Capítulo II

- Por onde vai começar? - Tom Reading perguntou.

Como se precisasse concentrar-se para responder, ela largou a faca que usava para cortar a torta.

- Pelo quarto principal. Vou tirar o papel velho das parede e começar a pintá-lo amanhã.

- É um trabalho duro.

- É, sim, mas não há outra alternativa.

- Pretende fazer tudo sozinha?

- Sim.

- Pensei que uma decoradora como você contratasse outras pessoas para fazer esse serviço.

- Poderia contratar, mas adoro fazer tudo. E este é o trabalho mais importante que já consegui. – De imediato, Rin percebeu que não teria dito isso a qualquer pessoa e quase se arrependeu ao ver a expressão de dúvida no rosto dele.

- Acha que pode dar conta de tudo?

- É claro.

Por mais esforço que custasse, pretendia fazer o melhor possível, dedicando-se de corpo e alma ao projeto. Aquele trabalho havia se tornado o centro da sua vida.

Ele a observou atentamente, como se avaliasse sua capacidade.

- Não acho que seja muito forte. Será que estou enganado?

- Está. E não se preocupe. Trate de cuidar da selva, lá fora, que vou transformar esta casa num lugar adorável. Sozinha. – Rin olhou em volta e sorriu, imaginando como a cozinha ficaria depois da reforma. Em sua mente, toda a casa já aparecia pronta: cada detalhe já havia sido planejado com cuidado.

- Há quanto tempo é decoradora?

- Mais ou menos vinte anos. – respondeu, sem pensar.

- O quê?

- Comecei com casas de bonecas.

Rin lembrou-se de que esse tinha sido seu único brinquedo na casa da tia Kikyou, para onde fora, com quatro anos de idade, após a morte dos pais. Não possuía outros parentes e a tia não desejava que os vizinhos comentassem que entregara a sobrinha a um orfanato. Muitas veze Rin se perguntava se não teria sido melhor ter crescido num orfanato do que naquele lar tão frio e desumano.

A casa de bonecas era um mundo de sonhos, um lugar onde imaginava as pessoas felizes e, durante anos, pintara várias vezes as pequenas paredes, cobrira-as de papel, fazendo cortinas e tapetes minúsculos para decorá-la.

Quando a tia mandou o brinquedo para um bazar beneficente, ela tentou se convencer de que estava crescida demais para brincar. Mas, na verdade, sentia muita falta dela e da família de pequenas bonecas, como se tivesse perdido um lar com pessoas de verdade...

- Começou cedo – comentou Tom Reading. – E depois disso, o que fez?

Ele parecia mesmo interessado e Rin decidiu contar-lhe tudo.

- Comecei a trabalhar numa loja de papéis de parede, assim que saí da escola. Nas vitrines, costumavam criar pequenos ambientes para expor o que vendiam e comecei a ajudá-los. Depois, quando os clientes escolhiam as amostras, percebi que podia ser muito útil para ele, pois costumavam colocá-los mentalmente no ambiente que acreditava ser adequado a cada um. – Sorrindo ela explicou. – Ainda faço isso. Olho para estranhos na rua e vejo-os na sala de estar que gostariam de ter, ou em quartos e cozinhas.

Erguendo uma sobrancelha, ele a fitou intrigado, mas Rin não ficou embaraçada, rindo mais uma vez.

- É apenas um exercício profissional. Adoro imaginar o lugar que agradaria a cada pessoa e em geral acerto.

- Em que lugar e colocaria?

Sentado na velha cadeira da cozinha, Tom parecia muito à vontade e resolveu provocá-lo:

- Que tal uma cabana de madeira nas montanhas? Você parece um caçador...

- Errado – disse ele. – Não sou nada disso. Mas continue com sua história. Então começou a orientar os clientes e...

- Sim. A loja também dava assistência na decoração, além de vender o material. Percebendo o meu interesse por esse tipo de atividade, os meus patrões sugeriram que eu me dedicasse apenas a isso, acompanhado a reforma das casas. – Rin parou, mas Tom não disse nada, esperando que continuasse. – Segui o conselho e fui me aperfeiçoando no ramo de decorações, até aprender tudo que sei.

