Disclaimer: [UA] Saint Seiya não nos pertence, e esta história não tem quaisquer fins lucrativos.


Capítulo Um.

O cheiro de terra molhada era inebriante. Escutar os pingos de chuva caindo sem parar de encontro contra o vidro da estufa a deixava relaxada.

Megan passou o dia todo com os nervos à flor da pele. Muitos problemas para resolver em tão pouco tempo. Amanhã seria o dia, dia que tudo mudaria. Era dia de trabalho e festa. Passou a semana toda analisando e contratando pessoalmente todos os funcionários da empresa. Tinha sido ao mesmo tempo prazeroso e esgotante. Muitas pessoas de lugares diferentes, culturas diferentes e muito bem apropriadas, porém ela não poderia ter todos eles. Então escolheu os melhores.

A contratação tomou-lhe muito tempo e os dias passaram rapidamente. Hoje, quando deu por si, estava atolada de coisas para fazer. Não se importou em delegar ordens para irmã e amigas. Elas não se importavam, afinal de contas, a empresa também pertencia a elas. Ali sentada, escutando o som ritmado da chuva, analisava os contratos mais uma vez.

Sempre fez as coisas três vezes para ter certeza de que não estava cometendo nenhum erro. Depois de examiná-los, os colocou dentro de uma pasta transparente onde ela mais tarde atualizaria no novo sistema da empresa. Em outra havia mais contratos, estes do Buffet e da ornamentação. Elas dariam uma grande festa de inauguração. Algo que marcaria a sociedade de New York.

Já havia conversado com o jornal The New York Times a data e que seria uma belíssima festa. Eles ficaram de enviar seu melhor jornalista para cobrir o evento. Megan já havia falado com ele pelo telefone algumas vezes. Era sério e muito profissional, isso a agradou de cara. Ele prometera que levaria um fotógrafo com ele e outra jornalista. Megan tinha os seus próprios fotógrafos, mas naquele dia todos os empregados da empresa deveriam se divertir.

Ela cruzou as pernas em cima do banco de madeira para ficar mais confortável. Pegou seu celular para conferir as horas, já passavam de dez da manhã. Não queria descer e ter que entrar no caos do apartamento. Ficar no terraço era reconfortante e a estufa com todas aquelas lindas flores era realmente algo magnífico, mas tinha que ver se as meninas já haviam terminado as suas tarefas. Guardou tudo dentro de sua bolsa. Quando ia colocar o celular dentro da mesma o toque estridente de Systen of a Down preencheu o ambiente. Aquele toque era para ligações de casa. Alarme de pais. Atendeu no terceiro toque.

– Pronto.

– Minha filha! – Falou Nícolas docemente. – Que saudades suas! Suas e de sua irmã!.

– Também sinto sua falta pai. – Disse metodicamente. – Vocês não estavam na Grécia? – Perguntou indiferente.

– Estávamos. Disse bem. – Ele falava contendo o tom de repreensão. – Se vocês duas fossem um pouco mais preocupadas conosco, saberiam perfeitamente que estamos de volta.

Megan se sentiu culpada. Desde que saíra de casa, nunca fora muito de ligar e querer saber o que eles andavam fazendo. Não era muito ligada nisso. Sabia que Violet mantinha contato com eles e para ela isso bastava. E como a vida delas estava uma bagunça, sabia que nem a irmã havia tido tempo para se comunicar com eles. Era uma filha desnaturada.

– Me perdoe pai. – Falou com sinceridade. – Estamos muito atoladas ultimamente.

– Sim, eu sei. – Ele disse já voltando ao tom tranquilo e despreocupado de antes. – Sua mãe e eu queremos dar um presente a vocês. Um não. Dois.

– É. – Disse curiosa. - E o que seria pai?

– Eu sei que amanhã é a inauguração da empresa de vocês, seu convite chegou até nós. Um primor! E foi por isso que voltamos.

– Tinha me esquecido disso. – Não. Ela não convidou os pais e sim a irmã. – Vocês virão?

– Mas é claro. Eu quero ver isso de perto. Vocês duas cresceram tanto. – Ele se calou e ficou a suspirar.

– Pai? Esta aí?

– Entretanto. – Ele agora estava sério. – Acho muito justo dar-lhes um presente. Dois quero dizer. O primeiro será uma surpresa, mas digo-lhe, prepare um lugar para um grande show.

Oh! Aquilo a deixou extasiada. Show? Seu pai e sua mãe eram ricos, eram o quinto casal mais rico dos EUA. Eles sempre quiseram ajudá-las, porém Megan e Violet queriam andar com as próprias pernas. E tinha Bea e Rachel. Eram suas amigas, praticamente irmãs. Não podiam deixá-las na mão. O que o pai e a mãe conquistaram eram deles, elas queriam conquistar o delas.

– Show? – Megan se levantou. – De quem?

– Já disse que é surpresa. – Ele abafou um riso. – Vocês gostarão. E a segunda, bem, é mais um presente para minha empresa.

– Não entendi... – Megan realmente não havia entendido.

– Recebi uma coleção nova da Gucci. E quero mostrá-la ao público. Então eu pensei, por que não dar alguns vestidos para as minhas lindas filhas?

– Você quer dar vestidos da Gucci, para mim e a minha irmã? – Perguntou incrédula.

– Não só a você e à Violet. E sim a todas as mulheres que irão amanhã ao evento.

Aquilo sim era algo maravilhoso. Um absurdo enorme, mas maravilhoso. Todas as mulheres desfilando com um magnífico vestido da Gucci. Seria perfeito, tanto para a empresa de seu pai quanto para a dela. Megan sabia que algumas mulheres de sua empresa não poderiam comprar um vestido tão caro assim, mas dar a elas um... Nossa! Aquilo seria um ótimo incentivo! Até ela queria um vestido da Gucci!

– Mas pai, é muita mulher! – Megan andava de um lado para o outro. – Haja vestido!

– Bom, eu tenho uns 14 modelos aqui... – Ele disse contando mentalmente. – Acha que precisa de mais?

Com certeza. Pensou.

Bom, ela tinha muito mais do que 14 mulheres, mas não diria isso a ele. 14 vestidos já estavam de bom tamanho. Faria uma seleção. Daria um ou dois a modelos e os outros ela daria a funcionários comuns. E claro que pegaria quatro para si. Não tinha nem pensado na roupa que usaria na festa e com certeza as meninas iriam adorar aquilo.

– Não pai, mesmo que eu precisasse quatorze já é ótimo.

– Tem certeza? Eu ficaria feliz em ceder mais.

– Não. O senhor já está fazendo muito. Que horas eles chegam?

– Se quiser posso enviá-los hoje querida.

– Ficaria muito feliz pai.

Eles se falaram durante mais algum tempo. Sobre coisas relacionadas à vida particular de cada um. Sua mãe estava querendo voltar a ser atriz e estava empolgadíssima com isso. Apesar da idade ainda era majestosa, nem aparentava estar na casa dos 40. Quando o pai ficou satisfeito de ouvir tudo sobre a vida da filha, eles se despediram carinhosamente. Megan colocou a capa de chuva e saiu correndo da estufa. O caminho até a porta do telhado não era longe então não se molhou muito. Desceu os degraus correndo e voltou para a cobertura.

*o*o*

Saga beijava delicadamente os lábios de Rachel. Estar com ele era como estar no céu. Ele era seu refúgio, sua paixão, seu porto seguro. Suas mãos percorriam o corpo dela com suavidade. Ele já conhecia cada parte daquele corpo. Sabia onde tocar, onde ela sentia prazer. Seus lábios foram descendo até a base do pescoço, lá ele se demorou um pouco, dando algumas mordidinhas suaves. Rachel soltava leves gemidos de prazer.

Saga adorava escutar os gemidos dela, adorava tudo nela. A tonalidade da pele, a cor dos cabelos, o jeito como os mesmos caiam pelas costas, o perfume que ela usava, do sorriso travesso que se formava em seus lábios sempre que ele tirava a roupa dela, gostava até das pintas que ela tinha no corpo. Com Rachel foi amor à primeira vista. Ela era perfeita.

As mãos dele foram descendo até a base da blusa dela. Suas mãos entraram por de baixo da blusa acariciado a pele aveludada de Rachel. Com agilidade e destreza ele soltou o fecho do sutiã , deslizando para frente até tocar-lhe os seios. Os seios se encaixavam em suas mãos perfeitamente. Saga podia sentir os lábios dela em seu pescoço, e a cada beliscão que ele dava em seus mamilos, ela o mordiscava e sussurrava seu nome com carinho.

