N.A antecipado: Capítulo com pseudo-hentai. Se você não gosta, não leia

Cap.7 – Man in the Box

Hinata chegou a casa ainda com os músculos rígidos pela aproximação da Sai. A vozinha sensata de sua mente, a mesma que lhe dizia para se afastar de Naruto, lhe dizia para ficar o mais longe possível de Sai. O que era um pouco difícil, pois trabalhavam no mesmo lugar.

- Estou entediada. – ouviu Hanabi dizer assim que cruzou a porta.

- Isso porque você ficou jogava o dia inteiro no sofá vendo TV. – e dizendo isso se virou para o garoto esparramado no tapete – E você garoto, o que pretende fazer aqui em Tóquio?

- Bem, eu pensei em trabalhar para consegui comprar as coisas do bebê.

- Vocês acham que as coisas são simples, não é? Não pretendem morar na minha casa para sempre, certo?

Os dois trocaram olhares cúmplices.

- Na verdade – Hanabi começou a dizer – foi exatamente o que pensamos. Morando com você não teríamos gastos com casa e comida e seria muito mais fácil criar o bebê.

- Acho melhor você ir pensando num plano B. Você fica comigo só até terminar o colegial.

- Como?... Nee-san, você vai me expulsar de casa também?

Claro que não faria isso. Além do instinto protetor que tem em relação à caçula da família, Hanabi sabia muito bem fazer chantagem emocional. E ela sabia que Hinata sempre cedia.

A Hyuuga mais velha girou os olhos contrariada. Teria que agüentar os dois brigando na cozinha por um pedaço de bolo por um bom tempo.

- Pelo menos vocês dois começam na nova escola amanhã.

Os dois pares de olhos que a encaravam se arregalaram tanto que perigavam cair.

- Eu não posso ir para a escola, nee-san. Minha barriga já está começando a crescer.

- Pensasse nisso antes. E Konohamaru vai acompanhar você.

- Não é justo, nee-san. Eu vou entrar numa turma desconhecida justo no final do ano.

Hinata deu de ombros e ouviu a reclamação da irmã pacientemente até que ela se cansasse de falar. O que demorou mais do que a jovem gostaria.

Assim que saiu de seu banho quente foi até o telefone em cima da mesa de centro da sala e o encarou por alguns minutos. Tirou-o do gancho mais imediatamente o colocou de volta.

"O que eu estou fazendo?!", pensou quando numa ousadia passageira retirou o fone do gancho e apertou o memory do telefone.

Precisava tentar mais uma vez. Apesar de ter ligado para aquele número grande parte do dia quando estava sozinha em sua sala.

Ela sempre desligava quando a voz feminina da secretária eletrônica começava a soar pelo aparelho, mas dessa vez ouvia-a até o final e respirou fundo antes de deixar sua mensagem:

Naruto, aqui é a Hinata. Seu número ficou gravado no meu telefone e pensei que não teria problema eu ligar... Desculpe incomodar... Bem, como vai?... Ai que idiotice... Não, não chamei você de idiota... É que, bem, você não respondeu minhas últimas ligações e eu queria saber se está tudo bem. É isso. Tchau.

Com certeza essa foi a coisa mais idiota que já havia feito. Era o que pensava enquanto mordia a antena do telefone.

"Talvez ele simplesmente não esteja a fim de você", uma das vozinhas em sua cabeça disse, mas ela não sabia distinguir qual. Talvez se envolver com Naruto seja tão louco que as duas vozes resolveram aconselhá-la ao mesmo tempo.

A voz em sua cabeça tinha razão. Afinal, não tinha nada de especial para fazer com que Naruto se prendesse a ela. Era apenas uma moça de cabelos escuros e solitária que passava os fins de semana vendo TV.

E havia se exposto muito deixando aquela mensagem. Tanto para a polícia e os bandidos quanto para o próprio loiro. Isso é, se ele estivesse vivo para ouvir aquela mensagem.

