Cap 9. Dezembro

Todos andavam tensos no QG. O clima pesado era evidente. Todos Deixa escapar três criminosos valiosos por entre os dedos e ser feito de idiota era motivo suficiente para isso. Os agentes andavam de ombros curvados, como se carregassem um grande peso nas costas, a cabeça baixa como se para esconder o "otários" que estava evidente em suas expressões.

- Não podemos nos deixar abalar por isso. – A voz de Tsunade ressoava autoritária na sala de reuniões – Devemos analisar a situação com calma e nos prepararmos para dar o troco.

O puxão de orelha mais suave que a Hyuuga já havia ouvido da chefe. Talvez para erguer o moral do seu pessoal ou talvez porque ela própria também havia sido enganada.

Rodou o grande salão com os olhos e quando seus olhos encontraram o de Sai ele sorriu abertamente tentando transmitir uma calma que ela não tinha em relação a ele.

- Eles devem estar tramando algo grande... Não é possível... – Tsunade refletia com uma das mãos apoiando a cabeça – nós só temos que descobrir o que e quando. Mas estamos seguindo um dos envolvidos há quase dois meses e nada.

Hinata sentiu um frio incômodo no estômago. A culpa era dela eles não terem informações pertinentes. Não estava vigiando Naruto direito, como a pequena previu que aconteceria meses antes quando isso tudo começou.

- Por que não os induzimos a isso? – Shikamaru se manifestou e as cabeças se voltaram para ele.

- Como faríamos isso? – perguntou Sai monótono.

- Creio que eles tenham vontade de nos enfrentar tanto quanto temos de pegá-los. Isso daria uma boa reputação a eles.

Todos ficaram em silêncio, a sós com os próprios pensamentos. Hinata supôs que estivessem pensando em como agir ou em algum plano, exceto Sai, ele parecia muito distraído brincando com a caneta entre os dedos para estar pensando em algo. Mesmo que a jovem não queira, seu olhar acaba inconscientemente sob Sai.

- Não vai adiantar. – disse ele presunçoso e quando foi perguntado porquê apenas balançou os ombros.

- As jóias da nobreza devem interessar a eles. – Shikamaru começou a dizer ignorando a espetada de Sai – Aliás, a quem não interessaria?

- Explique-se. – Tsunade abaixou uma das sobrancelhas e encarou o jovem interessada.

- Podemos divulgar a mídia a transferência das jóias do palácio para o banco. Essa notícia chegaria a mão negra, claro, e quando eles fossem pegá-las nós estaríamos esperando por eles.

- É óbvio que eles vão desconfiar. – Sai voltou a dizer.

- Sim, mas aposto tudo o que tenho que eles vão querer nos enfrentar.

Sai sorriu de canto e encarou Shikamaru abertamente.

- Se eles estiverem em maior número nos pegarão facilmente.

- Isso é um problema. – o jovem moreno começou a responder – É certo que não sabemos quantos eles são, mas tenho certeza que não terão ajudas de outras gangues. Gangues são rivais, sempre. Se nos posicionarmos estrategicamente dentro do palácio e colocarmos snipers nos altos dos prédios próximos podemos dar uma boa baixa neles.

- Não temos snipers.

- O exército tem. – disse elevando a voz e em seguida se recompondo -Vamos precisar da ajuda deles. Eles ficarão escondidos no topo dos prédios adjacentes com rifles de longa distância. Se eles atirarem juntos e nos pontos vitais teremos uns momentos de vantagens antes da gangue se esconder. Depois disso os militares podem se juntar a nós lá em baixo.

- O palácio é um monumento histórico não podemos simplesmente entrar lá e atirar. – Foi a vez de Tsunade interromper.

- Vamos precisar da compreensão do governo e, claro, tiraremos tudo o que podermos de lá no dia anterior.

- É um bom plano. – A loira baixou o tom de voz como se murmurasse para si mesma – Mas isso significa que eu vou ter que conversar com aqueles conselheiros velhos idiotas.

Todos a encararam com uma expressão de "estamos ouvindo o que disse", menos Sai que a encarava como se dissesse "você também é velha".

