Leiam meus adendos no final, é importante para mim, please.
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Cap. 15 – Sem saída
Hinata tentou abrir os olhos devagar, mas a simples tentativa a fazer sentir fortes dores nas têmporas. Girou a cabeça e lentamente começou a mexer os músculos contraídos e todo o seu corpo começou a doer como câimbras. Sua respiração era fraca e dolorida, como se seus pulmões fossem apertados por uma força invisível. E quando os olhos se abriram por completo a moça pode perceber que estava numa espécie de porão úmido e mal cheiroso.
- Ela acordou. –ouviu uma voz grave dizer a alguém do outro lado da porta.
Um homem gordo de meia idade a observava com um sorriso divertido nos lábios. Tinha os cabelos raspados e um cavanhaque cor de mel espesso. Os olhos castanhos, por cima de grossas sobrancelhas também cor de mel, expressavam certa ansiedade.
- A princesinha acordou... O que será que Orochimaru-sama irá fazer? Tem algum palpite? – o homem perguntou provocativo à Hinata, que não respondeu.
Hinata tentou se mover mais um pouco, mas sentiu que suas mãos estavam amarradas uma a outra por uma corda. E só então percebeu que as mesmas estavam doendo e sangrando. Sentiu um gosto metálico no canto na boca e deduziu que estava machucada no rosto.
Estava sentada no chão, as mãos amarradas umas as outras e também amarradas a algo frio atrás de si, que ela supôs ser um cano. Queria perguntar onde estava e o que queriam com ela, mas não conseguiu. Estava com medo demais para isso.
- Ora ora... O que temos aqui?! – Hinata não levantou o rosto para ver quem era, mas pode sentir o cinismo que emanava da voz – nunca ouviu que a curiosidade matou o gato, minha cara criança.
A jovem sentiu mãos frias passearem lentamente pelo seu rosto, parando em seu queixo e a obrigando a olhar para cima. O coração de Hinata deu um pulo assim que o viu. Sua pele era muito pálida e olhos amarelados possuíam uma íris muito fina, semelhante a uma cobra, os cabelos escuros caiam abaixo dos ombros. Carregava no rosto a expressão de um caçador prestes a dar o bote.
Era ele. Era Orochimaru.
Não havia dúvidas quanto a isso. Todas as características batiam com a dos relatórios que havia lido nos últimos meses
- O que descobriu dela? – ele se virou para o homem gordo sentado próximo a porta e sua voz saiu como um silvo.
- Ela não disse nada ainda. – o gordo simplesmente deu de ombros.
- O que houve com você? Amoleceu? – eles conversavam como se ela não estivesse presente – vejo que ela ainda está inteira.
O outro apenas deu de ombros.
Orochimaru passava as mãos lentamente pelo rosto da jovem e segurou seu queixo, obrigando-a a olhar para ele novamente. Ele se aproximou, o rosto tão próximo ao dela que Hinata podia sentir sua respiração contra sua bochecha direita.
- O que você fazia bisbilhotando por aí, garota? – sua voz era fria e cortante.
- Eu estava no bar e me perdi. – respondeu ela, firme.
- Odeio quando dificultam as coisas para mim... – orochimaru deu um suspiro cansado no mesmo instante em que tirava um pequeno canivete do bolso e passava calmamente pelo pescoço da sua refém. – De novo, o que você estava fazendo aqui?
- E-Eu estava no bar. – sua voz vacilou, tomado por uma onda de nervosismo impossível de controlar.
Orochimaru ainda segurava seu queixo quando de repente pareceu encontrar algo fabuloso no rosto dela, ele afastou sua franja enquanto soltava uma pequena gargalhada. E pela primeira vez Hinata girou os olhos para encará-lo.
- Eu não acredito! – ele exclamava ainda gargalhando – eu não acredito que fui agraciado com tão fabulosa presença.
Ele estalou os dedos e o gordo abriu a porta para mais três pessoas entrarem, um homem magro e loiro com um cigarro pendendo na boca, uma mulher de pele morena e corpo esbelto e um rapaz, que parecia o mais novo do grupo, tinha os cabelos brancos presos num rabo de cavalo e usava óculos.
- Dê-me a pasta – orochimaru se dirigiu ao mais novo do grupo. – Ahh esses olhos...Impossível não reconhecer – ele disse se virando para Hinata e começando a tirar várias fotos de pessoas lá de dentro.
