Cap. 8 – Bandidos e mocinhos
Não gostava de acordar cedo. Na verdade, para ele, o dia somente começava depois do meio dia. Entretanto lá estava, de pé as 6:30h da manhã em frente a um casa pequena e elegante. Jogou a ponta do cigarro no chão e apertou mais uma vez a campainha.
- Cristian, se eu tiver que apertar essa droga de campainha de novo eu vou entrar aí e te arrastar pela gola da camisa.
Realmente odiava isso tudo.
A porta se abriu revelando um rapaz alto e forte ajeitando a camisa social impecavelmente passada. Ele tinha os azuis claros abertos levemente e uma expressão sonolenta.
- Calma Jean, você é apressado demais. – disse num japonês carregado de sotaque enquanto passava as mãos pelos cabelos louros acinzentados, alinhando-os perfeitamente.
Além da arrogância e do sotaque do parceiro loiro, Jean odiava a calma que Cristian tinha. Ou fingia ter apenas para irritá-lo. Cristian se achava superior por ter descendência alemã, dizia isso para quem quisesse ouvir – e quem não quisesse também – mas estrategicamente omitia o fato de que só vivera na Alemanha até os 2 anos de idade. Contava as belezas de sua terra como um exímio morador, com quem realmente vivera muitos anos por lá. Era um ator, afinal. Odiava reconhecer isso, mas talvez, Cristian fosse o melhor ator que conhecera. O tanto de estelionato que cometera não dava para contar nos dedos. Seduzia a quem quisesse e ganhava a confiança de qualquer um. Talvez fosse isso o que mais odiava nele. Ele sempre conseguia o que queria.
Estreitou os olhos azuis e seguiu Jean com sua natural calma. O parceiro não é a melhor companhia que alguém poderia ter. Era mal-humorado e precipitado. Mas era inteligente. Conseguia armar bons esquemas em questões de minutos. Talvez Cristian o elogiasse algum dia desses, quem sabe.
- Por que uma reunião tão cedo? – perguntou Cristian sentindo dois olhos cinzas lhe encarando.
Tudo o que Jean viu, de relance, antes de entrar no carro foi o reflexo de seu rosto pálido em contraste com os cabelos negros caídos até o ombro.
- Eu não sou advinha. – respondeu ao louro.
Quando ambos entraram ouviram a voz receosa muito conhecida por ambos.
- Tem certeza de que seremos somente nós?
- Sim. – Jean acendeu mais um cigarro.
- Mas... Nossa isca era sempre o Naruto...
- Não precisamos daquele palhaço para tudo. Além disso, a cara dele já está muito marcada.
- Devo presumir que seu mau-humor se deva a isso? – interpôs Cristian.
- Cala a boca, narcisista.
- Mas, mas... Se eles desconfiarem e... – tremeu o gorducho atrás do banco do carona.
- Cala a boca, Riku. – disseram os outros dois em uníssimo.
Passados exatos 17 minutos a mansão apareceu diante do trio. Imponente e até um pouco assustadora. Não que fosse mal cuidada, apenas lembrava aquelas mansões de filmes onde tudo parecia perfeito até acontecer um assassinato atrás do outro.
Riku tremeu ao olhar de relance a construção e logo se apressou para se juntar aos companheiros perto da enorme porta.
- Sejam bem-vindos, irmãos. – ouviram uma voz penetrante do alto da escada.
Um homem jovem vinha descendo as escadas com os cabelos brancos presos num rabo de cavalo.
- Não vou convidá-los a tomarem um chá comigo, pois nossa conversa será rápida. – bateu de leve a bengala de adorno de prata no chão.
- Bom dia, Kabuto-san – se curvaram levemente e seguiram o homem até uma sala ao canto.
Kabuto recebia ordens diretas de Orochimaru, era por assim dizer, sub-chefe do grupo. Orochimaru era o único, sem ninguém acima dele, sempre conseguia o que queria e tinha todas suas ordens atendidas. Falava diretamente com os membros da organização poucas vezes.
Sem dizer nada o homem deixou a frente deles um recorte de jornal, onde abaixo de um anúncio sobre a exposição de diamantes da nova joalheria e acima do anúncio de uma liquidação estava o anúncio sobre o novo horário de funcionamento de um eminente e promissor banco.