- É agora começou a ficar famosa?

- Espero que Tir Glyn me ajude nisso. Tive muitas sorte em conseguir este trabalho.

- Verdade?

- É, sim. Sempre tive sorte no trabalho.

Cortando um pedaço de torta, Rin pensou que só tinha azar no amor. Primeiro, Kouga achou que ela receberia uma grande herança, abandonando-a no dia em que soube que a tia Kikyou só lhe deixara a casa. Tinha sido difícil recuperar-se, mas aos poucos conseguira. Vendeu a propriedade que ganhara e aplicou o dinheiro em u escritório de decoração só dela. Quando tudo parecia caminhar bem e já começava a ficar com o seu nome conhecido no mercado, apareceu Kohaku para virar-lhe a vida do avesso. Perdidamente apaixonada por aquele oportunista, acabou investindo todo seu dinheiro na firma dele e agora teria de trabalhar muito para conseguir uma boa situação financeira outra vez...

- Só tem sorte no trabalho? – Tom perguntou, interrompendo o devaneio.

Não pretendia entrar em detalhes com esse estranho. Detestava revelar detalhes de sua vida particular.

- Bem, nem todas são como Kagura Cavell... famosa e com noivo milionário...

- Ela vai casar com um milionário?

Sango não lhe dissera nada, mas Rin havia percebido alguma coisa no ar.

- Não tenho certeza, mas é Sesshomaru Taishou quem paga as contas. Além disso, esse lugar é muito grande para uma moça solteira, não acha?

Tom deu sorriso malicioso.

- Depende da garota. Kagura poderia muito bem ter cinqüenta homens aqui.

Rin apertou os lábios, pensativa. Sesshoumaru Taishou tinha assinado o cheque que Sango lhe dera e com certeza estava interessado na casa.

- Bem, não acho que Sesshoumaru Taishou gostaria de dividi-la com mais quarenta e nove admiradores.

Ambos riram com a idéia e Rin se sentiu feliz por tê-lo ao lado, conversando trivialidades. Se estivesse sozinha, acabaria chorando de tristeza.

- Você o conhece? – perguntou Tom.

- Taishou? Sim, mas quase não falou comigo. É ela quem dá as ordens.

- Também para mim.

Kagura Cavell era tão bonita pessoalmente quanto aparecia na televisão ou no cinema, mas em compensação não se importava em ter boas maneiras com os empregados que trabalhavam para ela. Rin havia perguntado a Sango se todos que conviviam com a atriz precisavam suportar suas manias de grandeza. A secretária respondera, não se ironia, que a famosa estrala só fazia papel de ingênua e boazinha quando estava filmando.

Pensativa, ela olhou para aquele homem de pele clara e musculoso, tão diferente das pessoas daquela parte do país. Curiosa, perguntou:

- Como conseguiu o emprego? Você é desta região?

- Eu estava trabalhando a algumas milhas daqui e soube que o velho jardineiro que cuidava de Tir Glyn se aposentou pois tinha setenta anos. Acho que esse é o motivo do jardim estar tão maltratado. Mesmo para uma pessoa mais jovem, é um trabalho duro e cansativo. Bem, quando a casa foi vendida, vim até aqui e um sujeito chamado Hakudoushi me contratou.

- Quem é ele?

- Acho que é o encarregado de contratar todo o pessoal de Tir Glyn, pois precisarão de muitos empregados quando a casa ficar pronta. Provavelmente você o conhecerá, ele sempre aparece aqui por aqui.

Na verdade, Rin estava pouco interessada no Sr. Hakudoushi, pois não manteria vinculo nenhum com a propriedade, quando acabasse a decoração.

- Há muito tempo é jardineiro?

- Meu pai era, eu já fiz muita coisa.

De novo ela sentiu medo daquele homem. Que tipo de coisas teria feito? Mas não ousava perguntar.

- Tem família? – ele inquiriu, curioso.