Colocou-a deitada em sua cama. Pressionou seu corpo contra o dela ao mesmo tempo em que suas mãos ágeis brincavam com os seios. Rachel enlaçou as pernas na cintura de Saga, podia sentir a ereção dele contra a sua pelve. Uma de suas mãos estava fixa nos cabelos escuros dele e a outra em suas costas. Suas unhas passavam delicadamente por ali, fazendo-o se arrepiar de prazer.

– Saga, preciso que... – Kanon parou no batente da porta olhando para o irmão e a namorada em um momento constrangedor. – Merda! Desculpem-me. – Ele virou e ficou de costas para os dois. – Eu não sabia que a Rachel estava aqui em casa.

Rachel rapidamente se encolheu atrás de Saga, que espumava pela boca de raiva. Sentiu todos os músculos do namorado se tencionarem. Ele lançou um olhar mortal para Kanon antes de se dirigir a ela.

– Desculpe-me pelo meu irmão, ele ainda não aprendeu a ter bons modos e a bater na porta. – Saga depositou um beijo nos lábios macios de Rachel. – Eu já volto.

E assim ele a deixou. O quarto de Saga é amplo e bem iluminado. As janelas dão para a ponte de Manhattan. A visão realmente é magnífica. Rachel ficou ali observando tudo com muita calma. Ainda sentia em alguns lugares de seu corpo um calor gostoso. Ansiava pelo toque dele mais uma vez. Deixou seu corpo cair de encontro a cama, fechou os olhos e relaxou um pouco mais.

o*o

– Então Kanon, o que quer? – Perguntou irritado.

– Cara me desculpe, eu realmente não sabia que ela estava aqui. – Kanon realmente parecia arrependido.

– Tudo bem, já passou. – Saga olhou para a porta de seu quarto, estava doido para voltar lá e terminar o que havia começado. – Se puder ser breve, eu iria adorar.

– A sim, claro, sei que tem coisas a fazer. – Kanon sorriu. – Então, eu quero saber como que a boate vai ficar amanhã. Nós iremos à festa de inauguração da Beauty, você pretende colocar alguém no nosso lugar ou fechará a casa?

– Eu ainda não pensei nisso. – Ele disse passando as mãos pelos cabelos. – Talvez seja melhor fecharmos amanhã. Não confio em ninguém para ficar lá e as pessoas em quem confio estarão conosco na festa.

– Então vou ter que avisar ao Hércules para não vender entradas para amanhã. E ainda vou ter que preparar um comunicado... Vou avisar as meninas e ao DJ, um dia de descanso! Eles vão gostar e o DJ pode avisar hoje que amanhã não abrirá. – Kanon largou-se no sofá e começou a mexer em seu laptop. – Merda Saga. Tem tanta coisa para eu resolver, você podia me ajudar. Dispensa a Rachel hoje e me ajuda nisso aqui. Amanhã vocês estarão juntos!

– Você é muito engraçadinho, não é Kanon? – Saga serra os punhos. – Você não faz quase nada naquela boate, só sabe se divertir! E quando seus amigos estão, piorou! E agora que tem que resolver algo sozinho, não consegue? Quer mole, senta no pudim.

E com isso ele largou o irmão sozinho na sala e voltou para o seu quarto. Não ia dispensar Rachel por causa do irmão. Ele já era um adulto e podia resolver seus problemas. Ele que não podia ficar naquele estado, prestes a explodir e ainda deixar a namorada ir embora. Desta vez Kanon teria que resolver tudo sem ele.

*o*o*

Compras, compras, compras. Violet queria muito um sapato de salto preto com spikes prateados. Ela já o tinha visto em uma loja da Prada, na 5th Avenue. Já sabia até o preço. Usaria amanhã à noite. Não sabia a roupa ainda, mas o sapato com certeza seria aquele.

As ruas de New York estavam cheias apesar da leve chuva. As pessoas usavam seus casacos compridos, cachecóis e lindas botas de couro. Violet estava simples. Uma bota de couro preta de cano alto, uma legging da mesma cor e uma

blusa branca de mangas compridas. Por cima um sobretudo preto com um cachecol vermelho enrolado no pescoço. Os cabelos estavam soltos e usava duas argolas pratas nas orelhas. Mantinha as mãos dentro dos bolsos do sobretudo, pois o clima em New York estava bastante gélido.

Enquanto caminhava, observava as pessoas que passavam ao seu redor. Adquiriu esse costume quando era pequena. Cada uma delas presas em suas vidas pacatas. Sempre que andava na rua sozinha, tinha a ligeira impressão de ser seguida. Suas mãos ficavam suadas e seu sistema nervoso lhe enviava calafrios que faziam seu corpo se arrepiar. Violet tinha a mania de andar olhando ao redor, sempre a procura de alguma coisa ou de alguém. À procura não, no fundo ela não queria achar a pessoa, ela só queria se certificar de que estava a salvo.

Conforme olhava para trás, esbarrou em algo duro. Sentiu seu corpo perdendo o equilíbrio e uma mão forte tentando a manter de pé. Porém a força do impacto foi tão forte que, seja quem fosse que estava tentando ajudá-la, não conseguiu, fazendo com que os dois caíssem no chão. Ela caiu sentada e ele para não bater de cabeça com ela, levantou a mão esquerda em reflexo para tentar se apoiar. Quando deu por si, estava ajoelho na sua frente com uma das mãos em seu seio. Rapidamente percebendo aquilo, ele retirou a mão e sua face ficou vermelha. Violet ficou sem palavras. Primeiro, ele era lindo. Segundo, ela não se incomodava de ficar ali admirando a beleza dele.

– Desculpe-me. – Disse levantando-se e ajudando-a em seguida. – Você se machucou? – Perguntou.

– Não, eu estou bem. – Violet não parava de olhar para ele. Como que ela não vira um homem desse porte? – E você? Está bem?

– Sim. – Ele também a encarava. – Eu não te vi. Estava com a cabeça em outro lugar.

– Eu também. – Disse ela. – Então, já que já tivemos um contato mais íntimo, você poderia ao menos me dizer seu nome? – Perguntou sorrindo.

– Shion. – Ele respondeu um pouco sem jeito. – Sobre isso, me desculpe eu não tive a intenção.

– Tudo bem. Eu sei. – Ela falou ainda sorrindo. – É bom ser apalpada de vez em quando. – Falou ironicamente. Vendo a expressão de vergonha e espanto no rosto dele, Violet sorriu. – Eu estava brincando! Não precisa me olhar desse jeito!

Shion olhou para ela perplexo. De onde aquela mulher havia saído? Limitou-se a sorrir. Estava completamente sem graça e ela o fazia ficar mais desconfortável ainda. Algo que era incrível, principalmente por ele ser psiquiatra. Recebia o mais variado tipo de pacientes todos os dias em seu consultório. Mas algo nela era diferente. Talvez a expressão corporal, ou o olhar, talvez tudo. Uma mulher diferente de todas as que ele já conheceu.

– Vai querer tirar uma foto também? – Ela perguntou olhando para ele. – O que está passando pela sua cabeça?

– Nada. – Ele disse sem jeito. – Eu tenho que ir.

– Claro. – Ela disse sorrindo. – Cuidado para não esbarrar essas suas mãos grandes no seio de mais alguém. – Violet falou piscando o olho para ele. Sorriu e o deixou para trás.

*o*o*

O consultório de Ginecologia e Obstetrícia de Camus era um dos mais conhecidos de Nova Iorque. Ocupava o quadragésimo terceiro andar inteiro de uma das altas torres comerciais que a cidade tinha a oferecer. Havia até mesmo rumores que a aclamada cantora Beyoncé fazia suas consultas semestrais com o médico francês, embora tudo fosse feito sob extremo sigilo e profissionalismo.

Aquele era Camus, um exemplo de profissional. Sério, um tanto frio e completamente impessoal com suas pacientes, o francês jamais tivera qualquer problema em seus cinco anos de profissão. Nenhum sussurro de escândalo, nenhuma mancha em sua extensa ficha profissional. Sempre foi um prodígio, até mesmo no campo profissional. Era por isso, provavelmente, que as mulheres que aguardavam pelo horário de suas consultas não haviam estranhado a presença de um homem ali, que entrara sozinho, sentara-se em um puff rosa e passara a folhear uma revista de gravidez, como se fosse à coisa mais normal do mundo. O fato do homem ser extremamente atraente provavelmente contribuia para a falta de reclamações.

