Cap. 10 – Be mine
A cabeça doendo muito a impedia de pensar. Os olhos ardiam e ela piscava nervosamente para se acostumar com a luz. Seu nariz ardia e ela ainda sentia o cheiro de éter mesmo que muito fraco.
- Hinata, você acordou.
O som daquela voz entrou por seus ouvidos como gritos e sua cabeça doeu mais ainda.
- A sensação é meio parecida com ressaca, né?
Hinata tentou se mexer, mesmo ainda se sentindo tonta, e percebeu que estava amarrada. Arregalou os olhos depressa, fazendo com que uma pontada de dor surgisse na têmpora esquerda. Com uma passada rápida de olhos, viu que estava numa espécie de balcão abandonado e a luz do dia passando pelas janelas quebradas iluminavam muito o ambiente.
- Nar... Uto. – sua voz saiu mais fraca do que gostaria.
Obrigou-se a olhar para frente, de onde via um homem sentado em uma cadeira velha e com a cabeça entre as mãos. Piscou várias vezes para que seus olhos voltassem ao normal.
- Na-Naruto – voltou a chamar, mas não obteve resposta.
A jovem baixou o olhar e viu que estava amarrada ao encosto da cadeira por uma corda e que suas pernas estavam livres. Sua cabeça pendeu para o lado involuntariamente, mas com uma guinada ela a endireitou.
- Me responda. – disse impaciente e com um nervosismo e ansiedade sempre crescente.
O homem então se levantou da cadeira e caminhou lentamente até ela sem desviar o olhar.
- Olá Hinata.
Ele se ajoelhou em frente a ela e segurou seu queixo enquanto analisava cada centímetro do rosto, agora mais pálido do que de costume, da Hyuuga.
- Eu... Realmente não sei o que dizer... – ele disse prendendo uma das mechas do cabelo azul-escuro atrás da orelha dela.
- Naruto, o que eu estou fazendo aqui? Como vim parar nesse lugar? Que lugar é esse?
- Calma princesa. – ele disse suave, mas algo no seu tom de voz deixou Hinata apreensiva – Eu trouxe você.
- Que lugar é esse?
- Não muito longe do palácio.
- O que eu estou fazendo aqui? – perguntou ríspida.
De repente Naruto arregalou os olhos assustado e quando se recuperou segurou o rosto de Hinata com as duas mãos.
- Não está com medo de mim, está? – perguntou receoso. – Está? – repetiu a pergunta quando ela não fez menção de responder.
Sem esperar mais por uma resposta Naruto juntou seus lábios ao dela abruptamente. E à medida que ela não retribuía, ele forçava. Com os dentes ele puxou o lábio inferior dela para baixo numa vã tentativa de fazê-la entreabrir os lábios até que o gosto metálico de sangue o fez parar.
- Qual o problema, Hinata? – perguntou com o olhar descendo dos olhos desconfiados e apreensivos dela para a boca levemente inchada.
- Você é louco? Por que me amarrou e tentou me agarrar?
- Eu... Estava tentando te acalmar e... – ele parou ao ouviu um chiado de indignação vindo dela.
Hinata sentiu uma onda de eletricidade percorrer seu corpo num segundo e depois disso seus músculos dos braços e das pernas começaram a tremer de leve involuntariamente, seus batimentos cardíacos e respiração aumentaram, como se o pulmão quisesse pegar para si todo o ar do ambiente. Seu corpo começava aos poucos a entrar em sinal de alerta, confirmando o que agora ela sentia. Hinata estava com medo dele. Uma coisa que ignorou no instante em que Naruto lhe sussurrou aos ouvidos quando o conheceu. Se ao menos tivesse escutado a razão e se mantido em alerta todo o tempo com ele, talvez, não estivesse nessa situação.
- Tudo bem. – Naruto levantou as duas mãos, indicando que havia "se dado por vencido", e andou três passos para trás – Faremos como você quiser, Hinatinha. – sentou-se.
- Não me chame assim!
- Certo. – ele sacudiu as mãos despreocupadamente – você manda. Eu gosto de deixar você por cima – ele deu uma piscada maliciosa e riu, mas parou assim que viu que ela não fez menção de rir da sua piada boba.
- Por que eu estou presa? – a jovem perguntou forçando a si mesma a manter a calma e a seriedade, lutando contra os espasmos involuntários do próprio corpo.
- Para você não fugir. – respondeu tedioso.
- Por que me trouxe para cá?
- Foi o lugar mais seguro que eu achei, dada a situação. Eu tinha que tirar você daquele palácio antes que se machucasse.
Machucasse. A menção dessa palavra fez com que Hinata olhasse instintivamente para a mão que havia levado um tiro de raspão. E em sua mão direita havia uma atadura mal feita e manchada de sangue. Tanto sangue que quase não havia fibras brancas nas faixas, todas elas já haviam sido tomadas pelo vermelho.
