Capítulo 12 – Naruto
Olhava o céu cinzento pela minúscula janela, seu único meio de contato com o exterior.
Há quanto tempo estava ali? Quase uma semana, talvez.
Remexeu-se na cama e viu que o companheiro de cela estava acordado.
- Gaara. – cumprimentou, mas somente ouviu um resmungo como resposta – Quais as novidades?
O companheiro virou-se deixando a mostra o cabelo muito vermelho iluminado parcialmente pela luz do dia e a cicatriz escrito "amor" na testa.
- Se você não tem nada de interessante para dizer, fique quieto. – respondeu voltando a posição anterior.
- Você bem que podia ser mais sociável. Vamos ficar bastante tempo juntos. – disse Naruto fazendo com que Gaara fizesse uma careta em resposta.
O loiro arrepiou os cabelos com as mãos e se sentou na cama, olhando o companheiro com a sobrancelha franzida, numa tentativa de cara de mau.
- Você é algum tipo de serial killer? Perguntou.
O ruivo deitou com a barriga para cima e os braços sob a cabeça e deu somente um resmungo como resposta.
- Está bem. – Naruto passou sua careta de mau para uma curiosa – O que você fez para estar aqui?
- Matei um cara. – respondeu simplesmente.
- E por quê?
- Vingança. – respondeu calmamente, mas o loiro jurava ter visto um brilho passar pelos olhos verdes de Gaara.
O loiro sentiu uma gota se formar em sua testa e um sorriso amarelo se formar em sua boca.
- Ta legal, acho que o momento de socializar acabou. – disse voltando a deitar e a encarar o céu.
O tempo é uma coisa irrelevante quando não se tem nada para fazer a não ser encarar o teto ou tentar interagir com seu parceiro de cela. Ele se arrasta tão lentamente que se perde a vontade de acompanhá-lo. Cinco minutos ou cinco horas, que diferença fazia? Cinco dias ou cinco anos, o que importa?
De olhos fechados, o loiro ouviu a voz grossa, abafada e chata soar pelo auto-falante. Já tinha até se acostumado a sempre se assustar com a voz.
- Hora do almoço. Celas 1 a 16 dos corredores A e B se prepararem para sair. Façam uma fila e esperem até os guardas abrirem os portões.
- Finalmente! – o homem loiro esticou os braços e pernas – meu estômago já estava afundando.
- Não sei que pressa é essa... A comida será horrível como sempre.
- Que isso amigo! É só imaginar que você está comendo o melhor rámen de todos. – respondeu dando leves tapas no ombro do ruivo.
- Quando exatamente nos tornamos amigos? – perguntou Gaara com a mesma expressão antipática de sempre.
- Cara, dizem que as amizades mais íntimas são feitas na prisão...
- Por favor, me poupe de detalhes.
O loiro andou atrás do ruivo tagarelando algo sobre conspirações alienígenas que havia visto na televisão. De onde estava, conseguia ver apenas a nuca do companheiro, mas sabia que o mesmo devia estar revirando os olhos.
Assim que a comida caiu em sua bandeja, Naruto viu que Gaara estava certo. Não tinha como fingir, nem com muita boa vontade, que aquele monte vermelho – que ele supôs ser macarrão com algo parecia com carne – era rámem.
Sentou-se em frente a Gaara e olhou da sua bandeja para o rapaz com uma expressão incrédula.
- Você vai mesmo comer isso? – perguntou.
- Não temos escolha. Além do mais, já era para você ter se acostumado...
- A comida não parecia tão... Grudenta antes. – Naruto o interrompeu e continuo olhando-o como se o desafiasse a colocar aquele hashi na boca.
- Devem ter trocado o cozinheiro. – respondeu o outro de olhos fechados e a testa tensa.
Enquanto Naruto devaneava sobre quem teve a maldita idéia de despedir o antigo cozinheiro, seu estômago roncou longa e profundamente. E sem outra escolha, encarou o hashi onde pendiam alguns fios de macarrão.
"Tudo bem... Hakuna Matata", pensou.