Se ele estivesse mesmo morto a pequena chama que ardia em seu peito não tinha mais necessidade de existir. Voltaria a ficar no frio que era sua alma.

"Você é mesmo patética. Como pôde ficar dependente desse rapaz em tão pouco tempo", ouviu seu subconsciente ralhar-lhe.

"Eu não sou dependente dele. Nem ao menos me preocupo com ele", respondeu ao subconsciente em voz alta.

Jogou-se no sofá apreciando o silêncio do ambiente – que só era possível quando a irmã e o cunhado estavam dormindo.

Deve ter cochilado por quinze minutos quando o barulho do interfone a acordou num susto.

- Hyuuga-san, o jovem Naruto quer vê-la de novo. – a voz do porteiro soou pelo aparelho.

Com o coração contraído, vestiu rapidamente um casaco grosso por cima do moletom que usava e desceu rapidamente até a entrada do prédio.

Assim que viu o loiro o sorriso tímido brotou nos lábios de ambos.

- Oi, Hinata. – disse ele quando o portão elétrico foi destravado pelo porteiro. Ele sorria pequenamente. Não era o sorriso do Naruto que conhecia, mas era o melhor que conseguiria no momento.

Ela tremeu por dentro e antes de sua razão lhe dissesse o que fazer ela já estava nos braços dele. E sentiu-o enlaçar sua cintura depois de hesitar um pouco.

Assim que se afastaram Hinata deu vários fracos socos no peito forte de um assustado Naruto.

- Você... deveria... responder... as pessoas. – disse ela, tendo os pulsos segurados pelo rapaz.

Queria machucá-lo por fazer-lhe se sentir perdida e afundando nesse tempo em que esteve sumido. Queria fazê-lo pagar por lhe fazer perder o bom-senso e o sono. Queria que ele soubesse. E, acima de tudo, queria que ele nunca mais fizesse isso.

- Me desculpe se preocupei você.

Preocupada? Quem lhe disse que ela estava preocupada?!

Ela o encarou nos fundo dos olhos. Era como se o reparasse pela primeira vez. Os olhos azuis como o céu, o cabelo louro arrepiado, o contorno firme do rosto, o nariz e os lábios finos... Tudo nele combinava perfeitamente bem. Sentiu o coração bater violentamente no peito e o estômago contorcer. Seu olhar caiu para o corpo dele e só então acordou de seu transe.

Ele usava chinelos, um jeans velho e uma blusa sem manga. Pelo que ouvira no rádio a caminho de casa a temperatura prevista para esta noite era de 10°C.

- Você é doido, vai acabar tendo hipotermia.

E só agora percebera que a boca dele tremia pelo frio. E ao puxá-lo pelo braço, viu que ele estava gelado.

Subiram sem trocar nenhuma palavra. Quando chegaram ao apartamento Hinata o sentou no sofá e procurou um cobertor grosso para ele enquanto a água para o chá esquentava.

- Não tem wisk? – perguntou ele quando a garota lhe deu uma xícara.

- Você devia beber menos – disse ela e apenas recebeu um balançar de ombros como resposta. – O que estava fazendo sem roupa lá fora nesse frio?

- Eu mereço. – respondeu ele querendo passar uma certa trivialidade.

Ele passou o dedo indicador na borda da xícara antes de tomar um longo gole.

- Flagelar-se desse jeito não vai levar a nada. – ela falou sem encará-lo.

- Você diz isso porque não tem idéia do que eu...

- Não importa, Naruto. Está feito. O que importa é que você se arrependeu. Tentar consertar a situação é muito mais útil do que se impor sofrimento.

- Não Hinata. A situação não tem conserto.

- Se você me contasse o que aconteceu eu poderia ajudar...

Ele tomou mais um gole do chá sem respondê-la.