- Dispensados, vão fazer algo de útil! – a voz da chefe soou mais alta do que Hinata já ouvira antes.

Os agentes tiveram quase duas horas de folga durante a tarde. Nesse tempo Shikamaru havia ficado encarregado de ir ao palácio estudar o ambiente, posicionar os agentes de acordo com suas qualificações, verificar as saídas entre outras coisas. Confiavam plenamente no senso e no QI do rapaz. Enquanto isso Tsunade cuidava da parte burocrática – e chata – da coisa.

Hinata sentou em sua cadeira e apoiou os pés na mesa enquanto pensava. Naruto era uma página virada na sua ficha policial de hoje em diante. Não havia motivos para continuar com ele.

Apertou os braços em volta de si para se aquecer quando recebeu uma mensagem no celular. Era ele marcando um encontro para dali a alguns dias.

Seria o último, ponderava indo até a janela observar a cor acinzentada da cidade. Depois disso é provável que um dos dois esteja morto, ou até mesmo os dois.

Seus pés deixavam pegadas na camada fina de neve que jazia no chão.

Parou próxima a uma sakura sem flores, tendo o parque de Tóquio atrás de si.

Enquanto cantarolava uma canção via o céu nublado com o olhar desfocado e perdido. Tudo na cidade parecia tão alheio. Tudo prosseguia na mesma agitação de cidade grande, as pessoas cruzavam por ela sem se importar, sem reparar naquela moça aflita e solitária, presa dentro de si.

Foi tirada de seus devaneios por uma mão grande escondida sob uma grossa luva que lhe agarrava a cintura.

O cheiro do perfume estragava o elemento surpresa. Inegavelmente era Naruto. As batidas fortes que sentia dentro do peito confirmavam isso.

Nenhum dos dois disse nada por um tempo. Ele pareceu se perder no mesmo céu acinzentado que ela encarava fixamente.

- O que há de tão interessante ali? – ouviu-o perguntar e só então voltou sua atenção a ele.

- Também não sei – ela riu vendo-o com uma sobrancelha erguida.

Hinata fechou os olhos e quando os abriu novamente viu uma flor pequena suspensa no ar. Só então viu que Naruto era quem a estendia.

- É uma florzinha humilde – ele começou a dizer – mas eu não sabia quais era suas flores preferidas além de que o inverno acabou com quase todas elas.

- Eu adorei.

Ele colocou uma mecha do cabelo azulado da moça atrás da orelha da mesma e ajeitou a pequena flor de pétalas amarelas ali. Olhando-a como se fosse uma obra de arte.

- Magnifique mademoiselle.

- Seu francês é péssimo. – Riu ela.

- Achei que você não viria... – falou o loiro depois de um tempo - Sabe, é ano novo, você não deveria estar em uma festa ou algo assim?

- Minha irmã foi para casa de umas amigas e resolvi dar um pouco mais de privacidade a Sakura-chan para ela curtir o namorado.

- E elas te deixaram sozinha no réveillon? – ele disse com um pouco de indignação.

- Ah não, elas não são tão más assim. Eu disse que estaria com você.

Ele abriu mais os olhos e sorriu com o canto da boca.

- Que bom que se importa comigo...

Nesse instante parou de prestar atenção no que ele falava.

Alguém, por favor, diga a ele que ela não se importa. Essas são palavras que ela própria não pode proferir, estão presas em sua garganta. Pareciam tão falsas que sua mente parecia incapaz de processá-las.

- E você? – hinata tentou desviar o assunto – não deveria estar numa festa também?

- Ah – ele jogou os braços para o alto e depois apoiou as mãos atrás da cabeça – uns camaradas me chamaram pra algo como "a noite dos solteiros", mas eu resolvi não ir porque provavelmente eles vão jogar poker ou qualquer outro tipo de aposta e eu sempre perco dinheiro nessa história. Uma vez levaram até meu casaco e minhas meias.

Andaram pelo parque e pelo centro da cidade até que o frio estivesse insuportável. Hinata insistiu para ir embora, mas Naruto a convenceu a ir para casa dele. E agora estavam no carro do loiro, correndo próximos do limite de velocidade e ouvindo uma música que a jovem já ouvira em algum outro lugar do qual ela não lembrava e observando a luz dos postes passarem como flashes.