No mesmo instante as portas do refeitório se abriram e por elas passaram dois policiais conversando entre si e rindo.
- Uzumaki Naruto, você está sendo solicitado na sala do diretor.
- Eu to comendo, não ta vendo. – disse aborrecido.
- Não quer que eu te leve a força, quer? – disse o fardado mais alto e corpulento, deixando à mostra a arma de choque em sua mão.
O rapaz soltou um muxoxo audível e seguiu os dois policiais, assim que eles prenderam as mãos dele com a algema. Mas entrando na sala indicada viu que ela estava vazia.
Esparramou-se em uma das cadeiras e apoiou os pés na mesa enquanto esperava para se esclarecido do porque estar ali numa hora sagrada, a refeição. Quando ouviu o barulho da porta sendo aberta atrás de si e sentiu um cheiro bom de comida que fez seu estômago revirar dolorosamente. Preparou-se psicologicamente para se virar e encarar a face velha e feia do diretor da prisão, mas isso não aconteceu. Quando se virou, deu de frente com um par de olhos vacilantes cor de pérola, num rosto pálido e levemente oval, a boca rosada num meio sorriso constrangido.
Era Hinata. E ela estava tão bonita quanto se lembrava.
Seu coração deu um pulo e ameaçou parar de bater quando a jovem se aproximou e depositou em cima da mesa algo parecido com uma marmita embrulhada em um pano de prato quadriculado em vermelho e branco.
- Hum... Eu... Trouxe um pouco de comida para você. Fiquei imaginando se você gostaria de comer algo diferente. – ainda com o meio sorriso constrangido nos lábios, ela abaixou a cabeça e esperou por uma resposta.
- Obrigado, mas não estou com fome. – disse rude.
- Ah, claro. Desculpe-me, eu deveria ter perguntado antes. – sua voz vacilou e ela deixou transparecer seu desapontamento – Eu... Bem, eu vejo se algum guarda quer.
Hinata projetou o corpo para frente e esticou a mão para pegar o embrulho que trouxera, mas sua mão foi parada pela de Naruto. Ela ia perguntar o que estava acontecendo quando ouviu um ronco grave vindo da barriga do loiro.
Ela virou o rosto para rir com graça sem ser vista e afastou-se um pouco mais.
Naruto desembrulhou a comida o mais rápido que suas mãos agüentavam para então dar de frente com um pote com rámem e outro com onigiris, salmão e camarões fritos. Era o paraíso alimentar para ele.
Não agradeceu, mas comeu com louvor, apesar de com alguma dificuldade, pois uma de suas mãos estava algemada. Guardou um pouco para Gaara, talvez o amigo quisesse experimentar uma comida de verdade depois de tanto tempo.
E a sala caiu em monotonia. Cada um preso ao seu próprio silêncio até que Hinata tentou iniciar um assunto.
- Espero que tenha gostado...
- Por quê?
- Porque eu não sei do seu gosto para tempero e...
- Por que não fugiu comigo?
A morena se assustou. Sabia que uma hora teria que responder essa pergunta, mas agora que estava ali, em frente a ele, não tinha certeza de que conseguiria. Nem ao menos sabia se tinha uma resposta para dar.
A jovem respirou fundo. Ele tinha o direito de ter sua pergunta respondida.
- Eu tenho uma vida e uma família aqui, não seria tão simples...
- Você já os abandonou uma vez...
- Não exatamente, eu apenas mudei de cidade. Agora é diferente, minha irmã precisa de mim e eu também preciso dela.
- Nós poderíamos visitá-los quando você quisesse. Eu pedi apenas para nós darmos uma chance a nós dois, não que você riscasse sua família da sua vida.
Hinata suspirou calmamente e esticou o corpo antes de responder.
- Já somos adultos, Naruto, não podemos mais agir como inconseqüentes. Se fugíssemos seríamos sempre os procurados pela polícia. Sempre com identidade falsa, sem um lar fixo, com apenas amigos temporários. Fugir não é a solução.