Orochimaru jogava várias fotos ao chão murmurando coisas como "morto" e "essa não" e Hinata pode ver que as fotos espalhadas possuíam um "x" desenhado bem grande no rosto da pessoa.
- Oh! – ele fez uma expressão de falsa surpresa – quem será essa? – Hinata mirou a foto que ele tinha em mãos e vi a si mesma – Hyuuga Hinata.
- O papai deixou os negócios sujos da família para você, foi? – ele riu irônico – Ah não! Espere! A filhinha trabalha para a polícia federal, supostamente ela não faria uma coisa dessas.
- Orochimaru-sama, devemos partir imediatamente – o jovem de cabelos brancos soou desesperado – se ela chegou até aqui a polícia deve estar a caminho.
O líder do grupo deu um sorriso maligno que fez a alma da jovem gelar, o corpo enrijecer e os pelos do corpo se eriçarem.
- Temos uma convidada, Kabuto. Seria deselegante não fazer sala para ela.
O homem gordo perto da porta se aproximou com um ferro em brasa na mão protegida com uma luva e o pressionou contra o antebraço de Hinata.
Hinata urrou de dor enquanto grossas lágrimas saiam de seus olhos. Ela tentou se debater, mas presa do jeito que estava mal conseguiu se mover.
- Isso é só uma pequena cortesia, criança. Sabe, para você sempre se lembrar da gente. – Ele passou as mãos pelos cabelos oleosos e inclinou a cabeça para a direita – Agora vamos ao que interessa. Como chegou aqui, sweet child?
- Eu vim para beber – ela respondeu com medo tomando metade de seus pensamentos.
No mesmo instante ela sentiu um forte tapa na face direita.
- Se você quer brincar, então, que o jogo comece – Orochimaru disse com um sorriso debochado nos lábios.
- Devo trazer a água fervendo, Orochimaru-sama? – o gordo perguntou com um sorriso divertido.
- Por Deus, não! – ele fingiu espanto – Ela tem o rosto muito lindo para ser deformado assim... Vamos... Deixar isso para o grand finale – deu uma piscadela em sua direção e fez um movimento de confirmação para que o gordo voltasse a lhe bater.
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A manhã estava fria. Mais fria que o normal para uma manhã de inverno. A brisa gélida que entrava pela janela trazia consigo algo que Naruto não sabia nominar. Estava inquieto e o coração estava apertado. Uma sensação ruim chegara junto com a aquela manhã de janeiro.
- Você reparou? – Gaara, o companheiro de sela, o despertou de seus pensamentos – Os guardas estão agitados. O que poderá ter acontecido?
- Não sei. – Naruto tirou os olhos azuis do companheiro e voltou-os para a pálida paisagem que se estendia através da janela – Só sei que eu estou com um mau pressentimento sobre isso...
Às horas iam passando e as pancadas que sentia no coração apenas aumentavam. Sua respiração já estava ficando pesada.
- Tenho ordens de levar o prisioneiro para interrogatório – Naruto ouviu uma voz vinda do corredor, do outro lado da sela. Ele girou o corpo para ver melhor quem era.
Sai o observava com uma expressão indecifrável, nos lábios um meio sorriso e nos olhos uma preocupação.
- Não recebemos permissão para liberá-lo hoje. – respondeu o guarda carrancudo ao lado de Sai.
- É de extrema importância! – seu tom era sério – Você não prestou atenção à chamada hoje de manhã? Hyuuga Hinata sumiu!
De repente o sangue de Naruto gelou nas veias e ele se sentia incapaz de respirar. Deixou-se cair sobre a cama, engolindo uma grande quantidade de ar que entrou pela boca aberta. A aflição começou a tomar conta de todos seus pensamentos e o desespero começou a crescer em cada célula do seu corpo.
- Me acompanhe, Uzumaki Naruto – Sai disse enquanto o guarda carrancudo abria a sela.
Naruto continuava estático, parecia incapaz de se mover ou de pensar. Não sabia o que dizer, não sabia o fazer. Um bolo começou a crescer em sua garganta, causando desconforto.
- Me acompanhe, Uzumaki. É realmente muito importante.
Ele ficou de pé e o guarda algemou suas mãos em frente ao corpo e então ele saiu atrás de Sai apressado pelos corredores. Desceram as escadas para o primeiro pavilhão, viraram em vários outros corredores até dar na sala onde eram armazenados os produtos de limpeza.
