linha.

Com o refrão de Still loving you do Scorpions tocando ao fundo e o dedo na boca, porque acabara de queimá-lo na panela, a pequena foi atender ao telefone.

- Pois não?

E minutos depois, Hinata discava o número da amiga com o coração aos pulos.

(8) All we know – paramore

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