CAPÍTULO V
A primeira coisa e que Rin conseguiu pensar, depois do choque, foi que Kohaku devia estar enganado. Sesshoumaru Fenton jamais a pediria em casamento. Tom Reading, o Tom que ela amava, este sim poderia fazê-lo , mesmo sendo loucura uma pessoa querer viver com alguém que só conhecia há uma semana.
Ele esperava pela resposta fitando-a intensamente, o rosto sério e os olhos brilhantes.
- Você aceita? – insistiu.
Num impulso, ela decidiu que não ia pensar nas consequências.
- Aceito. Sim. Tom, é claro que aceito.
Ele sorriu, parecendo mais jovem.
- Agora é hora de me confessar, Rin – o barulho das ondas batendo nos rochedos de repente pareceu mais alto, quebrando o silencio que pesou entre os dois. Finalmente ele pareceu decidir-se. – Sou Sesshoumaru Fenton... Mas houve uma razão...
- Não! – Rin teve vontade de tapar os ouvidos. Não queria saber, não queria que ele fosse qualquer outra pessoa além de Tom Reading. – Não pode ser! Está brincando. É o jardineiro. Você me disse que é Tom Reading.
- Rin...
Ela o encarou com os olhos cheios de mágoa. Então Kohaku estava dizendo a verdade...
- Por quê?
- Por que eu disse que era Tom Reading?
- Sim.
- Não queria que soubessem que eu estava em Tir Gluyn. – Rin estava cada vez mais chocada.
- E achou que eu contaria a alguém?
- Poderia dizer a Kagura ou talvez a Sango... Kagura e eu terminamos tudo e não temos mais nada um com o outro.
O tom de voz dele era calmo e não revelava nenhum arrependimento, nem emoção. Enquanto se recostava no rochedo, numa postura relaxada e tranquila, a mão dele quase tocava a de Rin, mas não fez gesto algum para se aproximar.
Apesar de tê-la pedido em casamento, parecia distante e inatingível, sem demonstrar nenhum afeto. Mordendo o lábio, ela imaginou se não estaria sonhando. Uma situação como essa não poderia ser real.
- Vim até aqui para decidir o que faria com a casa – ele explicou – Pensava em vendê-la ou transformá-la num hotel, mas, como estou abrindo uma fábrica nas redondezas, também levava em consideração a possibilidade de morar em Tir Glyn.
- Então Tir Glyn pertence a você? Pensei que a Srta. Cavell fosse a proprietária.
Desta vez o sorriso dele foi cínico e frio.
- Meu relacionamento com Kagura nunca chegou ao ponde de querer lhe dar uma casa. Também não me sinto inclinado a oferecer a ela Tir Glyn como presente de despedida.
Os pensamentos de Rin atropelaram-se numa sequencia de imagens confusas. Então a casa era dele, embora Kagura tivesse escolhido cada detalhe da reforma e da decoração? Quer dizer que o caso estava acabado e não iriam mais se casar? Mas por que Sango lhe dissera que Kagura adoraria saber que Tir Glyn ficaria pronta mais cedo?
- Sango disse que o caseiro estaria aqui...
- Toutousai é o dono da chácara na cursa da estrada. Não reparou numa pequena casa de pedras que há ali?
Então o caseiro morava ali perto, e dava uma olhada na casa, cuidando do que fosse necessário.
- Você não é mesmo Tom Reading? – A expressão de Rin era de quem ainda duvidava.
- Não.
- Por que escolheu esse nome?
Dando de ombros, ele respondeu:
- Não sei. Foi o primeiro nome que me ocorreu.
- Não existe nenhum Tom Reading?
- Não que eu conheça. – Sesshoumaru disse.
Uma sensação de perda a dominou. Tudo tinha sido uma ilusão. Tom Reading jamais existira.
- Você me pediu em casamento... – Encarou-o confusa, desejando descobrir os verdadeiros motivos daquele homem estranho.
- Preciso de uma esposa.
Os olhos dourados brilhavam intensamente e Rin não conseguiu dizer nada.
- E precisa de alguém que tome conta de você – ele continuou.
- É muita bondade sua – ela respondeu após um instante de silencio, sem evitar a ironia.
Ele sorriu com a mesma jovialidade do saudoso Tom Reading.