- Vai me contar o que está havendo? – Naruto perguntou rouco.
- Você percebeu que aqui não é a sala do interrogatório. – Sai respondeu, indicando com a cabeça uma pilha de roupas jogadas a um canto – Vista isso!
Naruto soltou um grunhido e investiu contra o ex-companheiro segurando pela gola da farda.
- O que você está fazendo? Conte-me o que está havendo...
- Não temos tempo Naruto! Hinata ainda pode estar viva... Sua única saída é acreditar em mim.
O loiro estreitou os olhos enquanto Sai retirava suas algemas, mas fez o que foi pedido. Desdobrou as roupas empilhadas e viu que era uma farda policial. Trocou de roupa desconfiado, mas aliviou a expressão quando percebeu que, talvez, o moreno quisesse realmente ajudar.
- Coloque isso no cabelo. – ele lhe esticou um boné – E isso no rosto. – entregou uma máscara de proteção branca – Foi a única maneira que eu consegui de tampar suas marcas no rosto. Não se esqueça de fingir que está gripado. Felizmente, os japoneses têm o hábito de usar essas máscaras quando estão doentes, foi nossa salvação.
- Isso vai dar certo? – o loiro enrugou a testa.
- É o que vamos saber em breve. – Sai olhou o relógio – Teremos 10 minutos para sairmos quando as luzes se apagarem.
- O que? Como você vai fazer isso?
- Alguns caras me devem uns favores aqui. Um que é capaz de hackear o sistema e causar um apagão, outro para se certificar que as luzes e câmeras de emergência não se ligarão e um técnico para garantir que a culpa foi da companhia de luz.
- Não entendi muito bem...
- Ok – saiu olhou para o relógio mais uma vez antes de lhe dirigir um sorriso debochado – Inteligência nunca foi um forte seu.
Antes que Naruto pensasse em protestar, as luzes se apagaram.
- Vamos!
Eles andaram apressados, passando pelo imenso pátio vazio enquanto sirenes tocavam por todos os lados. Naruto girava a cabeça para todos os lados apreensivo. Viu um grupo de policiais passarem correndo para a escada para os pavilhões superiores com armas e cacetes em punho.
Quando chegaram ao enorme portão de acesso, Sai pegou o rádio que trazia na cintura e começou a despejar ordens aleatoriamente, chamando atenção dos guardas que estavam na cabine ao lado do portão de acesso.
- Quero o gerador de energia funcionando agora! – gritou ao aparelho – Vou informar Tsunade-sama sobre o ocorrido imediatamente e, não me interessa como, tudo tem que estar em perfeita ordem quando eu a trouxer aqui!
Um guarda alto, musculoso e moreno observava Sai atentamente.
- Não posso deixá-los sair até a energia voltar – disse.
- Sou federal, estou com pressa e com um baita problema para resolver, se você não reparou – ele vociferou grosseiramente.
O guarda fez uma carranca feia e esticou a mão para pegar o distintivo que Sai oferecia. Depois de analisá-lo, esticou a mão para Naruto, que olhou confuso do moreno para Sai.
- Eu posso ficar o dia todo aqui, se quiser – o guarda falou rudemente.
- Ahn?!
- Seu distintivo, idiota – Sai interrompeu girando os olhos – Odeio novatos!
Naruto então entendeu e começou a tatear os bolsos até sentir algo duro em um deles.
- Aqui! – anunciou mais feliz do que necessário. E subitamente se lembrou de que deveria estar doente e começou a simular uma tosse.
- Agora as digitais...
- Existe um jeito melhor de você atrasar a minha vida? – Sai interrompeu quase aos berros – Olha só o caos que está aqui... O scanner não funciona sem luz e eu não posso esperar a energia voltar a funcionar. Se eu não aparecer em cinco minutos no escritório da Tsunade, garanto que você nunca mais vai precisar saber quem entra e quem sai daqui.
O guarda olhou para seu companheiro na cabine, que apenas acenou com a cabeça, e muito a contragosto abriu o portão e acenou para os outros guardas da cabine superior, que acenaram de volta e baixaram as A.K 47 que carregavam.
Correram até chegar a um sedã preto parado distante da entrada da prisão. Sai destravou as portas e ambos entraram sem trocar sequer um olhar.