- Não, é você?

- Também não.

Então eram dois solitários que nem sequer tinham família? Mas haviam os amigos e eles podiam compensar a ausência dos parentes... Sentindo cada vez mais próxima de Tom, interessou-se pelos planos para quando terminasse o trabalho nos jardins.

- Pretende continuar aqui? - perguntou

- Por um tempo.

- Se tivesse uma casa como esta, acho que jamais me cansaria de arrumá-la – Rin comentou sonhadora.

- Verdade? E onde mora? Que tipo de lar construiu para você?

- É apenas um apartamento. – Rin tinha decorado o lugar que alugara de modo prático e funcional, mas sonhava com o dia em que possuiria uma casa de verdade, para a qual planejaria casa detalhe com muito amor.

######

Os dois recolheram-se cedo e pela primeira vez, em muito tempo, Rin dormiu profundamente. Ao acordar, lembrou que a essa hora deveria estar partindo para a Espanha com Kohaku, em busca do calor de um verão que parecia dos mais promissores.

Mas Tir Glyn também havia sol e o dia mostrava-se maravilhoso. Surpresa, percebeu que não estava nem um pouco deprimida. Pelo contrário, não via a hora de iniciar o trabalho.

Sentada na cama, analisou o pequeno quarto, imaginando-o depois da reforma.

- Vai ficar uma graça. – falou e voz alta, rindo sozinha.

Vestiu seu velho macacão, amarrou o cabelo com uma fita azul e desceu as escadas.

Ao aproximar-se da cozinha, o cheiro de bacon frito a alcançou.

- Entre! – Tom chamou.

Ele também usava a mesma roupa do dia anterior e segurava uma xícara de café.

- Bom dia. Será que posso tocar café?

- Deixei tudo pronto para você.

- Obrigada.

Havia bacon na frigideira e ovos e tomate num prato, além de suco de laranja. O sol brilhava, entrando pela janela e iluminando a espaçosa cozinha.

- Que tal salsichas para o jantar? – ele perguntou.

- Para mim qualquer coisa esta bom.

Ele serviu uma xícara de café quente e Rin não pode deixar de comentar.

- É maravilhoso! O sol brilhando lá fora, café pronto... vou ficar mal acostumada.

- Para onde ia nessas férias que não deram certo?

- Espanha.

- E por que não foi?

Ela se sentou à mesa e tomou um gole de café pensando se devia lhe dizer a verdade ou se seria mais conveniente esconder o que lhe acontecera no dia anterior.

- Tive uma briga com um homem.

Tom riu com malicia, provocando-a.

- Você não parece o tipo de mulher que briga com facilidade.

"Infelizmente", Rin pensou, pois o estúpido do Kohaku merecia um verdadeiro escândalo pelo que lhe fizera. Percebendo-lhe o ar de tristeza ele tentou brincar com a situação.

- Podemos tomar uma garrafa de vinho espanhol acompanhando as salsichas. Não substitui as delicias que você desfrutaria na viagem, claro, mas pelo menos servirá de consolo. Vamos brindas à nossa parceria.

Rin olhou-o com suspeita, mas logo viu que Tom só queria animá-la.

- É onde vamos achar vinho espanhol por aqui?

- Temos telefone.

- Não está sugerindo que telefonemos à mercearia só para pedir que entreguem uma garrafa de vinho.

- Não? Bem, se quiser, posso ir de bicicleta.

- Se vai fazer compras, prefiro um suco de laranja.

- Há uma lata de suco no congelador.

- Que bom! É quase como estar em férias.

- Só que não ficará bronzeada. Isso você só conseguirá se me ajudar a cortar a grama lá fora.

- Não conte com isso! – ela disse, sorrindo.

Tom dia acabado de comer e saiu para começar o trabalho. Rin acabou de tomar o café, sentindo-se feliz e sem a menos vontade de estar na Villa, na Espanha.