- E você pensou que me deixando aqui as coisas se resolveriam? – ele disse, mas seu tom não era raivoso, embora fosse magoado.
- Eu também não queria que as coisas fossem assim. Mas infelizmente, você agiu contra a lei e tem que pagar por isso. Talvez fosse mais fácil mesmo estar em alguma ilha no pacífico agora, mas você seria feliz e me faria feliz? Teria sua consciência tranqüila para começar uma vida nova?
Hinata parou por um momento, parecendo escolher as palavras.
- Eu não quero uma felicidade incompleta.
Ela se aproximou e encostou sua mão a dele, no que ele desfez o contato no ato. A morena se afastou envergonhada e com a pontinha do orgulho ferido, mas continuou falando. Não tinha tempo para se aborrecer, logo Tsunade e Ibiki entrariam pela porta encerrando qualquer discussão.
- Eu gosto de você, do seu jeito de ser. E por mais que você me odeie agora, minha visão de você será sempre a mesma.
A morena decidiu esperar pela chefe do lado de fora. Deu dois passos em direção a porta, mas uma pergunta a deteve.
- Eu só preciso ter certeza de uma coisa, é só isso o que eu preciso saber; o resto não importa. – Naruto não se virou para olhá-la nem fez menção de que se moveria. Reuniu coragem suficiente para fazer a pergunta que ditaria suas ações dali em diante - Você me ama?
Hinata definitivamente não estava preparada para isso. Suas mãos gelaram e ela começou a suar frio, o coração batia tanto que começava a doer e tinha a plena certeza de que estava corada.
Que diabos de pergunta era aquela.
Respirou fundo mais de uma vez na tentativa de fazer seu corpo parar de tremer e tentar recuperar a compostura. Esforçara-se tanto para não desmanchar na frente dele e uma simples pergunta abalou todo esse esforço.
Tinha a plena certeza de que o silêncio do ambiente era ainda mais incômodo e doloroso para ele, mas precisava de tempo para reunir a coragem que lhe escapou pelos dedos quando ouviu aquelas palavras.
Nesse instante seu olhar caiu para a abertura de vidro que tinha na porta no escritório com os dizeres "diretor" e via a figura de sua chefe berrando com algum pobre coitado e um dos guardas com a cabeça baixa.
Era o choque que precisava.
Estava recomposta, mas as palavras recusavam-se a sair. Não queria mentir nem se precipitar, mas tinha uma resposta a dar. Uma resposta que ansiava para dar antes mesmo daquela pergunta ter sido feita.
Mas enquanto ponderava silenciosamente, a porta foi escancarada e por ele passaram um homem moreno e alto com feias cicatrizes no rosto e uma mulher loira um pouco mais baixa e muito bonita.
Hinata sentiu o alívio em todos os poros do seu corpo. Tinha esperança de um dia poder dizer a Naruto como se sentia – apesar dela mesma não saber muito bem -, mas não seria aquele dia nem naquela situação.
- Hyuuga, o que está fazendo aqui? E sozinha? – a loira fuzilou a pequena com o olhar – Eu já disse que não quero você aqui. Qual a graça de ser chefe se ninguém obedece a suas ordens. – bradou.
- Não preocupe Tsunade-sama, estou aqui por minha conta. Se algo acontecer você não será responsabilizada.
A loira arrastou uma cadeira e se sentou cruzando as pernas e olhando diretamente para as pérolas que eram os olhos da morena.
- Estou começando a achar que você está atoa demais. Procure Shizune, ela tem um novo caso para você.
- Como? – a jovem fez-se de desentendida.
- Sua missão era prender esse cara – indicou Naruto com a cabeça – e você conseguiu. Sua missão acabou.
Ao ouvir aquilo Naruto sentiu um bolo formar na garganta. Aquelas palavras doeram lá no fundo e lhe deu uma súbita vontade de quebrar alguma coisa. Mas a única coisa que podia fazer no momento era reprimir essa vontade.
Naruto ouviu os passos de Hinata deixando a sala e outros se aproximando. Em poucos segundos Ibiki e Tsunade estavam a sua frente.