Já dentro do carro, Naruto tirou a parte de cima do uniforme, ficando apenas com uma camisa pólo de lã preta. Tirou o boné, a máscara e o cinto, tudo que lembrasse de longe um policial. Suas mãos pararam no tornozelo, tentando de todas as maneiras retirar um aparelho de formato semelhante a uma algema preta, presa firmemente em seu tornozelo.
- Você não vai conseguir tirar isso! – Sai não retirou os olhos da rua enquanto dirigia apressadamente, furando alguns semáforos.
- Então tire para mim – o loiro reclamou.
- Também não posso fazer isso.
- Então por que me ajudou a fugir? – virou o rosto para o moreno, encarando seu perfil – E para onde está me levando?
- Tenho um palpite sobre onde a hyuuga possa estar... E, talvez, você também tenha.
- O esconderijo do bar – Naruto afirmou, gelando.
Sai assentiu sem olhá-lo.
- Por que está fazendo isso? – o loiro tirou os olhos do companheiro e voltou os para as pessoas despreocupadas na rua passando por eles como borrões por causa da alta velocidade do carro.
- Também seria correto afirmar que eu tenho uma atração sexual incontrolável pela Hyuuga, mas a verdade é que se existe pelo menos uma pequena chance de ninguém mais sair machucado nessa história, então eu vou ajudar no que for possível para que isso aconteça.
- Isso significa que você escolheu já o seu lado?
- Não, na verdade. Um agente duplo está sempre sozinho. Acho que consegui irritar Tsunade-sama e Orochimaru ao mesmo tempo – ele deu uma risada, embora não tivesse graça.
- Como assim?
- Eu nunca quis me juntar ao Orochimaru, essa é a verdade. Meu irmão quis. Ele estava passando por uma fase difícil, tinha amizades estranhas e se juntou a Mão Negra para ganhar algum dinheiro para comprar drogas. – Sai soltou um longo suspiro e continuou com a expressão impassível – Mas ele adoeceu e não pode continuar 'trabalhando'. Ele ficou devendo serviços ao Orochimaru e dinheiro em tudo que é canto da cidade.
Quando ele começou a ser ameaçado de morte, eu tive que agir... Eu era novo, não sabia o que estava fazendo... Orochimaru quitou todas as dívidas e nos deu proteção em troca de alguns anos de serviço... Acabei me juntando ao grupo no lugar do meu irmão.
- Desgraçado... Ele é um baita aliciador – Naruto interrompeu – Parece que ele sabe exatamente o que dizer para nos convencer a entrar...
- Entrar é fácil – foi a vez de Sai interromper – Sair, só se sai da Mão Negra morto. Creio que você sabe disso.
O loiro assentiu, percebendo que ambos estavam na mesma situação. Ao final de tudo, ou estariam presos ou mortos.
Nunca antes havia imaginado que Sai, a pessoa que menos gostava dentro da máfia, era também uma vítima. Sempre via algum prazer em seus olhos quando cumpria as tarefas que Orochimaru ordenava. E agora, depois do que ouvira, um sentimento de culpa por tê-lo julgado mal todo esse tempo vinha-lhe a mente.
Sai era um agente duplo. E nunca antes Naruto havia pensado sobre isso, sobre o quão difícil deve ser fingir o tempo todo, se manter frio e imparcial, sem nunca poder confiar em ninguém.
A situação estava confusa e Naruto não tinha muito tempo para refletir sobre ela. A única coisa que sabia era que deveria agir o mais rápido possível.
- Não estou entendendo muita coisa – o loiro chamou atenção para si novamente.
- Repito, inteligência não é um forte seu – Sai gracejou, mas logo voltou a falar e seu tom era sério – Não temos tempo. Presta atenção no que eu vou te dizer...
Está vendo essa tira no seu tornozelo? É um localizador, todos os presos têm. Isso significa que nesse momento a polícia deve ter percebido que você fugiu e deve estar rastreando você.
- O QUÊ?! – Naruto gritou desesperado – Não é possível...
- Cala a boca, imbecil. Eles têm que achar você, entendeu? Eles são a sua única salvação.
A mão Negra está dispersa, os que não estão presos estão mortos ou fugiram. Orochimaru tem poucos homens, apenas os que não foram no dia da emboscada... Não passam de seis pessoas.
A polícia tem que vir atrás de você e se, com sorte, eles suspeitarem que você vai atrás do chefe da quadrilha, eles vão vir com reforços.
- E hinata? – Naruto sentiu o coração apertar, temendo a resposta.
- Não faço idéia de como ela está – Sai pareceu levemente entristecido – Até mesmo a localização dela é apenas uma suspeita.