Loiro, alto, sarado e de olhos azuis, a confiança de Milo era tanta que o modelo nem piscou ao adentrar a sala de espera, cheia de mulheres aguardando para passarem por exames íntimos. Por que deveria se sentir constrangido? Ele era um presente para a mulherada, afinal. Camus deveria agradecer por ter decidido visitá-lo!

Verdade fosse dita, o modelo não estava ali exatamente para uma visita social, mas aquilo era um mero detalhe.

Olhou o relógio de ouro no pulso. Cinco da tarde, precisava se mover ou se atrasaria para o evento beneficente daquela noite. Guardou a revista que tinha em suas mãos e levantou. Ajeitou a camisa e piscou para a mulher que o espiava com o canto dos olhos.

Com um aceno para a recepcionista, marchou para o corredor que dava ao consultório. Abriu a porta sem bater e foi entrando.

o*o

Bea conhecia Camus há anos. O médico era um amigo de infância de Milo, um de seus melhores amigos, praticamente seu irmão, mas ela só foi realmente conhecê-lo quando passou a ser sua paciente, assim que ele montara seu consultório. Foi uma de suas primeiras pacientes, por isso ainda conseguia agendar uma consulta na apertada agenda de Camus, que ascendera profissionalmente tão rápido que parecia até por intervenção divina.

Tentou fazer uma piada uma vez, dizendo que o sucesso do ruivo se devia a sua boa aparência. Camus a respondeu com o olhar mais gélido que já recebera, ergueu uma sobrancelha e a deixou rindo sozinha. Depois disso sua relação com o francês passou a se resumir em entrar no consultório, tirar a roupa, colocar aquele avental (ridículo, em sua opinião), deitar na cama, abrir as pernas, fechar as pernas, colocar a roupa e ir embora. Claro, e pagar pela consulta também. Honestamente, pelo preço que ela pagava, deveria vir uma sessão de sexo selvagem de brinde.

Pensando bem, vindo de Camus, Bea se perguntava se ele havia feito sexo, qualquer tipo de sexo, desde que casara com Pandora.

Fez uma careta. Pensar na vida sexual do seu ginecologista no meio de uma consulta. Adorável.

Camus, entre suas pernas erguidas para o alto, uma em cada direção, tinha a mesma expressão de fria indiferença que usara no dia de seu casamento. Ele poderia

estar assistindo History Channel, ao invés de estar examinando uma vagina, e ninguém saberia a diferença pela sua cara.

– Está tudo normal, Belladonna. Saudável, como sempre.

– Eu uso preservativo, Camus. - A mulher de cabelos rosa sorriu diabolicamente - Sempre. Em todas às vezes, não importa quantas vezes seguidas.

Camus nem piscou, apenas assentiu e ergueu seu olhar para encarar a mulher.

Poker face, pensou Bea.

– Espero que continue assim, senhorita Belladonna.

– Claro Camus. Camisinha é a alma do negócio!

– Ela sabe até como colocar com a boca. Porra, aquela vez foi foda, hein Bea?

Camus se levantou em um pulo. Bea soltou um palavrão e tirou as pernas de onde estavam sustentadas para permanecerem erguidas, as fechando com força.

Milo assistia a tudo a alguns passos dos dois, parecendo extremamente satisfeito por ter pegado o par desprevenido.

– Oi Camus, amigão! Bea, querida, suas partes continuam encantadoras! Um pouco mais secas do que eu lembro...

Camus abriu a boca para reclamar, indignado com a situação, mas Bea foi mais rápida.

– Vai tomar no meio do seu cu, Milo! Que porra você está fazendo aqui, caralho? Que porra é essa?! Mas que PORRA, Milo!

O loiro gargalhou ao mesmo tempo em que Camus a repreendeu pela linguagem no consultório médico. Um lugar sagrado, um lugar para contemplação, para a proteção do corpo feminino, para preparação e criação de uma nova vida!

– O que ele quis dizer, o lugar em que ele pode ver vaginas o dia todo, e ganhar pra isso ainda.

Camus respondeu qualquer coisa em francês. Noventa por cento de chance de ser algo ofensivo. Oitenta por cento de ser um palavrão. Cinquenta por cento de envolver a mãe do modelo.

Bea pulou da cama, seu rosto tomado por uma tonalidade vermelha. Milo pensou em comentar que o rosto da mulher estava combinando com o cabelo, mas levando em conta que se ela decidisse pular em seu pescoço, a única testemunha - Camus - não faria nada para ajudá-lo, achou melhor manter os lábios fechados.

Camus tentava segurar o impulso de arrancar os próprios cabelos. E de enforcar Milo com seu estetoscópio. Fechou os olhos e começou a contar, de trás para frente. A partir do cem. Em latim.

– Sério Milo, de todas as merdas que você já vez, essa foi a mais fedida! O que você está fazendo aqui?

O loiro deu com os ombros, a mais inocente expressão em seu rosto.

– Precisava vir ver Camus e ele se recusou a me atender. Sabia que você estaria aqui esse horário e não dava pra entrar na consulta de alguma mulher, né?

Bea abriu e fechou a boca algumas vezes, estupefata. Enquanto isso, Camus voltara para trás de sua mesa, se sentando na cadeira. Pegou o telefone e mandou a secretária avisar que atrasaria as próximas consultas em pelo menos meia hora.

– E eu sou o que? Um macaco?!

– Você é quase um homem, Bea, só faltou nascer com pênis.

– Vai se foder, Milo.

– Exatamente disso que eu estou falando!

Antes que a mulher realmente matasse o amigo, Camus achou melhor interferir no circo que havia se formado no seu consultório. Que ultraje.

Cogitou a possibilidade de nunca mais atender Belladonna de novo. Teria que

trocar seu telefone também, para Milo não conseguir mais localizá-lo. Pensando melhor, teria de se mudar.

– Belladonna, se você puder colocar suas roupas, acredito que a consulta já tenha terminado.

Bea fez uma careta e cerrou os punhos. Mostrar o dedo médio para o ginecologista não seria uma coisa exatamente esperta a se fazer. Ainda assim, a ideia era tentadora.

– Não, espera! - Milo quase pulou na direção do amigo - Preciso que você veja uma coisa!

Rápido e sem qualquer pudor, o homem abriu a calça, a abaixando junto com a cueca vermelha. Camus não conseguiu se controlar acertando um tapa na própria testa.

– Que MERDA é essa, Milo?! - Foi o francês que expressou sua indignação.

– Olha aqui! Aqui! - Ele pegou seu membro na mão, mostrando a lateral, quase na virilha, onde uma inocente pinta se encontrava - Você está vendo, Camus?! O que é essa mancha? Camus, e se for uma DST?

Milo parou alguns instantes, como que refletindo sobre algo.

– E se eu peguei dela?! - Apontou para Bea com a outra mão - Tem certeza que ela está limpa?

– O que você disse?!

– Mon Dieu, levante as calças homem!

Foi tudo dito ao mesmo tempo. Milo, muito de mal grato, subiu as calças, enquanto Bea lhe xingava e Camus olhava para cima e resmungava coisas em francês.

– Acho melhor você ir, Belladonna, sinto muito por isto, enviarei mais tarde um pedido formal de desculpas.

– Que se foda essa merda... - Bea resmungou e com um último soco no bíceps de Milo foi colocar suas roupas.

Antes que o modelo pudesse falar qualquer coisa, Camus ergueu a mão. O olhar do médico foi suficiente para que Milo se calasse.

Quando Bea voltou, Camus lhe garantiu que não precisava pagar por aquela "consulta". Mais tarde pediria para a secretária mandar-lhe flores, como retratação pelo fiasco. Depois demitiria a mulher, que não tinha a competência para impedir que um homem entrasse em seu consultório no meio de uma consulta.

Depois que Bea finalmente havia deixado o lugar, batendo a porta com forca suficiente para fazer a sala tremer, Camus se voltou para Milo.

– Você vai sair do meu consultório e nunca mais voltar. - Antes que o amigo pudesse interrompê-lo, Camus prosseguiu com o discurso - Eu atendo mulheres, Milo, mulheres! Então a menos que você pretenda fazer uma operação de mudança de sexo, eu sugiro que você suma da minha frente.