Subiu as escadas até o quarto principal e abriu a janela, calçando-a com um pedaço de madeira. Viu Tom cortando a grama do caminho que levava à porta de entrada da casa. Estava sem camisa e suas costas musculosas eram bronzeadas como o rosto, revelando que devia trabalhar ao ar livre há muito tempo.

Rin começou a arrancar o papel velho das paredes e verificou que o reboco estava perfeito, o que diminuiria boa parte do trabalho. Com um pouco de esforço poderia ter o quarto pronto no final do dia.

Cantarolando baixinho, trabalhou com afinco até o momento em que tom Tom olhou para cima, acenando. Ela sorriu com aquele gesto simpático, mas quando foi retribuí-lo perdeu o equilíbrio e quase caiu da escada.

Quando se recuperou do susto, pensou que, se tivesse contratado um ajudante para cuidar do serviço mais pesado, não correria o risco de se machucar. Mas preferia fazer tudo sozinha, sem interferências, pois não gostava de dar ordens. Por outro lado, era uma perfeccionista e sabia que nem todos os operários possuíam a paciência necessária para alcançar o resultado que pretendia.

O toque do telefone a surpreendeu e correu para atender. Havia uma extensão no estúdio, ao lado do quarto em que estava, mas de repente parou, pensando que podia ser Kahaku.

Àquela altura, ele devia estar no aeroporto pronto para partir, surpreso porque Rin não o procurara. Era possível que tivesse entrado em contato com Sango para pedir o numero de Tir Glyn. Kohaku a conhecia muito bem e sabia que Rin tentaria ocupar o vazio que deixara em sua vida co trabalho.

Mas quem quer que estivesse do outro lado da linha, não pretendia desistir, pois o telefone continuava chamando. Num impulso, ela foi até a janela e chamou Tom, pedindo para que atendesse à ligação.

- O seu contrato de trabalho a proíbe de atender a telefones? Ele brincou, enquanto subia os degraus da varanda.

Rin, que tinha vindo encontrá-lo, mordeu o lábio, e tentou explicar:

- Se for um homem chamado Kohaku Mason, não quero que saiba que estou aqui.

Tom deu de ombros, entrando na casa e desaparecendo de sua vista. A campainha parou e ele voltou para o terraço.

- Era engano.

Ela sorriu, envergonhada por ter agido como uma criança.

- Era com Mason que ia para a Espanha?

- Sim.

- E ele não sabe que está aqui?

- Não. Isto é, espero que não.

- Esse homem é um tolo.

- Fico contente que pense assim.

Tom olhou-a pensativo e depois perguntou:

- Como vai o trabalho?

- Bem. Acho que dá até para fazer uma pausa. Que tal tomarmos uma xícara de café? - Eram quase onze horas e os dois já tinham trabalhado bastante.

- Boa idéia.

Ela desceu a escada e levou duas xícaras para o terraço, onde Tom a esperava encostado na mureta de pedra que dava para o jardim. Rin ficou a seu lado e, juntos, observaram a paisagem tranqüila. Um sentimento de muita paz parecia invadir o coração dos dois.

O silencio só era quebrado pelo zumbido das abelhas em busca do pólen das flores e pelo canto dos passarinhos nas árvore à volta da casa.

- É uma vista maravilhosa. Não conheço outro lugar tão bonito como este. – Rin disse, depois de algum tempo.

Ele concordou, com um movimento de cabeça, mas continuou e silencio.

Rin não queria pensar em mais nada. Parecia perfeito esta ali, respirando o ar puro, cheirando a grama recém-cortada, olhando o céu limpo e sem nuvens.

Quando decidiu voltar ao trabalho, pegou a xícara vazia das mãos de Tom.

- Costuma almoçar? – perguntou.

- Só como um sanduiche durante o trabalho. Faço uma refeição completa por volta das seis horas.

Até lá Rin teria adiantado bastante o trabalho e poderia preparar a refeição.

- Então, nos vemos às seis horas – ela disse.

Quase no fim da tarde, conseguiu deixar tudo pronto para colocação do papel novo e começou a raspar a parede do quarto de vestir. Ajoelhada no chão, tentava remover a tinta velha do rodapés quando uma sobra surgiu sobre ela.

