Extra - Sakura

Hinata me ligou pela segunda vez. Sua voz era hesitante e trêmula.

- Ele me chamou para jantar.

Céus! Hinata era tão insegura que mais parecia uma adolescente em seu primeiro encontro.

Não que eu não goste de ajudá-la. Além de minha protegida, ela é minha amiga. Mas Hinata me liga a cada suspiro que o tal carinha loiro dá.

Escolhi Hinata para ser minha protegida porque quando a vi ela parecia tão frágil e delicada. O que uma garota – sim, garota – assim faz na polícia? Não sou muito mais velha que ela, – claro que não, estou na flor da idade – mas cresci muito rápido dentro da corporação.

Um prodígio, eu diria. E modesta também.

Ganhei a confiança de todos muito rápido, principalmente de Tsunade-sama, que tempos antes foi minha "madrinha", como costumamos chamar quem nos ensina e protege.

Aprendi com a melhor.

Hinata se formou na academia de polícia há uns menos de um ano. E como esperado suas missões até agora foram bem simples: fazer segurança de pessoas importantes ou protegidas pela lei, transporte de presos, um bico como guarda de trânsito – lembro de como ela ficou irritada aquele dia. E com razão. Nos últimos meses, ela foi escalada, basicamente, para fazer, reler e corrigir relatórios. Pude ver claramente o tédio escrito em sua testa.

Essa missão que dei a ela é muito mais do que ela está acostumada. Creio que isso fará um bem danado para a ficha dela. Se é que é isso mesmo que ela quer... Hinata nunca me contou o porquê de entrar para a polícia. Esse não parece ser o tipo de serviço para o perfil dela.

Espero, com todo o coração, que eu esteja perto dela quando for escalada para o "serviço de campo", como chamamos a espionagem, investigações, perícia etc. Isso dentro do nosso departamento. Não tenho contato com os outros departamentos nem ao menos sei quantos são.

Meu próximo passo será contar a Tsunade-sama a missão que encarreguei a minha pequena. Ela me matará, tenho certeza. Vou até com os ouvidos prontos para escutar a maior bronca da minha vida. Mas agora não há muito que fazer.

Caminhei até a janela e observei por um tempo o movimento lá fora.

Nenhum sinal dele.

Não queria pensar nisso, mais meus pensamentos sempre convergem para ele.

Depois de sua última aparição, Sasuke não voltou mais.

Depois que brigamos eu o vi espreitando minha janela. Mas desde aquele dia não tenho nenhuma notícia dele.

Ele não me ligaria. É orgulhoso demais para isso.

Não retorna as minhas ligações. Acaso isso seria um castigo?

Consigo desempenhar meu trabalho muito bem. Sou sensual quando preciso ser, sou fria quando preciso ser, sou forte e dura quando preciso ser. Mas isso é uma máscara.

Somente Hinata, minha amiga, sabe o quanto eu sou faladeira e risonha.

Somente Sasuke, meu amor, sabe o quanto eu sou romântica e vulnerável.

Agora, uma das pessoas mais importantes da minha vida foi embora. E me deixou.

Bonita, sensual e fria por fora. Oca por dentro.

Sasuke levou o melhor de mim quando se foi.

- Sasuke, sou eu. Eu sei que está em casa. Atende, precisamos conversar – nada. Ouço somente um chiado vindo do outro lado da linha. Já estava pensando em desligar quando ouço aquela voz áspera que me faz arrepiar.

- Pára de me ligar, Sakura. – disse-me rudemente.

- Temos que conversar... Eu tenho que lhe explicar o q...

- Nada do que disser vai me fazer mudar de idéia.

- Mas... Deixe-me expli...

- Você é uma vadia. – cuspiu – não sei como confiei em você todos esses anos.

- N-não. Por favor, eu... – minha voz era embargada e chorosa – Eu te amo. – tarde demais. Sabia que ele não me ouvia, já havia batido o telefone na minha cara.

"Eu te amo."

"Eu te amo."

Sinto o choro preso na garganta como se uma mão invisível a segurasse. Os olhos lacrimejando sem que eu me desse conta disso. Até que o choro tornou-se alto. Histérico.

Só me dei conta de que havia atirado o telefone quando ele se espatifou na parade.

Gritei com toda força que podia. Soluçando e quase me afogando em minhas próprias lágrimas comecei a quebrar tudo que estava em meu alcance.

- SASUKE!! SEU...

Ainda chorando e gritando agarrei meus cabelos e comecei a arrancar vários tufos de cabelos rosa.

- Você disse que adorava meu cabelo. – ri irônica entre lágrimas – você adorava meu rosto – disse me arranhando – você adorava meus olhos.

Fui correndo para a cozinha e peguei um garfo. Aproximei-o do rosto e vi meus olhos esmeralda refletido nele.

Tomei um choque de pavor, um susto ao ver o objeto parado impotente em minhas mãos trêmulas.

Soltei um grunhido e larguei o objeto rapidamente.

Com a descarga elétrica percorrendo meu corpo de cima a baixo fui ao banheiro.

O que vi refletido no espelho me assustou.

A sombra de uma mulher que um dia fora bonita.

Os cabelos desgrenhados, os olhos inchados, o rosto arranhado, a boca trêmula, os pêlos do corpo eriçados.

"Que decadente", me disse o reflexo de Sasuke, que até então eu não havia reparado que estava ali.

"A culpa é sua", respondi ao reflexo. E me virei para poder encará-lo, mas não havia nada ali, somente minha parede branca.

- Eu te amo.

Vencida pelo cansaço, cai de joelhos, chorando baixo. Até adormecer entre a bagunça que eu mesma havia feito.

Não sabia viver sem ele.

Meu amor doentio não fazia sentido sem ele.

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N.A.: Seu review será bem recebido ^^. Eu me esforço bastante para fazer algo bom já que não nasci com o dom da escrita. Valeu a todos q leram o/

Diessika – nossa *-* que honra ter minha fic add aos favoritos. Valeu mesmo ^-^

Kaah Hyuuga – você é bem observadora =x hasuhdausd adoro seus comentários, eu rio com eles xDD

Nana V – está sumida... viajando? Btw, obrigada pelos coments ^^

Tomochan 19 – quero ver-te mais por aqui ^^ obg o/

---- Dica de música para ouvir lendo esse cap: Hysteria do Muse.