– Mas Camus, a mancha...

– Você quer uma operação de mudança de sexo, Milo? Porque eu posso providenciar para você. - Camus respirou profundamente - Quero você e sua mancha longe do meu consultório. Agora.

Milo, que a essa altura já estava branco feito papel, ofereceu um sorrisinho antes de se levantar.

– Já que você coloca dessa maneira... Até depois, Camus!

E saiu caminhando do consultório, como se não tivesse armado um circo poucos minutos atrás. Camus deixou sua cabeça cair contra a mesa, agora que estava sozinho.

Amaldiçoado fosse Milo. Por que havia aceitado a amizade do loiro, tantos

anos atrás? Talvez devesse realmente se mudar...

Sentiu seu celular vibrando no bolso de sua calça. Suspirou pesadamente. O que mais faltava acontecer? Ao conferir o identificador de chamadas, sua pergunta obteve uma resposta. Pandora, sua mulher.

Iria se mudar para a Antártica, com apenas pinguins como companhia. Ah, como isso seria uma sonho...

*o*o*

Pandora trabalhava em um hospital em Manhattan. Era um hospital público. Grande e com cinco andares. O hospital tinha de tudo. Desde atendimento de emergência a cirurgias plásticas. Vivia cheio. Era sempre um entra e sai. Ambulâncias chegando e saindo. A maioria dos hospitais faziam transferências de seus pacientes para lá. Além de ter todos os tipos de atendimento, os melhores equipamentos ficavam lá. A procura era enorme.

Pandora é uma pediatra famosa, apesar de não gostar muito do que faz. Queria trabalhar na parte do trauma ou até mesmo CTI. Lidar com adulto é muito mais fácil do que lidar com criança. Crianças são chatas, choram à toa e vivem fazendo dengo, além de não entenderem o que você diz. Pior ainda era com os recém-nascidos. Que só sabiam chorar, sujar fraldas e babar. Era a única forma que eles tinham para se comunicar com o mundo adulto. Pandora fizera especialização em Pediatria porque achava que seria algo agradável, cheiro de criança é muito bom. Cheiro de criança limpa, diga-se de passagem. Mas estava enganada. Gostava de medicina, era a sua paixão, mas trabalhar com criança estava a deixando triste.

Além das crianças ainda tinha que aturar as mães chatas e idiotas, o que constituía a grande maioria. Elas acham que a criança é um tipo de boneca, e largam elas por ai. E quando acontecia algo, vinham trazendo-as desesperadas. Por mais que Pandora falasse, explicasse e recomendasse às coisas, no mês seguinte a mesma mãe estaria ali, entrando no consultório dela com a criança em seus braços.

O consultório em que Pandora atendia ficava no quinto andar do hospital. A ala de pediatria, UTI Neonatal, tudo relacionado à criança ficava em seu andar. Ela era responsável pelo setor todo, ela é mais duas médicas. Cada uma ficava em um lugar específico. Pandora ficava no atendimento de emergência e consultas. Ela era praticamente a pessoa que fazia a triagem das crianças. Já as outras duas ficavam na parte de queimaduras, oncologia, UTI entre outros. Elas não eram as únicas médicas, mas eram as responsáveis.

Sua sala não era muito grande. Tinha uma pequena mesa de mogno brilhante em frente a uma janela coberta por uma persiana lilás. Um MacBook, um telefone e objetos de escritório estavam arrumados perfeitamente em cima da mesa. Uma maca e uma balança a direita. Um pequeno lavabo à esquerda. As paredes eram brancas e algumas borboletas e flores estavam espalhadas por elas. Pandora estava ali sentada. Tinha ligado para o marido várias vezes naquele dia. Mas ele não atendera nenhuma vez se quer.

Camus era assim, calado e frio. No começo ela gostava daquele jeito. Casou-se com ele e pensou que fosse viver feliz para sempre, mas nem tudo acontece da forma que se quer. O relacionamento deles foi esfriando e agora mais parecia um Iceberg. Apesar dele não tê-la atendido, Pandora sabia que ele iria vir buscá-la. Ela não dirigia, não gostava. Preferia pegar um taxi ou na maioria das vezes o marido a levava e a buscava. Estava atualizando uma ficha de uma paciente no computador quando sentiu o cheiro do perfume dele invadir suas narinas.

A porta se fechou com um pequeno estalo e logo depois ela ouviu a porta sendo trancada, aquilo a fez levantar a cabeça para encará-lo. Ele estava sério como sempre. Seus longos cabelos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo e seu olhar era penetrante.

– Aconteceu alguma coisa? - Perguntou levantando da cadeira. – Está mais sério do que o habitual.

– Tire a roupa.

– O quê? - Perguntou incrédula.

– Vou te comer, aqui e agora! - Camus só queria extravasar a raiva que estava sentindo. Ele percebeu que ela hesitara. - Agora Pandora! - Ordenou mais uma vez.

Ela ficou ali parada pensando. Sabia que a sala estava trancada então não tinha problema nenhum. Mas aquilo a incomodava. Fazer sexo no seu ambiente de trabalho era algo errado, mas no momento em que ele a puxou para perto do seu corpo rígido, ela parou de pensar.

Tirou tudo. Jaleco, vestido, calcinha, acessórios. Só ficou com os cabelos presos em uma trança elaborada. Ele a estudou. Ela era branca, magra e tinha seios medianos. Ele gostava do corpo dela, mas não era tão diferente das mulheres que ele atendia. Ela o deixava excitado sim, mas somente isso. Era algo carnal. Os sentimentos que nutriam um pelo outro já morreram há muito tempo. Ele a pegou pelo pulso e colocou debruçada sobre a mesa. Os quadris dela estavam empinados na direção dele. Ele abaixou as calças e a cueca, introduzindo seu membro ereto na vagina dela. Com a mão esquerda segurou a trança dela e com a direita o quadril. Começou os movimentos rápidos e ritmados. Pandora gemia baixinho. Gostava do jeito bruto dele, mas queria algo diferente.

Queria um pouco mais de amor, carinho e gentileza. Não demorou muito para sentir o gozo dele dentro de si. Ele não a esperou gozar, saiu de dentro dela do mesmo jeito que entrou. Rápido. Aquilo sempre a incomodava, ele não dava prazer a ela já há algum tempo. Eles quase nunca transavam e quando faziam era daquela forma. Pandora tinha que se satisfazer sozinha. Ela já podia ouvir o ziper da calça dele sendo fechada. Levantou-se da mesa e virou para olhá-lo. Nada. A expressão dele era a mesma. Indiferente.

– Coloque as suas roupas e vamos embora. - disse ríspido.

Foi o que ela fez. Colocou as suas roupas, desligou seu computador, pegou a sua bolsa e foi embora ao lado dele. Como dois completos estranhos.

*o*o*

A academia estava lotada. Mulheres e homens malhavam sem parar. O primeiro andar era composto por um balcão que ficava na entrada, onde duas recepcionistas ficam controlando a entrada e saída das pessoas. Atrás delas um grande espaço, onde ficavam aparelhos de ergometria. Esteiras, bicicletas, pesos para pés entre outras coisas. Algumas mulheres estavam deitadas no chão, em cima de um grande tatame, onde fazia flexões e abdominais. O espaço era todo espelhado para que as pessoas pudessem se ver ao malhar. Grandes caixas de som eram fixadas em pilastras, de onde podia se ouvir o som de David Guetta. Uma grande escada de ferro na lateral direita dava para o segundo piso.

O lugar era enorme. No canto direito, equipamentos de musculação. Os mesmos estavam lotados, as pessoas faziam rodízio em cada um para todos usufruírem. Apesar da música alta, era possível se escutar conversas animadas pelos frequentadores. Do lado esquerdo uma sala toda espelhada com barras fixadas a parede oposta. Lia-se na porta 'sala de dança' e 'sala de luta'. Estava vazia. Ao lado da sala um pequeno escritório. As janelas estavam com insulfilme, impossibilitando qualquer pessoa de fora de ver o que estava dentro. No fundo, mais uma escada e duas portas cada uma com um desenho na frente. Uma com um menino e a outra com uma menina. Vestiários. A escada que ficava ao lado dos vestiários levava a piscina. Aulas de natação só eram dadas na parte da manhã, a parte da noite, a porta sempre ficava fechada, para que as pessoas não fizessem algo inesperado e obtivessem problemas depois.