Chegaram a uma rua muito iluminada e Naruto parou no fim dela, passando por um portão branco e descendo uma pequena rampa em direção ao que parecia um estacionamento.

Quando entraram no elevador a Hyuuga o viu apertar o botão C e antes mesmo de terminar sua ponderação sobre o que seria o C ela se viu num amplo espaço. C. Cobertura. Naruto morava na cobertura?

Ela fingiu ajeitar a roupa para não parecer impressionada demais e ergueu a cabeça tentando passar naturalidade.

De repente um frio desceu pela sua espinha e um pensamento veio a sua mente. Era a primeira vez que estava no apartamento dele. Mesmo que ignorasse e que tentasse controlar suas ações e pensamentos eles sempre eram como de uma adolescente débil e apaixonada.

A sala era enorme. Tinha um sofá branco com um moletom jogado no braço e uma namoradeira também branca em frente a uma televisão de tela plana. A mesa de centro feita em vidro tinha um videogame e no chão havia vários jogos espalhados. Próximo a janela havia uma mesa quadrada com quatro cadeiras e o que parecia um baralho em cima dela.

- Eu jurava que tinha arrumado tudo antes de sair. – ele soltou um muxoxo e se apressou em enfiar os jogos e o moletom nos braços e desaparecer pela porta lateral. Minutos depois ele voltou parecendo um pouco constrangido.

Agora que passava correndo pelo portão do seu condomínio com o casaco grudado ao corpo e neve caindo-lhe pelos cabelos é que se dava conta de como a noite tinha sido agradável. Revivia toda a noite em câmera lenta e mesmo assim com a mesma intensidade.

"Adeus", as palavras dele ainda ardia em seus ouvidos. Essa palavra nunca havia soado mais racional e verdadeira.

Adeus é o até logo que nunca acontece.

Quando chegou a seu apartamento deixou-se cair de barriga na cama e tampou a cabeça com uma almofada, destapou-a apenas para ver que eram três horas da madrugada.

Com os olhos fechados revivia tudo aquilo.

Ela olhando receosa para cada canto do apartamento dele, ele surpreso por ver o olhar dela se prender a uma foto onde estavam um casal e uma criança loira com pintura de coelho no rosto e orelhas de cartolina. O jantar a luz de velas silencioso que tiveram, a chuva de fogos que assistiram divertidos da sacada. O beijo terno que deram tendo uma nuvem colorida deixada pelos fogos ao fundo, no céu escuro. Ele a puxando para sentá-la em seu colo no sofá enquanto distribuía beijos pelo seu pescoço e começava a despi-la.

Hinata suspirou e se aninhou na cama em busca das cobertas.

Como no dia seguinte as comemorações o palácio estaria fechado e graças a isso aquela parte da cidade estaria vazia, esse foi o dia escolhido e divulgado para a aparente troca dos materiais reais. Como o motivo disso tudo era atrair a mão negra para uma emboscada a polícia e os militares passaram os últimos dias discutindo estratégias e treinando tiros, além de terem sido orientados a não farrearem até tarde ou beberem durante o réveillon, o que foi protestado por muitos, mas não tinham escolha. Policiais, médicos e mães não tiram folga, afinal.

E antes que pudesse se esforçar mais para não se lembrar de como era boa a sensação de ter o corpo dele sobre o seu, Hinata dormiu.

Hinata sentia o estômago revirar e ouvi as batidas rápidas de seu coração como se ele lhe batesse nos ouvidos. Sentia suas mãos suando por baixo das luvas de couro. Apertou mais os dedos em volta do revólver que apontava para a grande porta da frente do palácio. O colete a prova de balas abraçava-lhe o tronco dando a jovem algum conforto.

Por um instante sua visão perdeu o foco e ela sentiu as mãos tremerem incontrolavelmente como bambus no meio de uma tempestade. Por um instante temeu que a arma pudesse cair no chão devido ao seu nervosismo. Mas logo sua atenção foi voltada para os sons que vinham de fora. Tiros. Muitos tiros. E em menos de cinco segundos depois a porta foi aberta violentamente e os primeiros visitantes eram recebidos por uma chuva de balas.

