CAPITULO IV.
Na manhã seguinte, Rin tirava o papel da parede da ala de jantar quando ouviu um carro se aproximando. Foi até a janela e se assustou, pois conhecia uma pessoa que possuía um Jaguar vermelho. Kohaku teria coragem de aparecer ali sem avisar?
O sol bateu nos cabelos escuros do motorista e não deixou margem para enganos. Só que não sabia onde Tom estava e isso significava que precisaria enfrentar Kohaku sozinho.
Rin dirigiu-se à porta da frente, e o encontrou subindo a escada da varanda. Ao contrário do que esperava, Kohaku abriu-lhe seu melhor sorriso, como se ela fosse a pessoa que ele mais desejava na vida.
- Olá! Está surpresa em me ver?
- Muito. Pensei que estivesse na Espanha.
- Voltei ontem.
- Por que voltou?
- Eu queria... pedir desculpas pelo que disse naquele dia. – Kohaku ainda sorria, como se a briga tivesse sido uma à-toa. – Compreenda, querida. Eu estava esgotado, nervoso... Creio que perdi a cabeça. Acho que precisava mesmo de umas férias...
- Então devia ter aproveitado melhor a viagem.
Por um momento, Kohaku pareceu desconcertado, mas logo reagiu:
- Bem, o que importa é que estou aqui para ver você e pedir desculpas.
- Como soube que estava aqui?
- Não estava em casa e andei perguntando. Todos pensavam que tivesse ido comigo. Então, liguei para Sango, que me deu o telefone daqui... Mas, quando tentei falar com você, um sujeito disse que você não estava. Desconfiado, resolvi ver para crer. Acho que assim foi melhor, não?
Ou Kohaku não tinha percebido que não era bem-vindo ali ou decidira ignorar isso, pois falava como se tudo não passasse de um mero mal-entendido.
- Kohaku...
- É um lugar solitário, não, Rin? – Ele olhava para a casa, observando as janelas ainda fechadas e o terraço vazio. – E essa estradinha que traz a Tir Glyn não é nada boa para carros.
- Eles costumam vir de helicóptero – ela respondeu com frieza.
- É mesmo? – Kohaku fez um ar invejoso. – Então é assim que vivem?
- Para eles tempo é dinheiro e não vão perder horas numa estrada.
A enorme casa silenciosa cercada pelo jardim ainda cheio de mato talvez parecesse estranha para alguém como Kohaku Mason, tão sem imaginação. Mas Rin se apaixonara no primeiro instante, adorando a ideia de refugiar-se ali.
- Não está sozinha aqui, não é?
- Não. – Rin afastou uma mecha de cabelo do rosto, tentando disfarçar o rubor. Agora Kohaku iria querer saber quem estava ali, mas não pretendia discutir a respeito de Tom. – Não sei porque veio, Kohaku – apressou-se em dizer. – Da última vez, você disse que não tínhamos nenhum futuro juntos e estava certo.
Kohaku acreditava tê-la na palma da mão e se surpreendera na hora de embarcar para a Espanha, pois esperava que Rin fosse ao encontro dele, arrependida, pedindo desculpas, dizendo-lhe que tentaria conseguir o dinheiro.
Embarcou sozinho e de mau humor, mas refletiu melhor e achou que devia procurá-la. Afinal, Rin seria ótima para o sucesso da firma. Todos gostavam de seu trabalho, e, além disso, era uma garota dócil e maleável, que daria uma esposa tolerante e submissa.
Abreviando as férias, voltou para casa decidido a fazer as pazes. Os amigos o apoiaram, argumentando que não podia perder uma garota como ela e que provavelmente Rin devia estar magoada por ter ficado para trás.
Kohaku não contou a ninguém o motivo da briga, pois todos gostavam muito dela, embora fosse tímida e reservada. Quando saíam com o grupo de amigos, ele era sempre a alma da festa, rindo, brincando e esbanjando charme. Mas, naquela semana sem Rin, tinha se tornado uma companhia aborrecida e mal-humorada e todos sentiram alivio ao vê-lo partir.
Ao retornar da Espanha, pensou que ela estivesse em casa ou no escritório, ansiosa por vê-lo. Apesar de pretender fazer as pazes, achava que a briga fora culpa dela. Rin tinha sido teimosa, negando-se a pedir o adiantamento e fazendo-o perder a calma, Kohaku refletia. Estava certo de que conseguiria fazê-la agir como desejava, pedindo o dinheiro a Kagura Cavell.