A moça passou as mãos pelos cabelos lisos e soltou o ar dos pulmões com força. Não queria forçar sua opinião e passar-se por chata.

Algo nele havia se quebrado. O ar infantil e, de certa forma, ingênuo que tanto lhe atraía havia se perdido. Talvez algum dia pudesse tem um lapso daquele Naruto que estava em seu tapete vendo filme num sábado à noite.

A alegria, talvez, estivesse apenas inibida. Algo, bem no fundo, lhe dizia que ainda o veria sorrindo. Um sorriso maduro, talvez, mas ainda sim contagiante. Era nisso que queria acreditar. Era nisso que se prenderia.

- Eu tentei me afogar ontem. – ele falou depois de um tempo ainda querendo passar aquela maldita banalidade.

Hinata se engasgou com o chá de maça que tomava, engoliu rapidamente o líquido quente e pôs-se a tossir. Ela sabia que algo estava errado. Ou estava passando tempo demais trabalhando ou aprendeu a desenvolver um sexto sentido em relação ao rapaz.

- Co-como?! Você enlouqueceu? – exasperou-se.

- Calma... Deixe-me terminar... – ele sorriu de lado, como se uma lembrança engraçada tivesse pairado em sua cabeça - Eu estava bêbado, não raciocinava direito. Deitei na banheira e afundei o rosto e então tive uma visão. Era real, eu tenho certeza. Meu pai falou comigo e me mostrou o campo de flores onde costumávamos fazer piquenique.

Sem saber o que dizer a moça sorriu.

- Eu quero levar você lá. – ele disse a fitando pela primeira vez naquela noite.

Hinata estava sentada na mesa de centro, onde somente ela podia sentar ou apoiar os pés, de frente para Naruto, que estava no sofá enrolado com o cobertor de lã. Ela colocou a xícara vazia ao lado do barulhento telefone com cuidado.

- Por que você iria quer minha companhia? – perguntou numa expressão de dúvida.

Ele livrou-se da xícara e usou as duas mãos para pegar delicadamente o rosto da moça e deixar a centímetros do seu.

- Ah menina boba... Não consegue ver o óbvio?!

- O que eu não consigo ver?

Depositou um beijo terno nos lábios macios dela, muito diferente de todos os beijos que deram até agora. Com os dentes buscou delicadamente o lábio inferior dela e murmurou o nome dela antes de aprofundar o beijo.

Quando se afastaram ele pressionou os próprios lábios contra a base do pescoço da jovem demoradamente e a puxou para um abraço.

- Aii – reclamou mostrando o braço machucado.

- O que houve? – perguntou ele preocupado.

- Nada... Foi somente um arranhão.

- Não acredito que eles foram mesmo capazes... – murmurou para si mesmo o que a fez entender apenas algumas palavras, passou as mãos pelos cabelos arrepiados e encostou-se nas no sofá.

- Ahn?

- Vou ter que voltar a velha vida.

- Isso é ruim? – perguntou ela confusa. Não entendia o que ele queria dizer.

- Não totalmente. – repuxou de leve os lábios e fez com que Hinata senta-se ao seu lado com cuidado. – a gente conhece uma ou outra pessoa interessante.

Ele a beijou na orelha, na curva do maxilar, na bochecha e por último apoiou sua cabeça no ombro bom da jovem. E ficaram em silêncio até que Hanabi cruzou a soleira da porta sonolenta.

- Quem é você? – perguntou apertando os olhos.

- Sou sua imaginação – respondeu o loiro se permitindo fazer uma brincadeira.

- Anda logo responde – disse irritada – Quem é ele, nee-san?

- Sou o namorado da sua irmã – respondeu ele de imediato.

- O quê?! – a menina arregalou os olhos – Demo, nee-san... E aquele seu vizinho moreno bonito que eu conheci hoje.

- Err... Kiba-kun é apenas um amigo. – respondeu sorrindo amarelo.