Dohko estava sentado em sua cadeira de couro preta, enquanto Shion estava sentado a sua frente. Os dois eram amigos de longa data. Estudaram juntos. Exceto na faculdade, já que Dohko cursou educação física e depois resolveu abrir seu próprio negócio.

– Então, fiquei sabendo que seu irmão vai começar a trabalhar em uma nova agência.

– Você sabe como é o Mu, ele não consegue parar em um lugar. – Shion passou as mãos pelos cabelos. – Espero que desta vez ele sossegue.

– E você meu amigo? Como anda o consultório? – Dohko assinava alguns documentos que estavam espalhados por sua mesa. – Mais algum maluco?

– Maluco tem em todo lugar. – Shion deu de ombros. – Mas hoje de manhã me aconteceu algo inusitado.

Dohko retirou o olhar de seus documentos e passou a analisar Shion. Eles se conheciam há muito tempo e ele sabia que algo estava incomodando o amigo.

– Desembucha logo. – Falou ainda o encarando. – Está com cara de ser mulher.

– E é uma mulher. - ele falou sem graça. – Cara, você acredita que ela esbarrou em mim e quando eu fui segurá-la, acabei me desequilibrando e... – Shion olhou para um ponto fixo na parede.

– E... – Dohko balançava a cabeça incentivando o amigo. – Fala logo!

Shion respirou fundo por algumas vezes. Soltou o ar e encarou o amigo mais uma vez.

– Apertei o peito dela. – Disse rápido demais. Queria que o amigo não visse a vergonha estampada no rosto dele.

– Você o que? – perguntou Dohko se controlando para não rir. Ele tinha escutando o amigo, mas queria escutar de novo, queria ouvir aquelas palavras de novo.

– Apertei, apalpei, toquei o que você quiser imaginar, a porra do peito dela.

E a sala se encheu de gargalhadas. Dohko encostou-se à cadeira e ria descontroladamente. Shion desviou o olhar, pra não ter que encarar o amigo, mas passado alguns minutos caiu na gargalhada junto com ele. Ficaram rindo por alguns minutos, quando os dois se acalmaram ficaram em silêncio pensando no que tinha acontecido ali.

– Gostou? – Perguntou depois de um tempo se controlando para não voltar a rir.

– Porra Dohko! – Shion o repreendeu. – Foi um acidente.

– Bem que eu queria um acidente desses. - ele disse sorrindo para o amigo. – E ai, pegou o telefone dela?

– Ficou maluco? Claro que não, não sabia nem onde enfiar a minha cara. – Shion se levantou e ficou andando de um lado para o outro. – Mas ela perguntou meu nome.

– E o dela qual é? – Ele perguntou. – Ou posso chamá-la de garota dos peitos?

– Não sei, não tive a chance de perguntar. – Shion olhou para o amigo sério. – E não ouse fazer isso.

– Você não me deu um nome, então agora eu tenho que chamá-la de garota dos peitos. – Dohko deu de ombros analisando o que tinha dito. – Ela tem peitões?

– Coube certinho na minha mão... – Shion calou a boca e ficou a encarar o sorriso largo na cara do amigo. – Mas que merda! Chega de falar dela.

– Ok. E do que você quer falar?

– Eu vim aqui te fazer um convite.

– Não acho legal você vir aqui me chamar para sair apalpando os seios dos outros na rua. – Falou sério.

– Muito engraçado Dohko. – Shion voltou a se sentar. – Meu irmão, como eu disse antes, vai começar a trabalhar amanhã nessa nova agência, e a noite vai ter a inauguração. Queria saber se você quer vir comigo, você sabe que o Mu vai ficar tirando foto com os outros modelos, ter que fazer social aqui e ali, vai ter mídia e tudo mais e eu ficarei sozinho.

– E você quer que eu vá para ser a sua dama de companhia?

– Não. Quero dizer, sim. – Ele estava confuso. - Quero que vá porque é meu amigo e pela companhia também.

– Tudo bem cara, você me convenceu.

– Fala suas putas! – Aldebaran tinha aberto a porta e estava com a cabeça para dentro. – Estou atrapalhando o encontro de vocês?

– Entra, sua bicha enrustida! – Falou Dohko levantando da cadeira. – Senta ai e vamos falar sobre peitos.

– Estou dentro. – Falou Deba, sentando-se ao lado de Shion. – Peitos de quem? – Perguntou para os amigos. - E você loiro, tudo beleza? – Perguntou a Shion.

– Tudo na paz. – Disse cruzando os braços contra o peito. Aquela conversa ia render.

– Porra, você está ficando igual a um touro, Deba. – Dohko disse incrédulo. – Está tomando bomba?

– Isso aqui é pura malhação! – Falou beijando os bíceps – Mas de que peitos estão falando? – Perguntou.

– De nenhum. – Falou Shion. – Estávamos falando sobre a inauguração da agência em que meu irmão irá trabalhar.

– Sei. Você adora esconder o jogo. – Deba deu um tapa no ombro do amigo. – Tudo bem, um dia eu vou encontrar dois pares de seios perfeitos também.

– Com essa massa muscular toda, eu não duvido. – Dohko falou sorrindo. – Bora em uma festa amanhã com a gente?

– Já tenho compromisso. – Ele falou triste. – Tenho que organizar o Buffet de um evento que vai ter em Manhattan. Vai ser algo chique. Eles querem comida brasileira, estou lotado de coisas para fazer, organizar os garçons, as bebidas, os frios, tudo que você possa imaginar.

– Que engraçado, a festa que vamos é lá em Manhattan também. – Falou Shion. – Se der passa lá. Vai ser em uma nova agência de modelos.

– Que agência? – Perguntou Deba.

– Beauty...

– Enterprises. – Completou Deba. – Meus caros amigos, nós iremos nos esbarrar por lá!

– Que mundo pequeno.

Shion e Deba concordaram. Os três ficaram ali jogando conversa fora e

sacaneando um ao outro. Falaram sobre tudo, sobre peitos, sobre a menina estranha, sobre as modelos da festa, sobre quem é que vai pegar quem, sobre o restaurante do Deba, sobre o fato dele estar forte e não malhar tanto. A conversa fluía normalmente. E eles mal podiam esperar pela noite de amanhã.

*o*o*

Ana é o tipo de pessoa prática. Também é tipo de pessoa que quando quer algo, vai até o final. E foi o que ela fez. Morar em São Paulo sozinha era o que ela mais gostava de fazer. Sozinha não, com seus animais. Tinha cinco calopsitas, Yuuichi, Samus, Kawa, Chitãozinho e Xororó. Um cachorrinho chamado Hikaru, que acha que é gente, e uma ararajuba chamada Konori, que acha que é um cachorro. Amava todos eles de paixão. Eram sua vida. Sua família.

Ana estava de mudança. Sairia de sua zona de conforto e iria para outro país. Sua mãe havia ficado estérica. Primeiro porque ela era cadeirante, segundo que ela possuía aquilo tudo de animal e terceiro porque a mãe era paranóica mesmo e gostava de colocar empecilho em tudo o que ela fazia. Mas já havia tomado uma decisão. Tomou a partir do momento em que enviou seu currículo. Pensou que não fosse ser aceita por morar em outro país, porém estava enganada, o que era muito bom.

Megan havia ligado para ela pessoalmente a convidando para trabalhar em sua empresa. E não era um cargo alto nem nada. Era só a função de recepcionista. Apesar de Ana ter faculdade de psicologia, era muito caro para ela manter um consultório, então resolveu juntar dinheiro e quando estivesse estabilidade, montaria um consultório para ela. E estando em outro país as coisas poderiam ser um pouco difíceis, mas ela conseguiria.

Megan havia lhe dito que a empresa arcaria com as suas despesas. Pagaria a passagem e a locação dos animais dela, para o novo país. Além disso tudo, a empresa ainda forneceu um lugar para ela morar. Um pequeno apartamento. Era tudo o que Ana poderia querer.

Depois da despedida chorosa com a sua família. Ana pegou o avião e partiu para os Estados Unidos. Chegou tarde da noite e um motorista particular a esperava. Ana imaginava que fosse alguém da empresa, trocou alguns breves acenos de cabeça com o motorista e passou a admirar as luzes de Nova York. A empresa ficava em Manhattan, obviamente o apartamento de Ana, era somente a uma quadra dali.