"O que eu devo fazer? O que eu faço?", repetia mentalmente com os olhos arregalados.

E como se tudo passasse em câmera lenta diante dos seus olhos, ela via quando um homem barbudo passou pela barreira de policiais pelos flancos e apontava o objeto frio de metal contra ela, que por reflexo apertou o gatilho antes que o homem pudesse atirar.

- Muito bem, Hinata.

A Hyuuga sentiu alguém tocar-lhe o ombro e se virou rapidamente para ver que era Shikamaru quem lhe falava.

- Nosso dever é proteger as pessoas que amamos, mas infelizmente, para isso, temos que tirar a vida de outras. Até que cheguei o dia em que não precisaremos mais usar essas coisas - ele deu uma guinada com a cabeça indicando a pistola em sua mão – você deve empunhar essa arma sem receio.

A jovem apertou as sobrancelhas e olhava atentamente para ver se alguém que não fosse da policia entrasse pelos flancos ou por trás da formação. Seu dever era cobrir a retaguarda.

- Ei você! Bonitinha do cabelo azul.

A jovem se escondeu completamente atrás de uma coluna de gesso para ficar de frente para quem a chamava. Ela pode ver que era Temari, a loira da sala do fim do corredor.

- Me dê cobertura, vou mudar pra segunda pilastra a direita.

- Certo, Temari-san. A propósito, meu nome é Hinata.

- Prazer.

A Hyuuga pensou em dizer que trabalhava com ela há quase 1 ano, mas deixou pra lá.

Atirou na mão de dois homens que miravam para acertar Temari. Não queria matar ninguém, deixá-los impossibilitados de atirar já era o suficiente, sem contar que deveriam estar vivos pra o interrogatório.

A polícia recuava à medida que os bandidos entravam correndo, atirando e se escondendo pela porta da frente.

O som das pistolas sendo ativadas era ensurdecedor e o barulho das balas ricocheteando nas paredes e pilastras eram aterrorizantes. No meio do caos de clarões de luz e som era impossível parar de tremer e de sentir o coração bater forte, como se ele estivesse com medo de parar a qualquer minuto e por isso decidiu aproveitar seus últimos minutos de utilidade. A mente estava atenta. Muito mais do que em qualquer outro momento de sua vida como Hyuuga. Tentava registrar ao máximo todas as ações dos que lhes afrontava.

O grupo continuava recuando até o salão de festas do palácio, onde se sucederia a segunda parte do plano de Shikamaru. A trincheira improvisada que fizeram não duraria muito tempo, então todos deveriam recuar até o salão de festas que ficava em frente ao grande hall de entrada e de onde, agora, os policiais saiam as pressas.

Mas Hinata ainda não poderia sair. Teria que ficar até que todos os policiais da linha de frente entrassem, então ela e seu grupo de retaguarda poderiam passar pela grande porta de carvalho. Ela esperou impaciente até ouviu-se um último tiro e o último policial que deveria entrar para o próximo salão caiu ajoelhado no chão gritando de dor para logo depois deixar-se cair com o rosto atingindo, com um baque, o chão.

Lá de fora não entrava mais ninguém. Talvez a mão negra tenha se reunido para um plano de emergência, ou talvez, isso fosse apenas parte do plano deles.

Ele se remexeu e Hinata percebeu que ele ainda respirava.

Sabendo que não deveria fazer isso a jovem foi até o amigo.

- Shikamaru-san...

- O que está fazendo aqui? – ele respirou fundo e tentou se levantar trêmulo – logo eles voltarão.

Ela olhou em volta e viu pessoas caídas por todo salão, tanto policiais quanto bandidos. Olhou para a porta da frente e não viu uma pessoa sequer aparecer por ela.

- Eles devem estar tramando um contra-ataque. – Shikamaru se levantou e tampou o ombro esquerdo de onde sangue em enxurrada – Vamos.