- Ahh nee-san você sempre teve um gosto duvidoso. – a menina fez um barulho reprovador com a língua – Trocar aquele vizinho por... esse aí.

- Hanabi... – ralhou a mais velha.

Naruto apertou os olhos e reparou melhor a menina.

- ô barrigudinha, você não está precisando de umas abdominais não? – perguntou provocativo e recebeu um chinelo voador na cabeça como resposta.

- Você não pense que vai enganar minha irmã só porque ela é bobinha não, viu?! Estou de olho em você.

- Muito obrigada pelo elogio, Hanabi. Já posso dormir em paz depois dessa... – disse irônica a mais velha.

- Já está tarde. Tenho que ir, Hina. – o loiro se levantou.

- Antes tarde do que nunca. – espetou a Hyuuga menor.

- ô pirralhinha com barriga d'água não está na hora de você dormir não?

Novamente ele levou uma chinelada como resposta. Mas dessa vez Hanabi percebeu que estava sobrando e decidiu ir para o quarto.

- Acho que nunca vou perder a mania de perturbar os outros. – ele esboçou um sorriso fracamente.

Já na soleira da porta ele beijou Hinata na testa e seguiu para o elevador. Da janela de sua sala a jovem o viu entrar no carro preto e dar a partida.

Ele estava bem, afinal.

Na manhã seguinte teve de aturar a caçula reclamar de tudo o que fosse possível e se apressou em deixá-los no colégio. Faria isso nas primeiras semanas, pois os dois não eram acostumados a Tóquio.

Chegando a corporação, subiu sem dar atenção aos murmúrios que rodavam no elevador. Parecia que alguém havia sido demitido. Entrou em sua sala e fechou a porta atrás de si, mas logo voltou sua atenção a ela, pois alguém havia entrado no ambiente. Sai.

- Olá Hinata-san. – sorriu de orelha a orelha – Vim para saber dos seus últimos avanços.

- Que avanços? – perguntou sem se importar em parecer educada.

- Em relação a Naruto.

Congelou, mas não deixou transparecer nenhuma surpresa.

- Não sei sobre o que você está falando...

- Ora não seja boba...

- Isso não tem a ver com você...

- Tem sim. Estou investigando a morte do advogado Hiro Takashi que morreu há uns dias e pode ter relação com a quadrilha em questão.

- Essa investigação é de Sakura.

- Haruno-san pediu demissão hoje mais cedo.

Nem terminou de ouvir o que ele estava falando e disparou escada a cima em direção a sala da amiga. Assim que abriu a porta de supetão encontrou a mesma vazia.

"Não pode ser", pensou antes de subir para falar com a chefe.

- Eu tentei convencê-la a ficar, mas não adiantou. – Tsunade ia dizendo – Ela pediu que eu passasse a investigação dela para alguém e garantiu que você não precisa mais de supervisão.

Hinata, sinceramente, não tinha certeza sobre isso. Estava trocando os pés pelas mãos em relação ao Uzumaki.

Um sentimento de indignação crescia dentro do peito. Sakura era sua única amiga naquela metrópole e a amiga a deixava fora das decisões importantes de sua vida. E o pior era saber dessas decisões pela boca de terceiros. Pior, pela boca de Sai.

Sentia-se perdida. O que faria solitária naquele imenso prédio onde não confiava em ninguém. A quem pediria ajuda? Com quem trocaria experiências? Quem atenderia a suas ligações três vezes ao dia?

- Recebi em minha mesa um pedido seu para instalar escutas telefônicas na casa do alvo. – Tsunade a tirou de seus devaneios.

- Sim.

- Infelizmente vou ter que negar. As acusações contra ele já foram julgadas. São antigas, entende? Ele pode alegar invasão de privacidade em algum momento.

- Mas então como eu vou vigiá-lo?! Não posso estar com ele 24 horas por dia.

- Eu sei que isso dificulta as coisas para você. Mas na primeira atitude suspeita dele instalaremos as escutas.