- Muito bem, Uzumaki Naruto. – disse o homem – verificamos os locais que você nos indicou e estavam todos vazios e queimados.
- O que era esperado. – o outro respondeu desinteressadamente – Se você está fugindo da polícia, a melhor coisa a fazer é queimar todas as provas e apagar todos os rastros.
Ibiki deu uma risada sem humor e continuou a observar cada reação do rapaz a sua frente.
- Eu conheci muitos iguais a você. Garotinhos ricos e mimados que resolveram virar pivetes e colocar a culpa na ausência dos pais...
- Bem, não posso culpá-los já que não a intenção deles serem assassinados...
- Então foi por isso que você resolveu se revoltar? Fazer justiça com as próprias mãos...
- Cala a boca, você não sabe do que está falando...
- E quando você estava solitário, a mão negra te acolheu, Naruto? – foi a vez de Tsunade falar, fazendo com que os dois a olhassem – É por isso que você é tão fiel a eles?
Naruto começou uma gargalhada que cessou em instantes.
- Eu não sou fiel a eles. – respondeu simplesmente.
- É sim, caso contrário não os encobriria.
- Não é tão simples assim... – o loiro abaixou o olhar – Eu e muitos dos que foram presos tememos a mão negra, por isso ficamos calados. Já vi muitos serem mortos por motivos mais banais que esse.
- Estão seguros aqui dentro – a loura continuava a falar – ninguém vai entrar aqui para matá-los.
- O problema não é quem está aqui dentro – Naruto treinava a si mesmo para não se alterar – é quem está lá fora. Bandidos têm família também, têm pessoas com quem se importam e por quem dariam a vida. E a mão negra pode acabar com isso muito facilmente.
- A mão negra está desfalcada e seria arriscado demais para Orochimaru sair de onde ele está escondido só para acabar com vocês, a quem ele considerava meros peões.
- Isso não soa muito convincente. Quero ver você tentar convencer os outros com essas palavras. – Naruto passou as costas das mãos desajeitamente, por causa das algemas, na bochecha e continuou: - Ao contrário do que vocês possam imaginar, uma parte de nós somos pessoas boas que cometeram erros, um erro na verdade, o de se juntar a mão negra. Orochimaru sabe como explorar suas fraquezas e como convencê-lo a se juntar a ele... Depois não tem como se arrepender, sair não é tão simples. Sim, há os que só estão com ele pelo poder e pelo simples desejo de matar e torturar, mas não são todos. Cabe a vocês fazer-los pagar por seus crimes, não julgá-los, todo ser humano está sujeito a violência quando estão acima da raiva. Acho melhor vocês começarem a pensar nisso antes de acusar alguém aqui dentro porque – Naruto olhou fixamente para Ibiki – vocês não são melhores que ninguém.
O homem cheio de cicatrizes o fuzilou com os olhos.
- Acho melhor você tomar cuidado com o que diz Uzumaki... Ou poderá se arrepender.
Tsunade levantou uma das mãos para que o interrogador se calasse, fazendo com que o homem ficasse ainda mais irritado.
- Depois desse discurso todo, eu imagino que você tenha alguém lá fora, alguém que você queira proteger e se me permite dizer, se redimir.
- E se eu tiver? – o loiro respondeu rapidamente.
- Eu andei lendo sua ficha. E nele diz que você não pais, não tem avós, não tem irmãos e nem tios e seu padrinho, que criou você por um tempo mora do outro lado país. Procurei por algum amigo mais próximo e também não encontrei... Ou seja, você é apenas um solitário. – a chefe da polícia disse sem mudar a expressão séria.
Naruto emburrou na hora. A verdade era como uma tapa na face, bem dolorido. E a dor irradiava tão rapidamente fazendo com que seu peito doesse e pesasse.
- Diga-nos quem é essa pessoa misteriosa e nós poderemos oferecer proteção a ela. – ela fitou os olhos azuis do rapaz com firmeza e continuou: - Eu lhe dou a minha palavra.
Naruto suspirou e fitou o teto como tivesse algo muito interessante ali.