A jovem assentiu, mas quando foi dar o primeiro passou ouviu um estalido e algo passou raspando por sua mão direita e fazendo com que ela derrubasse sua arma a metros de distância. Depois disso sua mão passou a arder e então, ela viu de relance uma grande mancha de vermelho vivo enquanto desviava seus olhos para Shikamaru que com um pulo de jogou atrás de uma pilastra. Ela fez o mesmo quando viu, lá de cima, do segundo andar um homem loiro trocar apressadamente o cartucho de projéteis que usava.

Excitada por uma onda de adrenalina, hinata correu para o segundo andar por uma escada lateral utilizada pelos empregados, muito parecida com escadas de incêndio nos shoppings. Sabia onde a escada começava e onde terminava, pois vira a planta do lugar muitas e muitas vezes antes deste dia. Não subiu pela escada principal, pois assim estaria em desvantagem em relação ao inimigo.

Escorada a parede e observando pela fresta da porta, ela procurava aquele que havia atirado em sua mão. Um pouco desajeitada e com a mão esquerda ela tirou a segunda pistola 38 que trazia presa a cintura e a destravou.

Não importa de que ângulo a Hyuuga olhava a situação, ela estava em desvantagem. Era destra e não conseguia segurar firmemente a arma em sua mão esquerda. Respirou fundo e engoliu em seco.

Na cabeça ainda aparecia a imagem de um homem loiro apontando-lhe a arma. Homem loiro. Naruto. Não tinha certeza, mas se fosse ele acabaria logo com isso. Não hesitaria e faria seu trabalho.

Depois deste pensamento, todas as batidas do coração da jovem passaram a ser dolorida.

O peito retorceu em angústia e a pequena temeu que houvesse tomado um tiro no peito sem perceber.

Contou até três e avançou pela porta lateral, chegando, enfim, no segundo andar. Olhou em volta e não viu ninguém. Seguiu pelo corredor chutando a porta dos quartos e vendo se havia alguém lá. Lá embaixo o barulho de tiro recomeçava e só agora, quando a adrenalina abaixou, a hyuuga via o quanto sua idéia de subir sozinha era idiota.

- Que tolice vir aqui sozinha. – ouviu uma voz atrás de si e quando se virou para olhar sua arma caiu.

As pernas bambearam e a pequena caiu de joelhos no chão. Um frio subiu e desceu por sua espinha várias vezes. Suas mãos penderam ao lado do corpo, fracas demais para qualquer outro movimento. Abaixou a cabeça, como se a pressão sobre ela fosse tamanha que a impedia de levantar.

Não era ele.

Um sorriso débil surgiu em seu lábio.

Não era ele.

Não havia mais tempo para sorrir porque morreria logo em seguida.

Ouviu o som da pistola sendo destravada e o do projétil sendo lançado, e esperou. Esperou até que aquele pequeno pedaço de metal estivesse dentro de seu corpo. Já sabia a dor e a ardência que estava por vir, mas não a sentiu.

Talvez já estivesse morta, foi o que pensou enquanto piscava.

Outro barulho de tiro atrás de si.

Hinata abriu completamente os olhos e observou suas mãos, suas pernas... Tudo parecia normal.

Quando seus olhos focalizaram a frente ela viu o cara cair sangrando no chão e seus fios loiros desgrenhados grudarem na testa molhada.

Sem muita coragem foi virando o corpo para trás.

Estava com medo.

Hinata supôs ser algum amigo policial, pois, caso contrário, não atiraria no bandido que, agora, estava estirado no chão e dizendo coisas incompreensíveis.

Um vento frio soprava do norte, entrando pelas janelas e arrepiando todos os pêlos do seu corpo.

Ainda estava com medo.

Um pensamento passou por sua cabeça sem que ela controlasse: se fosse para morrer, que fosse morta logo. A espera era agonizante.

Hinata virou o pescoço lentamente, mas antes que pudesse ver completamente a retaguarda, um pano foi posto brutalmente em seu nariz e logo o cheiro de éter invadia suas narinas. Ela tentou reagir, mas era segurada pelo pescoço com muita força.

E a última coisa que viu foi as luzes do palácio diminuírem gradativamente até que tudo se tornou escuro.

A última coisa que ouviu foi o som de passos se aproximando.

Continua...

N.A.: Desculpa pela demora, minna. E obrigada pela paciência e apoio.