- Tsunade-sama... Isso começou errado desde o início... Por que não colocamos um agente infiltrado no meio da quadrilha? Seria mais simples...

E ela não precisaria se expor tanto.

- Tentamos isso há um ano e de alguma forma eles descobriram e o mataram. Não podemos desperdiçar outras vidas assim.

- Tem alguma idéia de como descobriram?

A chefe apenas sacudiu os ombros. Concordou com a cabeça quando a jovem disse que iria voltar para a sala.

Agora havia mais coisas com que se preocupar.

Primeiro em como não deixar Naruto amargurar-se. Gostava muito de seu sorriso para pensar em não vê-lo mais naquela boca que já beijara algumas vezes. Segundo em como se manter informada sobre a quadrilha. E terceiro em como esconder tudo o que descobrira de Sai.

Ligou o computador e viu que o GPS que implantara no celular de Naruto havia parado de responder. Mas os lugares que ele havia freqüentado na última semana estavam devidamente gravados no PC.

Sua idéia de quebra de sigilo telefônico havia sido um tiro n'água. Não havia lhe dado nenhuma informação produtiva. Os números de telefones que ela havia pegado tinham alguma relação. Todos os números haviam falado entre si em momentos aleatórios, mas nada significativo. Talvez eles tenham outro modo de comunicação para marcar os encontros.

Agora pensava num jeito de agir. Haviam lhe privado da única opção que tinha. Fazer milagres não era uma especificação de seu trabalho, mas pelo visto era algo bem próximo disso que teria que fazer. O que os chefes esperavam acontecer? Naruto simplesmente aparecer em sua sala de estar e lhe conta todos os planos que sua trupe tinha?

As semanas passaram tranqüilas. Naruto a chamava para jantar praticamente todos os dias – talvez ele tenha percebido que uma companhia, por mais silenciosa que ela seja, é melhor que a deprimente solidão - e sempre que a deixava em casa ele arrumava um jeito de irritar Hanabi – isso fazia um bem perceptível, mesmo que momentâneo no humor dele.

Dezembro não demorou a entrar e o frio anunciava que em breve começaria a nevar.

- A gente podia viajar... Quem sabe pros trópicos. – disse o Uzumaki certa vez quando estavam passeando pelo parque. Qual o problema? Não gosta de praias? – emendou quando viu que ela o olhava desconfiada.

Qualquer um que olhasse diria que era uma promessa sincera. Quem diria que o rapaz loiro de olhar perdido e riso triste estaria mentindo? Mas Hinata sabia. Sabia que era mentira apesar desses lapsos de atenção da parte dele fazer com que seu coração desse um solavanco. Por isso sua boca limitou-se a responder "eu gosto de praias".

Iria sair novamente para jantar com ele essa noite. O loiro não estava tão efusivo quanto costumava ser, mas ainda sim era uma boa companhia. Não se sentia tão sozinha perto dele. Embora sua mente parecesse viajar embalada pela melodia que vinha do piano, ela estava bem atenta. Atenta ao contorno do rosto dele e aos movimentos que ele fazia.

- O que houve? – perguntou ele, desentendido.

Ela sacudiu a cabeça dizendo que não era nada e sorriu.

- Desculpe se estou sendo chato ultimamente.

- Não... – novamente sacudiu a cabeça – Eu aprecio muito o silêncio.

- Nesse caso, me desculpe por ter sido um chato antes.

- Eu me acostumaria com isso...

Ela riu, mas logo seu sorriso se apagou. Sua última frase havia soado como uma indireta. Não era para ter sido uma indireta. Encarou-o para ver sua reação, mas ele parecia alheio ao fato.

Ele suspirou e pôs-se a encarar o céu escuro pela elegante janela de vidro.

- Chega! – ela irritou-se.

- O quê? – Naruto se assustou e a encarou confuso.