- Eu só não quero que nada aconteça com a Hinata ou a irmã dela.
Os policiais se encaram confusos e depois voltaram os olhares curiosos para o rapaz atrás da mesa.
- Está realmente preocupado com Hyuuga Hinata? – perguntou Ibiki com um certo tom acusador na voz.
- Eu já estou preso – Naruto passou as costas das mãos pela testa desconfortável – não tenho o porquê inventar isso.
Tsunade prendeu demoradamente os olhos castanhos nos azuis do rapaz e ele não fez menção de que iria quebrar o contato.
- Certo, eu confio em você – ela falou por fim.
Ibiki a olhou com o canto dos olhos e seu olhar dizia claramente "você enlouqueceu". Olhar esse que foi ignorado completamente, como se a única decisão que importasse ali fosse a dela.
- Hyuuga Hinata é um pouco atrapalhada e delicada demais. Eu mesma não acreditava no potencial dela... Um policial tem que ser duro e até um pouco insensível. Mas ela mostrou se boa em combate e cumpre seu dever. – a loira encostou-se a cadeira despreocupadamente – Eu confio na habilidade dela e você devia fazer o mesmo.
- Ainda sim... – ele começou a dizer mais foi interrompido.
- Ainda sim – ela continuou – a colocarei sob vigilância, se isso te deixa mais... a vontade.
- Tudo bem... – concordou ele – mas, infelizmente, eu não faço idéia de onde Orochimaru esteja.
- O QUÊ? – Ibiki gritou alterado – você nos fez perder tempo aqui sendo que não sabia de nada?
- Eu não os trouxe aqui. – Naruto respondeu debochado – Vocês que insistiram em me ver.
- ORA SEU...
- JÁ CHEGA! – Tsunade levantou-se da cadeira e bateu a mão na mesa com força. – Quantas pessoas você acha que estão com Orochimaru nesse momento? – olhou para Naruto mais séria do que ela pareceu minutos antes.
- Umas três. Orochimaru e o que ele chama de "grupo de elite" não foram a emboscada, eles nunca fazem esse tipo de trabalho, aliás, eles não fazem trabalho nenhum. Os que vocês não prenderam foram espertos o bastante para fugir.
- Já perdemos tempo demais – Ibiki interrompeu – se continuarmos perdendo tempo Orochimaru será capaz de se juntar a alguns dos fugitivos ou poderá fugir.
- Temos vigilância intensificada em todas as saídas da cidade, mas não é o suficiente. Se Orochimaru vai fugir, ele precisa de dinheiro. Onde ele conseguiria tanto dinheiro em tão pouco tempo...
- Ele não guarda nenhum dinheiro com ele, é a sabedoria das ruas. Tudo o que ele tem fica no banco, no entanto, é muito arriscado manter uma mesma conta por muito tempo, então de tempos em tempos, um de seus capangas abre uma conta no GrandBank sob nomes falsos. A nova conta foi criada a pouco tempo e por causa da emboscada não deu tempo para fazer a transferência. Nesse caso, Orochimaru espera uma transferência de fora...
- De fora do banco?
- Sim, é a ele que Orochimaru recorre quando precisa de dinheiro rápido.
- Quem é ele?
- Hyuuga Hisashi.
- Hyuuga? Tem certeza? – sua preocupação aumentou quando viu o rapaz confirmar com a cabeça.
O choque na expressão de Tsunade era evidente, mas ela não tinha tempo para isso agora. Assim que se recompôs, tirou de dentro do bolso um pequeno gravador e o desligou.
- Como sabe dessas coisas? – ela voltou a encará-lo, já de pé.
- Orochimaru me achava frouxo demais porque... Bem, eu não gostava de violência. No entanto, eu era muito convincente e ganhava a confiança das pessoas muito fácil, então eu era utilizado para golpes e coisas do tipo...
Ela assentiu e virou-se para o moreno ao seu lado.