- Além disso, acho que fazemos uma boa parceria. Disse que adoraria viver em Tir Glyn...
- E quem não gostaria? Só que não consigo me ver no papel de dona da casa.
Ignorando a observação, Sesshoumaru prosseguiu:
- Pode continuar trabalhando. Terá oportunidades excelentes sendo minha mulher, pois vai conhecer muita gente famosa. Além disso, darei uma ajuda financeira e promoverei seu nome como decoradora.
Rin fez um careta. Não era essa a ideia que fizer de uma sociedade entre os dois. Uma parceria... Que piada! Tinha achado que Tom fosse trabalhar a seu lado.
- Mas por que eu? Deve haver centenas de mulheres que...
Ele a interrompeu.
- Que adorariam se casar com as Indústrias Fenton? Acho que há mesmo. Só que prefiro alguém que me escolha pelo que eu sou, não pelo que tenho. Você se casaria com Tom Reading mesmo que ele não possuísse um centavo...
Mas não havia nenhum Tom Reading, ela pensou angustiada. Não sabia nada sobre esse homem. Tudo que falava agora era suspeito, pois tinha mentido, fingindo ser outra pessoa.
- Gostei de ser Tom. – Ele sorriu daquele jeito que Rin tanto gostava. – Queria que esta semana tivesse durado muito mais. – Tomou-lhe a mão e acariciou a palma macia e o pulso delicado. Mas ela estava tão tensa que mal se deu conta.
- Tom... Sesshoumaru... Ah, meu Deus, estou tão confusa!
- Ouça, Rin. Estou cansado de oportunistas e trapaceiras, que só querem o meu dinheiro. Você sempre trabalhou para conseguir o que tem, e admiro sua honestidade e integridade.
Mas não falou em amor, como se estivesse apenas lhe oferecendo um emprego. Só faltava combinarem o salário, ela pensou com ironia.
- Não vai dar certo, Tom. – Ainda não conseguia chamá-lo de outro nome!
- Não quer nos dar uma chance?
Para ele, assumir riscos devia ser uma coisa rotineira.
- Estamos falando de casamento, será que não entende?
- Eu sei. E acho que temos tudo para dar certo. Mas, se não der, não será o fim do mundo.
Rin arregalou os olhos. Não era assim que imaginava ser pedida em casamento.
- Nem mesmo conheço você. Até agora, convivi com uma pessoa que não existe!
O sorriso dele alargou-se.
- Não é tão terrível como pinta, Rin. Você só não sabia meu nome. No mais, não houve nenhum fingimento de minha parte.
Quase sem querer, Rin sorriu.
- Bem que eu estranhei a demora daquele jardim. Você não tinha prática nenhuma...
- Está certo, nisso eu fingi. Mas foi apenas isso. Não dá para perdoar?
- Acho que sim...
- Então escute. – A expressão de Sesshoumaru tinha ficado séria de novo. – Amanhã preciso estar em Londres. As duas próximas semanas serão cheias de trabalho e em seguida farei uma viagem de negócios. Podemos casar antes e virá comigo. Vou a Paris, Bruxelas, Amsterdã e Hamburgo. Não será exatamente uma lua-de-mel, mas você disse que gostaria de viajar...
- Isso quer dizer que casaremos dentro de quinze dias?
- Sim. Onde gostaria que fosse a cerimônia?
Aquele homem devia ser maluco. Casar-se em duas semanas... Se tivesse um pingo de juízo, ela devia dizer que não aceitava. Mais em vez disso, ouviu-se respondendo:
- Em casa, acho. Preciso voltar para Londres. Tenho muitos preparativos para fazer.
- Levo você amanhã cedo.
- Na sua bicicleta? – Rin tentou brincar.
- Não exatamente.
Ele sorria, mas Rin não conseguia relaxar. Era um homem bem-sucedido e milionário, que acabava de conhecer. Um estranho ao seu mundo simples e despretensioso.
- Suponho que seu pai não era jardineiro...
- Não. Tinha outro tipo de trabalho.
- Qual era?
- As Indústrias Fenton.
Então Sesshoumaru Fenton herdara as organizações e conseguira tanto sucesso e poder sem muito esforço. Rin engoliu com dificuldade, sentindo a garganta seca.
