Cap.11 – Dever

Hinata abaixou a cabeça encarando o chão. Seu coração batia tão rápido que fazia sua respiração aumentar. Eram tantos pensamentos explodindo em sua cabeça que ela não conseguia se prender em nenhum.

"Eu amo você", tinha certeza que aquelas palavras saíram da boca dele.

"Essas são palavras qualquer um pode dizer", um lado de sua mente gritava em desespero.

"Mas ele sempre lhe pareceu tão sincero", o outro lado da mente respondeu.

O silêncio era constrangedor e só fazia aumentar a tensão de seus ombros.

Queria apenas esvaziar a cabeça e responder por impulso. Mas seus pensamentos fugiam, suas lembranças passavam como flashes e sua razão e emoção divergiamconstantemente.

A idéia de tudo ser uma armadilha perdia cada vez mais lugar nos argumentos da razão enquanto sua vontade tê-lo por perto aumentava, passando a ser quase uma necessidade. Queria novamente ouvi-lo sussurrando coisas ao pé do ouvido num francês horrível depois de uma noite de amor, queria sentir mais uma vez seus dedos ágeis fazendo-lhe cócegas quando ela aparentava estar séria demais ou até mesmo ouvir de novo a piada do chinês da pastelaria durante o jantar. E gostaria de ser para ele um porto-seguro quando as coisas não forem bem, alguém com que ele pudesse compartilhar os bons e os maus momentos.

Queria-o. E queria tanto que chegava a doer.

A inexatidão de seus pensamentos a enlouqueciam e a pressão invisível em volta de si a sufocavam. Uma lágrima teimosa caiu de suas pestanas desenhando uma linha solitária pela face alva e se pendurou hesitante no queixo da moça.

- Não posso. – respondeu baixo, rouca e contrariando a própria vontade. Ela abaixou mais a cabeça e ainda sem encará-lo, indicou a blusa que vestia.

Confuso ele se aproximou trêmulo num meio sorriso vacilante e forçado. A corda que prendia seu tronco a cadeira representava alguma dificuldade, mas ele conseguiu enfiar a mão pela borda da blusa até que, na altura da clavícula da jovem, algo lhe espetou o dedo. Com o mínimo de força Naruto arrancou o objeto e o encarou.

Seu corpo gelou e os olhos arregalaram.

- É um comunicador. – disse num misto de raiva e incredulidade.

- Não. – Hinata engoliu em seco – É um GPS.

Reuniu o pouco de coragem que tinha para levantar a cabeça e encará-lo com os olhos vermelhos e inchados por choro mal contido.

- Havia a ínfima probabilidade de você me procurar. – Ela tentou explicar, mas tudo que saía de sua boca parecia idiota.

Naruto largou o pequeno objeto no chão e pisou com força.

- SUA...

E antes mesmo de pensar em terminar a frase, estavam cercados, com centenas de armas voltadas para sua direção.

E antes mesmo da solitária lágrima que caiu do queixo da moça atingir o chão, Naruto estava rendido.

Odiava aquilo tudo. O frio, a cara de decepção dele, a situação, o lugar. Mas ali estava Hyuuga Hinata novamente, sentada ao lado do interrogador Ibiki – um sujeito intimidador e com feias cicatrizes no rosto - e em frente a Naruto. A presença da jovem não era necessária, mas o loiro insistia que somente responderia as perguntas na presença dela.

Naruto subiu o olhar para encarar fixamente os orbes perolados por alguns segundos antes de levantar uma sobrancelha numa careta de desgosto.

- Achei que já tivéssemos encerrado nosso assunto – disse ele se virando para Ibiki e logo depois voltando o olhar para a moça – vindo aqui todos os dias começo a pensar que você sente saudades da minha pessoa, Hinata.

- Naruto, não começa. – respondeu ela irritada. Estava sem paciência para os joguinhos e ironias do loiro hoje. Ele a bombardeava com olhares acusadores e palavras ferinas desde que fora preso, há pouco mais de uma semana.