Quando chegou, as luzes do primeiro andar estavam acessas. Havia uma rampa na lateral e uma escada à frente, o motorista a empurrou até a entrada do edifício. Não que Ana precisasse de ajuda, mas ele fez de bom grado e ela não recusou. Lá dentro ele chamou o elevador para ela e quando o mesmo chegou, ele sorriu e foi embora, enquanto Ana adentrava. Não demorou muito, afinal de contas ela ficaria no primeiro andar. Estava preocupada com os animais, mas logo seu coração se acalmou quando um barulho reconfortante preencheu o corredor. Sim, seus bichos estavam bem. Foi empurrando lentamente as rodas, quando chegou à porta, uma mulher de longos cabelos loiros estava andando de um lado para o outro. Trajava um jeans simples e uma blusa de manga branca de botões, com sua Ararajuba em seus calcanhares.

– Konori. – Chamou Ana. O passarinho voou em sua direção. Pousou em seu

colo e deitou, para que a dona fizesse carinho em sua barriga. – Ele acha que é um cachorro. – Disse Ana sorrindo e acariciando o animal.

– Eu percebi. – Falou Megan. – Eles me deixaram louca. Principalmente esse ai. - disse ela apontando para o passarinho.

– Obrigada pela oportunidade. – Disse Ana. Seus longos dedos ainda acariciavam a ave.

– Eu que agradeço por aceitar. – Megan sorriu. – Bom, eu tenho que ir. Todas as suas coisas estão devidamente em seus lugares, tomei a liberdade de colocar as caixas em cada cômodo específico. Eu ia até pedir alguém para arrumar, mas acho que isso é algo pessoal demais. – Megan analisou o apartamento. – Esse lugar estava precisando mesmo de um pouco de amor e carinho.

– Isso eu darei com certeza. Eu e os meus filhos. – Ela falou olhando as calopsitas em suas gaiolas e observando seu cachorro deitado contra o piso de madeira da sala. - Obrigada mais uma vez.

Megan apertou delicadamente a mão de Ana, tomando cuidado para não incomodar o passarinho em seu colo. Sorriu e foi embora. Amanhã seria um dia corrido e agitado.

Quando a porta se fechou Ana suspirou e olhou ao redor. Foi empurrando as rodas da cadeira calmamente para analisar cada cômodo com cuidado. O apartamento era pequeno. Acolhedor igual ao seu em São Paulo. Possuía uma cozinha, uma pequena área, uma sala, um quarto e dois banheiros. A cozinha e a sala eram juntas, uma mesa retangular para quatro pessoas fazia a separação do ambiente. A cozinha já era mobilhada o que fez Ana agradecer Megan e as outras meninas ainda mais.

Tinha uma geladeira simples e um fogão quatro bocas um ao lado do outro. Uma pia revestida de mármore preto e alguns armários, para louças e mantimentos. Em cima da mesa, havia algumas caixas. Todos os itens da cozinha estariam ali dentro. Ela e a mãe organizaram tudo direitinho. Aos poucos ela ia arrumando tudo.

Colocou água e comida para o cachorro e para os passarinhos. Foi para o quarto onde viu uma grande cama de casal. E não chão ao lado, uma cama de cachorro. Ana sorriu olhando aquilo tudo, uma nova etapa de sua vida estava começando e ela já estava gostando.

*o*o*

A luz da lua iluminava o piso de madeira, onde Takumi Kiryu treinava kendô sozinho em um salão amplo. Pelas janelas abertas, uma brisa fresca adentrava o local.

Ele havia enviado seu currículo para uma empresa de moda. Estavam precisando de segurança e ele achou que devia tentar. Não demorou muito e entraram em contato com ele. Conversou com a sua família e se mudou para New York. Seus pais tinham parentes em Manhattan. O que facilitou o processo de mudança. Ficaria na casa dos tios, até conseguir algum dinheiro e alugar um cantinho somente seu.

Amanhã seria um dia longo, tinha que estar na empresa as seis em ponto. Ele e outros dois seriam responsáveis por abrir e fechar a agência. 12 horas de trabalho por dia. E folgas sábados e domingo e com duas horas de intervalo. 1 hora de manhã, logo quando chegar para tomar um café. E 1 hora no almoço. O salário era bom, talvez dentro de três meses pudesse alugar algum apartamento pequeno, ou até mesmo quem sabe dividir um com algum colega.

Amanhã também teria que providenciar um terno elegante para a inauguração

da empresa. Ele já sabia da festa por causa das donas. Como era segurança, tinha que saber. Apesar de ter insistido em trabalhar no horário da festa Megan o proibiu, disse que seria uma festa para se comemorar e ele deveria comemorar também e conhecer todos que irão trabalhar na empresa e fazer amizades.

Ryu não é muito de fazer amizades, apesar de ser calmo e gentil, tem um lado rude e pode ser grosso se necessário, não é muito de fazer piada e não sorrir para todo mundo. Seu sorriso era reservado a pessoas que gostava. Treinar era algo reconfortante. Tinha feito uma viagem longa e cansativa, mas estar treinando Kendô o acalmava e o fazia lembra-lhe de sua origem. Seus pais, seus irmão. Saudades. Talvez quem sabe mas para o futuro não conseguisse algo na sua área. Talvez com as "amizades" que fizesse aqui em New York, pudesse conseguir algo dentro da Engenharia Química. Mas por enquanto ficaria feliz com o seu novo serviço. Deitou-se no chão frio e ficou respirando lentamente, acalmando seus sentidos. Apurando a audição e o olfato. Relaxando.

*o*o*

– Marin. - Shaka bebericava sua cerveja. - Amanhã, você e o Connor irão cobrir um evento junto comigo.

– Evento? - Marin parecia desapontada. - Mas eventos são um saco.

– É a inauguração de uma nova empresa. - Shaka também não estava muito a fim de reportar isso, mas seus chefes queriam essa matéria completa. As empresarias tinham algum relacionamento com um sequestro há muito tempo. Seja o que for Shaka teria que ir. - Não será tão ruim assim Marin. Quem sabe você não consegue uma entrevista com algum socialite.

– Grande coisa. - Ela fez bico. - Eu sou uma repórter investigativa. - Marin juntamente com Shaka trabalhava para o The New York Times. - Gosto de ação e não de um bando de gente metida cheia do dinheiro. Além do mais, vai estar cheio de modelo lá. E eu não quero encontrar um em particular.

– Se você esta se referindo ao Milo, sim ele vai estar lá.

Connor estava sentado ao lado de Marin o que o deixava ligeiramente sem graça. O fato de estar perto de Shaka também o intimidava, ele era praticamente o seu chefe. Estava acima dele e dela. Shaka além de trabalhar escrevendo colunas no jornal, ainda trabalhava como ancora no jornal das 20 horas. Era totalmente profissional e inteligente. Connor só fazia alguns trabalhos para ele. Ultimamente vinha trabalhando mesmo com Marin. Era com ela que passava praticamente todos os seus dias.

Connor bebeu sua garrafa de cerveja de uma vez. Precisava relaxar, estavam ali para relaxar, mas o assunto trabalho sempre vem à tona. Marin adorava trabalhar 24 horas por dia e ele sempre gostou de segui-la por ai. Às vezes se arriscavam, mas estar com ela era algo encantador. Marin conseguia tornar os seus dias chatos em dias alegres e especiais. Connor trabalha como free lancer já algum tempo.

Ficou ali olhando de canto de olho para Marin. Ela estava com cara de poucos amigos. Seus cabelos vermelhos estavam presos em um rabo de cavalo e sua franja estava despenteada como sempre. Ele era o tipo de homem desleixado. Magro, barba por fazer, branco como leite. As pessoas olhavam para ele e viam um nerd. Usava um jeans surrado e uma camisa preta desbotada. Seus cabelos estavam completamente despenteados. Ele não fazia questão de mantê-los arrumados, Marin sempre que podia os bagunçava. Já era um ritual entre eles.

– Talvez não seja tão chato Marin. - Ele falou sem jeito.

– Claro que vai ser ruim! Aquele ser desprezível vai estar lá!

– Não interessa Marin. - Shaka estava cansado de discussão. - Nós três iremos e ponto final. Vamos cobrir o evento todo. Depois você volta para os seus casos. Em falar em casos, como está indo com o desaparecimento daquela estudante? Sarah Collins, se não me engano. Alguma pista?

– Não. Só as mesmas coisas de sempre. Que ela estava em uma balada no centro do Brooklin com os amigos e não chegou em casa. Já faz uma semana que ela esta desaparecida. Estou estressada com esse caso, sem rastros, sem nada.