- Você ainda tem família? – perguntou.
- Não.
Havia dúzia de perguntas que ela desejaria fazer, mas não conseguia organizá-la na cabeça.
- Desculpe. Acho que não sei o que dizer. Não consigo aceitar essa situação.
- Está confusa?
- Mas do que confusa. Estou chocada, mal acredito que estou mesmo vivendo tudo isso.
Sesshoumaru sorriu, parecendo divertir-se.
- Foi muita agitação para um único dia, não é? Devia ter-lhe contado antes, Rin. Desculpe.
Era o segundo homem que lhe pedia desculpas naquele dia. O que Kohaku pensaria de seu casamento com Sesshoumaru Fenton? Todos os amigos se surpreenderiam, mas ninguém poderia ficar mais admirado do que ela própria.
Levantando, ele estendeu-lhe a mão.
- Venha!
- Aonde vamos?
- Comemorar.
Quase perguntou o que iriam celebrar, pois ainda não acreditava que fosse casar-se de verdade. Mesmo que ele estivesse falando sério, acabaria mudando de ideia.
Rin pensou comoa vida era estranha. Tinha sido pedida em casamento por um milionário, mas preferia que fosse um jardineiro. Estava apaixonada por Tom, com que se divertira a valer nessa última semana. A convivência havia sido deliciosa. Os dois dividindo tarefas e conversando tão à vontade sobre qualquer coisa. Sentia-se próxima dele. Mas agora era diferente, pensava no mundo do poderoso Sesshoumaru Fenton com um arrepio na espinha. Qual seria seu lugar na vida dele?
- Como devo chamá-lo?
- Como quiser.
Enquanto caminhavam até o carro, ele não demonstrava a menor emoção, ao segurar seu braço.
- As pessoas o chamam de Sesshoumaru?
- Nem todas. Mas esse é meu nome.
Não podia mais chamá-lo de Tom, mas demoraria muito até que se acostumasse que seu nome era Sesshoumaru. Na verdade, acharia mais fácil tratá-lo por Sr. Fenton. Se não fosse tão ridículo uma mulher se dirigir ao futuro marido com tanta cerimônia...
Depois que Rin se acomodou no assento de passageiro, Sesshoumaru Ligou o carro e perguntou:
- Para onde gostaria de ir agora? Algum restaurante?
Ela deu de ombros.
- Não conheço nada por aqui. Quando estive em Tir Glyn com Sango, nem saí da casa.
A caminho da cidade, Sesshoumaru falou o tempo todo, mas ela não conseguia deixar de pensar no absurdo daquela situação. Adorava a companhia de Tom Reading e se sentia absolutamente à vontade a seu lado, mas de uma hora para outra ele se transformara numa pessoa que a constrangia, deixando-a totalmente intimidada.
Com certeza Sesshoumaru estava achando-a uma companhia aborrecida, mas assim mesmo ela não fez o menor esforço para dar continuidade à conversa.
- Vamos experimentar este aqui. – ele disse, estacionando a caminhonete na frente de um hotel luxuoso.
Já era bastante tarde para almoçarem e a roupa que usavam não parecia apropriada para um ambiente tão requitado. Enquanto esperava que Sesshoumaru fosse até a recepção para saber se havia alguma mesa disponível, Rin teve medo que não os deixasse entrar. Na melhor das hipóteses, achava que lhes indicariam alguma mesa no fundo do salão.
Lá dentro fazia frio e as paredes cobertas de papel verde e dourado não eram nada atraentes. Para evitar o nervosismo, começou a redecorar mentalmente todo o ambiente.
Estava tão perdida em pensamentos que se assustou quando Sesshoumaru Fenton tocou-lhe o ombro.
- Tudo bem? – perguntou.
- Sim.
- Então vamos almoçar.
O maître os conduziu a uma mesa ao lado de uma janela com vista panorâmica, apesar de o restaurante estar quase lotado, o atendimento foi tão perfeito, que ela perguntou:
- Por acaso é o dono do hotel?
- Não. Por quê?
- Mas eles o conhecem?
- Não.