- E ninguém da polícia está procurando por ela? – O loiro resmungou, gesticulando irritado – Essas fardas de vocês são apenas uma droga de enfeite?!
- Eu sei como se sente. Tecnicamente ela não pode ser dada como desaparecida, não se passaram nem 10 horas ainda...
- O QUÊ?! TÁ ME DIZENDO QUE VÂO A DEIXARELA MORRER POR BUROCRACIA?
- Calma, Naruto. Não foi o que eu disse... Claro que Tsunade não ia deixar um dos seus abandonados... Ela mandou alguns agentes para fazer uma "investigação extra-oficial". Por isso eu estou apostando que a polícia virá com toda a força, vocês só precisam se manter vivos até eles chegarem.
- Então, basicamente, o plano é entrarmos com a cara e a coragem e torcer para que não nos matem até a polícia chegar.
Dessa vez Sai desviou os olhos da estrada e os fixou no carona.
- Nós não... Eu não vou com você.
- Ahn?!
- Sinto muito. Eu fui o estrategista no dia da emboscada e fiz de tudo para que a Mão Negra ficasse em desvantagem. Se eu aparecer lá, serei um cara morto. Tsunade desconfia que algum dos agentes estivesse trabalhando para Orochimaru e ajudar você a fugir só me colocou na mira. Se a polícia me pegar, eu serei preso.
- O que você pretende fazer? – perguntou o loiro.
Naruto inspirou profundamente e enquanto digeria o que Sai dissera. Um tremor tomou conta de todo seu corpo, um frio subia por toda sua espinha, deixando-o arrepiado. E de repente ele abaixou a cabeça pesaroso, se desculpando mentalmente com Hinata por ser tão fraco e por sentir um medo que fazia seu estômago revirar.
- Eu vou fugir – o moreno respondeu depois de algum tempo – Meu irmão tem a saúde frágil, vive internado no hospital, ele precisa de mim. Eu aproveitei a última alta dele e o mandei pra longe e, agora, é a minha vez de ir. Tenho tudo planejado e o melhor dia para minha fuga é hoje. Sinto muito, mas o máximo que eu posso fazer é deixar você no bar.
Naruto assentiu tentando transparecer aprovação, mas no fundo, escondia um certo ressentimento pelo companheiro não se dispor a ajudar. Tentava lutar contra esse sentimento, argumentando com si mesmo que Sai fez o possível para ajudá-lo e, no fundo, era um bom amigo.
O medo o fazia culpar outras pessoas e pensar em possíveis fugas em vez de se concentrar em um plano para entrar no esconderijo e manter ele e Hinata vivos.
Naruto soltou o ar dos pulmões com força e apertou os punhos, espantando tais pensamentos. Se deixasse o medo o dominar, não conseguiria salvar Hinata. E ela tinha demasiada importância em sua vida para simplesmente abandoná-la a própria sorte.
O carro freio bruscamente fazendo seu corpo ser projetado para frente. Naruto olhou em volta e viu o bar velho e sujo que costumava freqüentar.
- Chegamos! – Sai anunciou.
Naruto abriu a porta do carro e se levantou sentindo a brisa fria da manhã lhe arrepiar por inteiro.
- Boa sorte! – desejou o moreno lhe entregando uma pistola.38
- Obrigado – respondeu o loiro, fazendo com que o ar condensasse em frente a sua boca.
No minuto seguinte, o carro saiu pela rua a fora cantando pneu e Naruto se sentiu mais solitário do que nunca. Escondeu a arma na cintura, sob a camisa e começou a caminhar apreensivo até a entrada do esconderijo, que era um balcão na lateral do bar.
O bar em si, era apenas fachada. Apesar de alguns membros da Mão realmente o utilizarem para beber e comemorar, o bar era mais freqüentados por civis. Naruto decidiu passar distante da porta de entrada, não queria correr o risco de ser visto por quem quer que fosse.
Pequenos flocos de neve caiam pelo caminho e sobre ele, fazendo com que o frio que sentia aumentasse e os dentes começassem a bater.
Quando se aproximou do balcão viu que o mesmo era vigiado por dois homens.
- Naruto?! Pensei que estivesse preso ou morto – um deles disse quando o viu se aproximar.
- Ou então fugido – completou o outro – como todos os outros covardes.
- Eu estava escondido, esperando a poeira abaixar para vim aqui – mentiu da melhor maneira que pôde.