A pontada de dor vinda da mão subiu pelo braço como se todo o braço contraísse numa dolorida câimbra e um grito falhado saiu pela garganta da Hyuuga. E então ela se lembrou que a mão estava machucada e que doía. Como se a dor que tinha sido jogada de lado, esquecida, viesse reivindicar seu lugar nos pensamentos da jovem.
- Agüenta mais um pouquinho, Hinata. Eu sei que você é forte. Quando a gente sair daqui eu compro analgésico ou qualquer coisa para você. Eu fiz um curativo, mas você pode ver que eu não sou muito bom nisso.
A policial então se lembrou de que não sabia o porquê de estar ali amarrada e não cobrindo a retaguarda dos colegas. Voltou seu olhar para o homem a sua frente.
- Explica-me o que está acontecendo – seu tom saiu mais como um pedido do que como uma ordem, como ela pretendia. – por favor – pediu com a voz cansada e com os ombros já recurvados pela tensão.
Naruto se levantou e sacudiu a poeira da roupa.
- Eu trouxe você aqui para conversarmos e só vou soltar você depois que me ouvir.
Ela o olhou confusa e decidiu não interrompê-lo.
- Eu quero que você fuja comigo.
Xxx
- Você aí, pára de corpo mole e vai até a ambulância.
- Sim senhora.
- E você, zenzo, ajude seu companheiro.
- Meu nome é Enzo, Tsunade-sama.
- Que seja. Temos muito trabalho a fazer.
A loira deu meia volta procurando com os olhos Shikamaru, encontrando-o não muito distante tendo a perna e o tronco enfaixados e conversando despreocupadamente com a enfermeira a sua frente. Tsunade pôs-se a caminhar a passos firmes até ele e distribuía tarefas aos policias que não estavam – muito – feridos pelo caminho.
- A maioria da "mão negra" sumiu. – ela disse irritada.
- Sim. – o jovem respondeu agora observando o céu distraidamente – Mas creio que a quantidade de homens que pegamos será o bastante para o interrogatório.
- E quanto aos líderes?
- Eles não apareceriam aqui, de qualquer forma. Para eles – o moreno abaixou os olhos para chefe e depois indicou a pessoas que estavam presas no camburão – essas vidas são dispensáveis, seria até bom que morressem, pois assim não poderiam dar depoimentos.
- E onde se meteu o inútil do Sai?
- Não o vi hoje.
- Tsunade-sama – Shizune chamou esbaforida enquanto corria até a chefe.
A loira a olhou interrogativa, esperando a assistente falar.
- Hyuuga Hinata sumiu!
Xxx
Hinata continuava confusa. Tentava desvendar a verdade escondida nas entrelinhas, afinal, só poderia ser uma brincadeira.
- Precisamos pensar na gente agora. Você e eu. Vamos fugir e abandonar tudo aqui.
Naruto tinha um sorriso no canto dos lábios, o que fez com que ela reforçasse a teoria de que ele estava brincando.
Hinata se remexeu na cadeira e continuou calada esperando que ele continuasse.
- Eu sei de tudo. Sei que você é da polícia e esteve me vigiando e eu também estive de olho em você...
- Então você estava me enganando. – ela franziu o cenho no mesmo instante em que algo dentro dela se remexia
Ele soltou uma risada forçada.
- Você fez o mesmo comigo, então vamos pular essa parte.
Eu tenho tudo preparado. Vamos até Osaka alternando o transporte entre carro e barco para ficar mais difícil a localização e então pegamos um avião para os Estados Unidos. É um plano de emergência, mas vai dar certo.
Hinata sentiu o sangue esquentar e correr enlouquecidamente pelo corpo, mas ainda assim seu rosto mantinha uma expressão de receio e cansaço. Ao mesmo tempo em que seu coração pulava feliz dentro do peito, sua razão dizia que aquilo era impossível. Ela suspirou e franziu o cenho.
- Eu não estou entendendo. O que vocês querem comigo, afinal? Por que está dizendo isso tudo, Naruto.
- Você é um pouco lenta, não. – ele disse com uma leve irritação na voz.
O loiro aproximou-se dela novamente e agachou em frente a ela. Apoiou uma das mãos no ombro da jovem e encarou convicto seus olhos perolados.
- Eu acho que já esperei tempo demais por você. E agora, não quero deixar você ir embora. Porque... Eu amo você. E tenho tanta certeza disso que estou disposto a deixar tudo por você.
Hinata arregalou os olhos, começando a sentir todos os efeitos que aquelas palavras traziam a ela.
Ela queria tê-lo?
O coração palpitava feliz, sua razão sumira instantaneamente e a vontade de sentir se abraçada e beijada por ele aumentava como o silêncio de sua razão.
Ela queria tê-lo.
Ela o amava?
- Então... – a voz de Naruto a fez acordar de seu estado catatônico. Ele lhe estendeu a mão num gesto simbólico – Vem comigo?