Vendo o modo como todos o olhavam, ela percebeu a diferença que fazia ser alguém importante e bem-sucedido na vida. Algumas pessoas pareciam reconhecê-lo, o que era natural, pois estava abrindo uma fábrica próxima dali e isso devia ter sido noticiado pela imprensa local. Para relaxar, Rin tomou dois copos de vinho branco e procurou aproveitar o almoço.
O restaurante era decorado com painéis de espelho e ela podia ver sua própria imagem. Lamentou não ter se arrumado melhor. Mas como poderia ter adivinhado? Saíra apenas para dar um passeio na praia e nem sequer se incomodou em passar uma escova nos cabelos.
Era apenas uma pessoa comum, refletiu. Não estava preparada para tornar-se esposa de um milionário. Havia um abismo entre os dois... Sesshoumaru Fenton devia frequentar a alta sociedade, aquele mundo louco e superficial, onde as pessoas pareciam não ter outra preocupação além o dinheiro e do poder...
O que ela iria fazer nesse meio?
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Ao chegarem em Tir Glyn o telefone estava tocando. Sesshoumaru parou a caminhonete na porta da frente e desceu depressa para atender. Rin sentou nos degraus do terraço, desejando que não fosse para ela.
Enquanto esperava, observou a casa, imaginando como Kagura Cavell se sentiria ao perdê-la. A atriz tinha feito muitos planos e parecia deliciada com a ideia de viver ali. "Minha casa", dissera... Com certeza não iria renunciar a tantos privilégios sem resistência. Quando soubesse que Sesshoumaru estava disposto a casar-se com outra, ficaria furiosa. Kagura Cavell seria uma inimiga implacável, não havia a menor dúvida. No entanto, Rin não se preocupava com isso. No fundo, ainda não estava acreditando que o casamento com Sesshoumaru fosse mesmo acontecer.
Nesse momento, ele voltou, interrompendo-lhe os pensamentos.
- Está pronta para partir agora? – perguntou.
- Agora?
- Era Jaken. Se voltarmos agora, posso pegar o primeiro avião amanhã cedo.
- Para onde vai?
- Para Londres. Já lhe disse que preciso estar lá amanhã cedo.
- Posso ir sozinha para casa.
- Não quero que dirija.
Pelo jeito, também não queria que ficasse sozinha em Tir Glyn. Para evitar maiores problemas, Ron concordou.
- Esta bem. Vou arrumar a minha bagagem.
Subindo para o quarto, começou a colocar as roupas nas malas. A ideia de viajar imediatamente não a agradava, ainda mais que sentia o corpo todo dolorido pelo tombo. Preferia mil vezes um banho quente e uma noite inteira de sono. Mas não teve coragem de contrariar Sesshoumaru, e arrumou tudo depressa.
Pouco depois, desceu as escadas, carregando a bagagem. Sesshoumaru estava no estúdio com a porta aberta, falando ao telefone, mas desligou assim que a avistou:
- Está pronta?
- Sim.
- Pode descansar no banco de trás, Rin.
- Seria muito agradável – ela ironizou, mas Sesshoumaru pareceu não notar.
Ele tinha apenas uma pasta de couro e uma valise, que carregou para a porta da frente.
Ao sair, Rin ficou surpresa. A caminhonete havia desaparecido e, em seu lugar, encontrava-se um carro esporte novo e reluzente. Desceu os degraus, enquanto Sesshoumaru colocava a bagagem no porta-malas.
- De onde veio este carro?
- Estava guardado na garagem.
Ela passou os dedos pela superfície brilhante, refletindo que, de certo modo, não estava surpresa. O carro, como todo o resto, fazia parte de um sonho. Não devia ser real.
Sesshoumaru abriu-lhe a porta e ela entrou como se estivesse representando um papel numa peça de teatro. A qualquer momento precisaria voltar à vida real...
- Preciso da minha caminhonete para usar na cidade – comentou.
- Já providenciei para que seja entregue no seu apartamento.
- Está bem.
No caminho, pararam no pequeno chalé ao pé da colina e Sesshoumaru Fenton foi avisar ao caseiro que Tir Glyn estava vazia. A esposa do empregado atendeu à porta e, enquanto ouvia as ordens do patrão olhou para a janela de trás do carro e sorriu para Rin.
Constrangida, ela começou a pensar no que aquela mulher sabia a respeito do romance entre Sesshoumaru Fenton e Kagura Cavell. Provavelmente, ninguém devia ter-lhe dito nada sobre o rompimento dos dois e a essa altura estava imaginando o pior.