- Pretende trabalhar a noite toda? – Tom perguntou.

Ela sentou sobre os calcanhares, surpresa por não tê-lo ouvido chagar. Devia estar distraída e, além disso, as botas de borracha não fazia muito barulho. Já era quase sete e não percebera o tempo passar.

- Droga! Pretendia cozinhar as salsichas.

- Já estão quase prontas. Vamos descer?

Tom estendeu-lhe a mão, ajudando-a a se levantar.

- Sim. Obrigada.

Ela tirou a fita do cabelo, fazendo com que eles caísse pelos ombros. Flexionou os ombros doloridos pelo esforço e foi para o banheiro tomar banho. Um sentimento estranho a dominava, como se algo surpreendente e maravilhoso acabasse de acontecer.

Dez minutos depois, Rin apareceu na cozinha e o encontrou com duas bandejas na mão.

- A noite está linda e nós vamos comer no terraço para aproveitar essa lua tão perfeita. – ele avisou.

Não poderia fazer isso quando a casa ficasse pronta, mas por enquanto estavam sozinhos ali e jantar na varanda parecia maravilhoso... mesmo que comessem só salsichas.

Ele colocou uma mesa em frente ao banco de ferro trabalhado e pousou as bandejas ali, enquanto Rin sentava de frente para a vista magnífica. O céu claro e limpo prometia que o dia seguinte seria perfeito.

O cheiro da grama recém-cortada enchia o ar e fizeram a refeição em silencio, como se fosse um sacrilégio perturbar tanta paz. Só depois que acabaram, Tom tentou puxar conversa:

- Acho que nada pode ser mais bonito que este recanto. É uma espécie de refugio, não acha?

- Não conheço muitos lugares para poder comparar... E você, já viajou muito?

- Trabalhei um tempo n o Canadá – respondeu ele, sem dar mais informações.

- Gostaria de viajar. Estive na Itália nas últimas férias, mas adoraria conhecer o mundo todo.

- Quando for famosa e rica poderá realizar seu sonho.

- Há um longo caminho pela frente, até conseguir isso. – Ela comia uma maça e, quando terminou, virou-se para Tom: - Acho que vou andar um pouco. Não quer me acompanhar?

O convite soou natural, pois só estavam os dois ali e ela não conhecia bem os caminhos perto da casa gostaria que Tom a acompanhasse.

- Vou lhe mostrar o jardim – ele ofereceu.

Rin desceu os degraus da varanda com cuidado, temendo escorregar no musgo.

- Há quanto tempo esta em Tir Glyn?

- Há poucos dias – ele respondeu.

- Pensei que estivesse na casa há mais tempo.

- Mesmo com o jardim neste estado?

A grama estava cortada, mas as árvores ainda não tinham sido podadas e as ervas daninhas se misturavam às flores.

Rin riu e depois acrescentou.

- É que você parece tão à vontade por aqui. Pensei que houvesse um horta, na qual estivesse trabalhando.

- E há mesmo. Só que ainda não cuidei dela. Apesar de ter sido contratado há seis semana, não pude começar logo.

Rin não estava acostumada a jardins, já que na casa da sua dia Kikyou havia apenas um canteiro, cuja manutenção ficava por conta de um homem que ia uma vez por semana e não ousava alterar nada sem ordem da velha senhora.

O jardim de Tom era diferente. Ali não havia nada convencional, apesar do ar abandonado. Rosas vermelhar e brancas misturavam-se às palmas amarelas. Havia margaridas é lírios crecendo ao lado de violetas e samambaias. Uma beleza primitiva e selvagem revelava-se por toda parte e Rin suspirou.

- As flores são tão bonitas, mesmo sem estarem perfeitamente cuidadas. É uma pena mexer no jardim.

- Não gosta de jardins bens cuidados? – Tom sorriu, provocando-a. – Cada coisa no eu lugar. Não é assim que planeja seu trabalho?

- É verdade, mas há tanta beleza nas plantas, mesmo que estejam crescendo de modo selvagem. As flores são tão coloridas...