Ao saber que ela se encontrava em Tir Glyn, ele encheu-se de animação. Agora, que o trabalho estava adiantado, seria muito fácil obter o dinheiro. Além disso, uma garota como Rin não gostaria de perder um homem bonito e charmoso como ele. Kohaku tinha uma opinião muito lisonjeira sobre si mesmo.
- Claro que temos futuro, meu amor. Você não vai levar a sério uma briguinha boba, não é?
- Já decidi, Kohaku. É melhor para nós dois que cada um siga seu caminho.
Não podia acreditar. Como ela ousava lhe dar um fora com tanta tranquilidade?
- Quer terminar tudo só porque minha firma está em dificuldades?
- Não, claro que não. Deixe de ser tolo, Kohaku.
- Tudo vai entrar nos eixos, prometo. É só fase ruim. Naquele dia, perdi a cabeça, sinto muito. Que mais posso dizes?
Rin pensou que aquele era o momento de dizer-lhe tudo que pensava, mas se sentiu incapaz de enfrentá-lo. Sentindo-se miserável, desviou os olhos do rosto dele.
- Qualquer coisa que você diga, não vai adiantar, Kohaku. Acho que é melhor nos afastarmos por um tempo. Ficarei aqui alguns meses e isso nos dará um oportunidade para pensar.
- Mas íamos ficar noivos na Espanha! – Ele se sentira muito bondoso por decidir se casar com uma garota tão comum e agora não compreendia como Rin lhe criava problemas.
- A situação mudou. Acho que foi ótimo termos percebido que o casamento seria um erro.
- O que quer dizer? Está me dando um fora? – ele começou a erguer a voz.
- Você não quer se casar comigo. Quer apenas um serviço gratuito para a firma e...
- Muito bem! Agora que conseguiu este trabalho, pensa que pode continuar sozinha. Será que não está sonhando alto demais?
Rin estava decidida. Não importava o que ele dissesse, sabia que não a amava e que só queria aproveitar as vantagens que encontraria ao tê-la como esposa. Ainda assim, ela procurava evitar uma discussão.
- Por favor, vá embora – pediu e voz baixa.
Kohaku aproximou-se, e ela não sabia se iria abraçá-la ou agarrá-la com raiva, perdendo a calma outra vez. Nervosa, olhou em volta e suspirou de alívio quando Tom apareceu num canto do jardim. Sem hesitar correu para a escada do terraço e começou a descer.
- Venha conhecer Kohaku – chamou. – Estava passando por aqui e deu uma parada, mas já está de partida... – No terceiro degrau, escorregou no musgo e rolou, caindo numa posição incomoda.
Os dois gritaram e correram na sua direção. Tom a alcançou primeiro, ajoelhando-se a seu lado. Abraçando-a com cuidado, perguntou:
- Está bem? Machucou alguma coisa?
Rin verificou que podia mexer-se sem problemas. Era provável que surgissem algumas manchas roxas, mas podia ter sido muito pior.
- Acho que estou bem – respondeu, trêmula.
Olharam intensamente um para o outro e naquele instante foi como se o resto do mundo tivesse desaparecido. Rin só conseguia pensar nos braços de Tom a sua volta e no rosto dele cheio de alivio, ao constatar que ela não se ferira gravemente.
Kohaku tinha ficado de lado e perguntou:
- Quem é você?
- Está tudo resolvido, Rin? – Tom insistiu, ignorando-o. Como ela confirmasse, virou para Kohaku. – Então, vá embora.
Ela sentou-se e fitou os dois homens. Embora seu ex-namorado fosse alto. Tom parecia dominá-lo apenas com o tom de voz autoritário e o olhar firme. Os dois se afastaram e comeram a falar em voz baixa, de modo que Rin não pode ouvir nada. Após alguns instantes, Kohaku virou-se, entrou no carro e manobrou para o portão, a caminho da estrada.
Ela tentou se levantar, mas estava tonta e achou melhor ficar quieta até Tom voltar.
Quando ele se aproximou, fitou-o com um sorriso.
- Obrigada, Tom.