– Ninguém a viu. - Falou Connor. Aquele caso também o incomodava. - Parece que ela não existe.

– Vou ver o que posso descobrir. - Shaka parecia tão intrigado quanto os amigos. - Falem com a família dela. Eu vou até a boate que ela sumiu.

– Será que pode ser ao contrário? - Perguntou Marin. - Eu não sei lidar com a perda dos outros.

– Mas a menina talvez não esteja morta. - Connor queria acreditar naquilo.

– Depois de uma semana. - Marin o olhou incrédula. - Creio que ela já esteja cansada de estar morta. - Marin sabia que podia ter uma possibilidade da jovem estar viva, mas eram muito pequenas as chances. - Então Shaka, será que você pode lidar com a família?

– Ok. É melhor mesmo. Vocês dois são muito esquisitos.

– Obrigada pelo elogio. - Marin se levantou. - Vamos Connor, vamos andar pela cidade a procura de alguma coisa útil.

– Cuidado. - Foi à única coisa que Shaka disse. Ele voltou a tomar a sua cerveja tranquilamente.

Marin e Connor saíram do bar e foram atrás de alguma pista sobre a menina que estava desaparecida. Shaka ainda tinha que organizar algumas coisas para amanhã e tinha que ver um meio de ir até a casa da família de Sarah sem ser no seu horário de trabalho. Como seu tempo é bastante corrido e por ele ser uns dos melhores jornalistas dos Estados Unidos da América, vivia cheio de compromissos. A maioria passava para os amigos. Os outros, os quais ele se interessava e os quais não podia dizer não, ele mesmo resolvia. Amanhã seria um caso a parte. Ele sempre fizera o jornal no estúdio, porém amanhã estaria na rua, como se estivesse voltado ao começo da carreira. Para ele ser cogitado a fazer este trabalho, ainda mais desse jeito, o evento seria importante.

*o*o*

Mu penteava os cabelos castanhos claros com destreza. Estava perfeitamente arrumado, em um lindo "Black tié". Usava uma gravata borboleta preta e uma blusa de botões branca de manga comprida. O smoking estava alinhado e o caimento estava perfeito. Tinha um grande evento social esta noite. Um jantar para pessoas com deficiência auditiva. Arrecadariam fundos para ajudar uma associação bastante precária. Os modelos seriam leiloados e o comprador ganharia uma dança. Todo dinheiro seria arrecadado para a associação de surdos. Era um trabalho bom e reconfortante. Ajudar as pessoas fazendo aquilo que mais ama no mundo. Encontraria com Milo e Afrodite lá. Depois de passar gel nos cabelos e os mesmos estarem todo para trás. Colocou sua loção pôs barba e seu perfume da Calvin Klein.

Pronto para sair, verificou se o apartamento estava trancado e foi embora. Shion tinha a chave e logo depois estaria em casa. Sabia que o irmão estava com os

amigos na academia. Ele sempre ia até lá quando algo o estava incomodando. Mais tarde perguntaria o que o perturbava tanto. Não demorou muito para chegar até o local do evento. Estava sendo realizado em um grande barco.

Mu deu a chave do BMW para o manobrista e subiu a bordo. O lugar estava bem iluminado e muito bem decorado. Flores brancas e vermelhas estavam espalhadas pelo convés. Era um grande iate. Podia se ouvir o som de música clássica. As pessoas estavam muito bem-vestidas e bebiam champanhe e sorriam uns para os outros. Mulheres belas e chiques. Homens montados na grana.

Não deveria ter mais que 100 convidados. Garçons andavam de um lado para o outro com bandejas cheias de comida e bebida, nunca deixando os convidados de mãos vazias. Mu foi andando a procura de seus amigos, foi para o outro lado do convés e ouviu as risadas altas de Milo. Ele estava abraçado com duas modelos. Uma morena, cor de jambo e outra ruiva. A morena tinha os cabelos raspados e a ruiva, longas madeixas cacheadas. As duas eram belas. Milo acariciava o ombro das duas com destreza. Mu sabia que ele levaria as duas para a cama. Conhecia aquele olhar sonhador das mulheres sempre que estavam ao lado dele. Milo estava com seus cabelos loiros soltos. Estava bagunçado deixando-o ainda mais sexy. Usava um smoking preto e blusa branca por baixo também, porém com uma gravata vermelha. Um lenço de seda vermelho no bolso do smoking finalizava seu visual. Afrodite estava igual à Mu. Somente os cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo.

– Chegou tarde Mu. — Milo sorria radiantemente.

– Você que chegou cedo demais caro amigo. – Mu dirigiu um olhar para Afrodite que estava em pé com uma taça na mão. – Que horas que vai começar o leilão?

– Não sabemos. – Dite parecia entediado. – Essas festas podem ter um significado, mas são muito chatas.

– Eu adoro esses eventos. – Milo olhava de uma mulher para a outra. – Só tem belezura.

As duas modelos riam sem parar. Qualquer coisa que saia da boca de Milo era motivo para risos. Afrodite já estava ficando impaciente. Queria que o evento terminasse logo. Amanhã tinha uma sessão de fotos para fazer. Sua pele tinha que esta perfeita. Não demorou muito para uma mulher bela como todas as outras presentes no evento, começar a leiloar os modelos.

Afrodite foi o primeiro. Subiu e um pequeno palco e ficou olhando para o mar de gente. Os homens continuavam conversando, apenas alguns olhavam atentos para ele. Porém as mulheres... Seus olhos eram de fome. Elas estavam famintas e só seria uma dança. Os lances começaram na base de sete mil dólares. Conforme a mulher falava ao microfone, as mulheres gritavam anunciando um preço maior que o outro. Quando finalmente o lance chegou a trinta mil dólares o "martelo" foi batido. Afrodite saiu satisfeito com o valor. A mulher que o havia comprado era uma senhora loira de olhos verdes. Bonita. Apesar da idade. Devia ter uns 60 anos. Dite não foi até ela de imediato, ficou parado atrás da mulher com o microfone. Só iria cumprimentar a loira quando fosse a hora da dança que só seria realizada depois do leilão.

Na vez de Mu não foi tão diferente. Mu arrecadou 28 mil dólares. Uma linda brasileira o arrematou. Ele parou ao lado de Dite e curvou os lábios em um pequeno sorriso.

Depois foi a vez de uma das modelos que estava com Milo. A morena, cor de jambo. Seu valor foi a 100 mil dólares. Um senhor de idade arrematou. Mu reparou que ele já estava de olho nela desde que chegara. Realmente a mulher chamava a atenção.

Quando a mulher chamou Milo, o mesmo andava sorrindo e jogando beijos apaixonados para todas as mulheres que olhavam para ele. Antes de subir no palco apertou a bunda de uma senhora que estava no caminho, ela ficou vermelha da cor de seu vestido. E um belo sorriso se formou em seus lábios. Aquilo Mu e Afrodite sabiam, era um truque barato que Milo usava. Ele apertou a bunda da mulher que aparentava ter mais dinheiro. E ele não se enganou, logo quando a mulher que narrava o leilão abriu os lances à senhora do vestido vermelho deu o maior lance de cara. 200 mil dólares. Milo ainda teve a ousadia de franzir o cenho e pedir mais. A mulher em resposta a ele aumentou o valor para 300 mil fazendo os convidados aplaudirem. Quando a mulher encerrou o lance, Milo desceu do pequeno palco caminho sedutoramente até a senhora e lhe tascou um beijo de cinema. Ganhando mais aplausos dos convidados. Os fotógrafos não perderam tempo e o flash foi à única coisa que Afrodite viu por alguns segundos. Depois quando Milo a soltou, a mulher estava com o olhar sonhador. Ele piscou para ela e caminhou até os outros modelos que estavam enfileirados a espera do término do leilão.

– Parem, otários. – Disse para Mu e Afrodite. – Aprendam com o mestre.

– Nunca beijaria alguém dessa idade, não me entendam mal, ainda mais por dinheiro. – Afrodite soltou os cabelos e tornou a prendê-los era um hábito fazer aquilo. – Amanhã você sabe que estará estampado em alguma capa de revista. Totalmente nojento.

– Fresco!

– Babaca.

– Rapazes. – Mu olhou de um para o outro. – Chega. Estamos chamando atenção. Sorriam.