- Qual é sua cor favorita?

- Todas.

Adorava cores; achava que com elas podia expressar muito mais do que beleza. Talvez isso a fizesse capaz de tornar as casas vivas e vibrantes, usando combinações alegres e luminosas.

A suavidade da noite a perturbava, deixando-a mais consciente da presença de Tom a seu lado. Lembrava-se do preço que pagara por se envolver com Kouga e Kohaku, mas não podia admitir que todos os homens fossem iguais.

Ele começou a explicar o que tinha planejado para o jardim e Rin ouvia, interessada atrevendo-se às vezes a dar uma ou outra sugestão.

Tom não pretendia promover mudanças drásticas. Ao lado da casa havia um pomar e uma horta e ele queria ver tudo produzindo bem depressa. Na parte de trás, ficava as árvores maiores, formando um pequeno bosque. Ali faria apenas uma poda suave, em alterar o conjunto.

Enquanto passavam pelos portões de ferro trabalhado, Rin imaginou como a entrada da propriedade ficaria linda depois de restaurasse e pintasse as grades enferrujadas.

Em Tir Glyn devia fazer muito frio no inverno, mas Kagura Cavell não dispensaria uma piscina para os dias quentes do verão. Era até provável que quisesse também uma piscina coberta aquecida, para quando estivesse nevando ou chovendo.

- Não sei. Pelo menos ninguém pediu para começar a cavar. Só sei que quer o gramado da frente bem aparado, pronto para que o helicóptero possa aterrissar.

- Imagine! Pousar de helicóptero! E nós dois tendo como transporte sua bicicleta e meu velho carro! – Rin estava admirada, ao ver como viviam os ricos e famosos.

Tom sorriu e ela observou que isso o deixava mais jovem,. Era muito agradável que estivesse se dando tão bem, pois viveriam um longo tempo na mesma casa.

Passaram o resto da noite conversando na cozinha. Enquanto Tom desmontava a máquina de cortar grama sobre folhas de jornal, colocadas em cima da mesa, ela lhe mostrou o projeto da decoração.

- Como vai se sentir ao ter e ir embora, depois de tudo pronto? – Ele perguntou, notando-lhe o entusiasmo.

- Não sei. Acho que detestarei partir. A última casa antiga que decorei foi a que a tia Kikyou me deixou de herança, há dois anos. Mas era diferente. Não guardo lembranças do tempo em que vivi lá.

Ele a olhou curioso, esperando que contasse mais.

- Ela me criou. Meus pais morreram num acidente de automóvel quando eu tinha quatro anos.

- E você não foi feliz com ela?

- Nem um pouco. – Rin disse, afinal.

- Por quê?

- Tia Kikyou não era muito carinhosa... – aquele assunto a incomodava e por isso ela preferiu mudar o rumo da conversa. – É você? Onde nasceu? Foi feliz quando era criança? Que outros trabalhos fez, além da jardinagem?

Ele largou a peça que estava limpando sobre a mesa e respondeu e tom seco:

- Desculpe, mas não gosto de falar nisso.

Ela ficou sem jeito, repreendendo-se por ser indiscreta.

- Não tem importância. – de repente, percebeu que estava sentada tão rigidamente como sua tia Kikyou costumava ficar. Era uma tolice levar a sério uma situação perfeitamente normal, pensou. – Acho que está na hora de dormir. Tenho muito trabalho a fazer amanhã. Desculpe-me pela indiscrição.

Tom sorriu e ela desejou ficar mais tempo ali.

- Pode me perguntar o que quiser, Rin. Não tenho nada de interessante para contar, mas fico feliz que você se interesse por mim.

Os dois riram como se quisesse mostrar que não havia mais nenhum mal-entendido. Feliz, Rin subiu as escadas. Há muito tempo não conhecia tanta tranqüilidade e paz de espírito.


####### esse foi o capitulo 2 aguarde que em breve mais um capitulo estar disponível#######

Comentem o que acharam e qual outra estória querem que eu continue... Bjs.