Os dois homens sacaram as armas ao mesmo tempo e apontaram em direção ao pescoço de Naruto, que alargou os olhos instantaneamente e soltou uma exclamação.
- Temos ordem para não deixar ninguém se aproximar – disse o mais alto.
- Nem mesmo um dos nossos – completou o outro.
- Eu... Tenho informações importantes – respondeu Naruto com a voz mais rouca do gostaria.
Os dois homens o olharam desconfiados, mas um deles pegou o rádio preso à cintura e chamou por alguém do outro lado da linha. O loiro sentiu um calafrio percorrer o corpo enquanto pensava numa maneira de desacordar os dois homens a sua frente.
"Podem o deixar entrar" respondeu uma voz entrecortada vinda do rádio.
Naruto arregalou os olhos surpreso, não esperava que o fossem deixar entrar tão facilmente.
Passou pela porta velha de madeira da entrada do esconderijo e seguiu pelo corredor apertado e úmido que conhecia tão bem com um desconforto subindo pela garganta. A sensação ruim que sentia desde cedo apenas aumentava a cada passo que dava.
Ouviu um grito de dor ao longe e se pôs a correr com o coração acelerado e dolorido, passando por várias portas fechadas, em direção à última sala do corredor.
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Hinata sentia todo seu corpo doer, todos os lugares onde o homem gordo a acertara com socos e chutes. Um machucado no canto da boca fazia a mesma se encher com um gosto amargo. Um dos olhos parecia estar inchado, pois mal podia enxergar com ele. O filete de sangue que escorria de sua testa parecia ter secado, pois sentia a pele e o pêlo do rosto, por onde o sangue escorreu, repuxar e incomodar.
Orochimaru caminhava calmamente de um lado a outro do cômodo com as mãos cruzadas atrás das costas. Parou pensativo por uns instantes e se aproximou de Hinata, segurando-a novamente pelo queixo.
- Hinata-chan, você não vai agüentar mais disso – ele sorriu – por que não me conta de uma vez como chegou aqui, hein?
Ela abriu a boca para retrucar, mas foi impedida pelo dedo indicador dele em sua boca.
- Não adianta mentir... Já sabemos que você foi idiota o bastante para vir sozinha.
Ele se afastou e se sentou na cadeira onde estava minutos antes.
- Você está sozinha – ele sentenciou – e ninguém virá te ajudar...
A respiração de Hinata estava pesada e alta e o ar condensava diante sua boca. Um calafrio tomou todo seu corpo num espasmo quando seus dentes começaram a bater devido ao frio. Haviam lhe tirado o casaco, deixando-a apenas com uma fina blusa de manga comprida.
- Vamos voltar ao que interessa... – ele chamou atenção para si – O que eu sei sobre você até agora é que você é uma agente federal e é filha do meu querido amigo Hiashi. – seu tom se tornou mais cínico quando pronunciou a palavra amigo - Você e Naruto se tornaram... Íntimos, certo?
Ao ouvir o nome de seu pai, a Hyuuga sentiu como se o chão tivesse sumido sob seus pés. Saber que seu pai estava envolvido com esse tipo de gente causou um amargor em seu peito e um bolo na boca do estômago. Uma sensação ruim que fazia com que lágrimas se formassem em seus olhos.
Até mesmo chorar doía. Não uma dor física, mas uma sensação de que sua alma era quem chorava.
No mesmo instante a imagem de Naruto lhe veio à mente. Ele sentado a sua frente, com os olhos fixados nela e uma silenciosa expressão agressiva acusando toda a sua família. Seu pai por indiretamente estar envolvido no tráfico de armas e ela, por ter vivido uma vida luxuosa a custava da vida de muitas pessoas. Na época não acreditara em Naruto, mas agora lhe parecia como se ela apenas quisesse omitir e fugir da verdade, ou da mentira, que fora toda a sua vida.
Ela se sentiu tão culpada e suja que o bolo em seu estômago pareceu subir depressa e ela teve uma súbita ânsia de vômito, mas não passou disso.
Orochimaru cruzou as pernas e a encarava intrigado.
- Não, eu apenas o vigiava. – Hinata respondeu séria e alto demais, para que as palavras pudessem abafar seus pensamentos.
- Okay... – seu tom era de falsa crença – foi ele que lhe contou desse lugar?
- Não!
- Então, como chegou aqui, Hinata-chan?