- Nossa! – ele levantou uma sobrancelha numa cara de surpresa e mexeu de leve as mãos que estavam presas com uma algema e apoiadas em cima da mesa – você não parecia hostil quando estava na cama comigo.

Hinata apertou o punho com tanta força que sentiu a dor da sua unha forçando a pele da palma da mão. Seu rosto enrubesceu instantaneamente de raiva. As palavras dele faziam-na parecer uma vadia, quando, na verdade, não era nada disso.

Somente ela sabia como fora difícil vê-lo sendo jogado no chão e o brilho dos seus olhos se apagando. Aquela cena ainda doía em seu coração.

Hinata suspirou fortemente enquanto Ibiki iniciava uma conversa com Naruto, que o interrompeu no ato.

- Eu já disse que não vou contar sobre a mão negra para vocês. – ele disse simplesmente.

- Seu julgamento é daqui a algumas semanas, tem até lá para pensar. – Ibiki começou a dizer, enquanto Hinata mantinha o olhar perdido em algum ponto da sala - Você pode colaborar e ter alguns anos a menos na sua pena ou...

Naruto deixou de encarar as próprias mãos e observou o homem cheio de cicatrizes a sua frente.

- Ou o quê? – o loiro disse calmamente – vocês vão me torturar?

- Ninguém vai encostar em você, Naruto – a Hyuuga disse com uma leve perturbação na voz.

- Que bom. – ele remexeu nos cabelos desajeitadamente por causa das algemas e continuou dizendo com ironia – Assim já posso dormir tranqüilo.

Hinata suspirou cansada. Odiava quando ele tentava lhe agredir, mas não tinha forças para revidar. Precisaria ter paciência, algum dia seu Naruto estaria de volta e aquela pessoa ressentida a sua frente desapareceria.

- Não creio que conseguirão muitas informações dos outros caras que vocês prenderam.

- Por que não?

- Orochimaru-sama pode ser... hum... bem covincente.

- O que quer dizer? – Ibiki levantou uma sobrancelha.

- Quer dizer que eles temem que algo aconteça com sua família ou casa.

- Nos garantimos a segurança do todos os envolvidos – foi a vez de Hinata interromper.

Naruto deu um sorriso de canto, mas não a encarou.

- Achamos o lugar onde eram feitas as reuniões, mas temos certeza de que Orochimaru não estará lá.

- Ele tem um armazém abandonado também, na rua Shinjuku, mas a única coisa que encontrarão lá é um monte de caça-níqueis.

- Tem alguma idéia de onde ele possa estar?

- Talvez.

O loiro afastou a cadeira e apoiou os pés sobre a mesa.

- Pra quem não ia colaborar, eu já disse muito.

- Okay – Ibiki pareceu estranhamente calmo – temos alguns lugares para averiguar. Uzumaki Naruto, espero que nossas conversas sejam tão produtivas quanto essa.

Definitivamente, Ibiki estava estranhamente calmo.

Dizendo isso o homem passou pela porta sério e fez um movimento com a cabeça para que Hinata o acompanhasse.

A jovem deu meia volta e parou na soleira da porta, pensando em algo para dizer. Não queria simplesmente virar e ir embora.

- Obrigada, Naruto.

E antes que ele perguntasse o porquê daquilo, ela passou e fechou a porta atrás de si.

Odiava muito aquele lugar, odiava muito aquela situação. Mas se fosse para vê-lo, agüentaria tanto quanto fosse necessário.

Engoliu em seco, espantando a vontade de chorar e voltou a caminhar com o olhar fixo para frente.

Continua...

N.A.: Novamente... desculpa a demora. Eu sou realmente muito enrolada.
Espero que gostem e não me matem por causa da hinata não ter escolhido o naruto.
Arigatou por lerem.