- Eu tentei te consolar, tentei te dar espaço e não te perturbar, mas eu cansei.

- Sobre o que está falando, Hina?

- Eu cansei de ficar ouvindo você resmungando coisas que eu não entendo e ficar suspirando pelos cantos.

- O que vai fazer? Ir embora? – ele estreitou os olhos e seu tom de voz saiu perplexo e ao mesmo tempo zangado.

- Exatamente. – se levantou e o encarou fixamente – E você vai vim comigo.

- C-como?

Antes que ele retrucasse, ela já estava ao seu lado e puxando-o pelo braço.

- Fica com o troco. – disse para o garçom que se aproximava enquanto jogava um bolo amassado de ienes em cima da mesa e pegava a garrafa de vinho que havia sido aberta.

- Não estou entendendo nada.

Naruto parecia encantadoramente perdido, mas isso não fez com que a Hyuuga suavizasse a expressão.

- Posso dirigir seu carro ou vamos de táxi?

- Se me disser aonde vamos...

- Certo, eu chamo um táxi – ela esticou a mão para a rua, mas logo teve sua mão segurada por ele.

- Tudo bem, pode dirigir. – ele disse relutante.

Entraram no carro. Ele não fez menção alguma de que ligaria o rádio então ela pegou o primeiro cd que viu no porta-luvas e colocou no aparelho. Logo os sons das músicas eletrônicas que ele sempre ouvia ressoaram no ambiente.

- Eu não sei... EU NÃO SEI – ele elevava o tom de voz a medida que a moça aumentava o volume da música – EU NÃO SEI O QUE VOCÊ PRETENDE COM ISSO.

- EU TAMBÉM NÃO. – confessou, decidindo mentalmente que direção tomar enquanto virava um gole de vinho e passava a garrafa para Naruto.

Deram uma volta pela cidade, passaram pela torre, o palácio, um bar e por fim pararam em um mirante próximo a Rainbow Bridge. A ponte é um dos cartões-postais mais bonitos de Tóquio, na opinião da Hyuuga.

Conversaram banalidades enquanto bebiam o vinho pela garrafa.

- Chega Hina, você já está ficando bêbada. – ele riu e tirou a garrafa das mãos dela.

- Eu? Quem disse que eu to bêbada – ela embolou uma frase e depois gargalhou.

- Você é muito fraquinha pra bebida. Aposto que nunca tomou um porre.

Ela tombou a cabeça para o lado e colocou o indicador em frente aos lábios, pedindo segredo.

- Já sim. Uma vez. Eu passei muito mal. – ela chegou mais próxima ao ouvido do rapaz e continuou: mas meu pai não sabe. – gargalhou novamente.

Rindo de nada e com a cabeça girando, ela apoiou as costas no capô do carro e contemplou o céu.

- É engraçado ver você assim. – ele disse e quando a moça se virou para olhá-lo viu que ele sorria.

- Não exagere... Eu não estou tão ruim assim.

- Então tem plena consciência do que está fazendo? – ele ficou de frente a ela e apoiou as duas mãos no capô, uma de cada lado da Hyuuga.

Hinata assentiu.

- Só não tem vergonha. – ele declarou.

Ela começou a assentir, mas logo negou com a cabeça, fingindo-se de indignada.

- Se você percebesse o quanto você falou desde que chegamos aqui você iria perceber que perdeu a vergonha... A vergonha de mim.

- Eu não tenho vergonha de você. – encarou-o nos olhos e a cabeça tombou para trás.

Ele riu e beijou o queixo.

- Tem sim... Olha você já está corada... Mas... Eu gosto disso em você.

- Mentiroso. Caras como você não gostam de garotas como eu...

Antes que pudesse concluir sua frase foi calada pelos lábios de Naruto presos com urgência no seu. Ele puxou-a mais para si com uma das mãos em sua cintura e com a outra lhe segurava a nuca.