Ela não respondeu e o gordo lhe deu mais um soco abaixo das costelas. Não tinha certeza do que responderia ou se conseguiria inventar uma história coerente naquela situação. Tinha medo de dizer qualquer coisa que atrapalhasse Naruto ou a investigação, mas quando foi atingida pela segunda vez abaixo das costelas uma resposta saiu junto aos seus gemidos.
- Eu grampeei o telefone dele.
Orochimaru se levantou depressa e urrando de raiva jogou a cadeira onde estava contra a parede. Foi a primeira vez desde que o conhecera que Hinata o viu perder o controle. Sua respiração era ruidosa e seus olhos estreitaram perigosamente.
- Desgraçado! – ele gritou, fazendo todos os presentes se assustarem – Ele sabia que o telefone estava grampeado...
- Isso não explica muita coisa – interrompeu a mulher que entrara acompanhada de dois homens quando o interrogatório começara.
- É simples – respondeu o rapaz de cabelos brancos, que Hinata ouviu sendo chamado de Kabuto – com um telefone grampeado se pode não só gravar a conversa dos usuários, como também localizá-lo.
- E como nos acharam? – o homem ao lado da mulher perguntou. Deu um trago no cigarro e continou – Naruto não está aqui...
- O desgraçado escondeu o celular aqui de propósito – Orochimaru interrompeu – para que nos achassem... Onde está o Naruto? – virou-se para a Hyuuga.
A cabeça dela pendeu para baixo e o homem ao seu lado a puxou novamente para cima, pelos cabelos, fazendo-a encarar Orochimaru.
- F-Fugiu – mentiu.
- Devemos adiar nossa partida, Orochimaru-sama... Se ela nos encontrou, a polícia também nos encontrará...
- Ficou imaginando o porque de você não avisar seus superiores que estava vindo para o nosso suposto esconderijo – o homem com um cigarro deu mais um trago enquanto se aproximava – creio eu que omitir uma informação valiosa dessas num investigação é muito, muito ruim... Por que você faria uma coisa dessas?
A única culpada por ela está ali agora era a própria estupidez, mas Hinata pensava que essa resposta não o satisfaria. Buscou no turbilhão de pensamentos que passava por sua cabeça algum plausível e a única resposta que encontrou foi Naruto.
- E-eu queria ver se... – ela fingiu uma careta de dor e respirou fundo várias vezes, como que controlando algum acesso de dor que viesse a ter, para ganhar algum tempo – Naruto estava aqui.
Era mentira, ela tinha a plena certeza que o loiro estava preso e muito dificilmente sairia de lá, mas a resposta pareceu convencer o homem agachado a sua frente.
A mulher que até então estava no fundo da sala se aproximou também rindo com gosto.
- Não acredito... Você está apaixonada por ele? – ela fez uma cara divertida e incrédula ao mesmo tempo – Ele é meio... Sem graça...
- E tapado – completou o gordo.
- E feio – disse o homem com o cigarro e deu a Hyuuga um meio sorriso – eu posso te mostrar o que é um homem de verdade – completou malicioso.
- O que você disse? – a mulher o olhou raivosa, com as duas sobrancelhas muito juntas.
- Claro que não era de mim que eu estava falando – ele respondeu rapidamente e se pôs ao lado dela, segurando-a pelo cotovelo.
Orochimaru estava quieto e pensativo até que deu um pequeno sorriso e chamou a atenção para si.
- Não mudem o rumo da conversa, idiotas. Vamos partir logo, mas antes... Dê-me o telefone que foi encontrado com ela.
Kabuto entregou o aparelho prontamente para o chefe, que começou a mexer no mesmo enquanto sorria mais abertamente.
- Alô! – uma voz masculina, que a hyuuga reconheceu como de seu pai, saiu do viva-voz do celular.
Ninguém respondeu.
- Hinata, o que foi dessa vez? – seu tom parecia irritado.
- Acho que foi engano... – Orochimaru respondeu – E o engano foi Hyuuga Hiashi parar de cumprir minhas ordens.
- Você! O que está fazendo com o telefone da minha filha – não foi exatamente uma pergunta e ele pareceu vacilar no meio da frase.
- Sua filha não precisava mesmo pagar por um erro seu...
- Cadê minha filha? – ouviu seu pai perguntar com um desespero crescente – deixem-na em paz...
- Meu caro, se você estivesse mesmo preocupado com suas lindas filhinhas não teria deixado de mandar meu dinheiro.