- Foi um prazer – ele respondeu, sentando-se ao lado dela. – Tem certeza de que está bem?
- Sim. Apalpou o corpo para ver se doía em alguma parte, mas não havia nada serio. O único problema era o cotovelo um pouco esfolado, mas bastava um ouço de água e mercúrio para resolver.
- O que vai dizer agora do meu jeito de andar, hein? Depois desse tombo, aposto que mudou de ideia. – Rin fez uma careta, referindo-se aos elogios que ele fizera há alguns dias.
Tom riu.
- O que Kohaku veio fazer aqui? – perguntou, novamente, serio.
- Pedir desculpas – ela sorriu, desejando que Tom a abraçasse de novo, mas ele não se mexeu.
- E o que você disse?
- Por favor, vá embora. Jamais pensei que Kohaku aparecesse por aqui. Não sei como você conseguiu fazê-lo partir, sem fazer uma cena.
- Apenas disse o mesmo que você. Vá embora.
- As pessoas sempre fazem o que você diz?
Após um longo momento, ele respondeu:
- Sim.
Rin suspirou, pois o tom de voz não deixava dúvida de que ele estava acostumado a ser obedecido.
- Você não poderia ter chegado numa hora melhor, Tom.
- Parece que nossa parceria está dando certo, não é?
- Está, sim.
- Teve sorte de não quebrar uma perna. Preciso dar um jeito nestes degraus.
Como as pernas não havia problema, já que o jeans resistente tinha servido de proteção, mas na queda Rin tinha perdido um sapato.
- Acho melhor voltar ao trabalho. – disse, procurando em volta.
- Ainda não.
Rin viu o sapato caído ao lado dos degraus e tentou alcançá-lo.
- Vá sentar-se no banco e fique quietinha – Tom aconselhou. – Vou trazer uma xícara de chá.
- Obrigado.
Será que deveria tomar uma aspirina? O lugar onde batera a cabeça latejava e poderia se transformar numa dor de cabeça.
Tom pegou o sapato e lhe estendeu a mão, ajudando-a a se levantar. Ela sentia o corpo todo dolorido e se apoiou no ombro dele até alcançar o banco de ferro, onde sentou-se, ara esperar o chá que lhe prometera. Como era agradável ter ao lado alguém que se preocupasse com ela... Lembrou-se dos amigos com os quais poderia contar nas horas difíceis. Eram tão poucos... E mesmo com eles era diferente, pois não havia ninguém no mundo cujo toque a perturbasse tanto...
Tom chegou logo com o chá e beberam em silencio. Quando Rin terminou sua xícara, tentou brincar outra vez.
- Acho que devia ter oferecido uma xícara de chá a Kohaku. Afinal, veio de tão longe...
Tom aceitou a brincadeira, respondendo bem-humorado.
- Ele não disse que estava com sede.
- É verdade. Não disse mesmo. Sabe, Tom, fico pensando qual será a próxima visita. Ontem foi o Sr. Jaken, hoje Kohaku...
Rin lembrou-se com pesar que em pouco tempo chegaria o pessoal encarregado de cuidar da casa e, em seguida, os proprietários, acabando com aquele paraíso tranquilo e sem problemas.
- Espero que tão cedo não apareça ninguém por aqui. - Tom suspirou.
Era muito bom ouvi-lo dizer isso, pois significava que também estava gostando daqueles momentos de paz.
Eles estendeu a mão para pegar a xícara vazia e Rin falou:
- Estou bem agora. Vou voltar ao trabalho.
- O que estava fazendo?
- Estava tirando o papel velho da sala de jantar.
- Vou até lá com você.
Os dois entraram na casa juntos, mas quando To viu a escada e a prancha que estava usando para arrancar o papel do teto, protestou:
- Não vai fazer isso hoje. De jeito nenhum. Não te condições de ficar pendurada ai no alto, depois desse tombo.
- Mas já me sinto bem. Posso ficar mais dolorida amanhã. Não dizem que, depois de uma queda, as dores aparecem no dia seguinte? Quero aproveitar o dia.
- Pode ser...
- Não posso parar o trabalho. Se piorar, talvez não faça nada manhã. E não ria de mim!
Tom observava-lhe a agitação com ar divertido.