Ela mordiscou-lhe o lábio inferior e o lóbulo da orelha e distribuía beijos em seu pescoço enquanto as mãos dele lhe afagavam as coxas.

Naruto a beijou do colo até o canto da boca. Ele ainda fitou os olhos perolados antes de beijá-la com avidez.

Hinata sentia o corpo tremer com todas as sensações adormecidas que estavam loucas para emergir. Começava a sentir um desejo incontrolável por aquele homem.

Em pouco tempo estavam se beijando enlouquecidamente e despindo as primeiras peças de roupa, os casacos.

Hinata sentiu seu corpo se contorcer num arrepio quando Naruto começou a tirar a blusa de linho que ela usava por baixo do casaco.

Ele ergueu-a pela cintura e entraram no carro. O rapaz ligou o aquecedor e verificou se havia preservativo na carteira.

- Tem certeza de que não está bêbada? – ele a olhou com algo próximo ao carinho.

- Absoluta. – ela soou decidida, embora a insegurança ainda lhe causasse um certo desconforto no estômago. – Eu sei o que eu quero. – sua voz soou firme.

- Nunca duvidei disso.

Voltou a beijá-la nos lábios enquanto suas mãos firmes passeavam por todos os cantos do corpo da pequena. E as dela começava, com certa dificuldade, a desabotoar a camisa dele.

O carro limitava muito os movimentos do rapaz, mas ainda assim ele conseguiu tirar a calça dela e a ajudou a tirar a sua própria calça.

A Hyuuga suspirou e quando abriu os olhos viu dois orbes azulados encarar seu corpo de cima a baixo com um olhar perigoso, desejoso, faminto.

- Não me olha assim – fez bico e cruzou os braços em frente ao peito. Tentou flexionar as pernas, mas não conseguiu, pois Naruto estava sobre si. Isso limitava seus movimentos também.

Ele riu e começou a beijar-lhe o pescoço em direção ao colo.

- Já disse que você fica muito bonitinha quando faz isso? – murmurou entre os beijos.

Sentiu um choque de prazer percorrer seu corpo quando ele alcançou um de seus mamilos com a boca e cravou as unhas nos ombros do rapaz, gemendo. Queria-o junto a si, o mais perto possível, até que não existisse mais espaço entre eles. Queria que seus corpos fossem um só.

As últimas peças de roupa jaziam no banco sem que a mente registrasse quando foram tiradas.

Numa tentativa de se mexerem melhor ambos bateram com a cabeça no teto, mas nada além deles importava. O resto era o resto.

Os pêlos de seu corpo de eriçavam a medida que o loiro descia com a língua em direção a seu abdômen. E isso estava começando a enlouquecê-la.

Com o coração e o ventre aos pulos ela inverteu a posição, fazendo com que novamente ambos batessem a cabeça no teto.

Agora era a vez dela acariciá-lo até que ele não agüentasse mais. Uma de suas mãos brincavam um pouco abaixo do umbigo enquanto a outra passeava por seu peito, ombros e a parte das costas que conseguia alcançar.

Ele estava completamente rijo quando inverteram novamente as posições. E se encaixaram, satisfazendo o desejo mais ardente que tinham no momento.

A jovem sentiu uma contração generalizada quando atingiu o clímax e pela expressão de satisfação que viu estampada no rosto dele, ele também havia atingido o clímax.

- Hinata... – chamou-a depois de um tempo quando estavam desconfortavelmente abraçados dentro do carro.

- Ahn? – resmungou sonolenta, mas sorriu abobadamente quando ele depositou um beijo na nuca.

- Obrigado.

Xxxx

N.A.: Como viram o capítulo não teve nenhum Naruto numa caixa. O título Man in the Box é em homenagem a música do Alice in Chains, que eu estava ouvindo quando comecei a escrever.

2) Algumas horas de atraso por que a festa me atrapalhou xD

3) Espero que gostem.