- E-eu não consegui – Hiashi respondeu vacilante e rouco – Eu fui acusado e a polícia está me vigiando... Eles vão descobri se...
- Não me importa! – Orochimaru se virou para encarar Hinata com um sorriso que a fez arrepiar atrás da nuca – Eu já vou estar bem longe quando isso acontecer...
- Por favor...
- Em nome da nossa amizade eu vou deixá-la dar um último recado a você...
O chefe do grupo se aproximou com o celular em mãos e estendeu-o até próximo a ela. A jovem policial o encarou desafiadoramente, com uma coragem que crescia a cada momento em que sentia que não sairia dali viva. Ela apertou a boca com força e não pronunciou nenhum ruído.
- Odeio gente teimosa – ele revirou os olhos e fez um aceno para o cara gordo, que deu sonoro tapa na face direita da jovem.
Quando os tapas e chutes se tornaram mais agressivos, ela não pode segurar um gemido.
- Hinata? – a voz soou desesperada através do aparelho.
- Pai – ela disse entre gemidos quando percebeu que não podia mais ficar calada – Não... Não faça nada do que ele mandar...
- Filha? O que está acontecendo? Fala comigo...
Hinata sentiu um forte soco no estômago que fez seu corpo inclinar para frente e logo em seguida sentiu alguém mexer em suas mãos para soltá-la do cano em que estava presa. Sentaram-na no chão, mas as mãos continuaram amarradas uma a outra por uma corda.
O homem com o cigarro tirou uma pistola da cintura e a destravou próximo ao celular.
- Deseja dar um último adeus a sua filha? – perguntou Orochimaru num silvo.
- Por favor... – a voz do pai continuava a suplicar, trêmula e fraca – Eu dou tudo o que você quiser... Tudo que eu tenho...
- Nesse caso, você já sabe o que fazer, afinal, você fez isso por anos...
- NÃO, PAI!
Hinata foi silenciada com uma mão grande pressionando sua boca e nariz. A medida que ia sentindo falta do ar entrar pelos pulmões, ia sentindo a consciência escapar e o desespero aumentar. Queria gritar e se mexer até se soltar, mas estava fraca, nem mesmo conseguia entender o final da conversa entre Hiashi e Orochimaru.
De repente a porta se abriu com um estrondo, o que fez com que a mão que lhe sufocava a soltasse. Sua cabeça pendeu para baixo ao mesmo tempo em que sentia o ar voltar aos pulmões com uma pressa que ardia. A boca expirava e inspirava rápida e ruidosamente e alguns vezes ela engasgava com o próprio ar.
A cabeça doía muito, como se toda a pressão sanguínea do corpo subisse rapidamente para cérebro. Mas aos poucos a sensação ia passando e ela pôde se desconcentrar dos próprios fenômenos fisiológicos e se concentrar na conversa que estava acontecendo dentro da sala.
Os olhos arregalaram quando ouviu aquela voz tão conhecida. Com o coração batendo freneticamente, ela levantou a cabeça e a viu a pessoa mais improvável de estar ali naquele momento.
O coração apertou e ela sentiu um peso enorme sobre seus ombros quando encarou seus olhos azuis. Agora a sensação de que tudo estava perdido aumentava vertiginosamente. Ela não perderia apenas a própria vida, perderia Naruto também.
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N.A:
Por onde eu começo? Hm... Desculpas?
Eu sei que faz muito tempo, estou até sem-graça de estar postando. Tipo, eu realmente tinha abandonado a fic... Eu estava com uns problemas, não estava me sentindo bem e achando que tudo o que eu fazia era uma porcaria (bem, isso ainda não mudou). Mas o fato é que depois de tanto tempo eu voltei ao ffnet e por acaso vi o review de vocês e vi o quanto desleixada eu tinha sido em sumir sem dizer nada.
Eu fiquei feliz em ver que eu tinha leitores, poucos, mas os melhores ^^ (não, não estou puxando saco... é que realmente me fez bem ler o review de vcs)
Não posso dizer que estou na ativa, mas com certeza eu vou terminar esse fic. E depois de terminada, eu vou reupar ela, pq eu realmente acho que ta horrível.
Bem, isso saiu mais como um desabafo que um pedido de desculpas, então lá vai o pedido oficial...
Vocês me perdoam?
(Se disserem que sim ganham um oneshot de presente mwahaha)