- Venha, Rin. Tenho uma caixa de primeiros-socorros e acho melhor fazer um curativo no seu cotovelo, antes que piore. Vamos dar uma olhada nos lugares em que bateu no chão e passar um pouco de remédio para evitar manchas roxas.
Embaraçada, Rin pensou que não teria coragem de tirar a blusa na frente dele. Alegando que podia se cuidar sozinha, recusou a ajuda.
Enquanto Tom ia buscar o remédio, achou que dera sorte. Afinal, podia ter quebrado uma perna ou um braço, ou até mesmo algo pior.
Talvez nos próximos dias precisasse fazer um serviço mais leve, sem subir e descer escadas o tempo todo, mas era melhor do que ficar engessada ou incapacitada para o trabalho.
Tom voltou com um spray, lendo em voz alta as instruções na bula:
- "Alivio para dores musculares, contusões e dores provocadas pelo excesso de exercício em pessoas sedentárias." Acha que vai servir? Aqui não diz "contusões provocadas pelo hábito de descer escadas de cabeça", mas...
- Tom para com isso! – ela respondeu, rindo.
No banheiro, Rin aplicou o remédio por todo o corpo, exceto no cotovelo.
Vestindo-se de novo, desceu as escadas e saiu para o terraço,onde Tom tirava o musgo dos degraus com auxilio de uma faca afiada. A tarefa não era fácil, pois a planta se entranhava nas fendas dos degraus. Mesmo limpa, a escada ainda oferecia perigo e qualquer pessoa de bom senso não desceria correndo por ali. Ao vê-la, interrompeu o trabalho, aproximando-se.
- O remédio tem um cheiro muito forte, Tom. Não está sentindo?
- Seu cotovelo está cheio de areia.
- Está? Olhei no espelho e não vi nada.
- Venha, deixe que eu lavo o arranhão.
Ela gostaria de ter dito que podia dar um jeito sozinha, mas Tom não lhe deu chance para responder. Pegando-a pelo braço, conduzindo até a cozinha.
Compenetrando, ele molhou um chumaço de algodão na água quente e limou o ferimento, passando mercurocromo em seguida.
As mãos dele era suaves, mas por mais que tentasse Rin não conseguiu evitar as lagrimas. O liquido fez com que ardesse muito.
- Não chore.
- Não estou chorando. – As lagrimas escorriam-lhe pelo rosto e ela piscou, tentando disfarçar. Não se lembrava de alguma outra ocasião em sua vida em que uma pessoa a tivesse confortado com tanto carinho. Nem mesmo quando perdera seus pais no acidente.
- Faria algo por mim, se lhe pedisse, Rin?
- É claro.
- Quero que descanse o resto do dia. – Ela abriu a boca para protestar, mas Tom continuou: - Não quero que trabalhe mais hoje. Por favor.
- Então está bem.
Sentaria ao sol e conversaria com ele, pois além do tombo havia mais um bom pretexto para descansar: era domingo. Esperançosa, pensou na possibilidade de darem um passeio até o mar, quando Tom parasse de trabalhar. A praia ficava a poucos quilômetros dali, mas até então estivera tão ocupada com a decoração de Tir Glyn que não pudera nem cogitar a respeito de uma voltar de carro pelo litoral.
- Sabe que nunca ninguém me disse para parar de trabalhar? – comentou com um sorriso.
- Precisa de alguém que tome conta de você...
Ele tocou-lhe os cabelos, fazendo-a estremecer.
- Gostaria de conversar com você sobre nossa parceria.
- O quê?
- Mais tarde falaremos sobre isso. – Continuou a acariciá-la com suavidade, mas ao passar a mão bem de leve pelo rosto dela, provocou-lhe um sobressalto. – Desculpe, acho que não é uma boa hora. Não gostaria de criar confusões desnecessárias na sua cabeça.
- Por que ficaria confusa?
Tom sorriu. Talvez quisesse lhe propor que formassem uma dupla de trabalho, ela pensou. Mas também tinha falado em "tomar conta dela" e isso soava mais pessoal.
- Como já disse, você daria um irmão maravilhoso.
- Não quero ser um "irmão maravilhoso". – segurando-lhe o queixo, Tom obrigou-a a encará-lo. – Não esta sendo sincera, não é? Na verdade, não me vê como seu irmão mais velho.
- Não. – Rin respondeu, com os lábios trêmulos.