- Vejam que interessante banco nos temos aqui... Mas não vamos nos demorar com nossa conversa, afinal ainda tenho que tomar meu desjejum. – bateu com a mão sobre o recorte e se voltou novamente para o trio – Orochimaru-sama espera ter um motivo para comemorar, além do aniversário de sua digníssima esposa (N.A.: finjam que ele é homem de verdade -q) no fim de semana, claro. Convoquei-os cedo para que tivessem um bom tempo para pensar no que fazer.
- Como se eu precisasse de tempo para pensar em algo. – disse Jean presunçoso, acendendo outro cigarro. – acabei de ter uma idéia, mas precisaremos de um pouco de sorte. Diga-lhe que até lá ele terá o que quer.
Já haviam chegado a frente do novo banco há algum tempo, mas ainda permaneciam em silêncio dentro do carro.
- Vamos ficar aqui o dia inteiro? – perguntou Cristian ajeitando o cabelo em frente ao espelho do carona.
- Estou pensando nos últimos detalhes. De acordo com o jornal, das 8h ás 11h o banco funciona com um caixa. Isso significa que o banco está vazio esse horário e funciona com esse caixa de emergência até o banco abrir realmente, as 11h da manhã. Vamos entrar os três. Cristan distrai o caixa, se for mulher melhor para nós. O nerd aqui – apontou para Riku – vai observar os locais das câmeras de segurança e os mecanismos de alarme. Eu vou desenhar o saguão do banco para ver a melhor saída. Temos até o fim do dia de sexta-feira para saber de todos os detalhes da rotina do banco.
O loiro acenou com a cabeça e o japonês no banco de trás se inclinou para frente:
- É arriscado servimos os três de isca... Vamos chamar o Naruto.
Nenhum dos dois ocupantes da frente respondeu. Saíram deixando para trás um Riku muito aflito.
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Havia dormido muito bem essa noite, ao contrário do seu companheiro de trabalho que meneava a cabeça tentando se manter acordado.
- A noite ontem foi boa mesmo hein, Shino.
- Não me obrigue a lhe mandar ir tomar em um lugar não muito agradável, Choji.
- Eii calma. Só estava brincando. – disse – Pelo seu mau-humor a noite não foi nada boa... – murmurou para si mesmo.
- Eu ouvi isso.
Choji se concentrou na sua rosquinha. Era o melhor que faria no momento. Quando algo no monitor chamou sua atenção.
- O que aqueles três tanto querem no banco?
- Hm – Shino deu uma guinada com a cabeça que o fez acordar – que três?
- Olha – apontou no vídeo – já o terceiro dia consecutivo que eles aparecem aqui.
- Dê um close nos rostos e tire um foto. Vamos enviar a polícia para ver se são suspeitos.
Assim o fez e ficaram em silêncio ouvindo os sons que vinham lá de baixo pelo microfone.
"Já viemos muito aqui. Eles vão desconfiar."
"Cala a boca gordo idiota, pode ter microfones instalados."
Ambos esticaram a mão ao telefone, mas Shino o pegou primeiro.
- Mandem investigadores.
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- Vamos Lee, fomos chamados.
- Logo agora... – parou de socar o saco de areia e encarou o parceiro – se eu parar agora terei que fazer mil flexões.
- Err... você já parou de socar...
- NÃO! GAI COMO PODE DEIXAR ISSO ACONTECER!! – caiu de joelho se lamentando e batendo no chão.
- Vamos logo. – puxou pela gola da camisa – parece que teremos que vigiar uns sujeitinhos. Lembre-se Lee, nosso dever é manter a população segura. – pôs as mãos na cintura, fazendo uma pose heróica.
- Certo! – acompanhou o parceiro na pose.
A cidade estava cheia. Tóquio sempre estava cheia. Não importa a hora que você saia de casa sempre há trânsito e esse vem e vai de veículos e pessoas já estava deixando irritado o jovem investigador dentro do carro. Lee observou de canto aquele a quem via como um mestre e ele parecia de divertir com algo.
- Não seja afobado, Lee. – disse o mais velho sem olhá-lo.
- Mas... Se não chegarmos logo eles já vão ter ido embora.
Sem se abalar pelo que o parceiro havia dito Gai pegou o rádio escondido dentro do casaco e apertou uma série de números.
- Aqui é Gai e seu parceiro Lee. Estamos a caminho. – disse ao aparelho.
- Por favor, se apressem eles estão prestes a sair. – responderam-lhe – estou enviando a foto tirada pelos circuitos.