Puseram-se a caminho e Rin gostou de viajar no banco de trás, pois isso a deixava à vontade para ficar em silencio. A principio, Sesshoumaru fez alguns comentários sobre a paisagem, mas depois também se calou.
A visão daqueles cabelos prateados e sedosos, a sua frente, era muito perturbadora, ela pensou. Certamente Kagura os tinha acariciado muitas vezes... A atriz tinha mãos lindas e bem tratadas, com unhas sempre esmaltadas em vermelho. Ao olhar para suas próprias mãos, maltratadas pelas tintas e ferramentas que usava no trabalho. Rin nem conseguia imaginá-las acariciando Sesshoumaru Fenton.
Ele a pedira em casamento porque precisava de uma esposa. Era quase um contrato, mas isso não significava um relacionamento sem sexo. Sesshoumaru certamente pretendia fazer amor com a mulher que dormiria todas as noites na sua cama.
Estava apaixonada por um estranho, que loucura! Se ao menos pudesse esperar seis meses, teriam tempo para se conhecerem melhor. Em duas semanas, não haveria oportunidade para aprofundar o relacionamento, ainda mais que ele pretendia viajar e só voltar no dia do casamento...
Ao chegar em Londres, Rin pensou em indicar-lhe o caminho para o apartamento onde orava, mas Sesshoumaru entrou no estacionamento de um dos hotéis mais luxuosos da cidade.
- Estou hospedado aqui. Espere por mim, só vou guardar minha bagagem.
Aliviada, ela afastou o problema que mais a preocupara durante toda a viagem. Temia que Sesshoumaru quisesse ficar no apartamento dela, achando perfeitamente normal partilharem a cama.
Sesshoumaru voltou logo e perguntou o caminho para levá-la em casa. No trajeto, passaram pela rua onde Rin tinha seu pequeno escritório.
- Veja. É a última janela em cima da loja. – Ela apontou.
O transito estava congestionado e ele pode observar o local com atenção.
- É pequeno – Rin explicou. – Mas para mim é o suficiente. Trabalho sozinha.
Como ele não dissesse nada. Rin imaginou se não estava comparando seu próprio local de trabalho com o dela. Era evidente que Sesshoumaru devia dirigir seu império industrial de algum escritório luxuoso e sofisticado, na área comercial mais importante da cidade. Nada parecido com aquela pequena sala quase invisível que nem placa possuía.
Ao pararem na frente do prédio em que ela morava, Sesshoumaru pegou a bagagem e abriu a porta do carro para que Rin descesse.
Na caixa de correio, havia duas cartas e um cartão-postal. Rin reconheceu a letra de amigos na correspondência, mas deixou para ler mais tarde.
Quando finalmente entraram, ele observou a sala demoradamente. Ela se apressou em explicar.
- É pequeno, mas para mim é o ideal. Não dá trabalho nenhum.
Estendendo o braço, ele a puxou para si e Rin pensou que fosse beijá-la, retraindo-se. Mas Sesshoumaru sorriu.
- Tenho muito trabalho a fazer ainda esta noite e acho melhor ir embora. – ele disse. – Amanhã, antes de viajar, passo por aqui.
- Também tenho muito o que fazer. Espero você amanhã. É claro que precisa de uma boa noite de sono, se vai ter uma semana de trabalho pela frente... – Rin interrompeu-se sem jeito, percebendo as implicações do que tinha dito.
- Sim – ele concordou, beijando-a rapidamente no rosto.
Rin surpreendeu-se desejando que a despedida não fosse tão fria. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sesshoumaru deu-lhe as costas e saiu.
Ela ficou parada à porta do apartamento durante muito temo, sufocada por uma estranha sensação de desapontamento.
Mais tarde, sentou-se no sofá para ler a correspondência. Uma das cartas era de Kanna, uma antiga colega de escola, agora casada e vivendo com o marido e dois filhos gêmeos, numa cidadezinha do interior. Ela estava achando a vida aborrecida e aconselhava Rin a não se casar, mesmo que Kohaku fosse bonito e atraente. Tinha saudades das excitantes aventuras de solteiras, dizendo-se totalmente arrependida pelo que fizera. Rindo, Rin pensou no espanto da amiga quando soubesse das novidades.