- Nem eu a vejo como uma irmãzinha – ele disse, beijando-a inesperadamente.
Ela nem teve tempo de corresponder ao beijo ou abraçá-lo, pois num instante estava tudo acabado. Sentindo as pernas trêmulas e completamente sem fôlego, precisou se apoiar na mureta do terraço para se recuperar daquela emoção tão forte.
Tom olhou de novo os degraus, comentando:
- Preciso tomar uma providência ou o musgo vai cobri-los de novo.
- Que tal usar um herbicida? – Rin sugeriu, tentando manter a voz normal.
- Acho que sim. Vou ver se encontro uma lata guardada.
Ele saiu, encaminhou-se para a garagem e Rin ficou sozinha. O sol estava quente e brilhava bem alto no céu, deixando o jardim quase sem sombras. Ainda estava tonta, mas não tinha certeza se era por causa do tombo ou do beijo de Tom. Nunca se envolvera tanto com um homem e em tão pouco tempo... Tanto que com Kohaku as coisas aconteceram de forma muito lenta.
Havia algo na personalidade dele que demonstrava força e determinação. Bastava ver o modo como Kohaku tinha ido embora, sem protestar. Não conseguia definir, mas algo em Tom a amedrontava. Seria uma violência reprimida? Ela tremeu, apesar do calor. Ainda não o conhecia direito... E se Tom fosse dessas pessoas capazes de explodir de uma hora para a outra, num acesso de raiva?
Achou melhor entrar, pois o sol estava forte e a dor de cabeça podia piorar. Quando se levantava, ouviu os passos de Tom voltando da garagem.
- Está pálida – ele comentou.
- Meu batom saiu e estou com dor de cabeça. – Olhando-o atentamente, percebeu que não tinha medo. O que sentia era bem diferente.
- Acho que devia descansar elo menos uma hora.
- Só se você me prometer que depois me leva até a praia.
- Está bem. – ele concordou, sorrindo.
Rin subiu para o quarto, despiu-se e deitou na cama, olhando fixamente para o teto. Estava se apaixonando por Tom muito mais rapidamente do que deveria. Quando Kohaku a decepcionara, tinha sofrido muito. Se a mesma coisa voltasse a acontecer, com aquele homem, seria um golpe difícil de suportar. Mas seu coração nunca batera tão forte por alguém e achou que esse era um risco que precisaria correr.
Como podia se envolver tão intensamente, em apenas uma semana? Nem mesmo sabia quais eram os sentimentos dele... Mas se lembrou do calor do beijo que lhe dera e se tranquilizou, pois havia algo mais que um simples desejo físico da parte de Tom. Tanto era assim que desejava ter uma conversa mais séria com ela.
No silencio do quarto, começou a imaginar como seria o passeio até o mar. Fechou os olhos, podia ver as ondas batendo no rochedo, o céu azul e límpido, cortado por gaivotas e mergulhões.
O devaneio era tão agradável que acabou adormecendo, mas em pouco temo tudo se transformou num pesadelo. Nuvens escuras invadiram o céu e relâmpagos e trovoes começara a aparecer, deixando-a apavorada e sozinha na praia vazia.
Rin acordou assustada, vendo o céu azul através da janela e ouvindo o toque insistente do telefone. Ainda bem que a campainha a acordara, pois trovoes a aterrorizavam mesmo em sonho. Esperou que Tom atendesse, mas provavelmente ele estava longe, pois o telefone continuou tocando com insistência. Quem quer que fosse, devia ter algo importante a dizer.
Vestiu um roupão, levantou-se depressa e correu para o estúdio. Quando Kagura Cavell se mudasse, com certeza colocaria varias extensões pela casa, mas por enquanto só havia aquele aparelho.
- Alô, aqui é...
A voz de Kohaku a interrompeu do outro lado da linha.
- Sei quem é.
- Onde você esta?
- Não se preocupe, estou voltando para casa. Só parei para comer alguma coisa e achei que devia telefonar.
Pelo tom com que falava devia ter parado também para beber e isso seria perigoso, uma vez que costumava correr muito com o carro.
- Tenha cuidado, Kohaku. Não beba demais.
Irritado e já um tanto alto pelos drinques, ele respondeu com sarcasmos.