- Certo. Arranje um jeito de mantê-los aí. – falou enquanto via uma imagem aparecer na tela de videoconferência do carro.
- Como?
- Não sei meu rapaz, use a cabeça. Peça ao gerente para lhes oferecer um seguro, sei lá, ou peça pra alguém tirar a roupa... Gostou da piada né, Lee?
Ambos riram enquanto ouviam alguém resmungar do outro lado da linha.
Minutos depois estacionaram no início da rua, dando uma distância segura da entrada do banco. Tomariam o máximo de cuidado para que não os vissem.
- Eles acabaram de entrar num opala cinza. – foram avisados pelo rádio.
- Opala? Tem certeza? Esse é um carro bem incomum por aqui.
- Sim. Estranho, não?
- Pelo menos será fácil segui-los.
O Automóvel cinza deu a partida e virou a esquerda no fim da rua. Gai fez o mesmo, tendo Lee quase pulando de excitação a seu lado.
- Adoro esse trabalho. – disse o jovem.
Viram o trio entrar numa loja de aluguel de automóveis e saírem depois de tediosos 35 minutos. Rock Lee entrou na loja se certificando que nenhum dos três a quem seguiam o vissem.
- Polícia. – mostrou seu crachá – O que aqueles três que acabaram de sair queriam?
- Eles alugaram um furgão.
- Diga-me tudo ou poderá ser indiciado por omissão de informações.
- Certo, certo. Eles ofereceram o triplo do preço do aluguel para pintarmos o furgão.
- Para quê?
- Eu não sei. Não me meto na vida dos clientes... Por favor, não me prenda... Eu tenho uma família para manter e...
- Chega! Qual a cor?
- Azul petróleo.
- Algum símbolo?
- Não.
- Placa?
- Eles pediram somente para pintar.
- Entendo. Qual dia e hora eles vem buscar o veículo?
- Quinta às 10h da manhã.
- Obrigado. – fez um sinal de paz e amor com as mãos e se apressou para voltar ao carro.
- Bom trabalho, Lee. – sorriu abertamente – Temos três dias até eles pegarem o furgão. Temos que continuar seguindo-os.
- Outras pessoas terão que segui-los nos próximos dias ou eles desconfiarão. – ia dizendo Lee mas quando se virou que seu adorado parceiro chorava – O que houve, Gai?
- Eu... Como eu fui arranjar um discípulo tão inteligente quanto você?! Você me deixa orgulhoso com o seu fogo da juventude.
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- Você espera aqui enquanto eu vou conversar com o dono da loja.
- E quem disse que você manda em... – Kankurou não terminou de falar pois a porta já havia sido batida. – Mulheres... Quem foi que escolheu essa Tenten para ser minha parceira?!
Tenten andou apressadamente com as mãos nos bolsos e assim que passou pela soleira da porta da loja de artigos de automóveis se identificou.
- O que aqueles três sujeitos queriam aqui? – perguntou seriamente.
- Queriam apenas que eu reproduzisse esse desenho. – respondeu o rapaz com um alargador na orelha esquerda atrás do balcão e mostrou um papel onde se via um círculo preto com um "x" vermelho no meio.
- Onde?
- Num carro que irão trazer na sexta a tarde.
- E você termina o serviço tão rápido assim?
- Eles me deram um extra para terminar o serviço em duas horas.
Estranhando a situação, a jovem retirou do bolso interno do casaco uma pequena câmera digital e fotografou a imagem que o rapaz lhe mostrava.
- Ih não é aquele símbolo do carro forte que transfere o dinheiro do banco? – disse Kankuro assim que via o que a moça lhe estendia.
- Sim. E sexta-feira é o dia da sangria.
- O quê?!
Tentenrevirou os olhos e bufou:
- Sexta-feira é o dia em que o carro forte vai pegar o dinheiro.
- E daí?
- E daí que os nossos "amiguinhos" estão planejando se passar pelos carregadores.
- Tem certeza disso?
- Bem, é o que tudo indica. Além do que a segurança na área vai estar deficiente porque sexta feira é o dia da exposição na joalheria.
- Mas não podemos mover os policiais somente por suposição.
- Tem razão. Vamos esperar por enquanto.