Ainda atordoada com tudo que acontecera nas ultimas horas, desfez as malas e tirou a roupa, vestindo um roupão felpudo. Não havia muito a fazer naquela noite e resolveu ler até a hora de dormir. Pouco conseguiu se concentrar, no entanto, pois não conseguia tirar Sesshoumaru do pensamento. Cada vez mais se perturbava com a ideia de que fosse se casar. Seria verdade mesmo?
No dia seguinte, tomava o café da manhã ainda de roupão, quando a campainha tocou. Correu para abrir a porta e se surpreendeu com a presença de Jaken, o assessor de Sesshoumaru Fenton.
- Será que... posso entrar? A senhora da portaria me disse para subir.
Jaken tinha uma aparência respeitável, mas a zeladora devia estar intrigada, curiosa para saber o que um homem como ele queria de Rin às oito e meia da manhã.
Depois de se acomodar no sofá, ele tirou um envelope da pasta e a entregou para Rin.
- Sesshoumaru manda desculpas, Srta. Latham, mas precisou viajar muito cedo.
Um pouco sem graça, ela pegou a carta. Esperava que Sesshoumaru viesse despedir-se pessoalmente... Por instantes, imaginou se ele não se arrependera da proposta absurda que lhe fizera, e agora estava com medo de enfrentá-la.
Primeiro, encontrou no envelope um cheque de grande valor e riu com ironia, achando que o milionário desejava indenizá-la por ter alimentado aquele sonho impossível. Ao ler a carta, no entanto, as ideias pessimistas se dissiparam.
" Cara, Rin, preciso viajar mais cedo do que pensava e não poderei vê-la. Sugiro que nos casemos no dia 9 do mês que vem, às onze da manhã, no cartório de registro do seu bairro. O cheque é para qualquer coisa que precise. Sua caminhonete será entregue hoje. Ligo para você à noite. Seu, Sesshoumaru."
Rin releu a carta vária vezes, antes de virar-se de novo para Jaken, que fingia examinar um peso de papéis de cristal sobre a mesinha de centro.
- Sabe o conteúdo da carta, Sr. Jaken?
- Ah... sim... meus parabéns. – ele gaguejou.
- Obrigada.
Se não fosse uma pessoa tão reservada, teria dito: "Não acha uma loucura?" Mas era tímida e discreta e não ousaria discutir a situação com aquele homem, pois estava claro que ele desaprovava a atitude do patrão. Pelo modo como a olhava, parecia dizer que Sesshoumaru Fenton jamais deveria trocar uma estrela como Kagura Cavell por alguém tão insignificante. E, no fundo, Jaken tinha razão. Não seria louca de se comparar com a atriz que todos os homens da Inglaterra desejavam.
- Posso ajudá-la em alguma coisa? – ele se ofereceu.
- Por enquanto não preciso de nada. Mas se não se importa... – ela apontou o roupão e a mesa com o café da manhã.
- É claro, é claro – o Sr. Jaken se apressou em dizer, enquanto lhe estendia um cartão de visitas. – Aqui está meu telefone. Sesshoumaru vai ligar mais tarde, mas, se precisar de mim...
- Obrigada, Sr. Jaken.
Assim que ele saiu, Rin largou a carta, o cheque e o cartão de visitas sobre a mesa, observando-os como se fossem peças de um quebra-cabeça que não podia resolver.
Precisava contar tudo a alguém, mas não sabia a quem. Qual das suas amigas poderia aconselhá-la?
Claro que Ayame era a escolha óbvia. Desde o dia em que começara a trabalhar para ela e o marido, aquela mulher tinha estimulado seu talento, encorajando-a a prosseguir na carreira. Até mesmo quando se decidira trabalhar por conta própria, os Cole lhe facilitaram tudo, alugando uma sala sobre a loja deles e lhe enviando vários clientes. Sem dúvida, não tinha amigos mais dedicados e compreensivos do que aquele casal.
Sem pensar duas vezes, tomou u banho e foi para a loja deles. Encontrou Ayame muito ocupada, mas no momento em que avistou Rin, a amiga encarregou um funcionário de atender os clientes e veio correndo abraça-la.