- É muita bondade sua. Só que não acredito que se importará, se eu arrebentar o carro na primeira árvore da estrada.
- Por favor, não fale assim – ela murmurou, lembrando-se de que tinha sido exatamente desse modo que seus pais haviam morrido.
- Só queria saber como conseguiu deixá-lo tão interessado em você.
- Não sei do que está falando.
- Ora, Rin. Não finja. Falo do grande milionário...
- Quem?
- Fenton.
Kohaku devia estar mais babado do que imaginara, Rin pesou. Ia dizer alguma coisa, mas ele continuou:
- Sabe que não o reconheci a principio? Também, quando fomos apresentados, ele não estava vestido daquele jeito. Jamais imaginei ver Sesshoumaru Fenton transformado num simples trabalhador. Mas quando se aproximou do carro e disse: "Não posso impedi-lo de telefonar, nem de escrever, mas fique fora de minha propriedade", percebi com quem estava falando. Fiquei surpreso e perguntei se era Fenton. Ele confirmou.
Rin não conseguia falar. Estava chocada, segurando o fone contra o ouvido. Não queria escutar mais nada, mas...
- Um refúgio aconchegante só para vocês dois – Kohaku continuou em tom sarcástico. – E eu que pensei que a conhecesse. É mais esperta do que imaginava, Rin. Me fez de bobo o temo todo e, além de conseguir o trabalho, apanhou também o milionário. Mas ainda vamos nos encontrar por aí, pode ter certeza.
Quando Kohaku desligou, ela deixou-se cair numa cadeira, olhando fixamente à frente, recusando-se a aceitar o que acabara de ouvir. Talvez Tom tivesse blefando, ao falar que a propriedade era dele, só para enganar Kohaku. Não... o ex-namorado podia ser um oportunista, mas nunca um bobo.
Se ele era Sesshoumaru Fenton, onde esta Tom Reading, o caseiro que Sango disse que encontraria ali? E por que se fazia passar por outra pessoa?
Se fosse mesmo Fenton... Abriu a gaveta da escrivaninha e começou a remexer nos papéis. Talvez encontrasse algum documento, alguma carta... Tom passava um bom tempo no estúdio, todos os dias.
Não encontrou nada que se relacionasse com os jardins, nem mesmo uma única conta ou nota fiscal. Por outro lado, havia inúmeras notas e memorandos com as iniciais S.F.
Não viu o menor sinal de que aquela era a escrivaninha de Tom Reading, mas havia provas suficientes de que Sesshoumaru Fenton trabalhava ali.
Cada vez mais aturdida, Rin começou a lembrar pequenos detalhes a que até agora não dera atenção: o gosto refinado para os vinhos, a maneira de se portar à mesa... Mas o principal eram as mãos, sem marcas, nem calos que revelassem uma atividade dura, como a de jardineiro.
Agora entendia o que havia nele que tanto a intrigava. Não era nenhum instinto violento que o tornava tão perigoso, mas o poder... Todo o poder e a confiança que u milionário de trinta e poucos anos possuía.
Mas por que a enganara? O que podia estar pretendendo dela? Não sabia como agir com Tom, de agora em diante.
Ao voltar para o quarto, espiou do alto da escada e viu que a porta da frente da casa estava aberta. Se Tom aparecesse, naquele momento, poria um fim à farsa. Não se conformava por ele ter continuado a mentir depois de ter admitido sua identidade a Kohaku.
O pior de tudo é que se divertia às custas dela. Provavelmente, contaria tudo aos amigos dando boas risadas. Um sentimento de dor e mágoa a invadiu, insuportável.
Fechou a porta do quarto e sentou-se na cama, torcendo as mãos. Não podia se deixar levar pelas emoções, pensou. Afinal, até agora o relacionamento tinha sido platônico, e Tom não tentara se aproveitar da situação.
Ele a beijara, mas o que era um beijo? É claro que não pretendia ter um caso pouco antes de seu casamento com Kagura. Ainda mais com uma garota que trabalhava para a noiva.
Pelo menos, o fato de saber a verdade pouparia surpresas desagradáveis, como a de esperar que Tom Reading lhe dissesse: "Eu te amo" e, em vez disso, ver-se à frente de uma simples proposta de emprego.