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Se o restante de seu novo trabalho fosse tão complicado quanto esse, ele fez uma escolha terrivelmente ruim. Sua opção sempre foi pelas coisas mais práticas e não cansativas, mas, pelo visto, seu novo trabalho como investigador não será tão simples quanto imaginou.
Sentiu a brisa gelada arrepiar todo o seu corpo quando a porta do furgão de sorveteiro onde estava foi aberta.
- O dono do ultraleve disse que foi pago para levar três rapazes até Hokkaido na meia noite de sexta. – ouviu a pessoa dizer – Não me diga que está tendo problemas para montar esse troço, Shikamaru?!
- Silêncio Temari, eu preciso pensar. – respondeu apertando uns botões e girando uma espécie de antena parabólica pequena par todos os lados em busca de sons.
- Homens... Porque você simplesmente não lê o manual?
Foi poupado de responder a pergunta assim que a porta foi novamente aberta e por ela passou um casal tremendo pelo frio.
- O costureiro disse que eles encomendaram três uniformes azuis claros. – Suigetsu disse.
- Algum símbolo? – perguntou Temari.
- Somente aquele da foto que Tenten tirou. – respondeu Karin.
- Silêncio... Captei as vozes deles...
"11h já vai ter dado tempo da gente pegar tudo o que quiser lá dentro. Eles devem demorar em média 20 minutos para descobrirem que foram enganados nesse tempo nós temos que estar pelo menos na metade do caminho para pegar o avião. E quando eles estiverem procurando por nós, já estaremos em Hokkaido se preparando para passar umas longas férias na Índia."
"Está tudo combinado com o grupo que vai atrasar o carro forte de verdade?"
"Sim. Tudo pronto para amanhã."
"Que tal sairmos para comemorar agora?
"Como se fôssemos todos amigos e nos gostássemos? To coisa melhor pra fazer em casa..."
"Casa? Sei muito bem em que casa você vai, seu safado."
Shikamaru desligou o aparelho em suas mãos e observou atentamente todos no automóvel.
- Isso tudo é muito estranho. – disse.
- Que idiotas! – Temari riu – Que pena que vamos acabar com os planos deles.
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Encostado na parede com as mãos pendendo dos lados do corpo e o boca tremendo ligeiramente Shikamaru ouvia com um fino interesse o que o homem ao seu lado dizia:
- Está tudo ok, inspetor?
- Claro. Olha só. – o homem apontou a sua frente.
O jovem viu várias pessoas passando despreocupadamente pelas ruas e um número exacerbado de carros. Encarou o inspetor com uma expressão de dúvida.
- Na escuta? – disse o homem e Shikamaru se assustou pensando que finalmente o inspetor enlouquecera, quando viu que ele falava a uma espécie de walk-talk.
As pessoas acenaram levemente e algumas responderam pelo aparelho.
- Eles estão à paisana. São todos policiais. Viu? Não há com o que se preocupar em pouco tempo você estará jantando com a sua namoradinha.
- A Ino é somente uma amiga de infância.
- Sei... Já tive muitas amigas assim. – deu dois tapas no ombro do rapaz, que o olhou interrogativo. Ouvir isso do seu superior era no mínimo estranho.
- Eu devia ter ficado em casa. – disse Shikamaru.
- Você tem ver isso de perto, rapaz.
- Há algo que me deixa inquieto...
- Não ligue para isso. Tudo dará certo.
O moreno olhou o relógio pela quinta vez.
"Já era hora deles terem chegado."
- Eu sei, inspetor – uma voz masculina soava pelo rádio – eles estão 20 minutos atrasados. Ah, eles acabaram de cruzar a Avenida Harumi-Dori. Logo estarão aí.
Poucos minutos depois um furgão blindado azul petróleo passou por eles e parou mais adiante, na entrada dos fundos do banco. Dois rapazes vestindo um macacão azul claro desceram do veículo rindo e falando alto. Quando acabaram a transferência do dinheiro do banco para o automóvel foram surpreendidos por um cerco com milhares de armas apontadas para eles.
- Polícia! – o inspetor chegou correndo e gritou – mãos para o alto.
Os dois carregadores empalideceram na hora e levantaram as mãos:
- O que houve? – perguntou um deles.
- Vocês estão presos. – voltou a dizer o inspetor enquanto um policial prendia os dois com as algemas. - Quem são vocês e pra quem trabalham?
- Somos guardas da agência de segurança. – respondeu o outro.
- Liguem para a empresa. – pediu o inspetor.