E a noite se passou como um borrão para os três. Eles dançaram com as mulheres fizeram mais um pouco de social, riram e brigaram entre si. Milo já estava bêbado quando saiu com a senhora de vestido vermelho. Ele disse que terminaria a noite com chave de ouro. O que fez Afrodite fazer uma careta, ele não achava que seria realmente assim a noite dele. Mesmo assim Dite ainda saiu com uma das modelos com quem Milo estava abraçado. A ruiva. Eles foram embora deixando Mu sozinho. Mu ainda conversou com alguns empresários antes de sair do evento. O manobrista já estava esperando com a chave em mãos.

– Tenha uma boa noite senhor.

Mu fez um pequeno gesto com a cabeça e foi embora. Amanhã seria mais um dia corrido e cheio de trabalho.

*o*o*

Estava frio naquela manhã. Mesmo com o aquecedor ligado, ainda sentia os pés gelados. Devia ter colocado uma meia antes de dormir. Sabia que dali a alguns segundos o despertador tocaria e teria que levantar. Hoje era o grande dia. Abigail havia sido contratada pela agência Beauty. Estava ansiosa. Já havia deixado tudo preparado. Deixaria sua filha na casa da vizinha e iria trabalhar. Mais tarde entraria em contato com Carmem para saber se Chloe estava se comportando direitinho.

O relógio despertou as cinco em ponto. Não foi difícil levantar da cama, apesar do frio. Passou as mãos pelos cabelos curtos para ajeitá-los. Seu apartamento no Queens era pequeno, porém confortável. Caminhou lentamente até o quarto da filha. Ele era pequeno, só havia uma cama de solteiro, um pequeno guarda roupas e uma prateleira com alguns livros e brinquedos organizados um ao lado do outro. Era

rosa, cheio de borboletas coloridas nas paredes e desenhos feitos pela própria Chloe.

Abigail ficou ali encostada no batente da porta analisando a filha dormindo. Chloe não era sua filha de verdade, era filha da sua irmã que havia morrido há muito tempo. Chloe era muito pequena na época, então apesar de Abigail dizer para ela que sua mãe estava no céu, mesmo assim a pequena a chamava de mãe, o que deixava Abigail feliz, pois era isso mesmo que ela era. Mãe é quem cria. Chloe é tão pequena e indefesa, deitada toda coberta, parecendo uma bola fofa cor-de-rosa. Seus cabelos compridos eram as únicas coisas que Abby conseguia ver.

Abby caminhou até a filha e sentou-se na cama. Passou as mãos pequenas nos cabelos compridos dela e ficou a observar. Podia ver seu pequeno pulmão subindo e descendo tranquilamente. Era uma pena ter que acordá-la, mas teria que fazê-lo.

– Chloe. – Abby sacudiu levemente a bola fofa rosa. – Querida, precisa acordar.

Nada. Apenas resmungos. A bolinha se esticou e com isso Abby pode ver o rosto da filha. Ela puxara a mãe. Linda. Cabelos escuros iguais os de Abby, porém compridos. A tonalidade da pele era um pouco mais clara. Um dourado. Como se ela tivesse se bronzeado. Seus olhinhos se abriram devagar. O quarto ainda estava escuro, somente um feixe de luz entrava pela porta aberta.

– To com sono. - ela disse esfregando os olhos.

– Eu sei. – Abigail beijou a testa dela. – Você vai dormir depois meu amor, mamãe precisa trabalhar.

– Mãe, to com sono.

Abigail riu. Levantou e ligou a luz do quarto, o que fez Chloe resmungar um pouco mais. Abriu o armário e pegou uma roupa de frio. Foi até a filha e a vestiu. Chloe resmungava, mas ajudava a mãe. De vez enquanto cochilava, conforme Abby ia colocando a roupa nela.

Prendeu o cabelo da filha em um rabo de cavalo e a levou no colo até a sala onde a colocou deitada no sofá. Feito isso, correu para o quarto e começou a procurar uma roupa adequada para o primeiro dia de trabalho. Pensou em deixar tudo organizado no dia anterior, mas como estava ocupada com Chloe contando histórias acabou não o fazendo.

Pegou um blazer preto e o colocou em cima da cama ainda bagunçada. Olhou para as calças que tinha e optou por uma Jeans normal. Como estava frio, usar calças de alfaiataria não era uma opção. Colocou a calça do lado do blazer e pegou uma regata branca. Colocaria um sapato com um pequeno salto para não cansar, não sabia se passaria o dia sentada ou em pé. Após escolher a roupa correu para o banho. Tomou um banho rápido. Não lavou a cabeça, lavaria mais tarde quando voltasse. Depois de se preparar higienicamente e de se arrumar, olhou-se no espelho.

Não era feia. Era pequena, até demais. Estava apropriada para trabalhar. Seus cabelos estavam presos em um coque elaborado e sua franja estava de lado. Colocou uns brincos de pérolas falsificadas na orelha, só para dar um charme. Quando voltou para sala Chloe ronronava baixinho.

Pegou-a no colo e a levou até a vizinha. Carmem abriu a porta no primeiro toque. Deu um largo sorriso para ela e pegou Chloe no colo. Abby deu um beijo na testa da filha e outra na bochecha de Carmem e voltou para o apartamento. Pegou sua bolsa e saiu. Tinha que estar na empresa às 7 horas. E do Queens até lá, ela levaria um tempo, no meio do caminho compraria um café para mante-la bem o dia todo. Apesar de estar indo trabalhar já sentia falta da filha.

*o*o*

O sol não tinha nem raiado ainda, mas Megan já estava pronta. Andava de um lado para o outro da casa acordando a irmã e as amigas. Elas tinham que estar na empresa às seis horas. Pelo menos nessa semana. Megan optou por um vestido preto tubinho. Salto alto e um blazer de couro branco. Deixou os cabelos loiros soltos e colocou alguns acessórios.

Bea vinha em sua direção com os cabelos curtos rosa dividido de lado. Um batom vermelho nos lábios e um vestido longo preto de alças, que modelava seu corpo esbelto. Rasteiras e um anel de prata no dedo do meio do pé. Tinha a aparência de cansada, apesar da maquiagem. Passara a noite vadiando, como sempre.

Violet e Rachel ainda estavam se arrumando, mas Megan pode ver que Violet iria usar um vestido rodado acima do joelho vermelho. O motorista já estava aguardando por elas.

Quando Rachel saiu de seu quarto, Bea pode notar que ela estava divina. Saga devia ter caprichado ontem à noite. Seus cabelos estavam soltos e ela usava um terninho preto. A saia era curta e bem justa, marcando seus quadris. Usava uma blusa rosa de babado por baixo do terno. Mais uma pronta, agora só faltava Violet.

E lá estava ela, ainda penteando os cabelos molhados. Quando finalmente ficou pronta, as quatro pegaram suas coisas e desceram. O motorista abriu a porta para elas e as mesmas entraram, não demorou muito para chegar. Como ainda eram seis da manhã, não havia trânsito em New York. Radamanthys estava abrindo o edifício. Quando ele viu o carro parando ele ajeitou o terno e se esticou. Estava cedo para elas chegarem, até mesmo para ele estar ali, mas ele queria mostrar serviço.

– Bom dia – Ele disse para as quatro.

– Bom dia. - Falaram em uníssono.

– Ainda está muito cedo para as senhoras estarem aqui.

– Hoje é o dia, baby. - Falou Bea sorrindo.

– Nós vamos subir. - Falou Megan. - Conforme os funcionários forem chegando, avise-os que todos deverão estar na sala de reunião às 10 em ponto, por favor.

– Sim, senhora.

– Querido, será que você pode comprar um café para a gente quando os outros seguranças chegarem? - Rachel tirou uma nota de 100 dólares da carteira. - Compre algo para você comer também. - Disse sorrindo.

– Eu quero um cappuccino. - Falou Violet. - Bem forte.

– Eu fico grata com um copo de chocolate quente. - Megan sorriu e entrou, deixando as amigas para trás.

– Eu quero um café bem forte, querido.

– Eu quero o mesmo que a Rachel. - Falou Bea. - Com adoçante, por favor.

– Pode deixar comigo.

E assim elas entraram na empresa.


Amores!

Agradecemos a todos os comentários maravilhosos que vocês deixaram! Fizeram os nossos dias =)

Como prometido, o primeiro capítulo do nosso bebê.

Beijos e até o próximo capítulo!