- Chame o desenhista, Ibiki, vamos precisar de um retrato falado. Precisamos contatar o banco e nos preparar para ficar de guarda. – ela ia dizendo enquanto se direcionava para a porta. Passou pela mesma sem olhar para trás.
E logo Naruto era arrastado de volta ao refeitório sem dizer ou ouvir uma palavra sequer. Os policiais o deixaram no corredor e seguiram seu caminho e Naruto pôs-se a caminhar em frente. Quando abriu as portas do refeitório tudo estava um caos. As mesas estavam jogadas no chão e os presos se socavam e xingavam. Imediatamente soou o alarme, fazendo com que Naruto se assustasse com o barulho alto e irritante.
Avistou o cabelo vermelho e chamativo de Gaara no mesmo instante em que viu um cara enorme atrás dele pronto lhe dar uma cacetada com um pedaço de ferro de uma das mesas.
O loiro não pensou duas vezes, correu em direção a eles, empurrando todo mundo, pulando sobre as mesas no chão e dando uma voadora certeira no homem.
- Atacar por trás é covardia – disse o Uzumaki, mas o máximo que recebeu em resposta foi um rosnado.
Naruto o atacou com socos e chutes até que o homem caísse e desistisse de levar, outros vieram, mas tiveram o mesmo destino. Naruto sempre fora bom em luta, embora não costumasse brigar.
Quando reparou que todos os presos haviam parado o barulho e os xingamentos, Naruto olhou ao redor e viu que todos o olhavam assustados. Olhou para trás e viu Gaara desfazer a pose de luta em que estava tendo a seus pés vários homens caídos.
- Vocês dois derrubaram os caras mais fortes daqui – disse boquiaberto um cara bem magro e de cabelos compridos – vocês são os novos chefes.
- Eu não sou chefe de coisa nenhuma – Naruto disse irritado.
- Eu dispenso – disse Gaara.
- Não! – o magrelo começou a dizer – vocês não podem deixá-los voltar ao poder. Eles tratam todo mundo como lixo.
- Me deixa fora dessa – respondeu Naruto e Gaara simplesmente deu de ombros.
Logo os policiais chegaram e colocaram todos de volta a cela.
- Até mais, chefes – disse um homem de meia idade pequeno e de cabelos castanhos quando passou por eles.
Já na cela, Gaara comia com as mãos o restante da comida que Hinata trouxera mais cedo.
- Como você conseguiu não deixar a marmita cair no meio da confusão? – perguntou o ruivo.
- Eu sou malabarista – respondeu o loiro, mas o companheiro não riu.
- Quem te procurou mais cedo foi a garota, não foi? – deduziu o ruivo com sua habitual expressão séria. Naruto falava tanto sobre ela que Gaara já se sentia íntimo dela.
- Sim, nós conversamos um pouco. – ele confirmou desanimado – Ela disse que não podia abandonar a família dela e algo como agir feito adulto.
- E você já pensou em um plano?
- Como?
- Sua vingança. – Gaara respondeu óbvio.
- Eu não vou planejar vingança nenhuma, ta doido? Foi essa história de vingança que me colocou aqui...
- Eu sabia – o ruivo riu pequenamente, achando realmente graça em algo, como não fazia ha muito tempo.
- Vai me chamar de frouxo também, é.
- Não é isso. Você não tem raiva da garota. E não se pode fazer uma vingança sem raiva.
- Não tenho certeza se essa é a solução também. Olha você... Conseguiu sua vingança, mas agora ficará anos abandonado nesse lugar. Qual vai ser seu próximo objetivo na vida?
- Não sei – Gaara deu de ombros – Mas tenho muito tempo para pensar.
Naruto se sentou na desconfortável cama e encarou a pequena parte do céu, já escuro, que conseguia ver pela janela. Começou a relembrar sua vida sem, no entanto, refletir sobre ela.
Gaara tinha razão em uma coisa. Naruto não tinha raiva de Hinata, mas não podia ignorar a situação em que estava. Mas do que nunca o rapaz desejou poder ter o seu pai para lhe dar conselhos, embora, em seu íntimo, ele já saber o que seu pai diria.