Logo Shikamaru voltou com o celular próximo ao ouvido:
- O que eles disseram é verdade. Os nomes e os cargos conferem, além da própria empresa ter se pronunciado.
- O que houve, então? – um dos policiais perguntou voltando-se para o chefe.
- Talvez eles tenham percebido que era um plano arriscado.
- Não. – Shikamaru interrompeu – eles nos enganaram. Deixaram-se ser seguidos e nos levaram a pensar que era o banco que queriam.
- Então o quê...
- Movemos boa parte da unidade para cá, o que deixa o resto da cidade vulnerável. O que é tão interessante para eles quanto o banco...
- A joalheria. – concluiu o inspetor atônito.
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Quatro horas antes em algum lugar de Tóquio...
- Essas roupas me apertam.
- Sério?! Eu fiquei super sexy com esse uniforme.
- Cala a boca vocês dois.
Jean terminou de ajeitar o uniforme no corpo e viu seus outros companheiros o olharem impacientes.
- As pessoas chegarão daqui a duas horas. Até lá teremos que desligar todas as câmeras sem levantar suspeitas. Até as 11h teremos que nos mandar daqui, nem um segundo a mais. – falou ainda sendo observado por seus parceiros.
- Então finalmente chegaram. – um senhor baixo de cavanhaque e cabelos escuros vinha ao encontro do grupo - Já estava achando que vocês não viriam. Tive que aumentar a segurança do lugar por minha conta já que a polícia me deixou na mão.
- Desculpe-nos senhor. – disse Cristian educadamente fazendo uma leve reverência.
O homem olhou os três e prendeu seu olhar em Riku:
- Você não é um pouco baixinho e gordo para esse trabalho não?
O pequeno rangeu os dentes e quando o joalheiro se afastou o suficiente para não ouvi-lo ele disse raivosamente:
- Não podemos matá-lo?!
- Nada de tiros. – ouviram uma voz atrás do grupo dizer. – esse lugar tem sensores de freqüência. E o barulho do tiro poderá dispará-los. Se isso acontecer a polícia estará aqui em 2 segundos.
Riku olhou de lado para a voz mas sem se virar e sem demonstrar que estava falando com a pessoa. Viu alguns fios loiros arrepiados e não tampados pela touca e o protetor de ouvido que ela usava.
- Ora ora... Resolveu aparecer Naruto? Quem diria que você largaria a cama quente daquela policialzinha para se juntar a nós. – alfinetou Jean.
Naruto estava de costas para o grupo e fingia ler um jornal despreocupadamente.
- Com certeza a companhia dela é melhor.
- Claro. Ela deve ser bem fogosa.
- Cala essa boca.
- Qual o problema? – Jean sorriu presunçoso – Ela não deve ser tão diferente das put...
- Se você terminar essa frase vai ter que tomar sopa de canudinho por um bom tempo. – ouviu tendo dois olhos azuis o encarando raivosamente e sendo segurado pela gola da camisa.
- Parem com isso vocês dois ou vão estragar nossos disfarces. – Cristian interferiu.
- E eu tenho culpa se ele é um idiota?! – o moreno se defendeu – aposto que até mesmo Cristian faria um trabalho melhor.
- E eu adoraria esse trabalho... Ela não é de se jogar fora... – o alemão disse alinhando os cabelos e sorrindo com o canto dos lábios – mas tenho que concordar que você não fez nenhum progresso...
O Uzumaki soltou uma risada forçada e soltou Jean.
- O pouco tempo que passei com ela deu para perceber que ela não vai cooperar com a gente. – disse ele.
- Você é tão imprestável Naruto... – o moreno riu e ajeitou o uniforme – eu soube que a irmãzinha dela está em Tóquio. Se pegarmos a pirralha a irmã dela vai fazer o que a gente quiser.
- Eu vou voltar para o carro. – Naruto respirando fundo e encarando-os fixamente – Estou parado em frente a imobiliária no fim da rua. Quando pegarem o que precisamos me avisem e eu pego vocês em frente a joalheria.
- Vai embora mesmo... Não precisamos de você.
Afastou-se com as mãos nos bolsos e soprando o ar a sua frente, tentando não processar o que acabou de ouvir. Não precisavam tanto de Hinata a ponto de seqüestrar a irmã dela. Havia sido somente um blefe, afinal, Jean nunca gostou dele.