Um sentimento de perda a dominava, como no dia em que sua tia Kikyou lhe contara que os pais nunca mais viriam buscá-la. Tinha sonhado com um amor impossível e agora era melhor não demonstrar seu sofrimento. Aliás, estava ficando com prática nisso. Anos e anos de falta de carinho haviam sido um bom treinamento.
Quando Tom bateu à porta, quase resolvendo fingir que dormia. Debateu-se e dúvidas, até que a insistência dele a fez responder.
- Entre.
Ele entrou, parando ao lado da cama com uma expressão preocupada.
- Como está se sentindo?
- Bem.
- Ainda está muito pálida, Rin.
- Deve ser porque estou sem maquilagem.
- Ainda está disposta para o passeio até a praia?
Por que não? Podia muito bem dar aquela volta e ouvir o que Tom tinha a dizer.
- Dê-me cinco minutos e desço em seguida.
Colocou o mesmo vestido que usara na noite anterior, prendeu os cabelos e passou batom. Um toque de blush ajudou a disfarçar a palidez do rosto e finalmente desceu para encontrá-lo.
Ele tinha levado a caminhonete para frente da casa. Ela se lembrou que Tom dissera ter apenas a bicicleta como meio de transporte. Como reagiria se lhe perguntasse: "Que tipo de carro costuma dirigir, Sr. Fenton?"
Rin deslizou para o assento do passageiro.
- Você dirige, Tom? Ainda estou cansada.
Fechando os olhos, fingiu relaxar e notou que ele a fitava com intensidade. Mesmo assim, manteve as pálpebras cerradas durante todo o tempo em que atravessaram a estradinha de terra.
Sentia o perfume das flores e o cheiro de sal que vinha do mar e, ao ouvir as ondas bater nas rochas, teve vontade de olhar, mas não abriu os olhos até que o carro parou.
- Está acordada? – ele perguntou, num tom que demonstrava não estar acreditando nem um pouco que dormia.
A praia era exatamente como Rin imaginara. Os rochedos circundavam a baía e havia pequenas piscinas de coral no mar azul. Gaivotas e mergulhões pescavam, cortando o ar com gritos estridentes. Não havia mais ninguém ali, além dos dois.
Tom estendeu-lhe a mão e Rin a segurou, pois pareceria estranho se recusasse. De mãos dadas, caminharam pela areia até o final da praia, onde um rochedo enorme proporcionava uma sombra agradável.
Ele sentou e a puxou para o seu lado.
- Está se sentindo bem? Já podemos conversar?
- Sobre nossa parceria? – ela fitou o mar, pensativa. – Acho que podemos. Faríamos bons negócios juntos.
Havia um pequeno barco cortando as águas e Rin o acompanhou com os olhos.
- Parceria de negócios? Talvez. Mas no momento não estava pensando nisso.
Rin sabia no que Tom estava pensando. Com certeza desejava um caso passageiro, que nem despertaria o ciúme de Kagura.
Friamente, decidiu enfrentá-lo.
- Está sugerindo que devemos ter um caso? – perguntou, olhando-o de frente.
Ele ergueu uma sobrancelha e Rin percebeu que estava achando graça, naturalmente pensando que era tola e antiquada.
- Não, obrigada – ela continuou. – Acho que em geral as garotas não costumam lhe dizer não, mas uma simples aventura não é o que quero. Sou uma pessoa complicada e penso que...
Ia dizer que Kagura não aprovaria, quando Tom a interrompeu:
- Estou pendido que se case comigo, Rin.
-00-
N/a : Sim estou de volta, e para finalizar todos os projetos que estão parados,
espero que continuem lendo apesar do tempo que fiquei sem postar nada. Peço desculpas a todos.
Estou começando por essa historia, não pretendo parar até finalizar, espero que ainda essa semana.
Conto com todos vocês, deixem recados, fico muito feliz de ouvir a opinião de vcs,
sem falar que é um incentivo para continuar e quem sabe trazer novos projetos.
Graziela Leon : Você realmente me deixou animada rsrs sinto o mesmo que vc, as vezes to escrevendo ai eu paro e fico viajando dentro da historia, me imaginado naquela situação, rsrsrs - teve um tempo que realmente achei que não iria voltar mais a postar, espero que você consiga inspiração para continuar suas historia também! Continue lendo, não pretendo mais abandonar ninguém! Beijos Ja ne.