- Querida, estava morrendo de preocupação. O que houve com sua viagem à Espanha?
Kohaku tinha telefonado para os Cole tentando encontrá-la e os dois souberam que Rin não havia partido com ele. Mais tarde, Ayame ligara pedindo noticias e o rapaz dissera que a ex-namorada se encontrava em Tir Glyn.
- Preciso falar a sós com você, Ayame.
- É claro, vamos subir.
O apartamento de Ayame ficava no segundo andar. Depois que se acomodaram no sofá da ampla sala de estar, a amiga virou-se para Rin.
- Algum problema com Kohaku, meu bem? Vocês brigaram?
Rin respirou fundo e decidiu contar tudo de uma vez.
- Conheci outro homem esta semana e ele me pediu e casamento, Ayame.
- Oh! – a amiga arregalou os olho, numa expressão tão cômica que Rim sorriu. – Bem... essas coisas acontecem. Mas que tal me contar tudo desde o começo? Quem é essa maravilha, capaz de virar sua cabeça da noite para o dia?
Rin levantou-se e foi até a janela, olhando pensativa para a rua movimentada, lá embaixo. Ayame era uma pessoa madura e equilibrada. Claro que podia confiar nela. Mas assim mesmo achou melhor não falar em Tom Reading. A historia era absurda demais.
Virou-se para a amiga e suspirou.
- Fique uma semana em Tir Glyn e Sesshoumaru Fenton estava lá. Nós... Foi uma convivência muito agradável e, ontem, ele me disse que havia terminado tudo com Kagura. Depois... me pediu em casamento.
- Pediu? – Ayame ainda não conseguia esconder o espanto.
Talvez ela acreditasse mais facilmente se soubesse que não se tratava de nenhuma grande paixão, Rin pensou.
- Ele disse que precisava de uma esposa e que está cansado de oportunistas.
- E você? Aceitou?
- S... sim. Mas acho que fiquei apavorada. Ayame. Devemos nos casar daqui a quinze dias.
Ayame assobiou baixinho.
- Ele está aqui em Londres?
- Não. Viajou. Acho que só o verei no dia do casamento. – Rin torcia as mãos, nervosa. – Não sei o que fazer.
- Case com ele. – Ayame disse com firmeza, sua natureza prática reagindo de imediato. – Jamais terá outra chance como essa.
- Sei disso.
- Então você o conquistou... – a amiga riu. – Pois saiba que esse Sesshoumaru Fenton não poderia ter escolhido melhor. Qualquer homem será feliz a seu lado, querida. Vão se casar aqui?
- Sim. Mas, por favor, não conte a ninguém. Ayame. Não sei ao certo o que vai acontecer, nem se é isso mesmo que desejo. E às vezes penso que Sesshoumaru está me usando para conseguir Kagura de volta... – a ideia já havia ocorrido, mas só agora Rin ousava dizê-la em voz alta.
- Acho mais provável que ele tenha se referido a Kagura, quando falou em mulheres oportunistas. Tenho certeza de que decidiu se casar com alguém totalmente diferente, em quem possa confiar. E você é uma garota digna de confiança, como não se encontra mais nos dias de hoje.
- Não sei. Ayame. Não consigo chegar à conclusão nenhuma.
- Parece simples, meu bem. Ele está apaixonado por você. – sob a aparência fria, Ayame era uma romântica incurável.
"Não", Rin pensou. Sesshoumaru tinha seus motivos para pedi-la em casamento, mas com certeza o amor não estava entre eles.
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N/a: como prometido mais um capitulo, espero que todos estejam gostando.
Até a próxima, deixe recadinhos que isso me faz muito feliz.
Ja ne!
Agradecimentos:
Julia: rsrs não precisa morrer, afinal nem demorei para posta o novo capitulo! Continue acompanhando, pois ainda tem muita coisa para acontecer com esses dois. Rsrs
Graziela Leon: adoro ouvir sua opinião, me deixa tão animada para continuar a escrever! Rsrsrs Algumas coisas já foram esclarecidas, como o tal noivado da Kagura e o verdadeiro nome do Sesshoumaru... mas a Rin ainda parece não acreditar no que esta acontecendo. Continue acompanhando.
Próximo capitulo: O dia do casamento!