Dentro da joalheria o trio tentava fazer tudo com a calma que não deveriam ter nessa situação, exceto Riku, que tremia da cabeça aos pés. As câmeras foram desligadas sorrateiramente, uma após a outra.
As 21:30, já havia muitas pessoas circulando entre as jóias, os outros seguranças já haviam sido rendidos e presos numa sala aos fundos.
- Oh meu Deus, onde estão os outros? – o joalheiro vinha se aproximando irritado.
- Eles tiveram um problema, senhor. – Cristian disse delicadamente.
- Que tipo de problema? Eles não são pagos para terem problemas...
- Por favor, siga-me.
Quando Cristian abriu a porta de um cômodo pequeno aos fundos os olhos do joalheiro se arregalaram perigosamente e num instante ele entendeu o que estava acontecendo.
- A propósito, isso é um assalto.
Quando o senhor ameaçou reagir Cristian enfiou em seu nariz um pano embebido de éter. Logo ele caiu desacordado e Jean apareceu para ajudar a amarrá-lo junto aos outros seguranças, que aos poucos iam acordando.
- Agora só falta nos livrarmos dessa multidão.
- A exposição acabou. – Jean disse autoritário tendo vários rostos curiosos voltados para ele – pra fora todo mundo.
Como ninguém ameaçou sair o moreno quebrou um mostruário de vidro com o cassetete e pegou a arma com a outra mão.
- Anda logo idiotas já passou da hora disso fechar.
As pessoas saíram algumas assustadas e outras reclamando.
- Você é sempre tão extremista. – bufou o loiro.
- Os alarmes já estão desligados. – disse Riku detrás de um pequeno lap top que ninguém viu quando foi ligado – Temos 10 segundos.
- Tanto alarde por uma simples pedrinha. – Cristian se aproximou do centro do saguão enquanto via seu parceiro impaciente quebrar o vidro do mostruário.
- Sinceramente, eu esperava um pouco de mais ação. – disse enquanto retirava o diamante da almofada vermelha.
- Ora, não reclame. Eu adoro trabalhos fáceis.
Quando estavam saindo Jean deu um tiro para o alto e em milésimos de segundos os alarmes começaram a soar um barulho alto e irritante.
- Agora sim... Ação.
Correram e entraram rapidamente no carro preto parado na entrada da loja. Naruto pisou fundo no acelerador e em poucos minutos estavam próximos a Rainbow Bridge. Assim que se aproximaram do início da ponte viram alguém escondido sob a sombra das pilastras.
Naruto parou o carro e todos os ocupantes saíram dando lugar a o novo ocupante.
- Siga com o carro até as docas, deixe-o em qualquer lugar e pegue a barca com uma bandeira preta e branca. Diga "Mellow" que a pessoa entenderá. Entendido? – Jean deu as instruções ao indivíduos saído das sombras e segui por outro caminho, tendo Riku na garupa da moto estacionada perto da ponte e a brilhante pedra em seu bolso interno.
Cristian segui na outra moto por um caminho diferente. E Naruto fazia o retorno a pé. Seria fácil se misturar com as pessoas no centro de Tóquio, mesmo a essa hora da noite.
É nessas horas da noite e com a brisa fria que vem a sua cabeça a saudade e vontade de receber calor humano. É nessas horas que a noção de que está sozinho toma forma. É nessas horas que sentia que cai cada vez mais fundo... E dessa vez não havia ninguém para segurá-lo.
"Quem é ela, pai?"
"Hinata. É a filha do meu sócio."
"Ela é esquisita."
"Haha não era isso o que eu esperava que você dissesse, Naruto."
"O que eu deveria dizer?"
"Deixa para lá... Você é muito tapado. Vocês serão apresentados devidamente algum dia. Guarde bem o rosto dela, filho."
"Pra quê?"
"Vocês se tornaram mais que amigos, eu espero."
O que ele não sabia e nem o próprio pai poderia prever é que ela se tornaria seu maior vício. O único rosto, desde a morte dos pais, que o olhava com algo próximo ao carinho. Mesmo que tudo não passasse de uma mentira. Uma prazerosa e inebriante mentira.
N.A.: Créditos desse capítulo a TTonks.
N.A2.: Esse capítulo ficou horrível... Gomen... não to passando muito bem ultimamente então to meio sem cabeça pra escrever.
N.A.: Thanks por lerem ^^
